domingo, 1 de julho de 2012

Sem favorito


Neste domingo Itália e Espanha decidem, na Ucrânia, o campeão da Euro 2012. A Squadra Azzurra foi campeã em 1968, e a Furia abiscoitou a  taça em 1964 e em 2008. Caso vença, será a primeira seleção a conquistá-la duas vezes seguidas.

Curiosamente, Itália e Espanha estiveram no mesmo grupo na primeira fase, ao lado de Irlanda e Croácia. Não tiveram vida fácil, se apurando com muito custo. Custosa também foi a passagem para as meias-finais, quando espanhóis bateram franceses por 2 a 0 e os italianos eliminaram ingleses, estes nas grandes penalidades, após 120 minutos sem golos.

Este foi o enredo da classificação da Espanha sobre Portugal. A diferença é que, enquanto a Itália encurralou a Inglaterra no seu campo durante quase o tempo todo, o clássico da Península Ibérica foi equilibradíssimo. Qualquer que fosse o resultado, haveria justiça para os classificados e injustiça aos que se foram.

A Itália chega ao Estádio Olímpico de Kiev mais inteira. As atuações, sobretudo contra Inglaterra e Alemanha, foram mais consistentes que os jogos da Espanha contra França e Portugal. Ainda mais porque os intermináveis Pirlo e Buffon vivem fase exuberante e o encrenqueiro Balotelli tem jogado muito. Sem contar que, historicamente, sempre que chega às competições com o futebol italiano envolvido em escândalos, como em 1982, il Azzurri fazem barulho.

ITÁLIA SENDO ITÁLIA Azzurra chega credenciada à decisão
após fase de grupos sofrível
(Associated Press) 
A Espanha, por sua vez, chega à decisão com a base que vem mudando o futebol mundial desde a Euro 2008. É um combinado Real Madrid-Barcelona, mas sem Messi e Cristiano Ronaldo. O que não deveria ser problema, pois sempre foi assim. O time espanhol detém a bola quase o tempo todo, mas sem  referência na ataque perde profundidade. Além disso, os laterais, diferentemente do que acontece no Barcelona, não são um desafogo quando o adversário congestiona o meio. Mesmo assim, não é saudável desprezar um time com Xavi e Iniesta querendo jogo, e com Casillas na baliza.

PRONTA PARA FAZER HISTÓRIA Espanha supera sofrimento dos
 pênaltis contra Portugal e chega à final (Charles Platiau/Reuters)
Aliás, Itália e Espanha são dois times que concentram o jogo pelo meio, o que é prenúncio de partida truncada. Curiosamente, a despeito do que nos mostra a tradição das duas equipas, o time que tem o futebol mais bonito veste azul, e o pragmatismo falta castelhano. Num jogo onde os dois últimos campeões mundiais decidirão o título tendo, sob seus travessões, os dois melhores goleiros de sua geração, é impossível apontar um favorito.     

Montagem: Diário Lance!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A 90 minutos do paraíso

É fiel, quem diria? O sonho de conquistar a América está mais próximo. Ontem, o empate por 1x1 na tão temida La Bombonera passou para realidade o que antes era um sonho de consumo.

A igualdade na casa dos hermanos foi um bom resultado, tendo em vista que os alvinegros poderiam ter saído do estádio com uma amarga derrota. Se não fosse a trave para salvar o Corinthians, ela que "ajudou" o Timão ao lado de Romarinho, autor do gol de empate.

Romarinho? O novo xodó da fiel. Ele está mostrando de fato o porquê de ter sido eleito como revelação do Campeonato Paulista de 2012. Até o momento não sentiu o peso de vestir a camisa do Corinthians.

Agora serão mais 90 minutos, uma simples vitória no estádio Pacaembu, dia 04, e o Corinthians poderá tirar esse fantasma da Libertadores que tanto o assusta. De quebra também levará junto à invencibilidade no torneio: até agora 13 jogos, sete vitórias e seis empates. O último clube a conseguir essa façanha, acredite se quiser, foi o próprio Boca Juniors, em 1978.

Assim como foi por parte da torcida argentina em La Bombonera, o Pacaembu estará tomado por fiéis. Fiéis nas cores preta e branca. Acenda uma vela você, torcedor corintiano, reze para São Jorge, o Santo Guerreiro, assim como os mesmos guerreiros que entraram em campo para a batalha final. O paraíso está proximo.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Derrotas são derrotas

Estou há 15 minutos a olhar para o ecrã do meu computador. Um quarto de hora a tentar dizer o que se passa pela cabeça após a eliminação de Portugal na Euro 2012. É difícil. Complicado, principalmente quando existiam possibilidades reais de apuramento.

Poderia falar que a Selecção das Quinas caiu de pé, que lutou, que foi grande, que perdeu para um time que também mereceu e, como só pode passar um, passou a Espanha. Tudo baboseira. Derrotas são derrotas e doem, todas elas. Umas mais, outras menos, mas todas doem.

Ficar imaginando se o João Moutinho tivesse escolhido outro canto, se a bola chutada pelo Bruno Alves fosse um palmo para baixo ou se o chute do Fábregas fosse um bocadinho mais à esquerda não resolve nada. Apenas prolonga o sofrimento. Um sofrimento, aliás, que durou 120 longos minutos mais as penalidades.

