sábado, 27 de fevereiro de 2010

Vai, vai, vai começar a brincadeira...

Começou a corrida pela Presidência da República. O PT lançou, oficialmente, a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ainda não se sabe quem comporá a chapa com ela. Ciro Gomes, do PSB, um dos mais cotados, assume o papel de "noiva cobiçada". Ainda não decidiu se subirá no palanque de Dilma ou se sairá candidato ao governo de São Paulo. Caso dispute a cadeira do Palácio dos Bandeirantes, o fará com o intuito de "roubar" votos do candidato do PSDB (possivelmente Geraldo Alckmin).

Outro nome provável para ser o imediato da "mãe do PAC" é o do peemedebista Michel Temer. Aqui há um entrave: Lula teme que Temer, experiente que é, reluza mais que a própria candidata e, pela sua enorme influência, transfira o epicentro do poder do Palácio do Planalto para o Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice-presidente.

Trata-se de um quebra-cabeça dos mais complexos: O PT demorou tentando encontrar um nome que aliasse sua aceitação pública ao carisma do presidente Lula. Não encontrou e criou, a toque de caixa, um programa social para alavancar a ministra que, por ser quase anônima, não exibe na testa o rótulo de rejeição que têm alguns dos personagens mais emblemáticos da sigla, como Marta Suplicy, José Genoíno e Antonio Palocci.

O que se sabe, de concreto, é que Ciro estará com o PT - e vice-versa. Se sair como vice de Dilma, a tendência é que o partido tente emplacar um dos seus senadores (Eduardo Suplicy ou Aloísio Mercadante) ou o ministro da Eduacação, Fernando Haddad, como candidato à sucessão de José Serra, que é o mais provável candidato dos tucanos para o lugar de Lula.


Lula, aliás, sabe que a imagem do seu partido não é das melhores. Sabe, também, que tem carisma para catapultar a candidatura de quem quer que seja, dentro da base aliada, do PT ou não. Acontece que Dilma é exatamente o inverso: não tem carisma algum. Por isso, o presidente já afirmou que faz-se necessário inaugurar tantas obras do PAC quantas forem possíveis até o pleito de outubro. Até por isso, Dilma é candidata, de fato, desde o meio do ano passado, o que é crime eleitoral. Ninguém disse que era, mas também não houve quem negasse. E fez-se vistas grossas. É a máxima "aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei" em seu estado mais bruto e descarado. O governo Lula, diga-se de passagem, é useiro e vezeiro nisso.

Do outro lado da contenda eleitoral, o representante dos tucanos terá que conviver com a indigesta companhia do DEM, seu aliado de sempre. O escândalo que ficou conhecido como "mensalão do DEM do Distrito Federal" tornou o partido uma companhia das mais indesejáveis e indesejadas. No entanto, não se pode abrir mão de qualquer apoio, seja de quem for. Caberá, aos marqueteiros da campanha, desvincular a imagem do ex-governador José Roberto Arruda e toda sua patota da imagem do próprio partido.


É certo que o escândalo mais recente da política tupiniquim será usado - e muito -, na campanha eleitoral, justamente por aqueles que mais se envolveram com o outro mensalão, o do "Valerioduto". Eles sentarão sobre o próprio rabo e apontarão para as maracutaias alheias, já que a memória do eleitor é curta e a dos políticos, por sua vez, é oportunista.


Falando em oportunismo, quem assite a tudo, e de camarote, é o PMDB. Seja qual for o vencedor, ele estará no poder para continuar mamando nas tetas das estatais e de alguns ministérios. Tudo em nome da governabilidade, claro. É assim desde a redemocratização do Brasil, quando José Sarney herdou, de Tancredo Neves, a presidência. Aliás, Sarney já esteve do lado dos militares. Notem que há muito tempo o partido não lança candidato próprio à presidência. Percebeu que é mais cômodo estar aliado ao governo, seja ele qual for.

Dessa forma, PT e PSDB polarizarão a disputa. Outros nomes podem até chamar a atenção, como os de Heloísa Helena e Marina Silva, que até são capazes de tirar votos, mas não o sono deles. Infelizmente.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um tiro no pé

Muricy Ramalho é um dos principais treinadores do Brasil. Trabalhador, honesto, obcecado pela vitória e extremamente teimoso. Ao contrário dos times do saudoso Telê Santana, de quem é discípulo, os times de Muricy não primam pela beleza, e sim pela competitividade.

Ele, Muricy, está mais para Parreira do que para Telê. É pragmático, competente e, como o treinador do tetra, às vezes é incompreendido. E isso o deixa profundamente irritado. Quem paga a conta são os repórteres, nas coletivas, principalmente os menos rodados. O mal-humorado técnico não tolera perguntas óbvias ou evasivas. Chega a ser grosseiro. Como a maioria das perguntas é pobre, suas respostas atravessadas são cada vez mais frequentes.

Seu jeitão já faz parte do folclore do futebol. O seu "aqui é futebol!", com aquele carregado sotaque mooquense, faz a festa dos imitadores de plantão. Quem o conhece diz que é autêntico; aos demais, não passa de um ranheta arrogante.

Agora, se há um aspecto em que todos concordam é que ele é um vencedor. É o único treinador tricampeão brasileiro, dirigindo o mesmo clube. Rubens Minelli também venceu por três anos consecutivos, entre 1975 e 1977, mas dirigindo Internacional-RS e São Paulo.

Nos anos em que dirigiu o Tricolor paulista, Muricy Ramalho sempre foi questionado. Não foram poucas as vezes em que o presidente Juvenal Juvêncio o garantiu no cargo, apesar da pressão exercida pelos cardeais e diretores tricolores. Sempre começava a temporada colecionando tropeços e eliminações, enquanto buscava o melhor esquema de jogo para seu time. Foram três títulos nacionais assim.

Por que raios haveria de ser diferente do outro lado do muro? Se as cornetas palestrinas não o derrubassem, eu apostaria um bolinho de bacalhau que, quando o time tivesse sua feição, este seria forte. Não seria bonito ou vistoso como a "Academia" ou os times do Luxemburgo, na década de 90, foram. Teria um jeitão mais do Felipão, este o último ídolo verde a sentar-se nos bancos do jardim suspenso do Parque Antártica.

Agora assume Antonio Carlos, ex-zagueiro do próprio Palmeiras. Trata-se de uma aposta ousada, mas extremamente arriscada. Que não seja um tiro no pé.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um enigma chamado Ronaldinho Gaúcho e a Copa 2010

* por Humberto Pereira da Silva

Ontem vi Milan e Manchester United, pela Copa dos Campeões. A presença de Ronadinho foi aguardada, depois de boa atuação na rodada de final de semana do italiano, na vitória do Milan sobre a Udinese. Os primeiros dez minutos do jogo foram para quem guarda na lembrança as atuações de Ronaldinho nos tempos de Barcelona, quando foi eleito duas vezes melhor do mundo e, para gente como Tostão, estaria abaixo de Pelé, mas acima de Maradona. Choveram perguntas dos torcedores sobre o ausência de Ronaldinho na lista de Dunga para o próximo amistoso da seleção. O comentarista da ESPN, Paulo Vinícius Coelho, encantado, fez comentários como: "em nível de genialidade pura, não tem como não levar Ronaldinho para a Copa". Para o PVC, se arrebentar na Copa dos Campeões, Dunga não suportaria a pressão e teria de levar Ronaldinho para a Copa.

