quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Sobre a má vontade, o melindre, a imprensa e o Abel Ferreira

Imagem: Conmebol TV


Vamos direto ao ponto: sabem por que Abel Ferreira sofre tanto nas mãos de parte da crítica? Porque ele incomoda. E incomoda porque, vindo de fora, põe o dedo na ferida. Erra? Erra muito, mas em tudo tem método. E parte da imprensa não suporta isso. Principalmente porque ela também é parte do problema.

Muitos dos jornalistas que trabalham no futebol, em vez de analisar projetos, cobram pelo resultado. E daí que não treina? Boa parte de quem analisa sequer entende o futebol praticado hoje, dentro dos conceitos que, pejorativamente, chamam de "futebol moderno". Aí, quando vem alguém de um lugar "que-nunca-ganhou-nada-quem-são-eles-para-ensinar-o-futebol-pentacampeão-mundial?", é pior que tomar de 7 a 1 da Alemanha em casa. A mesma Alemanha sangrou para ganhar da Argélia no jogo anterior, é bom lembrar.

Abel colabora? Opa! E como! Seu espelho é o José Mourinho, então tudo o que vemos Abel fazer, seja em campo ou fora dele, é inspirado no treinador português mais famoso. É bonito? Isso é relativo. É eficaz? Os números e os troféus mostram que é. Daí, para o debate descambar, "é dois palito". Até a vinda da Família Real Portuguesa em 1808 e seus inquestionáveis danos à cultura e à formação do povo brasileiro são citados, como se Abel tivesse alguma culpa nisso.

A exaltação ao caráter europeu e português em comparação à suposta indolência brasileira citada pelo treinador do Palmeiras na coletiva que desencadeou a última das desinteligências envolvendo seu nome não é mais que a resposta atravessada de quem é visto como inferior por não ter tido a dádiva suprema de ter nascido no país do futebol, abençoado por Deus e bonito por natureza, essa resposta mimada e infantil, comum de quem busca somente desqualificar o outro em vez de trazer pontos válidos para o debate.

Precisava? Não sei. Acho que não. Mas não se condena a reação sem colocar a ação no contexto. No fim, evoca-se a vitoriosa história do futebol brasileiro para sentar-se em cima dela e fazer de conta que nada está errado, quando a realidade é bem diferente disso. Está errado e não é pouco não. Em muitos setores envolvidos com o futebol, aí pode ser na prática, na organização ou na mídia, todos erram muito, mas nem todos estão dispostos a enxergar isso. Aí, Portugal, um país cuja população é 20 vezes menor que a do Brasil, reconhecendo suas limitações naturais, tratou de diminuir o impacto disso através de muito estudo e muito trabalho. O contingente de treinadores portugueses espalhado pelos principais campeonatos do mundo não se deu por geração espontânea ou brotamento, é o fruto deste esforço, que o PVC explica em seu blog no UOL.

Por aqui, escorados nas cinco estrelas, seguimos apostando no conhecimento empírico, no "quem-nunca-chutou-uma-bola-não-tem-que-falar-nada". E assim seguimos. Rejeitamos os ensinamentos de um português só porque é português. Sim, ao pé do Brasil, a história portuguesa no futebol é irrelevante, mas evocar nosso passado glorioso para defender o nosso jeito de pensar o jogo em relação à Europa só aumentará o oceano que nos separa.

Em outras palavras, o técnico pode fazer o time jogar feio, desde que gostemos dele. Do técnico, claro. 

E perdem todos: o futebol brasileiro, que demora para acompanhar a inevitável evolução do esporte; e o próprio Abel, que vive às turras com parte da imprensa e da torcida porque, bem, ele é assim e isso faz parte do pacote. Honestamente, não sei até que ponto compensa para ele insistir em ser esse agente transformador.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

EUROCOPA 2020 VAR para a pqp


Assim como aconteceu no jogo entre Portugal e França, quando um pênalti inexistente foi marcado e não houve interferência do árbitro assistente de vídeo, o (pouco) popular VAR, outra penalidade máxima fajuta foi marcada na Euro. Esta, que beneficiou a Inglaterra na prorrogação da semifinal contra a Dinamarca, possivelmente só facilitou a provável classificação inglesa à final, já que os dinamarqueses apenas se defendiam e o tento inglês parecia questão de tempo. No entanto, por mais flagrante que fosse a superioridade do beneficiado, o jogo não estava definido. E acabou por sê-lo a partir de um erro claro e grave da arbitragem.


Mais uma vez, o árbitro de vídeo da vez, o neerlandês Pol van Boekel, não alertou o soprador de apito da vez, o holandês Danny Makkelie, sobre a bobagem que fez, transformando em pênalti o mergulho de Sterling, o que não é novidade alguma, diga-se. Ora, se um erro flagrante - e era - não pode ser analisado por se tratar de um lance interpretativo - aqui, ó, que era -, para que caralha serve a tecnologia? A propósito, o mesmo Makkelie era o árbitro no Sérvia-Portugal em que o gol da vitória portuguesa, marcado por Cristiano Ronaldo, não valeu porque o auxiliar não viu que a bola entrou meio metro.


Antonio Mateu Lahoz, o espanhol que caiu na conversa de Mbappé no França-Portugal e que foi o único a apitar três jogos na primeira fase, era cotado para seguir apitando nas fases seguintes da Eurocopa e até na final, caso a Espanha não chegasse. O erro, que contou com a colaboração do árbitro de vídeo Alejandro Hernández, causou o afastamento da equipe de arbitragem envolvida. Agora, se muito, haverá um comunicado da UEFA reconhecendo o erro. "Bela merda!", como diria meu pai.


É para lances assim que a ferramenta foi criada, mas o tal protocolo é desastroso porque os critérios não são claros e, do jeito que é feito, acaba tornando-se uma forma de legitimar erros escabrosos, mas haverá quem defenda o ocorrido "porque o protocolo foi respeitado".

domingo, 27 de junho de 2021

PORTUGAL - sobre sorte, ambição e Fernando Pessoa

"Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, sorte se a sorte é dada", nos ensinou Fernando Pessoa sob Ricardo Reis. A sorte de Portugal é ter a geração que tem, com tantos talentos disponíveis. No entanto, no futebol, a vitória em jogos grandes é como os ramos: tens se os buscas. Portugal os buscou no segundo tempo contra a Bélgica, já quando o placar era sorridente aos adversários no chutaço do Hazard menos famoso.


