quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

COPA DO MUNDO - Aos vencedores, as batatas

Foto: twitter/AFA

"A história é escrita pelos vencedores", já nos ensinou George Orwell. Por isso, e só por isso, Lionel Scaloni não terá que explicar porque uma final, completamente dominada e a 13 minutos do fim, tornou-se um drama que tango nenhum seria capaz de contar. Como o futebol ainda é um jogo, os mais entusiasmados, a turma do Messi-já-superou-Pelé, que, naturalmente, não faz ideia de quem é Nelson Rodrigues, Drummond ou Galeano (mas manja tudo sobre o esquema tático do Bournemouth), deve seus devaneios à falta de traquejo de um atacante reserva na cara do gol ou ao imenso Emiliano Martinez, comemoração fálica à parte.

Como a história é contada por quem vence, ninguém se lembrará que foi justamente o tal do bode que perdeu uma bola besta, em zona proibida, para um atacante, tal e qual um turista desavisado que anda por aí com a carteira pendurada no bolso de trás, culminando no gol de empate dos franceses.

Pelo mesmo motivo, Clodoaldo nunca precisou explicar o que deu nele quando resolveu dar de calcanhar, mesmo apertado por Boninsegna, quando o placar da final de 1970 ainda apontava um importante, mas magro, 1 a 0 para o Brasil. Cerezo, também um craque, como o camisa 5 do Tri, não teve a mesma sorte 12 anos depois. Felipão nunca teve que ouvir sobre a falta que Romário teria feito - ou fez - em 2002, e, se ouviu, certamente deu de ombros, ao passo que Lazaroni até hoje deve explicações além do "grupo fechado com a conquista da Copa América de 89" por não ter levado o Neto em 1990.

Aos vitoriosos, os louros, ou as batatas de Quincas Borba; aos que foram vencidos, as perguntas.

Nada disso, porém, poderá diminuir o feito de Scaloni, de Messi ou do Dibu Martinez. A Argentina é a justa vencedora de uma Copa tecnicamente muito legal, mas que ninguém se esqueça de tudo que antecedeu a escolha do país-sede, do softpower, do sportwashing, do cala-a-boca às entidades internacionais que deveriam fiscalizar e denunciar a ausência de condições de trabalho e violações dos direitos humanos. Não, isso nunca coube aos atletas. Não foram eles que foram convencido$ a escolher o Catar. Não serão eles os que deverão responder.

Bom, voltando, a Argentina, que levantou a Copa do Mundo também porque teve o seu grande craque na versão mais briguenta, sanguínea, humana e maradoniana possível - mas não somente pro isso -, merece todas as glórias e seus personagens têm a importância que têm. Nada a menos, nada a mais.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

PORTUGAL 0 x 1 ESPANHA - O gajo da anedota da casca de banana caiu outra vez

Quando Portugal perdeu para a Sérvia pela última rodada da qualificação ao mundial - que viria somente ao fim da repescagem e pela sorte de enfrentar adversários fracos -, fiz uma comparação entre o treinador Fernando Santos e a anedota daquele gajo que vê uma casca de banana à frente e coça a cabeça a pensar "Ai, Jesus, outro tombo!".

O gajo da anedota da casca de banana (imagem: Reuters)

Pela última rodada do Grupo B da Liga das Nações, Portugal novamente precisava de um empate em casa para avançar. Dessa vez, no entanto, o adversário era a Espanha, equipe com muito mais argumentos que os sérvios. Ainda assim, menos apetrechada que os vizinhos de sudoeste da Península Ibérica, era a "casca de banana" da vez.

E o que se viu foi o mesmo: com o relógio a favor, Fernando Santos passou a defender a vantagem sem tentar tirar proveito da necessidade espanhola de marcar. Então foi tirando os homens capazes de criar e povoando o setor onde a Espanha, já com Gavi e Pedri em campo, era mais forte e criativa. 

Escolhas. Optar é, ao mesmo tempo, renunciar. Quando Luis Henrique, o treinador espanhol, tirou Koke e Soler para ter os imberbes Gavi e Pedri em campo, ganhou em criatividade, mas perdeu força de marcação. A essa altura, os campeões do mundo em 2010 não haviam criado maiores problemas ao guarda-redes Diogo Costa, apesar de ter sempre a posse de bola a roçar os 70%, no mínimo, tanto que Portugal era quem mais havia tido hipóteses para marcar e só não o fizera pela jornada infeliz de Cristiano Ronaldo.

Escolhas. Ao trocar Bernardo Silva e Diogo Jota por Vitinha e João Mário, Santos queria ter mais posse, mas perdeu em agressividade no ataque e deu espaço e tempo à Espanha, já com cabeças pensantes e pernas mais frescas. Mesmo a entrada de Rafael Leão, forte para segurar a bola contra quem fosse, não atacou o problema na sua raíz, tanto que, em 15 minutos, a Espanha chegou mais vezes do que nos 75 anteriores. Justamente porque não havia frescor onde precisava, mesmo tendo à disposição Matheus Nunes, Ricardo Horta e João Félix - este entrou após o gol de Morata, no minuto 88.

Mais que isso: o forte do jogo português é ter a bola e trocar passes no meio de campo para abrir espaços e, de estocada em estocada, chegar ao gol. Contra a Espanha, no entanto, isso não funciona porque ninguém no mundo é capaz de ter o controle da bola tendo os campeões do mundo de 2010 como oponentes porque todos os jogadores espanhóis são formados na cultura da "posse-aproximação-passe" passe o tempo que for, mesmo sem o condão genial de Xavi e Iniesta porque estes fazem parte de um passado que não volta mais.

Portugal tem talento para mais e já mostrou isso contra adversários fortes, como foi contra a França na Liga das Nações vencida por eles e contra os Países Baixos, que não viram a cor da bola na final da edição de estreia da competição, conquistada com todo mérito e bola por Portugal. Em 2016, com as peças que tinha, jogou como podia e foi campeão. Isso jamais será apagado, mas não é possível ser refém do passado, por mais glorioso que tenha sido. É preciso querer, é preciso ambicionar. É preciso entender que jogar à bola não garante um resultado porque, ó, caralho, nada garante, mas aproxima de tal e diminui a interferência, tanto do adversário, quanto do acaso. 

"Às armas!", já diz A Portuguesa, o Hino Nacional Português. Então, que usêmo-las como dever ser usadas, ou não levantaremos mais o esplendor de Portugal. 



 

 


sábado, 2 de abril de 2022

COPA DO MUNDO - Ela vem aí!

Capitães campeões, Cafu e Matthäus participaram
 do sorteio (Shaun Botterill/Getty Images)

Sim, podemos dizer que a Copa do Mundo de 2022 já começou. Passadas as infindáveis Eliminatórias, quando o sorteio dos grupos é realizado e temos projeções e mais projeções de adversários que podem cruzar o nosso caminho - ou serem evitados a todo custo -, é que a maior competição futebolística do mundo torna-se algo palpável.