Passados os dez minutos iniciais, o Manchester foi aos poucos tomando as rédeas da partida. Começou perdendo, gol de Ronaldinho aos 3 minutos, no segundo tempo virou para 3 a 1 e colocou o Milan em situação difícil na Copa dos Campeões. Nessa altura do jogo, Ronaldinho Gaúcho tinha sua atuação posta em xeque por torcedores com seus e-mails para a ESPN e pelo próprio Paulo Vinícius Coelho. Faltando menos de dez minutos para terminar o jogo, Ronaldinho dá um passe milimétrico para Seedorf marcar o segundo gol do Milan; dois ou três minutos depois, um novo passe genial para Inzagui, mas o atacante perdeu o gol e o Milan saiu derrotado por 3 a 2.

Há uma frase do PVC que merece refleção: "Ronaldinho em estado puro de genialidade". Parece que PVC, sem querer, ou com uma frase expontânea, disse muito mais do que imagina sobre Ronaldinho Gaúcho. Como, afinal, entender o significado de "estado puro de genialidade"? Nessa mesma Copa dos Campeões, vi em Madrid a partida entre Milan e Real Madrid. Ronaldinho está no meio do campo, a bola chega na direção de seu peito e, aquilo que PVC, talvez, chame de "genialidade pura": a bola cola no peito de Ronaldinho, que está entre três marcadores madrilenhos. Os três ficam como bobos tentando em vão encontrar uma bola que apenas a Ronaldinho pertence. A humilhação é mitigada com uma entrada dura de um dos madrilenhos.

Pois é, no meio de campo, numa jogada isolada, talvez sem muitas consequências para o jogo, Ronaldinho faz aquilo que apenas os gênios fizeram. Como futebol é alimentado por paixões, na paixão não há como dizer que Tostão estaria enganado. E, de fato, é esse ingrediente de paixão que alimenta muito do que se fala sobre o futebol de Ronaldinho Gaúcho. Mas voltemos ao jogo de ontem. O Milan perdeu em Milão e corre grande risco de  fazer seu último jogo na Copa dos Campeões em Manchester. Ronaldinho, portanto, teria só mais um jogo para provar que merece ser convocado para a Copa de 2010.

Estranha - no fundo misteriosa - ironia pela qual passa um jogador genial: futebol, um esporte coletivo, e um jogador, individualmente, participa de uma partida como se ele fosse a partida. Não é que ele tem que provar, é que no eventual insucesso do Milan em Manchester, e Ronaldinho será o "perdedor". A estranha ou misteriosa pergunta, é: por que quem faz o que Ronaldinho faz com a bola tem que provar alguma coisa sobre sua genialidade em estado puro? Seria culpa de Ronaldinho a desatenção da defesa do Milan, que não marcou como deveria o Rooney? Seus três ou quatro lances geniais não propiciariam uma vitória do Milan por dois ou três gols, que praticamente garantiria a ida dos milaneses para a próxima fase da Copa dos Campeões? Numa Copa do Mundo, duas ou três jogadas geniais não são suficientes? Não foi isso que Zidane fez em 98?

É, mais é isso que os aficcionados por Ronaldinho precisam ser sempre lembrados, inclusive PVC, de boa memória. A primeira competição em que se esperava os lances de pura genialidade de Ronaldinho Gaúcho foi a Copa das Confederações de 99: artilheiro e eleito melhor jogador do torneio, essa genialidade não apareceu na final, como agradeceram os mexicanos. A mais recente competição para Ronaldinho Gaúcho desfilar sua genialidade, sem que se precise de memória de PVC, foi em Pequim, na Olimpíada passada. O cume, como bem sabemos todos, foi a Copa de 2006. E é nesse ponto que o mistério Ronaldinho fica realmente engimaticamente misterioso. Por que sua genialidade em estado puro não aparece quando dele não se espera senão genialidade?

Dunga parece ser bem mais racional e disciplinador que movido por paixões. Quer novamente desmentir os que nele não acreditam e, como técnico, falar o que falou em 94, campeão do mundo: "Esse título é pras vocês, seus traíras". Acho, imagino, que Dunga é suficientemente lúcido para saber que o caminho mais curto para jogar na cara de seus desafetos suas virtudes é contar numa Copa do Mundo com um jogador genial. Pragmático, Dunga quer ver em campo jogador de futebol e não ficar com historinhas sobre festinhas em Milão ou não. Mas, justamente por ser disciplinador e pragmático, Dunga que contar com um jogador genial e não com uma promessa ou quem na hora H não foi o que se esperava.

O enigma Ronaldinho parece ter sido bem expresso na frase meio espontânea de PVC: "Ronaldinho em estado puro de genialidade". Na frase de PVC se subentende que há um Ronaldinho que em certos momentos é genial; mais, embora PVC não tenha deixado explícito, não vamos pensar que a genialidade de Ronaldinho ocorra quando esperamos que ocorra; na frase de PVC há uma torcida, um apelo às paixões, para que essa genialidade em estado puro ocorra em plena Copa do Mundo. Mesmo que não tenha ocorrido em outros momentos em que a esperávamos, não vamos perder a fé. Para um gênio, os caminhos não são os dos reles mortais e Ronaldinho pode fazer da Copa de 2010 o momento para eternizar seu nome na galeria dos imortais.

Essa é a torcida embutida na frase de PVC; essa também é minha torcida. Mas Dunga é pragmático, disciplinador, racional e não quer repetir 2006, quando sob pressão Parreira levou Ronaldo sem condições físicas. Dunga não quer levar Ronaldinho sob pressão. Mais, racionalmente, ou estatisticamente, Dunga sabe do risco que é levar Ronaldinho, que jamais mostrou genialidade em estado puro na seleção (um ou outro lampejo no meio de campo, para não exagerar). PVC percebeu bem o enigma Ronaldinho, mas sua percepção só pode ser levada em conta quando se considera que ele expressa uma grande dose de paixão, uma torcida para ver na Copa um "Ronaldinho em estado puro..." PVC também organiza seus comentários com tabelas, estatísticas, dados de memória. Levasse ao pé da letra sua frase, teria a mesma posição de Dunga: é arriscado levar Ronaldinho Gaúcho para a Copa 2010.

Eu sou um torcedor, só um torcedor, e por isso torço para ver Ronaldinho Gaúcho na Copa. Assim torci para ver Ronaldo em 2006, Romário em 98...; se a genialidade aparecer, como muitos experimentarei a história e contarei aos meus netos que vi um gênio desfilar pelos campos sulafricanos; se não aparecer, esse é um problema que o Dunga terá de explicar, que os comentaristas esportivos terão de explicar: ora, que significa "genialidade em estado puro"? Lampejos? Ronaldinho é um gênio. Alguém em que todos olhem e digam que ficarão para a história por terem estado ao seu lado ou terem-no por adversário? Até hoje esse gênio não responde na seleção brasileira pelo nome de Ronaldo de Assis Moreira.

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A inocência do presidente

Manuel da Conceição Ferreira é um bem-sucedido empresário do setor imobiliário. Também é advogado. Atualmente, responde pela presidência da Portuguesa de Desportos, estando no seu segundo mandato, tendo que passar o bastão ao seu sucessor ao final deste.

