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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Pílulas amadoras - 22

*Por Humberto Pereira da Silva

¡JUNTOS! Vinicius Jr publicou em sua conta no X
uma foto de todo o elenco madridista.

Sobre o boicote do Real Madrid à cerimônia de premiação da Bola de Ouro, ouvi comentários condenando a decisão do Real, que os merengues se apequenaram, fizeram birra, foram maus perdedores, desrespeitaram o Rodri, que ao cabo ficou com a honraria de melhor jogador do planeta.

No mundo de liberdade de expressão, é ótimo ver que todos expressem opinião. E a decisão do Real, é inevitável, se presta às mais diversas opiniões. Vai a minha, portanto: considerando a maneira como as coisas ocorreram - havia um avião pronto para levar a trupe para Paris e a viagem foi cancelada de última hora - há algo nos bastidores que jamais se revelará e que levou à decisão tão extrema. A decisão poderia ter uma discussão séria e inteligente, mas ficou, até onde vi, na superfície das condenações. "Um papelão, o Real se apequenou...'

Pensemos e extraiamos implicações. Até a divulgação oficial ninguém sabia que Rodri seria eleito o Bola de Ouro. Ninguém. Mas Vini Jr.  era "favorito". As palavras traem. Como favorito numa escolha que envolve votos um a um? A palavra favorito para mim cabe quando no auge da forma se põe Usain Bolt numa disputa. Ninguém vota em quem vai ganhar. O favoristismo de Bolt não tem nada de subjetivo. 

Quando a delegação do Real cancelou voo a Paris na manhã da entrega do prêmio da France Football, Vini Jr deixou de ser "favorito" e o favoritismo ficou com Rodri. Ninguém sabia, até então, quem seria o vencedor e o Real boicotou sem saber que nenhum de seus jogadores, três, além de Vini Jr, Belligham e Carnaval, seriam escolhidos. 

Pois é. O Real não foi a Paris e o então "favorito" Rodri confirmou o favoritismo. Não há charme, birra, nem meros rumores plantados pela imprensa. Antes do anúncio, o Real sabia que Vini Jr não seria eleito.  Mas como o Real, para tomar decisão radical, teve a certeza do que só se saberia no anúncio oficial?

Pois é, com uma certeza assim não é preciso ser vidente para se extrair outra certeza: até a noite anterior o Real sabia que Vini Jr seria escolhido. Tanto que teria reservado, segundo o que chegou da Espanha, voo e hotel para cerca de 50 pessoas. O que a decisão do Real revela é o teatro, o fingimento de que não se sabe o que se sabe. O Real não poderia saber que o Rodri seria eleito. Boicotou porque "vazou"... não! Boicotou porque "vazou" que o Vini Jr seria eleito. 

Foi extrema a decisão. Mas ela trouxe elementos que poderiam ser pensados em eventos em que o público é tratado como idiota. Eis minha modesta opinião. Movimento nos bastidores e Rodri foi escolhido. E não mera soma com critérios amplamente divulgados e objetivos? Então como se daria o que se deu? Por que Vini Jr perdeu? Pois é.  Nunca saberemos. Mas só sendo idiota para supor que o Real tomaria a decisão que tomou ignorando os bastidores da escolha. 

Ou seja, para o público, o poderoso Real e o jogo das manipulações nos bastidores, no submundo das manipulações de bastidores, não teve força e foi traído.

Um bom roteiro para um filme de máfia, ou de espionagem. Coppola para mim é o emblema com seu O Poderoso Chefão. Noves fora, fica pros incautos fazer piadas, memes e emitir opiniões pueris tipo o Real se apequenou.

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo

domingo, 30 de junho de 2024

BRASIL - Vini Jr, do Real, decide pela Seleção

Por Waldir Manoel do Nascimento*

(Reprodução TV Globo/Globoplay)

Dorival Júnior fez mudanças, mas não a que a gente queria. Venceu o Paraguai por 4 a 1 na segunda rodada do Grupo D da Copa América sem recorrer a um centroavante no time. Insistiu com seu sistema e foi premiado com uma vitória tendo seu trio ofensivo de pontas como protagonista. Em especial, Vini Jr que foi na seleção o que costuma ser no Real Madrid, o que o credencia a ser o melhor do mundo na temporada.

