terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Conjecturas do sorteio da Copa



Os grupos para a Copa foram definidos, o que não é nenhuma novidade. Afinal, já faz 11 dias que o sorteio foi realizado. Resolvi esperar um pouco para, depois de ouvir alguns especialistas (e outros nem tão entendidos assim), tecer aqui minhas impressões.

Antes do próprio sorteio em si, o critério utilizado para definir os países cabeças-de-série foi um tanto estranho. A FIFA mudou a maneira de escolha. Para as copas de 2002 e 2006, levou em conta o desempenho nas copas anteriores e a média do ranking. Desta vez, apenas o ranking de outubro desse ano foi usado. O que não me agrada, sob aspecto algum, é esperarem a definição dos países para, só depois, decidirem o critério, para que, dentro desse critério, possam acomodar os países que melhor atendam seus anseios. Ou seja, o único critério levado em conta é não ter critério nenhum.

Deixando pra lá os aspectos "técnicos" do sorteio, vejamos como ficaram os emparelhamentos: Sendo África do Sul, Argentina, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Itália, Brasil e Espanha os cabeças-de-série, dois deles seriam "agraciados" com a companhia de França ou Portugal, seleções que, apesar de se apurarem apenas na repescagem, têm a pecha de favoritos estampada na camisola. E tal sorte coube aos anfitriões sulafricanos e ao Brasil, respectivamente.


Terão vida fácil, na primeira fase, Inglaterra, Itália e Espanha, que não enfrentarão adversários capazes de atrapalhar seus caminhos. Nas oitavas, serão outros quinhentos. Caso apurem-se na ponta, como se espera, os ingleses poderão ter pela frente as perigosas Gana ou Sérvia, a Itália, por sua vez, deverá enfrentar Camarões ou Dinamarca, que possuem bons times e a Espanha teve a "sorte" de esperar pelo segundo colocado do "Grupo da Morte", que poderá ser Brasil, Portugal ou Costa do Marfim.


Os donos da casa, comandados pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, têm tudo para estrarem para a história dos mundiais como o primeiro país-sede a não avançar à segunda fase, pois fazem-lhe companhia, no grupo A, México, que sempre é uma incógnita e os campeões mundiais Uruguai e França. Nuestros hermanitos argentinos terão um grupinho chato, mas devem superar sulcoreanos, gregos e nigerianos, que se engalfinharão pela segunda vaga. Aí, nas oitavas, a vida mansa da equipe de Don Diego Maradona acabará, pois terá pela frente o segundo do grupo A.


A Alemanha, atual vice-campeã europeia, caiu num grupo difícil, com Sérvia e Gana, mas deverá passar, mesmo com dificuldades. Já nas oitavas, enfrentará o segundo colocado do grupo do English Team, que pode ser Estados Unidos, Argélia ou Eslovênia. Ou seja, os germânicos deverão avançar sem maiores problemas, aos menos até às quartas. Da mesma forma a Holanda, que terá adversários indigestos logo de cara (Camarões e Dinamarca), mas nas oitavas terá os pouco cotados Paraguai ou Eslováquia, do grupo da atual campeã, a Squadra Azzurra.


Agora, a briga de foice, mesmo, será no grupo G. O Brasil é o grande favorito, é claro, a ficar não só com uma das vagas como deverá ser o primeiro do grupo. Mas considerar que pode até cair diante de Portugal ou Costa do Marfim não é, ao meu ver, nenhum absurdo. Quem passar em primeiro deverá chegar sem percalços aos quartos-de-final, pois pegará, possivelmente, Chile ou Suiça.


Ainda sobre o grupo do Brasil, andei ouvindo por aí uns comentários bastante entusiasmados que, segundo os quais, o Brasil passará sem sustos e são os adversários que devem se preocupar com o Brasil, e não o contrário. Alguém aí lembra o que o Zagallo disse na véspera da semi-final da Copa de 1974? "Não estou preocupado com a Holanda, Somos tricampeões. Eles que têm que se preocupar com a amarelinha." Dias depois, estávamos disputando - e perdendo - o terceiro lugar com a Polônia, de Lato e Zmuda.



Claro que, se acaso algum dos favoritos derrapar, tudo o que foi escrito não servirá para nada, a não ser para que eu me lembre de não fazer previsões. Aliás, eu mesmo disse que não mais as faria, mas quem é que resiste?


Agora sim, é só esperar pelo dia 11 de junho e já ir tratando de providenciar a cerveja e a carne para o churrasco ou, no meu caso, pisar as uvas, colocar o bacalhau de molho e comprar as sardinhas e os tremoços.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Goleiro de queimada

Lamentável, vergonhosa, patética. Estes adjetivos cabem perfeitamente na (ou na falta de) atitude corintiana na reta final do Campeonato Brasileiro. O time parou. Não joga mais, não tem uma gota de sangue. Desde o jogo contra o Avaí só está em campo de corpo presente, nada mais que isso. Ontem, então, foi um escárnio.

A contusão do Ronaldo foi, no mínimo, esquisita. Quase previsível. O desdém corintiiano deu nojo. Mas nada se compara à atitude do goleiro Felipe, no momento do pênalti.

Nunca vi isso. Um goleiro esquivar-se da bola? Seria mais digno se tivesse ficado parado, no pé da trave, e recusado-se a tentar pegar o pênalti. O pior de disso tudo é que esse tipo de comportamento não é de se estranhar, em se tratando do guardarredes corintiano.
ESCÁRNIO Goleiro corintiano só faltou se esquivar da bola. Felipe
 se recusou a tentar a defesa (Fernando Pilatos/Gazeta Press)


Felipe atenta contra a tradição de grandes goleiros negros na baliza alvinegra. Gilmar (dos Santos Neves), Jairo e Dida que o digam. Não me espanto por ele não ter deixado saudades por onde passou, seja no Vitória, Portuguesa ou Bragantino.

Assim, caso sua carreira no futebol não seja longa, pode se destacar jogando o esporte que mais combina com o estado atual da sua imagem: queimada.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma grande quimera

Virou moda, dentro do futebol brasileiro, a transferência de responsabilidade. Ninguém assume nada. É mais cômodo "jogar para a torcida" do que assumir a própria incompetência. E esta atitude nada louvável está em todos os níveis.

No domingo, mesmo, o Botafogo venceu o São Paulo, mesmo tendo, ao fim da partida, três jogadores expulsos. Com correção, diga-se de passagem. Foi um jogão! Apesar da vitória, o comandante alvinegro Estevam Soares foi choramingar ao pé do apitador do jogo, o ótimo Sandro Meira Ricci. Foi reclamar o quê, exatamente? As três expulsões foram merecidas, ora. Em vez disso, deveria o senhor Estevam ir ao vestiário e dar aquela bronca no time. Mas não. Preferiu reclamar.

