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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Pílulas amadoras - 31

 *Por Humberto Pereira da Silva

Triste Tite! 

Parece feliz agora que de fato encontrou o que procurava já no Flamengo: ou seja, uma decadência melancólica.

Ainda é muito cedo. Mas o Cruzeiro parece seguir a cartilha do Inter em 24. Fez um excelente brasileiro na reta final e chegou próximo do título. Para 25 havia grande expectativa do Inter. No final do brasileiro não caiu por milagre. Estava na 18ª posição na última rodada. Aí contou com ajuda dos cearenses. 

O Cruzeiro depois de temporadas na série B subiu e ano passado surpreendeu ao ficar entre os três primeiros até a última rodada. Para esse ano, com Tite, Gerson e cia e muita expectativa. O começo é simplesmente desastroso. O São Paulo vai cair? Nesse momento o Cruzeiro me lembra o Inter, enquanto o São Paulo é preciso esperar, óbvio, mas eu colocaria um freio na "torcida" de alguns, hoje, pela queda tricolor.

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo

segunda-feira, 8 de julho de 2024

BRASIL - Por que o Brasil piorou 10 anos depois do 7 a 1

DA DOR AO RISO: tratar a tragédia como chacota só piorou
o futebol brasileiro (Imagem: Jamie McDonald/Getty Images)

O maior vexame da história do esporte completa 10 anos hoje, 8 de julho. A efeméride, data redonda, ganhou mais força com a precoce eliminação da seleção brasileira na Copa América disputada nos Estados Unidos, a nova casa do futebol sulamericano – e brasileiro, ao menos quando se trata da seleção, mas vamos a isto mais adiante.

Gentes muito melhores que eu, como o comentarista Carlos Eduardo Mansur, do Grupo Globo, não gostam dos adjetivos que qualificam o episódio como vergonha e vexame. Eu considero que servem à perfeição para falar da hecatombe que acometeu a camisa mais pesada do esporte mais popular do mundo, ainda mais jogando em casa. Logo, o termo cabe.

Se o 7 a 1 serviu para algo, foi para redimir a geração que foi empurrada para a derrota pelo oba-oba de políticos, que não tinham intenções das mais puras – nunca as têm –, e da imprensa no jogo que decidiu a Copa do Mundo de 1950. Passados 10 anos do atropelamento alemão, que nem cumpria uma campanha tão brilhante assim naquele mundial, o futebol brasileiro regrediu. Nem mesmo os incrementos financeiros resultantes do aumento da média de público podem ser considerados como avanços sem o senão dos efeitos da gentrificação, do afastamento do povo pobre e preto das arquibancadas.

A seleção brasileira está mais afastada do torcedor do que há 10 anos, quando as piadas pelo Mineiraço já surgiam no intervalo, no colo do 5 a 0 que ainda aumentaria para o sete-a-um que virou verbete informal para as agruras do cotidiano. A capacidade de rir da própria desgraça é tão brasileira quanto quem nasce, vive e morre no país. Por um lado, ajuda a aliviar as mazelas da vida de quem sofre e não tem muitas perspectivas. Por outro, porém, ao aceitá-las em vez de combatê-las, ajudamos a perpetuar este sistema que insiste em normalizar o inaceitável, seja qual for o setor.

Pouco de concreto foi feito para corrigir a rota do futebol nacional. No ano seguinte, a CBF promoveu uma reunião com ex-técnicos da Seleção para buscar respostas. Para participar do encontro, que reuniu o então treinador Dunga, além de Parreira, Zagallo, Carlos Alberto Silva, Paulo Roberto Falcão, Sebastião Lazaroni, Candinho e Ernesto Paulo, bastava ter sido treinador da seleção em pelo menos um jogo e estar vivo na ocasião. Mano Menezes, Felipão, Vanderlei Luxemburgo e Leão foram convidados, mas não participaram de um evento que resultou num sem número de chavões, discursos vazios e constatações óbvias.

No mesmo ano, a entidade criou seu curso de treinadores, com o nome pomposo de CBF Academy. No entanto, os efeitos práticos são indetectáveis. Dez anos depois, o Campeonato Brasileiro foi iniciado com metade dos clubes tendo treinadores estrangeiros, boa parte deles vindos de Portugal e da Argentina. O curso de treinadores da Argentina, o AFTA Campus Virtual, teve treinadores portugueses como instrutores, tanto que é válido na Europa, diferentemente do nosso, e essa limitação impede um intercâmbio que favoreceria o desenvolvimento do futebol nacional. Não se trata de copiar os métodos, e sim de entender os conceitos e utilizar o que pode ajudar, dentro das bases do futebol nacional, a desenvolvê-lo. 

