quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Messi fica afastado por cerca de 15 dias dos gramados

* por Thago Albino

O argentino Leonel Messi, que atua no Barcelona, sofreu uma lesão no tornozelo direito, após uma entrada dura de Tomas Ujfalusi, do Atlético de Madri, durante a vitória do time da Catalunha por 2 a 1.
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De acordo com os médicos do clube catalão, o meia sofreu uma distensão no ligamento do tornozelo direito. Com isso, Messi ficará fora das próximas partidas do Campeonato Espanhol, podendo até mesmo não jogar a próxima partida da Liga dos Campeões, dia 29 contra o Rubin Kazan.
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*Thiago Albino, 19, é estudante de Jornalismo

sábado, 11 de setembro de 2010

O tempo

Somos prisioneiros do tempo. Todos nós. É estranha a nossa relação com ele. Desde cedo jogamos contra o relógio, exceto na dita primeira infância, já que, crianças que somos, não temos preocupação alguma, a não ser a de brincar. Deliciosamente despudorados, não nos interessa o que os outros pensam.




A partir daí queremos que ele, o tempo, passe logo para que sejamos tratados de forma diferente. Queremos ser adultos. Os primeiros fios de bigode, então, são um prêmio, valem ouro. Ridiculamente cultivados até que percebamos que não passam de uma tentativa de parecermos mais velhos, apesar do atestado de adolescente recém "pós-imberbe". Logo, o primeiro barbear é um momento solene: aquele monte de espuma para tirar meia dúzia de três ou quatro pêlos mal e porcamente distribuídos (uma ova! espalhados, isso sim) pelo rosto é algo inesquecível.

A tão esperada fase adulta vem acompanhada das cobranças, das responsabilidades. Ah, que saudade do colo da mãe, da proteção do pai, essas dádivas desprezadas na arrogância da adolescência. Daríamos nossas almas pela paz que passou-nos despercebida no tempo.

O tempo, aliás, é um senhor de atitudes curiosas. O melhor da nossa essência é alcançado na maturidade, justamente quando o corpo cobra o preço (ele sempre cobra) dos abusos cometidos nos arroubos da juventude. As noites mal dormidas, os exageros nas farras, nas festas, dos amores eternos que duraram até o cantar do galo, ou nem isso.

A segurança e a serenidade da experiência chegam com o rarear dos cabelos, do ar que nos foge de repente. Vai-se o vigor, vem o cansaço, que pode ser dosado graças à vivência. Somos obrigados a ser safos, pois disto depende nossa própria sobrevivência.

Ele, o tempo, dá com uma mão e tira com a outra. E é nesta maldosa benevolência que trilhamos o caminho que resolvemos seguir. No final do curso o sucesso dependerá da sabedoria amealhada e a forma de como fora empregada.

Ah, o tempo. Tudo gira em torno dele. O tic-tac indelével que nos faz olhar o mundo com os olhos da alma. Quando os olhos falharem, será o coração quem dirá se valeu a pena ou não. E este dia, leitores, virá. Cedo ou tarde. E só o tempo é quem dirá quando.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os tempos eram outros

Hoje, 7 de setembro, a Portuguesa completou sete jogos sem vitória pela Série-B. Dos últimos 21 pontos a Lusa conquistou apenas dois, o que fez com que despencasse da segunda para a nona colocação na classificação. Como no ano passado, vira o turno em jejum de vitórias, em crise e, possivelmente, sem treinador.
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Vadão, nos três últimos anos, subiu Vitória e Guarani. No entanto, parece ter perdido a mão sobre o elenco. Seu estilo "paizão" não surte mais efeito e a nau lusitana segue à deriva, com os comandados amotinados. O próprio grupo já estaria apontando o treinador como o responsável pelo mau futebol apresentado.
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Não bastasse isto, o buraco luso é muito mais em baixo. Temos a maior folha salarial da Série-B, por volta de R$1,5 milhão. Paga-se uma fábula para o Domingos, zagueiro de parcos recursos, apesar de voluntarioso, rasga-se dinheiro com o Dodô, que nunca havia jogado a Segundona e está em fim de carreira, sem contar a grana torrada com o uruguaio Gustavo "El Grillo" Biscayzacu, que nem relacionado para os jogos tem sido. Por baixo, com estes três jogadores, são mais de R$200 mil.
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Embora eu reconheça os méritos de quem pegou a Lusa à beira da falência e hoje consegue pagar os altos salários em dia, não posso furtar-me de ver que, nos últimos oito anos, diputamos a Primeira Divisão uma única vez. Como o carro-chefe do clube é o futebol, tudo o que foi feito visando sanar as dividas do clube fica em segundo plano.
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Faz-se necessário que o futebol seja gerido por gente que, reconhecidamente, entenda do assunto. A Lusa não pode depender da abnegação (e do dinheiro) de um Luis Yaúca, tampouco ser refém de dirigentes que enfiam jogadores pela goela do treinador abaixo. Ou seja, falta é gente de colhões para bater na mesa e mostrar quem é que manda. Como, certamente, faria o saudoso Osvaldo Teixeira Duarte que, por muito menos, em 1972, promoveu a Noite do Galo Bravo, afastando alguns medalhões do time. Pena que os tempos eram outros, os homens eram outros, a Lusa era outra...

Nariz de palhaço

Não que eu acreditasse no uso do Canindé para a Copa, mesmo porque eu sei que os interesses políticos ecoam como sempre, mas não posso deixar de lamentar o fato de a CBF, o governador Alberto Goldman e o prefeito Gilberto Kassab já apresentarem o "Fielzão" como estádio paulistano da Copa sem antes verem os outros projetos, e pior, sem ver os que já existem.

Trata-se de (mais) um tapa na cara de qualquer pessoa que preza a democracia e a decência. É um fétido jogo de interesses, no qual os agraciados pelas benésses nadam de braçada. Se antes faziam às escuras, por vergonha, hoje escancararam de vez, confortáveis que se sentem, sem a obrigação ética e moral de, ao menos, parecerem pessoas de bem. Isto já não faz a menor diferença.

Isto posto, já posso usar meu nariz de palhaço e preparar-me para abrir o bolso. Façam o mesmo, caros leitores.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Canindé e a Copa



Na semana passada a Portuguesa completou 90 anos de existência. Durante as festividades, que começaram no sábado, 14, e irão se estender até o próximo dia 21, um fato chamou a atenção de toda a crônica esportiva: o presidente Mané da Lupa oficializou a intenção da Lusa em fazer do Canindé a sede paulista da Copa do Mundo de 2014.

Até ai, apenas uma espécie de Protocolo de Intenção. O presidente apresentou o projeto, que foi aceito pelas autoridades paulistanas presentes, e o nosso templo passou a ser uma das opções não só para os jogos da Copa, como também para a abertura do evento.

