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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Credencial

Sim, estou bêbado. Definitivamente, dei-me o direito de comemorar a vitória portuguesa sobre os tchecos, pelos quartos de final da Eurocopa 2012. A exemplo das edições de 1984, 2000 e 2004, a Selecção das Quinas chega às meias-finais do segundo torneio mais importante de seleções do mundo.

GARRAS AFIADAS Cristiano homenageia
Eusébio ao mostra as garras da pantera

Para assistir ao duelo, escolhi a padaria do amigo Johnny, em Diadema. Diferentemente dos jogos da Barcelusa no ano passado, desta vez não houve os tradicionais tremoços, mas nem precisava. Entre um lance e outro, lá vinha ele com uma garrafa de Antarctica e uma boa história. 

Foi uma partida relativamente tranquila. A República Tcheca atuou o tempo todo esperando por um erro da irregular linha defensiva de Portugal, o que não aconteceu. Pepe, Bruno Alves, João Pereira e, principalmente, Fabio Coentrão foram soberanos, garantindo ao guardarredes Rui Patrício o papel de espectador de luxo.

No meio, outra vez, Raul Meirelles foi gigantesco. Nem a contusão de Hélder Postiga foi sentida, já que Hugo Almeida, que eu não gosto, diga-se, fez uma partida acima do que costuma apresentar. Com ele, a defesa tcheca ficou enfiada na área, o que fez surgirem espaços para João Moutinho, Nani e Cristiano Ronaldo brilharem.

E foi o Puto Maravilha quem decidiu novamente. Duas bolas atiradas ao poste e um sem número de jogadas insinuantes, sempre buscando o golo. O capitão luso jogou mais do que fizera contra a Holanda, se é que isso era possível. Contra os Países Baixos, Ronaldo enfrentou um time aberto e desarrumado. Contra os tchecos, no entanto, teve um time fechado à frente. Não fosse pela atuação de Petr Cech, a vitória seria mais expressiva.

EM GRANDE Bicicleta, trave, gol. Cristiano Ronaldo só não fez chover

A atuação de hoje credencia o time de Paulo Bento ao título. Venceu com propriedade, com sobras. Uma vitória de time grande. Voltarei à padaria para as meias-finais, seja quem for o adversário, pois isso é o de menos. A dor de cabeça passa, a ressaca acaba, mas a alegria é eterna.

Aos sonhos, às taças e às armas, Portugal!

domingo, 17 de junho de 2012

O lugar comum e a má vontade.

Hoje, em Carcóvia, na Ucrânia, Portugal massacrou a Holanda e garantiu a apuração aos quartos-de-final da Euro 2012. O placar de 2 a 1 para os comandados de Paulo Bento não refletiu a superioridade sobre o time de Bert Van Marwijk, que saiu na frente mas em momento algum demonstrou ter bola e cabeça para vencer, mesmo com o placar favorável.

Nem vou falar do jogo em si, pois o leitor por certo já leu impressões de gente mais gabaritada que este que vos escreve sobre os noventa e poucos minutos de jogo. Meu negócio, hoje, é com a imprensa dita especializada.

Chega a ser irritante a má vontade da imprensa brasileira para com a Selecção das Quinas. Começou e competição e já falaram que o time português é fraco, que o Pepe é violento e que Cristiano Ronaldo é pipoqueiro, além de chamarem Portugal de "exército de um homem só". Puro lugar comum de quem se importa mais com manchetes de jornais do que com um jogo inteiro.


Pepe tem jogado demais. Nenhum zagueiro, mesmo os badalados espanhóis e alemães, tem feito a Eurocopa que o luso-brasileiro faz. Foram três partidas soberbas, embora tenha falhado no segundo golo dinamarquês. Marca na bola, com rispidez, mas na bola, como todo defesa deve ser, diga-se. E ainda marca seus golos. No entanto, na primeira falta mais forte que fizer, já falarão que é violento.