Ao cabo, passamos por uma profunda crise de identidade, sem uma cultura tática estabelecida e tentando emular os sistemas da moda na Europa, mas não entendemos ou respeitamos os processos necessários para que os tais sistemas sejam compreendidos. Hoje, a busca é pela posse de bola, pela transição rápida, pelo jogo que transforma os meias em meros passadores de bola e o futebol posicional. Técnicos seguem promovendo sistemas táticos que tentam evitar a derrota para protegerem seus empregos. Programas de debate barulhentos, cujo objetivo maior é criar engajamento por meio de opiniões enfáticas, polêmicas e rasas, buscam respostas fáceis para segurar a audiência de torcedores que preferem acompanhar canais segmentados ou influenciadores sem o menor compromisso com a informação. Atende-se assim àqueles que não querem contraditório, mas querem endosso.

Respostas fáceis. Muitas delas voltaram com força com a eliminação para o Uruguai. E tome falar de seres abstratos, como o amor à camisa, a falta que o Neymar faz, a falta de protagonistas, a seleção de 2006. Obviamente, o comportamento dos jogadores, ralhando com a torcida a cada gol contra a poderosa esquadra paraguaia, o bate-boca público de Vini Jr a um jornalista que fez críticas técnicas ao seu desempenho no mesmo jogo, ou a desastrosa entrevista de Andreas Pereira, sugerindo que jogar na Premier League seja o suficiente até para causar inveja aos jogadores do Uruguai, histórico rival e orgulhoso de sua própria e gigante história, é contraproducente, não ajuda e ainda atrapalha. Isso vindo de um jogador que no Flamengo era reserva de um uruguaio, que nem é titular na Celeste.

Este ambiente forjado à base do "nós contra eles" pode ter dado certo com Felipão em 2002, mas foi uma completa tragédia com Dunga. O capitão Danilo foi ao pé da torcida cobrar apoio após um medonho 0 a 0 com a Costa Rica; Endrick deu a entender que alguns ali faziam um favor ao defender a seleção quando poderiam estar de férias. Endrick precisava dar a entrevista após a eliminação? Passou pela cabeça de Andreas que suas declarações seriam combustível para um adversário que, além de estar em um melhor momento, não precisa de um estímulo extra? Neste sentido, há jogadores uruguaios que o torcedor brasileiro gostaria de ver usando a camisa amarela. É sinal de que falta, além de autocrítica, gestão.

Ainda assim, é só mais um aspecto nessa profunda crise, e não dá para dissociar do 7 a 1. A primeira resposta fácil foi o retorno de Dunga, que já havia sido escolhido para o ciclo seguinte a 2006 porque representava entrega, disciplina e identificação com a camisa da seleção. Não funcionou porque o problema certamente não era esse. Veio Tite e o Brasil saiu do nada para o muito bom, vencendo todos os jogos de uma eliminatória tida como “a mais difícil de todos os tempos”. Foi um suspiro de modernidade e eficiência, mas que fez ressurgir o ufanismo tão nosso de cada dia que causa estragos desde 1950.

Pela melhora imediata apresentada logo à chegada de Tite e sua comissão técnica, seu trabalho passou a ser incensado por quem deveria manter uma distância segura para evitar a contaminação, mas a cobertura da seleção brasileira, mais do que qualquer outra no mundo – e não por acaso –, é acompanhada pelo exagero para o bem ou para o mal, e não havia a contestação necessária para não vender a ilusão de favoritismo absoluto.

Deve-se admitir que Tite, no comando da seleção, fez com que houvesse um trabalho diário, com método, processos e profissionalismo, mas não o suficiente para que o Brasil fosse além das quartas-de-final da Copas de 2018 e 2022. Pecado dos maiores, também não foi o bastante para delimitar ao gramado a influência do melhor jogador da geração, a ponto de aceitar bovinamente o acesso dos “parças” e que seu pai, eminência parda da seleção brasileira e que sequer deveria estar próximo, corroesse o organograma hierárquico necessário a qualquer organização.  

Outro ponto, já abordado aqui, é o afastamento do torcedor. E são diversos os vértices a ligar as arestas dessa figura cheia de faces: Pegando o recorte específico abordado aqui, desde o 7 a 1, o Brasil jogou 49 amistosos. Destes, somente cinco foram jogados no país. Em termos de comparação, o Brasil jogou 11 vezes nos Estados Unidos e seis na Inglaterra. Nem quando havia a possibilidade de buscar uma reaproximação, e a melhor oportunidade se ofereceu antes da Copa de 2018. O único amistoso realizado naquele ano antes do Mundial ocorreu em março. E não foi no Brasil, foi na Rússia. Jogos oficiais são proibitivos pelo preço. O ingresso mais barato do último jogo de eliminatórias disputado em terras brasileiras custou R$ 200,00 (a meia entrada). O preço cheio variou entre R$ 400 e R$ 600. 

