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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Rogério Ceni, o estofo e o preço de uma fama que nem deveria ter

Muita expectativa para pouco resultado de quem mal começou a carreira (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Rogério Ceni sofre a pressão de ter um nome maior que a sua carreira como treinador efetivamente mostra. Isso, além do fato de ter assumido o clube com o maior orçamento do país em uma temporada atípica, faz com que seu trabalho seja decepcionante. Ceni chegou ao Flamengo depois da segunda passagem bem sucedida pelo Fortaleza, onde a pressão nem se compara com a encontrada nos outros dois grandes que treinou sem lá muito – ou nenhum – brilho: São Paulo e Cruzeiro. Não difere muito do percurso do Eduardo Baptista, só para citar um treinador que fez água num grande, mas que nunca contou com a mesma boa vontade de quem ganha a vida opinando sobre o trabalho alheio. 

Ceni tem um discurso novo, uma metodologia que transborda modernidade aos ouvidos de uma parte da imprensa que é bem receptiva a ele. Mas ninguém poderá dizer que ele foi coagido a aceitar os cargos que exerceu desde que debutou na função já comandando o São Paulo. Aí erram todos, se é que podemos classificar assim as escolhas de carreira do maior goleiro-artilheiro da história. Erro mesmo, no caso, quem comete é a mídia. Boa parte da imprensa especializada – nunca é bom generalizar – o analisou pelo que torce para que seja, não pelo realmente é: um técnico promissor. Sim, promissor, mas sem o estofo necessário para ser "o melhor treinador do país", como alguns apressados (e sedentos por novidades no mercado interno) disseram. 


Aí, pegue um elenco estrelado e mimado, que atingiu o topo em pouco tempo; um calendário amalucado pela pandemia, com jogo em cima de jogo e desfalques, ora por lesão, ora pela Covid-19; e a pesada herança deixada por Jorge Jesus. Qual é a chance de dar certo quando não há tempo para treinar? E sem essa de “ele teve uma semana cheia de treinamentos entre os dias x e y”, como se seis ou sete dias fossem suficientes para que os métodos e as ideias do treinador – que o pessoal gosta de chamar de filosofia de trabalho – sejam absorvidos. 


"Ah, mas o Abel Ferreira passou pelo mesmo e veja o Palmeiras na mão dele!". São situações diferentes, principalmente porque um tem o que o outro ainda não tem: estofo. Estofo e formação em Portugal, onde o nível do que é estudado e trabalhado está muito à frente daqui, gostemos ou não. 


E é isso o que falta a Rogério Ceni: estofo. Mas não se compra isso no mercado ou em semanas acompanhando os treinos de grandes caras, como o Ancelotti. É no dia-a-dia. É errando e acertando. É fazendo um monte de bobagens e aprendendo com elas. Da mesma forma que não basta ter sido o dono do vestiário por duas décadas. Muda-se a função, as responsabilidades são outras, as decisões a serem tomadas também, e a história escrita é apenas isso: história. 


E a história dele, Rogério, como treinador ainda está no início. Que tratemos como tal. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sobre embalagem, estatísticas e biquíni

COMEÇO RUIM Rogério demonstra desânimo na
lateral do campo (Marcello Zambrana/AGIF)
Após o jogo de estreia de Rogério Ceni como treinador do São Paulo, quando o Tricolor foi atropelado pelo Audax por 4 a 2, o ex-camisa 01 e agora técnico amenizou o resultado ao destacar o número de finalizações e a posse de bola da sua equipe. O São Paulo teve, segundo dados publicados pelo Footstats, 55% de posse de bola, além de finalizar 27 vezes, 10 delas no gol defendido pelo goleiro Felipe Alves.

O discurso é bonito e se encaixa perfeitamente no que tem acontecido com frequência para embasar sistemas de jogo e atuações: números, números e números. Mas dá para justificar apoiado somente nesses dados? Sim, todos fazem isso, mas Rogério representa, ou deveria representar, o novo. Tem dois auxiliares europeus, vendeu a ideia de ter realizado treinos diferentes em todos os dias na pré-temporada realizada nos Estado Unidos, passou o ano estudando na Europa absorvendo conceitos de técnicos como Carlos Ancelotti. Garantia de sucesso?

Nenhuma.   

Para começar, ele não levou em consideração se a posse de bola, que nem foi tão superior assim, foi objetiva ou vertical. Se, como gostam de falar os novos analistas, rompeu as linhas adversárias, se foi mais que uma simples e infrutífera troca de passes no campo de defesa, de lateral a lateral, passando antes pelos dois zagueiros ou então pelo volante, que retorna a bola para o centro da zaga antes de ela ser passada para o lateral. Ou quantas dessas finalizações foram realmente chances claras de gol?

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Sobre o Sporting, a CBF e o respeito à História

Vitor Guedes, jornalista com J em caixa alta, citou na sua ótima Caneladas do Vitão, no jornal Agora, a célebre frase do economista Roberto Campos  sobre estatísticas: "o que revelam é interessante, mas o que ocultam é essencial". E o que querem dizer os números trazidos por Ceni para a coletiva?

Um grande nada. 

Rogério quis inovar, colocando Rodrigo Caio, seu beque disparadamente mais técnico, à frente dos zagueiros Douglas e Maicon, desmontando o único setor do time que não comprometeu no medonha temporada de 2016. No fim, com o placar adverso, apelou para a velha tática da absoluta falta de tática (também conhecida como desespero) do centroavante enfiado no meio dos zagueiros e fosse o que Deus quisesse.