Outro nome que está brilhando é Fabio Coentrão. Um monstro na retaguarda, um tormento aos contrários no apoio. Sem contar que foi o melhor lateral-esquerdo da Copa da África do Sul. Para a crônica tupiniquim, porém, joga menos que o chiliquento e nada confiável Marcelo. Sem contar nomes como Raul Meirelles, Miguel Veloso e João Moutinho, que não têm o reconhecimento dos críticos do Novo Mundo.

No entanto, nada se compara com as críticas feitas a Cristiano Ronaldo. É praxe chamá-lo de pipoqueiro a cada atuação ruim ou decisão perdida. Citam as grandes penalidades perdidas na decisão da Champions contra o Chelsea, em 2008, mesmo sendo ele o autor do tento de sua equipa, e contra o Bayern, nesta época, pelas meias-finais, quando ele também marcou no tempo regulamentar, e por duas vezes. 

Mesmo pelo time do Real Madrid, o qual tem levado às costas desde que chegou, é só ter um jogo mais ou menos ou uma derrota para o Barcelona, que deixa de ser o segundo melhor do mundo e vira um jogador trivial.

NEM ASSIM? Cristiano Ronaldo fecha o caixão holandês.
Dois gols e atuação de gala (Reuters)

Hoje reconhecem o seu valor graças à atuação diante dos holandeses. Dizem até que foi sua melhor partida na equipa nacional de Portugal, mas na primeira mal conseguida que tiver todos duvidarão do seu potencial. Sorte de Eusébio não jogar nos dias que correm.

Ronaldo comemora seu segundo golo frente aos holandeses (Yves Herman/Reuters)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O fator Cristiano Ronaldo

Hoje Portugal venceu a Dinamarca na bacia das almas, com o golo da vitória anotado já perto do fim do tempo regulamentar. O jogo, que estava à feição de Portugal desde o pontapé inicial, ganhou cores de drama quando o time escandinavo achou um empate improvável após estar perdendo por 2 a 0.

Não que a Selecção das Cinco Quinas fosse um rolo compressor, mas a Dinamarca não tinha time, bola e competência para incomodar. O time de Paulo Bento tinha a bola no pé mas esbarrava em uma apresentação abaixo da crítica do seu capitão, Cristiano Ronaldo, que fez, seguramente, sua pior exibição com a camisola portuguesa.

Cristiano Ronaldo falha chance clara de golo (Reuters)

Pior que isso, o camisola sete luso se escondia do jogo, exceto por duas ou três jogadas mais agudas. No mais, os toques infrutíferos para o lado, a falta de inspiração e a pouca transpiração apresentada por quem parecia temer a bola.

O falhanço apresentado já dentro da área, sozinho na frente do guardarredes contrário, momentos antes do golo de empate da Dinamarca, poderia ter deitado ao solo toda e qualquer esperança de apuração da seleção portuguesa, não fosse pelo golo salvador do portista Varela. 

João Moutinho e Varela comemoram golo da vitória (Getty Images)
Quando apupado pelos adeptos, que o provocaram aos gritos de "Messi, Messi", o astro português atacou o argentino, dizendo que ele a esta altura já estaria eliminado. Uma atitude absolutamente desnecessária em um momento no qual ele deveria assumir seus erros e se preocupar em jogar o que pode. Seguramente, as chances lusitanas passam pelos pés e pela cabeça do jogador do Real Madrid.

A salientar, positivamente, as atuações de Pepe, Raul Meirelles e Fábio Coentrão, gigantes no relvado da Arena Lviv.

Mais uma excelente atuação de Fábio Coentrão (Reuters)

domingo, 3 de junho de 2012

Risco iminente

Faltando uma semana para o início do Euro 2012, Portugal encerrou seus jogos de preparação. Os adversários foram Macedônia e Turquia, com um saldo desastroso de um empate em branco contra os balcânicos e uma derrota por 3 a 1 para os turcos.

Diferentemente do jogo contra a antiga república da Iugoslávia, quando o futebol apresentado pelos comandados de Paulo Bento foi qualquer coisa próxima do nada, a partida frente aos turcos, em um estádio da Luz lotado, mostrou uma equipa insinuante, jogando verticalmente o tempo todo, buscado o golo, criando hipóteses claras a todo instante, mas que, quase sempre, buscava o inoperante Hugo Almeida no comando de ataque.