O calendário também não ajuda, com a imposição das 38 rodadas do Campeonato Brasileiro e a necessidade de proteger os campeonatos estaduais, que garantem a subsistência de inúmeros clubes, postos de trabalho e setores da economia local. Queiram ou não os defensores do planejamento hipotético dos maiores clubes, o futebol não se restringe aos 13 que criaram a Copa União, em 1987, nem os outros estão fadados a serem seus entrepostos. A resposta? Não sei, mas defenestrar os clubes menos ricos ou menores jamais será o caminho.

Um dos impactos é a impossibilidade de parar os campeonatos para que seleção possa atuar. E nem adianta falar que no dia dos jogos da seleção não há jogos, já que eles acontecem no dia seguinte. Como acomodar isso? Haverá quem possa dar as respostas. Por aqui, fazemos as perguntas e fomentamos o debate. O jornalista Júlio Gomes sugeriu, em sua coluna do UOL, inverter estaduais e o Brasileiro para coexistirem de maneira mais inteligente e poder haver uma parada de verdade para que os jogos da seleção não desfalquem os clubes e causem a revolta de torcedores e jornalistas mais figadais, digamos assim. Eu considero a ideia do Júlio muito boa, portanto, viável. A minha seria mandar às favas os pontos corridos. Não acontecerá.

Mas voltemos à eliminação na Copa América. Ela é o resultado de todas as barbeiragens cometidas pela CBF, sobretudo pelo seu presidente, Ednaldo Rodrigues. Não a eliminação em si, mas a forma, que até foi previsível. A queda nas quartas de final, no Catar, foi encarada como fracasso e, em vez de esperar pelo rescaldo e analisar o que foi feito de bom e de mau, que é o mínino que se espera quando existe algum direcionamento, tudo o que foi trabalhado até ali foi jogado fora. O Brasil ficou sem supervisor e diretor de seleções e todas as decisões foram tomadas monocraticamente por Rodrigues, que não é lá um sujeito a quem se possa atribuir todas as qualidades de um grande gestor. Se fosse, não compraria a ideia, praticamente platônica, de que Carlo Ancelotti ocuparia o cargo de treinador da seleção. Mais que isso, caso Carlo realmente tivesse assinado o contrato, a transição jamais poderia ser feita por um treinador com características tão diferentes.

Até Ednaldo sabe disso, tanto que vendeu a ideia de que Fernando Diniz e Carlo Ancelotti tinham conceitos parecidos. O problema é que claramente não têm. De toda forma, qualquer que fosse o resultado desse “espera aí que eu vou depois”, o treinador pegaria um trabalho a partir do zero, que é o que aconteceu com Dorival Júnior. A Copa América, portanto, não poderia ser o ponto de análise do projeto, e sim o de partida, e o resultado é o que menos deveria importar.

No entanto, como não existem verdades absolutas ou garantias de vitórias no futebol, não é possível notar que o período entre a apresentação dos convocados e a despedida do torneio trouxe evolução alguma. O que pudemos perceber foi o contrário: a incapacidade de sair jogando – o jornalista Leonardo Bertozzi trouxe, no Linha de Passe seguinte ao jogo com o Uruguai, um dado insuspeito: os jogadores que mais tocaram na bola no primeiro tempo foram o zagueiro Marquinhos e o goleiro Alisson, além de que apenas um passe foi concretizado no último terço do campo defensivo uruguaio – e a falta de rotinas que pudessem potencializar o talento dos principais jogadores, que, sim, existem e atuam destacadamente em alguns dos principais clubes do mundo.

Este texto não tem a intenção de dar as respostas e interditar o debate. Pelo contrário, é preciso analisar e tentar entender o que levou o futebol brasileiro para além do fundo do poço, que, imaginava-se, era perder de 7 a 1 em casa numa semifinal de Copa do Mundo.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

SELEÇÃO BRASILEIRA - Escolha óbvia e confortável

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Mesmo antes do anúncio oficial por parte da Confederação Brasileira de Futebol, é possível afirmar que Dorival Júnior será o novo técnico da Seleção Brasileira masculina de futebol, em substituição a Fernando Diniz, demitido na semana passada. O São Paulo, que era dirigido pelo treinador, divulgou uma nota oficial dando conta de que o liberou para assumir o comando da Seleção, e a sua oficialização no cargo até a Copa de 2026 é uma questão de horas. 

Trata-se de um processo todo atropelado graças à absoluta falta de tato do [ainda] presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Primeiro, a ideia era Diniz ficar até a chegada do italiano Carlo Ancelotti, que, sabe-se, resolveu renovar com o Real Madrid. Ainda de acordo com o projeto inicial, Diniz ficaria na Comissão Técnica de Ancelotti para assumir depois da Copa do Mundo, e aí já existiria um problema que pouca gente se atentou: como um presidente que não tem mandato para lá de 2026 poderia definir o substituto para além de sua gestão?