Pouco para quem chegou com a expectativa de ser o diferente.

Certamente, um dos livros lidos pelo agora treineiro tricolor é o Guardiola Confidencial, do espanhol Marti Perarnau. Nele, o autor fala o quanto Guardiola detestava quando o time do Bayern passava a bola de pé em pé, horizontalmente, no campo de defesa. E que a posse de bola somente pela posse de bola não serve para nada. "É uma merda", diz Pep em diversas passagens.

Não adianta acharem que bastam alguns dias para que Rogério apresente algo novo. Ou que a presença de europeus, coisa que nós da imprensa já vamos gorjeando como a única maneira de modernizar o que acontece nos gramados daqui, transforme do dia para a noite o futebol brasileiro. 

Não é.

A excelência (termo que Guardiola também abomina) do trabalho depende de fatores como filosofia, método, treinamento e tempo. Sem isso, o projeto, se é que há, vira passageiro da própria sorte. Basta saber se ele será, como o genial catalão, um agente da contracultura futebolística brasileira e terá tempo para desenvolver seu trabalho. Sem contar que não quer dizer absolutamente nada o fato de ele ter sido um grande atleta, o dono do vestiário por anos, ter vestido a camisa tricolor por mais de 20 anos. Muda-se a função, as responsabilidades são outras, as decisões a serem tomadas também, e a história escrita é apenas isso: história.  

Entre tanta mediocridade e falta de projetos alicerçados nos fatores mencionados, algo que tanto atrasa o futebol tupiniquim, espera-se que Rogério Ceni seja mais do que uma embalagem diferente. Afinal, de "m1to" do gol para burro do banco de reservas, basta apenas um passo. Ou uma sucessão de resultados ruins.       

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Amor, treinadores, mitos e outras drogas

por Leandro Marçal *

SEM ESCALA Do campo para o banco, o "m1to" assume a equipe em meio
à mais grave crise ética da história do clube (Igor Amorim/SPFCnet)
É difícil definir o acerto de Rogério Ceni como novo treinador do São Paulo. Não entendi nem absorvi direito esse anúncio, como ainda não compreendo esse 2016 maluco.

Nem é pelo fato de ser uma incerteza, por ser bizarra uma demissão a duas rodadas do fim de mais um campeonato medíocre do tricolor, ou por qualquer outra das intermináveis pataquadas que o clube têm se acostumado a se meter nos últimos (lamentáveis) anos de sua História.

Complicado é entender até que ponto a cartada é um tiro no escuro, tiro no pé, visão de futuro ou tentativa de blindar a diretoria.

Ok, ao menos a última alternativa é unanimidade entre os leitores de bom senso, acredito eu. Colocar o maior ídolo das últimas décadas no banco de reservas servirá para, em ano de eleições, ter um forte argumento caso haja mais um ano de fracassos deprimentes: “fizemos tudo o possível, até a camisa do treinador foi a 01, paciência”. Ponto para eles.

Entender o que leva um ícone com aura tão gigantesca como Rogério Ceni a aceitar seu ex-(único) clube para um desafio tão ingrato é o que me intriga. Será que ele pensa que não corre o risco de ser covarde e precocemente demitido como acontece por essas bandas em caso de má campanha? Não há receio de manchar tão longa história pelo tricolor em troca de uma massagem de ego dessas? Seria ele tão bom como técnico, a ponto de tirar o time dessa inércia, fato que mal conseguiu ajudar nos últimos anos em campo?

Sinceramente, ainda não sei.

Vejo essa aposta como semelhante àquela última atitude para salvar um casamento à beira do fim. Quando ele ou ela tenta uma cartada final, dessas que pode despertar um pouco daquele amor escondido no coração do cônjuge que mais parece um desconhecido.

A relação torcida-time não anda das melhores há algum tempo, hoje beira o descaso. Era nítido que cedo ou tarde Rogério ocuparia o lugar de treinador no São Paulo, mas por que tão cedo, por que logo de cara no clube em que fez história?

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Rogério Ceni e o populismo tricolor


Admiro sua coragem, confesso. Coragem por colocar em risco tudo o que fez, já que a última impressão é a que fica. Assim como suas defesas viraram DEFESAS e seus frangos eram FRANGOS com o passar dos anos, o agora TÉCNICO necessita estar preparado para DERROTAS, COBRANÇAS e um PESO do tamanho do mundo na nova função.

Como sempre deveria ser – e nunca o é –, precisa-se dar tempo, ter paciência e não pré-julgar o trabalho do ex-goleiro antes da hora.

Alguém acredita que cartolas farão isso, mesmo com o ídolo do clube? Eu não.

*Leandro Marçal é um jornalista de 25 anos, torce pelo Tricolor paulista e por um mundo menos hipócrita e com mais bom humor, embora esteja um tanto zangado com o seu Tricolor. E, apesar do nome de sambista, é incapaz de tocar um reco-reco. Ainda assim, é o Rei da Noite de São Vicente.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Rogério Ceni e o populismo tricolor


Populismo. De acordo com o dicionário Michaelis, trata-se da "prática política que se baseia em angariar a simpatia das classes menos favorecidas e de menor poder aquisitivo pregando a defesa de seus interesses, geralmente através de ações paternalistas e assistencialistas." Trocando em miúdos, é uma prática usada para angariar apoio popular com medidas fáceis, mas não necessariamente eficazes.