Com Wendell na lateral esquerda na vaga de Guilherme Arana, que realmente jogou muito mal contra a Costa Rica, e Savinho na vaga de Raphinha na ponta direita, o Brasil enfrentou um Paraguai que não se acovardou, não ficou com os 11 na defesa esperando espaços para um contra-ataque.

Pelo contrário.

Embora a Seleção Brasileira tivesse ímpeto ofensivo desde o início da partida, ps paraguaios foram mais efetivos até a abertura do placar. Damián Bobadilla, volante do São Paulo, finalizou e contou com o desvio em Éder Militão para quase vencer Alisson que, por sua vez, conseguiu evitar o gol.

Até ali o goleiro Morinigo pouco ou quase nada trabalhara.

Mas o jogo mudou e o Brasil abriu 3 a 0 em menos de 15 minutos. Antes, Lucas Paquetá mandou (muito) para fora, aos 31 minutos, cobrança de pênalti após a bola bater na mão de um defensor paraguaio. Quatro minutos depois, porém, o mesmo Paquetá recebeu de Bruno Guimarães e com um toque deixou Vini Jr na frente do goleiro. Vini foi o Vini do Real, teve velocidade e tranquilidade para se livrar da marcação e, com o gol praticamente aberto, abrir o placar.

Se efetivamente não merecia aquele placar, o time de Dorival Júnior fez por merecer ampliá-lo ao não se acomodar. Sufocado, oito minutos depois o Paraguai viu Rodrygo se desvencilhar da zaga pela esquerda e, já dentro da área, bater forte para Savinho aproveitar o rebote do goleiro e a falha da defesa para ampliar. Com quatro minutos de acréscimos Vini Jr abafou a zaga adversária, que errou e proporcionou ao atacante do Real o terceiro gol brasileiro.

Mérito total da equipe brasileira que não se acomodou com o resultado favorável em momento algum para construir um placar tranquilo.

Logo no começo do segundo tempo o bom zagueiro Alderete diminuiu para os paraguaios, mas Lucas Paquetá teve uma segunda chance em outro pênalti em que a bola também bateu na mão de um defensor e decretou o 4 a 1, a primeira vitória do Brasil na Copa América 2024.

Chamou atenção a aparente apatia do relegado Endrick. Espero estar errado.

Para fechar a primeira fase, o Brasil enfrenta a líder Colômbia na terça-feira, 2 de julho, às 22h, pela liderança da chave. Nessa disputa, o empate favorece o bom time colombiano.

*Cosplay do maior trio de jogadores brasileiros de toda a história.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

BRASIL - Vinícius Jr, Neymar e a tragédia grega, com a Bola de Ouro ao barulho

INTIMIDADE Vini Jr. beija a taça mais cobiçada do
futebol de clubes (Reuters/Carl Recine)

*Texto originalmente publicado no Ludopédio

Vinicius Jr. é a bola da vez. Favorito a devolver ao Brasil a Bola de Ouro, o jogador tem brilhado jogo sim, jogo também, pelo Real Madrid, com quem conquistou sua segunda Liga dos Campeões em três anos, e foi novamente decisivo, outra vez protagonista.

Mas não bastou exaltá-lo. Como se o futebol fosse o teatro grego de tragédia e a presença de um protagonista, representando o bem, automaticamente criasse a figura de um antagonista, a quem o mal lhe é atribuído, busca-se diminuir Neymar para enaltecer Vinicius Jr. É a mesma tolice que converte fãs de Messi e Cristiano Ronaldo em detratores do outro. Apesar do péssimo gerenciamento de carreira, Neymar é - ou foi, sei lá o que vai dar dele - um jogador brilhante. 

