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sexta-feira, 5 de julho de 2024

PORTUGUESA - O desafio de sobreviver às saídas dos destaques

DE VOLTA AO RADAR O despertar do interesse dos rivais mostra a evolução do 
trabalho, mas demanda acerto na substituição (Divulgação/Portuguesa)

A Portuguesa emprestou alguns dos seus prováveis titulares na disputa da Copa Paulista. Obviamente, teve gente que reclamou: onde já se viu deixar os melhores saírem? Quero ver a reposição! É sempre assim, que nunca mais ponha os pés no Canindé!

Houve quem compreendesse. A Copa Paulista não é vitrine, não é atrativa e só está no horizonte de quem busca um lugar ao sol ou não conseguirá algo melhor mesmo.

Quem está errado? O torcedor, que quer que os destaques fiquem e cumpram o destino de recolocar a Lusa no lugar dela e quem fizer pela vida em outros cantos que vá para o caralho? Os jogadores, que têm mais é que buscar quem lhe ofereça, dentro do seu plano de carreira, as melhores condições? A diretoria, que não amarra ninguém com multas milionárias, nem arranja um investidor?

Ninguém está errado.

Mas há outro grupo: o dos resignados, que sabem que é assim mesmo e que não há o que fazer, a não ser esperar pela redenção em forma de surgimento de um novo Dener, um Zé Roberto 30 anos depois, ou mesmo um xeque disposto a lavar seus petrodólares ou euros nos lados do Pari.

Achamos o erro. Se ele for cometido por quem toma as decisões, então, é todo o caminho andado para seguirmos no limbo. Mesmo deixando escapar um Talles, um Denis, um Maceió, é nítido que o patamar de quem veste a camisa da Lusa subiu. E subiu a ponto de despertar o interesse de clubes das séries A e B.

“Beleza, Marcos, então é isso?”. É e não é. É porque, no ecossistema da bola, não é difícil perceber que a Portuguesa está na base da cadeia alimentar e que todo bicho que se move pode ser o predador. Entender essa situação é fundamental para o que vem a seguir: a previsibilidade e a antecipação.

Uma vez admitida a fragilidade no mercado da bola, é preciso detectar os potenciais alvos do mercado – os jogadores que apresentarem o equilíbrio entre talento e margem de crescimento -, que ao cabo são os melhores do elenco. Depois, buscar substitutos. É a tal antecipação que eu falei lá em cima.

Esse trabalho de prospecção, de preferência, deve detectar o atleta a ser abordado antes da saída do destaque já sinalizado. Obviamente, deve ter características que sejam adequadas ao tipo de futebol que o time quer praticar.

O livro Soccernomics, que o jornalista Simon Kuper, do jornal Financial Times, e o professor de economia Stefan Szymanski, da Universidade de Michigan, lançaram em 2009, destaca como o Lyon, da França, foi da condição de um time qualquer da segunda divisão para heptacampeão nacional quando foi adquirido pelo empresário do ramo de softwares Jean-Michel Aulas.

Sim, um empresário bem sucedido comprou um time endividado e o transformou na potência que só foi desbancada pela negociata que envolveu o Catar, o PSG, o presidente da França Nicolas Sarkozy, Michel Platini e a compra de votos da Europa para a escolha da sede da Copa do Mundo de 2022.

O Málaga, por exemplo, foi comprado por um desses aventureiros que volta e meia surgem, chegou a fases altas da Liga dos Campeões, não ganhou nada, gastou de qualquer jeito e hoje sua torcida festeja o retorno à segunda divisão espanhola. Vejam, portanto, que não se trata somente do dinheiro, mas do que fazer com ele. O Lyon, por sua vez, detectava seus maiores ativos e os vendia, e bem. Benzema, Diarra, Malouda, Essien e Abidal valeram muito dinheiro para o clube.

Antes que me chamem de louco, não estou comparando porque não se trata de chegar onde o Lyon chegou, e sim de arrumar um chão firme onde se possa colocar os pés rubro-verdes. Sem metodologia, know-how (não há termo melhor em português, lamento) e competência para trabalhar, o pneu seguirá girando em falso, atolado no limbo da Copa Paulista e da busca por uma vaga na Série D.