Com Bruno Fernandes e principalmente João Félix, Portugal era um time mais próximo daquilo que podemos esperar. E só podemos esperar pelo sol porque há para mais que um quentinho que chegue para as oitavas-de-final pela segunda vez.

Mas para mais é preciso querer.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

EUROCOPA 2020 - Alemanha 4 x 2 Portugal - os mesmos remédios para sintomas distintos

A crônica de pós-jogo da surra que Portugal levou da Alemanha pela segunda jornada do Grupo F da Euro 2020 vem com um atraso parecido com o que Fernando Santos viu que um meio-de-campo pouco agressivo a lutar pela bola resultaria no jogo em que Portugal sofreu mais gols desde que assumiu o leme da nau lusitana. Mas nem seria preciso e, sem medo de parecer um engenheiro de obra pronta, digo ao "Engenheiro do Penta": a Alemanha não é a Hungria e, sabia-se que, desde que D. Sebastião sumiu em Marrocos, seriam eles a ter a bola e a buscar espaços. E olha que isto não faltou. Com Portugal completamente desmembrado e dando todo tempo do mundo para os pés pensantes de Kroos e Gündoğan organizarem o jogo, Joachim Löw meteu lá Gnabry e Havertz a transitar no espaço que havia entre os trincos (Danilo e William Carvalho) e os centrais (Rúben Dias e Pepe). Como desgraça pouca é bobagem, Nelson Semedo teve uma atuação para esquecer e, tendo os centrais que subirem para socorrer os (neste jogo) terríveis volantes, suas costas viraram o parque de diversões de Gosens e Müller e quantos mais comedores de chucrute aparecessem por ali. Era óbvio que não daria certo.

Nem depois que Portugal escapou do gol madrugador de Gosens por um fora-de-jogo de um intrometido Gnabry e abriu o placar pouco depois, em um contragolpe de proporções bíblicas, que começou no desvio à própria área de Ronaldo para terminar num sprint fantástico do talvez maior jogador europeu de todos os tempos, as coisas funcionaram. Afinal, os de Löw sabiam que o gol foi mais uma ação fortuita do que uma jogada que poderia ocorrer mais vezes.

Assim, trataram de aumentar a pressão e a agressividade no meio, puxaram para fora os centrais lusos e fizeram a festa nos espaços criados pelas tentativas de coberturas dos laterais, principalmente Nelson Semedo, que nunca foi capaz de confrontar, com seus 1,77m, os 1,85m - fora a impulsão em velocidade - do lateral do Atalanta, tanto que os quatro gols alemães foram marcados dentro da pequena área. E a primeira etapa terminou com a Alemanha já à frente, com dois autogolos dos azarados Rúben Dias e Raphaël Guerreiro, mas em lances em que a bola cruzou a cara do gol e terminou por desarrumar a defesa portuguesa, que dificilmente poderia fazer algo melhor.

Mal começou a segunda parte, já com Renato Sanches do lugar de Bernardo Silva, e o filme se repetiu, desta feita com a bola finalmente desviada por um pé alemão, o de Havertz. Nem houve tempo para ver o efeito prático desta alteração, tampouco da entrada de Rafa, que rendeu William, e a Mannschaft já havia chegado ao quarto gol, agora válido, de Gosens, que parecia um Porsche em cima de um AGB IPA com o motor fundido, que atende pelo nome de Nelson Semedo.

Quando parecia que o 7 a 1 sobre a Metrópole seria uma questão de tempo, Löw resolveu fazer a gestão de minutos no Nationalef. Assim, Gosens e Hummels deixaram o campo, entrando  Halstenberg e Can. Do perdido lado português, João Moutinho ocupou a vaga do inoperante Bruno Fernandes - André Silva também foi a campo, repetindo as entradas contra os húngaros -, numa altura em que a Alemanha já dava campo a Portugal, que era outro time sem a dupla de volantes e com a disposição sobretudo de Renato para brigar pela bola, dando aos campeões europeus um poucochinho da agressividade que só se via nos que usavam camisolas brancas e calções pretos.

Dos pés do jogador do Lille, inclusive, saiu a paulada de longe que acertou o poste e que poderia dar um pouquinho de emoção aos dez minutos que restavam até o fim de um jogo no qual um time que se assumiu como grande que é, venceu como quis.

Pouca coisa antes, Diogo Jota diminuiu a diferença, marcando um gol muito parecido com os quatro que Portugal sofreu e devolvendo um pouco da dignidade aos campeões, que só não estão completamente enrolados por causa do bom saldo que  amealharam na estreia e este é o primeiro critério de desempate. Pelo que apresentaram, porém, o prejuízo português poderia ser maior.

Na quarta-feira, quando voltar à Puskás Arena para enfrentar a França, Fernando Santos saberá exatamente o resultado que precisará para avançar, mas será preciso entender também que tem à disposição um time que pode muito mais do que apenas se defender quando enfrenta um adversário forte.