Trazendo para o futebol, é jogar para a torcida.

A VOLTA DO QUE NÃO FOI O M1to chega para comandar o Tricolor
 sem experiência nenhuma na função. Será que basta? (Marcos Ribolli)

E jogar para a torcida é o que a diretoria do outrora clube-modelo São Paulo faz ao anunciar a contratação de Rogério Ceni para o cargo de treinador do time principal.

O ex-goleiro, que pendurou as luvas há pouco menos de um ano, pode até ser o grande ídolo da história recente sãopaulina, tendo conquistado tudo o que poderia com a camisa 1 (e depois 01) do clube, mas para ser treinador não basta ser o goleiro com mais gols, o jogador com mais jogos, vitórias e partidas usando a braçadeira de capitão. O buraco é mais embaixo.

Pode dar certo? 

Poder até pode, mas não será pelos méritos de uma diretoria que traçou um planejamento. Convenhamos, planejar não tem sido o forte dos cardeais do clube da Vila Sônia. 

Leia também:
O resgate brasileiro no 3 a 0 do Mineirão


É impossível negar a identificação dele com o São Paulo, mas isso não basta. Pode conhecer o vestiário como ninguém, mas como é o Rogério Ceni treinador? 

A medida parece mais uma jogada para a torcida, ainda mais quando 2017 será ano eleitoral e o clube nunca esteve tão rachado. No ano passado, fizeram algo parecido ao repatriar El Dio5 Dirego Lugano, mais pelo que jogou no ano da graça de 2005 do que pelo restante da vitoriosa, mas decadente, carreira, como se, com a retirada do agora técnico dos campos, preencher a lacuna deixada pelo único líder incontestável fosse a melhor das soluções.

Não era. O problema era técnico. E não o técnico. Como agora também não é.  

sábado, 12 de dezembro de 2015

Futebol, amor e idolatria - Obrigado, Rogério Ceni

*por Guto Monte Ablas

O ÚLTIMO ATO O amor do camisa 10 do gol, simbolizado no beijo do distintivo
 tricolor (Imagem publicada no Instagram oficial do São Paulo, 
@saopaulofc)  
Rogério Ceni pode não ter sido o maior goleiro da história, sequer o maior do São Paulo, que teve Zetti, Gilmar, Valdir, Poy, King... mas, sem dúvida, foi o goleiro que mais amou um clube de futebol.

Juntar 60 mil pessoas numa noite de sexta-feira não é pra qualquer um! Rogério Ceni se aposentando é a última pá de terra no pior ano da história do São Paulo. Como será o ano que vem? Sem craques, sem técnico, sem dinheiro, diretoria batendo cabeça, SEM ÍDOLO!

Depois de 19 anos o Tricolor terá um novo dono da camisa 1 (camisa 1, pois a 01 ninguém nunca mais usará) e depois de 19 anos terá de aprender a idolatrar outros nomes. Não terá mais aquele que ontem, emocionado, pedia para suas cinzas serem depositadas no campo do Morumbi, de sua casa, de seu amor.

Caras como Rogério Ceni estão extintos do futebol brasileiro. Símbolos de amor a um clube e a uma carreira. Não me envergonho de dizer que chorei durante a festa e lamentei a falta que um ídolo fará em nossa história.

Obrigado, Rogério Ceni, por me ensinar sobre futebol, amor e idolatria; obrigado por, dos seus 26 anos de carreira, 25 você tenha dedicado a nós!

Todos tiveram goleiros; só nós tivemos Rogério Ceni: goleiro, artilheiro, atacante, guitarrista, são paulino e m1to. Você nos deu o mundo, nós te demos nosso coração.

Que apesar da imensa tristeza de sua aposentadoria, possamos lembrar com alegria de sua história da qual, apesar de fechadas as contas, você ocupa para sempre a página 01.


*Guto Monte Ablas, 28, é jurisfilósofo, jornalista e radieiro.
Trabalha com esporte desde 2008, é sãopaulino desde 1986
e Rogério Ceni desde 1997, além de Fábio Jr desde sempre.
Atualmente no iG Esportes

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Obrigado, M1TO!

Por Douglas Sato*
PARA A HISTÓRIA Titular e capitão na conquista da Libertadores
 da América de 2005 (Alexandre Batibugli/Abril)
Craque, líder, mito, capitão, artilheiro, goleiro e provavelmente o maior jogador da história do São Paulo. Esse é o tamanho de Rogério Mücke Ceni, mais conhecido como Rogério Ceni, no mundo da bola. É o jogador que mais representa o que é jogar no Morumbi, um dos templos do futebol, o que mais representou uma torcida que canta, apoia e emociona. Por volta das 19 horas do domingo (06), o árbitro Ricardo Marques Ribeiro encerrou o duelo entre Goiás e São Paulo, com vitória da equipe paulista por 1 a 0, no estádio Serra Dourada, em Goiânia, e decretou o começo de uma nova fase para o time do Morumbi. 

Aos 42 anos e mais de 1,2 mil jogos pelo São Paulo, o arqueiro se aposentou do futebol. “Se você pensar, 25 anos em uma mesma empresa em que você se expõe publicamente para ser julgado quarta e domingo, é bastante tempo. É uma carreira toda e chegar aos 42 anos jogando é difícil”, disse Rogério Ceni em diversas mídias.