Temos casos aos borbotões. O Luxemburgo é assim. O Leão é assim. O saudoso Telê Santana era assim. O Mano Menezes, do Corinthians, é pior que todos os outros juntos!

Para não ficar só nos treineiros, vejam o zagueiro Ronaldo Angelim, do Flamengo. Foi reclamar do excesso de garra do Goiás. Levantou a hipótese de o time esmeraldino ter recebido um "incentivo extra", digamos assim. Num português bem claro, a "mala branca". Ora, o Goiás não almeja mais nada no campeonato e o Flamengo luta (com as bênçãos do STJD) pelo título. Quer incentivo maior que esse? Se o beque rubro-negro admite que o adversário poderia estar sob efeito do suborno branco, assume, mesmo indiretamente, conhecer do assunto. Agora, assumir que seu time foi incompetente pra ganhar de um adversário que apenas cumpria tabela, isso são outros quinhentos, como diz meu pai.

Para que não digam que estou sentado no próprio rabo, não isento a diretoria da Portuguesa no referido assunto. Depois de ter perdido, vergonhosamente, o acesso mais fácil de todos os tempos para a Primeira Divisão, resolveram acusar o Guarani de ter escalado um jogador de forma irregular. Trata-se do atacante Bruno Cazarine, que, segundo a diretiva lusa, não poderia jogar pelo Bugre por este ser seu terceiro time na mesma temporada, o que é proibido pela FIFA. Acontece que a Portuguesa tem um jogador, aparentemente, na mesma condição, o centroavante Zé Carlos. Ele jogou, antes da Lusa, no Paulista e no Cruzeiro, ainda em 2009. Ainda se fosse um Careca ou um Amoroso, daria pra entender. Mas o Bruno Cazarini? Faça-me o favor, presidente Da Lupa!

Concordo que, caso haja alguma irregularidade, o responsável seja punido. Afinal, deve-se respeitar as leis do jogo, e estas incluem as normas para a inscrição de atletas. O que não pode passar batido é o fato de que a Lusa só está fazendo esse estardalhaço todo porque foi incompetente, o que não é nenhuma novidade, aliás. Assumir isso? Quimera, uma grande quimera.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quem se responsabiliza?

Terminou o sonho do acesso da Portuguesa à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Mesmo com a vitória contra o campeão por antecipação e cheio de má-vontade Vasco, no Maracanã, as chances de chegar à última jornada ao menos com chances remotas acabaram-se com a vitória do Atlético goiano sobre o Juventude, na serra gaúcha.

Fica a pergunta, como sempre: de quem é a culpa? Aliás, não é a única questão a ser respondida. O quê faltou? Por que, mesmo com a segunda maior folha de pagamento e talvez o melhor elenco entre todos os times, não foi alcançado o acesso?

Raça não faltou, em momento algum. O problema é que a Lusa abusou do direito de errar. Não tivesse um time tão bom teria caído para a Terceira Divisão, tamanha a desorganização. O ano todo ficou marcado pelas besteiras da diretoria e pelo quase. No Paulistão quase foi às meias-finais, perdendo a vaga para o Santos por conta do saldo de golos e de um pênalti muito esquisito a favor do Peixe, no finalzinho do jogo com a Ponte. Trocaram o treinador após a primeira jornada, defenestrando a pré-temporada. Veio o Mário Sérgio, que, bem ou mal, recolocou a equipa no caminho das vitórias. Como ele não dava ouvido à voz que vinha da bancada, foi fritado feito bolinho de bacalhau, sendo substituído pelo Bonamigo.

O gaúcho vinha fazendo também um belo trabalho. Talvez isso tenha incomodado a torcida, que também o criticava. Por quê? Quem é que sabe? A principal (des)organizada da Lusa não se satisfaz com nada. É uma meia dúzia de três ou quatro moleques mimados que fazem a crítica pela crítica. Se o time joga mal, gritam "raça! raça!". Se joga bem e, mesmo assim, perde, bradam "raça! raça!". Tudo é motivo pra pedir raça, falte ou não.

Inexplicavelmente, a diretiva rubro-verde cedeu aos apelos dos burros das bancadas e trocou o comando, de novo, da equipe. Veio o Renê Simões e deu no que deu: três jogos, um ponto e uma confusão enorme que culminou na saída dele, Renê, do meia-atacante Edno e até na interdição do estádio luso.

Aí foram buscar o Benazzi, que saiu escorraçado do time no ano passado. Um ano depois foram buscá-lo de volta, no desespero de tentar ainda o acesso. Quer dizer, um ano inteiro jogado pela janela. E por quê? Pra satisfazer o ego da "torcida"?

Enquanto a Portuguesa acolher essa gente, que tem a sede dentro do próprio clube, sofrerá sua maligna influência. O papel do torcedor é torcer, sempre, e cobrar quando for necessário. Não cabe a ele interferir nas decisões da direção. Torcedor, além de não ter preparo para tal, é um apaixonado pelo clube, e quem é movido pela paixão só faz besteira.

Confesso que estou chateado. De momento, minha decisão é não por os pés no Canindé enquanto não tirarem de lá a sede da torcida organizada. Como torcedor não tem vergonha na cara, e eu, antes de qualquer coisa, também sou torcedor, pode ser que, já no primeiro jogo em casa, eu apareça. Espero que não.

Agora é hora de por a cabeça do lugar e já começar a planejar o ano que vem. De preferência, longe da torcida, que só atrapalha. E com o Benazzi no comando, pois ninguém melhor que ele irá aceitar a missão de levar a Portuguesa de volta à elite.

Quanto aos culpados, não me resta dúvida alguma: é a diretoria, que aceitou as pressões da pseudo-torcida. O presidente Mané da Lupa tinha que ter pulso firme e bancar o treinador, fosse quem fosse. E que os imbecis que ficam puxando aqueles corinhos ridículos atrás das balizas sejam expurgados das alamedas do Canindé. De uma vez por todas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O fim do sofrimento (e dos palpites)

Terminaram as longas Eliminatórias para a Copa de 2010. Por um equívoco deste que vos escreve, esqueci que ainda haviam três vagas a serem disputadas no continente africano. Justo a África, o quintal da próxima Copa. Lá, Costa do Marfim e Gana, além da África do Sul, o país-sede, já estavam garantidos. Classificaram-se, no último dia, Camarões, que volta aos mundiais, Nigéria, que também ficou de fora da festa na Alemanha e entrou graças ao tropeço inesperado e inexplicável da Tunísia, dirigida pelo português Humberto Coelho, frente a Moçambique, e a Argélia, no jogo-extra contra o Egito, que foi uma autêntica guerra, antes da aporfia.