Antes de esmiuçar a sorte ou do azar que determinou os duelos e possibilidades até a final do dia 18 de dezembro, é preciso falar que a "escolha" do Catar como país-sede, com farta documentação contendo fortes indícios de corrupção, foi um troço inaceitável, além, é claro, das absurdas vistas grossas feitas pela própria FIFA para as condições - ou falta delas - de trabalho dos operários (ler o trecho da seleção catariana, no Grupo A). Como não recordar da fala emblemática do então secretário-geral Jérôme Valcke, quando ele ficou chiando sobre as dificuldades encontradas naquele Brasil pré-Copa para abrir a porteira e passar a boiada? Para ele, quanto menos democracia houvesse, mais fácil seria para organizar a competição (ou enfiar goela abaixo ou rabo adentro os gastos, para não dizer outra coisa, que este tipo de evento exige). 

Outra prova inconteste do padrão moral extremamente questionável da entidade foi suspender a Rússia pelo ataque militar à Ucrânia, mas fazer de conta que nunca viu coisas como a ditadura da Argentina, onde foi realizado, a toque de caixa, o Mundial de 1978 ou a Guerra do Golfo, liderada pelos Estados Unidos em 1990 e a posterior invasão ianque ao Iraque atrás de armas químicas que sequer existiam, em 2003. "Ah, mas era outro momento e outros dirigentes", o leitor poderá argumentar. Saiba que a Arábia Saudita tem atacado o Iêmen e ó, a FIFA nem se manifestou. Para ser justo, há três anos, a entidade máxima-mas-que-faz-o-mínimo deu um pito no país porque uma emissora local andou pirateando o sinal da Copa de 2018. Isso sim importa.

O ideal seria o local ter sido mudado. Como não foi e vai haver Copa de qualquer forma, vamos a isto. E, com a distribuição dos países, já dá para ter uma ideia do que virá. A grande novidade é que será disputada pela primeira vez entre novembro e dezembro para fugir do calor desumano do verão do Oriente Médio, ou seja, bem no meio do calendário europeu, onde milita a maioria dos jogadores que serão convocados. Por isso, como a entidade ainda não conseguiu alterar o Calendário Gregoriano para, sei lá, 13 meses, os clubes deverão liberar seus atletas para que se apresentem apenas a uma semana do início da prova. É uma vantagem para quem estrear mais tarde, como Brasil e Portugal.

Mas falando no sorteio, que afinal é o motivo deste raio de texto, ele reservou jogos bem interessantes para além dos recordes que volta e meia podem ser quebrados, como o número de jogos (caso Messi jogue todas as partidas e a Argentina chegue ao menos às semifinais) ou os gols marcados, posição liderada por Klose e que tem a ameaça, bastante remota, do compatriota Müller (10) e do quinteto Cristiano Ronaldo, Luis Suárez (7), Kane, Messi e Neymar (6), cujos postulantes precisariam fazer um mundial irretocável para isso.

Por falar em Messi, CR7 e Neymar, esta pode ser a última edição com o trio em campo. O desempenho ruim dos três em seus clubes - também pela zona que são United e PSG - pode fazer com que esta seja a única chance de salvar a temporada. Cristiano, com 37 anos, terá 41 na Copa de 2026. Messi, com 34, já estará ao pé da reforma e Neymar (30), embora não leve muito a sério, já ponderou que esta pode ser a sua terceira e última participação. 

Nos confrontos, reencontros históricos e com pitadas de geopolítica para ninguém colocar defeito, além dos sempre esperados duelos no mata-mata. A se lamentar, obviamente, a ausência da tetracampeã Itália e o cruzamento idiota que colocou Salah e Mané a brigar pela mesma vaga, e que só não fez o mesmo com Portugal e Itália porque a Azzurra conseguiu perder para a Macedônia do Norte.

Bom, feito este introito gigantesco, eis abaixo uma projeção grupo a grupo, seleção a seleção. Se alguém quiser dormir no meu barulho, é só me avisar que eu mando o pix para pegar minha parte do bolão.

Senhoras e senhores, divirtam-se! Alea jacta est

Grupo A
Catar (51º)
Países Baixos (10º)
Senegal (20º)
Equador (46º)

Catar é o atual campeão asiático e tem todos os seus jogadores atuando no futebol local, e só está aí, repito, porque a FIFA é uma instituição com, digamos, padrões morais bastante elásticos. Além do propinoduto que inundou os bolsos de dirigentes suscetíveis a "agrados" (leiam os livros do saudoso jornalista escocês Andrew Jennings), a Copa custou a vida de ao menos 6,5 mil trabalhadores, isso sem contar as diversas violações aos Direitos Humanos, essa "bobagem" que a entidade máxima do futebol só leva em consideração no discurso. Apesar de ter adquirido experiência com a bem sucedida campanha na Copa das Nações da Ásia, do papel até digno na Copa América de 2019 e dos amistosos contra os times do Grupo A das Eliminatórias da Europa, deve levar três cacetes. Quem não torce por isso nem gente é.

A sorte sorriu para os Países Baixos - de volta à Copa após ter falhado a ida à Rússia - quando saltaram do pote 2 para o grupo do Catar, cabeça-de-chave que comprou a vaga na Copa ao comprar o direito de sediar a própria Copa. Novamente treinados pelo lendário Louis Van Gaal, que comandou a campanha do 3º lugar na Copa de 2014, os neerlandeses recuperaram a confiança e têm um time competitivo, embora ainda distante das principais forças da competição.

Atual campeão da CAN, o Senegal tem tudo para ser a sensação do torneio e - por que não? - repetir ou até superar a campanha de 2002, quando parou nas quartas-de-final e faltou um tiquinho só para pegar o Brasil na semifinal. Aliou Cissé, que esteve em campo naquela copa, tem um time bem interessante à disposição, com nomes entre os melhores do mundo em suas posições, como o goleiro Mendy, o zagueiro Koulibaly e o atacante Mané. 

O Equador, que teve uma classificação relativamente tranquila pensando na pontuação, apesar dos percalços no caminho, conta com o zagueiro Piero Hincapié, do Bayer Leverkusen, listado pelo CIES Football Observatory como um dos 10 melhores jogadores Sub-21 a atuar na Europa. Outro nome interessante é Pervis Estupiñán, de excelente temporada no Villarreal. Ademais, o técnico argentino Gustavo Alfaro não dispõe de nenhuma grande estrela ou algumas aspirações além de sonhar com o milagre da classificação. Por estrear contra o Catar, deve manter acesa esta chama até a última rodada, quando dará adeus à Copa com três pontos, justamente os da estreia.

Palpite do editor: este grupo deve ser decidido já na primeira rodada, no jogo entre Senegal e Holanda. Quem ficar em primeiro deve ter a vida mansa nas oitavas. Já o segundo tem 95,894% de chances de pegar a Inglaterra. Aposto em Senegal na ponta e a Holanda que se vire para passar dos ingleses.

21/11 (segunda-feira)
Catar x Equador - 13h
Senegal x Holanda - 7h
25/11 (sexta-feira)
Catar x Senegal - 10h
Holanda x Equador - 13h
29/11 (terça-feira)
Holanda x Catar - 12h
Equador x Senegal - 12h

Grupo B
Inglaterra (5º)
Estados Unidos (15º)
Irã (21º)
País de Gales (18º), Escócia (39º) ou Ucrânia (27º)

Aqui tem História e Geopolítica até os ossos! A Inglaterra, que está na companhia de seus "filhos", os Estados Unidos, na chave, tem um timaço e ele é para agora, depois de maturado pelas semifinais da Copa da Rússia e o inédito vice na Eurocopa. É desnecessário falar que quase todos os possíveis convocados jogam no Inglesão - a exceção é o meia Bellingham, do Dortmund - e é, de longe, a equipe mais forte da chave e uma das mais cotadas para ganhar a Copa. Resumindo, finalmente há a tal geração-mais-forte-desde-1966 e dá toda a pinta de estar prontinha para fazer os súditos da rainha deixarem de ser piada. De quebra, com seis jogos até a estreia no Mundial, é muito provável que Harry Kane chegue à Copa como o maior artilheiro do English Team (tem 49 e divide o segundo posto com o Sir Bobby Charlton, atrás somente de Rooney, que tem 53).