Quando assumiu a Lusa, Mané da Lupa, como é conhecido, encontrou um clube à beira da falência, afundado em processos trabalhistas. Não havia jogadores e alguns dos bens do clube estavam penhorados (até as bombas das piscinas estavam). Com a ajuda de algumas pessoas, entre elas outro empresário português, Luís Iaúca, reergueu a Portuguesa. No início da gestão caiu no Paulistão, mas voltou no ano seguinte, não só no Paulista como no Brasileiro, no qual caiu, novamente, um ano depois.


Percebe-se pois, que, de ingênuo, Mané não tem nada. Eu até o tinha em alta conta. Agora, os últimos acontecimentos envolvendo a figura do presidente forçam-me a rever meus conceitos. Desde aquela acusação de suborno a um becão da Ponte, no Paulistão do ano passado, passando pelas bravatas ditas no caso Bruno Cazarine, quando garantiu que a Lusa disputaria a Série A, da Lupa tem metido os pés pelas mãos. Sua tentativas desesperadas de garantir os direitos do clube passaram todos os limites. Em vez disso, o expôs ao ridículo.

Agora nosso Mané da Lupa se superou. Foi reclamar, com o colega corintiano Andrés Sanchez, o não cumprimento de um "acordo de cavalheiros" firmado entre eles quando da ida no meia Edno para o Alvinegro. Em vez de fazer constar no contrato uma cláusula condicionando a utilização do atleta a pagamento de multa, deixou apenas na camaradagem. Pior que isso: foi à imprensa espernear, mas satisfez-se com o pedido público de desculpas do corintiano, que alegou problemas no elenco para a escalação do jogador. Onde está escrito "problemas no elenco", leia-se "liberação de parte do grupo para o Carnaval".


É como se admitisse o seguinte: "Ele me fez de besta, mas pediu desculpas, então tá tudo certo." Como assim? Será que o Dr. Manuel gere assim sua imobiliária? Será que ele substitui os contratos por apertos de mão, mesmo que esses sejam trocados com a concorrência? Duvido, com todas as minhas forças.


Manuel da Lupa tem seus méritos. Como já disse, herdou um clube falido, mas irá entregá-lo sem que este possa andar com as próprias pernas. Além do mais, creio ser difícil haver a mesma unidade entre as "forças políticas" da Portuguesa que possibilitaram sua reeleição.

De inocente - reitero - da Lupa não tem nada. Prefiro acreditar em desleixo, pra não dizer outra coisa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sem espaço para surpresas

E Dunga convocou a Seleção Brasileira para o último amistoso antes da Copa, contra a Irlanda, dia 02 de março, que será disputado em Londres.

Sem novidades na lista, o selecionador nacional promoveu a volta do cruzeirense Gilberto, que vem atuando na meia, mas será aproveitado na lateral-esquerda, muito em função da falta de opções para o setor. No mais, foram chamados jogadores que já vinham fazendo parte das listas anteriores.


NOVIDADE Meia do Cruzeiro volta às contas do selecionador
 nacional (Washington Alves/Vipcomm)
Cogitou-se a volta de Ronaldinho Gaúcho, que reencontrou no Milan a alegria e o bom futebol dos tempos de Barcelona, além do debute do garoto Neymar, o mais novo astro do futebol brasileiro.

Particularmente, eu pouco acreditei que um dos dois fosse chamado. Dunga tem o grupo quase fechado e, a exemplo do que aconteceu com o Scolari, que deixou Romário de fora em 2002, não deverá correr o risco de "perder o grupo", preterindo alguém que esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis da caminhada rumo à Africa do Sul.

Neymar acaba de surgir no cenário nacional. Se o técnico estivesse propenso a levá-lo, o teria feito agora, até para conhecer de perto seu talento, que é gigantesco e, principalmente, seu comportamento. Como não o fez, não creio que a joia do Santos esteja em seus planos.


FORA DAS OPÇÕES Neymar (primeiro da fila) ainda não foi convocado por Dunga
Ronaldinho Gaúcho, por sua vez, já esteve no grupo. Foi um dos três jogadores acima da idade limite na Olimpíada de Pequim. Como de costume, sucumbiu à tarefa de comandar a Seleção.

Dunga - sabe-se - é disciplinador. Esteve, na condição de comentarista da TV Bandeirantes, presente na Copa da Alemanha, onde assistiu de perto à esbórnia que foi o Brasil. Ronaldinho vem sendo acusado pela imprensa italiana de comandar algumas "festinhas"em Milão.

PROBLEMA É FORA DE CAMPO Mesmo em grande fase, craque
do Milan não deve ir à Copa (Alessandro Garofalo/Reuters)
 
Logo, a convocação parece-me sintomática. Exceto por alguma contusão de última hora, pouco deverá mudar a lista final. Isso se mudar. Pelo visto, ainda restam dúvidas na lateral-esquerda e no gol, posições, aliás, que nem o craque do Milan nem o prodígio santista exercem.

Ah, Ronaldo Fenômeno? Sem chance!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Conjecturas do sorteio da Copa



Os grupos para a Copa foram definidos, o que não é nenhuma novidade. Afinal, já faz 11 dias que o sorteio foi realizado. Resolvi esperar um pouco para, depois de ouvir alguns especialistas (e outros nem tão entendidos assim), tecer aqui minhas impressões.

Antes do próprio sorteio em si, o critério utilizado para definir os países cabeças-de-série foi um tanto estranho. A FIFA mudou a maneira de escolha. Para as copas de 2002 e 2006, levou em conta o desempenho nas copas anteriores e a média do ranking. Desta vez, apenas o ranking de outubro desse ano foi usado. O que não me agrada, sob aspecto algum, é esperarem a definição dos países para, só depois, decidirem o critério, para que, dentro desse critério, possam acomodar os países que melhor atendam seus anseios. Ou seja, o único critério levado em conta é não ter critério nenhum.

Deixando pra lá os aspectos "técnicos" do sorteio, vejamos como ficaram os emparelhamentos: Sendo África do Sul, Argentina, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Itália, Brasil e Espanha os cabeças-de-série, dois deles seriam "agraciados" com a companhia de França ou Portugal, seleções que, apesar de se apurarem apenas na repescagem, têm a pecha de favoritos estampada na camisola. E tal sorte coube aos anfitriões sulafricanos e ao Brasil, respectivamente.


Terão vida fácil, na primeira fase, Inglaterra, Itália e Espanha, que não enfrentarão adversários capazes de atrapalhar seus caminhos. Nas oitavas, serão outros quinhentos. Caso apurem-se na ponta, como se espera, os ingleses poderão ter pela frente as perigosas Gana ou Sérvia, a Itália, por sua vez, deverá enfrentar Camarões ou Dinamarca, que possuem bons times e a Espanha teve a "sorte" de esperar pelo segundo colocado do "Grupo da Morte", que poderá ser Brasil, Portugal ou Costa do Marfim.


Os donos da casa, comandados pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, têm tudo para estrarem para a história dos mundiais como o primeiro país-sede a não avançar à segunda fase, pois fazem-lhe companhia, no grupo A, México, que sempre é uma incógnita e os campeões mundiais Uruguai e França. Nuestros hermanitos argentinos terão um grupinho chato, mas devem superar sulcoreanos, gregos e nigerianos, que se engalfinharão pela segunda vaga. Aí, nas oitavas, a vida mansa da equipe de Don Diego Maradona acabará, pois terá pela frente o segundo do grupo A.