Fora de campo, Neymar é um cidadão dos mais questionáveis, para não usar outro adjetivo menos abonador, mas, em se tratando de futebol - e o tema aqui é este -, é um extraclasse, é completo. Podem escolher o fundamento do jogo, Neymar, no mínimo, é muito bom. O que pesa contra o maior talento brasileiro, para não falar mundial, em anos é o seu comportamento, e aqui nem entra em questão suas posições pessoais. 

É necessário conter a emoção, mesmo que seja somente para proteger o craque madridista das cobranças exageradas para que seja o número um. Presenciamos um craque em construção, longe do seu ápice físico, técnico e psicológico, e ainda sujeito a cometar algumas bobagens. Hoje, quando este texto é escrito - e afastado do calor da conquista continental -, Vini Jr. é o principal jogador da temporada, da mesma forma que Bellingham já foi apontado como o melhor do ano.

Imaginemos, porém, que a Inglaterra finalmente vença uma competição, a primeira desde 1966. Se Bellingham comer a bola, quem garante que o favorito não passe a ser ele? Ou Kane, que naufragou coletivamente no Bayern, mas individualmente fez provavelmente sua melhor temporada. Comparando as conquistas, a Champions do Real Madrid é só mais uma Champions do Real Madrid. Uma eventual Euro da Inglaterra são outros quinhentos.  

O prêmio pode ir para qualquer um deles, ou até mesmo para Kroos, um dos melhores da história, sem favor algum. Se mantiver o nível estupendo de atuações visto na temporada e, naturalmente, vencer a competição que jogará pela Die Mannschaft, em casa, estará à altura da distinção. Destes, Vini Jr, Bellingham e Kroos arrebentaram na temporada, pelo mesmo Real Madrid. Não me parece nenhum absurdo que os três estejam cotados.

Ainda assim, não será essa obrigação besta que parece ser determinante para decidirmos o tamanho de um jogador que nos dirá se Vinicius é maior ou melhor do que Neymar. Potencial, ele tem; mentalidade, idem; talento, demorará anos para aparecer alguém que se aproxime do ex-santista, isso se algum dia acontecer. Mas isso não basta. Além do mais, um fato poderá ser determinante para o futuro do brasileiro: a chegada de Mbappé ao Real Madrid.

Só para ilustrar, quando ainda não era um criminoso, Robinho era um talentosíssimo atacante, também do Real Madrid, com os olhos postos ao prêmio de melhor do mundo, e numa época pré Messi e Cristiano. Bastou a suspeita de que seria moeda de troca para a chegada do português para rifar a carreira. Bastou uma decisão errada, somente uma. Depois foi o que foi, mas isso não tem nada a ver com o campo.  

Como Vini reagirá à chegada do mimado francês? Ou melhor, como Mbappé chegará ao Real Madrid? Será mais um no vestiário, que não terá mais a liderança natural de Toni Kroos? Aceitará jogar centralizado para que Vini siga atuando onde comprovadamente rende mais? No PSG, essa questão causou ruído. Na seleção francesa, Mbappé já é o capitão.

Voltando à Bola de Ouro, o camisa 7 do Real Madrid sofre a resistência de parte considerável do mundo do futebol porque enfrenta o racismo que sofre até mesmo quando não está em campo, em vez de aceitar bovinamente as ofensas que recebe por causa da sua cor retinta. Não aceita ser atração, tampouco ser desumanizado por um sistema que sequer considera o racismo crime no país onde mora. 

Em todo caso, ainda lhe falta escrever uma história na seleção, onde Neymar, bem ou mal, é o maior artilheiro em jogos oficiais, mesmo tendo feito água nas grandes competições. Talvez a presença do próprio Neymar no grupo ofusque seu crescimento, ou faz com que os treinadores, desde Tite, não lhe deem o protagonismo que parece pronto para receber. Ou mesmo o sistema de jogo de Fernando Diniz tenha atenuado seu talento. Seja como for, Vini nunca foi o cara a ser procurado em campo quando a coisa apertou quando veste a cada vez mais esquisita camisa da seleção.

