terça-feira, 4 de agosto de 2009

Todos dizem amém

O desmanche do ótimo time do Corínthians nada mais é que um sintoma do que se transformou o futebol brasileiro com o advento do que convencionou-se chamar de "Lei Pelé". O clube virou um mero trampolim, uma simples vitrine para os compradores. E estes nem precisam ser um grande clube de um grande centro. Um "Fenerbahçe da vida" leva. É só ter dinheiro.


E o pior é que tem. Todo mundo tem. O leque de opções é cada vez mais aberto para quem quiser ir embora. Desde as ligas milionárias da Europa, as mais tradicionais, até os campeonatos turbinados pelos petrodólares do Leste europeu ou do Oriente Médio.

Jogar no Al Gharafa, Al Ittihad, Al Qualquer Coisa é mais interessante do que num Palmeiras ou Flamengo, outrora sonhos doirados dos juvenis de qualquer canto do país.

Mas o quê acontece, afinal de contas? Se vemos o sintoma, as consequências são quase palpáveis. O elencos do clube está cada vez menos identificado com o seu próprio torcedor. E a Seleção, que é um patrimônio nacional, fica relegada a segundo plano. Em primeiro lugar a independência financeira, não importa onde. Depois, só depois, a seleção. E nem precisa ser a "Canarinho". Pode ser a Polonesa, a Croata, a Portuguesa...

Mas de quem é a culpa, ó raios? Difícil responder? Não, não é. Muito pelo contrário, é simples. Basta comparar: o Real Madrid receberá, limpinho e desossado, 142 milhões de euros por temporada, pelos direitos de transmissão dos seus jogos. Isso dá pouco mais que 1,15 bilhão de reais injetados nos cofres merengues nos próximos três anos. Fora o que entrará através da venda de produtos licenciados relacionados ao clube e aos seus jogadores, além da receita gerada nos amistosos de pré temporada. Já por aqui a Rede Globo, que detém os direitos de nove entre 10 torneios esportivos, paga uma miséria, se comparado ao que recebe pelas cotas vendidas aos anunciantes.

Outro obstáculo - e dos grandes - é a própria CBF, que insiste em não adequar essa coisa que chamamos de calendário ao do Velho Continente. Como resultado, nossos clubes, que viraram meros pedintes, dependentes da "bondade" de quem (mal e porcamente) lhes der algum, não podem sequer sonhar em disputar os lucrativos torneios da pré-época europeia ou partidas na Ásia, que renderiam generosos montantes para seus combalidos cofres. Vejam a Copa da Paz, por exemplo: o Boca Jrs e a LDU estiveram lá. O sulafricano Kaizer Chiefs enfrentou - e venceu - o Manchester City, outro dia. Exceto o Boca, que é gigantesco, devemos ter por aqui uns 30 times mais tradicionais que a LDU e o Chiefs.

Assim, a única forma de montar os elencos é locando o alma dos clubes aos empresários, que cedem seus jogadores, pescados ainda na base dos próprios clubes, em troca de visibilidade para vendê-los, em qualquer tempo e a qualquer custo, restando ao clube, como fez o Corínthians, apenas abaixar a cabeça e dizer amém.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Com cara de campeão na noite portuguesa

Teste para cardíacos. Assim pode ser classificado o Jogaço (com "J" maiúsculo) entre Portuguesa e Guarani, disputado na noite de ontem, no Estádio do Canindé.

As campanhas das equipes já davam indícios de que seria um belo jogo, mas foi muito melhor que a encomenda. De um lado o líder da competição, o Guarani, muito bem dirigido pelo Vadão, com três volantes muito bem postados e uma saída mortal no contra-ataque; do outro, a Portuguesa, em clara ascensão e jogando em casa, onde perdeu apenas dois jogos neste ano. Bonamigo armou o time com três zagueiros, um volante, apenas, e quatro homens de frente.

Logo de cara, golo da Lusa, de Héverton. Porém, o que parecia uma jornada feliz, em meia hora, mudou completamente. O Guarani sufocava a saída de bola lusitana, fazendo com que Erick, improvisado no lado esquerdo da defesa, errasse tudo o que podia e, principalmente, não podia. Pelo seu lado saíram os três golos do alviverde campineiro, com Valter Minhoca, Ricardo Xavier e Maranhão. Pra completar, a Lusa afunilava todas as jogadas e, obviamente, não conseguia furar o bloqueio bugrino. Ir para o intervalo perdendo por 3 a 1 saiu barato.

Após um esporro daqueles, a Lusa voltou pro segundo tempo com mudanças em todos os sentidos: técnicos, táticos e, principalmente, comportamentais. Erick ficou no balneário, tendo Ygor ocupado seu lugar, dessa feita na cabeça de área, onde apenas Acleisson se desdobrava pra marcar.

Assim, Marco Antonio passou a atuar mais à frente, ao lado de Héverton e Edno, municiando Christian, que entrou no lugar do machucado e apagado Fellype Gabriel. Dessa forma, com um ponta-de-lança de ofício, a Portuguesa passou a segurar os zagueiros do Guarani. Edno e Héverton abriam o jogo pelas pontas, criando um verdadeiro pandemônio na defesa do Bugre, que, aliás, deu apenas um chute a golo na segunda parte. A Lusa seguia encurralando o adversário em seu campo de defesa. Os três armadores trocavam de posição constantemente, sendo parados só na base da pancada. E foi na bola parada que saíram os dois golos que iniciaram a virada. Duas bolas alçadas milimetricamente pelo excelente Edno, dois golos de cabeça, de Bruno Rodrigo e Ygor.

A superioridade rubroverde foi tamanha que até a contusão de Christian, substituído por Tatá, por conta de uma lesão na panturrilha, contribuiu para a vitória. O golo da épica virada saiu após tabela na esquerda entre Acleisson e Anderson Paim, que rolou para o inspiradíssimo Marco Antonio bater de primeira e ver a bola estufar as redes após desviar em…Tatá.