Com a óbvia negativa do italiano, Diniz caiu porque os resultados eram muito ruins e, principalmente, porque nunca houve convicção alguma na sua escolha. No caso de Dorival, se não existe um consenso sobre quem deve ser o técnico da Seleção [raramente há], não há rejeição em torno de seu nome, que será um espécie de apito de cachorro para distrair a opinião pública nos próximos dias.

Se há um lado bom nessa escolha, é a reaproximação com o legado deixado por Tite. O treinador da Seleção nas últimas duas Copas, se não conseguiu fazer o Brasil apresentar bom futebol, deixou uma estrutura de trabalho pronta, com rotina diária e radar global em busca de informações dos selecionáveis, e isso foi jogado fora com a salomônica escolha por Fernando Diniz, que dividia seu tempo entre a Canarinha e o seu time, o Tricolor do Rio de Janeiro. Não por culpa dele, mas do aventureiro que imaginou que esta seria uma excelente ideia.

Ao romper com a própria ruptura, cai por terra essa coisa sem sentido de ter, por um ano, um treinador completamente diferente do que viria. Mas convenhamos: coerência não é o que devemos esperar da CBF. 

sábado, 14 de novembro de 2020

Brasil 1 x 0 Venezuela - zzzzzzzzzz


Um sono só. Assim pode ser definida a partida que colocou o Brasil na liderança isolada das protocolares Eliminatórias para a Copa de 2022. O resultado, magrinho, magrinho, condiz perfeitamente com o que foi o jogo.

E não se trata daquela papagaiada de que a Venezuela é fraca - embora seja - e que há pouco tempo a questão era saber o tamanho da tunda que a Viño Tinto levaria. O mundo do futebol evoluiu e com a Venezuela não é diferente, embora, reitero, a distância técnica entre os onze que alinharam no Morumbi é maior que o estádio do São Paulo.

José Peseiro, português que comanda a Venezuela, armou o time com duas linhas compactas, ora com quatro, ora com cinco no meio, com Soteldo e Macris voltando para compor com Casseres, Rincón e Moreno, e impôs as dificuldades que a Seleção Brasileira sob a gestão de Tite encontra quando enfrenta times assim, fechados e organizados. 

Com um 4-3-3 tendo três centroavantes, dois volantes e um meia, o Brasil não encontrava forma de fazer a bola chegar com qualidade na frente, onde Richarlison era o mais perto de um jogador de referência e Gabriel Jesus, em noite infeliz, trocava de posição com Firmino, que pouco ou nada fazia de bom. Em muito, se deve ao fato de Douglas Luiz deixar a criação a cargo de Everton Ribeiro. Certo, não se pode mais jogar com a Venezuela achando que será um vareio, mas dava para perceber em 20 minutos que a coisa não ia funcionar com um time tão pragmático, quadrado, engessado.

E era um tal de "roda, roda, roda" de Tite à beira do campo, quando precisava fazer com que as linhas venezuelanas se desarrumassem, fosse com passes ou partindo para cima, na base do drible, o que não é pedir muito em se tratando do Brasil. Em vez disso, ficava tocando bola da direita para o meio, e de lá para a esquerda, e voltava para o meio.

Mesmo quando abriu mão de um dos volantes para a entrada de Lucas Paquetá, a coisa não funcionou bem, pois o problema da falta de profundidade não foi resolvido. Justiça seja feita, foi em um passe do meia do Lyon que Everton Ribeiro, melhor brasileiro em campo, foi ao fundo e assim nasceu o gol de Firmino. Verdade seja dita, porém, o gol só saiu porque a zaga rebateu mal e praticamente deu um passe para o atacante de Liverpool fazer o gol que manteve o registro intacto dos de Tite.

Não para fazer justiça, porém. Mesmo com os inúmeros desfalques por lesão ou pela Covid-19. Com o que tinha, Tite poderia fazer muito melhor do que engessar o time e esperar que o gol saísse por que sim.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

