segunda-feira, 13 de julho de 2026

A Copa do Mundo em pílulas - 9 - Semifinais sem surpresas

*por Humberto Pereira da Silva


França, Espanha, Inglaterra e Argentina são as semifinalistas da Copa. Nenhuma surpresa. Nada diferente do esperado. 

Não houve assim, com as quatro confirmando expectativas, grandes zebras, decepções. Não houve, como nas duas Copas anteriores, sopa para o azar e Croácia ou Marrocos se intrometendo.

Sem grandes zebras, decepções, nenhuma surpresa, portanto, terem chegado onde chegaram Alemanha e Brasil. Se decepcionaram, no lugar de quem estariam? E, mais, se decepcionaram, as quatro seleções semifinalistas não seriam... justamente esperadas, ora pois. Para desgosto do meu aluno Marcos Teixeira, editor deste espaço, Portugal cumpriu sua sina de ser... Portugal.

Sobre as que chegaram, aliás, vale observar o que cada uma representa, ou tem representado, no futebol nos anos recentes. 

Comecemos com a Inglaterra e o pé frio inglês. Em Copa do Mundo, os ingleses travam, mas de 2018 pra eles têm batido na trave. Na Copa de 2018, ficaram em 4º lugar, e, na sequência, dois vices da Euro, em 2020 e 2024, fruto de um projeto iniciado em 2014, o "England DNA", que o The Athletic, braço esportivo do The New York Times, explica neste artigo. And "the football, finally, might be coming home".

A Espanha, por sua vez, despontou como grande força de fato entre seleções apenas nesse século. O futebol espanhol, contudo, oscila, não corresponde quando se espera muito, e surpreende quando menos se espera: campeã da Euro  2024, a geração atual gerou grande expectativa, mas chega à semifinal sob desconfiança. 

Bem, as outras duas semifinalistas, França e Argentina, dominam o cenário de 2014 pra cá. Uma ou outra,  ou as duas, estiveram em todas finais de Copa do Mundo.

Sem surpresas nesta fase - e aqui não estou falando de Cabo Verde ou RD Congo, de bonito trajeto - ou decepções, Alemanha e Brasil, obviamente, não decepcionaram. Ou, decepcionaram tanto quanto a Itália, ausência de peso pela terceira edição seguida.

A esse respeito, sobre essas poderosas seleções, com a chegada do primeiro centenário da Copa do Mundo, elas viram, estão vendo nos recentes 20, 20 e tantos anos, a ascensão da França e da Espanha, que durante muito tempo foram apenas surpreendentes. A surpreendente fúria espanhola em 50. A surpreendente França de Just Fontaine em 58.

Com ascensão de Espanha e França, sem surpresas, decepções, apenas a afirmação e constatação do esperado: a decadência das poderosas Alemanha e Brasil.

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo

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