A Alemanha, atual vice-campeã europeia, caiu num grupo difícil, com Sérvia e Gana, mas deverá passar, mesmo com dificuldades. Já nas oitavas, enfrentará o segundo colocado do grupo do English Team, que pode ser Estados Unidos, Argélia ou Eslovênia. Ou seja, os germânicos deverão avançar sem maiores problemas, aos menos até às quartas. Da mesma forma a Holanda, que terá adversários indigestos logo de cara (Camarões e Dinamarca), mas nas oitavas terá os pouco cotados Paraguai ou Eslováquia, do grupo da atual campeã, a Squadra Azzurra.


Agora, a briga de foice, mesmo, será no grupo G. O Brasil é o grande favorito, é claro, a ficar não só com uma das vagas como deverá ser o primeiro do grupo. Mas considerar que pode até cair diante de Portugal ou Costa do Marfim não é, ao meu ver, nenhum absurdo. Quem passar em primeiro deverá chegar sem percalços aos quartos-de-final, pois pegará, possivelmente, Chile ou Suiça.


Ainda sobre o grupo do Brasil, andei ouvindo por aí uns comentários bastante entusiasmados que, segundo os quais, o Brasil passará sem sustos e são os adversários que devem se preocupar com o Brasil, e não o contrário. Alguém aí lembra o que o Zagallo disse na véspera da semi-final da Copa de 1974? "Não estou preocupado com a Holanda, Somos tricampeões. Eles que têm que se preocupar com a amarelinha." Dias depois, estávamos disputando - e perdendo - o terceiro lugar com a Polônia, de Lato e Zmuda.



Claro que, se acaso algum dos favoritos derrapar, tudo o que foi escrito não servirá para nada, a não ser para que eu me lembre de não fazer previsões. Aliás, eu mesmo disse que não mais as faria, mas quem é que resiste?


Agora sim, é só esperar pelo dia 11 de junho e já ir tratando de providenciar a cerveja e a carne para o churrasco ou, no meu caso, pisar as uvas, colocar o bacalhau de molho e comprar as sardinhas e os tremoços.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Goleiro de queimada

Lamentável, vergonhosa, patética. Estes adjetivos cabem perfeitamente na (ou na falta de) atitude corintiana na reta final do Campeonato Brasileiro. O time parou. Não joga mais, não tem uma gota de sangue. Desde o jogo contra o Avaí só está em campo de corpo presente, nada mais que isso. Ontem, então, foi um escárnio.

A contusão do Ronaldo foi, no mínimo, esquisita. Quase previsível. O desdém corintiiano deu nojo. Mas nada se compara à atitude do goleiro Felipe, no momento do pênalti.

Nunca vi isso. Um goleiro esquivar-se da bola? Seria mais digno se tivesse ficado parado, no pé da trave, e recusado-se a tentar pegar o pênalti. O pior de disso tudo é que esse tipo de comportamento não é de se estranhar, em se tratando do guardarredes corintiano.
ESCÁRNIO Goleiro corintiano só faltou se esquivar da bola. Felipe
 se recusou a tentar a defesa (Fernando Pilatos/Gazeta Press)


Felipe atenta contra a tradição de grandes goleiros negros na baliza alvinegra. Gilmar (dos Santos Neves), Jairo e Dida que o digam. Não me espanto por ele não ter deixado saudades por onde passou, seja no Vitória, Portuguesa ou Bragantino.

Assim, caso sua carreira no futebol não seja longa, pode se destacar jogando o esporte que mais combina com o estado atual da sua imagem: queimada.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma grande quimera

Virou moda, dentro do futebol brasileiro, a transferência de responsabilidade. Ninguém assume nada. É mais cômodo "jogar para a torcida" do que assumir a própria incompetência. E esta atitude nada louvável está em todos os níveis.

No domingo, mesmo, o Botafogo venceu o São Paulo, mesmo tendo, ao fim da partida, três jogadores expulsos. Com correção, diga-se de passagem. Foi um jogão! Apesar da vitória, o comandante alvinegro Estevam Soares foi choramingar ao pé do apitador do jogo, o ótimo Sandro Meira Ricci. Foi reclamar o quê, exatamente? As três expulsões foram merecidas, ora. Em vez disso, deveria o senhor Estevam ir ao vestiário e dar aquela bronca no time. Mas não. Preferiu reclamar.

Temos casos aos borbotões. O Luxemburgo é assim. O Leão é assim. O saudoso Telê Santana era assim. O Mano Menezes, do Corinthians, é pior que todos os outros juntos!

Para não ficar só nos treineiros, vejam o zagueiro Ronaldo Angelim, do Flamengo. Foi reclamar do excesso de garra do Goiás. Levantou a hipótese de o time esmeraldino ter recebido um "incentivo extra", digamos assim. Num português bem claro, a "mala branca". Ora, o Goiás não almeja mais nada no campeonato e o Flamengo luta (com as bênçãos do STJD) pelo título. Quer incentivo maior que esse? Se o beque rubro-negro admite que o adversário poderia estar sob efeito do suborno branco, assume, mesmo indiretamente, conhecer do assunto. Agora, assumir que seu time foi incompetente pra ganhar de um adversário que apenas cumpria tabela, isso são outros quinhentos, como diz meu pai.

Para que não digam que estou sentado no próprio rabo, não isento a diretoria da Portuguesa no referido assunto. Depois de ter perdido, vergonhosamente, o acesso mais fácil de todos os tempos para a Primeira Divisão, resolveram acusar o Guarani de ter escalado um jogador de forma irregular. Trata-se do atacante Bruno Cazarine, que, segundo a diretiva lusa, não poderia jogar pelo Bugre por este ser seu terceiro time na mesma temporada, o que é proibido pela FIFA. Acontece que a Portuguesa tem um jogador, aparentemente, na mesma condição, o centroavante Zé Carlos. Ele jogou, antes da Lusa, no Paulista e no Cruzeiro, ainda em 2009. Ainda se fosse um Careca ou um Amoroso, daria pra entender. Mas o Bruno Cazarini? Faça-me o favor, presidente Da Lupa!

Concordo que, caso haja alguma irregularidade, o responsável seja punido. Afinal, deve-se respeitar as leis do jogo, e estas incluem as normas para a inscrição de atletas. O que não pode passar batido é o fato de que a Lusa só está fazendo esse estardalhaço todo porque foi incompetente, o que não é nenhuma novidade, aliás. Assumir isso? Quimera, uma grande quimera.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quem se responsabiliza?

Terminou o sonho do acesso da Portuguesa à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Mesmo com a vitória contra o campeão por antecipação e cheio de má-vontade Vasco, no Maracanã, as chances de chegar à última jornada ao menos com chances remotas acabaram-se com a vitória do Atlético goiano sobre o Juventude, na serra gaúcha.

Fica a pergunta, como sempre: de quem é a culpa? Aliás, não é a única questão a ser respondida. O quê faltou? Por que, mesmo com a segunda maior folha de pagamento e talvez o melhor elenco entre todos os times, não foi alcançado o acesso?