Profissionalismo não basta. A Lusa teve gente vivida no futebol – e festejada por mim aqui – que não esteve à altura da missão. É lugar comum, mas é necessário ter gente capaz de fazer esse trabalho de detecção e prospecção dentro do alcance de nossos ainda curtos braços. Acreditem: ter um profissional assim é um investimento que pode ser mais caro a curto prazo, mas valerá mais ser feito do que contratar dois ou três medalhões distantes de seus melhores dias para se manter na elite do Paulistão e garantir a vaga na Série D do ano seguinte. A estrutura não é só física, é pessoal também.

Não que represente uma garantia, porque nada garante resultados, mas um trabalho bem feito aumenta as possibilidades de acerto.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

BRASIL - de papelão em papelão é que se faz essa gestão

ESCADA ABAIXO Trabalho de Ramon é reflexo da desorganização
e do amadorismo da CBF (Foto: Joilson Marconne/CBF)

A eliminação do Brasil no pré-Olímpico, 20 anos depois de perder o bonde para os jogos de Atenas, o último em que a seleção brasileira de  futebol masculino não foi representada, é um vexame. Mesmo com a importância relativa do futebol nos Jogos Olímpicos, o Brasil gosta de jogar e é o atual bicampeão. Logo, tinha a responsabilidade de buscar uma das duas vagas. 

E como foi o projeto? Sequer havia um. Ramon Menezes, técnico de trabalhos questionáveis em Vasco, Joinville e Vitória, colecionou mais derrotas (17) do que vitórias (12), mas mesmo assim foi escolhido pelo ex-jogador Branco, o coordenador da base, e goza da simpatia do todo-poderoso e nada entendido Ednaldo Rodrigues, presidente por acidente da CBF. Na seleção principal, foi o tampão do tampão, e só existiu Fernando Diniz porque Ramon apresentou um trabalho ruim de resultados (derrotas para Marrocos, Senegal e vitória contra a Guiné, no jogo do uniforme preto) e, sobretudo, desempenho. De volta à base, foi eliminado na fase de quartas de final do Mundial por Israel. E a cereja do bolo foi a malograda campanha em busca por Paris.

Mais ou menos como foi em 92, com um time que tinha Cafu, Roberto Carlos, Marcio Santos, Marcelinho Carioca, Elivélton e Dener, mas tinha Ernesto Paulo no comando. O mesmo Ernesto Paulo, no ano anterior, foi tampão da seleção principal no pós-Copa 1990, na primeira derrota para País de Gales. Antes, tinha sido técnico do supertime do Flamengo que venceu a Copinha de 90. Da Lusa de 91, só levou Dener.  

O time, se é que pode ser chamado assim, piorou a cada jogo, como se cada treinamento potencializasse os defeitos. Mas Ramon, com o cartel às vistas de quem quisesse, inclusive para a cúpula da CBF, fez o que se esperava dele. Recorro a Esopo: não se deve culpar o escorpião por picar o sapo. Afinal, o escorpião fez o que sabia e podia, limitado à condição de escorpião que é.

A culpa é dele? Não só. A CBF é uma zona, e a campanha da seleção principal nas eliminatórias é um atestado dessa bagunça. O pré-olímpico é tiro curto e o resultado está aí.

"Mas não se produz jogadores como antes". Mais ou menos. Mesmo sem todos os melhores jogadores da faixa de idade, o Brasil tinha John Kennedy, Pirani, Alexsander, Gabriel PEC e Andrey. Mas tinha Ramon. E só tinha Ramon porque Ednaldo Rodrigues faz o que quer, como quer e quando quer, mesmo não tendo legitimidade e competência para ocupar o cargo que ocupa.

Quanto à Argentina, está à procura de um rival no continente.


segunda-feira, 15 de maio de 2023

PORTUGUESA - Sonhos e pesadelos

Uma das diversões que o ócio proporciona em grupos de amigos dispostos a falar de futebol é criar seleções disto e daquilo. O onze histórico, o time com os melhores que fulano viu, o top cinco. Há versões para todos os gostos. 

Ou desgostos.