Pelas características de Dorival Jr, e por Neymar, temporária ou definitivamente, não estar à disposição, esta responsabilidade deve ser-lhe atribuída já na Copa América, na qual terá a chance de pavimentar ainda mais o caminho para chegar ao prêmio de melhor da temporada. Até lá, pelo menos, sugiro ir devagar com o andor porque o santo - e a admiração do torcedor - é de barro.   

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

THE BEST: a constrangedora vitória de Messi

A FIFA realizou sua gala anual e o principal prêmio da noite, o de melhor jogador de futebol masculino do mundo, ficou com Lionel Messi. A melhor definição desta escolha foi do jornalista colombiano Juan Sebastián Pérez: é completamente constrangedora. Neste futebol que não aceita "derrotas", a ausência do jogador na premiação é um indicativo de que nem ele acreditava que venceria.

Se você, leitor, disser que a FIFA não tem culpa pelos votos, pois não é ela quem controla isso, saiba que existe uma grande chance de você estar errado. É certo afirmar que ela não obriga ninguém a votar, mas é a entidade que define o formato da eleição e este abre margem para distorções, como foi a atribuição de melhor para quem, honestamente, sequer deveria estar entre os 10, ou até entre os 50 melhores da temporada.

Um comitê de notáveis escolhe os nomes dos postulantes, que estarão submetidos aos votos de quatro categorias distintas: jornalistas (um de cada federação filiada), técnicos das seleções filiadas, seus capitães e o público em geral, com peso igual. Aí, como a escolha é livre e subjetiva, vale tudo, inclusive não se atentar ao período que deveria ser levado em consideração. Está aqui, explicadinho pelo goal.com.

Com o título mundial fresquinho e o nome dele lá, alguém acha mesmo que o torcedor vai se importar com o período? É obvio que não. Seria simples de resolver: os próprios ex-jogadores deveria levar em consideração o que ele (não) fez no período previamente determinado e fazer seu trabalho direito. 

No formato que tem, não é raro o troféu que a popularidade pese mais que o desempenho, bem como camaradagem, idolatria e patriotada. Isso talvez explique a escolha por quem, em 2023, teve um término de chorar no PSG, no qual não foi nem sombra do que pode ser, ainda mais tendo como base de comparação o desempenho na última Copa do Mundo.

Há quem defenda a tese de que o desempenho individual deve ser mais importante; para outros, não faz sentido o vencedor não ter conquistado títulos relevantes, como a Copa do Mundo, a Eurocopa ou a Liga dos Campeões. Ter feito que fez na Copa do Mundo do Catar garantiu, com justiça, a Bola de Ouro para o argentino, embora não tenha feito mais nada de notável durante os outros meses do ano, e nem precisava. Agora, porém, nenhum critério decente explica a escolha.

Uma deturpação desta natureza já havia sido feita em 2000, quando a FIFA, na falta de algo melhor para pensar, resolveu abrir para a geral votar no melhor jogador do Século XX. A votação livre indicou Maradona, com mais de 50% dos votos. Paralelamente, a entidade promoveu a mesma eleição, mas para os leitores se sua revista e neste caso deu Pelé. Então, salomonicamente, deu o prêmio aos dois. Segundo o então presidente, Sepp Blatter, "Maradona ganhou a eleição da juventude. Pelé, a eleição da família do futebol". 

Escolhas como esta, sem base técnica que as sustentem, dão margem a este tipo de esculhambação. Ainda assim, em se tratando de um esporte coletivo, prêmios individuais valem o que valem, mas deveriam valer menos.

