terça-feira, 26 de abril de 2011

Sem pão, nem manteiga

Como de costume, esperei para tecer minhas considerações sobre a eliminação da Portuguesa no Paulistão. Após um começo claudicante, recuperou-se e promoveu uma belíssima arrancada no fim da primeira fase, se classificando no último minuto, de maneira heróica. Foi a volta da Lusa às mesas redondas, aos jornais, às discussões. Nos colocaram de novo como grandes, apesar de não passarmos de fase desde 1998, que o São Paulo teria o adversário mais difícil.

Tudo muito bonito, tudo muito honroso. Mas será que é simples assim? Jogamos bem? Sim, jogamos. Perdemos com honra? Sim, perdemos. Não, não é.

O jogo estava como manda o figurino: o São Paulo tinha a posse de bola e a Lusa se defendia e especulava à espera de contra-ataques e chutes de média distância com os ótimos Ferdinando e Guilherme (volante dos bons, que sabe sair para o jogo, não bate, chuta muito bem e marca melhor ainda). Domingos e Maurício, adiantados, não davam espaço para o ataque do time do Morumbi.

Aí veio a contusão do volante Rodrigo Souto, do São Paulo. Carpegiani colocou um centroavante, Henrique, e enfiou a dupla de zaga da Lusa dentro da área. Dagoberto foi recuado e, ao lado do Ilsinho, ditava o ritmo do jogo. Assim saiu o primeiro gol: bola enfiada pelo camisa 25 para Jean, na primeira jogada aguda deste, que encontrou Ilsinho nas costas do Marcos Pimentel, sem marcação, nem piedade.


No segundo tempo, restava à Lusa atacar, mesmo sem força pra isso. Jorginho, então, voltou com Rafael Silva no lugar de Marco Antonio, que voltava após longa paragem, por lesão. Eram três atacantes lusos, apesar de um deles ser o Luís Ricardo, contra a dupla de zagueiros tricolores. Entretanto, a bola pouco chegava, pois não havia criatividade na equipe comandada pelo Jorginho.


Sabendo disso, o técnico Tricolor resolveu dar campo à Lusa. Ao contrário do que disse o comentarista Casagrande, da Rede Globo, o treinador sãopaulino agiu bem. Sem profundidade, a Lusa teria a posse de bola e continuaria no único recurso que teria, com dois ou dez à frente: os chutes de longe. Sem gente de qualidade para armar, apelar a Ananias, meia de futebol tão pequeno quanto o personagem homônimo do Renato Aragão. Podendo contar com um goleiro do nível de um Rogério Ceni, era um risco que valia a pena correr.


No primeiro contra-ataque que o São Paulo encaixou, Dagoberto matou o jogo, após passe do Ilsinho. Daí até o final do jogo era o São Paulo não querendo fazer o terceiro e a Lusa não conseguindo marcar o primeiro.

O que faltou para a Lusa? A torcida, ao menos ontem, foi torcida e apoiou o tempo todo. Mesmo após o fim do jogo, não se ouviu vaias ou apupos, mas aplausos. Portanto, ontem, não foi por falta de apoio. Ontem.

O que faltou, de fato, foram jogadores capazes de mudar o panorama do jogo. Jogadores capazes de criar, pés que pensassem o jogo. Faltaram Fabrício e Héverton que, bem ou mal, poderiam fazer isso em vez de Henrique, Ananias e Luis Ricardo. Poderiam, mas não fizeram porque não estão mais no elenco.

Como diz meu pai, para bom entendedor meia palavra basta.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não é por um jogo


No dia 20 de abril o mundo parou para assistir à final da Copa de Rei, em Valência. Em campo, os dois maiores escretes do mundo: Real Madrid e Barcelona.

Foi um jogaço. Um jogaço que teve um dono por tempo. Na primeira parte os merengues mandaram, a despeito da etapa complementar, quando o culés dominaram. No final, o título foi para Madri, graças ao grande golo marcado pelo português Cristiano Ronaldo.

Até aí nada de novo. Quem viu o clássico do Mestalla sabe disso. A questão é o que tem sido dito em algumas mesas quadradas por aí. Reduzir Barcelona e Messi a nada e dizer que o Real Madrid dos portugas é a divindade em forma de bola é ser raso demais. Mesmo porque se aquele lance do gol (bem) anulado do Pedro tivesse sido validado, após a jogada de cinema do gigante Messi, possivelmente a conversa seria outra.

O Barcelona é o melhor time do mundo, um dos maiores da história, mas não é imbatível. Assim como José Mourinho é o melhor técnico do mundo e um dos maiores da história. Só alguém como ele para suplantar o Barça. Não é um jogo ou um título que mudam as coisas, para o bem ou para o mal.

Quanto ao melhor jogador do mundo, foi mais um capítulo do duelo particular entre os dois, disparados, melhores jogadores do planeta na atualidade. Duelo, aliás, que tem larga vantagem a favor do argentino, mas que no último capítulo pendeu para o astro lusitano.

Dos quatro confrontos em 20 dias entre as equipes, dois já foram. Os menos importantes, é dizer de ofício que se diga, embora não exista Madrid x Barça ou Barça x Madrid sem importância. Seja quem for o vencedor, a resposta sobre o melhor durará apenas até o próximo "El Clásico".


Imagens: Agência EFE

domingo, 17 de abril de 2011

Com a manteiga pra cima


Foi um suplício só. Durante quase todo o campeonato a Portuguesa esteve fora da zona de classificação para os quartos-de-final, jogando um futebol (se é que pode ser chamado de) abaixo da crítica. Como sempre, trocaram o comando técnico, saindo o Sérgio Guedes, que tinha feito uma campanha muito boa na Série-B, mas que caiu demais de produção no Paulista.


Mas dessa vez o igual foi diferente: veio o Jorginho, luso desde as bancadas. Ele conhece a Portuguesa como poucos. E apesar de não ter conseguido apurar a Lusa pela Copa do Brasil, o saldo do seu trabalho tem sido extremamente positivo.


Ainda assim, a apuração foi mais dramática que um fado da Amália. Quando parecia que ia pegar no breu, tropeçou nos moribundos Santo André e Noroeste, em casa; daí ninguém mais acreditava, mas veio a vitória nos estertores diante do Paulista, rival direto na luta pela vaga. Na última ronda precisava ganhar e torcer contra Paulista, que enfrentaria o mistão do classificado Santos, e São Caetano, que receberia um Linense na briga contra a degola.


Mal começaram as pelejas e o Peixe já marcou logo dois (faria ainda o terceiro). No Anacleto não acontecia nada e a Lusa tomando sufoco, em casa, do São Bernardo. E o tempo passando e nada. Até que o Linense abriu o escore com um golo do ex-luso Éder.


Mas ainda faltava um golo, fosse no ABC ou no Canindé. Mas sabem como é, né? Na Lusa e com a Lusa tudo é mais difícil, chorado. Chorado como foi o chute do Ananias, mascado, de canela, de qualquer jeito, ou sem jeito algum.


Sem jeito, aliás, ficaríamos nós se não passássemos de fase. Em vez de protestos, aplausos, gritos de alegria e a certeza de que dias melhores virão. Pelo menos até o clássico contra o São Paulo.




Imagem: Agência Estado