Neste caso, podemos citar os piores jogadores por setor, por posição ou mesmo o onze mais capaz de acarretar os piores transtornos psicológicos que o futebol pode causar. 

No ano do centenário da Portuguesa, fui um dos jornalistas escalados pela Federação Paulista de Futebol para escolher a “Melhor Portuguesa de Todos os Tempos” e fui de Felix; Djalma Santos, Brandãozinho, Marinho Peres e Zé Roberto; Capitão, Enéas, Dener e Pinga; Julinho e Simão. Com Otto Glória a comandar este timaço.

Como sou torcedor da Lusa desde 1985  - esse negócio de ser torcedor desde que nasceu é sonho de todo pai/mãe fã de futebol que se preze, mas não é bem assim não, ainda mais quando o time não favorece-, a campanha do último vice-campeonato paulista daquele ano é o ponto inicial do período no qual eu pinço os nomes para preencher o time dos meus sonhos.

E o dos meus pesadelos também.

Desde 2002, quando nosso pescoço foi atingido pela primeira vez pela lâmina que degola equipes ruins e/ou desafortunadas e passamos a colecionar mais rebaixamentos do que a Gretchen tem de casamentos, escolher um jogador para entrar no rol dos melhores que vestiram a camisa da Lusa em campeonatos de Primeira Divisão é uma missão ingrata, ainda mais para quem viu Serginho, Zé Maria, Zé Roberto, Luís Pereira, Emerson, Cesar, Jorginho, Alex Alves (os dois), Dener, Toninho, Edu, Roberto Dinamite, Bentinho, Paulinho McLaren, Evair, Leandro, Rodrigo e tantos outros. Gilberto? Moisés? Moisés Moura? Bruno Mineiro? Dida? Valdomiro? Diogo? Não consigo pensar num onze com facilidade para isso.

O time da Barcelusa era legal? Era um timaço, mas um timaço que brilhou na Segunda Divisão, e eu entendo quem busque nele seus heróis, como Ananias e Edno, mas para quem passou a maior parte da sua vida de torcedor disputando a elite, e com boas possibilidades de títulos em alguns destes anos, eleger quem brilhou na Série B é um troço triste demais. A2 e Copa Paulista, então, esquece.

Quando, daqui a alguns meses, eu resolver atualizar minhas escolhas dentro destes grupos de amigos dispostos a falar de futebol e criar seleções disto e daquilo, suspeito que a Portuguesa versão 2023 estará representada, e não será só por um ou dois.

E minha psicóloga adiará a minha alta por tempo indeterminado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Lusa na Copinha - esperança com moderação

Texto originalmente publicado no NetLusa

100% Lusa venceu a Copinha em 91 com a melhor campanha
da história da competição. De quebra, revelou
jogadores como Sinval, Tico e Dener


Entra ano, sai ano e, todo ano, a fé do torcedor da Portuguesa floresce na disputa da Copa São Paulo de Futebol Jr. É na Copinha, vencida pela Lusa em duas oportunidades e que na qual irá estrear neste dia 4, que germina a esperança por dias melhores na forma de dois ou três pratas-da-casa capazes de segurar a bronca no time de cima.


A reputação de reveladora de craques acompanha a Portuguesa há muito tempo e é natural que o torcedor veja nas categorias de base e, principalmente, na Copinha, a possibilidade de que surgirão os talentos que poderão ajudar a reforçar o elenco principal sem que, para isso, seja preciso disputar com outros clubes por jogadores já prontos no mercado. 


Dá para fazer vários e vários times só com grandes nomes que saíram da formação lusitana: Djalma Santos, Zé Maria (os dois), Bruno Rodrigo, Zé Roberto, Guilherme, Henrique, Basílio, Enéas, Diogo Edu Marangon, Esquerdinha, Jair da Costa, Ivair, Servílio, Dener, Sinval, Tico, Jorginho, Bentinho, Ricardo Oliveira, Leandro Amaral, Rodrigo etc. Isso sem contar vários atletas que passaram pela base do clube, como o volante Paulinho, os zagueiros Geromel e Breno, e o meia Everton Ribeiro, para citar alguns que não chegaram a estrear profissionalmente na Lusa.