Rui Patrício: a última vez que havia levado quatro gols pela seleção foi na Copa de 2014, contra a Alemanha. Terá medo até de comer um eisbein;

Nelson Semedo: tive saudade do Cédric. Sabe lá o que é isso, Nelson Cabral?;

Rúben Dias: minha esperança é que raramente o Gato joga duas partidas seguidas tão ruins;

Pepe: no último jogo a doer com a Alemanha, foi expulso logo no início. Agora, não faria mal a uma mosca se ela zunisse em Alemão. Precisamos de um meio termo, pá;

Raphaël Guerreiro: "Podia ser pior. Eu poderia ser o Nelson Semedo", pode ter pensado o gajo para não achar que o jogo foi uma merda completa, mesmo fazendo um autogolo;

Danilo: dizem que viu um Porsche no estacionamento e quase entrou debaixo do autocarro da Seleção;

William Carvalho: dizem que o Danilo só não entrou sob o autocarro porque o William já estava lá (Rafa: ó, Rafael Alexandre, podias ter perguntado ao mister se era isso mesmo quando ele mandou-lhe entrar);

Bruno Fernandes: um ilusionista, pois saiu sem ter entrado (João Moutinho: não fosse pelo passe que pariu o segundo golo português, a malta teria achado que era o Bruno Fernandes. Não, João Filipe, não é um elogio. Longe disso);

Bernardo Silva: como prêmio pelo passe teleguiado no primeiro gol, saiu ao intervalo para passar só metade da vergonha (Renato Sanches: já vista o colete dos titulares no próximo treino. Nem espera pela ordem do mister. Se ele reclamar, arme um motim, mas é mais fácil, pelo sentido que tomou do jogo de Munique, que ele fale, já ao fim do treino, “escuta, aquele gajo ali na equipa titular não é o Renato?”);

Diogo J: de certa forma, foi eficaz nos oito ou nove segundos em que participou ativamente do jogo, com o golo e o passe para o golo de Cristiano Ronaldo (André Silva: praticamente a mesma coisa que o Diogo J, exceto pelo golo e pelo passe para o golo de Cristiano Ronaldo);

Cristiano Ronaldo: igualou a marca de gols de Klose, o maior marcador somando as fases finais de Eurocopas e Copas do Mundo. Também igualou sua melhor marca de golos em Euros, já que chegou a três, o mesmo número de 2012. Não adiantou coisa alguma, mas foi histórico - ou "foi histórico, mas não adiantou coisa alguma". Vai do gosto do freguês. Ou do desgosto;

Fernando Santos: se é pra perder, que seja com o mínimo de dignidade. Portanto, mister, deixe os gajos jogarem à bola, ó, caraças!

 

Foto: UEFA/Divulgação

quarta-feira, 16 de junho de 2021

EUROCOPA 2020 - Hungria 0 x 3 Portugal - bastou um golo para desbloquear

DEMOLIDOR DE RECORDES Não foi um bom dia para quem
não gosta do Cristiano Ronaldo (Foto: Getty Images)

Após duas edições a estrear sem vencer, os campeões quebraram a incômoda escrita com muita dificuldade, domínio territorial, um bocadinho de sorte e os problemas de sempre. 

Portugal fez um primeiro tempo muito engessado, previsível, com o Bernardo Silva preso na ponta, onde não rende. A Hungria jogou com cinco atrás, inclusive com os dois laterais recuados. Isso tirou largura e profundidade do jogo, forçando os campeões a rodar, rodar, rodar e tentar achar um espacinho. Fernando Santos, como era de se esperar, entrou com dois volantes - Danilo e William -, Bruno Fernandes fazendo a ligação e os três da frente com pouca mobilidade. O desenho com dois trincos - William à frente, Danilo compondo o trio como Pepe e Rúben Dias na saída de bola - é compreensível para garantir a rebarba, como normalmente Portugal fez, mas surtiu pouco efeito ofensivo para descerrar a quase hermética defesa maggiar - e até criou três boas oportunidades, mas o Diogo J fez bobagem em duas e Cristiano foi um tanto azarado na dele. 

Como é preciso ter sorte até para chupar um Chicabon, como diria Nelson Rodrigues - não me recordo de nenhuma frase de Fernando Pessoa sobre sorte -, o fado lusitano foi feliz justamente quando o jogo se encaminhava para o final. Com Rafa Silva conduzindo a bola e não tendo o obstáculo de ter que trocar o pé, como tinha Bernardo, canhoto, na direita, e Renato Sanches atacando os espaços melhor que William Carvalho, os campeões deram mais espaço aos húngaros, mas acharam os que precisavam. Tudo bem que Sallai e Szalai deram lá algum trabalho e o protocolo do VAR quase matou 11 milhões de portugueses no gol anulado de Schön, mas era preciso passar além da dor para passar o Bojador. 

Pouco depois das trocas, Raphaël Guerreiro contou com o desvio no pé de Orban para desbloquear o jogo, após passe de Rafa que também encontrou um corpo contrário antes de chegar ao pé do francoluso. Logo depois, o pênalti, numa altura em que a Hungria já não tinha pernas, tanto que o Renato Sanches carregou meio time antes de oferecer a bola a Rafa. O terceiro gol foi a consequência de um time destruído contra um inteiro, animado, e com os espaços oferecidos pela capitulação húngara. 

Quanto a Cristiano, eis as marcas feitas na Hungria, contra quem também marcara dois no decisivo 3 a 3 de 2016: 
Único a jogar 5 Eurocopas; 
Primeiro a atingir 10 gols; 
Maior artilheiro, com 11 gols; 
Jogador com mais vitórias (11); 
Único a marcar em 5 edições. 

Os próximos desafios são contra Alemanha, também na casa do adversário, e França, de volta à Hungria. Dois adversárias costumeiramente difíceis, que deverão ter tanta bola quanto teve Portugal na Puskás Arena. 

Com três pontos e três gols de saldo, basta não fazer nenhuma bobagem para passar pelo Grupo da Morte, como já superou em 2000 e em 2012. É preciso ter cuidado, mas pode deixar os meninos jogarem à bola, mister Fernando Santos. 