Ronaldo no momento da última cobrança (Imagem: Reuters)

O que resta a fazer é esperar pela Copa do Mundo, quando começará tudo de novo. A mesma angústia e a esperança de um desfecho diferente. E é assim que tem que ser. Esta é a beleza do esporte, inclusive nas derrotas. 

É, fiel, chegou o dia!

Torcedores corintianos, preparem seus corações! Chegou o grande dia. Começam hoje em La Bombonera, às 21h50, os primeiros 90 minutos da tão aguardada final da Taça Libertadores da América.

Nervos à flor da pele por um possível vice-campeonato? Talvez. Vontade de gritar é campeão? Com certeza. O adversário é malandro, ganhou inúmeras vezes o torneio. Aliás, esse adversário é o Boca Juniors. Seis canecos levantados, já eliminou Tricolor carioca, Santos, Palmeiras e o próprio Corinthians, em 1991, nas oitavas de final.

Um sonho que pode virar realidade. Uma conquista jamais esquecida. Um troféu que virou pedra no sapato do Sport Club Corinthians Paulista e daqueles 30 milhões de loucos.

É, Fiel, olhos grudados na televisão e ouvidos colados no rádio, nenhum lance pode passar despercebido dessa final marcante. Quem tiver que tomar remédios para controlar a pressão já se antecipe, pois não será fácil.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tudo como dantes

Castelo de Abrantes (Rui Miguel Silva)

Tudo como dantes no quartel d'Abrantes. Era assim que se respondia em Portugal, no século XIX, quando alguém perguntava como iam as coisas. Era a época da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, quando a Família Real portuguesa, que não era besta, veio para o Brasil, fugida do general francês. Como uma das primeiras cidades a serem invadidas foi Abrantes, localizada às margens do Tejo, e não houve lá muita resistência, a resposta era usada em tom de ironia.

Tudo como dantes no império de Juju. Assim pode ser resumido o atual momento do São Paulo. Entra treinador, sai treinador, entra jogador, sai jogador, e tudo segue igual. A mesma auto-suficiência, a mesma soberba.

O que antes era um exemplo de gestão virou motivo de chacota. O Tricolor, com seu invejado e indiscutível planejamento, com sua localização em uma área nobre da cidade e sua mania de grandeza, despertava a admiração da imprensa, a ira das outras torcidas e conseguia, a cada conquista, um sem número de novos adeptos, que arrotavam sua pretensa superioridade a cada venda de um prata-da-casa para algum time rico da Europa (mesmo que o tal prata-da-casa fosse cooptado na base de algum co-irmão menos organizado).

A rotatividade na cadeira do presidente garantia a saúde administrativa do "Soberano". Ora, se quisesse continuar mandando, o presidente que fizesse seu sucessor. E assim a vida seguia. Seguia, pois, de uma hora para outra, a oposição se enfraqueceu, a tal cadeira presidencial virou trono e o déspota Juvenal Juvêncio nela se aboletou.

A cada competição perdida, a cada não-classificação para a Libertadores, a solução passou a ser a convocação de uma entrevista coletiva, concedida por El Rey, é claro, na qual Sua Majestade profere frases que já fazem parte do riquíssimo folclore do futebol brasileiro. O técnico Leão foi só mais um que passou pelo Reino de Juju e acabou virando bobo da corte, substituído toda vez que perde a graça. E tudo segue como dantes.

domingo, 24 de junho de 2012

Chegaram as meias-finais

Espanha tentará o bicampeonato europeu; Alemanha,
 Itália e Portugal no caminho dos campeões
A Eurocopa chega à sua fase de meias-finais. Sem surpresas, ao meu ver. Alemanha, Espanha, Itália e Portugal decidirão quem será o dono do futebol do Velho Mundo. 

Primeiro, o duelo da quinta-feira, no estádio Nacional de Varsóvia, onde duas das camisolas mais poderosas do mundo estarão decidindo uma vaga às finais. A Alemanha, único selecionado a vencer seus quatro jogos, tem pela frente a sempre forte Itália. Os alemães são donos de três taças e, para chegar, passaram ilesos no tido como Grupo da Morte, com vitórias apertadas contra Portugal (1 a 0), Holanda (2 a 1) e Dinamarca (2 a 1).



Nas quartas, espantou a zebra grega com um incontestável 4 a 2. E ainda se deu o luxo de poupar o ataque inteiro, com Podolski e Mario Gomez, um dos artilheiros do torneio, no banco. Com as quatro vitórias,o time de Joachin Löw chegou a 16 vitórias seguidas em partidas oficiais, igualando a Espanha de 2009. 

Já a Itália foi a equipe que menos venceu até aqui. Somente uma vitória, no sufoco, sobre a Irlanda, na última rodada da primeira fase, que lhe valeu a classificação. No mais, empates por  um gol nas duas primeiras rodadas, contra Espanha e Croácia, que eliminariam os italianos se fizessem um jogo de compadres na última rodada.


Tudo muito dramático, como quase sempre. Dramático como a classificação da Azzurra contra a Inglaterra, na segunda fase. Mais de 30 finalizações, duas bolas na trave inglesa e a apuração na disputa por pênaltis, por 4 a 2, contra um English Team desfalcado, que jogou como time pequeno.