À Tite, Brasil conquista Copa América e seu treinador enfim volta a ter paz

YOU ARE THE CHAMPIONS Brasil, mesmo sem Neymar, conquista
 a nona Copa América de sua história (Foto: Vítor Caivano /AP)
Após a decepção causada pela Copa de 2018 sem brilho, Tite tinha como missão vencer a Copa América, fosse como fosse. Resolveu, então, dar uma bica no planejamento para o Mundial e garantir seu lugar sob o boné no Catar. Assim, convocou jogadores cascudos que, talvez, não cheguem em dezembro de 2022 (o evento foi transferido pela primeira vez para o fim do ano por causa das temperaturas desumanas do verão no Oriente Médio) em condições físicas, como Thiago Silva e Daniel Alves, dois dos três melhores jogadores da equipe na competição (o outro foi Gabriel Jesus, que, mesmo torto à direita, foi decisivo nas semifinais - talvez não tanto quanto a arbitragem - e na final - apesar da arbitragem). 
Com o cargo em risco e sem seu principal jogador, Neymar, o selecionador brasileiro gastou uma competição de importância secundária, na qual poderia, caso seu prestígio fosse o mesmo do pré-Copa da Rússia, fazer experimentos no ambiente de competição, que sempre é diferente de amistosos. Por isso, mudanças táticas foram quase inexistentes, e os nomes dos titulares, com exceção de David Neres, que realmente foi muito mal no jogo e meio em que atuou, só mudariam a partir do Departamento Médico. Obra do acaso ou da melhor distribuição em campo causada pelo fim das centralizações de jogadas em Neymar, o Brasil mostrou-se uma equipe mais sólida, embora pouco imaginativa por causa das opções táticas de Tite.   

A final com o digno time do Peru teve a cara do treinador brasileiro, assim como quase toda a competição: obediência tática, entrega e um ou outro brilhareco individual, o suficiente para conquistar o nono título da Copa América e manter a escrita de sempre vencê-la em território brasileiro, como já fizera em 1919, 1922, 1949 e 1989. Bonito ou não, pouco importa, como pouco será dito sobre a desastrosa arbitragem da decisão, que expulsou Gabriel Jesus sem motivo algum e marcou um pênalti  sobre Everton Cebolinha que nem Javier Castrilli marcaria. Mentira, aquele argentino desgraçado marcaria sim!

O Brasil abiscoitou todos os prêmios individuais: melhor goleiro (Alisson), artilheiro, melhor jogador da final (ambos para Everton Cebolinha) e craque da competição (Daniel Alves), e isso numa competição marcada pelo nível técnico nivelado por baixo, cujo grande jogo, entre Brasil e Argentina, não foi nenhum exemplo de partida para ficar na história. E olha que estamos falando de uma Copa América em que, exceto Neymar (que não fez a menor falta, diga-se), as seleções trouxeram seus craques (Sanchez e Vidal, pelo Chile; James com a Colômbia; os uruguaios Cavani e Suárez; e Messi). Ok, o Japão veio com o Sub-23 reforçado, mas também não é lá algo para se notar a ausência.


FEZ A LIMPA Todos os prêmios individuais ficaram com brasileiros, bem
como a taça de campeão e o troféu Fair Play (Foto: Mauro Pimentel/AFP)


O que interessa, de fato, é que o Brasil volta a conquistar algo relevante depois de quase 12 anos (o bicampeonato da Copa das Confederações não conta para uma seleção com tantos títulos) e Tite terá, enfim, fôlego para renovar a equipe que disputará a próxima Copa do Mundo, e também para corrigir o problema crônico de pouco criar contra times fechados. Para vencer na América do Sul foi suficiente; contra gente grande mesmo, são outros 500, mas seria muito rabugento de minha parte destacar isso poucas horas depois da conquista. De chato, basta o futebol da Seleção.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Para o gasto e sem o VAR, deu Brasil

BRILHANTE  Gabriel Jesus "renasceu" na Seleção (Foto: Eugenio Souza/AP)
Suficiente e letal. Assim pode ser considerada a atuação do Brasil na vitória sobre a Argentina, pelas semifinais da Copa América. Messi e Argentina fizeram seu melhor jogo na competição, o que não significa dizer que foram bem. 

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A quadradabilidade da seleção de Tite

Da Albiceleste, o que dá para elogiar é a entrega, e só. Um catado de azul e branco, que não se armou para se defender porque não sabe e não atacou decentemente porque Messi não joga sozinho, e que tomou um gol patético, parando para pedir um pênalti (que não houve)* e com três jogadores desabando ao tentar tirar a bola de um Gabriel Jesus extenuado, quase se arrastando de cansaço. Ainda assim, o "time de Scaloni" acertou duas bolas na trave. 

Ainda sobre Messi: não se joga sozinho. Ele começa a jogada, passa a bola e o lance acaba. Contra uma defesa sólida, que não tomou sequer um gol no torneio, era preciso ter companheiros minimamente razoáveis, coisa que ele não tem.

Sobre o Brasil, uma partida com a cara de Tite: fria, calculista, sólido na defesa e com poucas chances de gol, mas com um aproveitamento exemplar. O Brasil fez um jogo burocrático, com Cebolinha e Arthur abaixo, mas com Gabriel Jesus brilhante (e sacrificado outra vez pela teimosia do treinador) e Daniel Alves fazendo uma partida gigante, de almanaque, de contar para os netos. Quiçá, a melhor exibição com a camisa da Seleção do jogador mais titulado da História do futebol.

Pode não ter sido vistoso, e não foi mesmo, mas jogos como estes não são feitos para que o brilho apareça, e sim a entrega, e, convenhamos, isso não faltou de parte a parte, quer pelo burocrático Brasil de Tite, quer pela tragicômica Argentina de ninguém. 