Na repescagem, que foi tema nesta coluna, fiz cinco previsões e um "tanto faz": apostei no Uruguai, na Ucrânia, na Rússia, na Irlanda e, é claro, em Portugal. Nova Zelândia e Bahrein nem me fizeram procurar razões plausíveis para um palpite decente. Mas como o nome "Bahrein" é mais legal para ser narrado, confesso que até torci para o time dos sultões.

Ora muito bem! Errei quatro dos seis palpites. A Ucrânia conseguiu se enroscar na retranca grega, Dois jogos e nenhum golzinho sequer; a Rússia, que eu pensei que fosse passear nos dois jogos, perdeu a vaga para a Eslovênia pelo cruel critério de golos marcados no campo adversário. Não poderemos ver o futebol vistoso do time do holandês Guus Hiddink, mas ao menos não teremos que ver a nova indumentária russa, que é horrorosa.






Já sobre a classificação dos neo-zelandeses, nem deveria contar, mas como tomei partido do adversário, entra na conta também. A França, bom, a França se qualificou "daquele jeito": derrota em casa, no tempo normal, e um golo escandalosamente irregular, já que Henry ajeitou a bola com a mão, da forma mais deliberada e descarada do mundo, antes de passar para o golo do zagueiro Gallas. Outro dia, o italiano Gillardino tomou três jogos de gancho por causa do golo de mão que marcou - e foi anulado - contra a Holanda. Ocorreu num amistoso. Quero ver se a FIFA terá peito para punir a sacanagem do atacante do Barcelona.




O Uruguai, como era de se esperar, pescou a vaga na base da raça, contra a Costa Rica, do brasileiro Renê Simões. Pouca inspiração e muita, mas muita transpiração. Teve de tudo: golo do quase esquecido Sebastian "Loco" Abreu, empate dos visitantes, que desperdiçaram uma chance claríssima no final, pelos pés de Saborio, e pancadaria, muita pancadaria. É o jeito uruguaio de jogar futebol. Na Copa, precisará de muito mais.

Portugal, por sua vez, teve o duelo mais tranquilo de todos, diante do bom time da Bósnia. Foi a única seleção que venceu os dois jogos. Na primeira partida, disputada no Estádio da Luz, perdeu um comboio de golos. No final, as duas bolas atiradas na baliza de Eduardo (finalmente um guardarredes seguro) ofuscaram um pouco a superioridade lusa. Na volta, novamente sem Cristiano Ronaldo, foi Portugal quem dominou as ações. Mais uma vez mostrou-se perdulário nas oportunidades de golo, ora com Nani, ora com Raul Meireles. Mas foi justamente numa jogada destes que saiu o tento lusitano, ainda na primeira parte: o extremo do Manchester, que havia acabado de desperdiçar uma chance clara, viu-se novamente à frente do arqueiro bósnio. Em vez de tentar o chute, rolou para o volante do Porto, que bateu seco, rasteiro no canto. Após o golo, o que se viu em campo foi a violência dos anfitriões e o destempero da torcida, que atirou pedras no relvado, acertando um dos auxiliares, além de cusparadas e vaias.



Portugal passou por todos os apuros possíveis durante o apuramento. A três rodadas do fim, ocupava a quarta colocação do grupo, estando à frente apenas das grotescas Albânia, Letônia e Malta. Hoje, classificado, ninguém aponta a Selecção das Cinco Quinas com favorita. Acontece que, mesmo sem seu principal jogador estar no auge da forma, física e tecnicamente, já acumula cinco vitórias seguidas, todas sob pressão. Ou seja, Portugal e um time maduro, que joga com seriedade e sabe o que quer.


Atrevo-me, pois, a colocar-nos entre os favoritos, ao lado de Brasil, Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e Argentina, que, exceto a "Fúria", que vive talvez o momento mais importante de sua história, nunca podem ser postos à margem numa lista de favoritos.


Pois bem. Arrisquei meus pitacos, errei a maioria (o que não é nenhuma novidade), mas acertei o que mais me apetecia. A sorte foi decidida, seja na raça, seja no apito. Agora é esperar pelo dia quatro de dezembro, quando serão sorteados os grupos. E, pra não perder o costume, "Força, Portugal!"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ame

Certa vez alguém me perguntou o que é o amor. Parece uma resposta fácil, já que todos, sejam bons ou maus, ricos ou miseráveis, alegres ou tristes, leais ou cafajestes, já experimentaram a sublime sensação de amar, mesmo que não tenham sido correspondidos.

Parece, pois, mas não é. Com precisão, quem é capaz de definir o que é o amor? Pode ser um aperto no peito, um descompasso do coração, uma dificuldade para respirar, o suar das mãos, o embargar da voz ou o rubor da face na primeira suspeita de ter sido descoberto. São meras conjecturas (ou não).

Lembro-me que, quando criança, apaixonei-me pela menina que sentava na carteira ao lado da minha, na escola. Seu nome era Fátima. Pele clarinha, cabelos cacheados e um olhar... Ah, aquele olhar! Olhos negros como a noite, mas que brilhavam feito a lua cheia. Evidentemente, nunca disse a ela. Amor infantil é assim mesmo. Você sonha, pensa nela, quer estar sempre junto, mas ela não pode saber!


Por quê? Quem é que sabe? Medo, talvez; timidez, sei lá. Até porque o amor não se explica. Sente-se, apenas, e isso basta. No amor você não escolhe. Não se ama o de melhor conduta, o de boa família, o mais bonito, o mais popular. O que determina por quem irá bater o coração pode ser a voz, o olhar, o jeito de andar ou de segurar o cigarro, ou nem isso. Conjecturas, apenas e tão somente hipóteses. Quem sabe? Ninguém, a não ser o coração.

O coração. Ah, o coração, esse matreiro! Ele não avisa, tão pouco escuta a voz da razão. É independente. Às vezes, dá uma dica aqui, outra acolá, dá uma acelerada. O problema é que a gente não dá bola, nem percebe. Aí, quando vemos, é tarde demais, pois o cupido já fez seu serviço.

Há quem diga que o tempo é capaz de entender o amor. Discordo. O tempo é o senhor da razão - reza a sabedoria popular -, e amor e razão são imiscíveis como água e óleo.

Ainda que seja, não se deve dar tempo ao amor. Ame hoje, e intensamente, sem querer nada em troca. Ame o sol, que te dá a luz; ame a lua, que clareia a imensidão da noite; ame seus pais, seus filhos e seus irmãos; ame os animais, os amigos, que são com quem podemos contar nos momentos de incerteza; ame as dificuldades, pois são elas que nos fazem dar valor aos momentos de paz; ame a tristeza, que faz a alegria ter sentido; ame a tudo e, principalmente, a Deus, que nos dá a vida e tudo o mais que podemos ter.