Antes de esfregar as mãos à espera de uma nova fornada ou de um jogador especial, é preciso ter calma e entender momentos e processos. O que é necessário para formar um jogador? Qual é a condição e quais as condições que o clube oferece aos aspirantes a profissionais? Não é tão simples. Ou melhor, não é nada simples.


Até outro dia, as categorias de base do clube estavam terceirizadas, entregues a empresários que usavam o nome e a camisa da Lusa como incubadora para direcionarem os mais talentosos para onde fosse mais interessante para eles, não para a Portuguesa. Em condições assim, o clube tem pouco ou nenhum poder de interferência na sequência da carreira destes garotos.


Isso deve-se, não raro, ao fato de o clube não ter condições de bancar o necessário para a formação de um atleta de alto rendimento, que é o caso do jogador de futebol. Desde 2016 a Portuguesa não tem o Certificado de Clube Formador, selo outorgado pela CBF mediante a comprovação de que o clube tem condições de garantir que seus jovens atletas tenham uma formação adequada. Sem ele, um clube pode perder qualquer jogador entre 14 e 16 anos sem que seja ressarcido por isso.


Isso já faz com que exista a grande possibilidade de, uma vez detectado antes de assinar seu primeiro contrato profissional, uma promessa seja desviada e sequer atue em nível de competição pelo clube. Quem perde com isso? A resposta é óbvia. Fazendo um rápido exercício de memória, qual foi o último grande jogador revelado pela Lusa? Ou então, quantos jogadores nos elencos das principais equipes do futebol brasileiro foram revelados no areião do Canindé, que nem existe mais?


Com as finanças minguando e não tendo nem para o profissional, que é o carro chefe do clube como um tudo, o que sobra na base é uma estrutura precária, seja ela física ou nos outros aspectos inerentes à formação do atleta, e nem é preciso dizer que o surgimento de um jogador acima da média não se dá da noite para o dia. É um processo longo, de altos e baixos, de paciência e que envolve inúmeros fatores, técnicos, estruturais, educacionais e culturais. 


Quando um atleta está inserido no clube desde a categoria mais baixa, seja o Sub-11, que deve ter caráter recreativo, ou o Sub-15, no qual começa a cultura de competição, as chances de chegar mais bem preparado ao time principal e em condições de se estabelecer como atleta profissional são maiores. Mesmo que chegue ao clube no decorrer deste percurso, ele precisa de um ambiente pronto e bem alicerçado para que se encaixe, coisa que quem sequer tinha autonomia sobre as categorias de base há pouco tempo não pode oferecer.  


Portanto, não há nada de errado em torcer para que surja um novo Dener no time que jogará a Copinha. O que é preciso entender é que, caso a campanha não seja satisfatória, não será necessariamente um fracasso ou sinal de terra arrasada, mas sim um passo a mais dado na recuperação da própria Portuguesa. E essa é uma recuperação em que critério, trabalho e paciência valem ouro, assim como é necessário para a revelação de um craque.


Em 2002, Lusa ficou com a taça, mas torneio revelou poucos jogadores.
Da Portuguesa, o volante Lelo, o meia-atacante Rafinha, o goleiro
Daniel e o zagueiro Luis Henrique tiveram algum destaque

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

PORTUGUESA - O ano que não terminou

Texto originalmente publicado no NetLusa*


“Lemniscata” é um termo originado do Latim que significa, no Esoterismo, a eterna recriação e a repetição do Universo. É a infinitude representada por uma espécie de 8 deitado.

Este é um número cheio de significado para mim, na minha relação com a Portuguesa. Era o número do Toninho, meu primeiro ídolo; Dener, o craque que o tempo nos negou, usava a oito na histórica Copa São Paulo de 1991; Enéas, o gênio esquecido, que aterrorizou defesas adversárias com a Cruz de Avis ao peito e o 8 às costas, tornou-se eternidade oito anos depois de ter saído da Lusa.

Era um 27 de dezembro, exatos 25 anos antes do dia 27 de dezembro de 2013, dia em que o farsante STJD condenou a Portuguesa à Série B graças à escalação do meia Héverton na última rodada do Brasileirão daquele ano, no último jogo da Lusa na Série A.

