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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Derrotas que doem mais

REAÇÃO DE EXTREMOS Jorge Jesus, após golo do Porto,
nos acréscimos (Paulo Esteves/ASF)
Os últimos dias tinham tudo para ser especiais para toda a gente benfiquista. Nas três competições das quais tomava parte com enormes possibilidades de título, duas tinham seus estertores se aproximando: o Campeonato Português e a Liga Europa.

No nacional, a confortável vantagem de quatro pontos que o invicto Benfica manteve para o Porto durante boa parte do certame se transformou em dois pontos de folga graças ao inesperado empate diante do insosso Estoril, no estádio da Luz. Na penúltima jornada, no entanto, um empate no Dragão, no clássico com o Porto, deixaria a equipa da camisola encarnada com o título bem encaminhado, já que bastaria uma vitória contra o praticamente rebaixado Moreirense, em casa, na última rodada.

Neste ínterim, havia a decisão da Liga Europa em Amsterdã, diante do Chelsea. Esta, com ingredientes adicionais, emocional e historicamente falando. Além de ser a primeira decisão continental desde a final da Copa dos Campeões da Europa de 1990, a possibilidade de acabar de uma vez por todas com a maldição do húngaro Béla Guttmann, que sentenciou que o Benfica, sem ele, não ganharia taças europeias por cem anos.

É dispensado descrever como foi o andamento dessas duas partidas, contra Porto e Chelsea, o que já foi difundido em profusão pelos meios de comunicação. Em ambas, o Benfica foi melhor, dominou as ações em boa parte das partidas. Não se acovardou, desperdiçou um comboio de golos, mas teve o mesmo fado: perdeu com golos depois do minuto 90. 

IVANOVIC SOBE: segundo golo nos acréscimos,
em dois jogos (Graham Chadwick)
A possibilidade de ser campeão português e evitar o tricampeonato do Porto (e o 20º título nos últimos 30 anos) ainda existe, mas é remota. Caberá a um time moralmente esfacelado, que tinha só duas derrotas na temporada inteira, vencer e torcer pelo desáire do rival invicto na competição, que atuará fora de casa contra o terceiro colocado Paços de Ferreira, o que poderia ser motivo de esperança para a gente encarnada. No entanto, o time da Capital do Móvel tem vaga assegurada na próxima Liga do Campeões e já não aspira nada no certame.

Depois virá a decisão da Taça da Portugal, contra o Vitória de Guimarães, no final deste mês. O que tinha tudo para ser a coroação de uma temporada quase perfeita, pode ser o prêmio de consolação para uma equipa que lutou muito e merecia que a sorte não fosse madrasta..

Mesmo “caindo de pé”, como disseram os benfiquistas mais ponderados, não há orgulho nisso. Derrotas são derrotas, e doem. Todas elas, mas algumas doem mais. O amor é incondicional; o orgulho, não. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O motivo da escolha

