segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O engajamento e a permissão para odiar

O zagueiro Gustavo Marques, autor de falas misóginas ao fim da
partida em que sua equipe foi eliminada no Campeonato Paulista

Na semana que passou, casos de racismo e misoginia ocuparam lugar de destaque no noticiário esportivo, com os lamentáveis acontecimentos nos jogos Benfica x Real Madrid e Red Bull Bragantino x São Paulo. Como ocorre com tudo o que é relevante, os temas dominaram as discussões também nas redes sociais. 

Antes de retomar o tema, cabe uma contextualização: que a forma de comunicar mudou, todos aqui sabem. A inclusão digital, as redes sociais e o acesso à internet de alta velocidade possibilitaram que a opinião e a informação, chamados por aí de "produção de conteúdo", possam ser feitas por qualquer pessoa munida de um aparelho celular com acesso à rede mundial de computadores.

Mais gente gera conteúdo, mais gente engaja, mais gente lucra. O jogo é este e está tudo certo. O problema é ser desonesto em troca de engajamento.

Alguns perfis, ao menos entre os que tentam se passar como sérios, têm uma linha editorial progressista. Dos que eu conheço, a maioria se enquadra aqui. Muitos se posicionaram, o que fez com que uma horda de trolls barulhentos saísse do esgoto para vomitar ódio e preconceito. Coisa de gente covarde, que não mostra a cara e se esconde atrás da tela do celular. Pessoalmente, duvido que tenham coragem para bancar esse monte de merda que o ambiente online os deixa a vontade para ser.  

No entanto, o mesmo perfil que defende as vítimas permite toda sorte de imundícies nos comentários. Deixa todos lá, um por um. Pelo engajamento, dá palco, microfone e amplificador a quem deveria ser combatido. 

Ao menos, que sejam honestos e deixem claro que, por ganharem com isso, não apagam os insultos, tampouco bloqueiam e/ou denunciam seus seguidores que rezam para pneu e, nem é preciso explicar por quê, não deveriam ter esse espaço. 

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