Enfim, os quase 5 mil torcedores que se aventuraram na fria e chuvosa noite de inverno paulistano presenciaram uma noite autenticamente portuguesa, com direito ao drama do fado e à alegria do vira. No teste para cardíacos que foi o jogo, a Portuguesa mostrou o que todos nós queremos: raça, fibra e cara de campeão.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Somos todos iguais esta noite


Desde sexta-feira da semana retrasada, dia 19 de junho, todos os treinadores dos clubes da primeira divisão do Brasil estão com as barbas de molho. O motivo é a demissão do comandante sãopaulino Muricy Ramalho. Mas ele não está sozinho na fila do Seguro Desemprego. Uma semana depois, do outro lado do muro, foi a vez do palmeirense Vanderlei Luxemburgo esvaziar o armário.

Em ambos os casos a imprensa foi, de um modo geral, pega de surpresa. Mas quem acompanhou o dia-a-dia dos clubes, certamente, não ficou surpreso. No fidalgo São Paulo, a situação do técnico ficou muito difícil após a eliminação na Libertadores, para o Cruzeiro, em pleno Morumbi. E como é notório, a menina-dos-olhos não só dos pomposos cardeias do clube da Vila Sônia (sim, senhor!) como de toda a torcida é a competição sulamericana. O resto é o resto, como diria o fanfarrão e boquirroto presidente Juvenal Juvêncio. E daí que o Muricy venceu três brasileiros seguidos? E daí que apenas Rubens Minelli alcançara tal feito? Sem Libertadores, não apetece.

Pulando o muro, na (será?) Academia de futebol o mesmo furação também passou por lá. Após classificações quase que espíritas nas fases anteriores da Libertadores, bastava ao Palmeiras vencer o Nacional, em Montevidéu. Pra quem havia eliminado o Colo-Colo, nos acréscimos, em Santiago e o Sport, em noite de milagres de São Marcos, não parecia tarefa das mais inglórias. Enfim, como se sabe, a classificação não veio e o maior responsável, apesar dos erros da arbitragem e dos golos desfeitos pelo roliço Obina, foi o Luxa.

A direção do alviverde precisava apenas de um motivo, e o experiente treinador, inexplicavelmente, entregou a própria cabeça numa bandeja verde ao reclamar, publicamente, da parceira Traffic e do atacante Keirrison, que afastou-se por conta própria para tratar da ida ao Barcelona. Oficialmente, de acordo com o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, houve quebra de hierarquia. A minha impressão, desde que voltou ao clube, é que Luxemburgo ainda colhe o que plantou ao desmontar o time do Palmeiras e se mandar de mala, cuia e comissão técnica para o Cruzeiro, em 2002. Como o Palmeiras caiu, naquele ano, já viu. A coletividade italiana não aceita traição, capiche?

São Paulo e Palmeiras são rivais históricos. Durante a Segunda Guerra, em 1942, os sãopaulinos tentaram até tomar o Parque Antártica do Palestra Itália, que teve que virar Palmeiras porque ficou proibido qualquer nome que ligasse a entidade aos países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão). Recentemente houve o caso do gás no vestiário tricolor, na semifinal do Paulista de 2008. Os sãopaulinos são notórios por sua suposta superioridade, julgando-se maiores por serem seis vezes campeões nacionais e três vezes campeões mundiais, além de ser o clube da elite paulistana. Já os palestrinos, como bons italianos que são, têm o sangue quente, apesar de serem tidos como bonachões.

Agora, como bons co-irmãos, unem-se na mesma precipitação: descartar os comandantes, a despeito das conquistas e dos projetos em andamento.

Sugestão do chef


Se, por acaso, algum de vocês quiser convidar o elmo. presidente do STF, o Ministro Gilmar Mendes, para uma merenda em sua casa, sugiro que prepare um furrundum para o seu deleite. Afinal de contas, como, em vez de jornalistas diplomados, deveríamos ser cozinheiros, nada mais justo que oferecer a "Ele" uma iguaria típica de sua terra. Quem sabe assim, pleno de saudades de casa, Ele resolva voltar pro Mato Grosso e ficar de vez por lá, deixando a presidência do Supremo para pessoas realmente sérias?

Ingredientes:
2 cidras médias (cerca de 1 kg);
1 rapadura, com cerca de 400 g, raspada ou 3 xícaras de açúcar mascavo;
1 colher (sopa) de gengibre fresco, ralado;
1 coco grande, ralado fino.

Modo de Preparo:
Lave bem as cidras, rale a casca no ralador grosso, sem atingir a polpa; deixe a casca ralada de molho em uma tigela com água fria, trocando a água várias vezes, por algumas horas ou até eliminar o sabor amargo. Escorra e esprema bem. Coloque a casca ralada em uma panela, junte a rapadura ou açúcar mascavo. Misture bem, acrescente gengibre, leve ao fogo brando e cozinhe, mexendo de vez em quando, até o fundo da panela começar a aparecer. Acrescente o coco ralado, cozinhe, mexendo sempre, por mais alguns minutos. Tire do fogo, deixe esfriar, retire pequenas porções da massa e modele, formando bolinhas.

Tempo: 5 h
Rendimento: 30 doces
Dificuldade: Moderada

domingo, 21 de junho de 2009

Furrundum e peixe com maxixe



Na semana que passou, o STF (Supremo Tribunal Federal) prestou mais um desserviço ao país: Por oito votos a um, passou a ser desnecessário o diploma superior para exercer a função de jornalista, sob o roto argumento de que a profissão não representa risco.

E já que a prática jornalística não coloca em risco a vida de ninguém, que tal termos formadores de opinião desprovidos de ética e pudor? Será que as nódoas que, por certo, ocorrerão na reputação alheia não colocarão em risco a dignidade e a honra dos atingidos?

Não que apenas nos bancos das faculdades é que se aprende a escrever. Líbero Badaró e Euclides da Cunha não me deixariam mentir, mas daí a transformar o diploma em mero bibelô vai uma diferença gritante. Ética, responsabilidade e respeito não se aprende nos BBB's da vida, lugar de onde, certamente, surgirão repórteres aos borbotões.