Uma coisa, porém, me aborreceu um bocadinho. Alguns membros da imprensa ridicularizaram a iniciativa rubro-verde, como se não tivéssemos o direito e nem condições para tal. Curioso é que os mesmo elementos defendem o Morumbi, o Palestra Itália e até a construção do "Piritubão", que cairia no colo do Corinthians, para o torneio.

Aí eu, singelamente, pergunto: por que não? A FIFA vetou o projeto "econômico" apresentado pelo São Paulo como alternativa ao primeiro, que foi aprovado, mas que não teve as garantias financeiras necessárias; contra a Arena Palestra pesa o fato de o estádio ficar numa área residencial, sem contar a dificuldade para que se construa um estacionamento; já a terceira hipótese, bem, melhor nem comentar.

Saibam os galhofeiros que o Dr. Osvaldo Teixeira Duarte é o estádio de futebol mais bem localizado de São Paulo. Conta com duas estações de metrô - Portuguesa-Tietê e Armênia - praticamente na porta, dispõe de ligação direta com os Aeroportos de Cumbica e Congonhas, que são as duas marginais, ampla rede hoteleira nas proximidades e espaço no próprio clube para fazer um estacionamento que comporte o proporcional a 10% da capacidade do estádio, como determina o Caderno de Encargos da entida máxima do futebol. Além de que os parceiros que a Portuguesa tem, segundo da Lupa, garantiriam a execução da obra sem a necessidade de entrar dinheiro público na parada (embora eu não acredite nenhum pouco nisto).

É bom deixar claro que sempre fui contrário à realização de eventos deste porte em países como o nosso, que têm outras prioridades, mas já que não tem mais jeito, que tiremos partido da ocasião. Mesmo porque, ao contrário de estádios como o do Pantanal e da Amazônia, a nova casa da Lusa não será um elefante branco, tampouco rubro-verde.

Imagem: Portal Ig

Maradona na Seleção Americana?

*por Thiago Albino


Há rumores de que o ex-técnico da Seleção Argentina, Diego Armando Maradona, possa assumir o comando da seleção norte-americana. Tudo porque o atual técnico Bob Bradley estaria de saída para assumir o Aston Villa, da Inglaterra.

Apesar de o argentino ter se oferecido para treinar o mesmo clube inglês, as conversas não avançaram. Sendo assim, El Pibe continua desempregado.

Segundo o empresário do ex-craque argentino, Walter Soriano, Maradona está conversando com alguns times europeus, mas nada de concreto, ainda.

Só para lembrar: Maradona não conseguiu levar a Seleção Argentina à final da Copa do Mundo, contando com estrelas como Messi, Tevez, Diego Milito e companhia. Caso se confirme, será que "Dieguito" conseguirá desempenhar um bom comando à frente da equipe norte-americana? É esperar para ver até onde vai essa novela. .

Thiago Albino, 19 anos, estudante de jornalismo.

Mais um Galactico

*por Thiago Albino

O Real Madrid anunciou nesta terça-feira a contratação do meia-atacante Mesut Özil, do Werder Bremen. O jogador de 21 anos, de origem turca e naturalizado alemão, foi umas das revelações da seleção alemã na Copa do Mundo da África do Sul.
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Restando apenas um ano de contrato com o astro, o clube alemão não conseguiu segurar sua joia. Os espanhóis pagaram cerca de 15 milhões de euros (R$33,8 milhões) pelo jogador, que assinou por seis temporadas com o time de José Mourinho.
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As negociações com o jogador ganharam fôlego devido a aproximação da estreia do Werber Bremen na Liga dos Campeões. Caso Özil participasse do jogo, não poderia mais jogar a Liga pelo clube espanhol.

Além do Real Madrid, o Barcelona, principal rival do time merengue, também se interessou pela jovem revelação da seleção alemã. Porém, em sua primeira entrevista coletiva, Özil falou que sempre desejou jogar na "melhor equipe do mundo".

O argentino Jorge Valdano, diretor-geral do Real Madrid, disse que o meia alemão é a "última contratação para a temporada 2010/2011", e que "se montou um bom time para os campeonatos que o time disputará neste ano".

Thiago Albino, 19 anos, é estudante de Jornalismo.

Mais um colaborador

A partir de hoje o Bola de Bigode conta com mais um colaborador. Trata-se de Thiago Albino, estudante de Jornalismo como este que vos escreve, que trará algumas novidades sobre o redondo mundo da bola. Assim, ele se junta ao Professor Humberto Pereira da Silva e nos ajudará a enriquecer este humilde veículo de opinião e, agora, informação.
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PS.: Estou tentando trazer para cá um olhar feminino. Se ela topar (irá), teremos uma visão um pouco mais detalhista e delicada do mundo. Basta de marmanjos de queixos ásperos e aspecto pouco amigável!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não poderia ter sido pior

Acabou, ainda na fase de oitavas-de-finais, o sonho de Portugal de ser campeão do mundo. Os lusos foram eliminados pela Espanha, que venceu o clássico da Península Ibérica pela contagem mínima, golo marcado pelo atacante David Villa.

A atuação frente aos vizinhos foi vexatória. Carlos Queiroz armou uma equipe extremamente defensiva, num covarde 4-1-4-1, no qual usou uma linha de quatro defensores, Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fabio Coentrão, com alguma saída deste para o ataque, protegidos pelo cão de guarda Pepe. No meio, quatro jogadores de bom toque de bola, Simão, Tiago, Raul Meireles e Cristiano Ronaldo, tendo apenas a parede Hugo Almeida na frente, trombando com os zagueiros de Del Bosque.

Contra o Brasil a tática deu certo. Com Ricardo Costa na lateral direita para marcar as descidas de Daniel Alves e Michel Bastos, a seleção portuguesa pouco foi amolada. Hoje, porém, enfrentou um time cujo ponto forte é o toque de bola pelo meio, com Xabi Alonso, Iniesta e Xavi. O certo, portanto, seria reforçar a marcação no meio, escalando um lateral de ofício na beirada direita - Miguel ou Paulo Ferreira - e colocando Pedro Mendes à frente da zaga. Assim, liberaria o ala esquerda Coentrão para fazer o que sabe de melhor: apoiar o ataque.

Após uma primeira parte absolutamente equilibrada, a Espanha acertou o pé e triturou Portugal. Não fosse o guardarredes Eduardo, teria saído do Green Point com uma goleda histórica. Pelos lados espanhóis, Xavi, sem marcação especial, jogou demais. Por Portugal, Cristiano Ronaldo, como de hábito, esteve mais preocupado com o penteado e sua imagem no telão do que em honrar a braçadeira de capitão, outrora usada por gente do quilate de Coluna, Figo e Rui Costa. Ele, Ronaldo, não pode ser o líder de qualquer equipa que seja: não inspira os demais, é fominha demais, é vaidoso demais.