Raça não faltou, em momento algum. O problema é que a Lusa abusou do direito de errar. Não tivesse um time tão bom teria caído para a Terceira Divisão, tamanha a desorganização. O ano todo ficou marcado pelas besteiras da diretoria e pelo quase. No Paulistão quase foi às meias-finais, perdendo a vaga para o Santos por conta do saldo de golos e de um pênalti muito esquisito a favor do Peixe, no finalzinho do jogo com a Ponte. Trocaram o treinador após a primeira jornada, defenestrando a pré-temporada. Veio o Mário Sérgio, que, bem ou mal, recolocou a equipa no caminho das vitórias. Como ele não dava ouvido à voz que vinha da bancada, foi fritado feito bolinho de bacalhau, sendo substituído pelo Bonamigo.

O gaúcho vinha fazendo também um belo trabalho. Talvez isso tenha incomodado a torcida, que também o criticava. Por quê? Quem é que sabe? A principal (des)organizada da Lusa não se satisfaz com nada. É uma meia dúzia de três ou quatro moleques mimados que fazem a crítica pela crítica. Se o time joga mal, gritam "raça! raça!". Se joga bem e, mesmo assim, perde, bradam "raça! raça!". Tudo é motivo pra pedir raça, falte ou não.

Inexplicavelmente, a diretiva rubro-verde cedeu aos apelos dos burros das bancadas e trocou o comando, de novo, da equipe. Veio o Renê Simões e deu no que deu: três jogos, um ponto e uma confusão enorme que culminou na saída dele, Renê, do meia-atacante Edno e até na interdição do estádio luso.

Aí foram buscar o Benazzi, que saiu escorraçado do time no ano passado. Um ano depois foram buscá-lo de volta, no desespero de tentar ainda o acesso. Quer dizer, um ano inteiro jogado pela janela. E por quê? Pra satisfazer o ego da "torcida"?

Enquanto a Portuguesa acolher essa gente, que tem a sede dentro do próprio clube, sofrerá sua maligna influência. O papel do torcedor é torcer, sempre, e cobrar quando for necessário. Não cabe a ele interferir nas decisões da direção. Torcedor, além de não ter preparo para tal, é um apaixonado pelo clube, e quem é movido pela paixão só faz besteira.

Confesso que estou chateado. De momento, minha decisão é não por os pés no Canindé enquanto não tirarem de lá a sede da torcida organizada. Como torcedor não tem vergonha na cara, e eu, antes de qualquer coisa, também sou torcedor, pode ser que, já no primeiro jogo em casa, eu apareça. Espero que não.

Agora é hora de por a cabeça do lugar e já começar a planejar o ano que vem. De preferência, longe da torcida, que só atrapalha. E com o Benazzi no comando, pois ninguém melhor que ele irá aceitar a missão de levar a Portuguesa de volta à elite.

Quanto aos culpados, não me resta dúvida alguma: é a diretoria, que aceitou as pressões da pseudo-torcida. O presidente Mané da Lupa tinha que ter pulso firme e bancar o treinador, fosse quem fosse. E que os imbecis que ficam puxando aqueles corinhos ridículos atrás das balizas sejam expurgados das alamedas do Canindé. De uma vez por todas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O fim do sofrimento (e dos palpites)

Terminaram as longas Eliminatórias para a Copa de 2010. Por um equívoco deste que vos escreve, esqueci que ainda haviam três vagas a serem disputadas no continente africano. Justo a África, o quintal da próxima Copa. Lá, Costa do Marfim e Gana, além da África do Sul, o país-sede, já estavam garantidos. Classificaram-se, no último dia, Camarões, que volta aos mundiais, Nigéria, que também ficou de fora da festa na Alemanha e entrou graças ao tropeço inesperado e inexplicável da Tunísia, dirigida pelo português Humberto Coelho, frente a Moçambique, e a Argélia, no jogo-extra contra o Egito, que foi uma autêntica guerra, antes da aporfia.

Na repescagem, que foi tema nesta coluna, fiz cinco previsões e um "tanto faz": apostei no Uruguai, na Ucrânia, na Rússia, na Irlanda e, é claro, em Portugal. Nova Zelândia e Bahrein nem me fizeram procurar razões plausíveis para um palpite decente. Mas como o nome "Bahrein" é mais legal para ser narrado, confesso que até torci para o time dos sultões.

Ora muito bem! Errei quatro dos seis palpites. A Ucrânia conseguiu se enroscar na retranca grega, Dois jogos e nenhum golzinho sequer; a Rússia, que eu pensei que fosse passear nos dois jogos, perdeu a vaga para a Eslovênia pelo cruel critério de golos marcados no campo adversário. Não poderemos ver o futebol vistoso do time do holandês Guus Hiddink, mas ao menos não teremos que ver a nova indumentária russa, que é horrorosa.






Já sobre a classificação dos neo-zelandeses, nem deveria contar, mas como tomei partido do adversário, entra na conta também. A França, bom, a França se qualificou "daquele jeito": derrota em casa, no tempo normal, e um golo escandalosamente irregular, já que Henry ajeitou a bola com a mão, da forma mais deliberada e descarada do mundo, antes de passar para o golo do zagueiro Gallas. Outro dia, o italiano Gillardino tomou três jogos de gancho por causa do golo de mão que marcou - e foi anulado - contra a Holanda. Ocorreu num amistoso. Quero ver se a FIFA terá peito para punir a sacanagem do atacante do Barcelona.




O Uruguai, como era de se esperar, pescou a vaga na base da raça, contra a Costa Rica, do brasileiro Renê Simões. Pouca inspiração e muita, mas muita transpiração. Teve de tudo: golo do quase esquecido Sebastian "Loco" Abreu, empate dos visitantes, que desperdiçaram uma chance claríssima no final, pelos pés de Saborio, e pancadaria, muita pancadaria. É o jeito uruguaio de jogar futebol. Na Copa, precisará de muito mais.

Portugal, por sua vez, teve o duelo mais tranquilo de todos, diante do bom time da Bósnia. Foi a única seleção que venceu os dois jogos. Na primeira partida, disputada no Estádio da Luz, perdeu um comboio de golos. No final, as duas bolas atiradas na baliza de Eduardo (finalmente um guardarredes seguro) ofuscaram um pouco a superioridade lusa. Na volta, novamente sem Cristiano Ronaldo, foi Portugal quem dominou as ações. Mais uma vez mostrou-se perdulário nas oportunidades de golo, ora com Nani, ora com Raul Meireles. Mas foi justamente numa jogada destes que saiu o tento lusitano, ainda na primeira parte: o extremo do Manchester, que havia acabado de desperdiçar uma chance clara, viu-se novamente à frente do arqueiro bósnio. Em vez de tentar o chute, rolou para o volante do Porto, que bateu seco, rasteiro no canto. Após o golo, o que se viu em campo foi a violência dos anfitriões e o destempero da torcida, que atirou pedras no relvado, acertando um dos auxiliares, além de cusparadas e vaias.



Portugal passou por todos os apuros possíveis durante o apuramento. A três rodadas do fim, ocupava a quarta colocação do grupo, estando à frente apenas das grotescas Albânia, Letônia e Malta. Hoje, classificado, ninguém aponta a Selecção das Cinco Quinas com favorita. Acontece que, mesmo sem seu principal jogador estar no auge da forma, física e tecnicamente, já acumula cinco vitórias seguidas, todas sob pressão. Ou seja, Portugal e um time maduro, que joga com seriedade e sabe o que quer.


Atrevo-me, pois, a colocar-nos entre os favoritos, ao lado de Brasil, Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e Argentina, que, exceto a "Fúria", que vive talvez o momento mais importante de sua história, nunca podem ser postos à margem numa lista de favoritos.