Um dia antes, na Arena Danboss, em Donetski, Portugal e Espanha fazem o clássico da Península Ibérica. Do contrário do que se imaginava, a atual campeã europeia e mundial Espanha não sobrou na competição. Exceto na goleada na Irlanda, por 4 a 0, na segunda rodada da primeira fase, a Furia teve páreos duríssimos no empate da estreia frente à Itália e na vitória, com as calças na mão, contra a Croácia, por 1 a 0, quando Casillas garantiu a apuração espanhola. 



Na fase seguinte, também sem brilhar como de hábito, venceu a França, que vendeu caríssimo a derrota por 2 a 0. Para complicar, o técnico Del Bosque ainda não encontrou a formação ideal, ora com Torres como avançado, ora com Fábregas e David Silva à frente.

Portugal, por sua vez, estreou perdendo para a Alemanha por 1 a 0, numa partida em que teve chances para empatar. Depois, passeava contra a Dinamarca, abrindo dois golos de vantagem no começo da primeira parte, mas permitiu o empate ao nórdicos e venceu graças ao golo salvador do reserva Varela, naquela que, seguramente, foi a pior partida de Cristiano Ronaldo pela equipa nacional. No jogo seguinte, porém, o capitão acordou, comandando a virada por 2 a 1 contra a Holanda, com os dois golos, duas pelotas atiradas ao poste e muitas jogadas que levaram os holandeses à loucura. 


Para avançar às meias-finais, outra exibição de gala do camisa 7, na vitória por 1 a 0 contra a República Tcheca. Novamente ele anotou o golo da Selecção das Cinco Quinas, fora as bolas no poste, de novo.

Está tudo em aberto. Dos quatro finalistas, só Portugal perdeu e só Portugal nunca conquistou o torneio, mas apenas Portugal tem Cristiano Ronaldo.

sábado, 23 de junho de 2012

Outro time

Ao vencer o São Paulo, no Canindé, a Lusa terminou com um incômodo jejum. Foram mais de dois anos sem vitórias em clássicos. A última vez que a Portuguesa havia vencido outro grande (Troféu Sócrates não conta) foi na estreia do Paulistão 2010, contra o mesmo São Paulo, por 3 a 1. Independentemente da fase ruim que o São Paulo atravessa, a Portuguesa teve outra cara.

O time não vinha jogando mal, embora cometesse os mesmos pecados do Paulistão. Posse de bola, muita até, mas ninguém sabia o que fazer com ela. Era um time assustado, com medo, muita transpiração e nenhuma inspiração.

Hoje, contra o São Paulo, a Lusa foi um time consistente, ciente das suas inúmeras limitações. E isso foi preponderante para vencer. Como de hábito sob o comando de Geninho, a defesa foi armada com três zagueiros, protegidos por três trincos que saem para o jogo.

A diferença estava nas peças. No gol, a segurança impressionante do Dida, que não jogava há dois anos, mas parecia estar sob a barra da Lusa desde então. No meio, o retorno de Guilherme deu outra cara ao time. Apesar dos dois meses fora, apresentou a mesma movimentação, a mesma marcação, o mesmo passe certeiro.

Dida estreou bem pela Portuguesa (Alê Cabral/AE)

Outro jogador que estreou com destaque foi o atacante Diego Viana. Mostrou presença de área, sabe sair dela para abrir espaços, aguenta porrada e, pelo visto, fede a gol. Um achado! É difícil encontrar avançados com estas características.

Claro que vitórias escondem falhas, da mesma forma que derrotas as potencializam, mas a Portuguesa mostrou uma cara que há muito não se via: de um time que venderá caro cada derrota e que lutará sempre por elas. Será campeão? Óbvio que não! Brigará na parte de cima da tabela? Também duvido, mas o clássico deste sábado é um alento para quem estava fadado apenas a lutar contra o rebaixamento.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Credencial

Sim, estou bêbado. Definitivamente, dei-me o direito de comemorar a vitória portuguesa sobre os tchecos, pelos quartos de final da Eurocopa 2012. A exemplo das edições de 1984, 2000 e 2004, a Selecção das Quinas chega às meias-finais do segundo torneio mais importante de seleções do mundo.

GARRAS AFIADAS Cristiano homenageia
Eusébio ao mostra as garras da pantera

Para assistir ao duelo, escolhi a padaria do amigo Johnny, em Diadema. Diferentemente dos jogos da Barcelusa no ano passado, desta vez não houve os tradicionais tremoços, mas nem precisava. Entre um lance e outro, lá vinha ele com uma garrafa de Antarctica e uma boa história. 

Foi uma partida relativamente tranquila. A República Tcheca atuou o tempo todo esperando por um erro da irregular linha defensiva de Portugal, o que não aconteceu. Pepe, Bruno Alves, João Pereira e, principalmente, Fabio Coentrão foram soberanos, garantindo ao guardarredes Rui Patrício o papel de espectador de luxo.

No meio, outra vez, Raul Meirelles foi gigantesco. Nem a contusão de Hélder Postiga foi sentida, já que Hugo Almeida, que eu não gosto, diga-se, fez uma partida acima do que costuma apresentar. Com ele, a defesa tcheca ficou enfiada na área, o que fez surgirem espaços para João Moutinho, Nani e Cristiano Ronaldo brilharem.