As apostas de Queiroz fizeram água: Pepe, que atuou na cabeça-de-área, só deu porrada nos dois jogos que fez; Hugo Almeida, que barrou o experiente Nuno Gomes, foi uma absoluta negação, técnica e taticamente. Queiroz chamou dois laterais para a direita, mas lançou mão de um zagueiro para marcar ninguém menos do que o apenas esforçado Capdevilla.

Portugal foi um time sem brio, sem luta, sem nada. Faltou de tudo para os patrícios. Faltou um líder, faltou um esquema que beneficiasse a categoria dos ótimos volantes portugueses, faltou poder de fogo. Portugal só vazou a defesa da Coreia do Norte. No mais, foram mais de 270 minutos em branco. Muito pouco para quem, após sobreviver ao inferno da repescagem durante as Eliminatórias, tinha a ambição de dobrar o Cabo da Boa Esperança com a taça de campeão a tiracolo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ma che vergogna, Italia!

Uma vergonha. Assim pode ser definida a participação da Itália na Copa da África do Sul. Não só pelo fato de ter sido eliminada ainda na primeira fase, mas pelo paupérrimo futebol, se é que pode ser chamado de futebol aquilo que foi apresentado pelo time de Marcelo Lippi.



Os atuais campeões mundiais chegaram ao continente negro com um time experiente, mas envelhecido e muito, mas muito, mal convocado. Lippi levou um esquadrão de jogadores esforçados, mas pouco ou nada talentosos, como Pepe, Montolivo, Iaquinta e Di Natale, enquanto gente como os fantasistas Del Piero e Totti (que levou a Roma nas costas durante o Campeonato Italiano) e os goleadores Luca Toni e Inzaghi, que fedem a gol, ficaram na Velha Bota. Isso sem contar que utilizou a base da Juventus, que realizou uma temporada ridícula.

Desta forma, o único regista da Squadra Azzurra seria Andrea Pirlo, do Milan, mas este machucou-se ainda durante a preparação. Como opções para a função, o treinador tinha Marchisio e Montolivo, que não renderam, obviamente, e o ofício de marcar os gols ficou a cargo dos tão lentos quanto limitados Iaquinta e Gilardino.

Jogadores que poderiam alterar o panorama das partidas, como Cassano e Balotelli, não foram chamados por conta da fama de indisciplinados. O resultado foi um time sem padrão tático, burocrático demais até para os padrões italianos, sem inspiração alguma e que apresentou o pior futebol que uma Itália já apresentou em um Mundial, exceto pelo final da fatídica e dramática derrota para a Eslováquia, quando a Itália finalmente foi Itália e tinha um Pirlo "meia bomba" em campo.


É correto afirmar que a Azzurra foi prejudicada pelas lesões, não só do meia milanista, bem como do craque-goleiro-mito-bandeira Buffon, mas as escolhas do técnico do tetra italiano durante a competição foram tão infelizes quanto a convocação. Camoranesi, que entrou bem nos dois primeiros jogos, foi preterido na última partida; Quagliarela, que quase operou o milagre da classificação, deveria ter tido mais chances, em vez de Pazzini e os já citados Simone Pepe, Gilardino e Iaquinta.

Nem a defesa, historicamente o ponto forte da Itália, se salvou. Marchetti não passa a mesma segurança do contundido Buffon, Chiellini esteve abaixo da crítica e o capitão Cannavaro deitou por terra toda a sua história, construída brilhantemente desde a Copa de 1998, mas que teve um melancólico ponto final no país de Nelson Mandela.

A exemplo de 2002, quando foi vergonhosamente prejudicada pelas arbitragens, os italianos poderiam até reclamar da atuação do trio inglês, que não viu a bola passar a linha do gol no início do segundo tempo, quando os eslovacos venciam por um gol, e que invalidou um gol legal de Quagliarela quando o placar marcava 2 a 1 para a Eslováquia. Acontece que a postura indigna para um país quatro vezes campeão mundial não justificaria a reclamação.

MELANCOLIA O capitão Cannavaro merecia um final diferente

Quando a poeira baixar e acabar de lamber suas próprias feridas, os italianos terão um árduo trabalho de renovação pela frente. Jogadores como Buffon, Cannavaro, Zambrotta e Pirlo deram adeus à seleção. Outros, como Santon, Candreva e Balotelli, que foram preteridos, deverão receber novas oportunidades. E que Césare Prandelle, o novo treinador, não seja um novo Donadoni.

Fotos: Reuters

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Em silêncio, mas feliz

Hoje eu passei por uma experiência interessante. Assisti ao jogo de Portugal em um hospital. Explico: minha mãe está passando por um tratamento e precisava de um acompanhante. Logo eu me prontifiquei a sê-lo.


Como fico extremamente tenso quando a Selecção das Cinco Quinas joga, ponderei que aquele seria o lugar mais apropriado para acompanhar a partida. O começo do jogo justificou esta opinião: pelota na baliza, em cabeçada do becão Ricardo Carvalho. Depois a Coréia do Norte resolver engrossar o caldo verde e deu trabalho, muito trabalho.


Ao meu lado, um senhor careca ressonava, desinteressado que estava. "Esse time de Portugal é fraco", sentenciou após um perigoso ataque dos asiáticos que o despertou. A sala de espera onde eu estava, devidamente trajado com a minha camisola verde-encarnada, tinha uma meia-dúzia de três ou quatro, se muito. Todos balançaram a cabeça, para cima e para baixo, concordando com o idoso. "Ah, nem precisa do Kaká pra ganhar", disse outro rapaz, após (mais) um passe errado do Miguel.


Eu, da minha parte, estralava as articulações dos dedos para poupar minhas unhas e suava frio. Coçava a nuca de cinco em cinco minutos, até que Raul Meireles abriu o escore, após passe de Tiago, açucarado feito um pastelzinho de Belém. A vontade era de sair gritando, mandando um solene "chupa!", mas hospital é lugar de fazer silêncio. Até o fim do primeiro tempo, Portugal tentava atacar e a Coreia do Norte permanecia bem postada, dando poucos espaços para o time de Carlos Queiroz.



O intervalo trouxe um pouco de sossego, logo quebrado pelas inúmeras mensagens provocadoras recebidas via SMS. "Depois do jogo eles me pagam", maldosamente pensei.

Na segunda parte a sala já estava repleta de secadores tupiniquins, que achavam graça no meu sofrimento silencioso. As chacotas aumentavam à medida em que o esférico teimava em não entrar. A Coréia voltou do balneário pensando que, ao contrário do que havia feito contra o Brasil, atacar seria melhor negócio. Portugal, perdulário, atacava sem parar e perdia tantas chances quantas eram criadas. Foi quando Raul Meireles achou Simão livre na área e caixa! Dois a zero e porteira aberta. Mais cinco minutos e Hugo Almeida marcou o terceiro e Tiago, o quarto. Cristiano Ronaldo, com a braçadeira, comandava, sem frescura, o time português, que não saia do campo de defesa asiático.