*por Fábio Preccaro


Surpreendendo todos que acompanham o futebol europeu, o catalão Pep Guardiola acertou contrato de três temporadas, a se iniciar em julho de 2013, com o todo poderoso Bayern de Munique.
Essa surpresa ficou evidente após ele dizer que gostaria de trabalhar no futebol inglês e jornais da Terra da Rainha cravarem que ele seria o sonho de Roman Abramovich, mandatário do Chelsea, para suceder o ‘tapa buraco’ Rafa Benítez. Os periódicos também diziam que Roberto Mancini balançava no cargo após a eliminação precoce do Manchester City na UEFA Champions League e que Sir Alex Ferguson pensava em aposentadoria do cargo de manager do Manchester United.
Em um primeiro momento, o que podemos TENTAR analisar, por pura especulação, é que Guardiola fugiu de clubes cujo seus mandatários sejam obcecados por resultados positivos e (alguns) brincam de Football Manager: a Inter de Massimo Moratti, o Milan de Silvio Berlusconi e o PSG de Nasser Al-Khelaïfi, além dos times ingleses já citados. A pressão exercida por estes presidentes é imensa, e isso ele não teve no Barcelona e não terá na Baviera.
A Bundesliga é hoje o torneio de melhor média de público (45 mil pagantes) e com taxa de ocupação nos estádios que rondam os 95%. Além disso, o Bayern é disparado o maior vencedor do torneio, com 22 títulos, e sempre é apontado como favorito para levantar a Salva de Prata.
Segundo o comentarista Gerd Wenzel, da ESPN. o clube bávaro tem ‘escolinha de base’, tipo La Masia, onde insere sua filosofia de jogo aos garotos das categorias inferiores. Isso tem dado resultado, já que o atual elenco comandado por Jupp Heynckes conta com seis atletas formados no clube que atuam com regularidade ou são titulares absolutos: Lahm, Badstuber, Alaba, Schweinsteiger, Kroos e Muller.
Junte essa qualidade em formar atletas com o grande poderio financeiro, e teremos um grupo repleto de jogadores de extrema categoria: Neuer, Dante, Boateng, Ribéry, Javi Martínez, Robben, Shaqiri, Luiz Gustavo e Mario Gomez.
Todos estes atletas formam um time de velocidade na saída de bola, que explora bastante as laterais do campo e com qualidade em cadenciar o jogo no meio campo. Quando se defende, o time fica compacto, com os jogadores recompondo de forma rápida e diminuindo o especo do adversário. Talvez não veremos um Barcelona, mas com certeza será um dos maiores times do planeta. Um time que será lembrado por muitos e muitos anos, como os Galáticos do Real Madrid e os Pupilos de Sir Alex Ferguson.
Especialista no futebol alemão, Wenzel também percebeu que o Bayern de Munique é comandado por três ex-jogadores que já venceram a Liga dos Campeões pelo clube na década de 1970**(o presidente Uli Hoeness, o presidente de honra Franz Beckenbauer, com três conquistas, e o diretor executivo Karl-Heinz Rummenigge, com "apenas" dois troféus).
De tabela, Rafa Benítez acabou por perder sua maior sombra para o comando técnico do Chelsea. Essa função, acredito, caberá ao português José Mourinho, ídolo dos Blues.
**1973/1974, 1974/1975 e 1975/1976
* Fábio Preccaro tem 22 anos, estudante de Jornalismo, é fá do futebol do Velho Continente, dos Raimundos, do Bad Religion e da Luiza.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Metáfora da vida.

E 2012 chega ao fim. Não o mundo, como disseram que os Maias disseram, mas o próprio ano. Aliás, que injustiça imputar a eles tal previsão. Justo eles, que foram incapazes de prever o colapso da sua própria civilização, dizimada pelos colonizadores espanhóis.

Foram os espanhóis, coincidentemente, que fizeram da concorrência os "maias da vez". Não só revalidaram o título de campeões europeus como provaram ser a seleção não do momento, mas os responsáveis pela releitura que acontece de tempos em tempos no nosso futebol. Assim como os húngaros nos anos 1940 e 1950 e os holandeses das décadas de 1960 e 1970, a Espanha revolucionou o jeito de olhar, de jogar e de pensar futebol. Quem não entendeu isso perdeu o bonde da história e vai ficar difícil recuperar o tempo e o espaço perdidos.

Também nos gramados espanhóis, Messi seguiu desafiando a lógica. Foram 91 golos anotados em jogos oficiais, com as camisas do Barcelona e da Argentina. Mais que Gerd Mülller, mais que Pelé. É impossível dizer até onde o gênio argentino vai, como também é impossível não colocá-lo entre os grandes da história. Seu "rival", Cristiano Ronaldo, pessoalmente também teve um ano brilhante e provou que pode fazer com a camisola portuguesa o que faz com a merengue. Caso venham ao Brasil em 2014, terão tudo para fazer história.

No futebol brasileiro, o Corinthians escreveu a página mais valiosa da sua história. Depois de 12 anos da conquista do seu primeiro mundial, 2012 reservou o topo do mundo aos corintianos que tomaram de assalto (sem trocadilho) o Japão. Pelas mãos, literalmente, do gigante Cássio e pela cabeça do peruano Guerrero, a Terra do Sol Nascente viu renascer não o sol, mas a superação da camisa, da vontade e da fé sobre o poderio de um adversário tão desorganizado quanto rico. Este era o Chelsea, mas o nome, assim como o clube londrino, não tem tanta importância assim. 

O ano também marcou a despedida de outro gigante da camisa 12. Ou melhor, do maior deles. São Marcos do Palesta Itália foi canonizado no relvado do Pacaembu com uma festa digna da sua importância, apesar do ano terrível pelo qual passou o seu Palmeiras, de tanta gente e de tantas glórias, como a conquista da Copa do Brasil, ofuscada pelo inacreditável descenso no Brasileirão. Muitos disseram que ele merecia fazer suas últimas defesas na sua própria casa, mas que lugar foi mais apropriado que o estádio de todos para a consagração de um ídolo que também era de todos? 