E foi o Puto Maravilha quem decidiu novamente. Duas bolas atiradas ao poste e um sem número de jogadas insinuantes, sempre buscando o golo. O capitão luso jogou mais do que fizera contra a Holanda, se é que isso era possível. Contra os Países Baixos, Ronaldo enfrentou um time aberto e desarrumado. Contra os tchecos, no entanto, teve um time fechado à frente. Não fosse pela atuação de Petr Cech, a vitória seria mais expressiva.

EM GRANDE Bicicleta, trave, gol. Cristiano Ronaldo só não fez chover

A atuação de hoje credencia o time de Paulo Bento ao título. Venceu com propriedade, com sobras. Uma vitória de time grande. Voltarei à padaria para as meias-finais, seja quem for o adversário, pois isso é o de menos. A dor de cabeça passa, a ressaca acaba, mas a alegria é eterna.

Aos sonhos, às taças e às armas, Portugal!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Apressado sequer come

Pela primeira rodada do Grupo C da Eurocopa, Espanha e Itália empataram por 1 a 1 na Arena Gdansk, Polônia. Foi o suficiente para que as duas seleções tivessem suas qualidades postas em cheque.

Esquecem, porém, que em campo estavam cinco títulos mundias, os dois últimos, inclusive, e três europeus, dentre os quais o atual. Tradição não entra em campo? É discutível, mas a mística destas camisas não é.

A história da Squadra Azzurra não pode ser desprezada, e nessa tradição estão as classificações sofridas. Na Copa de 1970, por exemplo, passou à Segunda Fase com uma vitória e dois empates, tendo marcado apenas um gol. A partir daí deslanchou, parando apenas na final contra o Brasil, que tinha talvez o maior time que a humanidade já viu, mas jogou contra uma Itália arrebentada pela histórica semi-final contra a Alemanha Ocidental, no maior jogo da história das Copas.

Em 1982, a Itália chegou à Copa afundada numa enorme crise, sem vencer nos amistosos de preparação e em greve de silêncio com a imprensa. Para piorar, seu maior nome, o atacante Paolo Rossi, estava suspenso até pouco antes do mundial, envolvido no famoso escândalo de manipulação de resultados que ficou conhecido como  Totonero

Passou na bacia das almas, em segundo no grupo da Polônia de Lato e Boniek, por ter marcado um gol a mais que Camarões, após três empates. E a imprensa malhando. A partir daí venceu a então campeã mundial Argentina, de Maradona, e o Brasil de Telê Santana, na fase seguinte, para vencer na meia-final a Polônia e, na decisão, mais uma vez, a Alemanha Ocidental. Foram as únicas quatro vitórias em quase dois anos, justamente as que precisava vencer. Sempre sofrido.

Já a Espanha é diferente. Nos acostumbramos a ver a Fúria dar espetáculo, a não deixar o outro time sequer tocar na bola. Os atuais campeões europeus e mundiais praticam algo parecido com futebol, mas num plano superior. No entanto, não é invencível. Mesmo na Copa de 2010, sucumbiu na estreia ante o ferrolho literalmente suíço.

Naquela ocasião, a derrota por 1 a 0 para a Suíça foi o suficiente para deixar todos os pés possíveis atrás, mesmo a Espanha já sendo campeã da Europa. Era compreensível, pois nunca havia passado sequer das quartas-de-final. Mas agora não. Não se pode duvidar de um time que tem Casillas, Xavi e Iniesta. E bastou um empate para que todos duvidassem, mesmo (ou justamente por isso) este sendo com a Itália. Eis que a primeira fase prosseguiu, la Fúria esmagou a Irlanda e venceu, no sufoco, o bom time da Croácia, il Azzurri tropeçaram na Croácia e superaram, com as calças na mão, a Irlanda, no melhor jeito italiano de ser.

No fim das contas, Espanha e Itália apuraram-se aos quartos-de-final, e os apressados, que normalmente comem cru, sequer comeram.

domingo, 17 de junho de 2012

O lugar comum e a má vontade.

Hoje, em Carcóvia, na Ucrânia, Portugal massacrou a Holanda e garantiu a apuração aos quartos-de-final da Euro 2012. O placar de 2 a 1 para os comandados de Paulo Bento não refletiu a superioridade sobre o time de Bert Van Marwijk, que saiu na frente mas em momento algum demonstrou ter bola e cabeça para vencer, mesmo com o placar favorável.

Nem vou falar do jogo em si, pois o leitor por certo já leu impressões de gente mais gabaritada que este que vos escreve sobre os noventa e poucos minutos de jogo. Meu negócio, hoje, é com a imprensa dita especializada.

Chega a ser irritante a má vontade da imprensa brasileira para com a Selecção das Quinas. Começou e competição e já falaram que o time português é fraco, que o Pepe é violento e que Cristiano Ronaldo é pipoqueiro, além de chamarem Portugal de "exército de um homem só". Puro lugar comum de quem se importa mais com manchetes de jornais do que com um jogo inteiro.