A esta altura, os olhares zombeteiros davam lugar a expressões preocupadas. Meu telemóvel, outrora muito requisitado, calou-se repentinamente, enquanto o capitão luso acertava outro petardo à barra, para o terror dos presentes - e o meu frisson -, que torciam desesperadamente para que o craque madridista recebesse uma cartolina amarela, já que estava pendurado. O senhor careca, acordado como nunca, mudava de ideia: "Time bom esse de Portugal..."


Em campo, o camisa sete portuga distribuía generosos passes aos companheiros, deixando-os na cara do gol. A Coréia, recuada e acuada, tentava alguma coisa em tiros de longe, mas faltava-lhe competência. Competência que não faltou a Liédson. O Levezinho, que acabara de entrar na vaga de Hugo Almeida, marcou o quinto golo.


Ao contrário dos que me acompanhavam, eu estava muito satisfeito com o que via. Enquanto eles faziam contas e, invariavelmente, confundiam-se nos cálculos de pontos, saldos, cartões e intermináveis conjecturas, eu só esperava por mais golos, que vieram pois, pelos pés de Cristiano Ronaldo e pela cabeça do Tiago, o melhor jogador em campo.



Ao final do jogo, os incrédulos e assustados assistentes que me fizeram companhia resolveram parabenizar-me. Diplomaticamente, respondi a todos com um sorriso e um simpático "tomara que empatemos na sexta", estabelecendo uma politica de boa vizinhança. Intimamente, porém, eu pensava: "empate é o cacete!" Ah, os torpedos eu deixei para responder na sexta-feira à tarde.

Fotos: Reuters

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Feio, muito feio, feio mesmo

A Copa do Mundo é um evento sui generis. É mais importante do que a Olimpíada. Logo, quando começa a chegar a hora de a bola rolar, fico ansioso. Chego a tirar férias só para assisti-la (não nesta, apesar dos meus protestos).

A Copa chegou, a imprensa, é claro, não fala de mais nada e eu estou vendo tudo o que posso. Acontece que esta é, por enquanto, a pior Copa a qual eu já assisti. Poucos golos, nada que faça jus à lembranças futuras e as irritantes vuvuzelas. Não se salva quase nada.

A primeira edição que eu vi foi em 1986, disputada no México e vencida pela Argentina de Diego Maradona. Foi a melhor também. Sem falsa modéstia, minha memória para jogos de futebol é prodigiosa. Naquele ano, as grandes seleções foram grandes mesmo. E neste ano? Fora Alemanha e Holanda, ninguém jogou.

A Argentina começou até bem, mas quase se complicou por causa das suas limitações defensivas. A empoeirada Itália fez um jogo chatíssimo contra o Paraguai, mas é a Itália... A França, que tem um ótimo elenco mas não tem time nem técnico, fez o que se esperava dela, ou seja, nada. Portugal se resumiu a um chute na trave. O Brasil penou para ganhar da Coreia do Norte. A Inglaterra não tem goleiro. Já a Espanha se superou: conseguiu perder para a Suíça. No caso da Espanha, o que surpreende é que a Fúria começou a fazer água logo cedo.

Ponderemos as possíveis causas: nervosismo da estreia, técnicos retranqueiros, bola "sobrenatural". Acontece que a tensão do debute existe desde 1930, portanto não é desculpa; os comandantes não são lá muito corajosos, mas não é a primeira vez que vemos gente privilegiando a defesa, e a bola foi concebida, de acordo com a Adidas, para aumentar a média de golos. Ao invés disto, caiu. Em 16 j0gos foram marcados 24 (média de 1,66 golo/jogo). Para se ter uma ideia de como está bravo o negócio, a pior média de todas as copas foi a de 1990: 2,22.

A verdade é que o problema está em quem veste as camisas, ecológicas ou não. Falta inspiração, faltam craques, falta tudo, falta as vuvuzelas silenciarem. Neste caso, teremos que conviver com elas até a final do Mundial, pois é da cultura da África do Sul. Se não quisessem, que não o fizessem na terra de Mandela.

A esperança é que o conforto da primeira rodada dê lugar à obrigação de vencer para não ir à última rodada com a corda no pescoço. Assim os espaços aumentem e os golos, rareados na primeira rodada, apareçam e o Mundial se salve. A primeira mostra foi dada hoje pelo Uruguai, que atropelou a anfitriã África do Sul. Honestamente, ainda bem que não estou de férias.