O adeus do capitão faz o clube romper (pelo menos dentro de campo) com o último remanescente de duas eras vitoriosas. O goleiro estava no Tricolor durante o título mundial de 1993 e ajudou a reconduzir a equipe ao topo, com as conquistas do Mundial de Clubes da FIFA e a Libertadores de 2005, seguido pelo tricampeonato brasileiro nos anos seguintes e a Copa Sul-Americana de 2012.

Os quase 20 títulos em sua carreira, incluindo a Copa do Mundo de 2002, ganharam ainda mais destaque pela habilidade paralela como batedor de faltas e pênaltis. Foram 131 gols, recorde no futebol mundial para um arqueiro, feito acompanhado pela liderança fora de campo.

CEM VEZES CENI Rogério comemora o centésimo gol
da carreira (Wagner Carmo/Inovafoto/Vipcomm)
  
Agora, caro leitor, sei parece estranho. Afinal, após todos esses dados, aonde quero chegar? Nem eu realmente sei. Como posso falar ou opinar sobre um cara que por 90 minutos foi maior do que o Liverpool? Um cara que pode ter superado a mística de Telê Santana no São Paulo? Que desbancou ídolos como Serginho Chulapa, Luis Fabiano, Raí, Zetti, Poy, Valdir Peres, Fórlan e é considerado o maior atleta de um clube profissional de futebol? É uma tarefa difícil para mim e ainda maior para o São Paulo.

O MUNDO ÀS SUAS MÃOS Após atuação antológica, Rogério
 ergue a taça de campeão do mundo (Getty Images)
Fora Pelé, ninguém é insubstituível. Mas, como preencher a lacuna deixada por um goleiro que suspirou? Suou. Superou. Mitou. Volto a dizer: não sei. E o São Paulo? Só o tempo dirá. Mas, enquanto não tivermos resposta, só posso dizer que Rogério Ceni fez muito dentro e fora de campo para o São Paulo. Merece todas as festas e honrarias, e vindo deste singelo texto uma palavra de carinho. “Até breve, capitão. Para sempre campeão!”

Principais títulos pelo São Paulo (ordem cronológica):
1992: Campeonato Paulista; 
1993: Copa Libertadores da América, Recopa Sul-Americana, Supercopa da Taça Libertadores da América, Mundial de Clubes; 
1994: Copa Conmebol, Recopa Sul-Americana; 
1996: Copa Master Conmebol; 
1998: Campeonato Paulista; 
2000: Campeonato Paulista; 
2001: Torneio Rio-S. Paulo; 
2005: Campeonato Paulista, Copa Libertadores da América, Mundial de Clubes; 
2006: Campeonato Brasileiro; 
2007: Campeonato Brasileiro; 
2008: Campeonato Brasileiro; 
2012: Copa Sul-Americana.



Pela Seleção Brasileira:
1997: Copa das Confederações; 
2002: Copa do Mundo 2002. 

* Douglas Sato tem 26 anos, é músico e jornalista (nesta ordem)
e, nas horas vagas, é imitado pela dupla Cesar Menotti e Fabiano.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

As tuas glórias vêm só do passado?

Por Douglas Sato*

A temporada de 2015 já está quase no fim, graças a Deus para a torcida tricolor, e as previsões feitas para o São Paulo se confirmaram. Após fiascos no Estadual e na Libertadores, o caso Maidana, contrata CEO, demite CEO,  o soco de Ataíde Gil Guerreiro no “presidente” Aidar, Cinira, Juan Carlos Osorio, Doriva. Alguns falam em uma crise mais duradoura, que deve alcançar o próximo ano, outros falam que o time do Morumbi subirá um pouco de produção (tem como descer?), e uma meia dúzia afirma que apenas uma reestruturação total dará jeito na situação.

Em meio a este cenário, demissões, saídas de atletas e dirigentes, ir além de uma reorganização interna é comum. Afinal, ninguém quer ficar no vermelho e correr riscos no próximo ano. Porém, em tempos de crise, a primeira coisa a ser feita é não perder a cabeça, manter a calma e ter uma atitude positiva, e não conformista. Por enquanto, existem previsões e nenhuma certeza, e, por isso, esta é uma boa hora para identificar as oportunidades e tentar se reerguer.

Primeiro ato
Aproveitar o dinheiro extra: O fato é que a folha salarial do São Paulo aumentou exorbitantemente. Entretanto, com as saídas de Rogério Ceni, que se aposentará, de Luis Fabiano, que irá para a China, e Alexandre Pato, que voltará ao Corinthians, o clube poderá economizar cerca de R$ 1,65 milhão por mês, que é aproximadamente o que o trio, somado, recebe, o que não é pouco. E essa dinheirama poderá ser utilizado em contratações e outras despesas importantes do futebol do clube.

Segundo ato
A base: O São Paulo é um bom vendedor: Lucas para o PSG por R$ 86,5 milhões, Lucas Piazon para o Chelsea por 16,9 milhões, Oscar para o Internacional e Chelsea por 15 milhões, Casemiro para o Real Madrid por 13,4 milhões e Boschilia para o Monaco por 34,7 milhões. Porém, quando necessita da assistência da base, vide este último Brasileirão, o clube vendeu seus jogadores mais promissores e dependeu de jovens apostas, inexperientes, afobados e sem responsabilidade. Uma das soluções para 2016 é cuidar de Cotia, manter os bons atletas, trabalhá-los com calma e, na medida do possível, dar espaço na equipe profissional.