Turcos comemoram mais um gol contra Portugal (Reuters)
Portugal não tem tradição de grandes centroavantes. Notadamente, os últimos a envergarem a camisola lusa e que tiveram algum destaque na função foram Pauleta, Nuno Gomes, Helder Postiga e Liédson, este naturalizado e que, há muito, deixou de estar nas contas do "mister" Paulo Bento. Postiga está o grupo, mas nunca se firmou para merecer, indiscutivelmente, um lugar no onze inicial.

Paulo Bento, o técnico de Portugal
Também contribuíram para o insucesso as falhas defensivas individuais que culminaram nos três golos contrários, ora com o guardarredes Rui Patrício, ora com o zagueiro Bruno Alves, ora com Ricardo Costa e Pepe, que deram o terceiro tento para um adversário que sequer disputará a Eurocopa. 

Outro fator determinante para o desáire diante dos turcos foi o pé descalibrado de Cristiano Ronaldo, que chegou a falhar uma grande penalidade quando o placar apontava 2-1, embora tenha mostrado o futebol de alto nível que tem jogado no Real Madrid. E é nele que são depositadas as esperanças de conquistar o troféu que escapou em 2004.

O grupo em que Portugal caiu é o mais forte, com as quatro seleções figurando entre as dez primeiras no ranking da FIFA. Alemanha e Holanda, inclusive, estiveram nas meias-finais da última Copa do Mundo e a Dinamarca encaminhou Portugal para as repescagens do Mundial de 2010 e da própria Eurocopa.

Desde 1996, quando foi eliminada nas quartas-de-finais pela República Tcheca, a Selecção das Cinco Quinas tem passado da primeira fase. Em 2000 caiu nas meias-finais, no Gol de Ouro do gênio francês Zidane. Em 2004, em casa, perdeu a final contra a improvável Grécia, e em 2008 foi desclassificada pela Alemanha, nas quartas.

O risco de quebrar esta escrita, pois, existe, e é bom que os últimos resultados tenham servido para que Paulo Bento encontre um forma de proteger melhor a cidadela lusitana, além de fazer com que um ataque que tem se mostrado tão perdulário desperdice menos oportunidades, de preferência com outro avançado a titular. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Às armas, pois, Portugal!

Às armas, Portugal! Portugal está apurado à fase final da Eurocopa. A decisão foi nesta terça, 15, no estádio da Luz, diante de 60 mil patrícios. E com uma atuação para espantar qualquer dúvida quanto ao poderio da Selecção das Quinas: um inapelável 6 a 2 contra a perigosa seleção da Bósnia, com Cristiano Ronaldo e Helder Postiga a bisar e Nani e Miguel Veloso completando o escore.

Como era de se esperar, o jogo não foi dos mais tranquilos. Só ficou ao gosto português quando a Bósnia ficou reduzida a 10 homens, instantes após Ronaldo apontar, em grande estilo, o terceiro golo português. Ainda assim, a Bósnia voltou a discutir o apuramento quando diminuiu para 3 a 2. A partir daí a então perdulária equipa de Paulo Bento cilindrou o adversário, com três golos.

Agora que o purgatório da repescagem está superado, cabem algumas considerações: Portugal precisa de um guardarredes mais confiável que Rui Patrício, Ricardo Carvalho tem que voltar o quanto antes e Cristiano Ronaldo tem, sim, condições de ser o ponto de desequilíbrio da equipa, que marca presença pela sétima vez consecutiva na fase final dos grandes torneios que disputa: Copa do Mundo e Eurocopa.

A baliza lusa passa por uma situação curiosa. Eduardo, que deveria ser o dono da posição, é apenas suplente do brasileiro Artur no Benfica. Assim está em desvantagem na disputa com o leonino Rui Patrício. Acontece que o guardarredes do Sporting não tem tido atuações seguras, o que pode por a termo as chances lusitanas. Uma solução passaria pela volta do bracarense Quim à equipa, mas este não goza da confiança  dos portugueses.