Pois bem. Arrisquei meus pitacos, errei a maioria (o que não é nenhuma novidade), mas acertei o que mais me apetecia. A sorte foi decidida, seja na raça, seja no apito. Agora é esperar pelo dia quatro de dezembro, quando serão sorteados os grupos. E, pra não perder o costume, "Força, Portugal!"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ame

Certa vez alguém me perguntou o que é o amor. Parece uma resposta fácil, já que todos, sejam bons ou maus, ricos ou miseráveis, alegres ou tristes, leais ou cafajestes, já experimentaram a sublime sensação de amar, mesmo que não tenham sido correspondidos.

Parece, pois, mas não é. Com precisão, quem é capaz de definir o que é o amor? Pode ser um aperto no peito, um descompasso do coração, uma dificuldade para respirar, o suar das mãos, o embargar da voz ou o rubor da face na primeira suspeita de ter sido descoberto. São meras conjecturas (ou não).

Lembro-me que, quando criança, apaixonei-me pela menina que sentava na carteira ao lado da minha, na escola. Seu nome era Fátima. Pele clarinha, cabelos cacheados e um olhar... Ah, aquele olhar! Olhos negros como a noite, mas que brilhavam feito a lua cheia. Evidentemente, nunca disse a ela. Amor infantil é assim mesmo. Você sonha, pensa nela, quer estar sempre junto, mas ela não pode saber!


Por quê? Quem é que sabe? Medo, talvez; timidez, sei lá. Até porque o amor não se explica. Sente-se, apenas, e isso basta. No amor você não escolhe. Não se ama o de melhor conduta, o de boa família, o mais bonito, o mais popular. O que determina por quem irá bater o coração pode ser a voz, o olhar, o jeito de andar ou de segurar o cigarro, ou nem isso. Conjecturas, apenas e tão somente hipóteses. Quem sabe? Ninguém, a não ser o coração.

O coração. Ah, o coração, esse matreiro! Ele não avisa, tão pouco escuta a voz da razão. É independente. Às vezes, dá uma dica aqui, outra acolá, dá uma acelerada. O problema é que a gente não dá bola, nem percebe. Aí, quando vemos, é tarde demais, pois o cupido já fez seu serviço.

Há quem diga que o tempo é capaz de entender o amor. Discordo. O tempo é o senhor da razão - reza a sabedoria popular -, e amor e razão são imiscíveis como água e óleo.

Ainda que seja, não se deve dar tempo ao amor. Ame hoje, e intensamente, sem querer nada em troca. Ame o sol, que te dá a luz; ame a lua, que clareia a imensidão da noite; ame seus pais, seus filhos e seus irmãos; ame os animais, os amigos, que são com quem podemos contar nos momentos de incerteza; ame as dificuldades, pois são elas que nos fazem dar valor aos momentos de paz; ame a tristeza, que faz a alegria ter sentido; ame a tudo e, principalmente, a Deus, que nos dá a vida e tudo o mais que podemos ter.

Enfim, apenas ame, incondicional e imensuravelmente, mesmo sem saber o porquê ou o "para quê", pois o amor alimenta os sonhos e estes são o combustível da vida.

Falando nisso: por onde andará a Fátima?

sábado, 7 de novembro de 2009

O implacável STJD

O zagueiro Danilo, do Palmeiras, foi denunciado pela procuradoria do STJD, por jogada violenta, pela falta duríssima que fez no corinthiano Jorge Henrique. Caso seja condenado, pode pegar de dois a seis jogos de suspensão e terá que ver pela TV a reta final do Brasileirão.

Até aí, seria apenas mais um caso de ingerência do tribunal. O problema é que ele, Danilo, já recebeu a punição pelo lance. Além de falta a favor do Timão, o árbitro da contenda, Héber Roberto Lopes, mostrou-lhe a cartolina amarela, por julgar que a infração tenha sido para tal. Quer dizer: o tribunal, através de recursos eletrônicos, quer interferir na decisão do juiz da partida. Ainda se ele, o árbitro, não tivesse visto, tudo bem. Agora, o árbitro viu, marcou a falta e agiu conforme achou necessário.

Desde a Copa de 94, a FIFA usa este recurso para punir jogadores que agridam adversários em campo, tendo como primícia o lance em que o italiano Tassotti fraturou, com uma cotovelada, o nariz do espanhol Luís Enrique. O árbitro não viu, mas a TV flagrou a agressão e o meia da Azzurra ficou de fora do restante do Mundial.

Em casos assim, e somente nestes casos, o uso de destes recursos é aceitável. Caso contrário, em breve, os torcedores comemorarão a contratação de advogados, em vez de craques, e teremos que esperar pelo VT pra saber quem ganhou o jogo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não se deve esconder uma lágrima

Ao longo dos anos o homem busca aperfeiçoar-se na arte da comunicação. Nos primórdios, urros, grunhidos e inúmeros gestos eram essenciais para que todos se entendessem.

Depois descobriram que poderiam representar as cenas do cotidiano através de desenhos. Foi um avanço e tanto. Daí para a escrita foi um passo.

A questão, então, era como fazer para incrementar o uso da palavra. Criamos os jornais, as revistas, a carta, o telegrama. Vieram o telégrafo, o rádio, a TV, o telefone.

Muitas ferramentas usadas na comunicação, a princípio, serviram para encurtar as distâncias. Hoje, porém, as novas modalidades de conversa, como os indispensáveis e-mails e os tão impessoais sítios de relacionamento, têm tomado o lugar do bom e velho bate-papo, do "tête-à-tête". Em alguns casos, quebram um galho danado; em outros, no entanto, tornam as relações frias, distantes, até efêmeras.

Faça o que fizer, porém, o homem não conseguirá substituir a troca de olhares, o sussurrar ao pé do ouvido, a sinceridade de uma lágrima. Lágrima, aliás, que insiste em marear os olhos deste que vos escreve. Até porque, por mais belos ou tristes que sejam os motivos para vertê-la, não se deve esconder uma lágrima.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Alea jacta est!

As Eliminatórias para a Copa de 2010 chegam, finalmente, no momento de decidir as últimas vagas. Quem pegará a raspa do tacho, como diria o grande mestre Silvio Luiz, é o que será decidido nas repescagens. São seis vagas: quatro na Europa, uma nas Américas e uma entre Ásia e Oceania.

Façamos, pois, um exercício de análise e adivinhação (é mais divertido). Começando pelo confronto já em andamento, Nova Zelândia e Bahrein decidirão, no dia 14 próximo, quem terá o direito de ser sparring na Copa. O primeiro jogo já foi uma "bela" mostra do que nos aguarda na África: um 0 a 0 horroroso, perfeito para tratamento de insônia. Não aposto em ninguém, mas como Bahrein é um nome mais bacaninha de ser dito...

Nas Américas, Costa Rica e Uruguai farão um duelo interessante. A equipe caribenha, dirigida pelo bigodudo Renê Simões, tinha o passaporte aberto, quase carimbado. Vencia os estadunidenses por 2 a 0, mas permitiu o empate, no último lance, cedendo a vaga para Honduras. Seu adversário, o Uruguai, conseguiu a vaga graças ao Chile, que bateu o Equador e evitou a precoce eliminação dos nossos vizinhos do sul. Como camisa ainda pesa em jogos deste tipo, cravo "seco" na Celeste, de Lugano e Forlan.