Enfim, um Brasil x Argentina raramente é um jogo excepcional e o Brasil teve o desempenho que se espera num jogo desses. Se pensarmos em atitude, todos foram brilhantes, pois não afinaram, não tiraram o pé. Assim, encaminhou uma vitória importantíssima.

**

*PS. "Una VARbaridad". Esta é a manchete do Diário Olé, o principal jornal de esportes argentino. Vi os lances reclamados pelos argentinos após o jogo, no programa Linha de Passe, da ESPN. Eles têm razão. Daniel Alves faz um pênalti gigantesco no início da jogada do segundo gol do Brasil, que não teria acontecido caso tivesse sido marcado. Messi poderia perder, poderia cair num buraco na hora da cobrança, poderia ter sofrido um enfarte, uma porção de coisas, mas o pênalti deveria ter sido marcado. Antes que falem em interpretação, não era para isso. Foi pênalti em todas as interpretações possíveis. O segundo, do Arthur no Otamendi, também foi, mas o placar já estava praticamente definido. O VAR é uma vergonha e foi desmoralizado porque o péssimo juiz central simplesmente não quis ver o vídeo. Se o VAR avisou que não houve nada de anormal, fechem as portas e abandonem o recurso. 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

A quadradabilidade da Seleção de Tite

E AÍ, PROFESSOR? Time previsível pelas escolhas convencionais do treinador,
que passou de Midas a contestado (Foto: Juan Mabromata/AFP)
Um chute no gol em 100 minutos de jogo. UM CHUTE! Um Brasil burocrático e bagunçado, com um técnico previsível, com jogadores fora de posição e com muito o que explicar na coletiva. VAR (essa desgraça do futebol moderno) à parte, o Brasil não mereceu vencer a boa Venezuela, armada para se defender bem e que, com uma boa dose de coragem, poderia ter feito história em Salvador.

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Os reis da Europa


Taticamente o Brasil se comportou bem sem a bola, com recomposição rápida e pressão no campo de ataque para recuperar a bola rapidamente. Mas o que fazer quando se tem a bola? Tite armou um time quadrado, com pouca movimentação e com jogadores em posição errada. Com pouco tempo para treinar, seria interessante aproveitar as características possíveis de serem aglutinadas, como o posicionamento de Roberto Firmino um pouco mais recuado, jogando atrás do outro atacante. 

Comparando com outra seleção só para aproximar as condições, Fernando Santos mudou o jeito de Portugal jogar durante a Eurocopa e também na Liga das Nações. A coincidência foi ter ganho ambas. Na Euro, Portugal empatou os três jogos na primeira fase, com direito ao maior número de finalizações e segunda posse de bola, mas com pouca efetividade. Na Liga das Nações, quando ele recuou Bernardo Silva e Gonçalo Guedes, Portugal voltou a ter a bola, mas com jogadores melhores pra isso.

Em ambos os casos, a qualidade do jogo apareceu nisso, e em direções opostas, mas guiado pelo que poderiam entregar em campo. Obviamente que não é o caso de o Brasil passe a jogar como na época de Dunga e volte a especular, pois não é esta a característica do nosso jogo, tampouco dos jogadores à disposição, mas, até aqui, Tite não se mostrou à vontade para modificar a forma de jogar. Contra a Vinotinto, fez três substituições: Richarlison por Gabriel Jesus, Casemiro por Fernandinho e David Neres rendido por Everton Cebolinha. Trocando em miúdos, três trocas simples, com jogadores com características parecidas para executarem a mesma função dos substituídos.

SEIS POR MEIA DÚZIA Alterações somente nos nomes, não na forma de jogar
Tite, durante a coletiva, disse que não dá para esperar que, na troca de volante por meia, as coisas mudem por um "passe de mágica" e que é preciso haver uma estrutura tática que propicie isso. Ora, qual o trabalho do treinador, que não este? Qual é a função do comandante, além de encontrar uma maneira de fazer o meio-campo, setor fundamental para quem tem a bola como o Brasil tem, organizar o jogo e fazer com que os atacantes sejam servidos, ou, em outra situação de jogo, fazer com que os espaços surjam contra equipes fechadas?