A Seleção de Dunga

Texto publicado também no sítio Digestivo Cultural

* por Humberto Pereira da Silva

Na Copa do Mundo de 90, na Itália, o técnico foi Sebastião Lazaroni, que um ano antes ganhara a Copa América, competição na qual o Brasil não ia bem (a conquista de 89 quebrou um jejum de quarenta anos nesse torneio, que até então era o preferido de argentinos e de uruguaios). Com a conquista da Copa América, Lazaroni teve carta branca da CBF e levou para a Itália a primeira geração pós Zico, Falcão e Sócrates. Esta geração, como se sabe, perdeu as Copas de 82 e 86. Lazaroni, então, formou uma seleção com alguns egressos de 86, mas fundamentalmente com espírito diverso da geração anterior e que tinha no meio-campista Dunga uma espécie de emblema daquele grupo que foi para a Itália com o peso de conquistar um título que há 20 anos o Brasil perseguia.
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A seleção de 90 não se deu bem, foi eliminada justamente pela Argentina de Maradona, e aquele time passou para o anedotário do futebol como a "Geração Dunga". A história tem seus caprichos e, em 94, Dunga, capitão da seleção contra a vontade de muitos que viam-no de sobrolho, levantou a Copa do Mundo, num feito esperado por 24 anos. Dunga, ainda, em 98, novamente como capitão da seleção, chegou a outra final de Copa do Mundo, contra a França. O Brasil, como todos sabem, perdeu a final, mas não lembro outro capitão de seleção em qualquer país que tenha chegado a duas finais seguidas de Copa do Mundo (quem foi o capitão italiano nas finais de 34 e 38? O jornalista Paulo Vinícius Coelho, do ESPN e jornal Folha de S. Paulo, que se esmera com memória invulgar, responderia de bate pronto?).
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Dunga e sua geração foram estigmatizados em 90, ganhou a Copa de 94, mas, quando a Copa acabou, voltou-se para a imprensa e disse "esse título é para vocês, seus traíras!" Na época, com o título, Dunga tinha um alvo bem fixo: a imprensa esportiva. O tempo passa e, após a controvertida participação na Copa da Alemanha em 2006, Dunga foi chamado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para técnico da seleção. No início, desconfiança; depois, títulos, vitórias incontestes sobre a arquirival Argentina, sobre o Uruguai em Montevidéu, classificação antecipada para a Copa Sulafricana de 2010. Mas, após a convocação, a imprensa bate pesado em Dunga, que, quando tem microfones e holofotes, revida com virulência que impressiona.
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Recentemente, em entrevista coletiva, Dunga afirmou, para afrontar os jornalistas, que a seleção era sua. Se perder, será ele e sua seleção que serão derrotados e, portanto, alvos de ira jornalística. Dunga, por isso, foi acusado de levar para o "pessoal" o que é um trabalho jornalístico. O que se pode extrair é que Dunga, como figura do futebol brasileiro, marca como poucos (como jogador ou agora como técnico) sua passagem na seleção. Com seu estilo duro e seco, ele não agrada a gregos e troianos, mas creio que seria o caso de observá-lo com um olhar, digamos, mais pausado: ele tem história, sabe o que é futebol para além das pranchetas dos jornalistas especializados (tenho em vista principalmente Paulo Vinícius Coelho), ganhou, perdeu, foi estigmatizado e convocou uma seleção praticamente pautada pela relação de confiança num grupo que se formou ao longo desses últimos quatro anos.
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Espera-se que uma seleção não agrade a todos. A "seleção de Dunga" não é a que muitos gostariam, mas o que muitos podem não gostar, e isso não tem importância, é que ele dá a incautos e especialistas, com certa generosidade inconsciente, motivos para pensar. Se perder esta Copa, como ele e todos nós sabemos, será execrado; se ganhar, pode até ser desdenhado, como muitos desdenham a conquista de 94, mas a terá ganho e, junto ao coro dos ressentidos, ouvir-se-á: HEXA! O que se pode aprender com Dunga e sua seleção? Revelamo-nos à altura dos acontecimentos quando nos elevamos na vitória e na derrota, não quando choramos e procuramos culpados, como crianças imberbes que não têm a bola só para si.
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Mas o que quer dizer que Dunga leva para o lado "pessoal" o que seria um trabalho jornalístico? Creio que há muito tempo o trabalho da imprensa esportiva em época de Copa do Mundo, principalmente, carece de autocrítica. Para além da ajeitada de meia de Roberto Carlos na jogada que resultou no gol de Thierry Henry na derrota para a França na Copa de 2006, a imprensa tem também grande parcela de culpa pelo insucesso da seleção. O papel da imprensa esportiva é ― todos com bom senso hão de concordar ― cobrir a seleção, manter-se numa posição quase neutra para falar o que acontece, digamos, de "bom" e de "ruim". Mas muitos, muitos jornalistas acabam por ter uma influência que vai além da mera cobertura profissional. Num momento como o de Copa do Mundo, de ânimos exacerbados e de paixões incontidas, muitos jornalistas esquecem o profissional e falam da seleção como se fosse uma coisa "pessoal", de torcida a favor ou contra conforme não tenham a seleção que desejam.
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O que esperar dos jornalistas? Na posição em que eles estão, menos paixão, mais discernimento e cultura futebolística. Dunga tem história e sabe bem mais de futebol do que possa desconfiar nossa vã filosofia. O que esperar de Dunga? Que, se perder, tenha a dignidade e grandeza que tem demonstrado ao longo de sua carreira: uma derrota, como os gregos ficaram sabendo com os trezentos liderados por Leônidas em Termófilas, não é simplesmente uma derrota. Basta, para tanto, ler as belas páginas de Heródoto. As derrotas em 82 e 86 serviram para que não se cometessem erros similares em 94. A derrota em 2006 traz uma experiência a não ser seguida agora em 2010. A presença de Dunga como técnico da seleção afirma que em 2010 não se repetirá o que ocorreu em 2006.
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Dunga leva para o pessoal? Aí os jornalistas precisariam ter grandeza. Em certos momentos, argumentar que alguém leva para o "pessoal" tem algo como falar da bota do soldado antes do desembarque na Normandia. Quem entra em campo de batalha sabe o que pode sofrer, ou pelo menos o que o espera. Imagino no Dia D um soldado a reclamar que a guerra era uma questão pessoal. Estabelecidas as bases para o embate, não posso me esconder sob o manto dos sentimentos pessoais, com o risco de parecer criança sem a bola do jogo. Ao bater, é ingênuo exigir que meu oponente não me bata com força igual ou maior.
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O que parece mais saliente com esta "seleção de Dunga" é que grande parte da imprensa está tendo, como teve no passado, grande dificuldade para reagir com grandeza no caso de uma conquista ou de uma derrota. O que espero dos jornalistas em caso de uma vitória não é outra coisa senão lembrarem sempre que essa é a "seleção de Dunga", que assim se manifestou para lembrar que seu time não satisfaz o desejo de grande parte imprensa. Mas, a essa altura, alguém pode imaginar que creio que segmento expressivo da imprensa esportiva torce contra a seleção.
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Não acredito, sinceramente, que algum jornalista sério, mesmo que espinafre a seleção de Dunga, torça contra ela. Acredito é que o jornalismo esportivo no Brasil, em grande parte, reverbera a voz da galera, ecoa paixões incontidas, se dispersa em dores de jogadores como Kaká, fofocas de corredores e perde o senso de grandeza e de responsabilidade diante do evento. Raras vezes, cito Juca Kfouri (da ESPN e Folha de S. Paulo), vi um jornalista fazer meaculpa. Não é, portanto, que muitos bons jornalistas torcem, digamos, contra, é que perdem o senso do que dizem e de seus efeitos. Se não quero levar meu alvo de crítica a falar e depois, em momento de fraqueza, acusá-lo de levar para o "pessoal", eu teria que ter discernimento e acuidade para acusar a mulher de Cesar sem ofender Cesar.

*Humberto Pereira da Silva, 47 anos, é professor 
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de 
cultura de diversos órgãos de imprensa.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A vitória e o ranheta

Estou meio rabugento, hoje. Para falar a verdade, a vida não tem sido fácil neste ano. Parece que tudo cai sobre a minha cabeça, de uma só vez. A ponto de eu ouvir o jogo da Lusa contra o Santo André com o mesmo entusiasmo que se tem ao dançar com a irmã.
E olhe que foi um jogaço. Não do ponto de vista técnico, mas emoção não faltou. O Santo André, que foi vice no Paulistão, estreava uma dupla de ataque: Anderson Gomes e Borebi; pela Lusa, surpresas no mesmo setor: Héverton liberado, após ver sua pena revertida em multa, e Kempes, que substituiu nosso (muito) grande Luiz Carlos.
Eles foram os responsáveis por todos os golos. Primeiro, Borebi, de bicicleta, após (mais uma) falha do Preto Costa. Logo em seguida, Kempes empatou. Perdemos umas boas chances, aí o Ramalhão voltou à frente, com o outro estreante do ataque, Anderson Gomes, após falha do "goleiro" Andrey. "É hoje...", pensei. Mas a coisa inverteu: o time do ABC teve a chance de ampliar, mas não fez. Então Kempes brilhou de novo. Até o final do primeiro tempo pouco aconteceu e as equipes desceram pros vestiários com um surpreendente 2 a 2.
Logo no início do segundo tempo, jogadaça do Athirson e pênalti pra nós. Lá foi Héverton chamado à prova e não falhou: virada lusitana, consolidada logo depois, com novo gol do Heverton, cinco minutos mais tarde. A partir daí foi um comboio de golos perdidos pela Lusa. Até que o ex-boxer-palmeirense Maurício resolveu falhar também e Borebi marcou mais um. Daí até o final foi um sufoco desgramado. Não só pelas seguidas falhas da retaguarda rubroverde, mas também pelo desperdício do pródigo ataque luso.
Por fim, o placar foi justo e o jogo deixou algumas impressões: Athirson, se não se machucar, será o maestro da volta à Série-A; o Andrey não pode jogar na Portuguesa e nossa zaga é simplesmente medonha. Pois é, mesmo com a vitória eu continuo rabugento.