Terceiro ato
Jogadores que voltarão de empréstimo: Ao todo são seis laterais, dois zagueiros, um volante, dois meias e dois atacantes os jogadores que voltam para defender (ou não) as cores do São Paulo na próxima temporada. Entre eles estão Luis Ricardo e Carleto (Botafogo), Cortêz** (Albirex Niigata-JAP), João Felipe (Tricolor carioca), Luiz Eduardo (Juventude), Wellington (Internacional-RS), Maicon (Grêmio), Ademilson (Yokohama Marinos-JAP) e Ewandro (Atlético Paranaense). Já que o dinheiro é sempre pauta, o clube bem que poderia aproveitar grande parte desses nomes na equipe de 2016 (para evitar gastar montantes em taxas de transferência de atletas) ou até vender alguns nomes excedentes para fazer caixa e investir em um plantel qualificado.

Quarto ato
O Presidente do Clube: Juvenal Juvêncio é o dirigente que mais venceu na história do São Paulo se for levada em conta também a época em que comandava o departamento de futebol na gestão do saudoso Marcelo Portugal Gouvêa. O time época de Juvenal resistiu à ruptura do Clube dos 13, em 2011, e contribuiu para a queda de Ricardo Teixeira como presidente da CBF. 

No entanto, Juvenal mudou o estatuto social do clube e acabou passando por cima de tudo e de todos, centralizou o poder e, ainda assim (ou talvez por causa disso), perdeu a abertura da Copa do Mundo de 2014 para o co-irmão Corinthians. No novo estatuto, o tempo de mandato passou de dois para três anos. Além disso, adotou uma interpretação do estatuto que lhe permitiu a reeleição.  

Assim ele praticamente virou um posseiro no Morumbi e conseguiu cumprir, na mão-de-ferro, oito anos no comando. Mas, apesar de tudo isso, Juvenal Juvêncio, ou JJ, como é conhecido, era respeitado pelos jogadores, diretoria e a torcida. Já seu sucessor Carlos Miguel Aidar, com quem rompeu logo depois de ajudar a eleger, fez do clube um salão de festas, onde pessoas entram e saem a todo momento. As declarações do ex-presidente, incluindo brigas com equipes rivais, fizeram do São Paulo um exemplo de desorganização e fragilidade.

Agora nos resta saber qual será a posição que o atual presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, adotará em 2016, primeiro, em 25 anos, sem o capitão Rogério Ceni. Será bom o suficiente para reorganizar o outrora exemplar São Paulo? Terá respeito e respaldo? Ou será apenas mais um a conduzir o barco para outro iceberg?

* Douglas Sato tem 26 anos, é músico e jornalista (nesta ordem) 
e, nas horas vagas, é imitado pela dupla Cesar Menotti e Fabiano.


**NE Que ele, responsável pela derrota do Benfica na última Eusébio Cup com o Pantera Negra ainda vivo, encerre a carreira na obscuridade de uma quarta divisão de algum campeonato qualquer.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mito é para quem merece


*por Fabio Venturini

O começo de 2013 não foi dos melhores para Rogério Ceni, assim como os primeiros semestres não têm sido as boas épocas de sua carreira desde 2006. Em mais um de tantos anos em que o comodismo do restante do time e a direção do clube não ajudaram, o goleiro são-paulino virou novamente o grande alvo de piadas e críticas.

Impressionante como um jogador é mais lembrado do que o próprio clube em que joga no humor de torcedores adversários (é o que se espera deles) e motivo de escárnio da crônica esportiva (sem comentários). Todos, exceto uma parte da torcida tricolor, pedem sua aposentadoria.

O motivo é simples: Rogério construiu esta repulsa com méritos e louvor. Num país em que o trabalhador é bobão e o preguiçoso adepto do jeitinho é admirável, daqueles que acabam ganhando a chefia de algum comitê espalhados pela vida em língua ocidental moderna, é o que fatalmente ocorre.

Quando o garoto brasileiro se propõe a jogar futebol, lá na infância, ninguém quer ser o goleiro, uma posição inferior reservada aos ruins de bola. Na escola, se o guarda-metas joga bem, o evento é tratado mais como humilhação para o ataque do que mérito do arqueiro. Um grosso consegue boas atuações sob as traves e os comentários depreciativos são: “achou a posição”.

Levar um gol de goleiro, de um grande rival, é mais do que um tento no placar, é humilhação coletiva, do time, da torcida, do goleiro adversário. Todos os grandes clubes brasileiros tiveram tal desprazer. Os rivais próximos foram mais castigados ainda: Santos levando gol em final de campeonato, Palmeiras como uma das vítimas preferidas de um arqueiro, o simbólico 100º gol contra o Corinthians (o que fez os alvinegros contarem os gols marcados, e forjarem risivelmente contas, para tentar devolver o tento centenário).

Rogério comemora o centésimo gol, diante do Corinthians (André Lessa/AE)

Para parte da crônica esportiva brasileira qualquer insucesso de Rogério é uma deliciosa alegria raivosa. Ele fala bem, não fica no discurso padrão do tipo “a gente jogamos bem” e “o grupo está unido”. Não ouve calado injúrias, não hesita em processar repórter que fala bobagem sem pensar para polemizar e não promove eventos-jabá. Ter comportamentos coerentes custou até vagas na Seleção Brasileira.