Pepe tem jogado demais. Nenhum zagueiro, mesmo os badalados espanhóis e alemães, tem feito a Eurocopa que o luso-brasileiro faz. Foram três partidas soberbas, embora tenha falhado no segundo golo dinamarquês. Marca na bola, com rispidez, mas na bola, como todo defesa deve ser, diga-se. E ainda marca seus golos. No entanto, na primeira falta mais forte que fizer, já falarão que é violento.

Outro nome que está brilhando é Fabio Coentrão. Um monstro na retaguarda, um tormento aos contrários no apoio. Sem contar que foi o melhor lateral-esquerdo da Copa da África do Sul. Para a crônica tupiniquim, porém, joga menos que o chiliquento e nada confiável Marcelo. Sem contar nomes como Raul Meirelles, Miguel Veloso e João Moutinho, que não têm o reconhecimento dos críticos do Novo Mundo.

No entanto, nada se compara com as críticas feitas a Cristiano Ronaldo. É praxe chamá-lo de pipoqueiro a cada atuação ruim ou decisão perdida. Citam as grandes penalidades perdidas na decisão da Champions contra o Chelsea, em 2008, mesmo sendo ele o autor do tento de sua equipa, e contra o Bayern, nesta época, pelas meias-finais, quando ele também marcou no tempo regulamentar, e por duas vezes. 

Mesmo pelo time do Real Madrid, o qual tem levado às costas desde que chegou, é só ter um jogo mais ou menos ou uma derrota para o Barcelona, que deixa de ser o segundo melhor do mundo e vira um jogador trivial.

NEM ASSIM? Cristiano Ronaldo fecha o caixão holandês.
Dois gols e atuação de gala (Reuters)

Hoje reconhecem o seu valor graças à atuação diante dos holandeses. Dizem até que foi sua melhor partida na equipa nacional de Portugal, mas na primeira mal conseguida que tiver todos duvidarão do seu potencial. Sorte de Eusébio não jogar nos dias que correm.

Ronaldo comemora seu segundo golo frente aos holandeses (Yves Herman/Reuters)

sábado, 16 de junho de 2012

Memo e Guilherme

O volante Guilherme está em litígio com a Portuguesa. Quer sair e diz que não tem condições de jogar por não se sentir seguro, uma vez que foi ameaçado por dois (!) torcedores por causa do rebaixamento do time no Paulistão.

No pernambucano Santa Cruz, outro volante, um tal de Memo, é um dos destaques do time, que chegou ao inferno da Quarta Divisão do futebol nacional, subiu à Série C e é o atual bi-campeão estadual.

Há muito tempo Guilherme é cobiçado pelo Corinthians, que já fez inúmeras propostas pelo jogador. No entanto, a diretoria lusa não foi seduzida por nenhuma delas, ao contrário do excelente trinco rubro-verde, que não vê a hora de rumar para o Parque São Jorge.

OLHAR DISTANTE Cabeça de volante luso está
longe do Canindé (Divulgação/Portuguesa)

Memo, prata-da-casa, despertou o interesse da Lusa, que procurou os dirigentes do time coral e fez uma proposta por 50 % dos direitos do jogador, considerada baixa pelos diretores e o negócio não saiu. 

Teoricamente, duas negociações parecidas, com o desfecho semelhante. Só na teoria. Guilherme, após o episódio, ficou quase um mês sem aparecer no Canindé. Voltou aos treinos,  mas se recusa a jogar. Memo, por sua vez, se disse chateado pelo negócio não ter sido concretizado, mas continuará defendendo o time da mesma forma.

DEVE FICAR Apesar da vontade de defender a Lusa,
Memo acatou decisão contrária do Santa Cruz
Guilherme tem 21 anos, foi procurado antes do clube e seu empresário, Wagner Ribeiro, é conhecido pelo modus operandi de dar de ombros para os contratos. Memo, de 24, tem um empresário desconhecido e respeitou a decisão do Santa Cruz.

No fim das contas, o clube que agiu de acordo com a ética e a polidez que viraram demagogia numa sociedade que não preza pelos valores ficará sem seu principal jogador, já que as coisas caminham para que o camisa 8 vá para o "co-irmão",  e não conseguirá contratar o volante coral.

As pessoas acham normal. Parte da imprensa condenou a atitude da diretoria da Portuguesa, que faz muita coisa errada, mas, neste caso, defende os interesses de um clube que se recusa a ceder à pressão que partiu do aliciamento do jogador. A tal ameaça, inclusive, se deu de uma forma muito estranha, durante uma reportagem de André Galvão, da TV Bandeirantes.

Sinal de que alguma coisa está errada. No futebol e na sociedade.



quarta-feira, 13 de junho de 2012

O fator Cristiano Ronaldo

Hoje Portugal venceu a Dinamarca na bacia das almas, com o golo da vitória anotado já perto do fim do tempo regulamentar. O jogo, que estava à feição de Portugal desde o pontapé inicial, ganhou cores de drama quando o time escandinavo achou um empate improvável após estar perdendo por 2 a 0.

Não que a Selecção das Cinco Quinas fosse um rolo compressor, mas a Dinamarca não tinha time, bola e competência para incomodar. O time de Paulo Bento tinha a bola no pé mas esbarrava em uma apresentação abaixo da crítica do seu capitão, Cristiano Ronaldo, que fez, seguramente, sua pior exibição com a camisola portuguesa.