Enfim, apenas ame, incondicional e imensuravelmente, mesmo sem saber o porquê ou o "para quê", pois o amor alimenta os sonhos e estes são o combustível da vida.

Falando nisso: por onde andará a Fátima?

sábado, 7 de novembro de 2009

O implacável STJD

O zagueiro Danilo, do Palmeiras, foi denunciado pela procuradoria do STJD, por jogada violenta, pela falta duríssima que fez no corinthiano Jorge Henrique. Caso seja condenado, pode pegar de dois a seis jogos de suspensão e terá que ver pela TV a reta final do Brasileirão.

Até aí, seria apenas mais um caso de ingerência do tribunal. O problema é que ele, Danilo, já recebeu a punição pelo lance. Além de falta a favor do Timão, o árbitro da contenda, Héber Roberto Lopes, mostrou-lhe a cartolina amarela, por julgar que a infração tenha sido para tal. Quer dizer: o tribunal, através de recursos eletrônicos, quer interferir na decisão do juiz da partida. Ainda se ele, o árbitro, não tivesse visto, tudo bem. Agora, o árbitro viu, marcou a falta e agiu conforme achou necessário.

Desde a Copa de 94, a FIFA usa este recurso para punir jogadores que agridam adversários em campo, tendo como primícia o lance em que o italiano Tassotti fraturou, com uma cotovelada, o nariz do espanhol Luís Enrique. O árbitro não viu, mas a TV flagrou a agressão e o meia da Azzurra ficou de fora do restante do Mundial.

Em casos assim, e somente nestes casos, o uso de destes recursos é aceitável. Caso contrário, em breve, os torcedores comemorarão a contratação de advogados, em vez de craques, e teremos que esperar pelo VT pra saber quem ganhou o jogo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não se deve esconder uma lágrima

Ao longo dos anos o homem busca aperfeiçoar-se na arte da comunicação. Nos primórdios, urros, grunhidos e inúmeros gestos eram essenciais para que todos se entendessem.

Depois descobriram que poderiam representar as cenas do cotidiano através de desenhos. Foi um avanço e tanto. Daí para a escrita foi um passo.

A questão, então, era como fazer para incrementar o uso da palavra. Criamos os jornais, as revistas, a carta, o telegrama. Vieram o telégrafo, o rádio, a TV, o telefone.

Muitas ferramentas usadas na comunicação, a princípio, serviram para encurtar as distâncias. Hoje, porém, as novas modalidades de conversa, como os indispensáveis e-mails e os tão impessoais sítios de relacionamento, têm tomado o lugar do bom e velho bate-papo, do "tête-à-tête". Em alguns casos, quebram um galho danado; em outros, no entanto, tornam as relações frias, distantes, até efêmeras.

Faça o que fizer, porém, o homem não conseguirá substituir a troca de olhares, o sussurrar ao pé do ouvido, a sinceridade de uma lágrima. Lágrima, aliás, que insiste em marear os olhos deste que vos escreve. Até porque, por mais belos ou tristes que sejam os motivos para vertê-la, não se deve esconder uma lágrima.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Alea jacta est!

As Eliminatórias para a Copa de 2010 chegam, finalmente, no momento de decidir as últimas vagas. Quem pegará a raspa do tacho, como diria o grande mestre Silvio Luiz, é o que será decidido nas repescagens. São seis vagas: quatro na Europa, uma nas Américas e uma entre Ásia e Oceania.

Façamos, pois, um exercício de análise e adivinhação (é mais divertido). Começando pelo confronto já em andamento, Nova Zelândia e Bahrein decidirão, no dia 14 próximo, quem terá o direito de ser sparring na Copa. O primeiro jogo já foi uma "bela" mostra do que nos aguarda na África: um 0 a 0 horroroso, perfeito para tratamento de insônia. Não aposto em ninguém, mas como Bahrein é um nome mais bacaninha de ser dito...

Nas Américas, Costa Rica e Uruguai farão um duelo interessante. A equipe caribenha, dirigida pelo bigodudo Renê Simões, tinha o passaporte aberto, quase carimbado. Vencia os estadunidenses por 2 a 0, mas permitiu o empate, no último lance, cedendo a vaga para Honduras. Seu adversário, o Uruguai, conseguiu a vaga graças ao Chile, que bateu o Equador e evitou a precoce eliminação dos nossos vizinhos do sul. Como camisa ainda pesa em jogos deste tipo, cravo "seco" na Celeste, de Lugano e Forlan.

Na Europa, quatro embates que prometem esquentar o outono do Velho Mundo: França e Irlanda, Rússia e Eslovênia, Grécia versus Ucrânia e Portugal contra Bósnia.

A França terá, de longe, a parada mais indigesta dentre os chamados favoritos. A pragmática Irlanda chegou invicta à repescagem, empatando seis dos seus dez jogos. É um time chato demais e chega sem pressão ou, pelo menos, sua pressão é bem menor. A favor dos galícios pesa apenas a camisa, pois os Bleus ainda não pegaram no breu, ressentindo-se, ainda, da falta do maestro Zizou. Aqui, creio que a zebra vista-se de verde e a Irlanda passe.

Rússia e Eslovênia tem tudo pra ser um duelo legal. São duas escolas parecidas - a soviética e a iugoslava -, mas, ainda assim, o time dirigido pelo ótimo Guus Hiddink deverá passar sem sustos, e veremos Arshavin e cia. na Copa.

Grécia e Ucrânia deve ser outro teste de paciência. Fora dos mundiais desde 1994, quando não anotaram um tento sequer, os helênicos há muito não chegam tão perto da vaga. O problema é que seu time não é nenhum Apolo, e ainda terão pela frente o time do Schevchenko que, apesar de já ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, ainda impõe respeito. Isso posto, minha aposta é na Ucrânia.

Finalmente, a contenda mais esperada de todas, pelo menos por este que vos escreve. Portugal e Bósnia. É evidente como dois e dois são quatro que a Selecção das Cinco Quinas é favorita, mas não deve ter um adversário tão fácil à frente. A Bósnia conta com o atacante Dzeco, destaque do campeão alemão Wolfsburg. Além do mais, a Bósnia também vem da escola iugoslava, que privilegia o toque de bola. Pelos lados ibéricos a nau lusitana finalmente navega em águas calmas. Carlos Queiróz parece ter dado feições de equipe para uma esquadra outrora soberba, que agora age e joga com humildade, como deveria desde o início. A despeito do possível desfalque de Cristiano Ronaldo, minha aposta é em Portugal, com alguns sobressaltos, mas a vaga será nossa!