O dia? Oito de dezembro. Há exatos oito anos.

Não vale a pena relembrar nestas linhas o ocorrido, pois uma simples busca no Google traz toda a sorte de informações e opiniões, estas nem sempre corretas, do que aconteceu para que a Portuguesa pusesse-se a jeito, como diz-se em Portugal. Como também não faz sentido nenhum não admitir tantos erros que nos deixaram ao alcance da armação que teve lugar na malfadada Rua da Ajuda.

Mau fado este, o nosso. Um fado cantado com melancolia, como todo bom fado deveria ser, caso este fosse bom. Não se enganem: faça o que fizer, a Portuguesa só começará a sair do limbo em que se encontra no dia em que exorcizar seu maior fantasma. No dia em que o ano de 2013 deixar de ser eterno.

Só depois disso é que será possível retomar alguma coisa. Até lá, o samba do mestre Cartola, que nasceu em 1908 e partiu em 1980, cairá como uma luva para o fado lusitano: “Em cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares, estás à beira do abismo. Abismo que cavaste com seus pés”.

E este abismo já dura oito anos de um sofrimento perene, contínuo, uma eterna recriação, uma repetição de um pesadelo que não acaba.

Lemniscata.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Centenário da Portuguesa - os 100+11 da história da Lusa - parte 6


O cavalo passou selado e a Lusa não subiu. Assim podemos definir a mudança - para bem pior - de um clube que tocou o céu antes de cair no inferno. E a queda foi progressiva, primeiro de forma lenta, depois em parafuso, direto, sem direito a escala e a respiro, como acontece na segunda década do século XXI.

Os desmandos e a incúria que fizeram o clube perder jogadores a rodo na justiça, o "vá procurar os seus direitos", o "depois a gente vê" transformaram um clube que foi grande por 80 anos bater no centésimo lutando para existir, resistindo, teimando.

Não é exagero falar que, nos últimos 20 anos, a Lusa teve três que podem ser lembrados com carinho e orgulho: a volta à primeira divisão estadual e nacional com o título da Série A-2, o primeiro visto por gerações de torcedores, e a campanha que valeu como título na Série B do Brasileirão em 2007, a fantástica Barcelusa, de 2011, e o quase da Série C de 2015, quando ficou a um jogo do acesso. 

Ah, a Barcelusa. O timaço de Weverton; Luis Ricardo, Leandro Silva, Matheus e Marcelo Cordeiro; Ferdinando, Guilherme, Henrique, Marco Antonio e Ananias; Edno, que sob o comando de Jorginho triturou todo mundo sem dó na conquista da Série B de 2011 e que ganhou o nome a partir de uma conversa minha com o jornalista/luso/sofredor Flávio Gomes no twitter, como atesta a imagem abaixo:

 

Para variar, o cavalo passou e a Lusa, outra vez, não montou nele. Do time que subiu com sobras, saíram peças importantes e a Associação Inacreditável de Desportos caiu para a Série A-2, de onde voltou como campeã pela segunda vez, mas com algumas avarias, como a derrota por 7 a 0 para o Comercial. No Brasileiro, com algum custo, a Portuguesa manteve-se na Série A graças a jogadores como Bruno Mineiro e Dida, lendário goleiro que voltou à atica no Canindé, e montou um time forte para a disputa do Brasileirão de 2013, com nomes como Valdomiro, Moisés Moura, Souza, Correia, Diogo, Gilberto, William Arão, Moisés e Bruno Henrique, cumprindo uma campanha de recuperação espetacular após a chegada de Guto Ferreira.

Até que veio o Caso Héverton, cujo drama não é preciso lembrar aqui. O impacto, porém, é necessário: o time caiu vertiginosamente da Série A para a Série C, sendo lanterna da segundona de 2014, com direito a sete técnicos (contando os dois interinos) e 78 jogadores, entre entradas e saídas, saída de campo por causa de liminar, caso de doping, salários atrasados. Claro que não daria certo.