Os Estados Unidos, que venceram a última Copa Ouro, voltam ao Mundial depois de falharem a Rússia, estão com um time bastante renovado e têm nomes bem interessantes, como Pulisic, Mc Keanny e Timothy Weah, filho do lendário George Weah, mas caíram num grupo em que o noviciado deve cobrar o preço, ainda mais quando a principal força tem contas para acertar desde 1950, de um jogo que virou até filme, sem contar o sempre potencialmente quente duelo com o Irã, reeditando o histórico confronto da Copa de 1998, quando os iranianos venceram por 2 a 1. 

O Irã chega à sua terceira Copa seguida com uma dupla de ataque das mais interessantes, formada pelo competentíssimo e cavador de pênaltis Taremi, do Porto, e por Azmoun, que fez carreira no futebol russo, com grande destaque no Zenit e que agora veste a camisa do Bayer Leverkusen. Outro nome sonante é o goleiro Beiranvant, que defendeu um pênalti cobrado por Cristiano Ronaldo no empate por 1 a 1, que quase eliminou os portugueses na primeira fase da Copa da Rússia. E essa fama de estraga-prazeres não é recente. Em 1978, na sua primeira participação em mundiais, empatou com a Escócia, do craque Kenny Dalglish, e este resultado foi crucial para ditar a eliminação britânica no saldo de gols para a Holanda, que seria (bi) vice no vergonhoso Mundial da Argentina. 

Curiosamente, a segunda força do grupo deve vir do confronto da repescagem europeia que não foi definido por causa da Guerra da Ucrânia. A própria Ucrânia tem pela frente a Escócia, que terá a chance de dar o troco no Irã por causa de 1978, mas, para isso, além de vencer os ucranianos fora de casa, ainda têm que despachar o País de Gales, favorito para esta vaga e também para se candidatar a levar uma tunda do segundo do Grupo A nas oitavas. Ah, sem contar que, caso a Escócia chegue ao Mundial, será a primeira vez que o clássico mais antigo do mundo entre seleções (Inglaterra x Escócia) será disputado em uma copa, e justamente na véspera do aniversário de 150 anos do primeiro duelo entre "os pais do futebol moderno".

Palpite do editor: moleza para a Inglaterra avançar em primeiro, com 100% de aproveitamento. O segundo deve ser quem vem da repescagem, com alguma chance para os Estados Unidos aprontarem caso a inexperiência não atrapalhe.

21/11 (segunda-feira)
Inglaterra x Irã -10h
Estados Unidos x Repescagem europeia - 16h
25/11 (sexta-feira)
Inglaterra x Estados Unidos - 16h
Repescagem europeia x Irã - 7h
29/11 (terça-feira)
Repescagem europeia x Inglaterra - 16h
Irã x Estados Unidos - 16h

Grupo C
Argentina (4º)
México (8º)
Polônia (26º)
Arábia Saudita (49º)

O Grupo C poderia ser o T, de teta, para a Argentina, que chega à Copa finalmente com os excelentes nomes que têm agrupados como um time, o que não acontecia desde que o treinador era o saudoso Alejandro Sabella, na Copa de 2014. Será a primeira edição sem a presença material de Diego Maradona, mas alguém tem dúvida de que um eventual título será um milagre atribuído a São Diego? Time para isso, tem de sobra. "La Scaloneta" terminou as Eliminatórias com boas notícias, como a dupla De Paul e Paredes dando o equilíbrio que há tempos não era visto a vestir albiceleste, além de Di Maria envelhecendo como um bom vinho cultivado na França. Além do mais, esta pode ser a quinta e última Copa de Lionel Messi, que voltou a encontrar pela seleção a alegria que nunca teve no PSG.  

O México, que só chegou à fase de quartas-de-final quando sediou a Copa, em 70 e 86 (em 70 as quartas já eram a segunda fase), vem de sete eliminações seguidas nas oitavas, mas tem apresentado um futebol que o credencia a quebrar essa escrita e cair já na fase de grupos, o que nunca aconteceu desde que La Tri voltou da suspensão de dois anos que a tirou do Mundial de 90 graças ao escândalo dos "Chachirules". O único ponto que pode pesar a favor dos mexicanos é que boa parte dos convocados atua na Liga MX e costuma estar à disposição mais cedo que as demais seleções para iniciar a preparação, e isso pode fazer uma diferença danada em favor dos comandados do argentino Tata Martino numa competição que começa sete dias depois da data estipulada para os jogadores se apresentarem. Como curiosidade, se Guardado e Ochoa forem convocados, chegarão, a exemplo de Messi, a cinco Mundiais e igualarão a marca que tem mais dois mexicanos na lista: Carbajal e Rafa Marques, além do alemão Matthäus e do italiano Buffon (Cristiano Ronaldo também deve integrar este lote). 

Teoricamente, a briga pelo segundo lugar do grupo conta também com a Polônia, uma espécie de Amigos do Lewandowski FC. No entanto, alguns são amigos muito estimados, como o goleiro Szczęsny, o zagueiro Bednarek, o meia Krychowiak e o atacante Zielinski, que, se não são craques do primeiro escalão - e não são -, podem auxiliar o supercentroavente do Bayern a passar de fase e ver o que acontece contra, tudo leva a crer, França ou Dinamarca.

Bem, resta aqui a Arábia Saudita, quarta força da chave porque só existem quatro seleções em cada uma. Para não dizer que não há um deserto de ideias, o melhor jogador saudita, Salem Aldawsari, marcou o gol da vitória contra o Egito de Salah na Copa de 2018 e foi o grande nome da campanha das eliminatórias asiáticas. Com um pouco de sorte, somará um ponto, se muito.

Palpite do editor: a Argentina terá vida mansa ao menos na primeira fase. Depois disso, vem o segundo da chave D, que tem França e Dinamarca. A segunda vaga será disputada entre polacos e mexicanos e deve ficar na Europa. Para os sauditas, a vantagem é que o Catar é bem pertinho.

22/11 (terça-feira)
Argentina x Arábia Saudita - 7h
México x Polônia - 13h
26/11 (sábado)
Argentina x México - 16h
Polônia x Arábia Saudita - 10h
30/11 (quarta-feira)
Polônia x Argentina - 16h
Arábia Saudita x México - 16h

Grupo D
França (3º)
Dinamarca (11º)
Tunísia (35º)
Peru (22°), Austrália (42º) ou Emirados Árabes Unidos (68º)

A França é a melhor seleção do mundo no papel? É. Tem pelo menos dois jogadores de alto nível por posição? Em algumas, até três. É uma das favoritas para conquistar o torneio? Não seria loucura imaginar um novo bicampeão em edições seguidas, algo que só a Itália de Mussolini (1934 e 38) e o Brasil (1958-62) conseguiram. É a favorita do Grupo? É, mas terá que ralar para confirmar o status. Apesar de tudo o que tem, e tem muito, a França costuma oscilar bastante na fase de grupos e, nesta edição, tem uma companhia traiçoeira na chave e isso pode fazer com que Mbappé, Benzema e cia reeditem as oitavas de final da última Copa, quando passaram por cima do arremedo de time que atendia pelo nome de Argentina.