Enfim, a sorte está lançada. Agora é esperar pra ver quem carimbará o passaporte.

Maradona, imprensa e palavrões

* por Humberto Pereira da Silva

A Argentina, de forma dramática, se classificou para a Sulafricana Copa-2010. Venceu o Uruguay em Montevideo. De Maradona se pode fazer uma pergunta: é um bom técnico? A resposta quase certa: não! Mas não custa lembrar: a Argentina não estava bem nas Eliminatórias com o antigo técnico e por isso "El Pibe" foi chamado. Com ele, os argies estarão na Sulafricana Copa-2010.

Não custa lembrar, também, que desde 90 os argies não vão além da segunda fase de uma Copa. Se passarem da primeira, Maradona não terá feito menos que outros nessas duas décadas. Ou seja, por capricho, não sendo exemplo de estrategista ou algo parecido, Maradona pode fazer mais do que dele se imaginava capaz. Sem ele, não se imaginava a Argentina na Copa ou, nonsense, não haveria razão para troca de técnico?

Mas e a imprensa? Na entrevista depois da já mítica batalha no Centenário, Maradona esbravejou e ouviu do repórter a pergunta: "você não pode ser criticado?" A reposta dele foi de teor moralizante: "crítica, sim, mas não desrespeito". Certo, mas a pergunta do repórter, que vale para muitas situações no futebol, tem outros atalhos. Crítica supõe subserviência do criticado à crítica? Se sim, trata-se de um jogo de aparências e calhordice do crítico. A tentativa de defesa é entendida como intransigência: Eu, crítico, estaria certo nas críticas se perdesse, como não foi o que ocorreu, estou igualmente certo. Se o jogo é assim, apenas por se entender como cordeiro o criticado aceitaria as críticas. 

Outros técnicos são cordeiros, Maradona, antes de ser técnico, é um personagem que não aceita a condição de subserviência a regras que lhe são impostas. Por aqui, um vice como o de 98 é visto como fiasco, numa derrota como a de 2006 bodes vão para o sacrifício e nenhuma voz de Zagallos e Parreiras. Maradona faz bem, nos tira da pasmaceira. Não há porque bater leve em quem entra para quebrar a perna. Esse tem sido o papel da imprensa lá, como aqui. Mas aqui nossa lhaneza, como diria Sergio Buarque de Holanda, nos leva a aceitar numa boa. Falta-nos alguém com espírito Maradona.

Pode-se, no entanto, criticá-lo pelos palavrões: chupem! chupem! Sim, mas também aqui deve-se matizar a coisa. É incivilizado esbravejar no trânsito, no trânsito caótico que leve os mortais ao extremo do estresse...; mas, como diria Fernando Pessoa, "isso acontece com tanta gente que nem vale a pena ter pena da gente". Como reles mortais, não vamos querer que Maradona se comporte como nós. Ou, num mundo que se preza por apagar as diferenças, nós, os críticos, nos achamos deuses? Alguns, como Maradona, são diferentes das estrelas... E os palavrões no trânsito, para o padrão burguês, é apenas uma forma de nos percebermos como efetivamento somos: preconceituosos de merda!

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguém tem que ser

Que o Campeonato Brasileiro está equilibrado, ninguém duvida. Que o campeão só será conhecido bem no finalzinho, também. Agora, achar que isso garante o bom nível da competição, não dá.

Desde o ano passado, quando o Grêmio não quis ser campeão e o título caiu no colo do São Paulo que, por acaso, passava por ali, não temos um time indiscutivelmente superior. O Palmeiras faz o possível para não ser campeão; o São Paulo parece que não quer a taça; Inter, Atlético Mineiro e Goiás engasgam na hora "h". O Flamengo tem mística e time pra ser campeão, porém a distância para o ponteiro é grande.

Se compararmos com o futebol praticado no outro lado do Atlântico, veremos uma diferença brutal. É raro, na Europa, um time que briga pela ponta de cima da tabela se enroscar em outro time que ocupa a outra ponta. Ser goleado, então, é algo quase surreal. Já por aqui o Palestra caiu de três ante o moribundo Náutico. Pode ser até um "acidente de percurso", mas acontece com uma frequência enorme. Isso, graças ao fato de que não há muita diferença técnica entre os ponteiros para os lanternas, exceto pelo Tricolor carioca e Sport, que já fizeram o check-in do embarque para o rebaixamento.

Faltam menos de dez rodadas e a distância do líder Palmeiras para o vice líder Atlético é de quatro pontinhos. Muito ainda está por vir e ainda não dá pra "cravar seco" um campeão. O que dá pra afirmar, sem erro, é que só haverá quem levante a taça porque alguém tem que ser.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pra depois da festa

O Brasil está em festa. O Rio de Janeiro foi escolhido pra sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Pela primeira vez a América Latina receberá os jogos idealizados pelo Barão Pierre de Coubertin. Para tanto, a Cidade Maravilhosa desbancou a americana Chicago, a japonesa Tóquio e, enfim, Madri, a capital espanhola.

Motivos para comemorar são muitos: visibilidade, orgulho, prosperidade, a festa no nosso quintal. No entanto, razões para, desde já, botar as barbas de molho também existem. E não são poucas.

Assim, de partida, podemos citar os problemas estruturais da capital do Rio: trânsito caótico, transporte público ineficiente, poluição da Baía de Guanabara. Sem contar o maior dos abacaxis a serem descascados, que é a questão da segurança pública.

É evidente que serão feitos investimentos monstruosos nessas áreas. Ganha um bolinho de bacalhau quem adivinhar de onde sairá boa parte dos recursos. Quem, por acaso, disser "cofres publicos" tem, digamos, 171% de chances de acerto. E é aí onde mora o perigo.   

Os jogos estão orçados, inicialmente, em R$ 29 bilhões. Digo "inicialmente" porque, sem medo de errar, a conta ficará mais cara. Resta saber quanto. O Pan de 2007 foi orçado em cerca de quinhentos milhões de reais, mas saiu por quase R$ 5 bilhões. Quer dizer, fizeram festa com o chapéu alheio. O nosso, pra variar.
     
Não bastasse isso, outra questão que me deixa com um circo de pulgas atrás da orelha é o que será feito com o legado da Olimpíada. Durante a competição tudo funcionará que é uma beleza, pois o Brasil não passará recibo de incompetência. E depois? O que garante que os investimentos necessários para manter a cidade funcionando serão feitos?

