*Por Humberto Pereira da Silva
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| (Foto: Alexandre de Sousa / ZUMA Press Wire / Imago) |
A geração atual de Portugal, campeã da Liga das Nações da UEFA no ano passado, cintila como a mais brilhante da história do futebol português. Parte significativa desse escrete se impôs nos principais times das ligas mais disputadas da Europa, de modo que, mesmo não entrando na Copa com favoritismo incontestável, é inegável que o desempenho de Portugal gera grande expectativa. Mais: sabendo ser arriscado fazer uma afirmação assim, não tenho na memória outra seleção portuguesa que tenha entrado numa Copa do Mundo entre as quatro destacadas favoritas ao título mundial.
Ao longo dos últimos 20 anos, de fato, o futebol português saiu da periferia mais longínqua da Europa para o centro das atenções. Por isso, considerado esse período de duas décadas, quando não se tinha propriamente expectativa de que Portugal fosse tão longe, para esta Copa, caso não vá, será realmente frustrante.
Bem, vale então assinalar que o avanço do futebol português rumo ao centro das atenções, para além de todas as mudanças estruturais decorridas no futebol do país, foi protagonizado por um personagem central. Seu nome? Cristiano Ronaldo. Desnecessário dizer que se trata de um dos maiores atacantes da história do futebol. Desnecessário dizer que ele mobiliza atenções desmedidas desde que despontou para o mundo na Copa de 2006.
Antes dele, Portugal havia se qualificado às fases finais dos principais campeonatos de seleções em 1966, 1986 e 2002 (Copa do Mundo), e em 1984, 1996 e 2000 (Eurocopa); depois, não falhou nenhum apuramento, marcando presença consecutivamente desde 2002.
Entretanto, ele é o nó. Paradoxalmente, o principal jogador português, um dos maiores da história, é o maior problema de Portugal. E, sobre o uso da palavra “problema”, faço questão de não pôr aspas, nem usá-la como recurso retórico. Cristiano Ronaldo é para mim um problema seríssimo. Faço uso dessa palavra, portanto, em sentido literal.
Em 2022, obviamente quatro anos mais jovem, e ainda um atacante cujo poderio não se podia subestimar, Cristiano Ronaldo em campo e fora dele foi um personagem desestabilizador. Portugal naufragou naquela Copa em grande parte devido à presença dele, que sob enormes controvérsias, aliás, acabou aquela competição na reserva. Principalmente, assim entendo, sua postura exageradamente individualista gerou tensões que tiveram como desfecho a decepcionante participação portuguesa no Catar.
Vejamos, então: 2022 foi esquecido? Denega-se seu comportamento naquela Copa? Convém lembrar o episódio no qual levou consigo para dentro do estágio na seleção portuguesa a sua crise com o Manchester United, a ponto de, em novembro daquele ano, ter veiculada uma entrevista - sem outro adjetivo melhor - desastrosa, na qual desanca seu clube e seu treinador na ocasião, o neerlandês Ten Hag, o que culminou na sua saída de um distintivo no qual já era uma lenda.
Não se extraiu nenhuma lição? Agora, 2026, com a lembrança de 2022, considero ser impossível subestimar Cristiano Ronaldo como problema. Quatro anos mais velho, por óbvio, sem o mesmo condicionamento físico e técnico, para além dos 40 anos e atuando em uma liga periférica, como o vaidoso português se comportará?