Rui Patrício: não convém muito a tranquilidade que ele demonstrou ao deixar passar a bola no lance do impedimento. Um pândego, pois; 
Nélson Semedo: com medo ou semedo, não brilhou, mas demonstrou segurança a defender contra o nada e a atacar o muro maggiar, mas podia arriscar-se um poucochinho mais; 
Pepe: grande jogo na Euro. Qual é a novidade? 
Rúben Dias: ó, Rúben Santos Gato Alves Dias (não, não é uma impressão sobre a aparência do gajo. O nome é este mesmo), tens uns cartolina amarela e deixas a mão na fuça do gajo? Fora isso, tudo bem. Continue assim, mas com mais juízo, SFF; 
Raphaël Guerreiro: que bom que viste que o gajo do Sporting é melhor que o Mário Rui. Bem, nem precisava de tanto. Golo à campeão; 
William Carvalho: da próxima vez, faça de conta que estás com uma lesão, caso o mister demore tanto para mexer (Renato Sanches: "ain, o flop da Luz..." engulam, cambada de @%##! O miúdo nasceu pra jogar a Euro!); 
Danilo: a fleuma de sempre do comendador. Um tanto ocioso a baixar para buscar a bola quando o húngaro mais próximo estava mais perto do guardarredes deles que do nosso, mas, no fim, foi um dos que segurou o coração dos portugueses dentro do peito; 
Bruno Fernandes: faça de conta que está na PL e chute mais para o gol. Enfim, não dê ouvidos às instruções do mister (João Moutinho: entrou para ver o golaço do Cristiano Ronaldo de perto); 
Bernardo Silva: da próxima vez que o mister mandar que fique preso à ponta, é favor desobedecer e alegar, em caso de protestos, que muito tempo em França e Inglaterra fez desaprender a Língua Portuguesa (Rafa Silva: joga no Benfica. Brilhar é o mínimo que se espera dele); 
Diogo J: alguém prenda o gajo do Liverpool no balneário antes do jogo, SFF (André Silva: entrou?); 
Cristiano Ronaldo: dia difícil para quem não gosta do Senhor Eurocopa. Nada mais é preciso ser dito, mas vamos lá: Único a jogar 5 Eurocopas; Primeiro a atingir 10 gols; Maior artilheiro, com 11 gols; Jogador com mais vitórias: 12; Único a marcar em 5 edições; E o maior feito do dia: não bateu no Diogo J.
Fernando Santos: não empatou, como gosta. Deverá mudar a postura para buscar o bi com seis empates.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

PALMEIRAS - A vergonha é de quem fez o calendário, não do Palmeiras


O Palmeiras voltou do Mundial de Clubes com a quarta colocação na bagagem, resultado de uma derrota nas meias-finais para o Tigres-MEX e um novo desaire na disputa pelo terceiro lugar frente aos egípcios do Al Ahly. Em comum, nestes dois jogos, a pouca imaginação e um rendimento bem abaixo do que se viu do representante sul-americano em outras edições do torneio.

O excelente jornalista português António Tadeia fez um levantamento bastante esclarecedor em seu site para tentar entender o baixíssimo nível de futebol apresentado e que resultou na pior campanha de um sul-americano desde sempre no torneio: desde que o futebol voltou após a parada por causa da pandemia da Covid-19, que ainda está longe do fim, em 23 de julho último, o Alviverde disputou 58 jogos (uma partida a cada três dias e meio), 10 dos quais no mês que antecedeu o Mundial.

A título de comparação, o Bayern, grande equipe do mundo na temporada e que conquistou o título com um protocolar 1 a 0 sobre os algozes do alviverde, atuou 36 vezes nestes seis meses e meio (5,5 dias entre um jogo e outro), sendo oito nos 30 dias anteriores à competição da FIFA. Isso para ficar somente no campeão de tudo, porque, se a comparação for mais abrangente com outros grandes da Europa, os números serão mais díspares, conforme Tadeia aponta aqui.

Detalhando esta dezena de jogos antes do Mundial, o Palmeiras teve viagens a Buenos Aires (2,5 horas de voo), Recife e Fortaleza (três horas), além de duas viagens ao Rio de Janeiro, que levam 45 minutos de ponte aérea -, incluindo as duas semifinais e a final da Libertadores. Teve também clássicos com o Corinthians e Flamengo, já na fase aguda do Brasileirão, no qual o Palmeiras ainda reunia chances de ser campeão. 

Por sua vez, em jogos fora, os campeões da Europa deslocaram-se a Mönchengladbach, Kiel, Gelsenkirshen (uma hora de voo) e Ausburgo (uma hora de ônibus). Destes, somente o jogo com o Holstein Kiel, do segundo escalão alemão e que causou a eliminação dos bávaros da Copa da Alemanha, tinha caráter decisivo.

Comparando com o Tigres, então, a diferença é ainda maior: o time de Nuevo León jogou apenas quatro vezes em 2021, todas pelo Clausura da Liga MX, o que dá um jogo a cada sete dias e meio. Sendo mais exato, foram 20 dias entre o primeiro duelo (9/1) e o quarto (29/1), sempre com o intervalo mínimo de seis dias entre as partidas. Neste caso, o tempo de viagem para os dois jogos fora de casa torna-se irrelevante.

Se esta overdose de bola não explica o pauperismo futebolístico que se viu no Catar por parte do representante sul-americano, nada mais explica. Caso não, como fazer para incutir aos atletas conceitos e variações táticas, intensidade e equilíbrio físico e psicológico tendo um jogo a doer praticamente de três em três dias?  Neste tempo, há a necessidade de promover a recuperação física, fazer as viagens para os jogos fora em um país de dimensões continentais e treinar. É, portanto, humanamente impossível. O quadro agrava-se quando o treinador é recém-chegado não só ao clube, mas ao país, e tem, naturalmente, conceitos e métodos diferentes daqueles aos quais o elenco está habituado.

Quando o futebol parou, ainda em março, havia a possibilidade de que a fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro - para ficar naquele que consome a maior parte do calendário - fosse alterada para que menos datas fossem necessárias. Creio que fisiologistas, fisioterapeutas e preparadores físicos não tenham sido consultados. Se foram, não foram ouvidos. Então, manteve-se o modelo que está vigente desde 2003: todos contra todos em turno e returno em longas 38 rodadas. Agora, soma-se isso aos compromissos pela Libertadores, pela Copa do Brasil e pela reta final do Paulista com o arquirrival Corinthians, e que acabou vencido pelos então comandados de Vanderlei Luxemburgo e teremos este absurdo número de partidas. 