Minha desconfiança não é gratuita. Quando a mesma Rio de Janeiro pleiteou a realização dos Jogos de 2004, prometeram despoluir a Baía de Guanabara. Como Atenas levou, não fizeram. Num português bem claro, a preocupação era com a Olimpíada, não com a cidade. É por atitudes assim que não consigo ver com olhos otimistas a feitura de eventos deste porte em países como o nosso. Deve-se primeiro arrumar a casa. Depois que estiver tudo em ordem é que se convida os visitantes. Ora, a casa deve estar arrumada, independentemente de termos visita. Se arrumarmos só por causa dos convidados, quando estes se forem a bagunça voltará a imperar.

De antemão, o que podemos ter de certeza é que haverá um salto de qualidade "nunca-visto-antes-na-história-do-esporte-deste-país". No mais, agora que a festa inicial já passou, olho vivo! Afinal, como já alertou o grande Mauro Beting, "será uma festa para muitos, mas uma farra para poucos."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Isso não é Corinthians

Jean-Paul Sartre foi um filósofo francês do século XX que, entre outras coisas, escreveu sobre a aparência e a essência das pessoas. Estudei sobre Sartre quando fiz o terceiro colegial, em 96. Confesso lembrar-me pouco sobre o assunto, mas o suficiente para fazer algumas considerações sobre o Corínthians.

O Corínthians nasceu, cresceu e agigantou-se sob a pecha de "time do povo", desde a sua fundação, no Bairro do Bom Retiro, quando era o time dos operários da capital paulista. Isso fez com que, entre outras façanhas, mantivesse uma torcida gigantesca, mesmo durante o jejum de mais de 20 anos sem títulos, entre 1954 e 1977.

O Corínthians é mais que um time. É um fenômeno social, quase uma religião.Tem adeptos em todas as classes sociais, espalhados por todas as partes do mundo. Onde houver brasileiros, haverá corinthianos. E só é o que é graças à sua fiel torcida. Ela é a força do alvinegro do Parque São Jorge. Como seu santo padroeiro, é guerreira, é valente, e nunca abandona uma batalha. E justamente agora, quando o Timão está prestes a completar um século, a torcida é posta à margem na festa?

Espantam o torcedor do estádio, majorando o preço dos ingressos; lançam camisas comemorativas, a R$ 800, cada; até cruzeiro, para comemorar o centenário, estão promovendo. E o torcedor, o de verdade, onde entra? Este não se vê mais no espelho do time. Está perdendo o vínculo. Chegaram ao cúmulo de chamá-lo de ignorante, por causa dos protestos contra o desmanche do time, neste ano.

Com essas atitudes, a direção do Timão acabará com a identificação do torcedor com o clube. Seus dirigentes o estão tornando em algo que nunca foi: um time comum que, se analisado por Sartre, este certamente concluiria que trata-se de um time que parece ser do povo, mas que não tem a essência necessária para tal.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma casa de favores

Antes de mais nada, estimado leitor, perdoe-me por insistir no assunto, mas fazem-se necessárias algumas considerações sobre o STJD.

A Portuguesa, sabe-se, perdeu o mando de campo, por três jogos, em virtude do quiproquó ocorrido nos balneários lusos após a derrota contra o Vila Nova. Não é preciso re-escrever aqui os fatos. Pois bem. O (péssimo) árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra, que prejudicou o Botafogo no jogo contra o Grêmio, foi cercado pela gente botafoguense na saída do gramado. Até aí, normal. Porém tentaram invadir seu vestiário, o que valeu denúncia por parte da procuradoria do tribunal.


O caso foi julgado e o clube da estrela-cadente solitária foi prontamente absolvido, sem maiores problemas ou repercussões. Mais uma vez o tribunal fez o preço de acordo com a cara do freguês. Ainda mais sendo o réu um time do Rio, o resultado era perfeitamente previsível. A alegação dada para absolver o time carioca é um escárnio só: o Botafogo, de acordo com o tribunal, vem sendo constantemente prejudicado pela arbitragem, portanto seria uma insensibilidade puní-lo ainda mais.

O que salta aos olhos, ouvidos e qualquer coisa que o valha é que o caso do Fogão foi muito mais grave que o da Lusa, pois envolveu gente de fora do clube, ao contrário do que houve no Canindé, que foi um assunto interno que, dada a comoção causada pela imprensa, deu no que deu. É como se, guardadas as proporções, condenassem um réu por tentativa de suicídio e absolvessem outro tentou matar alguém.

É por causa desse tipo de favorecimento que o STJD perde o pouco que resta da sua credibilidade, deixando de ser um tribunal para virar uma casa de favores.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

É muita frescura!


Essa semana, o técnico do Goiás, Hélio dos Anjos, causou uma grande polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que não trabalha com homossexuais.

Antes de cair de pau nele, vejamos o contexto dessa declaração: o Goiás, que vem fazendo uma ótima campanha no Brasileiro, curiosamente, caiu de rendimento após a chegada do atacante Fernandão. Foram duas derrotas e um empate, incluindo um sonoro 4 a 0 para o Inter, em Porto Alegre, na estreia do atacante, que foi expulso logo no início.

Aí, após a classificação do alviverde goiano, nos pênaltis, pela Sulamericana contra o Galo mineiro, alguém perguntou, na coletiva, se a queda de produção do time tinha alguma relação com um possível “ciuminho” por conta da chegada do atacante, que passou a ser o jogador mais assediado do elenco esmeraldino.

Visivelmente irritado, o treineiro respondeu que “primeiro ficam pedindo jogador experiente. Aí quando vem, começam a criticar. O Fernando sei lá o quê, que o grupo está com ciúme. Homem com ciúme de homem para mim é viadagem. Não trabalho com homossexual, não tem viado aqui no meu grupo”.

Tudo bem. ele foi um tanto infeliz, concordo. Mas só isso. Como polêmica vende jornal, já armaram um enorme furdúncio sobre o assunto. Mas vamos devagar, por favor. O que ele disse é que esse tipo de frecura não cabe nos lugares onde trabalha. Não falou que os mais efeminados servem ou não.

Portanto, senhores, calma lá. Até porque, com essas polêmicas fora de propósito, o futebol, que já está cheio de não-me-toques, fica ainda mais chato.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dunga, Muricy... tacticas, tecnicas e voz da galera

* por Humberto Pereira da Silva

Anno passado, por essa dacta, depois de emppates seguidos com Peru, em Lima, e Bolívia, no Maracanão, Dunga era uma das personnas a que mais a ira brazuca se lançava: o defenestramento era questão de TEMPVS. Só não quedou porque, nobre ironia, uma combinação de resultados colocou o SCRETCH em segundo nas Eliminatórias.

Enquantto isso, no Brasileirão, time de Muricy, numa arrancada sem precedente, saiu de posição intermediaria e arrebatou o primeiro TRI em qualquer competição na história sãopaulina. No final do anno, como recomenda o SKRIPT, loas e manifestos pela substituição de Dunga pelo mannanger Tri. Tudo bastante conveniente e convencional; bem ao gosto e deleite da voz da galera.