Antes da Euro, ninguém dava a mínima para a Dinamarca. Ok, era um time bom, de futebol vistoso, mas que, exceto por 1992, nunca deu em nada. Aí veio o drama do craque do time, o meia Eriksen na estreia da Euro e a recuperação dentro da competição até cair na semifinal para a dupla apito-Inglaterra. Nas Eliminatórias, caiu em um grupo bem baba e passou o carro em todo mundo. Isso sem seu maior expoente, que já voltou e, em dois amistosos, deu mostras que tem tudo para retomar o ritmo anterior e, ladeado a jogadores como Schmeichel, Christensen, Vestergaard, Maehle, e Höjbjerg, incomodar a poderosa França na disputa pela cimeira da chave.  

O grande feito recente da Seleção da Tunísia foi, na CAN, eliminar a Nigéria apesar dos 10 desfalques causados por um teste "duvidoso" de Covid-19, pelas oitavas-de-final. Aí, depois de despachar o favoritismo das Super Águias, o bico das Águias dos Carpatos não foi bom o suficiente para vencer Burkina Faso, caindo nas quartas. Seus principais jogadores, o zagueiro Bronn e o volante Skhiri (Metz-FRA e Colônia-ALE, respectivamente), dão alguma experiência de grandes ligas ao time, mas deve ser insuficiente para mais do que fazer figuração.

E este deve ser o mesmo destino de quem sobrar na repescagem que terá sido deputada pelo Peru, quinto colocado da América do Sul, e o vencedor do duelo entre Austrália e Emirados Árabes Unidos, terceiros colocados de seus grupos nas Eliminatórias Asiáticas.

Palpites do editor: apesar de oscilar, a França, se pudesse, montaria outro time entre os não convocados e, ainda assim, poderia se disputar a Copa sem fazer feio. Deve terminar em primeiro e deixar a Dinamarca no caminho da Argentina.

22/11 (terça-feira)
França x Repescagem Ásia/América do Sul - 16h
Dinamarca x Tunísia - 10h
26/11 (sábado)
França x Dinamarca - 13h
Tunísia x Repescagem Ásia/América do Sul - 7h
30/11 (quarta-feira)
Tunísia x França - 12h
Repescagem Ásia/América do Sul x Dinamarca - 12h

Grupo E
Espanha (7º)
Alemanha (12º)
Japão (23º)
Costa Rica (31º) ou Nova Zelândia (101)º

Desde a Era do domínio da Espanha, entre 2008 e 2012, esperamos que a próxima geração do futebol do país faça o que a turma de Xavi e Iniesta fez. Mas é impossível jogar o que Xavi e Iniesta jogaram se ninguém for Xavi ou Iniesta. E também porque a base daquela seleção, dividida entre Real Madrid e Barcelona, não é a mesma. Em todo caso, com Luiz Henrique, La Roja (ai, não pode mais chamar de Fúria) tem possivelmente a seleção com o jogo coletivo mais maduro, o que, de antemão, deixa os ibéricos com meio caminho andado. Porém, a consistência tática e o domínio de jogo não se traduzem em gols como antanho porque não se trata de um ataque demolidor, no qual Morata, Oyarzabal e Gerard Moreno não convenceriam as próprias mães de que são apostas seguras. 

Após sucessivos papelões, que podem ser entendidos como praga de brasileiro por causa do 7 a 1, a Alemanha disputará sua primeira competição sob o comando de Hansi Flick, que foi auxiliar de Joachin Löw. Sob nova direção, o Mannschaft tem jogado um futebol leve e envolvente que nem na hecatombe do Mineirão foi visto. Uma das primeiras medidas foi reintegrar o atacante Thomas Müller ao grupo. O camisa 13, a propósito, é o maior artilheiro em Copas do Mundo em atividade e, se fizer seis, igualará o também alemão Klose no topo desta lista. No mais, é um timaço com Neuer, o antivax Kimmich - que é um imbecil, mas é um imbecil que joga boa demais -, os atacantes de beirada de campo Gnabri e Sané. Ok, nem tudo é perfeito e há Timo Werner testar a paciência e a resiliência do povo germânico.

Bom, sobra o Japão, que tem suas esperanças depositadas no quinteto Endo, Minamoto, Kubo, Kamada e Morita, e quem vier da repescagem entre a Nova Zelândia - do centroavante Chris Wood, do Newcastle, que atua na Inglaterra desde os 17 anos, do capitão Winston Reid, que também tem muita experiência na PL, e de Liberato Cacace, jovem lateral em bom plano no Empoli - e a envelhecida Costa Rica, que capturou essa vaga pelo rabo. Los Ticos ainda contam com os intermináveis Navas (que é melhor que o Donnarumma), Celso Borges e Bryan Ruiz. Convenhamos, quem tem o Bryan Ruiz não deve estar muita coisa de interessante para fazer acontecer. 

Palpite do editor: na cultura japonesa, o número quatro deve ser evitado por causa da carga negativa que sua pronúncia tem (shi), que é semelhante à palavra morte. Imagino que, depois do sorteio, essa fama deverá ser do dia 1º de Abril. Aqui, o vencedor de Alemanha vs. Espanha (minha aposta aqui) deverá ter uma vida longa e próspera na Copa (ao menos até chegar às quartas de final).

23/11 (quarta-feira)
Espanha x Costa Rica ou Nova Zelândia - 13h
Alemanha x Japão - 10h
27/11 (domingo)
Espanha x Alemanha - 16h
Japão x Costa Rica ou Nova Zelândia - 7h
01/12 (quinta-feira)
Japão x Espanha - 16h
Costa Rica ou Nova Zelândia x Alemanha - 16h

Grupo F
Bélgica (2º)
Croácia (16º)
Marrocos (23º)
Canadá (38º)

Evidentemente, a Bélgica é a grande força deste grupo e esta pode ser o último Mundial em grande nível de boa parte do que vem sido chamado, primeiro como constatação, para depois tornar-se galhofa, de "A Ótima Geração Belga".  Na próxima Copa, jogadores como Courtois, Hazard, De Bruyne e Lukaku estarão com mais de 30 anos. Ainda assim, os belgas chegam à terceira Copa do Mundo seguida com o carimbo de favorito na testa, referendado por quem eliminou Brasil e Portugal nas últimas grandes competições, tendo caído para os campeões em ambas. Mesmo assim, caiu na chave mais "imprognosticável" desta Copa.

A vice-campeã Croácia não tem tido sucesso depois do surpreendente vice-campeonato em 2018. Nesta Copa, não terá nomes como Rakitic, que fechou sua conta na seleção, e Mandzukic, que já parou com esse negócio de jogar bola, mas tem Pasalic, Perisic, Kovacic, Vlasic e, principalmente, Modric, que tem jogado muito mais do que 2018, quando ganhou a Bola de Ouro. 

