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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Por um futebol mais justo

Depois que a Ponte Preta venceu o badalado Santos por 3 a 1 pelo Paulistão, o técnico do time de Campinas, Guto Ferreira, deu uma declaração interessante. Mais que isso, foi um desabafo pela condição do futebol do interior paulista.

‎"No começo, quando ninguém prestava atenção na gente nem via nossa dificuldade em contratar, treinar e arranjar dinheiro, éramos só mais um. Agora, depois de tirar leite de pedra, viramos favoritos. Se cairmos, seremos decepção. É sempre assim. Ninguém falará que ganhamos muito menos do que os grandes. Que não temos o apoio que eles têm. Estão ocupados demais para ver que o dinheiro não é distribuído como devia. Estou em um dos 20 clubes da primeira divisão. Mas somos tratados como um dos da última. Não sei se seremos campeões. E nem me importo. Mas o sonho do título e a esperança de que continuaremos incomodando e forçando os riquinhos a nos respeitar, isso TV ou dinheiro nenhum vai nos tirar. É o que mantém vivo o futebol brasileiro. Essa paixão e perseverança. Seria fácil para os 15 mil que vieram aqui hoje torcer pra um dos quatro. Mas não teria graça. É por eles que temos de ganhar. Não pra uma TV que nunca pensa na gente dizer que o título é caipira".

Guto coloca o dedo na ferida, sem dó. Fala das distorções causadas pela péssima distribuição dos recursos da TV, que irá explorar ao máximo o fato de o lado preto-e-branco de Campinas liderar o campeonato, para depois jogar o bagaço fora. Também fala, indiretamente, da Federação Paulista de Futebol, que está instalada num suntuoso prédio do valorizado bairro da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, enquanto seus filiados estão à míngua. É assim desde os tempos do presidente Farah, que sucateou o futebol do interior. O que Marco Polo Del Nero faz é continuar com o trabalho. Mais que isso: é aumentar o abismo entre os quatro queridinhos da mídia e o resto.

Mas que o dirigente não se iluda. Isso é como dar tiro no pé. É só ver pelo seu Palmeiras. Alguns dos grandes ídolos da gloriosa história palestrina foram buscados no interior. O Luis Pereira veio do São Bento; o Leão, do Comercial; o Dudu, da Ferroviária. Onde estão esses times? E onde está o próprio Palmeiras? Será que é saudável matar os estaduais em beneficio de meia dúzia de times com grandes torcidas?

Não se enganem! Se matarem os times pequenos, condenarão o Brasil a ser um país continental com quatro times grandes e um monte de zumbis servindo de sparrings. 

sábado, 21 de abril de 2012

Nada de favas contadas

Muito se fala sobre a qualidade técnica dos campeonatos regionais, que não existe competitividade entre os clubes. Acredito que sim, existe certa disparidade técnica entre as agremiações.  Neste final de semana acontece a fase quartas de final do Paulistão 2012. Quatro confrontos, que muitos já dão como favas contadas. Acreditam que só o Palmeiras terá dificuldades diante do Guarani, em Campinas.

Não sou desses. Como dizer que um campeonato estadual é fraco, quando sete dos oito clubes finalistas estão na elite do futebol brasileiro ou na Série B nacional? E mais, como dizer que as semifinais já estão praticamente definidas com equipes tão bem estruturadas?
Hoje, sábado, São Paulo e Bragantino no Morumbi. Favoritismo tricolor, com certeza. Mas nada de definição. Marcelo Veiga treina a equipe de Bragança há mais de cinco anos, um trabalho que mantém uma escola defensiva forte e uma bola aérea perigosa desde sempre. Romarinho é a grande esperança.
Amanhã, Corinthians e Ponte Preta. Duas equipes da Série A do Brasileirão. Assim como o tricolor, o alvinegro da capital tem total favoritismo. Só não podemos desprezar o belo trabalho realizado por Gilson Kleyna no comando técnico da Macaca que culminou com o acesso.  A Ponte vai encarar o Corinthians, sem dúvidas.
De todos, o que mais acredito que o grande terá facilidade. Santos e Mogi Mirim na Vila Belmiro. A equipe visitante fez uma campanha interessante, tem o artilheiro da competição, Hernane. Mas dentro do caldeirão da Baixada tudo ficará mais difícil. Neymar e Ganso devem decidir.
O último e mais equilibrado. Guarani e Palmeiras, o grande falhou, errou demais no final da primeira fase. Como penalidade jogará em Campinas, no Brinco de Ouro. Jogo aberto, assim como no primeiro jogo entre as equipes. O Bugre mostrou uma equipe bem acertada e competitiva.
Um jogo para definirmos as semifinais do Paulistão. Disparidade sim, equilíbrio sempre. Não cravo os confrontos, apenas digo, sem medo de errar: facilidade só na teoria, fora das quatro linhas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Vou torcer pra Ponte