Este prêmio não faz dele maior. Pelo contrário, diminui o valor dos outros recebidos anteriormente, pois os vulgariza, os banaliza. Como disse brilhantemente o professor de ética em jornalismo Humberto Pereira da Silva, colunista deste blog, é uma Vitória de Pirro, comandante romano que disse depois de ganhar uma batalha com grandes perdas: "Mais uma vitória dessa e estou perdido". 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sobre a Bola de Ouro de 2016

DÁ UM TEMPO AÍ, FERA Coleção de Lionel Messi não
deve aumentar neste ano (Divulgação/Barcelona)
No início da semana, a France Football divulgou a lista dos 30 pré-indicados ao Bola de Ouro de 2016. Vele dizer que é a primeira vez, desde 2010, que o prêmio não será dado em conjunto pela revista e pela FIFA. A outra novidade é que apenas jornalistas votarão (capitães de seleções e técnicos não participarão, o que faz com que o "voto pela camaradagem" perca força). Como correção, a inclusão de Buffon, que ficara imperdoavelmente de fora em 2015, e que fez, para variar, uma Eurocopa soberba.

A Eurocopa, inclusive, tem muito peso na confecção do rol, visto que Pepe e Rui Patrício e até o francês Payet estão com seus nomes lá. Os principais campeonatos nacionais europeus também contribuíram para que alguns de seus destaques também aparecessem: o milagre que atende pelo nome de Leicester (Léster, para os mais chegados) coloca dois jogadores na parada: Mahrez e Vardy. Pelos gols que fez ainda pelo Napoli, Higuain também está na disputa e Dybala, destaque no título italiano pela Juventus, também corre - muito - por fora. Já Ibrahimovic, que fez o que quis na fraca Ligue 1, está indicado por mero cacoete.

ANO DE GRAÇA Contratação mais cara da História quando chegou a Madrid, Gareth Bale
finalmente teve uma temporada à altura do investimento (Rex Feature)

Se o campeão europeu Portugal conta com três (entre eles o favoritão Cristiano Ronaldo, obviamente), o Brasil olímpico e dourado aparece apenas pela isolada presença de Neymar, que não fez nada de notável no ano, exceto pelo título olímpico quase Sub-23 e pelo papel de coadjuvante de luxo no chamado trio MSN.

Leia também:
O Tricolor em tempos de cólera

Como a inclusão do colombiano Borja, grande nome da conquista da Libertadores pelo Atlético Nacional, sequer foi cogitada, vê-se que eles ainda olham para a América do Sul como mero fornecedor de matéria-prima para a Europa, o centro desenvolvido do Planeta Bola. A última vez em que algum "forasteiro" marcou presença foi em 2011, quando Neymar ainda atuava pelo Santos. 
HOMEM-GOL Gols por atacado podem colocar o
 uruguaioSuárez entre os finalistas (EFE)

Pela falta de conquistas internacionais e pelo fracasso na Copa América, Messi corre risco de não figurar entre os três finalistas, exceto pelo conjunto da obra, o que seria inédito desde 2007, quando ficou em terceiro lugar na sua primeira aparição no palco da premiação. Neymar, então, é capaz que fique abaixo dele, o que seria natural, apenas para citar quem compôs, com Lionel e Cristiano, o trio que disputou a honraria em 2015. Griezmann, que ficou no quase tanto na Eurocopa quanto na Liga dos Campeões, teve um ano individualmente mais interessante que o argentino.

Meus votos, caso eu participasse do sufrágio, seriam do chuteira de ouro Suárez, de Gareth Bale, que carregou País de Gales nas costas durante a Euro e que foi essencial para a conquista continental do Real Madrid, e, é claro, de Cristiano Ronaldo, que nem jogou o que já jogou em temporadas anteriores, mas que ganhou um título por Portugal e arrebentou com a boca do burro na Liga dos Campeões e que está com a faca, o queijo e os tremoços na mão para abiscoitar sua quarta redonda e seguir na sua “guerra” particular com Lionel Messi.

BARBADA Artilheiro, campeão, protagonista e líder. Temporada dos
 sonhos faz votação virar mero protocolo (Carl Recine/Reuters)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

¿de qué planeta viniste?

*por Vinicius Carrilho

QUATRO VEZES SEGUIDAS A doce rotina de
Lionel Messi (Christof  Koepsel/ Getty Images)
Mais um ano passou e, pelo quarto ano seguido, Lionel Andrés Messi  é escolhido o melhor jogador de futebol do mundo. Um prêmio obviamente injusto, já que qualquer humano, minimamente capacitado, consegue enxergar que o argentino não é deste planeta.