Não se trata do mítico “camisa 10”, esta instituição sumida no futebol brasileiro, e sim de fazer o negócio funcionar, o jogo fluir, os volantes aparecerem na frente.  Como na Copa, Tite se agarra às suas convicções. Coutinho vai mal, Casemiro vai mal, Tite vai mal.
Um chute no gol em 100 minutos, apesar da posse de bola de 70%, mas 37 cruzamentos na área, o que explica o meio-de-campo insosso. Se o frio torcedor paulistano que foi ao Morumbi não apoiou na estreia, em Salvador nem o "axé dos baianos" resolveu.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Números favoráveis não salvam ano pífio da Seleção Brasileira

NÚMEROS MENTEM Brasil venceu todos amistosos, mas fez uma Copa
 do Mundo bem abaixo do que poderia (Foto: Jewel Samad/AFP)
A Seleção Brasileira fechou o ano "positivamente". Foram 15 jogos, com 13 vitórias, um empate e uma derrota, com 28 gols marcados e apenas três sofridos e um aproveitamento de quase 90%. Números superlativos, que, em condições normais, mostrariam um trabalho com consistência, que atingiu o sucesso esperado por dez entre dez torcedores - nos quais não me incluo. Em condições normais, porém, os números mostram menos do que deveriam, apresentam meias verdades.

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Por que, Tite?

Trajando as vestes da modernidade, Tite abriu a temporada sob a confiança da torcida, que o via como o condutor ideal do hexa, o portador da boa nova após a trágica passagem de Dunga. E os números, sempre eles, fiavam a imagem de Midas do futebol nacional. Afinal, pegou a equipe em situação de extremo risco e a levou a uma incontestável classificação à Copa, com brilho, intensidade, competitividade. Enfim, "Titebilidade", como brincavam torcedores e mídia com o jeito de falar do treinador, idolatrado por grande parte da imprensa dita especializada.

E é aí que morou o problema. A unanimidade fez mal ao treinador, que chegou à Copa no pedestal da genialidade. As entrevistas do "Professor Adenor" mais pareciam o quadro do Profeta, do genial Ronald Golias, na Praça É Nossa. Nenhuma contestação, Neymar fazendo o que queria, jogadores rendendo abaixo do que era o necessário, sobretudo atuando em campeonatos de nível de competitividade quase nula. Outros, chegaram à Rússia na curva descendente do condicionamento físico e minguaram durante a competição, que era o único objeto do Brasil, que foi uma espécie de estudante que tirou nota máxima em todos os simulados, mas que bombou na prova porque chegou confiante demais e foi pra balada na noite anterior.

UÁLA! Entrevistas coletivas mas pareciam palestras. (Foto: Youtube)
15 jogos, 13 vitórias, um empate e uma derrota, sofrendo só três gols, mas justamente quando não podia, na Copa do Mundo em que jogou bem em apenas dois tempos, em partidas diferentes, durante toda a competição. Realmente, os números mostram quase tudo, mas escondem o essencial, como diria o Roberto Campos naquela analogia com o biquíni.

O lado bom é que agora o manto da inquestionabilidade não cobre mais o "Professor", nem sua primadona. Eis um passo necessário a ser dado para que o outrora país do futebol recupere, pelo menos, a decência de suas atuações em campo. Principalmente quando for valendo.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Pai Marcola Copa da Rússia 2- Palpites para as quartas de final

Já que errei mais do que acertei nas oitavas, vamos às previsões do Pai Marcola para os quartos-de-final da Copa:
Brasil x Bélgica - jogo chato, complicado, que envolve quem ainda tem que provar seu valor contra a camisa mais pesada do futebol mundial. A Bélgica só será respeitada quando cumprir uma grande campanha, como chegar às semi-finais, por exemplo, ou eliminar um gigante (ou os dois juntos). Terá a chance amanhã, mas o Brasil se encontrou durante a Copa e, embora com o elenco enxuto pela teimosia do técnico/civilizador Tite, tem camisa, time e bola (também graças ao Adenor, diga-se) para passar. Ficará para a a próxima, Bélgica.
França x Uruguai - primeiro jogo realmente grande dos gauleses no Mundial (o Exército de Brancaleone albiceleste não conta), e não terão Matuidi contra o gigante Uruguai, que sentirá muito mais a lesão na panturrilha do Cavani que o próprio. Aos cisplatinos, resta colocar o coração charrua na ponta da chuteira outra vez, morrer a cada bola disputada e torcer para que Suárez seja ainda maior do que é. Na pior das hipóteses para os orientais, este jogo renderá outro texto brilhante do Nicolás Bianchi. Mesmo sem brilhar até aqui (e com Mbappé voando), a França deve passar.
Rússia x Croácia - ninguém, nem mesmo os russos, sabem como chegaram até aqui. A Croácia fez um jogo medonho contra a Dinamarca, no qual seu fabuloso meio-de-campo não funcionou. Pode ser este o caminho para que falte ainda mais vodka e a expectativa de vida do cidadão russo diminua consideravelmente. Em condições normais, os enxadrezados passariam o carro por cima dos donos-da-casa, mas esta não e uma Copa normal. Ainda assim, a Croácia deve aparecer novamente na semifinal.
Inglaterra x Suécia - depois de negar o carimbo nos passaportes italianos e holandeses e quase engasgar com o chucrute alemão, a Suécia tem outro "gigante" (mais ou menos, né? Baita futebolzinho supervalorizado o dos três leões) para tombar. Sem Ibra, o conjunto ganhou força e o sistema defensivo, posto à prova em jogos de grande envergadura, como diz o Rogério Centrone, é duro feito rocha. Do outro lado, a "ótima geração inglesa", que viu a vaca deitar contra a Colômbia, terá seu mais duro teste nesta Copa, que ainda não será deles (talvez as próximas 300 também não, mas é um time talentoso). Aposto um blodpudding (puta troço bom. Recomendo) na Suécia, mas sem muita convicção.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Vitórias, títulos e ingratidão