Santos e São Paulo também levantaram troféus, mas não significa que tiveram um ano assim tão bom. O time da Vila fez história ao conquistar, depois de mais de 40 anos, o tricampeonato estadual. Neymar continuou fazendo estragos nos adversários e só não proporcionou ao Santos um segundo semestre glorioso porque ficou mais tempo a serviço da Seleção Brasileira que do time que paga seu salário. Aliás, para manter a joia na Vila Belmiro o Santos tem feito de tudo, menos montar um time à altura de seu craque. O Tricolor, por sua vez, fez de um título antes secundário aos seus próprios olhos a redenção de um ano no qual a diretoria, na figura do folclórico presidente Juvenal Juvêncio, só fez bobagens.

Outra diretoria que abusou do direito de errar foi a da Portuguesa. E como! Transformou, em questão de meses, um time quase perfeito em motivo de piada, com o rebaixamento no Paulistão. Depois, teve que fazer das tripas coração para não cair também no nacional, e agora terá tentar, mais uma vez, provar ao mundo que é grande.

Em janeiro começa tudo de novo. Os que estiveram em alta tentarão se manter por cima. Os outros terão como missão aprender com os erros e fazer uma temporada melhor. A vida também é assim, com altos e baixos. Por isso o futebol é tão apaixonante, pois ele é uma metáfora da própria vida. 




   

domingo, 16 de dezembro de 2012

O tempo bom e o senso comum

Diz o senso comum que o tempo está bom quando o céu é azul; que o firmamento cinzento é prenúncio de chuva. Contrariando o tal senso comum, o domingo, 16 de dezembro, amanheceu com o céu encoberto, cinzento. Era um sinal. 

Se por aqui o nimbo matutino teimava em encobrir o sol, na Terra do Sol Nascente o Corinthians tratou de pintar o mundo de preto e branco, sobrepondo-se ao azul do Chelsea. Os guerreiros do Parque (e de) São Jorge, com um gol do peruano Guerrero, mudaram a concepção sobre o que é tempo bom.

O Timão não deu bola para a bala na agulha do milionário Chelsea, que tinha mais estrelas em campo e um time tecnicamente superior. O futebol trata de nivelar as coisas, ainda mais quando a decisão é em apenas um jogo. Os londrinos passearam sobre os mexicanos do Monterrey, ao passo que o Corinthians pagou todos seus pecados para superar o Al Ahly, que venceu a Liga dos Campeões da África, apesar de todos os problemas políticos do Egito. O senso comum dizia que, baseado nestas partidas, o time azul era o favorito.

Mas o senso comum também tenta nos ensinar, há mais de 100 anos, que quando o Time do Povo está em campo o favoritismo, se contrário, fica reduzido a pó pela entrega, pela raça e pelo suor que transpira de cada poro alvinegro. O senso comum, sempre ele.

Mas foram os próprios comandados de Tite que trataram se desfazê-lo, outra vez. O Corinthians volta com o troféu e o título de melhor time do mundo porque foi inteligente, antes de qualquer coisa. Foi bravo, mas foi cirúrgico. Em momento algum se encolheu ante o poderio azul e venceu com méritos.

Teve em Cássio um gigante, em todos os sentidos. Chicão, Alessandro, Paulo André, Paulinho, Danilo, Guerrero, Tite, a Fiel, com o maior êxodo de fé esportiva de que se tem notícia.

Neste domingo, 16 de dezembro, o céu encoberto e cinzento passou a representar tempo bom. Tempo bom para ver o mundo em preto e branco. Para gritar "é campeão!"

GLÓRIA MÁXIMA Alessandro ergue a taça de campeão do mundo
(Kim Kyung-Hoon/Reuters)


  

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O nome certo

Felipão está de volta à Seleção. É complicado saber se dará certo, mesmo porque seria um exercício de adivinhação. No entanto, não vejo como ruim seu retorno, mesmo com os resultados (ou a falta de títulos) dos últimos trabalhos que ele fez em Portugal, no Chelsea e no Palmeiras (no Uzbequistão não conta). 

Em Portugal ele pegou um time que havia acabado de fazer um papelão na Copa de 2002, embora tivesse um elenco muito bom, e fez com que os portugueses acreditassem que pudessem. Não foi campeão, mas conseguiu os resultados mais expressivos da história da Selecção das Quinas; no Chelsea, não resistiu às igrejinhas de um elenco mimado pelo dono do time e caiu pelos mesmos motivos que derrubariam o ótimo Villas-Boas anos depois. No Palmeiras foi mal, muito mal. Montou o time horrendo que caiu este ano, mas ganhou a Copa do Brasil, e é exatamente aí que o negócio o favorece. 