A síntese do sentimento da crônica esportiva, majoritariamente formada por profissionais que também são torcedores de rivais, está na frase do narrador Milton Leite vazada em transmissão da Sportv: “Rogério Ceni é chato prá caralho”.

Deveria ir embora

Sem exageros, Rogério é um monstro do futebol mundial de todos os tempos. Craque com as mãos e os pés, não fosse odiado pelo afã torcedor (com ou sem microfone), seria lembrado em nove de dez seleções brasileiras de todos os tempos na crônica esportiva. Sem citar gols: Rogério está no São Paulo há 23 anos, desde 1990, significando que em quase 30% da existência do clube mais vencedor do País lá estava ele (e bem). Durante 16 anos, 20% da história do SPFC, foi não apenas o titular da camisa 1 ou 01, mas também principal referência, capitão e um dos melhores (quando não o melhor) atletas do plantel.

Raí ficou na França entre 1993 e 1998. Voltou ao São Paulo decidindo final de campeonato, porém a faixa de capitão continuou no braço de Rogério. Pouca gente sabe o que isso simboliza. Quem nunca viu Rogério no seu time não tem – e não terá – ideia do que significa. Presente nas duas fases mais vencedoras do clube, possui mais títulos do que alguns clubes adversários e tem infinitamente mais importância do que as pessoas conseguem medir hoje, com ele em atividade.

Tive o privilégio de ver os dois melhores times tricolores em ação (1985-1987 e 1992-1993), além de outro que foi multicampeão (2005-2008). Quando me perguntam quem foi o melhor jogador da história do São Paulo, respondo Raí. Quando me perguntam que foi o melhor goleiro da história do São Paulo, respondo Zetti. Quando me perguntam quem foi o maior ídolo da história do São Paulo, respondo Rogério. E ele não parou de jogar ainda.

Seria normal parar de jogar se estivesse mal técnica e fisicamente. Obviamente não é o mesmo Rogério de 2005, ano em que fechou o gol e fez marcou 21 vezes (mais do que muitos atacantes fazem numa temporada), porém está melhor do que em 2006, quando foi campeão brasileiro. Comete algumas falhas normais para um veterano, porém no geral mais salva o time do que erra. E com uma linha displicente não há goleiro bom o suficiente para corrigir a falha de atacante que não joga, volante que não marca, lateral que não fecha...

A defesa que valeu como um gol, na final do Mundial de 2005 (IG)
Num país em que se esquecem jogadores como Zico, Sócrates, Careca e Evair, somente para citar alguns, em detrimento de popstars que frequentam menos a grande área adversária do que festas de agências de modelos e diferentes departamentos médicos em pelo menos dois continentes, o normal é a crônica esportiva tentar forçar a aposentadoria de Rogério Ceni. Esta imprensa de marketing e entretenimento consegue aplausos de torcedores adversários ansiosos pelo fim do tormento humilhante de tomar gol de goleiro e ainda ressoa na parte menos pensante da própria torcida tricolor.

Rogério sempre comentou a pessoas próximas o desejo de jogar nos Estados Unidos. Tem lenha para queimar por pelo menos mais dois anos após 2013. Como torcedor tricolor, gostaria que ficasse, mas creio que deveria ir. Além de ser revigorante, em duas temporadas seria o melhor goleiro da Major League Soccer, faria alguns gols, ganharia muito dinheiro, tornar-se-ia mito mesmo sendo estrangeiro numa cultura altamente preconceituosa e teria por lá o respeito que por aqui foi menor do que o despeito dos humilhados.

Perderia o futebol brasileiro, mas ter um mito desta enormidade é somente para quem merece.

*Fabio Venturini é jornalista

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Duelo de pentacampeões mundiais


O jogo por si só já chama a atenção: clássico brasileiro já na estreia da fase de grupos na Taça Libertadores da América. Mas, existem outros ingredientes que também não poderão ficar de fora do jogo de hoje entre Atlético-MG e São Paulo, no estádio Independência, às 22h00.

Para quem não se lembra, quatro jogadores que defendem hoje o Atlético-MG e São Paulo foram campeões com o Brasil em 2002: Rogério Ceni, Lúcio, Gilberto Silva e Ronaldinho Gaúcho. Chato isso, não?

De 2002 para cá muita coisa mudou, jogadores conquistaram títulos, trocaram de clubes, (a não ser para Rogério Ceni, que não troca o São Paulo Futebol Clube por nada nesse mundo). Mas fora isso, Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, hoje defendendo o Galo, foi duas vezes eleito o melhor jogador do mundo (2004 e 2005); campeão da Liga dos Campeões (2005-2006), todos defendendo o Barcelona-ESP.

Tem o Gilberto Silva, também defendendo as cores preto e branco, com passagens por Arsenal-ING e Panathinaikos-GRC, conquistando títulos como a Premier League: 2003/2004 e o Campeonato Grego, em 2010, e que volta a disputar o torneio Sul-Americano, o último pelo próprio Galo, em 2000.

Outro jogador que disputará pela primeira vez a competição é o xerifão Lúcio, do São Paulo. Para quem já disputou campeonato alemão, italiano, conquistou a Liga dos Campeões com a Inter de Milão (2009-2010), será interessante vê-lo jogar, já que o mesmo sempre demonstra raça em campo, o que é preciso ter na Libertadores.