Cristiano Ronaldo falha chance clara de golo (Reuters)

Pior que isso, o camisola sete luso se escondia do jogo, exceto por duas ou três jogadas mais agudas. No mais, os toques infrutíferos para o lado, a falta de inspiração e a pouca transpiração apresentada por quem parecia temer a bola.

O falhanço apresentado já dentro da área, sozinho na frente do guardarredes contrário, momentos antes do golo de empate da Dinamarca, poderia ter deitado ao solo toda e qualquer esperança de apuração da seleção portuguesa, não fosse pelo golo salvador do portista Varela. 

João Moutinho e Varela comemoram golo da vitória (Getty Images)
Quando apupado pelos adeptos, que o provocaram aos gritos de "Messi, Messi", o astro português atacou o argentino, dizendo que ele a esta altura já estaria eliminado. Uma atitude absolutamente desnecessária em um momento no qual ele deveria assumir seus erros e se preocupar em jogar o que pode. Seguramente, as chances lusitanas passam pelos pés e pela cabeça do jogador do Real Madrid.

A salientar, positivamente, as atuações de Pepe, Raul Meirelles e Fábio Coentrão, gigantes no relvado da Arena Lviv.

Mais uma excelente atuação de Fábio Coentrão (Reuters)

domingo, 3 de junho de 2012

Risco iminente

Faltando uma semana para o início do Euro 2012, Portugal encerrou seus jogos de preparação. Os adversários foram Macedônia e Turquia, com um saldo desastroso de um empate em branco contra os balcânicos e uma derrota por 3 a 1 para os turcos.

Diferentemente do jogo contra a antiga república da Iugoslávia, quando o futebol apresentado pelos comandados de Paulo Bento foi qualquer coisa próxima do nada, a partida frente aos turcos, em um estádio da Luz lotado, mostrou uma equipa insinuante, jogando verticalmente o tempo todo, buscado o golo, criando hipóteses claras a todo instante, mas que, quase sempre, buscava o inoperante Hugo Almeida no comando de ataque.

Turcos comemoram mais um gol contra Portugal (Reuters)
Portugal não tem tradição de grandes centroavantes. Notadamente, os últimos a envergarem a camisola lusa e que tiveram algum destaque na função foram Pauleta, Nuno Gomes, Helder Postiga e Liédson, este naturalizado e que, há muito, deixou de estar nas contas do "mister" Paulo Bento. Postiga está o grupo, mas nunca se firmou para merecer, indiscutivelmente, um lugar no onze inicial.

Paulo Bento, o técnico de Portugal
Também contribuíram para o insucesso as falhas defensivas individuais que culminaram nos três golos contrários, ora com o guardarredes Rui Patrício, ora com o zagueiro Bruno Alves, ora com Ricardo Costa e Pepe, que deram o terceiro tento para um adversário que sequer disputará a Eurocopa. 

Outro fator determinante para o desáire diante dos turcos foi o pé descalibrado de Cristiano Ronaldo, que chegou a falhar uma grande penalidade quando o placar apontava 2-1, embora tenha mostrado o futebol de alto nível que tem jogado no Real Madrid. E é nele que são depositadas as esperanças de conquistar o troféu que escapou em 2004.

O grupo em que Portugal caiu é o mais forte, com as quatro seleções figurando entre as dez primeiras no ranking da FIFA. Alemanha e Holanda, inclusive, estiveram nas meias-finais da última Copa do Mundo e a Dinamarca encaminhou Portugal para as repescagens do Mundial de 2010 e da própria Eurocopa.

Desde 1996, quando foi eliminada nas quartas-de-finais pela República Tcheca, a Selecção das Cinco Quinas tem passado da primeira fase. Em 2000 caiu nas meias-finais, no Gol de Ouro do gênio francês Zidane. Em 2004, em casa, perdeu a final contra a improvável Grécia, e em 2008 foi desclassificada pela Alemanha, nas quartas.

O risco de quebrar esta escrita, pois, existe, e é bom que os últimos resultados tenham servido para que Paulo Bento encontre um forma de proteger melhor a cidadela lusitana, além de fazer com que um ataque que tem se mostrado tão perdulário desperdice menos oportunidades, de preferência com outro avançado a titular. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Nossa Revolução dos Cravos


Ontem, 25 de Abril, fez 38 anos a revolução que pos fim ao Regime Salazarista em Portugal. Na ocasião, o inferno já tinha se encarregado de receber o ditador António de Oliveira Salazar. Marcelo Caetano era o primeiro-ministro quando os capitães fizeram a Rádio Renascença tocar Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, que era o sinal para que as tropas avançassem.

Ontem, 25 de abril, a Portuguesa entrou em campo pela primeira vez depois do vexatório rebaixamento no Paulistão, para enfrentar o Bahia, pelos oitavos-de-final da Copa do Brasil. Como o Tricolor da Boa Terra não é nada disso e ainda veio desfalcado, o placar foi um previsível e enfadonho 0 a 0.

Não temos mais Jorginho e agora nosso treinador é Geninho, que acabou de cair no mesmo campeonato com o Comercial, o que mostra que não devemos fazer algo muito melhor do que temos feito, até porque a mentalidade dos nossos Salazares e Caetanos segue emperrada, arcaica, obsoleta.