No final de semana a Ponte Preta joga no Moisés Lucarelli com o Americana, um desses timinhos de empresários que vivem perambulando de cidade em cidade atrás de uns trocados. Se ganhar, mantém agonizando as remotíssimas chances de tirar o título da Portuguesa. No caso de qualquer outro resultado, é caixão e vela preta. Ou melhor, verde e vermelha.

Aí você deve dizer assim: "Esse patrício bateu a cabeça, só pode! Por que raios vai torcer pela Ponte, se o resultado negativo da Macaca beneficia a Lusa?"

É simples, pá! Se a Ponte não ganhar, seremos campeões sem entrar em campo. E que graça tem isso? Eu quero ver o Canindé pintado de rubro-verde mais uma vez, como foi contra a mesma Macaquinha, que valorizou nossa vitória e nossa festa de sexta-feira passada.

Um Canindé tomado por uma aura especial, como se víssemos Dener e Enéas desfilando pelo relvado do Oswaldo Teixeira Duarte.

Eu quero ver o mesmo brilho nos olhos de toda a malta orgulhosa que lotou as bancadas do Monumental do Pari. Que passou 90 minutos a cantar. Que torce pra Lusa bebendo vinho.

Que cantou o hino da Portuguesa, o feito pelo Roberto Leal, mesmo sem saber direito a segunda estrofe. Que abraçados, uns aos outros, choraram de alegria e expurgaram toda uma década de amarguras e decepções.

Este é o Canindé que eu quero ver de novo contra o Sport, Duque de Caxias ou Barcelona. Um Canindé nosso, pleno de alegria, para que cantemos a plenos pulmões que é uma casa portuguesa, com certeza.

Por isso vou torcer pra Ponte. Para poder gritar, de novo, agora sem as inconvenientes formalidades matemáticas, 'é campeão!', junto da minha gente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Parabéns aos que não foram

Ao contrário do que me aconselhava a escalação da Portuguesa estampada no jornal, fui ao Canindé hoje. Não vou dizer que vi um time sem brio, sem tática, sem técnica, sem nada, porque o que eu vi não pode ser chamado de time. Aquilo que estava vestindo as cores rubroverdes não é nada. Aliás, a Ponte Preta só não ganhou de seis porque o seu ataque é inoperante. Exceto pelo volante Guilherme, que lutou e foi premiado pelo gol (com a devida colaboração do arqueiro da Ponte), ninguém merece ser poupado.
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É duro ver a camisa 10, que já foi usada por Edu Marangon, Toninho, Roberto Dinamite, Caio e Dener, sendo usada pelo Luis Ricardo. Ele não teria vaga em nenhuma equipe mediana do país e na Lusa virou titular depois do chilique dos "estrelinhas" Fabrício e Héverton. É duro ver um negócio que nem de longe se assemelha com um time maculando a camisa da Portuguesa.
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Dos quatro jogos até aqui, foram duas vitórias no sufoco, um vareio tomado em casa e a derrota na estreia frente ao Corínthians, que não ganhou de mais ninguém e sequer sujou o uniforme pra bater o time do Sérgio Guedes.
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Não sou extremista a ponto de temer a permanência na primeira divisão paulista, mas não vejo a Lusa sequer entre os 12, que dirá entre os oito. Parabéns à Ponte, que não tem nada a ver com o futebolzinho mequetrefe lusitano. Parabéns aos que não foram ao Canindé.

sábado, 22 de maio de 2010

Que 2010 seja diferente

Começou a Série-B de 2010. Na verdade, já estamos na sua terceira jornada. Podemos, de saída, apontar umas sete ou oito equipes com chances reais de ascenderem à primeira divisão: Sport, Náutico, Coritiba, Figueirense, Santo André, Ponte Preta e, é claro, Portuguesa. Em outras palavras, será uma das mais equilibradas de sempre.

Embora eu não acredite em líder - ou lanterna - de quatro rodadas, já é bom colocarmos as barbas de molho. Deixamos de subir, no ano passado, por causa de uma sequência de partidas sem vitórias. No Paulistão ficamos seis jogos sem vencer e sucumbimos à obrigação de ganhar os últimos seis. Como vencemos quatro, sobramos de novo.