"TEMPVS FUGIT...", diz bordão de reclame de Banco antigamente; "e a poupança... vai ficando numa boa". E, pois é... Segredos do tempo. Anno depois, seleção canarinho impõe humilhante derrota aos argies, com Messi e cia., nas phronteiras internas do curral portenho, se classifica para a Sulafricana Copa-2010, com 3 rodadas antes - feito inedicto - e o ranzinza e irônico Dunga quase vira unanimidade: é engolido, por ora (segredos do tempo...), pelos carrascos d´outrora.

Muricy, sim? Sorte igual não teve. Os deuses d´ontem o abandonaram no Paulistão e na Libertadores e o antes ovacionado foi escorraçado do TRI-brasileiro. Daí, numa transação de dictos e desdictos, foi parar no rival Palestra, que também escorraçou o perphormatico Luxemburgo (um interregno com o minimum Jorge...). Hoje, no Palestra, que desponta entre prováveis ao título brasileiro 09 - quarto seguido do ex-sãopaulo - muitas desconfianças, por ora, no arrazoado palmeirense.

PONTO PRIMEIRO. Phutebol tem caprichos insondáveis, para além de esquemmas, tacticas, tecnicas, estatisticas e memmoria. Feitas as contas, uma bola alçada na área e um Rossi, um Henry, quebra encantos e números... "É preciso estar atento e phorte..." diz a canção. A graça no esporte bretão está no singular, no ato isolado, no imprevisto, no blephe do jogador.

O técnico e sua técnica? Apazigúa, consola, grita, vocifera, teatraliza, "fecha grupos e corpos", organiza o movimento, orienta o carnaval e, sim, é responsável pelos 11 que entram e chutam a pelota no campo de batalha. Se conhece bem, digamos, segredos d´alma, se entusiasma e conhece um tanto de alquimia sem que disso se dê conta, isso se vê no time em campo. Mas a trajetória da bola é o imponderável. Na hora H são os deuses no Olimpo ou em qualquer lugar que decidem; fica pra patuleia papos sobre estrategias, estatísticas, tacticas...

SEGUNDO PONTO. Bom técnico é o que saca o universo boleiro num momento preciso. Passou do ponto e a coisa desanda. Não há regra para isso; isso não se repete como uma ciência. Cada momento é um acontecimento e só. Nesse sentido, o iracundo Dunga sacou: "Phutebol não tem passado nem phuturo, só presente". É ótimo que se fale de tacticas e técnicas: ocupam bem nossa imaginação e revelam nossa sagacidade. Mas, é no campo de batalha que se cria a mitologia. Depois, falamos de Alexandre, Cesar, Anibal, Napoleão, Di Stefano, Puskas, Pelé, Cruyff, Maradona, Zidane, Ronaldo...

TERCEIRO PONTO. Por trás das previsões, apostas, vaticínios, torcidas, gritos, sussurros, táticas, técnicas e estatísticas, a irracionalidade e iracibilidade da galera. Tem seu quê: na idade media, louco homem era graça de Deus; mulher, ia pra fogueira.

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pitacos de um mal-humorado

Estou mal-humorado. Às vezes fico assim. Motivos eu tenho, querido leitor, e irei mostrá-los a seguir:

Começou com o embróglio envolvendo os acontecimentos pós jogo da Lusa, contra Vasco e Vila Nova. Fomos julgados e condenados em ambos os jogos, com duas e três perdas de mando, respectivamente. Não que eu ache que o tribunal deveria ser complacente conosco. O que me irritou, primeiro, foi o Canindé ser interditado preventivamente por causa de uma versão de alguém que admitiu que poderia ter tido uma impressão equivocada, que foi o caso do Renê Simões. Acontece que criou-se uma comoção exagerada. Fomos condenados já de antemão. Ocorre coisa semelhante com o Botafogo, e não fizeram nada. Nos jogos do Náutico, no Estádio dos (não por acaso) Aflitos, fazem o diabo, com direito a intimidação policial, corredor polonês na entrada do campo e tudo o mais. Faz tempo que o Timbu se vale disso pra não cair. E não acontece nada.

Continuando meu rosário de insatisfações, o Domingos, que não é nenhum monge beneditino, quebrou a perna do goleiro reserva do Santos, Rafael, durante um treinamento. Isso lhe valeu afastamento do grupo de jogadores. Isso é assédio moral. O Domingão não faria isso deliberadamente. Parece-me que foi o motivo que o treineiro-blogueiro Luxemburgo procurava. O Edu Dracena, de quem o Luxa é fã, está chegando. Veio a calhar, então, o afastamento. Tudo muito nebuloso, como foi também o afastamento do volante Roberto Brum. E como ninguém vem a público com explicações no mínimo plausíveis, dão margem a qualquer tipo de interpretação.

Por fim, o Santo André, que está se despedindo da primeira divisão, vendeu seus jogos "grandes" pra Ribeirão Preto. E o seu torcedor, que não poderá ver os principais jogos em casa? Eles não irão para Ribeirão, a não ser os torcedores ditos organizados. Ora essa, quer jogar num estádio maior, que jogasse no Pacaembu. Agora, vender o mando por qualquer 50 mirréis, é só aumentar um pouco a proposta e combina também o resultado do jogo. O Ramalhão não disputava a primeira divisão desde 1984. Sinceramente, pra fazer o que vem fazendo, sob a batuta do presidente-proprietário (ao menos pensa ser) Ronan Maria Pinto, é melhor nem disputar.

Só não estou mais de saco cheio porque Portugal vai à Copa, Rubinho ganhou e será campeão e a Lusa voltou a ser a Lusa, assim com o glorioso Benfica voltou a ser o que sempre foi: o maior time de Portugal.

E os tremoços estão deliciosos, só para constar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ainda estamos vivos!

SOBREVIDA Golo de Pepe (à esquerda) mantém Portugal no
 páreo por uma vaga na Copa de 2010 (Estela Silva)

Foi um jogo feio. De doer. De longe, uma das piores partidas que eu já assisti, e olha que eu já vi muito joguinho duro. Mas vencemos. Isso importa. Portugal ainda vive.

Não podemos nos dar o luxo de querer jogar bonito, apesar de termos gente qualificada para isso. Aliás, esse é um dos motivos para esse sufoco todo: querer jogar bonitinho. Portugal era o espelho fiel da soberba.