Trata-se de uma forma rasteira de desestimular o ensino. Além do mais, enfraquecer a imprensa é a maneira mais fácil de camuflar os descalabros cometidos pelos governantes. Aí alguém me pergunta: "Mas o STF não é independente?" Teoricamente, sim. Entretanto os ministros são indicados pelo Presidente da República. Cabe ao Congresso referendar. Justo o presidente "deste país", que lutou tanto pela liberdade. Agora, do lado de lá do poder, inebriado pelo tal, ao lado de seus velhos (e novos) coleguinhas de causa, vem tolher, cercear a imprensa, tão importante para o estabelecimento da democracia. Democracia? Ah, os conceitos chavistas ecoam como nunca por aqui.

Bom, o que nos resta é, talvez, ir aprender a cozinhar, como sugeriu o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes (faça-se justiça, foi indicação de FHC). Conhecimento de causa ele deve ter, pois devia estar muito ocupado, preparando um peixe com maxixe ou um furrundum, pratos típicos do seu Mato Grosso, a ponto de não estar atento aos problemas realmente sérios do país.

A lógica do saco de batatas

A criação da Brasil Foods (BRF), empresa resultante da fusão entre Perdigão e Sadia, tem tido espaço considerável na mídia, seja ela impressa, digital ou eletrônica. A partir da fusão, o que eram duas empresas concorrentes passou a ser uma das gigantes do mundo no setor de alimentos industrializados.




Mas exatamente no quê esta fusão interfere no cotidiano do consumidor? Pode não parecer, mas é simples: com a dimensão que assumiu, a BRF passou a responder por uma parcela superlativa em todos os segmentos de mercado em que atuar, seja na produção de embutidos, massas ou laticínios. Em outras palavras, podemos estar diante de mais um monopólio, dentre os vários que se formaram através de outras fusões, como a AmBev ou a VPC/Aracruz.

Quem determinará se a união será válida será o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A questão é saber como o órgão irá julgar e quais suas exigências. No caso da mega cervejaria, ela teve que abrir mão de algumas das suas marcas de cerveja, para que não fosse caracterizado o monopólio. O problema, no caso da BRF, é que a generosa fatia de mercado que ela está abocanhando não é formada por marcas, mas por produtos.



Além do mais, um dos principais interessados é o presidente da Sadia, Luís Fernando Furlan, que foi ministro do Desenvolvimento no primeiro mandato do presidente Lula. Pode parecer leviano, mas em se tratando de Brasil... As manobras que antecederam outra fusão, a compra da Brasil Telecom por parte da Oi, com direito a leis concebidas “a toque de caixa”, apenas servem de alerta.

A cobertura da TV é insuficiente para esclarecer satisfatoriamente a população, pois apresenta a notícia fragmentada, e os programas que dão profundidade à discussão não alcançam um número considerável de espectadores devido ao horário em que são transmitidos. Ouve-se pouquíssimo rádio, na mesma proporção em que se procura os jornais, nas bancas, e o número de pessoas que acessam a internet para outros meios que não o lazer é ínfimo. Isso sem contar que a questão acaba pendendo pro lado do ufanismo, como se a empresa fosse “patrimônio nacional”, quando, na verdade, o país é que é solapado pelas multinacionais.

Por causa do pauperismo da cobertura midiática que alcança as massas, se formam opiniões superficiais. É a lógica do saco de batatas, onde as mais bonitas ficam por cima, e as que ficam encobertas mal servem para dar de comer aos porcos. Na briga entre o mar e o rochedo quem leva a pior é o marisco. E o marisco, no caso, pra variar, é o consumidor.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

¡Hay que tener cojones!

Há alguns anos a ótima revista Placar, da editora Abril, publicou uma entrevista do craque argentino Diego Maradona, na qual Don Dieguito critica alguns jogadores, dentre os quais Ronaldo e Batistuta. Maradona afirmou à publicação que, apesar de serem ótimos jogadores, faltava-lhes atitude ou, como disse o próprio, "cojones", em bom espanhol.

Não vou entrar no mérito dessa discussão, nem ater-me à polêmica gerada pela declaração do atual técnico da Argentina. Toquei no assunto por considerar que a referência serve "como um par de luvas" para o piloto brasileiro Rubens Barrichello.


É inegável o talento de Rubinho. Apesar de todas as galhofas da imprensa brasileira - não a especializada - para consigo, vejo Rubens, tecnicamente, um patamar acima de pilotos como o atual campeão, o britânico Lewis Hamilton, ou os badalados Kimi Häikkönen e Felipe Massa, este o queridinho da torcida brasileira. Melhor que ele, apenas o espanhol Fernando Alonso, bicampeão correndo pela Renault em 2005 e 2006.

Rubinho estreou na Fórmula 1 pela Jordan (atual Force India). Passou pela Stewart antes de tornar-se o primeiro brasileiro a correr pela Ferrari. É o recordista de GP's disputados, podendo chegar à impressionante marca de 286 GP's, caso dispute todas as provas dessa temporada. É o quarto piloto da história em número de pódios, atrás somente de gente do quilate de Michael Shumacher, Alain Prost e Ayrton Senna. Permaneceu na escuderia de Maranello por oito anos, sagrando-se vicecampeão por duas vezes. Portanto, reuniria tudo para ser um ídolo nacional. A não ser por um detalhe: assim como os citados craques da bola, falta-lhe algo...

O ocorrido no GP da Espanha, o último disputado, quando sua equipe, a Brawn GP, mudou a estratégia de seu companheiro de equipe, o britânico Jenson Button, para que este vencesse a corrida, em detrimento do brasileiro, que liderava com relativa tranquilidade, lembrou a manobra da Ferrari, no longínquo GP da Austria, em maio de 2002. Naquela ocasião, Rubinho liderava a prova até os últimos metros, mas teve que deixar Schumacher, seu "companheiro" de equipe, vencê-la, pois o alemão era o líder (disparado) do campeonato.

A manobra da Brown não foi tão descarada quanto a da Ferrari, mas foi igualmente descabida. Rubinho conquistou a ponta da prova na pista, e se tivesse que perdê-la, que fosse também no asfalto, não no paddock da equipe. Até porque, apesar de, em termos de resultados, o início de temporada de Button ser melhor que o de Rubens, muito do seu sucesso tem o dedo do brasileiro, que trabalhou intensamente no desenvolvimento do monoposto de Ross Brown, quando ainda não havia sequer a garantia de um lugar no grid. Barrichello, notoriamente, é um excelente "acertador de carro", como diz o jargão do automobilismo. O megacampeão Schumacher (sete vezes campeão mundial, das quais cinco ao lado do brasileiro), inclusive, copiava o acerto do carro do brasileiro.