A Portuguesa ainda não pegou o jeito dos pontos corridos. Quando o campeonato é classificatório, há brecha para tropeços. No caso dos pontos corridos, quem for mais regular, leva. E se tem uma coisa que a Lusa tem primado, nos últimos anos, é pela irregularidade. Sintoma típico de quem está pressionado, pois um tropeço fora de hora tem o poder de desestabilizar o ambiente e deitar por terra todo o trabalho.

Como o ano é de Copa, haverá recesso durante o campeonato. Será uma ótima oportunidade para que o Vadão veja o que tem nas mãos e promova as mudanças necessárias. Falando nisso, os anos em que temos o maior torneio de mundo da bola têm sido emblemáticos para nós, rubroverdes: em 1998 houve a "castrillada" que nos tirou das finais; em 2002 caímos pela primeira vez; em 2006 fomos rebaixados no Paulista e quase chegamos ao inferno da Série-C. Que 2010 seja diferente.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O que é isso, Presidente?

*por Humberto Pereira da Silva


Lamentável e vergonhosa a atitude do Manuel da Lupa, presidente da Portuguesa de Desportos, ao dar crédito à denúncias de que o zagueiro Jean, da Ponte Preta, teria sido "comprado" para entregar o jogo para o Santos domingo passado. A Lusa, com todas as dificuldades, fez bela campanha no paulista desse ano, merecia a classificação, que lhe escapou no momento final do jogo entre Santos e Ponte Preta, por conta da combinação de resultados. Contra o Santo André, quando poderia, tinha o jogo a seu favor, a Lusa não o matou como deveria, para não depender de circunstâncias quaisquer do jogo do Santos.

Então o presidente deveria parabenizar seus jogadores e manter atitude equilibrada e serena. Ora, Manuel da Lupa, como qualquer pessoa sensata que vive no mundo do futebol, sabe bem de arranjos de jogos. Sabe igualmente que acusações quando não comprovadas, - e compravação não é coisa fácil -, gera constrangimento e sensação de perda de espírito esportivo.

Consideremos a acusação. Se verdadeira, pelo menos outras duas pessoas necessariamente teriam de estar envolvidas: o Aranha, goleiro da Ponte, e o Kleber Pereira, que converteu o pênalti cometido de modo tolo por Jean aos 44 mim. do segundo tempo. Sem eles, apenas o Jean engordaria R$20 mil. Como o Manuel da Lupa sabe, grandes jogadores perdem pênalti em final de Copa do Mundo; muitos goleiros defendem pênalti. Combinação de resultado, compra de jogadores, não garante nada. No caso específico do Jean, com quem teria sido combinado que o jogo estaria 2x2 aos 44 min. do segundo tempo e a bola caprichosamente descreveria aquela trajetória para ele por docemente sua mão?

Se verdadeira a "compra" do Jean, portanto, isso só faz que tenhamos em relação à Lusa o sentimento de compaixão. Para além de todos os azares, acrescenta-se mais esse: uma bola caprichosa para na mão de um zagueiro comprado e a Lusa fica fora Top 4. Combinação de resultado não espera os 90 minutos da partida, o jogo em outros momentos revelaria algo estranho, o que não aconteceu (que responsabilidade teve Jean nos outros dois gols do Santos?). O futebol, como todo amante sabe, está cheio de jogos estranhos. Sempre lembro do jogo Argentina e Peru, na Copa de 78. A história, ao longo do tempo, só comprava suspeitas. Mas uma autoridade não pode colocar reputação em jogo e dar vazão a suspeitas sem provas. Isso fica para a galera.


*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
universitário de filosofia e sociologia e crítico de
cultura em diversos órgãos de imprensa.

domingo, 22 de março de 2009

Contrariando a lógica

O futebol é um dos solos mais férteis para a criação de frases de efeito. "Quem não faz, toma", "em time que está ganhando não se mexe", "futebol é uma caixinha de surpresas (esta é clássica)"... Enfim, há uma infinidade de opções pra todos os gostos. Particularmente a minha preferida é "o futebol não tem lógica". Por causa desta preferência não posso me furtar a comentar o que está ocorrendo com a Lusa.

Contrariando todas as lógicas existentes - mesmo que não existam -, a Portuguesa está muito, muito próxima de apurar-se à fase semi-final do Paulistão. Desde 2000, quando era treinada pelo Nelsinho Batista e a dupla de ataque era formada por Leandro e Bentinho, não reúne condições tão claras para tal. E naquele ano não chegou. A última vez em que a Lusa foi semifinalista no Paulistão foi em 98, no famoso jogo da "Castrillada".