Segundo o próprio, 2012 não foi um bom ano para ele. Compreensível, já que no mundo de Messi os parâmetros devem ser extremamente elevados, principalmente para qualquer mero humano.  É verdade que no quesito títulos o jogador viu sua equipe erguer apenas a Copa do Rei, sendo superada no Campeonato Espanhol pelo Real Madrid e na UEFA Champions League pelo Chelsea. Porém, deixando o coletivo e analisando apenas o individual, os números do jogador são impressionantes.

No último ano, o camisa 10 do Barcelona entrou em campo 60 vezes  pelo clube catalão e anotou 79 gols, alcançando uma média de 1,3 gol por jogo. Para se ter uma ideia, durante o Campeonato Brasileiro do último ano, o Atlético Mineiro foi a equipe com o melhor ataque da competição, marcando 64 gols em 38 jogos, uma média de 1,6 por partida. Para deixar os números ainda mais impressionantes, Messi não só marcou gols, mas também ajudou companheiros, contribuindo com 21 assistências.

Anteriormente contestado com a camisa azul celeste da Argentina, hoje o jogador é unanimidade. Messi entrou em campo por nove vezes, contando amistosos e Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, e marcou 12 gols. Média igual à alcançada com a camisa blaugrana: 1,3 por jogo.

Com expressivos números, chega a ser covardia colocar Lionel Messi para disputar um prêmio com qualquer outro jogador natural do Planeta Terra. Andrés Iniesta, terceiro colocado na disputa da Bola de Ouro, é um grande jogador. Peça fundamental da Seleção Espanhola, o jogador tem um futebol inversamente proporcional a sua altura. No alto de seu 1,70 m, Iniesta é um daqueles raros jogadores de meio-campo em extinção no esporte. Rápido e extremamente técnico, tem um futebol de gigante.

Grande rival de Messi, Cristiano Ronaldo, segundo colocado na Bola de Ouro, é um craque. Rápido e habilidoso, o jogador é o grande astro do Real Madrid e consegue elevar consideravelmente o nível técnico da Seleção Portuguesa, que não passa de mediana quando ele não está em campo. O camisa 7, porém, sofre por ser contemporâneo a Messi. Ainda mais jogando no mesmo campeonato que o argentino, as comparações são inevitáveis e conquistas individuais passam a ser quase impossíveis. Se serve de consolo, o atleta pode dizer que é o melhor jogador humano do mundo, copiando Pepe, que afirma ser o maior artilheiro humano da história do Santos, já que Pelé é extraterrestre.

Falando em extraterrestres, voltemos a Lionel Messi. Sem dúvidas, o argentino é um gênio. O jogador já tem seu nome escrito na história do futebol e as pessoas poderão se orgulhar de dizer que viram Messi jogar. Por uma questão de justiça moral, os deuses do futebol ainda devem fazê-lo vencer uma Copa do Mundo e assim torná-lo, de vez, o maior jogador argentino da história, superando Diego Armando Maradona.

Falando em “el D10s” dos argentinos, a única pergunta ainda sem resposta que paira sobre Messi  é a imortalizada pelo jornalista uruguaio (provavelmente o mais argentino da história), Víctor Hugo Morales, que, em meio a lágrimas, após ver a obra prima de Maradona diante da Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, disse: “¡Quiero llorar! ¡Dios Santo, viva el fútbol! ¡Golazo! ¡Diegol! ¡Maradona! Es para llorar, perdónenme ... Maradona, en una corrida memorable, en la jugada de todos los tiempos... barrilete cósmico... ¿de qué planeta viniste?”. A questão, que até hoje não foi respondida, se estende a Messi. E aí, Lionel Messi, e você, ¿de qué planeta viniste?

* Vinicius Carrilho tem 21 anos, é jornalista, 
morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida 
fazendo humor, mas escreve melhor do que conta piadas.

Por que Cristiano?