O sistema de jogo da Copa do Mundo é de mata-mata, tiro curto. Não requer um planejamento muito longo com o mesmo elenco, tampouco variações táticas tão necessárias para um campeonato de pontos corridos, que é mais longo. Felipão tem a experiência e a competência necessárias para levar o Brasil, que vem de duas Copas ruins, de volta para o topo.

Neste ponto, a CBF acerta, ainda mais porque mantém uma certa coerência. Teoricamente, Mano teria caído porque não goza do apoio da torcida e por não ter a experiência que a dupla Marin/Del Nero quer, coisas que Felipão tem. Caso contratassem Tite ou Muricy, outros nomes muito comentados para assumirem a equipa canarinha, teriam passado recibo. 

Demitiram o treinador no momento errado, e pelos motivos errados, mas já que fizeram a bobeira, que consertem. E Luiz Felipe Scolari me parece o nome certo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Só pode ser desmotivação



* por Fábio Preccaro
Muitos sabem que o Campeonato Alemão é dominado pelo Bayern de Munique, detentor de incríveis 22 títulos. Tanto é que quando outra equipe vence a Bundesliga, difícil fica imaginar que os Bávaros não retomem o troféu. Quando esse outro clube vence por duas vezes seguidas, aí as apostas ficam ainda mais nos ‘Vermelhos’.
E isso acontece na atual temporada. Depois do bicampeonato do Borussia Dortmund, o Bayern vem fazendo uma campanha esplendorosa. Em 11 jogos, o time do técnico Jupp Heynckes conquistou 10 vitórias e ficou apenas uma rodada sem conquistar pontos. Então são 30 pontos somados, com 32 gols feitos e apenas 4 sofridos.
Para se ter uma ideia da campanha do clube da Baviera, o segundo colocado Schalke 04 tem 23 pontos, enquanto o Borussia Dortmund segura a modesta (elenco bicampeão que não sofreu desmanche, o que é praxe destas equipes que tiram o Bayern da ponta da tabela) 4ª colocação com 19 pontos.
Falando do atual detentor da Salva de Prata, a impressão que dá é que não existe mais a mesma motivação de antes para renovar o título nacional. Fazendo partidas frias, como se viu no empate sem gols diante do Stuttgart, em casa, o time amarelo e preto dá a entender que busca apenas uma vaga na próxima edição da EUFA Champions League.
Por ter mantido a base do elenco desde a conquista da temporada 10/11 (Weidenfeller; Piszczek, Hummels, Subotic, Schmelzer; Gundogan (substituiu Sahin, mas já estava no elenco), Kehl, Gotze, Großkreutz ou Kuba e Reus (chegou nesta temporada para o lugar de Kagawa); Lewandowski), muitos jogadores podem estar desmotivados, já que muitas propostas foram recusadas para que fosse feita uma campanha decente na Liga dos Campeões.
Porém, essa desmotivação é vista apenas na disputa da Bundesliga. No torneio da UEFA, o BVB divide o Grupo D com Real Madrid, Manchester City e Ajax e vem liderando a chave com 8 pontos. Claro que a ponta da chave não mostra muita coisa, já que o Chelsea, apresentando um futebol feio, é o atual campeão europeu. Quem acompanhou, principalmente os jogos frente aos Merengues e aos Citzens, viu que o estilo de jogo ofensivo do time, mesclado com a vontade e a grande qualidade do elenco faz com que o Borussia pense em ir longe no torneio, e quem sabe repetir o feito da temporada 96/97, onde foi campeão (com o que vem jogando, não me surpreende vê-los no próximo Mundial de Clubes).
Se no torneio continental o time enche os olhos de torcedores e jornalistas, porque não faz o mesmo na liga alemã? Voltamos ao assunto desmotivação. Feito ‘a conta com direito a prova real’ na Alemanha, os atletas do Borussia demonstraram, nos campeonatos caseiros, que são jogadores capazes de defenderem grandes clubes. Porém, a certeza que falta dessa capacidade fica em torno dos torneios internacionais. Talvez por isso o time do técnico Jurgen Klopp voa na Champions e joga para o gasto na Bundesliga.
TALVEZ seja a hora de iniciar um planejamento acerca da reformulação no elenco. Com a venda de três jogadores caros (o mais especulados são Hummels, Gotze e Lewandowski), o clube teria condições de trazer jogadores da mesma qualidade dos citados e que trariam uma ‘energia nova’ ao grupo de jogadores, fazendo o Borussia Dortmund empenhar-se em conquistar outra dobradinha (Liga e Copa nacional).
Curiosidades
A última vez que um clube, que não o Bayern de Munique, conquistou dois títulos seguidos da Bundesliga foi o próprio Borussia Dortmund nas temporadas 1994/1995 e 1995/1996.
Também sem contar o time da Baviera e a temporada passada, o último clube a conquistar uma dobradinha na Alemanha foi o Werder Bremen em 2003/2004, no timaço do técnico Thomas Schaff que tinha zagueiro Valeri Ismael em grande fase, os meias Micoud e Borowski voando, além dos atacantes Ailton, que andava marcando gol a rodo, e Ivan Klasnic em ótima forma.
* Fábio Preccaro tem 22 anos, estudante de Jornalismo, é fá do futebol do Velho Continente, dos Raimundos, do Bad Religion e da Luiza. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Dois times para inglês ver