É verdade que o Artigo 8º da Lei 10671/2003, o Estatuto do Torcedor, reza que se "adote, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, sistema de disputa em que as equipes participantes conheçam, previamente ao seu início, a quantidade de partidas que disputarão, bem como seus adversários". Os pontos corridos, pois. No entanto, o mesmo Estatuto do Torcedor, em seu Artigo 9º, inciso 5º, assevera que alterações podem ser feitas após a divulgação desde que haja "interrupção das competições por motivo de surtos, epidemias e pandemias que possam comprometer a integridade física e o bem-estar dos atletas, desde que aprovada pela maioria das agremiações partícipes do evento".

Não aconteceu, como é sabido. Poderia ser feito, mas não foi. 

Nenhum dos envolvidos pode reclamar, já que nada fizeram para diminuir a carga de jogos. No entanto, quem é formador de opinião (perfil bobinho de Instagram não conta, é bom dizer) tem a obrigação de levar todos estes pontos em consideração. É raso discutir o desempenho sem levar em conta o contexto. É pobre taxar como vergonha ou vexame a campanha ruim, como se a preparação tivesse sido ao menos próxima do ideal. É covarde imputar ao treinador e à sua suposta inexperiência a performance abaixo da crítica.

Qualquer coisa diferente disso é conversa de boteco. 

Foto: Mahmoud Hefnawy/dpa

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Rogério Ceni, o estofo e o preço de uma fama que nem deveria ter

Muita expectativa para pouco resultado de quem mal começou a carreira (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Rogério Ceni sofre a pressão de ter um nome maior que a sua carreira como treinador efetivamente mostra. Isso, além do fato de ter assumido o clube com o maior orçamento do país em uma temporada atípica, faz com que seu trabalho seja decepcionante. Ceni chegou ao Flamengo depois da segunda passagem bem sucedida pelo Fortaleza, onde a pressão nem se compara com a encontrada nos outros dois grandes que treinou sem lá muito – ou nenhum – brilho: São Paulo e Cruzeiro. Não difere muito do percurso do Eduardo Baptista, só para citar um treinador que fez água num grande, mas que nunca contou com a mesma boa vontade de quem ganha a vida opinando sobre o trabalho alheio. 

Ceni tem um discurso novo, uma metodologia que transborda modernidade aos ouvidos de uma parte da imprensa que é bem receptiva a ele. Mas ninguém poderá dizer que ele foi coagido a aceitar os cargos que exerceu desde que debutou na função já comandando o São Paulo. Aí erram todos, se é que podemos classificar assim as escolhas de carreira do maior goleiro-artilheiro da história. Erro mesmo, no caso, quem comete é a mídia. Boa parte da imprensa especializada – nunca é bom generalizar – o analisou pelo que torce para que seja, não pelo realmente é: um técnico promissor. Sim, promissor, mas sem o estofo necessário para ser "o melhor treinador do país", como alguns apressados (e sedentos por novidades no mercado interno) disseram. 


Aí, pegue um elenco estrelado e mimado, que atingiu o topo em pouco tempo; um calendário amalucado pela pandemia, com jogo em cima de jogo e desfalques, ora por lesão, ora pela Covid-19; e a pesada herança deixada por Jorge Jesus. Qual é a chance de dar certo quando não há tempo para treinar? E sem essa de “ele teve uma semana cheia de treinamentos entre os dias x e y”, como se seis ou sete dias fossem suficientes para que os métodos e as ideias do treinador – que o pessoal gosta de chamar de filosofia de trabalho – sejam absorvidos. 


"Ah, mas o Abel Ferreira passou pelo mesmo e veja o Palmeiras na mão dele!". São situações diferentes, principalmente porque um tem o que o outro ainda não tem: estofo. Estofo e formação em Portugal, onde o nível do que é estudado e trabalhado está muito à frente daqui, gostemos ou não. 


E é isso o que falta a Rogério Ceni: estofo. Mas não se compra isso no mercado ou em semanas acompanhando os treinos de grandes caras, como o Ancelotti. É no dia-a-dia. É errando e acertando. É fazendo um monte de bobagens e aprendendo com elas. Da mesma forma que não basta ter sido o dono do vestiário por duas décadas. Muda-se a função, as responsabilidades são outras, as decisões a serem tomadas também, e a história escrita é apenas isso: história. 


E a história dele, Rogério, como treinador ainda está no início. Que tratemos como tal. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

MARADONA - ¡Hasta siempre, Diego!


O deus do povo se foi. O anti-herói, o humano que subiu ao olimpo e desceu ao inferno sem perder a condição de semideus. O periférico que peitou poderosos e se colocou ao lado do povo. O ídolo que fez o Sul da Itália, tão desprezado, vítima de preconceito do Norte, mais rico, torcer contra a própria Squadra Azzurra na casa do Napoli, a quem fez gigante. 

¿De que planeta viniste?, perguntou o uruguaio Victor Hugo Morales na histórica  narração do maior gol de todos os gols, de todos os tempos, aquele contra a Inglaterra na Copa de 1986. Não o de mão, mas o que enfileirou tantos ingleses que não caberiam em uma mão, nos 11 ou 12 toques dados com o pé esquerdo. Sempre o esquerdo. Sempre à esquerda.


Não importa mais saber de onde Diego veio. A nós, que amamos o futebol, basta saber que o planeta onde ele foi parar é um lugar mais bonito. O homem se foi, mas a obra do gênio que pintou com os pés alguns dos quadros mais lindos da história permanecerá. Maradona transcendeu o campo e não precisou morrer para que virasse lenda, virar deus, antes mesmo de virar história.  


Com todos os seus pecados - e talvez por isso - e fantasmas pessoais, Maradona está em um lugar onde ninguém jamais chegará. Nem Pelé, o maior jogador de todos os tempos, foi tão genial e necessário fora de campo. Maradona é o deus futebolístico que o povo precisa e sua imperfeição fez dele o maior de todos para os seus. 


¡Hasta siempre, Diego! 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Croácia 2 x 3 Portugal - o jogo inútil mais útil do mundo


O trabalho do treinador de seleções se difere do técnico de clubes. Enquanto este tem a pressão do dia-a-dia, de mais jogos a disputar do que tempo para treinar e analisar a equipa e os adversários, o outro tem, vá lá, uma semana por mês para trabalhar o elenco que puder escolher e dar sua cara aos que representarão o país nos jogos e competições.