Mas não posso deixar de citar o arqueiro Rogério Ceni. Se o mesmo não possui experiência jogando em times fora do Brasil, essa ele tem na Libertadores. Já levantou dois canecos em 1993 e 2005, amargou o vice em 2006, sabe como se comportar em partidas Sul-Americanas com catimbas e discussões. Dos quatros citados, de longe o goleiro tricolor sai na frente no quesito Libertadores da América.

                 Campeões do Mundo com o Brasil em 2002 (Montagem Globoesporte.com)

Duelos a parte, é um jogo que tem tudo para encantar o torcedor mineiro e tricolor, com belas jogadas, belas defesas e belos desarmes. Difícil será um empate hoje, e mesmo perdendo, ambos devem se classificar para a próxima fase do campeonato. 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sem pão, nem manteiga

Como de costume, esperei para tecer minhas considerações sobre a eliminação da Portuguesa no Paulistão. Após um começo claudicante, recuperou-se e promoveu uma belíssima arrancada no fim da primeira fase, se classificando no último minuto, de maneira heróica. Foi a volta da Lusa às mesas redondas, aos jornais, às discussões. Nos colocaram de novo como grandes, apesar de não passarmos de fase desde 1998, que o São Paulo teria o adversário mais difícil.

Tudo muito bonito, tudo muito honroso. Mas será que é simples assim? Jogamos bem? Sim, jogamos. Perdemos com honra? Sim, perdemos. Não, não é.

O jogo estava como manda o figurino: o São Paulo tinha a posse de bola e a Lusa se defendia e especulava à espera de contra-ataques e chutes de média distância com os ótimos Ferdinando e Guilherme (volante dos bons, que sabe sair para o jogo, não bate, chuta muito bem e marca melhor ainda). Domingos e Maurício, adiantados, não davam espaço para o ataque do time do Morumbi.

Aí veio a contusão do volante Rodrigo Souto, do São Paulo. Carpegiani colocou um centroavante, Henrique, e enfiou a dupla de zaga da Lusa dentro da área. Dagoberto foi recuado e, ao lado do Ilsinho, ditava o ritmo do jogo. Assim saiu o primeiro gol: bola enfiada pelo camisa 25 para Jean, na primeira jogada aguda deste, que encontrou Ilsinho nas costas do Marcos Pimentel, sem marcação, nem piedade.


No segundo tempo, restava à Lusa atacar, mesmo sem força pra isso. Jorginho, então, voltou com Rafael Silva no lugar de Marco Antonio, que voltava após longa paragem, por lesão. Eram três atacantes lusos, apesar de um deles ser o Luís Ricardo, contra a dupla de zagueiros tricolores. Entretanto, a bola pouco chegava, pois não havia criatividade na equipe comandada pelo Jorginho.


Sabendo disso, o técnico Tricolor resolveu dar campo à Lusa. Ao contrário do que disse o comentarista Casagrande, da Rede Globo, o treinador sãopaulino agiu bem. Sem profundidade, a Lusa teria a posse de bola e continuaria no único recurso que teria, com dois ou dez à frente: os chutes de longe. Sem gente de qualidade para armar, apelar a Ananias, meia de futebol tão pequeno quanto o personagem homônimo do Renato Aragão. Podendo contar com um goleiro do nível de um Rogério Ceni, era um risco que valia a pena correr.


No primeiro contra-ataque que o São Paulo encaixou, Dagoberto matou o jogo, após passe do Ilsinho. Daí até o final do jogo era o São Paulo não querendo fazer o terceiro e a Lusa não conseguindo marcar o primeiro.

O que faltou para a Lusa? A torcida, ao menos ontem, foi torcida e apoiou o tempo todo. Mesmo após o fim do jogo, não se ouviu vaias ou apupos, mas aplausos. Portanto, ontem, não foi por falta de apoio. Ontem.

O que faltou, de fato, foram jogadores capazes de mudar o panorama do jogo. Jogadores capazes de criar, pés que pensassem o jogo. Faltaram Fabrício e Héverton que, bem ou mal, poderiam fazer isso em vez de Henrique, Ananias e Luis Ricardo. Poderiam, mas não fizeram porque não estão mais no elenco.

Como diz meu pai, para bom entendedor meia palavra basta.