A Seleção de Marrocos, que ficou em último lugar em seu grupo em 2018, mas jogando melhor nos três jogos, vem de uma campanha honesta na Copa Africana de Nações, quando caiu nas quartas-de-final para o Egito, na prorrogação. No entanto, o treinador, o bósnio Vahid Halilhodzic, afastou Harit, Mazraouri e até o craque da equipe, o atacante do Chelsea Ziyech, que são "só" alguns dos principais jogadores, o que enfraqueceria qualquer equipe. Tem o excelente Hakimi, do PSG, mas não parece suficiente para avançar em um grupo tão equilibrado. 

Canadá é a atração do torneio na sua segunda disputa de Copa do Mundo, mas a primeira com jogadores de nível decente. Muito decente, aliás, como Stephen Eustáquio, que chegou ao Porto após grandes partidas pelo Paços de Ferreira; Jonathan David, jogador do Lille; Buchanan, do Bruggee; e, obviamente, aquele que é possivelmente o melhor lateral esquerdo da atualidade, o estupendo Alphonso Davies, do Bayern. A inexperiência pode cobrar o preço, mas é um time suficientemente bom para muito mais do que (não) fez em 86, quando deixou o Mundial sem nenhum golzinho marcado sequer, quando jogou o torneio até com jogadores do "soccer indoor", uma espécie de showball.

Palpite do editor: o grupo F tem o maior potencial para causar surpresas, mas, pela inexperiência canadense e pela falta de um ambiente interno decente em Marrocos, Bélgica e Croácia devem passar. 

23/11 (quarta-feira)
Bélgica x Canadá - 16h
Marrocos x Croácia - 7h
27/11 (domingo)
Bélgica x Marrocos 10h
Croácia x Canadá - 13h
01/12 (quinta-feira)
Croácia x Bélgica - 12h
Canadá x Marrocos - 12h

Grupo G
Brasil (1º)
Suíça (14º)
Sérvia (25º)
Camarões (37º)

Após roçar a perfeição nas Eliminatórias, o Brasil voltou a liderar o ranking de seleções da FIFA, o que não significa absolutamente nada além de servir para o torcedor brasileiro reclamar quando não é o primeiro e desdenhar quando é. O trajeto do único presente em todas as fases finais do Mundial e único cinco vezes campeão teve dois momentos: o primeiro foi de aborrecer, pragmático e sem brilho, mas com vitórias a dar com pau até garantir matematicamente a vaga; o segundo, com testes e chances para mais jogadores e deixando de lado até então intocáveis, deu ao técnico Tite material suficiente para pensar em algo mais do que empacar no primeiro europeu bem organizado que lhe calhar no mata-mata, como tem sido desde 2006. E o melhor de tudo: há vida, e muita, sem Neymar. Há Coutinho, Paquetá, Raphinha, Vini Jr, Thiago Silva, Marquinhos... bom, há muito como há muito tempo não se via.

O grupo dos reencontros tem duas seleções que estiveram no caminho já na primeira fase de 2018. E são chatas até dizer chega: Suíça e Sérvia. Coincidentemente, as duas mandaram para o limbo da repescagem a Itália, que ficou por lá, e Portugal, que se safou da vergonha de não chegar à Copa. Só isso já faz que sejam adversários que merecem respeito. Os alpinos, por exemplo, já haviam mandado a favoritíssima França para casa na Eurocopa. O duelo entre eles, marcado para a última rodada, tem potencial de gerar faísca por dois motivos: a provável disputa por uma das vagas e que deve ser a segunda, e, principalmente, pela questão geopolítica que já incendiou o último encontro entre as seleções, vencido pelos suíços por 2 a 1, com direito ao gol da virada ser marcado no último minuto e com o autor, Shaqiri, repetir o gesto que já havia sido feito por Xhaka, que empatou: as mãos simbolizando a águia de duas cabeças, presente na bandeira da Grande Albânia, área desmembrada entre os países da ex-Iugoslávia após as Guerras Balcânicas. Os dois, inclusive, seguem na seleção e têm a boa companhia de gente como os zagueiros Akanji e Elvedi, o ótimo meia Freuler e os atacante Embolo, Zuber e Seferovic, que fez dois dos três gols que ajudaram a despachar a França na Euro. A Sérvia também tem um poder de fogo respeitável, com a máquina de fazer gols da Championship Mitrovic (marcou o tento que jogou Portugal no tacho do capiroto em Lisboa), os ótimos Milinković-Savić, Tadic e Vlahovic, além de outros bons valores espalhados pelo campo.

E tem Camarões, que volta à Copa após falhar a presença em 2018. Os Leões Indomáveis estão novamente no grupo do Brasil, como em 2014, e o destino tem tudo para ser o mesmo: voltar para casa após três jogos. Como sempre, não é um exemplo de organização, tendo trocado de treinador após cair na semifinal da CAN, que era disputada em casa (e nem foi por 7 a 1), para o Egito. Saiu o português Toni Conceição e chegou o lendário Rigobert Song para realizar o milagre da classificação. Com Toni, já havia surpreendido ao terminar na liderança o grupo que tinha Costa do Marfim, mas o drama mesmo estava na repescagem: perdeu em casa por 1 a 0 para a Argélia de Mahrez, que tem muito mais time, para vencer fora e se classificar pelo já obsoleto critério do gol qualificado, ganhando por 2 a 1 após sofrer o gol de empate, que o eliminaria, aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação. O milagreiro, Ekambi, que joga no Lyon, também é um dos destaques do time. Também merecem atenção Choupo-Moting, do Bayern, o excelente Anguissa, do Napoli, e o instável, mas bom - ou o contrário, dependendo da boa vontade de quem lê - Onana, do Ajax.

Palpite do editor: grupo sob medida para o Brasil passar com alguma dificuldade, elevando o nível de competitividade para chegar em bom nível para o inevitável mata-mata. O pau deve torar pela segunda vaga, com uma leve tendência para a Sérvia avançar, apesar - ou talvez por isso - da minha torcida contrária. Camarões, que deve ter esgotado seu estoque de milagres, fica por aqui.

24/11 (quinta-feira)
Brasil x Sérvia - 16h 
Suíça x Camarões - 7h
28/11 (segunda-feira)
Brasil x Suíça - 13h
Camarões x Sérvia - 7h
02/12 (sexta-feira)
Camarões x Brasil - 16h 
Sérvia x Suíça - 16h

Grupo H
Portugal (8º)
Uruguai (13º)
Coréia do Sul (29º)
Gana (60º)

Da repescagem diretamente para o pote 1 do sorteio, Portugal deu caldo verde para azar, mas calhou-lhe um grupo que, se não promete facilidades, tem o mesmo condão de obrigar-lhe a estar em alto nível desde o início para não registrar uma nova campanha decepcionante pelo material que tem, ainda mais tendo a concorrência do Uruguai, que despachou a turma da caneta na orelha ainda nas oitavas-de-final na Rússia. Com Cristiano às portas da sua quinta Copa, tem uma defesa cujo eixo central ainda depende do interminável Pepe, mas formaria dois ou até três times muito competentes do meio para a frente. Talento não falta e quase todos atuam nas grandes ligas. O que falta é Fernando Santos encontrar uma forma para privilegiar um dos elencos mais fortes do mundo. Com a faca no pescoço e contra as inferiores Turquia e Macedônia do Norte, conseguiu. Em todo caso, não é bom duvidar de quem tem, além do CR7, Rúben Dias, Bernardo Silva, Diogo Jota, João Cancelo, João Félix, João Moutinho e Bruno Fernandes, só para ficar em alguns. Quem quiser desdenhar também pode, afinal, só quando chegou às semifinais é que Portugal venceu mais do que um jogo por Copa que disputou. Convenhamos, é um retrospecto fraquinho para quem tem o cartaz que tem.