Depois desta maluquice/irresponsabilidade de três jogos em uma semana a contar para a Liga das Nações e aquele amigável desqualificado contra os coitadinhos de Andorra, Fernando Santos terá três meses para entender o que correu mal contra a França na Luz, depois de partidas de alto nível com a Croácia (em Alvalade), as duas com a Suécia, com os próprios campeões do mundo em Saint-Denis e - por que não? - no particular com a Espanha, cujo nível de exigência nunca é baixo.

A começar, o jogo com a Croácia, último da Liga das Nações e que ganhou o aspecto de um amistoso de luxo contra um time que era o único com interesses em jogo, que poderia ser despromovido mesmo se ganhasse, sempre com os olhos no que poderia acontecer no França x Suécia, que acabou determinando a queda dos nórdicos ao Grupo B.

Mesmo levando em conta que o jogo tenha sido disputado num relvado que nunca fez jus ao nome - mais correto seria chamar de campo de batatas -, os de Fernando Santos não conseguiram se impor aos vice-campeões do mundo, sempre comandados pela classe de Modric e pelo caráter de Kovacic, um tanque que, pela disposição, fez parecer que os enxadrezados é que pareciam ter um jogador a mais, mesmo quando foram reduzidos a 10 homens quando Rog fez uma falta desqualificável e em Cristiano Ronaldo e viu o segundo amarelo.

Antes disto, com quatro alterações frente ao onze que iniciou o jogo com a França (Nelson Semedo, Rúben Semedo, João Moutinho e Diogo Jota nos lugares de João Cancelo, José Fonte, William Carvalho e Bernardo Silva, na mesma ordem), Portugal começou bem. Rápido na recuperação e na recomposição dos espaços, a movimentar-se à frente, com o trio Cristiano-Félix-Diogo Jota sob a batuta de um João Moutinho a ocupar todos os espaços em campo. 

Isto fez com que os visitantes mandasse no jogo e criasse chances de golo quando pressionaram a saída de bola com Moutinho e Bruno Fernandes, que cruzou no primeiro pau para a cabeçada de Diogo Jota, e quando os dois laterais lusos subiram juntos, com Nélson Semedo buscando Cristiano Ronaldo e Mário Rui, na sobra, mas que acabou num raspanete do capitão com a cabeça após excelente cruzamento do lateral do Napoli.

Do outro lado, os de Zlato Dalic seguiram saindo curto e atraindo os portugueses para encontrarem espaço algures que podessem aproveitar. E isto resultou ao pé de meia hora de jogo, na bola longa para Vlasic, que cruzou errado e contou com o corte defeituoso de um estranhamente acanhado Rúben Semedo; Pasalic insistiu e deu para Kovacic, que finalizou no meio de três lusos para a defesa parcial de Rui Patrício, tendo ele mesmo rematado a sobra para fazer o primeiro do jogo.

Foi o que bastou para que tudo o que usasse o estranho uniforme verde-água e listrado desabasse e aceitasse a pressão croata. Daí até o fim do primeiro tempo, parecia uma viagem ao período pré-Scolari, quando um golo bastava para vulgarizar a Selecção Portuguesa. A Croácia aumentou o ritmo, venceu todos as disputas pelas segundas bolas e ela mesma imprimiu o ritmo que quis, forçando erros na saída de bola de um apavorado Portugal, quase aumentando o placar no contragolpe em que um passivo Danilo apenas acompanhou de longe a troca de passes entre Vlasic e Perisic, que acabou no cruzamento deste para Juranovic, sozinho, cabecear no contrapé de Rui Patrício, mas ao lado.

Com Francisco Trincão no lugar de Bruno Fernandes, e com um 4-4-2 em vez do estéril 4-3-3, Portugal voltou para o segundo tempo bem mais disposto e o jogo virou, literalmente, a partir da falta que resultou na expulsão de Rog, ainda com meia dúzia de minutos. No mesmo lance, Cristiano bateu uma daquelas faltas cheias de curvas, Livakovic espalmou como deu, Rúben Semedo se redimiu do erro no golo e assistiu Rúben Dias para o ex-benfiquista marcar seu primeiro pela seleção.

A virada poderia sair cinco minutos depois, aos 11 minutos, se o árbitro tivesse marcado o pênalti de Skoric em Cristiano Ronaldo, quando o estabanado zagueiro acertou uma cotovelada no 7 luso. Sobrou uma dor de cabeça e um cartão amarelo por reclamação. Quem reclamou depois, também com razão, foram os da casa. Trincão deu passe de classe para Diogo Jota, Lovren falhou de forma caricata e o 21 cruzou para João Félix virar chutando mascado, mais lama do que bola, só que a bola bateu na mão do avançado do Liverpool antes de ele servir o miúdo do Atlético.

Pasalic saiu, Brekalo entrou, Modric e Kovacic viraram o demônio ante a sonolência de Danilo e o empate veio quando o jogador do Chelsea abriu para Juranovic, que acionou Vlasic. Danilo tentou acelerar para alcançar o camisola 13, mas deixou o 8 livre para receber o passe e bater no canto de Rui Patrício. 

Com o empate a servir, a Croácia fechou-se e Portugal agora tinha Cancelo no lugar de Mário Rui e Bernardo Silva herdando o lugar de João Félix e podendo descer ao meio para organizar o jogo desde trás, mas ainda sem a companhia com os dois da frente, que se aproximaram demais da parte do campo onde amontoaram-se os croatas, desejosos de segurar o empate. Então,  partiu para tentar a vitória, que poderia sair dos pés do 10, que praticamente desfez o gol pegando o rebote de um belo chute de Trincão na pequena área, mas a bola quicou embaixo do goleiro e passou por cima do travessão. Praticamente no último lance do jogo, Moutinho bateu um escanteio curtinho, Bernardo cruzou para Rúben Dias, o artilheiro da noite, que não alcançou, mas contou com a falha grosseira do arqueiro, que deixou a bola escapar ao bater nas costas de um terrível e azarado Lovren, para empurrar para o golo vazio.