*por Vinicius Carrilho

Na manhã deste sábado, o Mundial de Clubes da FIFA, que será disputado em dezembro, no Japão, teve seu primeiro confronto confirmado. Tudo porque o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, venceu o Al Ahli, da Arábia Saudita, por 3 a 0, conquistando a Liga dos Campeões Asiáticos.

Com a vaga garantida no torneio que reúne os melhores times do mundo, o Ulsan Hyundai agora se prepara para a partida do dia 09 de dezembro, em Toyota, diante do Monterrey, do México. A partida vale vaga na semifinal do torneio, onde o vencedor irá encarar o Chelsea, da Inglaterra. O jogo acontecerá em Yokohama, palco da grande final.

Diz uma velha frase que “o jogo é jogado e o lambari é pescado”, assim como outro ditado crava que “o futebol é uma caixinha de surpresas”. Falar sobre favoritismo sempre é algo perigoso, porém, analisando os elencos das duas equipes, o Monterrey parece ser o time mais próximo da semifinal.

Entre os sul-coreanos de Ulsan, dois brasileiros figuram no elenco. Um deles é o atacante Maranhão,  de 28 anos, que teve passagens por Sertãozinho, Comercial, Marília, além de times do Japão. No torneio continental o jogador foi reserva na maior parte do tempo, jogando seis partidas na condição de suplente utilizado e mais duas como titular. Sua contribuição para a conquista foi de dois gols.

Outro brasileiro é o também atacante Rafinha, de 25 anos. No Brasil, o jogador atuou pelo Nacional (SP) e o Paulista. Fora do país, jogou em três times do Japão. Na Liga dos Campeões Asiáticos, começou a atuar pelo  Ulsan Hyundai no meio da competição, porém teve contribuição significativa na campanha. Em cinco jogos, todos como titular, balançou a rede cinco vezes.

No mais, a equipe da Coreia do Sul é formada por jogadores locais e o colombiano Estiven Vélez, de 30 anos, que atuou no Atlético Nacional por três anos. Defensor, foi titular absoluto em todos os jogos da competição continental, marcando um gol.

Já no time mexicano, nomes conhecidos são mais comuns. Além de jogadores locais, como o atacante Aldo De Nigris, a equipe conta com os argentinos José María Basanta, Neri Cardozo e César Delgado, além do equatoriano Walter Ayoví.

Porém, o estrangeiro mais famoso e principal estrela da equipe é o excelente atacante chileno Humberto Suazo. Aos 31 anos e desde a temporada 2007/2008 como jogador do Monterrey, com apenas uma pausa na temporada 2009/2010, quando foi emprestado para o Zaragoza, da Espanha, o jogador é o grande ídolo da torcida e maior ameaça para os adversários.  Na campanha que garantiu o título da CONCACAF, temporada 2011/2012, foi o artilheiro da competição, com sete gols. Na edição desta temporada, em três jogos já balançou a rede três vezes.

No papel, o time mexicano parece ser muito melhor que o sul-coreano, principalmente por conta de Suazo, o chileno artilheiro. Muitos indicam que a equipe mexicana pode até fazer frente ao Chelsea, tirando pela primeira vez um europeu da grande final. Porém, o futebol é imprevisível e a única certeza é a de que estes são dois times que os ingleses precisam ver.

* Vinicius Carrilho tem 21 anos, é estudante (quase formado) 
de Jornalismo, morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida 
fazendo humor, mas escreve melhor do que conta piadas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Paris Saint Ghanim

* por Douglas Sato e Marcos Teixeira

Vistam fraque e cartola, caros leitores! O torneio mais disputado da Europa já começou. Muitas equipes fizeram suas apostas e investiram valores exorbitantes na contratação de grandes atletas. O Paris Saint Germain, mais conhecido como PSG, está nessa lista e todos esperam que a equipe repleta de estrelas tenha um bom rendimento neste primeiro ano de Champions League sob o comando do xeque Nasser Ghanim Al-Khelaïfi, o maluco rasgador de dinheiro que comprou o time do Canal +.