Na entrevista coletiva na qual os pilotos que compuseram o pódio da corrida participam, Rubinho mostrou-se surpreso com a decisão da equipe, e garantiu que cobraria explicações. Após três horas de reunião, tratou de amainar os próprios ânimos, dizendo que "houve um erro, que acontece, e que, infelizmente, caiu sobre minhas costas". Isso ilustra bem o que falta pra ele: levantar, engrossar a voz, cerrar o punho e batê-lo, sem dó, na mesa para cobrar o direito de vencer, adquirido já na concepção do carro.

Reitero: Rubens Barrichello é um grande piloto, mas corre o risco de ficar pra história apenas como um excelente escudeiro, em vez de compor o seleto grupo de campeões do mundo. Assim, se pedissem a Maradona sua opinião sobre Rubinho, certamente El Pibe diria: "¡És bueno, pero hay que tener cojones!"

sábado, 9 de maio de 2009

A Várzea não merece isso

Na semana passada voltei a assistir a jogos de futebol, que é uma das atividades que mais me dão prazer. Confesso que, após a eliminação da Portuguesa no Paulistão, perdi um pouco do interesse pelo esporte bretão - inconcebível para quem estuda jornalismo, diga-se de passagem -, mas como sempre, ele voltou. E da forma mais espetacular possível, na épica classificação do Barcelona, em Londres, frente ao médio-porém-endinheirado Chelsea, para a final da Liga dos Campeões.

Não é de hoje que a UEFA ensina como se organiza uma competição. Times endinheirados, jogadores fantásticos, estádios modernos, jogos transmitidos para todo o mundo.

Enquanto isso, do lado de cá do Atlântico, a Conmebol também dá aula. Ensina com precisão cirúrgica como não se deve organizar um campeonato. A principal competição do hemisfério Sul, a Libertadores da América, virou uma "farra-do-boi". Ou algo pior que isso.

Pra começar, convidaram times do México. Não por razões técnicas, apenas de olho no dinheiro das emissoras de TV daquelas plagas. Tudo bem, a quantia é boa, mas não é rateada entre as equipes. Fica tudo nos cofres da entidade, em Luque, nos arredores de Assunção, Paraguai. Pra completar, caso uma equipe mexicana conquiste o título, esta não poderá jogar o Mundial da FIFA, a não ser que conquiste também a "Concachampions", uma espécie de (perdoem o infame trocadilho) Liga dos Campeões "made in Paraguai" da Concacaf.


Tem também o cargo de Presidente vitalício, atualmente ocupado pelo paraguaio Nicolas Leóz que, a propósito, enveredou no esporte pela Federação Paraguaia de Basquete. Como é quase uma regra no estilo sulamericano de ser, Leóz está no comando da Conmebol desde 1º de maio de 1986, substituindo ao peruano Teófilo Salinas Fuller, que ficou "só" 20 aninhos no cargo. E continuísmo no poder lembra ditadura, que lembra Terceiro Mundo, que lembra América do Sul, que lembra corrupção. Você, estimado leitor, pode mudar a ordem à vontade que o sentido ainda será o mesmo, intocavelmente. Intocável como o cargo de gente como Leóz, Ricardo Teixeira, Júlio Grondona, Hugo Chávez, Evo Morales...

A última proeza da Conmebol foi a forma com a qual tratou da participação dos times mexicanos, após a disseminação da chamada "gripe suína", ou gripe A (H1N1). Um descaso só. É sabido que os tradicionalíssimos São Paulo e Nacional do Uruguai, por falta de garantias, recusaram-se a viajar para a América do Norte, onde deveriam enfrentar, respectivamente, San Luiz e Chivas Guadalajara. Sem iniciativa ou vontade alguma pra resolver o embróglio, o empurraram para os próprios clubes. Com a falta de uma posição por parte da entidade presidida por Leóz, os mexicanos resolveram retirar-se da competição. E como desgraça pouca é bobagem, a Federação Mexicana de Futebol ameaça, seriamente, não disputar mais a Copa América.

Na opinião deste que vos escreve, não farão a menor falta. Mas existem compromissos firmados e estes dever ser respeitados. Não conheço o teor dos contratos, se é que eles existem, mas a palavra empenhada deve valer mais que qualquer assinatura. Portanto esse passa-moleque não tem o menor cabimento.

Numa das edições do ótimo Esporte Notícia, da Rádio Bandeirantes, o igualmente ótimo Ricardo Capriotti classificou como varzeana a organização da Copa Libertadores da América. Atrevo-me a discordar do Capriotti, pois a Várzea não merece isso.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Casa da mãe Joana



O bate-boca de porta de cortiço em que virou a sessão do Supremo Tribunal Federal, do dia 22 de abril, entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, este o presidente da Casa, mostra no que transformou-se o Brasil, após tantos desmandos, sentenças questionabilíssimas, insurgência e impunidade em todos os níveis do poder: numa autêntica "Casa da mãe Joana".



É evidente que em qualquer discussão, independentemente de onde aconteça, existem opiniões contrárias, até porque se não for assim não será a discussão, propriamente dita, mas uma monótona e dispensável conversa na qual todos têm o mesmo ponto de vista. Agora, daí a descambar pra troca de farpas entre os nobres magistrados, com direito aos mesmos termos pouco abonadores encontrados em qualquer briga de comadres, apenas com o diferencial de serem - os termos - precedidos pelo pronome de tratamento "vossa excelência", vai uma diferença gritante.

Como em toda contenda, uma das partes, ao menos, tem razão. Assim, seja qual for o ministro merecedor das "loas", estaremos mal servidos. O pior é se os dois tiverem razão...


segunda-feira, 20 de abril de 2009

O gênio esquecido

Domingo foi dia 19 de abril. Como um bom domingo, foi dia de futebol. Melhor ainda: domingo de decisões. Jogos decisivos pulularam de norte a sul do país. Em suma, foi um domingão gordo.

Os programas esportivos, tanto de pré quanto de pós jogo, tiveram assunto saindo pelo ladrão. Pena que esqueceram-se de um nome. Um nome que deixava o futebol mais bonito, dava uma magia toda especial pra bola. Essa mesma bola, que nos dias de hoje tem sido tão maltratada.