A grande história desta chave, porém, é o reencontro entre Suárez, provavelmente em sua última Copa, e Gana. Para quem não sabe - o que seria imperdoável - ou não se lembra, os ganeses estiveram às portas de serem os primeiros africanos a chegarem às semifinais da Copa, em 2010. Para isso, bastava o craque do time, Asamoah Gyan, converter o pênalti que Suárez cometeu ao meter a mão na bola praticamente em cima da linha no último minuto da prorrogação. Ele acertou o travessão, o Uruguai venceu noa pênaltis com cavadinha do Loco Abreu e Luisito tornou-se herói nacional.

Heroísmo à parte, o Uruguai renasceu após estar praticamente desenganado nas Eliminatórias, quando trocou o lendário Maestro Óscar Tabárez, desde 2006 no cargo, por Diego Alonso e vencer os quatro últimos jogos. Há os intermináveis e perigosíssimos Cavani-e-Suárez, além do superbeque Godín, mais uma série de grandes nomes abaixo da casa dos 30 anos, como os zagueiros Araújo e Gimenez, o lateral Viña, os meio-campistas Torreira, Betancur, Ugarte e De Arrazcaeta, além da máquina de gols Dárwin Nuñez, que deve herdar a camisa 9 - ou a 14 - após o Mundial.

A Coréia do Sul, que não havia feito nada que prestasse em Copas até co-sediar a de 2002 e ser levada pela arbitragem até a semifinal, tem o espetacular Son, do Tottenham, como grande nome da história do futebol sul-coreano, e tem o apoio de Hwang, do Wolverhampton, para que não se diga que o camisa 7 joga sozinho. Ok, Kim, do Fernerbahçe, não é de se jogar fora, mas não parece ser o suficiente para que Paulo Bento possa levar o país ao menos a igualar 2010, quando caiu nas oitavas-de-final.   

O mesmo fado deve ser cantado pela seleção de Ganaque não esteve na Copa da Rússia e precisou eliminar a favorita Nigéria no gol qualificado para voltar aos mundiais. As Estrelas Negras, que de estrela mesmo só têm o Thomas Partey, do Arsenal, além dos bons Djiku, zagueiro do Strasburgo, do meia Kudus, que defende o Ajax, e de Afena-Gyan, "descoberta" de José Mourinho na Roma, não devem fazer muito mais do que sonhar com uma vitória contra os asiáticos do grupo e, porventura, atrapalhar os planos de portugueses e uruguaios. 

Palpite do editor: apesar da possibilidade de zebra aqui ser considerável, não dá para não imaginar Portugal e Uruguai chegando às oitavas. A saber, quem estará no caminho do Brasil. A aposta aqui é que haverá clássico sul-americano valendo vaga para as quarta-de-final.

24/11 (quarta-feira)
Portugal x Gana - 13h
Uruguai x Coréia do Sul - 10h
28/11 (segunda-feira)
Portugal x Uruguai - 16h
Coréia do Sul x Gana - 10h
02/12 (sexta-feira)
Coréia do Sul x Portugal - 12h
Gana x Uruguai - 12h

sexta-feira, 1 de abril de 2022

PORTUGUESA - Só falta um poucochinho, Lusa

Ok, perdoe a dancinha mal lograda. O time tem cara e jeito de
 que está pronto para subir (Ronaldo Barreto/NetLusa) 

Ao vencer o Primavera em uma partida com mais segurança do que brilho, pelas quartas-de-final do Paulistão A2, a Lusa ficou a um adversário de voltar à elite. Esta é a boa notícia. A ótima notícia é que o time parece estar pronto para isso. Quem tem acompanhado este blog tem visto que uma das suas preocupações (a maior delas) era a Portuguesa chegar ao mata-mata nas melhores condições físicas e psicológicas possíveis para os jogos de caráter decisivo.

Como também já foi apontado aqui, há um tabu a ser quebrado, o de o líder da primeira fase não subir. Afunilando um pouquinho mais, é possível ver que todos os que chegaram ao mata-mata com a melhor campanha caíram nas semifinais. Todos, sem exceção. E isso pode ser um indicativo de que pode ter havido um descuido na preparação em que o jogo a jogo foi tão importante quanto chegar bem à fase aguda.
Não é assim.
Desde que o mundo é mundo e o futebol é futebol, o torcedor não compreende que é possível, provável e até desejável que exista uma oscilação. É uma questão física. Deve haver espaço para tensionar, afrouxar, soltar, maturar. Lutar contra isso é querer evitar que as ondas quebrem no mar. Elas quebram como o torcedor torce, cobra e fica feliz quando os resultados positivos acontecem.
É o verbo correto a ser usado quando se trata da relação com o torcedor: acontecer. Para quem planeja o dia-a-dia e tem a obrigação de saber como as coisas funcionam – ou emperram, pois é necessário conhecer também os fatores que dificultam o processo -, o verbo é outro: resultar. As coisas acontecem simplesmente porque acontecem e resultam porque existe uma série de condições com poder de interferência direta. O acaso é um deles.
E o acaso é o único que foge ao controle. O papel dos envolvidos é diminuir ao mínimo possível o poder de interferência da sorte e do azar. E isso só é possível com domínio dos processos, poder de síntese e de transmissão deste conhecimento, trabalho e apoio.
O preparador físico Kaio Soares disse ao NETLUSA que o elenco atingiu o ápice físico, técnico e psicológico, exatamente como era preciso. Em um campeonato tão nivelado como este, detalhes da preparação podem significar o tal controle maior ou menor sobre o impacto de um erro individual, de uma marcação equivocada do árbitro, de um único lance fortuito em uma bola parada. Enfim, do acaso. E é exatamente isso o que pode representar o passo que falta para que, sete anos depois e milhas e milhas distante, a Lusa volta para casa.
Texto originalmente publicado no NETLUSA

quarta-feira, 30 de março de 2022

PORTUGAL 2 X 0 MACEDÔNIA - Seja bem-vindo, Bruno Fernandes

Ok, não era preciso sofrer tanto, mas já que foi este o fado, cantâmo-lo como sempre. Foi a terceira repescagem das últimas quatro Eliminatórias e, pela necessidade, Portugal mostrou mais talento, com marchinhas e bailaricos, em vez do fado sofrido, que é tradicional. E assim manteve o pleno para estar pela sexta vez seguida no Mundial!

Com um meio-campo leve (o mesmo que venceu os turcos), a proposta era ir para dentro desde cedo pra evitar que os macedônios colocassem correria, mas a marcação alta dos de Blagoja Milevski encurtou os espaços dos pés pensantes portugueses, colocando no jogo velocidade e intensidade que a Turquia não fez, chegando de maneira mais consistente no campo de ataque.