A equipe parisiense foi quem mais investiu na janela de verão com um valor aproximado a 147 milhões de euros, 47 a mais que o Chelsea, outra grande potência financeira da Europa que não costuma olhar o preço na vitrine. Vieram o zagueiro Thiago Silva, o lateral Van der Wiel, o ótimo trinco Marco Verratti, os avançados estrelados Ibrahimovic e Lavezzi, além de Lucas, que chegará ao final do ano.

Isso tudo, sem contar os zagueiros Alex e Lugano, sendo que o uruguaio nem chegou a ser inscrito no torneio, os meio-campistas Nenê, Javier Pastore e Thiago Motta e o atacante Kevin Gameiro, autor de singelos 14 gols na última temporada, que já estavam no plantel.

Pode ser que a vitória por 4 a 1, contra o Dínamo de Kiev, seja ilusória, até porque, tirando o Shakhtar Donetsk, que disputa regularmente a Champions League, a Ucrânia não possui tradição no torneio de clubes europeus. O que nos resta é ver se a equipe de Paris conseguirá realizar o sonho de inúmeros parisienses que almejam o caneco do Velho Continente. Sabemos que o dinheiro traz atletas e prestigio, mas canecos e futebol bonito é bem difícil, ainda mais sendo esta a primeira época da equipa da Cidade Luz. Veremos nas próximas rodadas se o dinheiro do xeque fará o Paris Saint Ghanim deixar de ser uma promessa de time grande.

Mas todo esse dinheiro, todo esse investimento, valerá a pena? O Real Madrid, por exemplo, detém a espantosa marca de nove títulos europeus, sendo o maior campeão da história da UEFA Champions League. Mas o que se viu nos últimos anos, entretanto, contrasta com tamanha grandeza, tanto que a última taça erguida foi na época 2001-2002, no começo da primeira Era Galáctica do megalomaníaco Florentino Perez.

Nas últimas temporadas, são inúmeras eliminações precoces, todas a partir das oitavas de finais do maior torneio entre clubes do mundo. Nos últimos dois anos, nem gastando os tubos para trazer gente como Kaká, Cristiano Ronaldo e Xabi Alonso foi suficiente para realizar o sonho merengue de conquistar o décimo título europeu.

* Douglas Sato tem 23 anos, é músico e estudante de Jornalismo 
(nesta ordem) e, nas horas vagas, é imitado pela dupla 
Cesar Menotti e Fabiano. E Marcos Teixeira ainda sou eu.

domingo, 17 de junho de 2012

O lugar comum e a má vontade.

Hoje, em Carcóvia, na Ucrânia, Portugal massacrou a Holanda e garantiu a apuração aos quartos-de-final da Euro 2012. O placar de 2 a 1 para os comandados de Paulo Bento não refletiu a superioridade sobre o time de Bert Van Marwijk, que saiu na frente mas em momento algum demonstrou ter bola e cabeça para vencer, mesmo com o placar favorável.

Nem vou falar do jogo em si, pois o leitor por certo já leu impressões de gente mais gabaritada que este que vos escreve sobre os noventa e poucos minutos de jogo. Meu negócio, hoje, é com a imprensa dita especializada.

Chega a ser irritante a má vontade da imprensa brasileira para com a Selecção das Quinas. Começou e competição e já falaram que o time português é fraco, que o Pepe é violento e que Cristiano Ronaldo é pipoqueiro, além de chamarem Portugal de "exército de um homem só". Puro lugar comum de quem se importa mais com manchetes de jornais do que com um jogo inteiro.


Pepe tem jogado demais. Nenhum zagueiro, mesmo os badalados espanhóis e alemães, tem feito a Eurocopa que o luso-brasileiro faz. Foram três partidas soberbas, embora tenha falhado no segundo golo dinamarquês. Marca na bola, com rispidez, mas na bola, como todo defesa deve ser, diga-se. E ainda marca seus golos. No entanto, na primeira falta mais forte que fizer, já falarão que é violento.