sábado, 2 de outubro de 2010

Sobre a presunção

O São Paulo sempre foi tido como um exemplo de administração. O clube sempre se gabou de não precisar de parceiros para tocar o futebol, pois essa história de co-gestão não funciona no Morumbi. É consenso, inclusive em boa parte da imprensa, que o Tricolor é o clube brasileiro que melhor se adequou ao monstrengo chamado de Lei Pelé. Afinal, ninguém ganhou mais dinheiro transacionando jogadores do que o São Paulo (mesmo que, para isso, tenha o pessimo hábito de aliciar garotos da base de outros clubes). Enquanto os outros, pobres co-irmãos, têm em seus quadros os conselheiros, o presunçoso representante da nobreza paulistana também os tem, mas sob a pomposa alcunha de cardeais.
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Os são-paulinos são diferentes em tudo. Desdenham das fases iniciais dos campeonatos porque, para eles, o filé-mignón, a decisão, é o que interessa. É aí que batem no peito e lotam o Morumbi, "o maior estádio particular do mundo", segundo eles. Outro "diferencial" tricolor é a apresentação dos uniformes: times comuns as fazem ou na própria sede social ou em alguma grande loja de artigos esportivos. O São Paulo não! Seus concorridos eventos são realizados na Oscar Freire. É mais fashion, né?
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Essa conversa de que o São Paulo Futebol Clube está um passo além da concorrência até que era, de certa forma, verdade. Desde que a fórmula de disputa do Brasileirão mudou para os pontos corridos, quem melhor se houve foi o Tricolor. Este tipo de campeonato premia o time que for mais regular durante a disputa e, para tal, é necessário que haja planejamento, e o planejamento deve andar de mãos dadas com uma estrutura bem sólida, coisa que ele, o São Paulo, tem. Outro consenso é que o clube contrata com competência ímpar graças à excelente comissão técnica, que, aliás, é fixa. Um luxo no oásis de desorganização chamado futebol brasileiro.
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A grandeza de um clube é forjada através dos tempos. Como no Brasil o campeonato nacional é recente, se comparado a outros países, muito da história dos grandes clubes foi feita com os campeonatos estaduais. Com o advento do Campeonato Brasileiro, entretanto, já não bastava ser o melhor da sua rua. Tem que ser o melhor do bairro. Depois que competições internacionais como a Libertadores e o Mundial ganharam a projeção que têm, ser o melhor do país já não era tão importante assim. Agora deve-se ganhar o mundo. Outra coisa que não seja isso parece não ter importância.
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Eis o maior problema do São Paulo Futebol Clube. Depois que conquistaram a América - e o mundo -, os outros campeonatos passaram a valer menos do que nada. Em quase quarenta anos de disputa do Campeonato Brasileiro, o São Paulo é o único time a vencê-lo por três anos seguidos, sempre sob o comando de Muricy Ramalho. Como o treinador cometeu o pecado de não ganhar a Libertadores, foi enxotado do Morumbi. Não por coincidência, ninguém mais conseguiu emplacar um bom trabalho no clube.
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Há pouco tempo atrás, Rogério, o goleiro-craque-capitão-bandeira (sem ironia), disse que não conseguia imaginar o São Paulo fora da maior competição sulamericana. Um bom tempo depois foi a vez do boquirroto Carlos Augusto Barros e Silva dizer que a Copa do Brasil não está à altura do clube. Juvenal Juvêncio, o presidente, não é dos mais humildes. Eis que o São Paulo perdeu a mão não só nas contratações, mas no planejamento. Sob a ilusão de ser o sonho de todo jogador, sujeitou-se a virar reformatório de jogadores problemáticos, como Carlos Alberto e, principalmente, Adriano.
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Pelo visto, depois de seis anos consecutivos disputando a Libertadores, o time do Jardim Leonor terá que se contentar em juntar-se aos pobres e jogar a Copa do Brasil. Para tanto, terá que voltar a ser humilde, como nos tempos em que era treinado por um homem que, ao contrário dos que estão no comando do clube, sabia detectar limitações. Afinal de contas, não é só no dicionário que a arrogância aparece antes do fracasso.

domingo, 9 de novembro de 2008

A estranha viagem nos sentimentos

No último fim-de-semana experimentei algumas sensações estranhas. Ir do êxtase à decepção em questão de segundos é muito interessante. Senti isso no GP do Brasil de Fórmula 1, por motivos óbvios. Um dia antes tinha sentido algo semelhante no Flamengo e Lusa, mas não com tanta intensidade.

Ontem, novamente, foi dia de me submeter aos meus sentidos. Mais um jogo da Lusa, mais um clássico, mais um líder, mais uma decisão, mais um jogaço de bola. E mais uma vez deu São Paulo.

Até o começo do segundo turno, ninguém dava bola pro Tricolor. Estando 11 pontos atrás do líder Grêmio, jogava muito mal. Aí, sorrateiramente, foi chegando, chegando, e chegou! Num ano em que fez tudo errado, quando se submeteu a ser reformatório de jogadores, tem sido ajudado, não pelas arbitragens, como está sendo a dupla moribunda do Rio, mas pela incompetência dos adversários.

Todos os outros que experimentaram o torpor da liderança tropeçaram, inebriados, nas próprias pernas. Como o São Paulo está acostumado ao cume, parece não padecer desse mal.

Voltando ao jogo, foi um clássico eletrizante. Logo de cara, gol do São Paulo. No finalzinho, gol da Lusa. Nos acréscimos, mais um gol do São Paulo. No segundo tempo os papéis quase se inverteram. Quase. A Lusa buscou o empate. Quase no fim, o São Paulo fez outro. Aí, nos acréscimos, o tipo de lance que dói, mas mostra quem é o escolhido pela sorte. Quando o Edno apareceu nas “fuças” do Rogério eu já estava pronto pra gritar, ensandecido, mas a bola, caprichosa que é, escolheu pelo travessão, ao invés de aconchegar-se às redes, a despeito do que fizera minutos antes, na outra baliza.

Estou maravilhado com o nível do jogo. Mas estou triste com o resultado. É um estranha viagem nos meus próprios sentimentos. Escrever é muito mais fácil do que falar, pois os dedos não soluçam, nem têm embargos, com os tem a voz. Estou com os olhos marejados, mas estou orgulhoso. É muito estranho sentir coisas tão diferentes, quase que ao mesmo tempo.