Como o jogo é disputado por humanos, o afã inicial foi passando e Portugal, tendo a bola no chão e talento para fazê-la rolar a seu gosto, passou a frequentar a intermediária cm mais frequência. Para ajudar, Stefan Ristovski, que disse na coletiva que tinha um pouco de português, foi um dos nossos de coração e deu uma cruzada de bola que não seria capaz nem nos seus piores dias de Sporting, e olha que foram muitos. Bruno Fernandes interceptou, tocou para o CR7 e se colocou para receber do capitão, que atraiu dois marcadores e devolveu com a doçura de um pastel de natas para o 11 abrir os serviços e estabelecer o placar com o qual as representações foram para o balneário.

No segundo tempo, precisando do resultado para operar um novo milagre, a turma dos Balcãs adiantou a marcação para novamente acelerar o jogo e reeditar as condições do início da partida, com até sete de branco no campo de ataque. Como aconteceu naquele jogo em que roçou o miserável com a Sérvia e que enviou os lusos para o purgatório da repescagem, Portugal errava passes nos poucos espaços que tinha. Contra os vizinhos dos macedônios, os de Fernando Santos não conseguiram encaixar um contragolpe. Mas ontem havia Pepe.

Aproveitando-se da leveza lusa, a Macedônia, que subia com quatro no meio e três na frente, projetou-se com seu melhor jogador, Bardhi, que tinha Miovski e Churlinov entre os zagueiros. Neste momento, Danilo e Pepe fecharam a porta a Miovski e Nuno Mendes afunilou para inviabilizar o passe para Churlinov. Cancelo baixou para apoiar Danilo e Pepe, à perfeição, tirou a bola de Bardhi. Bruno Fernandes puxou o contragolpe, limpou para Bernardo Silva e se mandou contra os desarrumados macedônios. A bola andou pelos pés de Otávio e do apagado Diogo Jota, que encontrou Bruno Fernandes livre à frente do goleiro. O passe foi para os pés do 11 e, de lá, para coroar o futebol leve e solto de uma seleção que, quase não a tempo, entregou o futebol que lhe é exigido. Aquela seleção rude e carrancuda deu lugar a um time com ideias arejadas e, empolgação à parte pela classificação sofrida, chega com a moral renovada e com novos nomes para fazer muito.

No fim das contas, um caminho sem margem de erro obrigou Fernando Santos a abandonar o pragmatismo de um time engessado. Deixe-nos sonhar, mister.
Diogo Costa: poderia ter resolvido umas palavras cruzadas no meio do jogo;
João Cancelo: o melhor lateral do mundo (nas duas, Fds!) não poderia ficar fora da Copa;
Pepe: é o tipo de jogador que você ama se joga no seu time. Joga no time do meu avô e na minha seleção. Então, EU TE AMO, PEPE!
Danilo: Rúben quem?
Nuno Mendes: não atrapalhou, o que é um grande avanço!
João Moutinho: que belíssimo trinco nos apareceu, João!
Otávio: nem me lembrei que joga no Porto. Que achado! Obrigado, Brasil, por deixar para nós!
Bruno Fernandes: belíssima estreia na Equipa de Todos Nós;
Bernardo Silva: brilhante até quando não apareceu. Não tem nenhuma Bola de Ouro? Azar da Bola de Ouro!
Diogo Jota: olha, pá... estamos na Copa e meu humor está ótimo. E ajudou seu passe teleguiado para o golo que mais pareceu um bilhete para o Catar. Mas mais uma partidas dessas, ai ai ai!
Cristiano Ronaldo: o dono desta caralha toda! Irá à quinta Copa, será o primeiro a marcar em cinco diferentes e entrará entre os 10 maiores marcadores. Tudo isso sendo campeão do mundo! E que vá pro caralho quem duvidar!
Reservas que entraram: nem vi, mas estão de parabéns!
Fernando Santos: não precisávamos sofrer tanto, mister, mas agora sabes que podemos jogar mais do que o básico.
Aos que duvidaram: que vão todos pro caralho!

sexta-feira, 11 de março de 2022

PORTUGUESA - Margem de manobra

Patrick comemora gol nos acréscimos. Zagueiro anotou o
 tento da vitória lusitana (Foto: Dorival Rosa/Portuguesa)

Quem costuma ler este blog sabe que o autor alerta sobre os problemas que algumas vitórias escondem. Vencer sem saber como é o primeiro passo para deixar de vencer. Da mesma forma, jogar bem não garante necessariamente o resultado imediato, mas é um indicativo de que, a longo prazo, as vitórias serão constantes.

O jogo com o Taubaté, porém, foi exceção. Mais que simplesmente jogar bem, a Portuguesa precisava vencer. Bem ou mal; goleando ou no sufoco; com tranquilidade ou com um gol de zagueiro aos 45 minutos do segundo tempo; tanto fazia.

Isso porque o time que deitou em todo mundo até a sétima rodada, somando 19 pontos em 21, vinha de uma sequência ruim de resultados (seis pontos de 15) e de futebol, apresentando um esgotamento físico e uma dificuldades para romper marcações. A Lusa tem sido um time estranhamente nervoso, apressado, afobado, capaz de complicar jogos teoricamente fáceis por falta de paciência para procurar por espaços.  

Como a vitória é o único alimento da confiança, era necessário vencer o primeiro dos últimos três jogos que tem com a vaga já assegurada. Melhor ainda, sem viagens e com uma semana entre as duas últimas partidas, situação inédita na competição e que pode fazer com que o time chegue nas melhores condições possíveis no mata-mata, caso seja bem aproveitada.

Por isso o time quase todo titular esteve em campo. Ainda assim, afoito, afobado, apressado para definir as jogadas e errando sistematicamente ao pé da área do Burro da Central. E tendo lapsos de lucidez somente quando a bola passava pelos pés esgotados de Daniel Costa. Mesmo perdendo um pênalti. Mesmo cansado, era a partir dele que a bola tinha critério para não bater e voltar ou ser chutada de qualquer jeito para qualquer lado.

A vitória, no futebol, deixa tudo mais leve. Vencer em momentos-chave, como o jogo de ontem, pode significar a diferença entre o time chegar à fase aguda com a moral elevada ou mais pressionado que o sétimo ano seguido da Série A2 já naturalmente o faria. 

Não é essencial fechar a fase em primeiro. Já apontei neste espaço que, desde que o atual modelo de competição foi adotado (16 times em turno único, semifinal e final), nenhum líder ao cabo da primeira etapa subiu. O importante é ir para o mata-mata nas melhores condições possíveis. Este pode ser o diferencial entre o acesso e o fracasso. E outro fracasso, honestamente, a torcida da Portuguesa não suporta mais.

Texto originalmente publicado no NETLUSA

sexta-feira, 4 de março de 2022

PORTUGUESA - Os desafios da Portuguesa para chegar ao acesso

Foto: Ronaldo Barreto/NetLusa

Diz o ditado que gato escaldado tem medo de água fria, então é natural que o torcedor da Lusa esteja com uma pulga atrás da orelha não só pela derrota para o Rio Claro – a primeira na temporada -, mas principalmente pela queda de rendimento nos últimos jogos.