Outro nome que está brilhando é Fabio Coentrão. Um monstro na retaguarda, um tormento aos contrários no apoio. Sem contar que foi o melhor lateral-esquerdo da Copa da África do Sul. Para a crônica tupiniquim, porém, joga menos que o chiliquento e nada confiável Marcelo. Sem contar nomes como Raul Meirelles, Miguel Veloso e João Moutinho, que não têm o reconhecimento dos críticos do Novo Mundo.

No entanto, nada se compara com as críticas feitas a Cristiano Ronaldo. É praxe chamá-lo de pipoqueiro a cada atuação ruim ou decisão perdida. Citam as grandes penalidades perdidas na decisão da Champions contra o Chelsea, em 2008, mesmo sendo ele o autor do tento de sua equipa, e contra o Bayern, nesta época, pelas meias-finais, quando ele também marcou no tempo regulamentar, e por duas vezes. 

Mesmo pelo time do Real Madrid, o qual tem levado às costas desde que chegou, é só ter um jogo mais ou menos ou uma derrota para o Barcelona, que deixa de ser o segundo melhor do mundo e vira um jogador trivial.

NEM ASSIM? Cristiano Ronaldo fecha o caixão holandês.
Dois gols e atuação de gala (Reuters)

Hoje reconhecem o seu valor graças à atuação diante dos holandeses. Dizem até que foi sua melhor partida na equipa nacional de Portugal, mas na primeira mal conseguida que tiver todos duvidarão do seu potencial. Sorte de Eusébio não jogar nos dias que correm.

Ronaldo comemora seu segundo golo frente aos holandeses (Yves Herman/Reuters)

sábado, 9 de maio de 2009

A Várzea não merece isso

Na semana passada voltei a assistir a jogos de futebol, que é uma das atividades que mais me dão prazer. Confesso que, após a eliminação da Portuguesa no Paulistão, perdi um pouco do interesse pelo esporte bretão - inconcebível para quem estuda jornalismo, diga-se de passagem -, mas como sempre, ele voltou. E da forma mais espetacular possível, na épica classificação do Barcelona, em Londres, frente ao médio-porém-endinheirado Chelsea, para a final da Liga dos Campeões.

Não é de hoje que a UEFA ensina como se organiza uma competição. Times endinheirados, jogadores fantásticos, estádios modernos, jogos transmitidos para todo o mundo.

Enquanto isso, do lado de cá do Atlântico, a Conmebol também dá aula. Ensina com precisão cirúrgica como não se deve organizar um campeonato. A principal competição do hemisfério Sul, a Libertadores da América, virou uma "farra-do-boi". Ou algo pior que isso.

Pra começar, convidaram times do México. Não por razões técnicas, apenas de olho no dinheiro das emissoras de TV daquelas plagas. Tudo bem, a quantia é boa, mas não é rateada entre as equipes. Fica tudo nos cofres da entidade, em Luque, nos arredores de Assunção, Paraguai. Pra completar, caso uma equipe mexicana conquiste o título, esta não poderá jogar o Mundial da FIFA, a não ser que conquiste também a "Concachampions", uma espécie de (perdoem o infame trocadilho) Liga dos Campeões "made in Paraguai" da Concacaf.


Tem também o cargo de Presidente vitalício, atualmente ocupado pelo paraguaio Nicolas Leóz que, a propósito, enveredou no esporte pela Federação Paraguaia de Basquete. Como é quase uma regra no estilo sulamericano de ser, Leóz está no comando da Conmebol desde 1º de maio de 1986, substituindo ao peruano Teófilo Salinas Fuller, que ficou "só" 20 aninhos no cargo. E continuísmo no poder lembra ditadura, que lembra Terceiro Mundo, que lembra América do Sul, que lembra corrupção. Você, estimado leitor, pode mudar a ordem à vontade que o sentido ainda será o mesmo, intocavelmente. Intocável como o cargo de gente como Leóz, Ricardo Teixeira, Júlio Grondona, Hugo Chávez, Evo Morales...

A última proeza da Conmebol foi a forma com a qual tratou da participação dos times mexicanos, após a disseminação da chamada "gripe suína", ou gripe A (H1N1). Um descaso só. É sabido que os tradicionalíssimos São Paulo e Nacional do Uruguai, por falta de garantias, recusaram-se a viajar para a América do Norte, onde deveriam enfrentar, respectivamente, San Luiz e Chivas Guadalajara. Sem iniciativa ou vontade alguma pra resolver o embróglio, o empurraram para os próprios clubes. Com a falta de uma posição por parte da entidade presidida por Leóz, os mexicanos resolveram retirar-se da competição. E como desgraça pouca é bobagem, a Federação Mexicana de Futebol ameaça, seriamente, não disputar mais a Copa América.