Historicamente, sempre que entrou no relvado com ares de superioridade, a selecção portuguesa quebrou as fuças. Foi assim nas Copas de 1986 e 2002, quando empacou na primeira fase. Também na Euro'96, Portugal tinha um senhor time, com Figo, Rui Costa, Paulo Sousa e João Pinto em grande fase. Bastou chegar aos quartos-de-final, com direito a uma goleada sobre a Alemanha, para assoberbar-se. Resultado: eliminação frente à República Tcheca, com direito a um golo antológico de Karel Poborsky.

Quando nos vimos humildes, fomos longe. Euro 2004, Copas de 1966 e 2006. São exemplos válidos. Já no sábado, contra a Dinamarca, jogou-se um futebol duro, sério, de inúmeras oportunidades mas nenhuma sorte. Ontem, ao contrário, a sorte foi ibérica. O golo de Pepe saiu cedo, o que deu tranquilidade, mas não o suficiente para soltar o time. Ao todo, foram quatro remates, apenas.

A decisão será em outubro. Temos a Hungria, mais uma vez, na Luz e Malta, em Guimarães. Além de vencer, e bem, vale secar a Suécia contra a Dinamarca. Aí serão mais dois jogos de sofrimento, na repescagem. No entanto, com o passaporte pronto para ser carimbado.

Portanto, às armas, Portugal! Até porque não está morto quem peleja.

domingo, 6 de setembro de 2009

O drama da seleção portuguesa


Portugal segue em seu calvário, na busca de uma vaga para a Copa da África. Faltando apenas três rodadas, ocupamos a quarta colocação, com 10 pontos somados, apenas. À frente, Dinamarca, com 17, Hungria, com 13 e Suécia, com 12.

Como o campeão tem vaga assegurada e o segundo disputará a repescagem, até dá. Temos a Hungria, duas vezes seguidas, e Malta, na última rodada. O problema é que a Suécia tem as babas Malta e Albânia, além da Dinamarca. Se vencermos nossos três confrontos, teremos que torcer para a Suécia perder um dos seus. Se empatar, o saldo de golos decidirá.

O que ocorre? Jogadores bons, Portugal tem. Todos eles atuam pelas principais equipes do mundo. Até o atual detentor do prêmio da FIFA, Cristiano Ronaldo, está no time. Talvez aí esteja o x da questão.



O Puto Maravilha, como é chamado, em Portugal, é o capitão do time de Carlos Queiroz. Mas não tem o perfil de líder. Nem nos times por onde passou ele o foi. Desde que a dupla Rui Costa/Figo pendurou os tamancos, a Selecção das Quinas carece dessa liderança, dentro de campo.

Pra completar, Simão não se firma, Nani é um enganador de marca maior e Hugo Almeida é uma espécie de Souza luso. Ainda assim, esperemos pela intervenção divina. Que Nossa Senhora de Fátima olhe por nós.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

E o mar segue revolto

Que Renê Simões não é mais o técnico da Portuguesa, todo mundo sabe. Que a sua saída, após apenas três jogos, deu-se por causa da entrada de pessoas armadas no balneário rubro-verde após o revés frente ao Vila Nova, também não é novidade alguma. Agora, o que realmente aconteceu é algo que dificilmente será elucidado.




Renê saiu atirando para tudo que é lado, embora não fosse ele o detentor das armas. A mídia, de um modo geral, deu um espaço poucas vezes vistos na história deste país a algo referente às coisas da Lusa - a última vez em que ocupamos tanto espaço foi por obra e (des)graça do argentino Javier Castrilli. O meia Edno garantiu não jogar mais pela Portuguesa, embora tenha feito ainda mais um jogo, contra o Fortaleza, fora de casa.

Como consequência, o STJD interditou, preventivamente, o Canindé, até o julgamento do caso. Ora essa! Como podem tomar uma decisão dessas baseados apenas nas entrevistas do ex-treinador? E a versão da Portuguesa, não deveria ter sido levada em consideração até o julgamento? Parece-me que a decisão foi tomada graças à repercussão.

Parece-me. Apenas isso, pois na Lusa tudo é muito nebuloso. A saída do treinador Estevam Soares, após a estreia no Paulista, até hoje não foi explicada. A ida do meia Athirson para o Cruzeiro também foi estranha. Dias antes, a cúpula lusitana havia acertado a renovação do vínculo do atleta, mas na hora de assinar o que se viu foi um diz-que-diz. Os dirigentes disseram que ele havia pedido mais. Athirson, por outro lado, afirmou que mudaram as condições. Resultado: foi embora e a torcida ficou a ver caravelas.

Voltando ao quiproquó da saída do bigodudo Renê, os jogadores, comandados pelo capitão Cesar Prates, "por livre e espontânea vontade" (da diretiva lusa, presumo) deram sua versão sobre o ocorrido. Ouvido no mesmo dia, Renê desconfiou da atitude. Agora, passados alguns dias, o ex-comandante da nau lusitana admite rever suas palavras e até ajudar o ex-clube no julgamento, ainda sem data marcada.

Tudo muito nebuloso, é claro. Enquanto isso, a incumbência de enxergar o melhor caminho no revolto mar da Série-B fica por conta do Capitão-mór Vagner Benazzi, aquele que não deveria sequer ter saído no ano passado. Que a bonança chegue à nossa nau.

Mais uma casa

Amigos leitores, vocês que me aturam neste espaço, podem fazê-lo também no futnet, no blog sitedalusa e, agora, num lugar bastante especial: no blog Copeiros.
Se já fiquei grato apenas pela citação, imaginem agora, com essa oportunidade?
Este sofrido coração luso está cada vez mais feliz.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Parabéns. Ele merece.

O time está de parabéns.

Tem uma camisa lindíssima.

Esteve na segunda divisão recentemente e subiu jogando bola. E bem.

É o mais popular da cidade.

Nunca ganhou a Libertadores, mas isso não diminui a paixão de sua torcida.

E começa a contagem regressiva do centenário, pois completa 99 anos.

Merece todos os aplausos por ser o que é.

Parabéns, NOROESTE!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

E não é que colou?

O tenista francês Richard Gasquet disputará o US Open. Ele foi suspenso, a princípio, por dois anos, por ter sido flagrado no exame antidoping com traços de cocaína no organismo, após ter abandonado o Masters de Miami, em março.


Como os exames toxicológicos capilares não comprovaram o consumo da droga, a Federação Internacional de Tênis (ITF, em inglês) resolveu diminuir o "gancho" para dois meses e meio.

Até aí, nada de anormal e extraordinário. O curioso foi o argumento usado na defesa do tenista: ele teria beijado, numa boate, uma mulher que acabara de consumir a droga. Eis a razão pela qual o entorpecente teria ido parar no organismo do atleta.




Ainda assim, ele não terá vida fácil, pois estreia contra o espanhol Rafael Nadal, atual número 3 do mundo.

Que os advogados dos clubes brasileiros não leiam isso...