Domingo, 19 de abril, fez 15 anos que o grande Dener foi jogar no escrete da eternidade. Se o leitor tiver 25 anos, mais ou menos, certamente lembrará do que ele fazia com a bola. E não era pouco.

Surgiu praticamente do nada, no timaço da Lusa que encantou na conquista invicta da Taça São Paulo de Futebol Júnior, em 91, quando esta ainda não era um enorme balcão de negócios.

Jogando em times absolutamente insossos, brilhou. Intensamente. Pela Portuguesa não conseguiu levantar troféus. Apenas o fez quando jogou no Grêmio e no Vasco. Como craque que foi, esteve além de qualquer rivalidade, pois até os adversários renderam-se diante do seu imensurável talento. Quando ele se foi, seu nome ecoou por todos os estádios do país do futebol, não importando quais times estariam em campo. No coração e na saudade de todos, naquele momento, estava o nome de Dener.


Dener foi o último gênio do futebol brasileiro. "Meia à moda antiga, criava chances de gol a partir do nada", constatou o guia do Campeonato Brasileiro de 93, da revista Placar. "O melhor do mundo. Morreu antes do reconhecimento", disse certa vez Edinho, ex-goleiro do Santos, com a autoridade de quem é filho do Rei Pelé. Dos inúmeros sucessores do Rei, foi o que mais mereceu tal alcunha. Era a síntese da arte. Talvez Robinho, dos jogadores atuais, seja o mais parecido. Dener, inclusive, é o maior ídolo do ex-santista. Mas ele era melhor, bem melhor.

Em tempos bicudos, de futebol carrancudo, torcidas violentas, "craques" malabaristas e esquemas táticos burocráticos, não podemos nos esquecer de quem tanto fez pra deixar o futebol mais alegre, mais bonito.

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Flávio Gomes escreveu: "Não é heresia, nem pretensão. Dener não podia ter morrido. Esperem cem anos pelo próximo".

Onde eu assino, Flávio?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O torpor do poder

Eu quero trabalhar na TV! Tenho um motivo fortíssimo para isso: poucos meios de comunicação são tão poderosos quanto a TV. Ela está em quase todos os lares do país. Não é raro, inclusive, haver mais de um aparelho na mesma casa. Ela é tão forte que substituiu até as conversas em família após o jantar. Ai de quem ousar "abrir a boca" durante o jornal ou a novela.

Falando em novela, é ela quem dita nossos costumes. Um bordão criado para algum personagem espalha-se mais rapidamente que fogo em folha seca. Como ela - a novela - é transmitida no horário mais acessível para a massa trabalhadora, tende a influenciar na maneira de vestir, de falar, do quê comprar e - o mais perigoso - no quê pensar.


Não que "pão-e-circo" sejam desnecessáriom, mas a mudança de foco é a força que mantém os mesmos nomes e partidos no poder. Durante o regime Salazarista, em Portugal, só pra mostrar que tal "privilégio" não é só nosso, cultivou-se a instituição dos "três Fs". Consistia em dar ao povo fado, futebol e Fátima. Nada mais seria preciso. Tudo em nome do poder.




O poder. Ah, o poder, esse entorpecente! Por causa dele mudamos até nossas convicções, nossas ideias. Veja o governo atual como exemplo: lutaram contra a ditadura militar, foram torturados, exilados, viram companheiros tombarem e hoje querem cercear a liberdade de imprensa, tentando aprovar uma lei que obriga os jornalistas a revelarem suas fontes.

Inclusive, a relação existente entre a TV e o governo beira a promiscuidade. Para ter uma ideia, no Maranhão, a concessão da emissora que retransmite a programação da TV Globo está nas mãos da Família Sarney, não por acaso no poder já na sua segunda geração. Não sou capaz de ver, em casos assim, o menor resquício de independência editorial.


É por isso que eu quero trabalhar na TV. Quero sentir o torpor que o poder proporciona a quem o sorve. Afinal, se os políticos, que têm toda uma história de lutas, podem, por que eu, que não tenho nenhum compromisso firmado com o meu passado, não?

terça-feira, 14 de abril de 2009

O que é isso, Presidente?

*por Humberto Pereira da Silva


Lamentável e vergonhosa a atitude do Manuel da Lupa, presidente da Portuguesa de Desportos, ao dar crédito à denúncias de que o zagueiro Jean, da Ponte Preta, teria sido "comprado" para entregar o jogo para o Santos domingo passado. A Lusa, com todas as dificuldades, fez bela campanha no paulista desse ano, merecia a classificação, que lhe escapou no momento final do jogo entre Santos e Ponte Preta, por conta da combinação de resultados. Contra o Santo André, quando poderia, tinha o jogo a seu favor, a Lusa não o matou como deveria, para não depender de circunstâncias quaisquer do jogo do Santos.

Então o presidente deveria parabenizar seus jogadores e manter atitude equilibrada e serena. Ora, Manuel da Lupa, como qualquer pessoa sensata que vive no mundo do futebol, sabe bem de arranjos de jogos. Sabe igualmente que acusações quando não comprovadas, - e compravação não é coisa fácil -, gera constrangimento e sensação de perda de espírito esportivo.

Consideremos a acusação. Se verdadeira, pelo menos outras duas pessoas necessariamente teriam de estar envolvidas: o Aranha, goleiro da Ponte, e o Kleber Pereira, que converteu o pênalti cometido de modo tolo por Jean aos 44 mim. do segundo tempo. Sem eles, apenas o Jean engordaria R$20 mil. Como o Manuel da Lupa sabe, grandes jogadores perdem pênalti em final de Copa do Mundo; muitos goleiros defendem pênalti. Combinação de resultado, compra de jogadores, não garante nada. No caso específico do Jean, com quem teria sido combinado que o jogo estaria 2x2 aos 44 min. do segundo tempo e a bola caprichosamente descreveria aquela trajetória para ele por docemente sua mão?