Ao fim e ao cabo, Portugal somou 13 dos 18 pontos possíveis e só não defenderá o título de campeão da prova porque a França teve a frieza e a inteligência que faltam a Portugal no jogo que definiu a liderança da chave. E com três meses para que Fernando Santos corrija os erros táticos e anímicos de uma seleção que aprendeu que pode ser campeã do que disputar. 

Rui Patrício: deve ter sido castigado pelo golo do Kanté que levou no outro jogo;
Nélson Semedo: nunca vou entender por que caraças não jogaste com a França;
Rúben Semedo: tomara que quem contrata no Benfica tenha visto o jogo;
Rúben Dias: é o próximo nome do futebol português a ganhar milhões a fazer propaganda de produtos para o cabelo. Penteado impecável, como a atuação do futuro melhor zagueiro do mundo;
Mário Rui: não fosse pelos cruzamentos bem medidos, perderia a vaga na esquerda para qualquer lateral direito improvisado por ali (João Cancelo: tendo sido cria do Benfica, fiquei decepcionado por não ter feito o seu golito no jogo);
Danilo: lento, sonolento, mas respeitador do distanciamento social. Um exemplo para o país nesta segunda onda da Covid-19; 
(Sérgio Oliveira: desfalcou os treinos do FC Porto. O Sérgio Conceição não deve ter ficado muito contente);
João Moutinho: daquelas partidas em que convence toda a gente que deve ser titular, até ser escalado no onze e convencer toda a gente que não pode ser titular;
Bruno Fernandes: será abraçado pelo Solskajer por ter se poupado nestes dois jogos pela Liga das Nações (Francisco Trincão: mais um miúdo a ganhar espaço a ponto de, no futuro, ter exigida sua escalação a titular, juntamente com outros 15 ou 16 na mesma condição);
Diogo Jota: jogou sem parecer ter jogado (Paulinho: a mesma coisa, mas pelo meio da área);
Cristiano Ronaldo: pelo visto, precisava ter sido do Benfica para ter marcado golos. Agora vês como erraste o time da formação? 
João Félix: já imaginaram que timaço do caraças quando o João Félix estrear em jogos a doer? (Bernardo Silva: perdeste a titularidade do City e caíste de rendimento na Selecção. Venhas para o Benfica para voltares a ser feliz, Bernardo).

sábado, 14 de novembro de 2020

Portugal 0 x 1 França - poderia ser melhor


Quando França e Portugal empataram no 0 a 0 que encheu os portugueses de orgulho porque, finalmente, os gigantes do futebol nos olhavam com respeito, a presença de João Moutinho no time titular foi um dos motivos da primeira fase menos conseguida da Equipa das Quinas pela falta de agressividade na marcação, o que foi resolvido quando William Carvalho pisou no campo.

Nada mais natural que a formação que deu certo no meio tempo melhor no Stade de France começar na Luz. As duas alterações, uma forçada, outra nem tanto, foram José Fonte no lugar do lesionado Pepe e João Cancelo na vaga do mais defensivo Nelson Semedo, talvez pelo desfalque de Mbappé. 

Fernando Santos só não contava com uma França diferente daquela visitada. Sem o prodígio do PSG, que havia sido engolido pelo Pepe, Didier Deschamps escalou Griezmann como um meia, colocando-o à frente dos centrais e nas costas dos excelentes trincos lusos, e apoiado pelo excelente jogo de Rabiot e, sobretudo, Pogba e Kante.

Desta forma, os campeões do mundo sempre tiveram superioridade no setor onde Portugal é mais forte quando marca n'altura do meio de campo e tem a bola próximo de seus jogadores mais criativos, nomeadamente Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e João Félix, isto quando o 10 tem liberdade para andar pelo campo todo. O problema, para os campeões europeus e da Liga das Nações, é que a bola raramente chegou com qualidade justamente onde estavam seus jogadores mais perigosos. 

Cancelo, estranhamente, mal passava do meio, onde Bruno Fernandes estava sozinho para disputar com o fortíssimo meio-de-campo francês. Bernardo Silva, em péssima jornada, andou sempre preso na ponta direita. Para piorar, a dupla de volantes que equilibrou o primeiro jogo foi completamente dominada pelos visitantes, sempre mais rápidos a atacar os espaços quando não tinha a posse de bola. E o primeiro tempo só não terminou com uma grande vantagem gaulesa porque Rui Patrício sempre foi melhor que Martial, que desperdiçou três chances na pequena área. 

Na segunda parte, Portugal voltou melhor, mais rápido nos duelos e também para atacar e defender. No entanto, quando Rui Patrício não foi suficiente, a França chegou ao golo que tudo decidiu: Rabiot tabelou com Griezmann, se aproveitou da indefinição de Cancelo entre fechar o espaço no meio e acompanhar o volante da Juventus, que recebeu e bateu cruzado, apertado. Patrício espalmou para a zona proibida, onde Kanté foi mais rápido que toda a gente e abriu a contagem.

Depois disso, o único ponto positivo da infeliz noite da Luz: a França abdicou do jogo e passou a defender como podia, ao passo que Portugal foi metendo médios ofensivos e avançados a ponto de terminar o jogo sem nenhum trinco: William saiu para entrar Diogo Jota; Bernardo foi substituído por Trincão; Bruno Fernandes deixou o campo para João Moutinho; e ainda, a cinco minutos do fim, João Félix por Paulinho e Danilo por Sérgio Oliveira.

Com a França toda atrás, Portugal tentou de tudo o que era jeito, mas tentar de todo jeito é o mesmo que não ter jeito nenhum. Cristiano Ronaldo, vendo que a bola não chegaria, passou a rodar o campo todo, quando deveria estar onde é mais perigoso, que é perto da área, tanto que só teve uma chance clara de golo, desarmado no momento do cabeceio, na pequena área, por Kimpembe. Fora isso, uma bola na trave na cabeçada de Fonte com Lloris já sem hipótese de intervir, e um chute de longe de João Moutinho, obrigando o guarda-redes a fazer uma daquelas defesas de fotografia, com a mão trocada.