sábado, 22 de maio de 2010

Que 2010 seja diferente

Começou a Série-B de 2010. Na verdade, já estamos na sua terceira jornada. Podemos, de saída, apontar umas sete ou oito equipes com chances reais de ascenderem à primeira divisão: Sport, Náutico, Coritiba, Figueirense, Santo André, Ponte Preta e, é claro, Portuguesa. Em outras palavras, será uma das mais equilibradas de sempre.

Embora eu não acredite em líder - ou lanterna - de quatro rodadas, já é bom colocarmos as barbas de molho. Deixamos de subir, no ano passado, por causa de uma sequência de partidas sem vitórias. No Paulistão ficamos seis jogos sem vencer e sucumbimos à obrigação de ganhar os últimos seis. Como vencemos quatro, sobramos de novo.

A Portuguesa ainda não pegou o jeito dos pontos corridos. Quando o campeonato é classificatório, há brecha para tropeços. No caso dos pontos corridos, quem for mais regular, leva. E se tem uma coisa que a Lusa tem primado, nos últimos anos, é pela irregularidade. Sintoma típico de quem está pressionado, pois um tropeço fora de hora tem o poder de desestabilizar o ambiente e deitar por terra todo o trabalho.

Como o ano é de Copa, haverá recesso durante o campeonato. Será uma ótima oportunidade para que o Vadão veja o que tem nas mãos e promova as mudanças necessárias. Falando nisso, os anos em que temos o maior torneio de mundo da bola têm sido emblemáticos para nós, rubroverdes: em 1998 houve a "castrillada" que nos tirou das finais; em 2002 caímos pela primeira vez; em 2006 fomos rebaixados no Paulista e quase chegamos ao inferno da Série-C. Que 2010 seja diferente.

sábado, 15 de maio de 2010

Nossos Carlos

Caríssimos, como de hábito resolvi esperar um pouco pra tentar entender o que se passou nas listas de convocados das seleções lusófonas para a Copa. Vou ser bem sincero com vocês: não gostei de ambas.

Pra início de conversa, falemos sobre os escolhidos do Dunga. Deles eu só não esperava pelo Gomes, do Tottenham. Apostava no Victor, do Grêmio, ou no Hélton, guardarredes do Porto. No mais o Dunga não me surpreendeu. Inclusive na convocação do Grafite, já que ele esteve bem quando foi colocado em campo e eu tinha ouvido um cochicho, de fonte securíssima, quanto à sua convocação. Entretanto, se há um atacante que deveria ser convocado, pelo que vem jogando ou pelo que mostrou nas vezes em que atuou pela Seleção, este é Diego Tardelli. Se tivesse convocado o atacante do Galo, ninguém poderia chamar o treineiro de incoerente.

No que toca aos ausentes, talvez o PH Ganso, do Santos, e o corintiano Roberto Carlos poderiam ter lugar. O primeiro, porque seria um bom regra três pro caso de o Kaká não poder jogar. Já o experiente lateral não precisa ser testado, não é ruim de grupo e está jogando muito. Além do mais, os dois nomes chamados pra posição, Michel Bastos e Gilberto, além de jogarem no meio de campo, não vivem lá os melhores momentos da carreira.

Neymar não tem lugar, Ronaldinho Gaúcho não merece jogar outra Copa, Ronaldo é um ex-jogador em atividade e Adriano se desconvocou. Este se sobressai pelo enorme vigor físico que tem, pois tecnicamente é apenas comum. Como não tem agido como atleta, tornou-se um atacante mediano.

Embora entenda as razões que o levaram a chamar quem chamou, não significa exatamente que eu tenha gostado. Com esse inchaço de volantes e meias com características defensivas, ficou claro que a postura do Brasil de Dunga será especular e sair nos contra-ataques rápidos. Afinal, quem joga no erro do adversário, como faz o escrete nacional desde que o capitão do tetra assumiu o comando, não necessita de meias cerebrais. Basta ter médios que tenham um bom passe (e isso tanto Ramires, Felipe Melo e Josué têm) para acionar sobretudo os laterais, estes os principais fornecedores de bolas para os atacantes tupiniquins.

O que me preocuparia, caso estivesse torcendo para o Brasil, seria o fato de que, se marcarem as laterais e o único meia de criação, por ora Kaká, matarão o time, que dependeria exclusivamente dos lampejos do Robinho e do oportunismo do Luís Fabiano. Pra sorte do Carlos Caetano o país conta com a melhor defesa do mundo, que tem os ótimos Lúcio, Juan e Luisão, além do Júlio Cesar, melhor goleiro do planeta e que voltou a jogar bem. Ainda assim, acho pouco para uma Copa.

Pegando o voo Rio de Janeiro-Lisboa, chegamos à lista dos eleitos de Carlos Queiroz, selecionador de Portugal. Causaram-me espécie alguns nomes que constam e que faltam. Foram chamados 24 jogadores, numa referência clara de que irão esperar até o último instante pra ver se Pepe terá condições. Caso não as reúna, será cortado, estando o sportinguista Pedro Mendes já ambientado.

A presença do médio leonino foi uma das surpresas, assim como José Castro, lateral do La Coruña, Ricardo Costa, zagueiro do Lille e dos goleiros Daniel Fernandes, que atua no grego Iraklis(!), e Beto, do Porto. Ora essa! Como é que o Queiroz deixa de fora o principal goleiro do Campeonato Português, o benfiquista Quim, para chamar o Beto, que é reserva do Porto? Não por eu ser benfiquista, mas nosso arqueiro é o melhor pra posição. Agora, estranha mesmo foi a ausência do João Moutinho. Ele esteve presente em todas as convocações desde pouco antes da Eurocopa e ficou de fora. Como consolo, está na lista dos seis reservas, caso algum dos convocados não possa ir.

Particularmente, gostaria de ver o Nuno Gomes jogando sua terceira Copa, mas isso é apenas um gosto pessoal, apesar de ter que aturar o Hugo Almeida. No mais estamos bem serviços, apesar das laterais, eterno calcanhar de Aquiles do time desde que Dimas se aposentou. Temos Deco, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, mas não é o suficiente para algo maior do que sonhar.