Com 24 pontos, o lugar na fase de mata-mata está mais que seguro e a missão dos comandados de Sérgio Soares é chegar aos jogos a eliminar nas melhores condições possíveis, física, técnica e psicologicamente. Com jogos quase de três em três dias, não é uma tarefa das mais fáceis, mas é o que há.

A gordura de pontos acumulada permite que, mesmo tendo uma baixa de desempenho considerável, a Portuguesa possa trabalhar com uma certa folga para planejar como será feita a gestão sobre os jogadores mais experientes ou desgastados do elenco. Dos 10 primeiros colocados, que, efetivamente, brigam pelo acesso com mais seriedade e que devem preencher as oito vagas do mata-mata, a Portuguesa tem a terceira maior média de idade (27,6 anos), atrás somente de São Bento (30,3) e XV de Piracicaba (28,5). Outro ponto importante é que, ao lado do Linense, a Lusa é o time que fez mais jogos no período da manhã. Foram três jogos sob o sol escaldante do interior paulista.

Se pensarmos que estamos no início da temporada e que os times estão longe do melhor da forma física, isso pesa bastante. O time-base da Portuguesa (Thomazella; Luís Ricardo, Luizão, Patrick e Eduardo; Marzagão, Tauã e Daniel Costa; Gustavo França, Caio Mancha e Luan) tem uma média de 29,9 anos. Se considerarmos que Luizão Silva era habitual no 11 inicial até quebrar o braço, o número aumenta para 30,7.

Thomazella, Luís Ricardo, Luizão, Eduardo, Marzagão, Daniel Costa e Luan já passaram dos 30. Destes, seis jogam no meio-de-campo ou no setor defensivo, o que faz com que o elenco luso sofra um bocado não pela baixa qualidade dos jogadores, mas pela carga de jogos, viagens e treinamentos (isso quando dá para treinar) que é imposta por uma competição de tiro curto como o Paulistão A2.

O revés para o Rio Claro, time da parte de baixo da tabela, fez acender a luz amarela quanto à condição física do grupo e deixou o torcedor temeroso quanto a perder a liderança, já que o próximo adversário é o vice-líder Oeste, que assumirá a ponta caso vença. Mais que isso, o gol que sacramentou o resultado negativo aconteceu já perto do final de um jogo sofrível, quando o empate não seria mau negócio, ainda mais jogando a pedrinha que jogou. E foi um gol besta, numa saída de bola apressada e desastrada, numa trivela tão desnecessária quanto desaconselhável e que mostrou mais uma vez uma insegurança incompreensível para quem lidera um campeonato que não será decidido ao fim da primeira fase.

Ser líder não deveria ser motivo de tanta preocupação, pois desde que foi adotado o sistema de 16 clubes na fase inicial com a metade que avançar tendo que superar dois purgatórios até chegar ao paraíso da Série A1, nenhum time que terminou na primeira colocação subiu.

Ok, falar depois é mais confortável e é óbvio que o nível de confiança visto no torcida no início do campeonato voltará quando o nível do futebol for o mesmo da primeira metade desta fase porque é assim que funciona.

Retomando o raciocínio, em 2021, o Oeste não só terminou em primeiro, como fez a maior soma de pontos (36) no atual formato, mas quem subiu foi o São Bernardo FC e o Água Santa; em 2020, o mesmo São Bernardo fez 28 pontos e liderou ao fim da primeira fase, mas viu São Bento e São Caetano comemorarem. No ano anterior, o Água Santa chegou ao mata-mata como maior pontuador (31), mas Internacional de Limeira e Santo André foram para a primeira divisão. Somente em 2018 líder, Guarani, terminou a fase inicial como líder (31) e comemorou acesso e título, mas a segunda fase já era a semifinal, portanto, precisou superar somente um adversário.

Evidentemente, isso não significa que quem tiver a melhor campanha terá assinada a sua sentença de permanência nessa desgraça de campeonato, mas mostra que chegar com pernas, pulmões e cabeças em condições de brigar bem na hora do vamos ver é mais importante que ser o coelho da corrida. Ainda mais porque a única vantagem que o estúpido regulamento da competição garante a quem tem mais pontos é decidir em casa, normalmente contra times que jogam fechados até quando são mandantes.

“Bela merda”, diria meio saudoso pai.

Ele também diria “Faça bem feito para fazer uma vez só”. Então, que o trabalho no Canindé seja assim, bem feito, para que dispute só mais essa vez, para nunca mais, a maldita Série A2.

Texto originalmente publicado no NETLUSA

terça-feira, 1 de março de 2022

PORTUGUESA - O perigo das vitórias e os pés no chão

Foto: Dorival Rosa/Portuguesa
Foto: Dorival Rosa/Portuguesa

No livro Pep Guardiola – A Evolução (2017), o autor, o jornalista espanhol Martí Perarnau, fala das inspirações do treinador. No capítulo 6, ele cita um dos maiores influenciadores na mentalidade do atual treinador do Manchester City, o enxadrista azerbaijano Garry Kasparov. Segundo o grande mestre do xadrez, “ganhar cria a sensação de que tudo está bem e que a complacência é um inimigo perigoso”.

Aí o leitor rubro-verde pode perguntar: “Mas que raios isso tem a ver com a Lusa?”. Tem, e muito. A Portuguesa venceu o Velo Clube no último sábado (26) e alcançou 24 pontos na classificação, o que deve ser suficiente para já ter garantido um lugar no mata-mata que determinará os dois times que subirão à elite do futebol paulista em 2023. E venceu jogando, talvez, a pior partida nesta competição.

Noutro dia aqui mesmo eu comentei que é ótimo poder corrigir os erros enquanto o time vence os jogos, e é mesmo. Contra o Velo, um dos adversários da parte de cima da classificação e postulante ao acesso, a Lusa apresentou-se errando muito, com dificuldade para se recompor após as perdas de bola, excesso de erros de passes em todas as fase de construção e o principal: foi perdulária quando teve chances de ampliar o placar e encaminhar uma vitória tranquila.

Em vez disso, pôs-se a jeito e quase perdeu dois pontos no final, quando o enorme Thomazella impediu o gol de empate ao defender o pênalti pessimamente marcado pelo terrível árbitro da partida. O lado bom é que venceu. A parte melhor ainda é que Sérgio Soares ficou bastante insatisfeito com o que viu, em que pese o fato de o campo de jogo ser uma vergonha – em Portugal, seria classificado como um batatal -, ter um sol para cada um em Rio Claro e a maratona de jogos começar a pesar sobre pés mais esclarecidos, como os de Daniel Costa.

Os jogadores lesionados estão voltando aos poucos e Soares terá, a cada dia mais, um elenco com mais opções para dar descanso aos mais exigidos e outras formas de perfurar retrancas mais e mais fechadas, como temos visto duas vezes por semana. Mas o mais importante de tudo é o que a entrevista de pós-jogo do treinador demonstrou: que é preciso corrigir os erros e que não é influenciado pelo excelente aproveitamento conquistado ao alertar que, lá na frente, errar assim pode ser fatal.

E se tem algo que o processo de reconstrução da Portuguesa não permite é ser aplacado por alguma fatalidade, como um dia ruim do time ou do árbitro. Bola para subir, o time já mostrou que tem. Elenco, também. Mentalidade vencedora, então, está sobrando. Mas não dá para contar sempre com a sorte.

Texto originalmente publicado no NETLUSA