No fim das contas, é preciso não andar nos polos da análise. Não foi um regresso aos anos em que Portugal era massacrado pelos grandes, mas esteve sempre abaixo do que essa geração pode fazer. E Fernando Santos, que tem todos os méritos pelo que já conquistou ao leme da nau lusitana, precisa ter em conta que só poderá jogar em grande dando liberdade para seus principais jogadores.

Rui Patrício: podias fazer melhor no gol? Sim, mas se não fosses tu... 
João Cancelo: conhecem a deep fake? É uma tecnologia capaz de trocar o rosto em fotos e vídeos e fazer com que pareça real a participação de quem teve o rosto usado. É como pegar o Gilberto e meter-lhe a fuça do Cancelo. Assustador, pois...
José Fonte: 
conhecem a deep fake? É uma tecnologia capaz de trocar o rosto em fotos e vídeos e fazer com que pareça real a participação de quem teve o rosto usado. É como pegar o Bruno Alves e meter-lhe a fuça do José Fonte. Assustador, pois...
Rúben Dias: podia ser pior, meu caro Gato (é o nome do gajo, caraças! Não pensem mal, embora seja mesmo): e se , em vez do Fonte, fosse o Jardel? Bom, já sabes disto;
Raphaël Guerreiro: espero que tenham ido buscá-lo na algibeira do Coman após o jogo. Bom, se não buscaram, o Raphaël Adelino José nasceu em França. E é caminho para Dortmund;
William Carvalho: 
conhecem a deep fake? É uma tecnologia capaz de trocar o rosto em fotos e vídeos e fazer com que pareça real a participação de quem teve o rosto usado. É como pegar o Weigl e meter-lhe a fuça do William Carvalho. Assustador, pois... (Diogo Jota: camisola vermelha, jogo decisivo, no Estádio da Luz. Isso não costuma dar certo);
Danilo: deu lá suas cacetadas nos gajos do país onde está a jogar. Olha, Comendador, os franceses não são lá muito cordiais, mas fdx todos (Sérgio Oliveira: se eu fosse maldoso, diria que o mister deve ter alguma aposta sobre ele completar dez jogos pela Selecção);
Bruno Fernandes: usar um calção verde no Estádio da Luz deve ter desencadeado lembranças pouco felizes do gajo que, normalmente, manda mais em Manchester do que em Lisboa (João Moutinho: aquele chute que o Lloris pegou fará com que eu imagine o raio da bola a entra pelo resto da minha vida);
Bernardo Silva: a distância entre Manchester e Lisboa é de 1.726 km. De voo, são 2h45. Quando o mister mandar que fiques ao pé da linha lateral, Bernardo, mostre estes números a ele e pergunte se vale a pena (Trincão: ó, miúdo, és novo nisto ainda, então entendas uma coisa, SFF: se fores derrubado na área, é pênalti, ó, caraças! Não jogas mais no Braga para achar que nada será marcado quando acontecer consigo);
Cristiano Ronaldo: passarás o gajo iraniano, pá. Mas, para isto, tens que deixar que os outros armem, cruzem e cobrem os arremessos laterais. Já estás velhinho para não saber disto;
João Félix: 
conhecem a deep fake? É uma tecnologia capaz de trocar o rosto em fotos e vídeos e fazer com que pareça real a participação de quem teve o rosto usado. É como pegar o Nélson Oliveira e meter-lhe a fuça do João Félix. Assustador, pois... (Paulinho: cadê o Ederzito?).

Brasil 1 x 0 Venezuela - zzzzzzzzzz


Um sono só. Assim pode ser definida a partida que colocou o Brasil na liderança isolada das protocolares Eliminatórias para a Copa de 2022. O resultado, magrinho, magrinho, condiz perfeitamente com o que foi o jogo.

E não se trata daquela papagaiada de que a Venezuela é fraca - embora seja - e que há pouco tempo a questão era saber o tamanho da tunda que a Viño Tinto levaria. O mundo do futebol evoluiu e com a Venezuela não é diferente, embora, reitero, a distância técnica entre os onze que alinharam no Morumbi é maior que o estádio do São Paulo.

José Peseiro, português que comanda a Venezuela, armou o time com duas linhas compactas, ora com quatro, ora com cinco no meio, com Soteldo e Macris voltando para compor com Casseres, Rincón e Moreno, e impôs as dificuldades que a Seleção Brasileira sob a gestão de Tite encontra quando enfrenta times assim, fechados e organizados. 

Com um 4-3-3 tendo três centroavantes, dois volantes e um meia, o Brasil não encontrava forma de fazer a bola chegar com qualidade na frente, onde Richarlison era o mais perto de um jogador de referência e Gabriel Jesus, em noite infeliz, trocava de posição com Firmino, que pouco ou nada fazia de bom. Em muito, se deve ao fato de Douglas Luiz deixar a criação a cargo de Everton Ribeiro. Certo, não se pode mais jogar com a Venezuela achando que será um vareio, mas dava para perceber em 20 minutos que a coisa não ia funcionar com um time tão pragmático, quadrado, engessado.

E era um tal de "roda, roda, roda" de Tite à beira do campo, quando precisava fazer com que as linhas venezuelanas se desarrumassem, fosse com passes ou partindo para cima, na base do drible, o que não é pedir muito em se tratando do Brasil. Em vez disso, ficava tocando bola da direita para o meio, e de lá para a esquerda, e voltava para o meio.

Mesmo quando abriu mão de um dos volantes para a entrada de Lucas Paquetá, a coisa não funcionou bem, pois o problema da falta de profundidade não foi resolvido. Justiça seja feita, foi em um passe do meia do Lyon que Everton Ribeiro, melhor brasileiro em campo, foi ao fundo e assim nasceu o gol de Firmino. Verdade seja dita, porém, o gol só saiu porque a zaga rebateu mal e praticamente deu um passe para o atacante de Liverpool fazer o gol que manteve o registro intacto dos de Tite.

Não para fazer justiça, porém. Mesmo com os inúmeros desfalques por lesão ou pela Covid-19. Com o que tinha, Tite poderia fazer muito melhor do que engessar o time e esperar que o gol saísse por que sim.