O bacalhau está de molho, os tremoços já estão na geladeira e o vinho e a sardinha só esperam para serem degustados. E quero fazê-lo, em 11 de julho, assistindo a Brasil e Portugal. Com estas listas ficou mais difícil, mas confiemos nos Carlos, o Caetano e o Queiroz.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Batalha de Nuremberg



Corria o ano de 1945 quando Nuremberg, na Alemanha, sediou aquele que foi o julgamento mais emblemático de todos os tempos. No dia 20 de novembro daquele ano os principais líderes do III Reich começaram a ser julgados pelos crimes cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. O tribunal decretou 12 condenações à morte, três prisões perpétuas, duas condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de dez anos, além de três absolvições. O episódio ficou para a História como o "Tribunal de Nuremberg".


A mesma cidade alemã foi, quase 60 anos depois, o palco de um dos maiores e mais violentos jogos da história das Copas. Portugal e Holanda degladiaram-se  literalmente  pela fase de oitavas-de-final da Copa de 2006. A Selecção das Quinas ficou com a vaga, mas começou a perder o Mundial naquela partida.


O jogo marcou um duelo no mínimo interessante: Scolari x Van Basten. Quando eram jogadores, tratavam-se de atletas com características completamente opostas. Se Luíz Felipe Scolari era um zagueiro tosco e de parcos recursos técnicos, tendo passado sua carreira obscuramente por clubes de pouca expressão, Van Basten foi um dos melhores atacantes de todos os tempos, tendo brilhado pela própria seleção holandesa e pelo grande Milan da década de 80.

A primeira fase foi mais tranquila pro time de Felipão do que para os comandados de Marco Van Basten. Portugal terminou em primeiro lugar no Grupo D, com três vitórias, contra Angola, Irã e México. Já a Holanda, que esteve no chamado "Grupo da Morte", terminou na segunda colocação, com sete pontos, ao lado da Argentina, mas com saldo de golos pior e à frente de Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.

Um ingrediente novo esquentava o confronto: a recente rivalidade entre as seleções. Portugal fora algoz dos holandeses nas Eliminatórias da Copa de 2002, quando estes sequer foram à repescagem. Dois anos depois, na Eurocopa, Portugal voltou a despachar a Holanda, já nas meias-finais. E no dia 25 de junho, no Frankenstadion, estavam frente a frente, mais uma vez.

Para mediar o jogo a FIFA designou o árbitro russo Valentin Ivanov. Foi uma guerra. Logo aos sete minutos o cavalo holandês Boulahrouz entrou, criminosamente, de sola no Cristiano Ronaldo, causando sua saída da partida minutos depois. Ivanov deu apenas cartão amarelo ao holandês, quando a cartolina encarnada cabia perfeitamente.



Foi a deixa pro pau comer. Ao final do duelo, foram 20 cartões, sendo 16 amarelos (nove para Portugal e sete para a Holanda) e quatro vermelhos (dois pra cada lado). Nunca antes se mostrou tantos cartões num só jogo em Copas.


Em momento algum o árbitro teve o comando do jogo. O primeiro cartão recebido pelo meia Deco, por exemplo, ocorreu após um erro grotesco do russo: a Holanda estava no ataque quando o defesa português Ricardo Carvalho atirou-se à bola para barrar uma finalização de Kuyt. A bola ficou com os portugueses, que armaram um contra-ataque letal. Inexplicavelmente, quando o esférico já estava perto da área holandesa, o jogo foi parado para que o luso fosse atendido. 

No reinício, quando Portugal esperava que a Holanda devolvesse a bola, Heitinga partiu em velocidade contra a baliza defendida por Ricardo. Deco deu no meio dele e recebeu o cartão. Minutos depois, ao retardar o reinício da partida retendo a bola, foi expulso. No mais, pouco futebol e muita, mas muita, pancadaria. Nem o craque Figo passou incólume: durante uma das diversas confusões, o então melhor do mundo deu uma cabeçada no carniceiro Van Bommel, mas só recebeu o amarelo.




Ah, o placar do jogo foi Portugal 1 x 0 Holanda, gol de Maniche, aos 23 minutos do primeiro tempo. Depois despachou a Inglaterra, nos pênaltis, e só caiu na semi-final (e no apito) contra a França.




Imagens: ESPN

Navegar é preciso

Na próxima semana o técnico Dunga convocará os jogadores que levará à Copa do Mundo. Quase todos os olhos do país estarão voltados para o Rio de Janeiro. Quase todos, pois os meus não. Tudo bem, digamos que eu fique assim, de rabo de olho, espiando um bocadinho. Meu foco, mesmo, estará em Portugal, à espreita da lista de Carlos Queiroz.



Considero, como já deixei claro antes, a Seleção Portuguesa uma das mais fortes do mundo e a incluo no rol das favoritas, apesar de a sorte ter-lhe sido madrasta no sorteio que definiu os grupos do Mundial. O grande desafio, o jogo que praticamente selará o fado português na África é justamente a estreia contra à perigosa Costa do Marfim. Isso porque, em caso de derrota, a partida contra o Brasil ganhará as cores da dramaticidade em seu tom mais vívido.

A primeira partida é sempre complicada. Não só pelo fator emocional, mas principalmente no aspecto tático. Até porque a tendência é a equipa crescer durante a prova. Com um adversário do porte dos marfinenses, qualquer deslize poderá ser faltal. Além disso, Queiroz terá problemas para encontrar o conjunto ideal. A principal equipe do país, o Benfica, é composta basicamente por estrangeiros. Terá que recorrer, portanto, à base do Porto, que não vive uma temporada das mais felizes. No mais, os lusos estão espalhados pela Europa, o que, diga-se, não é "privilégio" da equipa das Cinco Quinas.


Outro complicador, por incrível que possa parecer, é Pepe. Zagueiro no Real Madrid, tem atuado pelo time nacional na cabeça-de-área. Se não puder contar com o luso-brasileiro, que passou por uma cirurgia no joelho e está em fase final de recuperação, Queiroz terá que repensar toda a estrutura tática do time. Um plano B, de acordo com o treinador, já existe, mas só saberemos caso o defesa/trinco não possa ir à Africa. Com ele, Portugal poderá levar um jogador de características ofensivas a mais.


Mas calma lá, ó Malta! Também temos boas notícias: Nani, Simão e Raul Meireles atravessam, talvez, o melhor momento de suas carreiras na seleção. Liédson resolveu o problema da escassez de golos presente desde que Nuno Gomes foi preterido. Deco é sempre uma solução e Cristiano Ronaldo segue gastando a bola em Madri. Além do mais, na baliza, o bracarense Eduardo firmou-se e Quim, guardarredes do Benfica, voltou a jogar bem.