Nesta segunda-feira a FIFA anunciará o vencedor da Bola de Ouro de 2012, honraria máxima individual concedida pela entidade máxima do futebol mundial em parceria com a revista francesa France Football ao melhor jogador do mundo no ano. Messi, que recebeu o prêmio nas última três temporadas, Iniesta e Cristiano Ronaldo concorrem.

Os três concorrentes de 2012 (Miguel Ruiz - FCB)
Foi um ano fabuloso para os três jogadores. O argentino quebrou marcas importantes, como o número de golos em uma única temporada (históricos 91 tentos), ao passo que o espanhol validou o título de campeão da Eurocopa, sendo escolhido o melhor jogador, e o português foi pela primeira vez campeão espanhol, além de também ter feito uma Eurocopa soberba.

Todos os holofotes estão voltados para o argentino, que, caso seja escolhido pela quarta vez seguida, superará a marca de Platini, eleito por três vezes, entre 1983 e 1985, quando o prêmio era dado pela France Football e apenas jogadores europeus concorriam. Na forma mais democrática, com a participação de jogadores de todos os lugares do globo, Messi pode superar também os geniais Ronaldo e Zidane, que também têm três Bolas de Ouro.

O craque argentino, com seus três troféus (France Football)
Os números de la Pulga impressionam, mas o ano não foi dos mais felizes para o craque do Barcelona. Além de não ter vencido o Campeonato Espanhol, Messi não só não conduziu o Barça ao título europeu como perdeu a bola que originou o gol da vitória do Chelsea no primeiro jogo das meias-finais e desperdiçou uma grande penalidade na segunda mão, quando o placar, que apontava 2-1 para o Barcelona, já classificava os Blues. A partir do segundo semestre ele desandou a marcas golos, é verdade, mas de um modo geral ele esteve abaixo do que já havia feito anteriormente.

Iniesta, como sempre, foi linear. Jogou em altíssimo nível durante o ano todo, tendo como ápice a conquista da Espanha na Euro. No entanto, ele não fez mais do que já tem feito desde que a equipa blaugrana começou a triturar seus adversários, o que não é pouco, mas pode não ser o suficiente para levantar o troféu que deveria ter sido seu em 2011.

O médio espanhol foi eleito o craque da Eurocopa (Reuters)
O português, por sua vez, quebrou o estigma de não brilhar com a camisola da selecção de Portugal. Anotou golos importantes, como os dois contra a freguesa de sempre, a Holanda, quando Portugal perdia por 1 a 0 e estava sendo eliminado já na primeira fase da Euro. Pelo Real Madrid, seguiu levando a equipa merengue nas costas, como faz desde que desembarcou na Espanha, com a diferença de ter sido campeão nacional, embora tenha perdido sua cobrança nas meias-finais contra o Bayern de Munique, pelas meias-finais da Liga dos Campeões. Só que, diferentemente do rival argentino, Ronaldo anotou os dois golos madridistas no tempo normal.

O craque luso, durante a disputa do europeu de seleções (Reuters)
Cristiano Ronaldo brigou rodada a rodada com Messi pela artilharia da La Liga, na qual marcou 46 vezes, cinco a mais que no ano anterior, quando já havia batido o recorde do mexicano Hugo Sanches, que já durava mais de 20 anos. Só quando o título foi confirmado pelo Real Madrid é que o argentino disparou e chegou a inacreditáveis 50 tentos.

Isto posto, deixo clara minha preferência pelo camisa 7. Messi é mais jogador, de um modo geral, Iniesta foi efetivo durante a temporada toda, mas ninguém é tão completo ou brilhou tanto em 2012 quanto o Puto Maravilha.   

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As listas de fim-de-ano

E o final do ano chegou!! Mais rápido do que eu esperava, confesso. Engraçado como depois de certa fase da vida os dias parecem passar mais rápido, a despeito da nossa vontade e/ou necessidade de que eles esperem por nós, mas no mundo atual, globalizado como está, tempo é artigo de luxo. Mas não é para falar de tempo que eu estou aqui, ocupando o seu.