Se verdadeira a "compra" do Jean, portanto, isso só faz que tenhamos em relação à Lusa o sentimento de compaixão. Para além de todos os azares, acrescenta-se mais esse: uma bola caprichosa para na mão de um zagueiro comprado e a Lusa fica fora Top 4. Combinação de resultado não espera os 90 minutos da partida, o jogo em outros momentos revelaria algo estranho, o que não aconteceu (que responsabilidade teve Jean nos outros dois gols do Santos?). O futebol, como todo amante sabe, está cheio de jogos estranhos. Sempre lembro do jogo Argentina e Peru, na Copa de 78. A história, ao longo do tempo, só comprava suspeitas. Mas uma autoridade não pode colocar reputação em jogo e dar vazão a suspeitas sem provas. Isso fica para a galera.


*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universitário de filosofia e sociologia e crítico de
cultura em diversos órgãos de imprensa.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais que mil palavras

Não gosto de usar frases feitas (ainda mais quando não são feitas por mim), mas não posso deixar de constatar que eis um exemplo de uma imagem que vale não mais que mil; vale mais que cem milhões de palavras:


domingo, 5 de abril de 2009

Nada a ser dito

Esta não será uma coluna fácil de ser escrita. Difícil, mesmo depois de algumas horas, externar o que sente um torcedor com um nó na garganta, nó este que custará pra ser desfeito. Alia-se a isso, ainda, os olhos marejados e os embargos na voz. São reações naturais de quem mantém-se incrédulo com o que viu e sentiu.

Não está sendo fácil escrever esta coluna. Já amassei sete textos, pois em nenhum deles fui capaz de sintetizar minha amargura. Tenho certeza que não conseguirei. Assim como não conseguirei assimilar o golpe de hoje. Já me decepcionei muitas vezes, mas como hoje, nunca. Assim como nunca havia chorado por causa de uma derrota. Mas não há muito para ser dito. Em momentos assim, melhor a introspecção, o silêncio, pois nada que se diga ou se ouça servirá pra amenizar a dor da perda.

Poderia esbravejar por conta dos golos perdidos, dos pontos desperdiçados em casa, das trocas de comando, do pênalti besta a favor do Santos. Mas não. Nada disso servirá como consolo. Melhor mesmo o silêncio.

Não foi fácil escrever esta coluna.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Com as barbas de molho

A fase classificatória do Paulistão 2009 está chegando ao fim. Faltando apenas duas rodadas, todos os jogos têm as cores das decisões. É neste momento que fatos estranhos (leia-se arbitragens suspeitas) costumam acontecer. E como bom torcedor da Lusa que sou, já estou com as barbas devidamente de molho.



Historicamente somos as vítimas contumazes do antigos "homens de preto", mas nas duas últimas rodadas, estranhamente, muito estranhamente, fomos os beneficiados.

Senão, vejamos: na rodada passada, contra o Mirassol, foi validado um gol escandalosamente feito com a mão pelo atacante Fabrício Carvalho. Hoje, contra o Marília, uma sequência de lances capitais no mínimo discutíveis, e todos interpretados a favor do time do Canindé.



Já no confronto entre Barueri e Santos, adversário direto da Portuguesa por uma vaga nas meias-finais, foi invalidado um gol legítimo do time da Vila Belmiro e o jogo acabou sem abertura de placar.

Por mais que pareça ser a Lusa a beneficiada, não duvido que essa ajuda nada mais seja que um simples pretexto pra que nos tirem a vaga já no jogo contra o Santos, na próxima quinta-feira à tarde, na Vila Belmiro.

Pra provar que não se trata de algum tipo de "teoria da conspiração", relembrarei a famosa arbitragem do segundo jogo da semi-final de 98, disputada por Corínthians e Portuguesa, quando o argentino Castrilli pôs o alvinegro na final: durante o jogo ele expulsou o meia corintiano Marcelinho Carioca, o que daria à arbitragem um certo ar de idoneidade, para, no fim do jogo, inventar, de maneira escabrosa, um pênalti a favor do Timão.

Espero, sinceramente, estar enganado, mas como os interesses comerciais costumam sobrepujar-se à disputa dentro das quatro linhas, prefiro ficar com os dois pés atrás. E com as barbas de molho.

terça-feira, 24 de março de 2009

Por um preço alto demais


A FIFA adiou, no último dia 11, a divulgação da escolha das cidades-sede da Copa de 2014, que, infelizmente, será realizada no Brasil. Foi a primeira vez que ocorreu tal fato.

A princípio, o anúncio estava marcado para o dia 20 de março, em Zurique. Oficialmente, a causa foi o aumento do número de subsedes de 10 para 12, necessitando, portanto, de mais tempo para análise das cidades interessadas. Sendo assim, a divulgação será feita na apresentação do Congresso FIFA 2009, a ser realizado nas Bahamas, no final de maio.

Tudo conversa-pra-boi-dormir. As verdadeiras razões são outras. Como já foi citado, ocorreu um aumento no número de subsedes. As motivações são meramente políticas, ou alguém acha, em sã consciência, que tal aumento não seja para acolher mais aliados políticos, visando vantagens futuras?



Acontece que quando os membros da entidade máxima do futebol mundial estiveram no país, nos meses de janeiro e fevereiro, para visitar as 17 cidades que têm interesse em receber os jogos, não encontraram uma sequer que realmente estivesse estruturada para tanto. Curitiba, por exemplo, tida como cidade-modelo para todo o país, sequer dispõe de metrô.

Cidades que certamente serão escolhidas, como Rio de Janeiro e São Paulo, apresentam problemas imensos, quase insolúveis, em segurança e transporte públicos. Falando em transporte, querem ligar as cidades através do novíssimo, empreendedor e fantástico trem bala. A viagem duraria pouco mais de uma hora. No melhor estilo Organizações Tabajara, nossos problemas terão acabado. Mas pra isso, custará cerca de US$ 9 bilhões, só pra fazer o super-ferrorama. Fora as obras de expansão de metrô, melhorias nas telecomunicações e outros gastos. E estamos falando de São Paulo e Rio, que em tese são duas das cidades de melhor infraestrututa no país.