Enfim, amigos, temos bala e bola para fazer bonito depois que cruzarmos, outra vez, o Cabo da Boa Esperança. Podemos, sim, sonhar com a taça. Digo "temos" pois engrosso a lista de adeptos da Selecção das Cinco Quinas. Navegar é preciso, torcer também é.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Entre Scolari e Lazaroni

Faltando poucos dias para o anúncio dos 23 jogadores que representarão o Brasil em mais uma Copa do Mundo, a pressão para que Dunga leve a dupla Neymar-Ganso aumenta a cada dia. Dunga não é o primeiro, nem será o último. Lazaroni não levou o hoje comentarista Neto pra Itália, assim como Felipão deu de ombros ao clamor nacional e deixou Romário no Rio, em vez de levá-lo à Ásia. A diferença, aqui, é que o Felipão voltou com a taça e ninguém mais lhe encheu o saco. Já Lazaroni...


Podemos apontar o dedo para o Dunga por diversos motivos, mas se tem uma coisa pela qual o gaúcho prima é o respeito pelos seus critérios. Assim que chegou, esquentando a cadeira até a sonhada volta de Scolari, tratou de enquadrar as duas estrelas da companhia: Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Ambos voltaram, mas este não aproveitou as infindáveis oportunidades que teve. Ele, Ronaldinho, não tem a confiança do chefe. Logo, está fora. Assim Dunga conseguiu, além de sair da sombra do Felipão, ter o grupo na mão, como reza o jargão do vernáculo futebolês. Convocar Gansos e Neymares seria arriscar perder o grupo.

Eu até gosto do Ganso. Jogador à moda antiga, joga de cabeça erguida, é rápido, tem rara visão de jogo e, como mostrou domingo passado, não treme. E o melhor de tudo: é sério. O Neymar domina todos os fundamentos básicos, como passe, chute, cabeceio e posicionamento, além e ter uma frieza que poucos veteranos têm na boca do gol. No entanto, parece que a fama lhe sobe à cabeça, não só na forma do moicano colorido, alisado e de gosto extremamente duvidoso, ou da gola da camisa levantada, mas principalmente na marra mostrada em campo e no detestável e condenável cai-cai. O jogador, sobretudo o atacante, deve ser malandro, sim, mas o que o Neymar vem fazendo beira a cafagestagem.

Não creio que Carlos Caetano os leve, embora gostaria de ver o dono da 10 do Peixe na lista. Restará esperar para saber que lugar a história reserva ao treineiro do escrete nacional. Se ficará ao lado de Felipão, na galeria de heróis, ou se fará companhia a Sebastião Lazaroni, com os fantasmas do passado arrastando suas correntes atrás de si, para todo o sempre.

Neymar, Paulo Henrique Ganso e a Seleção

* Por Humberto Pereira da Silva

Ronaldinho Gaúcho estava em alta não faz mais do que dois, três meses e muitos na imprensa pediam sua volta à Seleção. Ronaldinho iniciou bem o ano, com grandes atuações pelo Milan, até a eliminação pelo Manchester na Copa dos Campeões. Depois, de fato, ele e o Milan caíram de produção e seu nome voltou ao esquecimento. Nesse período de esquecimento vi entrevista do Zico no programa "Bola da vez", da ESPN. Zico vê que algo aconteceu na Olimpíada passada, quando Ronaldinho foi convocado sob pressão e fracassou. O caso Ronaldinho pode ser elucidativo para se pensar em coisas como pressão, clamor da impresa e voz da galera quando se fala em Neymar e Ganso.

Inegável que as atuações recentes dos dois foram brilhantes e qualquer um com mais de um nerônio se perguntaria como não convocá-los para Sulafricana Copa. Há razões de sobra para convocá-los. Jogadores de "confiança" de Dunga para lugares que eles ocupariam não vivem momento de esplendor. Pelo futebol que ambos têm apresentado, a Seleção teria um toque de classe que, para muitos, falta à pragmática equipe de Dunga. À Seleção cabe se ajustar aos talentos disponíveis e não reter talentos porque há um esquema e um "grupo fechado", etc, etc. Mas, creio, as coisas não são tão simples assim. Nesses momentos, esquecimento acaba bem visto e pressões, clamores envolvem paixões que embaralham supostas alnálises sérias.

Neymar e Ganso jamais foram convocados e a imprensa esquece as coisas com muita facilidade. Antes do final do Brasileiro do ano passado, não seriam lembrados com nomes como Diego Souza e Diego Tardeli. Sobre esses dois, com os dois santistas em momento esplendoroso, quem pediria a convocação para o Copa? Não se passou tanto tempo assim; não mais que um semestre. Jogar com a camisa amarela, como muitos sabem e esquecem, pesa. É possível fazer uma lista infinda de grandes jogadores que não se deram bem com a amarela. Jogar bem o atual campeonato paulista, ainda que muito bem, não é, como sentiu o grande Messi, como pegar uma defesa como a da Inter de Milão, quando de fato se tem a prova dos 9. E isso, convenhamos, está longe do que Neymar e Ganso enfrentaram.

Tudo isso para dizer que não merecem ser convocados? Não, não só acho que merecem como até acredito que Dunga os convocará, e acertadamente. Tudo isso, sim, para dizer que, se convocados, não será surpresa se não se ajustarem. Não é uma aposta que faço. Não torço para que fracassem, mas o futebol tem caprichos que não podem ser esquecidos. Em 82 Telê foi chamado de burro porque não levou ponta (direita) para a Copa. Havia até um personagem no programa do Jô Soares que clamava: "põe ponta, Telê!" Telê não levou ponta e o Brasil perdeu a Copa. Só para tocar na memória dos esquecidos: a seleção de 82 é mais lembrada que a campeã invicta, sem empates, de Felipão em 2002.

O que acho importante ver no clamor pela convocação dos dois santistas é que seria muito bom para eles não estarem na lista de Dunga no próximo dia 11 de maio. Ficaria o mito pela ausência e eles, jovens, têm longa carreira pela frente. Convocados, ninguém espera que sejam menos que mágicos. Duas vezes eleito melhor do mundo pela Fifa antes da Copa de 2006, se tivermos memória, bem saberemos o quanto isso pesou na cabeça de Ronaldinho.

Claro, alguém pode argumentar que isso só se saberá se forem convocados e que merecem convocação. Concordo plenamente com esse raciocínio. Então quem assim argumentar não diz, senão, que Neymar e Ganso são apostas. Mas, se é para ficar na aposta, creio que Dunga tem boas azões para apostar na equipe que montou. Se a Seleção de Dunga carece de talentos como Neymar e Ganso, é verdadeiro também, como sabem os argentinos, que a seleção de Dunga não é perdedora. E como pressão, clamor, voz da galera dão a tona nesses momentos, fiquemos com um bordão: time que ganha não se mexe. Num eventual fracasso não faltarão os que crucificarão a Era Dunga. Só para lembrar, foi assim em 90.

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor 
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.