Outrora nossos adversários eram os árbitros, eternos algozes. Desde Armando Marques até o já citado Javier Castrilli, exemplos não faltam.

Mas neste ano o maior oponente da Lusa é... ela própria! O planejamento, se é que houve, foi equivocadíssimo. Manteve o Estevam Soares após o descenso no Brasileirão e após a primeira rodada trocou o comando da equipe. As razões nunca serão reveladas, tamanha a gravidade dos fatos. Trouxe o Mário Sérgio, que recolocou o time no caminho das vitórias mas perdeu o comando sobre o elenco. Aí a queda iminente só aconteceu após a tão improvável quanto previsível eliminação frente ao Icasa, na Copa do Brasil, dentro do Canindé.

Ora muito bem. Foi contratado o Paulo Bonamigo. Uma indicação do Felipão, segundo o jornalista Cosme Rímole. Bonamigo, gaúcho de Ijuí, 48 anos. Como treinador venceu três estaduais no Nordeste. No ano passado dirigiu, sem sucesso, Goiás, Paraná e Ponte Preta. Ou seja, um currículo não muito alentador para a tão exigente, e às vezes chata, torcida da Portuguesa.

Aí veio o jogo contra a Ponte, quando a Lusa seria dirigida pelo preparador físico Flávio Trevisan -sob a bênção de seu amigo Mario Sérgio, que não se opôs à sua permanência na Lusa. Entretanto, Bonamigo, mesmo sem comandar apenas um treino que fosse, resolveu assumir já naquele jogo. O resultado foi um sofrido e sofrível 1 a 0 pra Lusa.

Desde então foram quatro jogos e outras tantas vitórias. Cinco golos marcados e nenhum sofrido. De quebra, a entrada no G-4, faltando apenas quatro rodadas para o fim da primeira fase. E dos quatro jogos restantes, três são em seu relvado.




O time do Canindé depende apenas do seu futebol pra chegar às meias-finais. Agora a imprensa terá, mesmo que à contra-gosto, que virar seus holofotes para o Canindé.

O problema é que, historicamente, quando se espera que a Lusa alcance resultados maiores, ela emperra. Tomara que essa seja mais uma das inexistentes lógicas futebolísticas contrariadas pela Portuguesa, e que este ano seja diferente, apesar dela mesma.

domingo, 8 de março de 2009

Imensurável



Logo mais, às 18h30, Lusa e Ponte Preta adentrarão no relvado do Canindé para mais uma partida, válida pela 12ª rodada do Paulistão 2009. Para a Macaca, trata-se de um jogo importante, pois briga diretamente com Santos, Santo André, Barueri e a própria Portuguesa pela quarta vaga na próxima fase, já que é quase improvável que Palmeiras, Corinthians e São Paulo falhem às semifinais.

No entanto, pra nós, lusos, esta partida terá uma importância muito maior. Imensurável, digamos, pois estará posta à prova não só as chances de apuramento à próxima fase, como também o confuso planejamento iniciado após o rebaixamento do ano passado.

Após 11 rodadas, o preparador físico Flávio Trevisan será o terceiro (!) treinador a comandar a Portuguesa à beira do gramado. Antes dele, estiveram no cargo Estevam Soares, demitido sob condições absolutamente nebulosas, após o revés frente o Guarani, ainda na rodada de abertura do campeonato. Assumiu, em seu lugar, Mário Sérgio Pontes de Paiva, que estreou com derrota, mas emplacou uma ótima sequência de resultados, chegando a nove jogos sem derrota, ente Paulistão e Copa de Brasil. Após a quebra de tal marca foi exposta uma fragilidade no relacionamento entre o técnico e o grupo de jogadores, já abordado nesta tribuna.



Trevisan ocupará o cargo de forma interina, é verdade, pois não é qualificado para tal, como ele mesmo vem afirmando. A partir de amanhã o comando técnico caberá ao recém chegado Paulo Bonamigo, que terá a incumbência de não só recolocar a Lusa nos trilhos, dando continuidade ao bom trabalho (em termos de resultados) do antecessor, como também será o responsável por comandar a equipe na Série-B, quando tentaremos voltar à primeira divisão do futebol nacional, o que, aliás, deve ser a meta principal da Lusa.

A não ser que seja mantida a inacreditável média de um técnico por mês. Caso isso ocorra, poderemos não voltar, mas ao menos figuraremos no Guiness.