Pra se ter uma ideia, mesmo que vaga, de quanto vai ser desviado pros bolsos dos verdadeiros interessados, quando foi feito o famigerado Pan do Rio, em 2007, o orçamento inicial era de cerca de R$ 470 milhões. Ficou em mais de R$ 5 bilhões. E o poder público entrou com 2/3. DINHEIRO PÚBLICO!!! Poderia ir pra saúde, pra educação, mas foi pro bolso dos organizadores e seus amiguinhos. De acordo com dados divulgados no blog de Juca Kfouri, só a REFORMA do Maracanã, inicialmente orçada em R$ 71 milhões, saiu por mais de R$ 240 milhões. E ainda assim é obsoleto. Pra fazer o Engenhão gastaram mais de 350 paus. Só pra comparar, o de Leipzig, usado na Copa da Alemanha de 2006, saiu por R$ 244 milhões e o de Seogwipo (Coréia do Sul, 2002) ficou em R$ 203 milhões. Querem saber o valor inicial do Engenhão? R$ 60 milhões.



Hoje o Engenhão não pode ser usado em grandes jogos, devido à sua "ótima" localização. Sem contar que foi cedido para o Botafogo pela bagatela de R$ 30 mil por mês. É o pior negócio no mercado imobiliário em todos os tempos, já que, por este valor, levar-se-á 973 anos para que seja recuperado o investimento. O clube carioca teria, entre outras atribuições, que realizar a manutenção do estádio. Mas nem isso faz.

Os organizadores da Copa no Brasil querem que o Pantanal seja uma das sedes. Eis o maior de todos os descalabros! Fazer um estádio no Pantanal? Pra quê? E depois da Copa, farão o quê com ele? Imagino os grandes jogos que terão lugar no "Pantanão": Jacarés de Desportos x SC Tuiuiús? FC Tamanduá Bandeira x Mico Leão Dourado FC?



Temos seríssimos problemas sociais, uma parcela significativa da população tem uma renda menor que meio salário mínimo, a educação é uma piada de péssimo gosto e, ao contrário do que diz o Presidente da República, a saúde pública só não está na UTI por falta de vaga.

Pois é. A Copa do Mundo é nossa, entretanto por um preço alto demais.

domingo, 22 de março de 2009

Contrariando a lógica

O futebol é um dos solos mais férteis para a criação de frases de efeito. "Quem não faz, toma", "em time que está ganhando não se mexe", "futebol é uma caixinha de surpresas (esta é clássica)"... Enfim, há uma infinidade de opções pra todos os gostos. Particularmente a minha preferida é "o futebol não tem lógica". Por causa desta preferência não posso me furtar a comentar o que está ocorrendo com a Lusa.

Contrariando todas as lógicas existentes - mesmo que não existam -, a Portuguesa está muito, muito próxima de apurar-se à fase semi-final do Paulistão. Desde 2000, quando era treinada pelo Nelsinho Batista e a dupla de ataque era formada por Leandro e Bentinho, não reúne condições tão claras para tal. E naquele ano não chegou. A última vez em que a Lusa foi semifinalista no Paulistão foi em 98, no famoso jogo da "Castrillada".

Outrora nossos adversários eram os árbitros, eternos algozes. Desde Armando Marques até o já citado Javier Castrilli, exemplos não faltam.

Mas neste ano o maior oponente da Lusa é... ela própria! O planejamento, se é que houve, foi equivocadíssimo. Manteve o Estevam Soares após o descenso no Brasileirão e após a primeira rodada trocou o comando da equipe. As razões nunca serão reveladas, tamanha a gravidade dos fatos. Trouxe o Mário Sérgio, que recolocou o time no caminho das vitórias mas perdeu o comando sobre o elenco. Aí a queda iminente só aconteceu após a tão improvável quanto previsível eliminação frente ao Icasa, na Copa do Brasil, dentro do Canindé.

Ora muito bem. Foi contratado o Paulo Bonamigo. Uma indicação do Felipão, segundo o jornalista Cosme Rímole. Bonamigo, gaúcho de Ijuí, 48 anos. Como treinador venceu três estaduais no Nordeste. No ano passado dirigiu, sem sucesso, Goiás, Paraná e Ponte Preta. Ou seja, um currículo não muito alentador para a tão exigente, e às vezes chata, torcida da Portuguesa.

Aí veio o jogo contra a Ponte, quando a Lusa seria dirigida pelo preparador físico Flávio Trevisan -sob a bênção de seu amigo Mario Sérgio, que não se opôs à sua permanência na Lusa. Entretanto, Bonamigo, mesmo sem comandar apenas um treino que fosse, resolveu assumir já naquele jogo. O resultado foi um sofrido e sofrível 1 a 0 pra Lusa.

Desde então foram quatro jogos e outras tantas vitórias. Cinco golos marcados e nenhum sofrido. De quebra, a entrada no G-4, faltando apenas quatro rodadas para o fim da primeira fase. E dos quatro jogos restantes, três são em seu relvado.




O time do Canindé depende apenas do seu futebol pra chegar às meias-finais. Agora a imprensa terá, mesmo que à contra-gosto, que virar seus holofotes para o Canindé.

O problema é que, historicamente, quando se espera que a Lusa alcance resultados maiores, ela emperra. Tomara que essa seja mais uma das inexistentes lógicas futebolísticas contrariadas pela Portuguesa, e que este ano seja diferente, apesar dela mesma.

domingo, 8 de março de 2009

Imensurável



Logo mais, às 18h30, Lusa e Ponte Preta adentrarão no relvado do Canindé para mais uma partida, válida pela 12ª rodada do Paulistão 2009. Para a Macaca, trata-se de um jogo importante, pois briga diretamente com Santos, Santo André, Barueri e a própria Portuguesa pela quarta vaga na próxima fase, já que é quase improvável que Palmeiras, Corinthians e São Paulo falhem às semifinais.

No entanto, pra nós, lusos, esta partida terá uma importância muito maior. Imensurável, digamos, pois estará posta à prova não só as chances de apuramento à próxima fase, como também o confuso planejamento iniciado após o rebaixamento do ano passado.

