quarta-feira, 27 de novembro de 2019

RasenBallsport Leipzig 2 x 2 Benfica - a nova vergonha europeia

TF Images

Quando Julian Nagelsmann disse que o jogo entre o seu RB Leipzig e Benfica seria um duelo entre Davi e Golias e que os alemães eram os gigantes do confronto, houve uma gritaria em Portugal. Onde já se viu um time que está em sua segunda participação na Liga dos Campeões colocar-se tão acima do remoto bicampeão europeu?

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Mas é exatamente este o tamanho europeu do atual Benfica. Não adianta nada ser um tubarão em Portugal se, para além das fronteiras, não passar de um carapau. Já são três temporadas seguidas sem superar a fase de grupos, que irrompeu apenas três vezes nesta década, na qual a presença não falhou uma vez sequer. E são apenas quatro vitórias nos últimos 20 jogos, contando uma edição com seis derrotas.

O empate que ditou a eliminação da edição 2019-2020, por si só, nem é um descalabro. Afinal, na Alemanha, foi a primeira vez que o Benfica pontuou pela competição. Havia perdido os 11 jogos anteriores. O que faria prever uma situação diferente hoje?

Abrir 2 a 0 aos 60 minutos poderia supor a quebra de tal escrita, além de deixar os Encarnados às portas das oitavas-de-final, bastando vencer o Zenit em casa na última rodada do grupo. Mas aí pesou a inexperiência de Bruno Lage em jogos deste calibre. Foram três substituições após o minuto 80, sendo duas equivocadas e a terceira após o 2 a 2, quando mais nada havia a fazer.

Bruno Lage, que colocou o Benfica na fase de grupos ao protagonizar a improvável arrancada da época passada, errou desde o primeiro jogo da liga milionária. Escolheu jogadores errados, escalou como titulares quem sequer ficava no banco de reservas nos jogos anteriores e, esta noite, mandou a campo o avançado Caio Lucas quando a prudência mandava Florentino entrar, já que o RB Leipzig agigantou-se ao diminuir o placar ante uma equipe animicamente morta em campo, e ainda com seis minutos a contar nos acréscimos.

O jogo, mesmo, seguiu o roteiro que poderia ser comum e aceitável caso o Benfica não dependesse desesperadamente de vencer para seguir vivo. O time fechado, organizado e contra-atacando quando podia, ao passo que os donos da casa chegavam e desperdiçavam tantas quantas chances foram criadas. 

E assim foi até os 82 minutos, com 2 a 0 a favor porque Bruno Lage não inventou ao lançar no 11 jogadores menos utilizados n'outros jogos, como Tomás Tavares, Jardel e Gedson Fernandes. André Almeida, por exemplo, fez sua estreia nesta edição, e teve mais ações defensivas que a soma de Tavares nos jogos em que atuou. Até que Lage começou a promover as trocas. 

Raúl De Tomas, que acabara de entrar no lugar de Carlos Vinicius, quase fez um gol antológico do meio-campo, o que segurou o ímpeto do Leipzig por oito minutos. Esse foi o tempo em que os da Saxônia ficaram sem incomodar, o suficiente para baixar a guarda benfiquista e a desgraça se desenhar na Red Bull Arena Leipzig a partir do início dos acréscimos de nove minutos de intenso terror para os encarnados.

Quando foi preciso fazer a leitura correta da partida, Lage falhou com louvor. Primeiro, colocando De Tomas para executar o mesmo papel de Carlos Vinícius. O touro que segurava os defensores na área dando lugar a um avançado altamente técnico, mas pouco combativo, o que fez que a troca não surtisse o efeito desejado. Pizzi, melhor homem em campo, saiu para ser rendido pelo desastroso e injustificável Caio Lucas, que nem vinha sendo relacionado e, de repente, apareceu entre as opções. Ao entrar, o camisa 7 deixou o lado direito, onde Pizzi e André Almeida controlavam o jogo na medida do possível, como uma autêntica autoban, por onde o porsche alvirrubro atropelou o adversário sem a menor dificuldade. Em vez dele, se era para ter em campo um jogador que agredisse o adversário, Lage poderia ter feito entrar Gedson Fernandes, jogador com mais argumentos para fazer a função, mas que estava, por opção do mister, a ver o jogo das tribunas. Ou manter Pizzi, o melhor e mais lúcido benfiquista em campo, colocando Florentino no lugar Chiquinho, que se arrastava. 

Ao fim e ao cabo, a sensação que ficou é que, caso Bruno Lage desse à Liga dos Campeões a importância que merecia e mandasse a campo um time sem invencionices e com os melhores disponíveis a cada jogo, o Benfica teria chegado à Alemanha podendo até perder e ainda teria a chance de garantir a classificação na última jornada. 

Para deixar de ser o Bate Borisov que fala Português e assumir a tal dimensão europeia que tanto se orgulha de ter, há de ser mais ousado no mercado, contratando pés e cabeças qualificadas e experimentadas para segurarem o rojão que os verdes anos dos recém-promovidos do Seixal não permitem fazê-lo.

Não adianta planear chegar às finais com uma equipa cuja base vem do Seixal se, à primeira investida mais forte, perde os valores que mais se destacam. E só há duas maneiras de se fazer isso: pagando salários que permitam segurar os melhores jogadores; e tendo um projeto desportivo ambicioso, e que funcione na prática, coisa que o Benfica não tem. 

Vlachodimos: prolongou o sonho com defesas monumentais;
André Almeida: por que diabos não jogou antes?
Rúben Dias: o futuro melhor zagueiro do mundo mostrou por que ainda não é o melhor zagueiro do mundo ao cometer o pênalti que originou o primeiro gol alemão;
Ferro: por que diabos não jogou antes?

Grimaldo: renovou contrato essa semana. Por quê, meu Deus? Por quê?
Gabriel: fez o que podia, mas tem podido cada vez menos;

Taarabt: atuação de gala enquanto teve fôlego. Participou dos dois gols;
Pizzi: alguns já se recusaram a deixar o relvado. O Pizzi poderia ter feito o mesmo (Caio Lucas: é o menos culpado por estar em campo quando deveria estar no Benfica-B, isso se devesse estar);
Cervi: o Rafa só volta em fevereiro, né? (Jota: pfff!);
Chiquinho: esteve abaixo, mas ainda abaixo faz mais que o Caio Lucas. Suspeito que também assim era quando estava lesionado;
Carlos Vinícius: queimou minha língua pela nona vez, mas vai errar passes em contragolpes assim lá na...(Raúl De Tomas: ah, se aquela bola entra...)

Bruno Lage: só de reclamações, caberia aqui um texto maior que este. 

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