Outro ponto fraco de Portugal é a defesa,  fragilizada após o afastamento do titular indiscutível Ricardo Carvalho, que foi suspenso por um ano pela Federação Portuguesa de Futebol. Cabe aí uma reaproximação, promovida pelo capitão Cristiano Ronaldo, colega de Carvalho no Real Madrid, ou mesmo por José Morinho, que tem prestígio junto à FPF.

No mais, Paulo Bento parece não ter problemas. Tem dois laterais de qualidade para a direita (Silvio ou João Pereira), quem têm a oferecer mais que os antigos internacionais Paulo Ferreira e Bosingwa; o melhor defesa-esquerdo do mundo, Fábio Coentrão, três trincos de muita qualidade, que são Miguel Veloso, Raul Meireles e Thiago, além de João Moutinho, Nani, Carlos Martins e Danny, que são excelentes ganchos a serviço da Equipa Nacional. Hélder Postiga mostrou-se decisivo, mais que Hugo Almeida, e até Nuno Gomes ainda pode sê-lo.

Sobre Cristiano Ronaldo, este está jogando como nunca, seja com a camisola merengue ou com a encarnada. Faz golos de todos os tipos, serve os companheiros e criou, graças a seus últimos treinadores, um senso de grupo que não tinha. Finalmente está pronto para ser o condutor, no relvado, da nau lusitana.

Às armas e às glórias, Portugal.

sábado, 8 de outubro de 2011

Quase lá


Falta pouco, muito pouco, pouco mesmo. Portuguesa e Portugal estão a um jogo, apenas, de conseguirem suas respectivas apurações para a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e para a Eurocopa, ambas no ano que vem. E tanto Lusa quanto Portugal venceram seus compromissos de sexta-feira.

Jogando em Recife, a equipa dirigida pelo Jorginho levou um sufoco desgraçado do desesperado Salgueiro, mas voltou a São Paulo com os três pontos na bagagem, somando agora 60, mesmo desfalcada do maestro Marco Antonio e do seu regra 3 imediato, Ivo. Wéverton teve outra atuação de destaque e a barra salvou-nos, mas a fase é boa e a sorte tem vestido as cores rubro-verdes.

Matematicamente a vitória da Lusa contra o Boa-MG ainda não garantirá a vaga, mas as projeções apontam 62 pontos para, pelo menos, a quarta colocação. Faltam-nos nove jogos e estamos, à condição, 11 pontos à frente da Ponte Preta, a segunda equipa melhor classificada, e 15 a mais que o adversário de terça-feira próxima.__
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Já a equipa das Quinas venceu a fraca Islândia por 5 a 3, no estádio do Dragão. A vitória não foi tranquila, pois mesmo abrindo 3-0 ainda na primeira parte, com Nani (2) e Helder Postiga, e atirando uma bola à barra logo após o reinício do jogo, os comandados de Paulo Bento esmoreceram e viram os islandeses encostarem no marcador. Dois golos nos últimos 10 minutos, com João Moutinho e Eliseu, devolveram a calma aos lusos que foram à Cidade Invicta. Os três tentos permitidos aos gajos da Terra do Gelo mostram o quanto a defesa portuguesa é frágil e depende da volta de Ricardo Carvalho. Que ele e o selecionador Paulo Bento se entendam, pois é Portugal quem perde com essa rusga......
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Também na terça, Portugal vai à Copenhagen defrontar os co-líderes do Grupo-H. A Dinamarca tem os mesmos 16 pontos de Portugal e avançam apenas se vencerem, pois o saldo da equipa lusa é melhor (10x8). Não será fácil, pois os nórdicos venceram suas três partidas em casa e não sofreram golos. Mesmo em caso de desaire, teremos que torcer pelo tropeço da Suécia contra a Holanda, que venceu seus nove jogos, para apurarmo-nos como melhores segundos colocados......


Terça-feira, portanto, é dia de decisão. Dia tenso, de sorriso forçado e pulsação máxima, com a concentração afetada e pensando em futebol o dia todo. Isto posto, senhores, é hora de tirar o bacalhau da água, preparar os bolinhos e deixar as sardinhas prontas para assar. Falta pouco, muito pouco, pouco mesmo.