O respiro foi a Série C de 2015, mas que ficou pelo caminho com a derrota em casa para os goianos do Vila Nova na segunda fase. No Paulista, rebaixada pela terceira vez em 2015, pela primeira a Portuguesa não subiu de cara e desde 2016 luta pelo acesso e, a partir daí, tentar subir, passo a passo, para poder ter um calendário nacional e a segurança para poder voltar a ser grande.

Grande como foi por 80 anos.  

Alex Alves 
(2002/2003 e 2006)
Ao marcar o gol que evitou o rebaixamento à Série C em 2006, aos 44 minutos do segundo tempo, contra o Sport Recife, na Ilha do Retiro, Alex Alves Ferreira entrou para a história da Portuguesa. Antes, porém, Alex Alves já tinha números respeitáveis vestindo o manto verde-encarnado (32 gols em 63 jogos), sendo destaque da equipe na primeira Série B disputada pela Lusa, em 2003. Devido a este rendimento, acabou sendo transacionado com o Cruzeiro, que foi campeão brasileiro naquele ano.  

Leia também:
Centenário da Portuguesa - os 100+11 da história da Lusa - parte 5

Ananias
(2011/2012)
Quem não se lembra do Ananiesta da Barcelusa? Ananias Eloi Castro Monteiro recebeu o apelido em virtude da brincadeira da torcida ao comparar os jogadores da campanha de 2011 com o timaço da Catalunha. Em campo, Ananias encantou torcedores durante os dois anos em que atuou por empréstimo até deixar o clube, ao fim do contrato, para rumar ao Cruzeiro. Antes, foi dele o gol que classificou a Portuguesa às quartas-de-finais do Campeonato Paulista de 2012, contra o São Bernardo. Ainda defendeu Palmeiras, Sport e Chapecoense, desaparecendo no trágico acidente que a delegação catarinense sofreu na viagem para a Colômbia, onde definiria a Copa Sul-Americana de 2016. 


Bruno Mineiro 

(2012 e 2016)
O atacante que seria contratado em 2012 para o Brasileiro era o Leandro Damião, que despontava no Internacional, mas quem acabou chegando ao Canindé foi Bruno Menezes Soares, o Bruno Mineiro, que marcou 14 vezes no Campeonato Brasileiro pelo time comandado pelo técnico Geninho.
 Retornou ao clube em 2016 para a disputa da Série C, marcou mais quatro gols, mas não conseguiu evitar a queda da Lusa.  

 

Bruno Rodrigo 
(2005 a 2008)

Zagueiro eficiente no jogo aéreo, raçudo, rápido e de boa chegada à frente. Assim pode ser descrito o futebol de Bruno Rodrigo, que subiu ao time principal da Lusa em 2005 e permaneceu por três anos no Canindé, sendo campeão da Série A2 de 2007.   

 

Dida 
(2012)

Um dos maiores goleiros da história do futebol, Nelson de Jesus da Silva estava há mais de um ano sem atuar pelo time do Milan e, aparentemente retirado das competições oficiais, foi apresentado pela Lusa em 2012 para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2012 e não fez feio, sendo um dos responsáveis pela boa campanha da equipe.  

 

Diogo
(2006/2008 e 2013) 

Cria das categorias de base rubro-verdes, Diogo Luis Santo foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro da Série B de 2007, no mesmo ano em que ajudou a Lusa a conquistar o título da Série A2 do Campeonato Paulista. Na temporada seguinte, Diogo se transferiu para o Galatasaray, onde teve bons momentos. Voltou para a Lusa para jogar o Campeonato Brasileiro de 2013, quando foi um dos destaques do time dirigido pelo técnico Guto Ferreira.  

 

Edno 
(2008/2009 e 2011/2012)

Edno Roberto Cunha teve três passagens pela Lusa: em 2008 e em 2011, tendo destaque em ambas, mas alcançou a condição de ídolo na segunda delas, quando foi o maior nome da conquista da Série B do Campeonato Brasileiro, no time que, por causa do futebol vistoso, ganhou o apelido de “Barcelusa”. Voltou em 2015, para disputar o Paulistão.  