Que a data inspire nossos capitães a promover a nossa Revolução dos Cravos, mas que seja tão pacífica e eficaz quanto à da primavera portuguesa de 1974.

sábado, 21 de abril de 2012

Nada de favas contadas

Muito se fala sobre a qualidade técnica dos campeonatos regionais, que não existe competitividade entre os clubes. Acredito que sim, existe certa disparidade técnica entre as agremiações.  Neste final de semana acontece a fase quartas de final do Paulistão 2012. Quatro confrontos, que muitos já dão como favas contadas. Acreditam que só o Palmeiras terá dificuldades diante do Guarani, em Campinas.

Não sou desses. Como dizer que um campeonato estadual é fraco, quando sete dos oito clubes finalistas estão na elite do futebol brasileiro ou na Série B nacional? E mais, como dizer que as semifinais já estão praticamente definidas com equipes tão bem estruturadas?
Hoje, sábado, São Paulo e Bragantino no Morumbi. Favoritismo tricolor, com certeza. Mas nada de definição. Marcelo Veiga treina a equipe de Bragança há mais de cinco anos, um trabalho que mantém uma escola defensiva forte e uma bola aérea perigosa desde sempre. Romarinho é a grande esperança.
Amanhã, Corinthians e Ponte Preta. Duas equipes da Série A do Brasileirão. Assim como o tricolor, o alvinegro da capital tem total favoritismo. Só não podemos desprezar o belo trabalho realizado por Gilson Kleyna no comando técnico da Macaca que culminou com o acesso.  A Ponte vai encarar o Corinthians, sem dúvidas.
De todos, o que mais acredito que o grande terá facilidade. Santos e Mogi Mirim na Vila Belmiro. A equipe visitante fez uma campanha interessante, tem o artilheiro da competição, Hernane. Mas dentro do caldeirão da Baixada tudo ficará mais difícil. Neymar e Ganso devem decidir.
O último e mais equilibrado. Guarani e Palmeiras, o grande falhou, errou demais no final da primeira fase. Como penalidade jogará em Campinas, no Brinco de Ouro. Jogo aberto, assim como no primeiro jogo entre as equipes. O Bugre mostrou uma equipe bem acertada e competitiva.
Um jogo para definirmos as semifinais do Paulistão. Disparidade sim, equilíbrio sempre. Não cravo os confrontos, apenas digo, sem medo de errar: facilidade só na teoria, fora das quatro linhas.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sem rumo, sem nada

A Portuguesa deu mais uma mostra de que está perdida. Após acertar a chegada do ex-técnico Candinho para ser o gerente de futebol do clube, anunciou a saída de Jorginho do comando da equipe, na mesma semana em que garantiu sua permanência.

A Lusa não conseguiu manter o time que brilhou o ano passado e, como de costume, perdeu o bonde da história, desperdiçou a chance de crescer, a exemplo do que aconteceu com a geração de Dener e com o time de Rodrigo Fabri e Zé Roberto, só pra citar alguns casos.

As últimas atitudes tomadas, como o afastamento do goleiro Wéverton por causa da negociação com o Atlético Paranaense e de cinco jogadores durante o campeonato, menos de três meses depois de contratá-los na certeza de que deixariam o time mais forte, mostram que a Lusa está sem rumo, sem planejamento, sem nada, e o nome Barcelusa, de boa sacada, passou a ser motivo de chacota.

Medidas drásticas não são o melhor caminho. Normalmente são tomadas no calor do momento, com o perigoso tempero do destempero. No entanto, a direção do clube, que se instalou e não sai de lá de jeito nenhum, já provou que não entende de tocar um clube cujo carro-chefe é o futebol.

domingo, 15 de abril de 2012

Associação Inacreditável de Desportos

Hoje a Portuguesa voltou a envergonhar sua torcida. Inacreditavelmente, após um ano de 2011 primoroso, jogou a história que escreveu no lixo ao ser rebaixada no Paulistão.

Este impensável descenso, para quem entrou no certame pensando em título, tem explicação. Aliás, uma explicação até simples de ser feita. A Portuguesa caiu porque montou um time muito abaixo da crítica. Contrataram jogadores ruins para as posições erradas.

É óbvio que não dá para acreditar que um time que perdeu peças importantes e que não as repos possa chegar longe, mas mesmo assim não dava pra começar o ano aceitando a ideia de brigar para não cair, mas por merecimento a queda ficou de bom tamanho.

Da mesma forma que não dá para isentar a comissão técnica. Se o futebol fabuloso apresentado no ano passado tinha muito do treinador, o anti-futebol deste ano também tem. Desaprendeu? Não, claro que não. Mas foi ele, Jorginho, quem dispensou alguns reservas que fizeram falta, mandou contratar jogadores que não têm a menor condição de jogar na Lusa e, por último, afastou um goleiro muito bom tendo um péssimo reserva. Reserva, aliás, que o próprio Jorginho mandou contratar.

Não é hora de procurar pelo culpados. O momento é, sim, de encontrar soluções. E uma delas é mudar essa política burra de trazer jogadores que não servem para os outros grandes, além de aproveitar o Paulistão para ver quem serve. Inclusive a direção. 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A vaca voltou do brejo

Nesta quinta-feira fui ao Canindé assistir ao jogo de volta entre Portuguesa e Juventude, pela Copa do Brasil. Dadas as últimas atuações do time de Jorginho, minha expectativa era a pior possível. Afinal, a Lusa teria que desfazer uma vantagem de dois gols dos gaúchos. Não que o time do Juventude seja lá essas coisas, o que, definitivamente, não é, mas a nau lusitana não tem navegado em águas calmas.

