Juca Kfouri, sobre o jogo contra o Haiti, fez um comentário que gostei, e que foi indireta para alguns ao lado dele na bancada UOL, que silenciaram e não vestiram a carapuça: é ranzinzice reclamar da vitória.
Juca me fez lembrar as celebradas seleções de 58, 70 e 82. Essas seleções históricas enfrentaram País de Gales, Romênia e Nova Zelândia.
O País de Gales, um nada no futebol, e o jogo mais difícil em 58. O jogo contra a Romênia em 70 praticamente é esquecido na campanha pro Tri. E a Nova Zelândia em 82, para uma comparação mais próxima, não era muito melhor que hoje o Haiti.
Não basta vencer, há de fazê-lo com sobra, com propriedade. Em 50, é bom lembrar, o silêncio que tomou conta do Maracanã a partir do gol de empate do Uruguai, cujo resultado ainda servia para que o Brasil fosse campeão do mundo pela primeira vez, deveu-se à expectativa de submeter os vizinhos cisplatinos às goleadas anteriores, contra Espanha (6 a 1) e Suécia (7 a 1). E deu no que deu.
Sobre o jogo contra o Haiti, ainda, o segundo tempo foi alvo da ranzinzice. Nele, o futebol e seus caprichos, Endrick entrou aos 14 minutos do segundo tempo. Com os acréscimos, jogou exatos 36 minutos.
E, impressionante, praticamente a única vez que tocou na bola e fez gol, que por milímetros foi anulado. Mas então por milímetros e a ranzinzice ficaria entre extremos.
O gol de Endrick sendo validado, quem falaria mal da atuação contra o Haiti? O lado B, contudo. Como dizer que com Endrick em campo o Brasil não teve o desempenho do primeiro tempo?
Acho que até sem essa intenção Juca lembra o quanto uma partida de futebol não se resolve na mera circunstância em que goles são marcados. Ou até anulados por milímetros.
*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo
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