Após 11 rodadas, o preparador físico Flávio Trevisan será o terceiro (!) treinador a comandar a Portuguesa à beira do gramado. Antes dele, estiveram no cargo Estevam Soares, demitido sob condições absolutamente nebulosas, após o revés frente o Guarani, ainda na rodada de abertura do campeonato. Assumiu, em seu lugar, Mário Sérgio Pontes de Paiva, que estreou com derrota, mas emplacou uma ótima sequência de resultados, chegando a nove jogos sem derrota, ente Paulistão e Copa de Brasil. Após a quebra de tal marca foi exposta uma fragilidade no relacionamento entre o técnico e o grupo de jogadores, já abordado nesta tribuna.



Trevisan ocupará o cargo de forma interina, é verdade, pois não é qualificado para tal, como ele mesmo vem afirmando. A partir de amanhã o comando técnico caberá ao recém chegado Paulo Bonamigo, que terá a incumbência de não só recolocar a Lusa nos trilhos, dando continuidade ao bom trabalho (em termos de resultados) do antecessor, como também será o responsável por comandar a equipe na Série-B, quando tentaremos voltar à primeira divisão do futebol nacional, o que, aliás, deve ser a meta principal da Lusa.

A não ser que seja mantida a inacreditável média de um técnico por mês. Caso isso ocorra, poderemos não voltar, mas ao menos figuraremos no Guiness.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A crônica da tragédia anunciada

O dia 4 de março de 2009, uma quarta-feira de temperatura agradável, estará pra sempre na memória de todo torcedor da Portuguesa como o dia em que a Lusa, de tantas glórias, foi eliminada da Copa do Brasil pelo valente, porém fraquíssimo, time do Icasa, o obscuro penúltimo colocado do Campeonato Cearense.

Mas foi apenas o desfecho de uma tragédia previamente anunciada dois dias antes, na reunião entre o elenco e o técnico, Mário Sérgio, que culminou com o afastamento dos meias Fellype Gabriel e Preto. E que serviu para externar o quão frágil é o relacionamento entre comandante e comandados.

Quanto ao jogo em si, talvez esse episódio não tenha influenciado no comportamento do time em campo, mas as ausências dos afastados tornaram ainda mais diminutas as opções do ténico.

Além de que a equipe hoje foi muito, mas muito mal armada. Tínhamos no ataque dois jogadores de área, Christian e Fabrício Carvalho, sendo que este sequer vinha sendo relacionado para os jogos. O Edno, que vinha jogando mais à frente, desempenhou a função de armador, a qual não vinha fazendo, ultimamente. Duvido, inclusive, que tenha treinado com essa formação.

Quando o Rei do Gatilho mexeu, o fez errado. Ao tirar o Fabrício Carvalho pra pôr o Fernando, fê-lo pra ganhar o meio de campo, mas como tomou o gol logo em seguida a sua ideia foi pro espaço. Adiantou o Edno e ficou apenas com o Marco Antonio na armação, que vinha atuando sempre como o volante de saída. Quer dizer, precisávamos atacar, mas ficamos com 3 volantes de contenção (Fernando, Rai e Erick) e que sequer tinham jogado juntos, e o único “gancho” do time na verdade era outro “trinco”, só que atuando mais avançado.

Pra completar, tirou o Christian pra pôr o Rogério. Não se tira o atacante mais agudo numa ocasião dessas. Isso é básico. Quando o Edno se machucou, teve que pôr o Goiano, pois não tinha opções mais criativas - no banco, além dos jogadores que entraram, estavam à disposição o goleiro Victor, o lateral esquerda Guigov, o zagueiro Ediglê e o volante Ygor. Afinal, o Preto e o Fellype Gabriel estavam afastados do elenco e o Heverton estava suspenso. Às vésperas de um jogo decisivo o técnico deveria ter administrado melhor a situação criada por ele mesmo. Talvez por duvidar da possibilidade de uma improvável eliminação, que, merecidamente aconteceu.

Enfim, faltou tudo pro Mario Sergio. Jogo de cintura, ousadia e principalmente, inteligência. Isso posto, somado aos acontecimentos dessa semana, acredito que ele tenha assinado seu aviso prévio nessa melancólica e fria noite de quarta-feira.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Freud e os idiotas

Sigmund Freud é o criador da psicanálise. Você pode não saber o que é isso, mas certamente já ouviu falar sobre ele. Com a sua ajuda, o homem passou a se conhecer melhor, passou a entender os meandros do comportamento.

Mas uma coisa eu duvido que, fosse vivo, Freud explicaria: a torcida da Portuguesa.

De algum tempo pra cá nos habituamos a comer o pão que o diabo amassou. Se antes o costume era entrar nos campeonatos pra fazer número, nossa realidade passou a ser tentar nos mantermos. Começamos a almejar o décimo lugar. Daí pra baixo.

Eis que vem um treinador experiente, conhecedor do “futebolês” em seu estado mais bruto, e nos devolve o prazer de lutar pelas primeiras posições na classificação, de voltar a disputar uma meia-final de Paulistão depois de ONZE anos. E ainda assim tem “torcedor” que faz questão de comprar seu ingresso só pra achincalhar o técnico! Sem contar que esses mesmos “sábios” dispendem o mesmo tratamento ao artilheiro do time, o meia-atacante Edno.



É verdade que ele andou dizendo que não queria ficar no time, que era jogador de primeira divisão. Mas ele ficou. E está jogando bem. Ainda assim insistem em vaiá-lo. Ambos são importantes no processo de reestruturação da Lusa. Não faz sentido serem tratados como estão sendo.

A impressão que fica é que essa meia-dúzia de pseudo-entendedores espera ansiosa as coisas irem mal pra poder bater no peito e dizer, orgulhosa: ‘Eu sabia!’. Os motivos é que são, ao meu ver, bastante duvidosos.

Basta o time tomar um gol, e lá vão eles pra trás do banco de reservas, mas até aí, tudo bem, pois paixão e racionalidade não andam juntas, ainda mais nas arquibancadas de um estádio de futebol. Até aí.

Vivemos numa democracia, e como tal, todos têm o direito de expressar seus sentimentos e opiniões. Isso é sagrado. Da mesma forma, também têm o direito de agir como idiotas, ou de aceitarem ser usados como massa de manobra. E é aí que mora o perigo. A quem interessa o time em crise? Por que não o deixar trabalhar em paz? Essas são perguntas que devem ser respondidas.

Quem há de respondê-las? Não sei, sinceramente. Talvez Freud pudesse. Mas pensando bem…