Na opinião deste que vos escreve, não farão a menor falta. Mas existem compromissos firmados e estes dever ser respeitados. Não conheço o teor dos contratos, se é que eles existem, mas a palavra empenhada deve valer mais que qualquer assinatura. Portanto esse passa-moleque não tem o menor cabimento.

Numa das edições do ótimo Esporte Notícia, da Rádio Bandeirantes, o igualmente ótimo Ricardo Capriotti classificou como varzeana a organização da Copa Libertadores da América. Atrevo-me a discordar do Capriotti, pois a Várzea não merece isso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A inversão dos valores

No ano passado, após a derrota contra o Sport, pelo Campeonato Brasileiro da Série A, os “torcedores” do Corinthians protagonizaram novas cenas de revolta e indignação devido ao caos que se instalou no Parque São Jorge. Foram cobrar “raça” e “determinação” por parte dos atletas da equipe, responsabilizando-os pela fase tenebrosa a qual o clube vem atravessando de uns tempos para cá. O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro com a “torcida” do Botafogo, depois que o time foi incrivelmente eliminado da “importantíssima” Copa Sul Americana pelos argentinos do River Plate, estando com um jogador a mais e podendo perder por um gol, após estar ganhando por 2 a 1!

Durante a semana passada foi preciso uma viatura de polícia para que os jogadores do Vasco pudessem treinar. Com tanta pressão, é óbvio que o resultado em campo não foi dos mais satisfatórios: derrota vexatória frente ao Figueirense, em pleno São Januário. E queda livre rumo ao rebaixamento.

É compreensível que o amor incondicional pelo time do coração somado ao fanatismo leva o indivíduo a tomar atitudes que em condições normais não tomaria. É certo afirmar que num país de tantas injustiças sociais e negociatas políticas o futebol é usado como válvula de escape para as agruras do dia-a-dia. Políticos populistas se aproveitam de conquistas desportivas para distrair a atenção do povo. Em Portugal, por exemplo, durante a ditadura de Oliveira Salazar criou-se a figura dos 3 Fs (futebol, fado e Fátima), o que consistia na idéia de que enquanto o povo tivesse diversão, sentimento e fé, não precisaria de mais nada. Progresso? Esse verbete soa como um palavrão numa ditadura. O problema é que isso funciona. E é aí que mora o perigo.

Se não, vejamos: 15 dias antes, o Presidente do Congresso Nacional, o Senador Renan Calheiros, foi vergonhosamente absolvido pelos colegas (ou seria melhor “comparsas”?) de Senado, e qual foi a reação imediata das pessoas? Revolta, indignação e todos os sinônimos que as valham.

Perfeito, mas apenas num primeiro momento. Depois, tudo voltou ao normal. Enquanto isso o Corinthians se preparava para outro jogo do Brasileirão e, como num jogo de roleta-russa, qualquer resultado que não fosse a vitória desencadearia reações intempestivas por parte dos torcedores profissionais.

Outro exemplo: no fim da década de 1980, quando o Palmeiras já amargava 13 anos de jejum de títulos, sua torcida se enchia de esperança ao ver o time dirigido por Telê Santana chegar à fase decisiva do Campeonato Paulista de forma invicta. Aí veio o jogo contra o Bragantino em Bragança Paulista, a derrota por 3 a 0, a eliminação e o fim da esperança alviverde, e, juntos, esses ingredientes se transformaram em nitroglicerina pura, o que culminou com a depredação do patrimônio do clube, que teve a sala de troféus destruída pela ira desses “torcedores”. No ano seguinte, a caderneta de poupança foi confiscada pelo governo Collor, em tempos de inflação desenfreada, e adivinhe qual foi a reação do povo (incluindo os que destruíram a sala de troféus)? Estupefação momentânea, apenas isso.

Mas, caro leitor, antes de se "orgulhar", saiba que isso não é exclusividade do Brasil. Pedro Santana Lopes, ex-Primeiro-Ministro de Portugal, dava uma entrevista a uma rede de TV, quando foi interrompido pela sua interlocutora para que fosse mostrada a chegada de José Mourinho, o super vencedor ex-técnico do Chelsea e considerado - pasmem - herói nacional (!) pelo povo português, ao país. Foi então que Santana Lopes se recusou a continuar com a entrevista e disparou: “O pais ficou doido”. Realmente, quando vemos a derrota do time do coração ou o destino da heroína da novela importar mais que o futuro do país, devemos refletir. O técnico italiano Arrigo Sacchi certa vez declarou que “o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”. Amém.