O começo do jogo foi complicado e feio. A Portuguesa tentava atacar, mas faltava profundidade para criar hipóteses e o Juventude se defendia mal e porcamente e sequer ameaçava a meta novamente defendida pelo seguríssimo guardarredes Wéverton. Tudo dentro do previsto.

Mas aí a Lusa achou, na raça, um pênalti duvidosíssimo, para não chamar de inexistente. Ricardo Jesus foi chamado à prova e não falhou, faturando a primeira da noite. No segundo tempo viriam outras duas, e até o normalmente ruim Rai marcou o dele.

Apesar da falta de qualidade do adversário, a postura da Portuguesa foi diferente, sobretudo no segundo tempo. Foi um time confiante, forte, que dominou completamente as ações durante quase todo o jogo. Contra o Linense, o time não foi mal e só não venceu por conta de falhas individuais.

Assim a Lusa segue sua inacreditável sina de ser a Associação Improvável de Desportos. Quando a vaca parecia que tinha ido para o brejo, resolveu voltar. Domingo, porém, é vida ou morte. Se a vaca lusitana deitar em Mirassol, não quero nem imaginar o que nos reserva o futuro. 


domingo, 8 de abril de 2012

Compreensível

E a Lusa segue desfiando seu rosário de penas (como se diz no famoso fado de Alberto Janes, imortalizado na voz da também imortal Amália Rodrigues) na temporada. Hoje foi a vez de perder dois pontos praticamente ganhos em casa, contra o Linense.

O jogo foi morno, o adversário era limitado e, mesmo assim, a Portuguesa não foi competente para ganhar. Não que tenha jogado mal, pois dominou 90% das ações. Não venceu porque, principalmente, não tem goleiro.

Rodrigo Calaça é um esboço muito mal feito de guardarredes. Foi reserva a vida toda e veio pra Lusa também para ser o regra 3. Como Wéverton, o antigo titular, resolver sair, acabou ganhando a titularidade praticamente do nada. Acontece que ele, Calaça, não tem a menor condição de ser sequer o terceiro goleiro da Portuguesa. Falhou contra Santos, Ponte Preta e Juventude. A falha contra o Linense, que custou-nos dois pontos, foi a cereja do bolo. Um bolo que pode custar caro, muito caro. 

Podem dizer que ele pegou pênalti. Sim, pegou, mas eu também os pego. A grande penalidade, aliás, é o sonho de todo goleiro ruim. Se não pegar, a culpa passa-lhe ao largo. Se defender, vira herói. E Calaça esteve a um passo de virar herói na tarde deste Sábado de Aleluia. Não virou porque voltou a ser a calamidade de sempre ao sair de forma estabanada em uma bola quase morta, dando um golo de graça para o adversário.

Mesmo assim, não é dele que se deve cobrar. Afinal, o "goleiro" não tem como dar mais do que pode, ainda que seja tão pouco. A conta deve ser enviada, pois, para quem o contratou. A diretiva lusa e o técnico Jorginho são os responsáveis pela sua vinda, mesmo sabendo que ele foi reserva de gente como Harlei, no Goiás, e Magrão, no Sport.

Assim como foram eles que montaram este time medonho, que veste uma camisa igualmente tenebrosa. Uma sucessão de erros que pode culminar com um rebaixamento impensável, mas perfeitamente compreensível.  

sábado, 7 de abril de 2012

Copo vazio

Hoje, no Canindé, a Portuguesa entrará em campo outra vez. Dessa vez, o adversário é o Linense, que briga por vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. Nem é necessário dizer que o jogo deve ser encarado como decisivo, uma vez que, caso perca de novo, o que é muito provável, a Lusa estará com um pé e meio na Série A2 do Paulistão.

Ficar malhando o time, a diretoria e o técnico Jorginho virou obviedade. É evidente que o trabalho foi equivocado. O próprio treinador admite que as contratações foram infelizes, tanto que dois dos "reforços" já foram devolvidos e outros quatro não fazem parte dos planos e só não estão afastados do elenco por questões jurídicas. Isso sem contar os que deixaram claro que não têm a menor condição de envergar a camisola lusa.

Por mais que tentemos ver o lado positivo, está difícil. É óbvio que é melhor encontrar os inúmeros defeitos do time agora do que fazer um Paulistão nas coxas, se classificar com um gol nos acréscimos e ser eliminado logo depois, e achar que com este time dá pra jogar a elite nacional, mas acontece que o negócio é feio, muito feio. A Copa do Brasil, pelo visto, já foi e o fantasma do descenso no estadual é real. Além do mais, da forma que está, a questão não é se o time será rebaixado no Brasileirão, e sim saber se a Lusa fará a pior campanha da história.

Por menos que eu creia nisso (a história recente da Lusa faz questão de me mostrar), tomara que seja uma fase ruim e necessária, e que um grupo forte defenda a Portuguesa no Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, por enquanto,  o copo está vazio, muito vazio.