Na Europa, quatro embates que prometem esquentar o outono do Velho Mundo: França e Irlanda, Rússia e Eslovênia, Grécia versus Ucrânia e Portugal contra Bósnia.

A França terá, de longe, a parada mais indigesta dentre os chamados favoritos. A pragmática Irlanda chegou invicta à repescagem, empatando seis dos seus dez jogos. É um time chato demais e chega sem pressão ou, pelo menos, sua pressão é bem menor. A favor dos galícios pesa apenas a camisa, pois os Bleus ainda não pegaram no breu, ressentindo-se, ainda, da falta do maestro Zizou. Aqui, creio que a zebra vista-se de verde e a Irlanda passe.

Rússia e Eslovênia tem tudo pra ser um duelo legal. São duas escolas parecidas - a soviética e a iugoslava -, mas, ainda assim, o time dirigido pelo ótimo Guus Hiddink deverá passar sem sustos, e veremos Arshavin e cia. na Copa.

Grécia e Ucrânia deve ser outro teste de paciência. Fora dos mundiais desde 1994, quando não anotaram um tento sequer, os helênicos há muito não chegam tão perto da vaga. O problema é que seu time não é nenhum Apolo, e ainda terão pela frente o time do Schevchenko que, apesar de já ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, ainda impõe respeito. Isso posto, minha aposta é na Ucrânia.

Finalmente, a contenda mais esperada de todas, pelo menos por este que vos escreve. Portugal e Bósnia. É evidente como dois e dois são quatro que a Selecção das Cinco Quinas é favorita, mas não deve ter um adversário tão fácil à frente. A Bósnia conta com o atacante Dzeco, destaque do campeão alemão Wolfsburg. Além do mais, a Bósnia também vem da escola iugoslava, que privilegia o toque de bola. Pelos lados ibéricos a nau lusitana finalmente navega em águas calmas. Carlos Queiróz parece ter dado feições de equipe para uma esquadra outrora soberba, que agora age e joga com humildade, como deveria desde o início. A despeito do possível desfalque de Cristiano Ronaldo, minha aposta é em Portugal, com alguns sobressaltos, mas a vaga será nossa!

Enfim, a sorte está lançada. Agora é esperar pra ver quem carimbará o passaporte.

Maradona, imprensa e palavrões

* por Humberto Pereira da Silva

A Argentina, de forma dramática, se classificou para a Sulafricana Copa-2010. Venceu o Uruguay em Montevideo. De Maradona se pode fazer uma pergunta: é um bom técnico? A resposta quase certa: não! Mas não custa lembrar: a Argentina não estava bem nas Eliminatórias com o antigo técnico e por isso "El Pibe" foi chamado. Com ele, os argies estarão na Sulafricana Copa-2010.

Não custa lembrar, também, que desde 90 os argies não vão além da segunda fase de uma Copa. Se passarem da primeira, Maradona não terá feito menos que outros nessas duas décadas. Ou seja, por capricho, não sendo exemplo de estrategista ou algo parecido, Maradona pode fazer mais do que dele se imaginava capaz. Sem ele, não se imaginava a Argentina na Copa ou, nonsense, não haveria razão para troca de técnico?

Mas e a imprensa? Na entrevista depois da já mítica batalha no Centenário, Maradona esbravejou e ouviu do repórter a pergunta: "você não pode ser criticado?" A reposta dele foi de teor moralizante: "crítica, sim, mas não desrespeito". Certo, mas a pergunta do repórter, que vale para muitas situações no futebol, tem outros atalhos. Crítica supõe subserviência do criticado à crítica? Se sim, trata-se de um jogo de aparências e calhordice do crítico. A tentativa de defesa é entendida como intransigência: Eu, crítico, estaria certo nas críticas se perdesse, como não foi o que ocorreu, estou igualmente certo. Se o jogo é assim, apenas por se entender como cordeiro o criticado aceitaria as críticas. 

Outros técnicos são cordeiros, Maradona, antes de ser técnico, é um personagem que não aceita a condição de subserviência a regras que lhe são impostas. Por aqui, um vice como o de 98 é visto como fiasco, numa derrota como a de 2006 bodes vão para o sacrifício e nenhuma voz de Zagallos e Parreiras. Maradona faz bem, nos tira da pasmaceira. Não há porque bater leve em quem entra para quebrar a perna. Esse tem sido o papel da imprensa lá, como aqui. Mas aqui nossa lhaneza, como diria Sergio Buarque de Holanda, nos leva a aceitar numa boa. Falta-nos alguém com espírito Maradona.

Pode-se, no entanto, criticá-lo pelos palavrões: chupem! chupem! Sim, mas também aqui deve-se matizar a coisa. É incivilizado esbravejar no trânsito, no trânsito caótico que leve os mortais ao extremo do estresse...; mas, como diria Fernando Pessoa, "isso acontece com tanta gente que nem vale a pena ter pena da gente". Como reles mortais, não vamos querer que Maradona se comporte como nós. Ou, num mundo que se preza por apagar as diferenças, nós, os críticos, nos achamos deuses? Alguns, como Maradona, são diferentes das estrelas... E os palavrões no trânsito, para o padrão burguês, é apenas uma forma de nos percebermos como efetivamento somos: preconceituosos de merda!

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguém tem que ser

Que o Campeonato Brasileiro está equilibrado, ninguém duvida. Que o campeão só será conhecido bem no finalzinho, também. Agora, achar que isso garante o bom nível da competição, não dá.

Desde o ano passado, quando o Grêmio não quis ser campeão e o título caiu no colo do São Paulo que, por acaso, passava por ali, não temos um time indiscutivelmente superior. O Palmeiras faz o possível para não ser campeão; o São Paulo parece que não quer a taça; Inter, Atlético Mineiro e Goiás engasgam na hora "h". O Flamengo tem mística e time pra ser campeão, porém a distância para o ponteiro é grande.

Se compararmos com o futebol praticado no outro lado do Atlântico, veremos uma diferença brutal. É raro, na Europa, um time que briga pela ponta de cima da tabela se enroscar em outro time que ocupa a outra ponta. Ser goleado, então, é algo quase surreal. Já por aqui o Palestra caiu de três ante o moribundo Náutico. Pode ser até um "acidente de percurso", mas acontece com uma frequência enorme. Isso, graças ao fato de que não há muita diferença técnica entre os ponteiros para os lanternas, exceto pelo Tricolor carioca e Sport, que já fizeram o check-in do embarque para o rebaixamento.

Faltam menos de dez rodadas e a distância do líder Palmeiras para o vice líder Atlético é de quatro pontinhos. Muito ainda está por vir e ainda não dá pra "cravar seco" um campeão. O que dá pra afirmar, sem erro, é que só haverá quem levante a taça porque alguém tem que ser.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pra depois da festa

O Brasil está em festa. O Rio de Janeiro foi escolhido pra sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Pela primeira vez a América Latina receberá os jogos idealizados pelo Barão Pierre de Coubertin. Para tanto, a Cidade Maravilhosa desbancou a americana Chicago, a japonesa Tóquio e, enfim, Madri, a capital espanhola.

Motivos para comemorar são muitos: visibilidade, orgulho, prosperidade, a festa no nosso quintal. No entanto, razões para, desde já, botar as barbas de molho também existem. E não são poucas.