 

Ferdinando 
(2011, 2013 e 2015)

A “Barcelusa”, campeã incontestável da Série B do Campeonato Brasileiro de 2011 e que recebeu este apelido pelo futebol envolvente e ofensivo que apresentava, tinha na proteção dos zagueiros o volante Ferdinando Pereira Leda. O trinco também foi titular absoluto na cabeça-de-área da equipe na campanha da Série A do nacional de 2013 e voltou ao clube para sua terceira passagem, mesmo a Lusa tendo que disputar a Série C do Campeonato Brasileiro.  

  

Gilberto 
(2013)

Gilberto Oliveira Souza Junior chegou à Lusa durante a disputa do Campeonato Brasileiro de 2013, emprestado pelo Internacional de Porto Alegre e logo caiu nas graças da exigente torcida lusa. Jogador rápido e com faro de gols aguçado, teve como ponto alto o clássico com o Corinthians, em Campo Grande, quando marcou três vezes na goleada por 4 a 0 sobre o alvinegro, então campeão do mundo.

 

Guilherme 
(2008/2012)

Tratado como joia nas categorias de base, Guilherme dos Santos Torres confirmou todas as expectativas quando ascendeu ao time profissional da Lusa. Na histórica campanha da Série B do Campeonato Brasileiro de 2011, foi um dos alicerces da "Barcelusa". Acabou saindo após uma polêmica transferência para o Corinthians, mas o que fez no ano anterior o garante nesta lista.  

 

Luis Ricardo 
(2010/2013)

Luis Ricardo Silva Umbelino chegou à Portuguesa como um atacante que já tinha vestido camisas como as de Avaí, Grêmio e Ponte Preta, até que, em 2011, sob as ordens do técnico Jorginho, fixou-se definitivamente na lateral direita e foi um dos destaques do time que venceu com sobras a Série B do Campeonato Brasileiro de 2011. No ano seguinte, com o número 2 às costas, foi campeão paulista da Série A2, notabilizando-se com vários gols partindo desde o campo de defesa com a bola dominada, e foi um dos melhores da posição no Brasileirão. Em quatro anos, foram quase 200 jogos vestindo rubro-verde.      


Marcelo Cordeiro
(2011/2013)
Um dos raros jogadores nos anos 2000 a romper a barreira dos 100 jogos pela Portuguesa (106), Marcelo Cordeiro de Souza brilhou na Barcelusa, em 2011, e foi o titular absoluto no time que conquistou a Série A2 do Paulistão em 2013, até deixar o clube depois de disputar 20 jogos na campanha. 

 

Marco Antonio 
(2009/2011)

O meia Marco Antonio chegou à Lusa em 2009, onde permaneceu por três temporadas. Atrapalhado por lesões e por jogar algumas vezes como volante, teve seu grande momento com o técnico Jorginho, em 2011, quando atuou na função de meia-armador e grande condutor do time. Foi um dos destaques, capitão e maestro da equipe que ficou conhecida como “Barcelusa”.  

 

Ricardo Oliveira 
(2000/2002)

Criado nas categorias de base do Corinthians, Ricardo de Oliveira apareceu bem no time que disputou a Copa João Havelange, em 2000. No ano seguinte, apresentou seu faro de artilheiro apurado ao ser goleador do time luso na temporada com 25 gols, 14 dos quais pelo Campeonato Brasileiro. Dono de uma média de gols respeitável, garantida pelos 51 que marcou nos 85 jogos disputados pela Lusa, Ricardo oliveira ostenta a marca de ter feito gols em seis jogos seguidos (ao lado de jogadores como Pinga I e Carioca) em 2001, no que é superado apenas pelo atacante Flávio Guarujá, que fez gols em sete jogos consecutivos, em 1995. Mesmo tendo saído da Lusa pela Justiça por causa de salários atrasados, Ricardo Oliveira é o artilheiro da Lusa no Século XXI, motivo suficiente para que esteja presente na lista dos principais jogadores do clube. 