por Vinicius Carrilho*

Foram três anos, cinco títulos e o nome gravado na história do Sport Club Corinthians Paulista para sempre. Assim podemos resumir a segunda vez em que os caminhos do alvinegro e de Tite se cruzaram. Neste período, o clube mudou, o técnico mudou, mas o mundo do futebol permaneceu o mesmo: completamente ingrato.

Certa vez, Machado de Assis disse que “a ingratidão é um direito do qual não se deve fazer uso” e, neste caso, o Corinthians fez uso desse direito completamente imoral. Aliás, não só o Corinthians, parte de sua fiel torcida – cada vez menos maloqueira e sofredora, e mais de sofá – também.

É verdade que Tite não teve uma grande temporada em 2013 (apesar de um segundo semestre espetacular em 2011 e um ano estupendo de 2012), assim como também era notório que seu ciclo parecia estar no fim. Porém, a forma como o treinador deixa o clube é melancólica. Como um fantoche, ele ficará fazendo cena no banco de reservas até dezembro, quando, por decisão da cúpula corinthiana, cederá sua vaga para Mano Menezes.

Não há nada de ilegal no que fez o Corinthians, mas Tite merecia mais respeito. Sai do clube como se sua passagem tivesse sido comum, quando, na verdade, o treinador se aproximou muito – se não passou a ser – do título de maior técnico dos 103 anos de história.

Diz-se por aí que o pensamento no futebol, para o torcedor, tem validade definida a cada quarta e domingo. A sabedoria popular, em 2013, foi confirmada por boa parte da torcida do Corinthians, criando o mais triste dos capítulos deste fim de ciclo. Após conduzir o time no ano mais vitorioso de sua história, alguns dos torcedores – aqueles que sabem tanto de futebol que devem ter inventado o esporte – passaram a considerar Tite fraco, retranqueiro e chegaram ao absurdo de atribuir tudo que tivera conquistado a um único fator: sorte.

Enquanto alguns atletas – que, alias, poderiam criar uma nova categoria promocional de operadores de telefone: a promoção dos créditos eternos – eram claramente blindados, Tite recebia, calado, as mais diversas críticas. E assim passou 2013.

Se faltou gratidão no lado alvinegro, sobrou em Adenor. Em entrevista no Couto Pereira, ele disse: “Alguns clubes me ligaram, eu disse não. Só no Corinthians tenho condição de dar continuidade ao trabalho. Se não ocorrer, vou estudar um pouco, curtir a família, reciclar, assistir a jogos, ir para Caxias do Sul ver minha mãe e cuidar da saúde dela”, depois, completou: “Só quero me ater a uma coisa. Não sei qual é o futuro, mas o que foi construído por todos nesses três anos de Corinthians nenhuma equipe do futebol mundial construiu. Ninguém construiu tamanhas conquistas em três anos. Isso é significativo, ninguém vai tirar de nós. Quero guardar isso para o resto da minha vida”.

Nesta quinta-feira (14), dia em que supostamente foi informado de sua dispensa, Tite comandou o treino dos reservas e apenas limitou-se a dizer aos jornalistas presentes: “Estou em paz. Estou em paz comigo mesmo!”. E assim mesmo deve ficar. Ele deixa não só seu nome na história, nem unicamente a imagem de que um técnico preparado naturalmente torna-se vencedor. Adenor Leonardo Bacchi sai do Corinthians deixando claro que, apesar deste meio podre que é o mundo da bola, ainda há quem possa prosperar com caráter.

Agora, resta apenas a torcida que faça sua parte. Dia 01 de dezembro de 2013, no Estádio do Pacaembu, o Corinthians faz seu último jogo em casa com Tite no banco de reservas. Mais do que tudo, é uma obrigação que todos os presentes façam desta partida uma grande despedida. É o mínimo que se espera para a ocasião. Absolutamente todos devem reverenciar Adenor Leonardo Bacchi, até mesmo se for algo falso. Até porque, como cantava Antônio Marcos:

“Ah, o mundo sempre foi
Um circo sem igual
Onde todos representam
Bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço
É natural"

* Vinicius Carrilho tem 22 anos, é jornalista, 
morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida 
fazendo humor, mas escreve melhor do que conta piadas.