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| (Foto: IMAGO / HMB-Media) |
Mas cá já volto eu.
No contexto atual da comunicação, em que as respostas costuma vir desacompanhados do entendimento, é preciso apontar o óbvio: Cristiano Ronaldo é o maior jogador da história do futebol português e um dos maiores de todos os tempos. Faz-se necessário dizer também que ele é o responsável pela dimensão que a seleção portuguesa tem no cenário internacional. Em outras palavras, o futebol da parte ibérica que chora com os fados e espera por D. Sebastião é um antes e outro depois do advento Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.
"É que Narciso acha feio o que não é espelho", nos ensina Caetano Veloso. E Cristiano resolveu se manifestar sobre sua deserção do estágio da seleção durante primeira leva de jogos da Liga das Nações. Eis aqui os oito pontos de uma bizarria que beira o inimaginável nos tópicos 6, 7 e 8.
Entre um pedido de desculpas correto aos súditos, ou melhor, adeptos e companheiros de equipe por ter abandonado o estágio sendo o capitão e aceitando uma provável punição por parte da Federação Portuguesa de Futebol, ele se colocou ao lado de Pelé e Maradona, sem citar Messi ou Eusébio (6); disse que, mais que desejado na equipe, era muito desejado na equipe (7); e que dá mais autógrafos, tira mais selfies e que mais acarinha os adeptos. Aliás, queria isto dito pelo treinador, ponto por ponto, todos devidamente validados por ele mesmo.
Até mesmo ter abandonado o gramado ao fim do jogo em que não entrou após aquecer, como acontece com todo jogador que fica no banco, à espreita de uma oportunidade - um crime, pois - foi atenuado neste comunicado que deveria ter sido lido por Jorge Jesus como se fosse ele mesmo a dizê-lo, e não a cumprir uma ordem do seu subordinado.
Cristiano é quem mais sabota sua própria história, se diminui. Aliás, até a escolha da data - a mesma da despedida de Messi da seleção argentina - demonstra um ego inflado e cada vez mais dominador. Desde a Copa de 2022, quando resolveu levar para dentro do estágio da equipa nacional no Qatar seus problemas com o treinador Ten Hag, no Manchester United, suas prestações com a camisola das Quinas roçam a indigência se comparadas ao que ele mesmo já fez, e problemas com os selecionadores fizeram-se notar mais que seus feitos no relvado.
Se calhar, falta a ele quem diga "tens certeza, pá?". Quem "teve fome e não tinha o que comer", deveria distinguir bajuladores de amigos. Mesmo a relação infantilizada com suas irmãs deveria ser vista com ressalvas. Não à toa, exceto por seguidores fanáticos e os lambe-botas, toda a gente não ficou ao seu lado.
Ao cabo, no desespero de se aproximar de Messi, Cristiano acabou afastando-se de si mesmo. Um triste fim para quem deu tanto e não soube parar a tempo.