 

Tiago 
(2006/2007)

Tiago Antonio Campagnaro chegou ao clube em 2006 e logo virou titular da equipe do técnico Benazzi. Por pouco não entrou para a história do clube ao quase marcar, de falta, o gol que livraria a Lusa do descenso para a Série C naquela temporada, contra o Sport Recife, na Ilha do Retiro (quem acabou fazendo o tento salvador foi o atacante Alex Alves, de pênalti, já nos acréscimos). Na temporada seguinte, Tiago se firmou como goleiro do time nas campanhas do título paulista da Série A2 e do acesso à elite do Campeonato Brasileiro, além de se consolidar como goleiro-artilheiro. Ao todo, entre gols de falta e de pênalti, foram 13 no ano.   

 

Valdomiro 
(2012/2015)

Valdomiro Duarte de Macedo é o tipo de zagueiro que todo torcedor gosta: raçudo, sério, não brinca em serviço e, como se não bastasse, um representante do torcedor dentro do gramado. Contratado para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2012, caiu nas graças da torcida porque, além das atuações seguras, sempre deixou claro o seu prazer em vestir a camisa rubro-verde. Remanescente do time que disputou a Série A do Campeonato Brasileiro de 2013, Valdomiro permaneceu na equipe para as disputas da Série B de 2014 e da Série C de 2015.     

 

Weverton 
(2010/2012)

Weverton Pereira da Silva chegou à Portuguesa em 2010 e fez mais de 100 jogos envergando o manto lusitano. O goleiro, que foi dono absoluto da camisa 1 na histórica campanha da conquista da Série B do Campeonato Brasileiro, jogando todos os jogos da campanha, nunca escondeu seu amor pela Lusa, mesmo após sua saída do clube (em mais uma das conhecidas barbeiragens da diretoria de plantão).  


Ao fim e ao cabo, cá está o 11 de sempre da Lusa:
Félix; Djalma Santos, Marinho Peres, Brandãozinho e Zé Roberto; Capitão, Eneás, Pinga e Dener; Julinho e Simão.


Se formos pensar num top 10, independentemente da posição, ei-lo:
1. Djalma Santos 
2. Julinho
3. Pinga
4. Enéas
5. Dener

6. Servílio
7. Brandãozinho
8. Ivair
9. 
Jair da Costa
10. Rodrigo 


Todos os jogadores escolhidos, por ordem alfabética:

Albéris

Alberto

Alex Alves (atacante, anos 1990)

Alex Alves (atacante, anos 2000)
Ananias
Antonio Carlos

Badeco

Barros

Basílio

Batatais

Bentinho

Brandãozinho
Bruno Mineiro

Bruno Rodrigo

Cabeção

Cabinho

Calegari
Caio (atacante)

Caio (meia)

Capitão

Cardoso

Carioca

Carlos Alberto Cavalheiro

Caxambu

Ceci

Célio
César

Conrado Ross

Daniel Gonzáles
Dener

Dicá

Dida (meia, anos 1960)
Dida (goleiro)
Diogo

Ditão

Djalma Santos

Edilson

Edmur

Edno

Eduardo

Edu Marangon
Émerson

Enéas

Esquerdinha

Eudes

Evair

Evandro

Éverton

Félix

Ferdinando

Filó
Gallo

Gilberto

Guanabara
Guilherme

Hermínio

Ipojucan

Isidoro

Ivair

Jair da Costa

Jorginho (atacante)
Jorginho (zagueiro)

Julinho

Juths

Leandro

Leivinha

Lindolfo

Lorico

Luís Pereira
Luís Ricardo

Machado
Marcelo Cordeiro
Marco Antonio

Marinho Peres

Mesquita

Miguel

Muca

Nair

Nena

Nininho

Noronha

Ocimar

Odorico

Orlando Gato Preto

Ortega

Paes

Pampolini

Paschoalino

Paulinho McLaren

Pescuma

Pinga

Pontoni

Ratinho

Renato

Roberto Dinamite

Rodrigo

Rodrigues
Ricardo Oliveira

Salles
Serginho
Servílio

Simão

Tatá

Tiago

Tico

Toninho
Toquinho
Valdomiro

Valter

Vilela

Vladimir
Weverton

Wilsinho

Wilson Carrasco

Xaxá

Zecão

Zé Maria (Super Zé)

Zé Maria (lateral, anos 1990)
Zé Roberto

Zinho (lateral, anos 1940 e 1950)

Zinho (meia, anos 1990)