Assim, de partida, podemos citar os problemas estruturais da capital do Rio: trânsito caótico, transporte público ineficiente, poluição da Baía de Guanabara. Sem contar o maior dos abacaxis a serem descascados, que é a questão da segurança pública.

É evidente que serão feitos investimentos monstruosos nessas áreas. Ganha um bolinho de bacalhau quem adivinhar de onde sairá boa parte dos recursos. Quem, por acaso, disser "cofres publicos" tem, digamos, 171% de chances de acerto. E é aí onde mora o perigo.   

Os jogos estão orçados, inicialmente, em R$ 29 bilhões. Digo "inicialmente" porque, sem medo de errar, a conta ficará mais cara. Resta saber quanto. O Pan de 2007 foi orçado em cerca de quinhentos milhões de reais, mas saiu por quase R$ 5 bilhões. Quer dizer, fizeram festa com o chapéu alheio. O nosso, pra variar.
     
Não bastasse isso, outra questão que me deixa com um circo de pulgas atrás da orelha é o que será feito com o legado da Olimpíada. Durante a competição tudo funcionará que é uma beleza, pois o Brasil não passará recibo de incompetência. E depois? O que garante que os investimentos necessários para manter a cidade funcionando serão feitos?

Minha desconfiança não é gratuita. Quando a mesma Rio de Janeiro pleiteou a realização dos Jogos de 2004, prometeram despoluir a Baía de Guanabara. Como Atenas levou, não fizeram. Num português bem claro, a preocupação era com a Olimpíada, não com a cidade. É por atitudes assim que não consigo ver com olhos otimistas a feitura de eventos deste porte em países como o nosso. Deve-se primeiro arrumar a casa. Depois que estiver tudo em ordem é que se convida os visitantes. Ora, a casa deve estar arrumada, independentemente de termos visita. Se arrumarmos só por causa dos convidados, quando estes se forem a bagunça voltará a imperar.

De antemão, o que podemos ter de certeza é que haverá um salto de qualidade "nunca-visto-antes-na-história-do-esporte-deste-país". No mais, agora que a festa inicial já passou, olho vivo! Afinal, como já alertou o grande Mauro Beting, "será uma festa para muitos, mas uma farra para poucos."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Isso não é Corinthians

Jean-Paul Sartre foi um filósofo francês do século XX que, entre outras coisas, escreveu sobre a aparência e a essência das pessoas. Estudei sobre Sartre quando fiz o terceiro colegial, em 96. Confesso lembrar-me pouco sobre o assunto, mas o suficiente para fazer algumas considerações sobre o Corínthians.

O Corínthians nasceu, cresceu e agigantou-se sob a pecha de "time do povo", desde a sua fundação, no Bairro do Bom Retiro, quando era o time dos operários da capital paulista. Isso fez com que, entre outras façanhas, mantivesse uma torcida gigantesca, mesmo durante o jejum de mais de 20 anos sem títulos, entre 1954 e 1977.

O Corínthians é mais que um time. É um fenômeno social, quase uma religião.Tem adeptos em todas as classes sociais, espalhados por todas as partes do mundo. Onde houver brasileiros, haverá corinthianos. E só é o que é graças à sua fiel torcida. Ela é a força do alvinegro do Parque São Jorge. Como seu santo padroeiro, é guerreira, é valente, e nunca abandona uma batalha. E justamente agora, quando o Timão está prestes a completar um século, a torcida é posta à margem na festa?

Espantam o torcedor do estádio, majorando o preço dos ingressos; lançam camisas comemorativas, a R$ 800, cada; até cruzeiro, para comemorar o centenário, estão promovendo. E o torcedor, o de verdade, onde entra? Este não se vê mais no espelho do time. Está perdendo o vínculo. Chegaram ao cúmulo de chamá-lo de ignorante, por causa dos protestos contra o desmanche do time, neste ano.

Com essas atitudes, a direção do Timão acabará com a identificação do torcedor com o clube. Seus dirigentes o estão tornando em algo que nunca foi: um time comum que, se analisado por Sartre, este certamente concluiria que trata-se de um time que parece ser do povo, mas que não tem a essência necessária para tal.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma casa de favores

Antes de mais nada, estimado leitor, perdoe-me por insistir no assunto, mas fazem-se necessárias algumas considerações sobre o STJD.

A Portuguesa, sabe-se, perdeu o mando de campo, por três jogos, em virtude do quiproquó ocorrido nos balneários lusos após a derrota contra o Vila Nova. Não é preciso re-escrever aqui os fatos. Pois bem. O (péssimo) árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra, que prejudicou o Botafogo no jogo contra o Grêmio, foi cercado pela gente botafoguense na saída do gramado. Até aí, normal. Porém tentaram invadir seu vestiário, o que valeu denúncia por parte da procuradoria do tribunal.


O caso foi julgado e o clube da estrela-cadente solitária foi prontamente absolvido, sem maiores problemas ou repercussões. Mais uma vez o tribunal fez o preço de acordo com a cara do freguês. Ainda mais sendo o réu um time do Rio, o resultado era perfeitamente previsível. A alegação dada para absolver o time carioca é um escárnio só: o Botafogo, de acordo com o tribunal, vem sendo constantemente prejudicado pela arbitragem, portanto seria uma insensibilidade puní-lo ainda mais.

O que salta aos olhos, ouvidos e qualquer coisa que o valha é que o caso do Fogão foi muito mais grave que o da Lusa, pois envolveu gente de fora do clube, ao contrário do que houve no Canindé, que foi um assunto interno que, dada a comoção causada pela imprensa, deu no que deu. É como se, guardadas as proporções, condenassem um réu por tentativa de suicídio e absolvessem outro tentou matar alguém.

É por causa desse tipo de favorecimento que o STJD perde o pouco que resta da sua credibilidade, deixando de ser um tribunal para virar uma casa de favores.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

É muita frescura!


Essa semana, o técnico do Goiás, Hélio dos Anjos, causou uma grande polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que não trabalha com homossexuais.

Antes de cair de pau nele, vejamos o contexto dessa declaração: o Goiás, que vem fazendo uma ótima campanha no Brasileiro, curiosamente, caiu de rendimento após a chegada do atacante Fernandão. Foram duas derrotas e um empate, incluindo um sonoro 4 a 0 para o Inter, em Porto Alegre, na estreia do atacante, que foi expulso logo no início.

Aí, após a classificação do alviverde goiano, nos pênaltis, pela Sulamericana contra o Galo mineiro, alguém perguntou, na coletiva, se a queda de produção do time tinha alguma relação com um possível “ciuminho” por conta da chegada do atacante, que passou a ser o jogador mais assediado do elenco esmeraldino.

Visivelmente irritado, o treineiro respondeu que “primeiro ficam pedindo jogador experiente. Aí quando vem, começam a criticar. O Fernando sei lá o quê, que o grupo está com ciúme. Homem com ciúme de homem para mim é viadagem. Não trabalho com homossexual, não tem viado aqui no meu grupo”.

Tudo bem. ele foi um tanto infeliz, concordo. Mas só isso. Como polêmica vende jornal, já armaram um enorme furdúncio sobre o assunto. Mas vamos devagar, por favor. O que ele disse é que esse tipo de frecura não cabe nos lugares onde trabalha. Não falou que os mais efeminados servem ou não.

Portanto, senhores, calma lá. Até porque, com essas polêmicas fora de propósito, o futebol, que já está cheio de não-me-toques, fica ainda mais chato.