Quero falar de outra coisa, que vem a reboque em todo fim-de-ano com os panetones, as rabanadas, o Especial do Roberto Carlos, as promessas que não serão cumpridas, as árvores de Natal e a busca por espaço na 25 de Março. Quero falar das listas, não de presentes, mas as dos melhores do ano, que pululam por aí afora em todos os segmentos.


Duas, em especial, me chamaram a atenção: a da seleção do Campeonato Brasileiro e a dos concorrentes ao prêmio de melhor do mundo, segundo a FIFA.

Sobre a lista do Brasileirão, fiquei surpreso, não com alguns nomes escolhidos, pois acho que em todas as posições foram indicados os melhores, com uma ou outra ressalva, mas o fato é que todos os eleitos mereceram, e não seria a humilde e quase insignificante opinião contrária deste que vos escreve que tiraria o seu brilho.


O que eu teimo em contestar são os critérios na escolha. Colocar jogadores que atuaram em faixas distintas do campo pra disputa da mesma posição foi de uma estupidez abissal. Para não ficar falando de todos os casos, vai o mais absurdo: a dupla de ataque titular do Palmeiras estava concorrendo na mesma posição. Ora, deixe-me tentar entender. Kléber e Alex Mineiro jogaram juntos, é verdade, mas não “tão juntos” assim. Um é primeiro atacante. Logo o outro é o segundo, como se convencionou dizer, no “futebolês” moderno. Mas estavam os dois lá, disputando o mesmo osso.

Apesar dessas coisas ínfimas, acabou ficando tudo em boas mãos, ou bons pés, como queiram. Parabéns aos eleitos, sobretudo aos dois grandes nomes da festa: Muricy Ramalho e Hernanes. Eles merecem todos os júbilos.

Por outro lado, lamentáveis os apupos (rubro-negros, presumo) ao árbitro Carlos Eugênio Simon. Tudo graças ao acerto que virou erro, por obra e graça da imprensa, ávida por polêmicas. É muito perigosa essa relação entre jornalistas e a necessidade pela audiência. Beira a promiscuidade.

Já sobre a eleição da FIFA, que desde 1991 premeia o jogador que mais se destacou durante a temporada, creio que os melhores acabaram na lista final. Caso algum leitor mais incauto não saiba, ela é formada pelo argentino Messi, o brasileiro Kaká, que é o atual detentor da honraria, os espanhóis Fernando Torres e Xavi e o português Cristiano Ronaldo, este o grande favorito pra ficar com o troféu.

O que me intriga é o fato de que muitas pessoas dão a este prêmio um valor maior do que ele realmente tem. E olha que já é valiosíssimo. Naquelas intermináveis e inevitáveis discussões sobre quem é ou foi melhor sempre surge o argumento de que fulano ganhou o prêmio de melhor do mundo, já sicrano, não. Acontece que esse prêmio é oferecido pelo que o jogador fez durante uma temporada. E rotula-se a carreira toda por conta disso.

Pra citar um exemplo, o português Figo foi eleito em 2001. Já o também português Rui Costa sequer foi indicado, entre os finalistas, durante toda sua vida. Isso significa que um foi muito melhor que o outro? Claro que não. Para ser sincero, pessoalmente sempre me agradou mais o futebol do Rui ao do Figo, e olha que sou fã incondicional dos dois.

Mas isso não passa de uma questão de fóro íntimo. Certamente há os que prefiram o Figo, o que é perfeitamente normal. O problema é que no já citado mundo globalizado, com sua escassez de tempo, também já citada, muitos procuram por notícias prontas em vez de se aprofundarem um pouquinho só, que seja, visando entender melhor a questão. Aí as Wikipedias da vida ganham força.

Só pra constar, para que entendam o quão é perigosa a “notícia pronta”, na própria Wikipedia: se você procurar pelo ganhador da Bola de Ouro deste ano, dada pela (revista) France Football, em vez de Cristiano Ronaldo, encontrará um tal de Daniel Bento de Souza.