terça-feira, 7 de julho de 2026

Copa do Mundo - Por quem choras, Cristiano?

Ryan Pierse - FIFA


Ó, Cristiano, quanto do teu sal são lágrimas por Portugal? 

Começo com esta pequena adaptação que tomei emprestada ao A Bola para perguntar, de fato, quanto Cristiano sofreu pelo povo que representa. Ou as lágrimas são por si, que passou mais um Mundial sendo a sombra do que foi? Quem tanto deu não entendeu que não era recebendo de volta que se manteria grande.

Cristiano subiu a fasquia do futebol português e isso é inegável. Seu legado, porém, manter-se-ia imaculado se aceitasse o papel do líder que espreita de momentos melhores e deixasse a ribalta para outros brilharem. Em vez de alguém que seria reconhecido pela grandeza do gesto, terminou mesquinho, soberbo.

A entrevista anterior ao jogo foi a prova inconteste de que o tempo, em vez de sabedoria, o encheu de arrogância. No pós jogo, então, deixou transparecer que seus objetivos pessoais sempre estiveram na frente quando comparou as conquistas da seleção das Quinas antes dele e depois que estreou, em 2003.

Com sua iminente retirada, certamente os números colossais que sua presença trouxe irão minguar. Os 25 milhões e coisa e tal de seguidores da seleção de um país com 11 milhões de habitantes devem diminuir, ficando só os que realmente vestem a camisola das Quinas, mesmo não sendo somente a 7.

Em nome de todos os portugueses, obrigado por tanto, Cristiano, mas o tempo chega para todos. Já não é sem tempo a necessidade de abrir espaços para os que vêm. Já fizeste por si e por nós. É a vez dos outros. Como era há três anos e meio.

Sem comentários: