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segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Pílulas amadoras - 21

 * Por Humberto Pereira da Silva

Cr7 e a inalcançável régua real (Fabrice Coffrini/Getty)

Cristiano Ronaldo chegou, contra a Croácia, aos 900 goles. É o primeiro jogador de futebol a alcançar, oficialmente, essa marca. Claro, "todos" sabem que Pelé fez mais de 1200 goles. E não muitos, que o austríaco Josef Bican teria feito em torno de 1800 goles entre os anos 20 e 50 do século passado. 

Aí, me faz questão de lembrar o editor deste blog, há o "problema" de ignorar goles marcados em partidas amistosas, mas contra grandes equipas do futebol mundial: nestas excursões para fazer um pé de meia que pudesse, além de preencher o calendário, pagar as contas - e manter o próprio Rei -, perdem-se tentos marcados contra Internazionale (8), Barcelona (4), Benfica (4), Juventus (2) e Real Madrid (1), esquadrões repletos de craques e donos de troféus internacionais. Pela América do Sul, 22 goles divididos entre River Plate (7), Boca Juniors (5), Racing (4), Independiente (2), Millonarios-COL (2) e Nacional-URU (2) viram fumaça. 

Isso se não contarmos os grandes brasileiros: Atlético Mineiro (5), Cruzeiro (4), Bahia (2), Botafogo (2), Palmeiras (2), Corinthians (1), Flamengo (1), Grêmio (1) e Portuguesa (1). Eibares, Numancias, Al Qualquer Coisa e quetais, para ficar em termos do editor, não oferecem um átimo das dificuldades impostas pelos times citados neste parágrafo.

Ontem, Cristiano saiu do banco para desenroscar um jogo que exigiu a persistência lusitana até praticamente o último minuto para superar o ferrolho escocês. O gole da vitória do Tugas foi marcado aos 43 minutos do segundo tempo por ele, que já havia atirado duas vezes ao ferro, iniciando a contagem regressiva para o tal milésimo, que deve, se acontecer, sair quando a Terra de Cristiano estiver na 43ª volta em torno do Sol, justamente a idade em que Josef Bican deu seus últimos pontapés. 

A título de comparação, o milésimo do Rei foi marcado aos 29 anos. Dito isso, o que resta? Números são... não mais que... números. Por isso, fico com Fernando Pessoa, para ter a dimensão do feito de CR7: "O mito é o nada que é tudo", primeiro verso do poema "Ulisses".

Números são números, pois não. Mas neles, além da frieza, não se deve ignorar o simbolismo. O mito do milésimo gole de Pelé simboliza um dos feitos do Rei. O que, justamente, oferece ponto de partida para qualquer feito posterior. 

Ao milésimo gole agregam-se três Copas do mundo, 58 goles numa edição do Campeonato Paulista (aos 17 anos), parar uma guerra..., que fazem de Pelé o maior mito da história do futebol. 

O feito de Cristiano Ronaldo, assim, ganha enorme poder simbólico porque tem como ponto de partida para que se ponha a régua à marca Pelé. Agora, entre a frieza dos números e o simbolismo, o futebol também é feito de circunstâncias e circunstâncias de momento. 

Na conta dos quase 1300 goles do Rei, mais de 500 ajustados em jogos que causam constrangimento saber precisariam ser contados. Na frieza dos números, o mito Pelé, para ser Pelé, não precisa do registro de goles na Seleção do Exército (10 em 14 jogos), tampouco de goles contra equipas "amadoras" nas inúmeras excursões do Santos nos anos 60 para exibir a Majestade. 

Certo. Nas circunstâncias e circunstâncias do futebol, o feito dos 900 goles de Cristiano Ronaldo se deve a um oportuno final de carreira no futebol árabe. Sua última passagem pelo Manchester United mostra que ele não atingiria essa marca no futebol europeu. Igualmente, Pelé não teria chegado a essa marca sem as convenientes contas para se ensaiar contra o Vasco da Gama o dia do mítico milésimo gole. 

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Corinthians, com méritos

NR: Eu não conseguiria escrever sobre o que representa para um corintiano a conquista de ontem. Assim sendo, um deles teve a fineza de fazê-lo por mim.

*por Breno Benedito

Emerson Sheik fez uma nação explodir de felicidade neste dia 4 de julho de 2012, o dia que ficará marcado pela inédita conquista do Corinthians na Taça Libertadores da América. O conjunto dessa obra não foi fácil, apesar de que o Boca na final não ter tanta resistência. A prova disso foi o camisa 10, Riquelme, que em campo foi se arrastando os 90 minutos, mas os 38 mil pagantes não se importavam com isso e antes dos 40 minutos já gritava “é campeão”.

O Corinthians tinha a Libertadores como o seu “calcanhar de Aquiles”, e a sombra da eliminação na pré-Libertadores do ano passado para um desconhecido Tolima. A estreia começou a brilhar logo na estreia, contra o Deportivo Táchira, quando, de cara, um susto: um gol no começo, mas a sorte começou a mudar. Gol de Ralf no último ataque. E na primeira fase viria a primeira colocação com quatro vitórias e dois empates.

Nas oitavas, um time do Equador, o Emelec. Nesta partida aconteceria a “estreia” de Cássio na Libertadores: um grande teste para o goleiro, que foi aprovado. Empate de zero a zero e a decisão viria para o Brasil. Vitória de três a zero e classificação. Nas quartas o adversário foi o Vasco, atual campeão da Copa do Brasil, e mais uma vez segurou o zero. Na volta, gol solitário de Paulinho, mas o da passagem à semifinal.

Encarar o campeão das Américas, o time mais badalado do momento, o Santos de Neymar, muitos deram a certeza que o time alvinegro teria mais uma desclassificação. Mas Emerson e um time de operários provaram que onde se ganha é no campo. Em São Paulo, empate por 1 a 1, que carimbou a passagem para a sua primeira final. E não seria com qualquer adversário, seria o Boca Juniors.

O primeiro jogo foi na Argentina. Seria a prova deste time que muitos consideravam frio e calculista. Com mais de 50 mil xeneizes, a La Bombonera virou um caldeirão. E Tite soube armar o Corinthians. É verdade que não criou uma chance clara de gol até a entrada de Romarinho. O gol de Roncaglia poderia desestabilizar o time, pois o trauma poderia passar na cabeça, o que não aconteceu, muito por mérito deste treinador. E o time manteve o mesmo jeito. Aos 39 minutos, o baixinho camisa 21, que havia acabado de entrar, escreveu seu nome na história e calou o alçapão.

No Pacaembu, a lotação máxima de 38 mil pessoas gritando como um bando de loucos, enlouquecidos pela expectativa de levantar a primeira taça continental. Nos primeiros 20 minutos o Corinthians estava um pouco nervoso, ansioso e no banco o “professor” Tite acalmava os jogadores. Depois disso, o time brasileiro colocou a bola no chão e ali e foi mais time. Foi o que em muitos anos não tinha a frieza de campeão. E o grito meio tímido e baixo aconteceu com Emerson, aos 15 minutos. Alex cobra falta na área e, no bolo, Danilo dá um leve toque de calcanhar e Sheik estufa as redes: 1 a 0.

O que se viu dali em diante foi um time argentino se arrastando em campo, não conseguindo criar uma chance sequer de gol. E aos 27 minutos, do alto dos quase 40 anos, o experiente zagueiro Schiavi tentou recuar uma bola, mas tinha um pé no meio do caminho. Esse é do Emerson, que dá um pique e faz o segundo gol. E ai era só esperar o fim parar conseguir a liberdade. Ela veio aos 47, e o Corinthians era o novo dono das Américas.

Ovacionado, Tite vive a redenção. Em 2011 queriam a sua cabeça após queda e Andrés Sanchez, ex-presidente, rechaçou e manteve e renovou com ele após título do brasileiro. Tite coloca seu nome e desse grupo na história deste clube. Além dele, Alessandro e Chicão, remanescentes da Série B, também merecem aplausos, e o Corinthians é o campeão, com todos os méritos.  

*Breno Benedito é corintiano, estudante de 
Jornalismo e trabalha na Federação Paulista de Futebol

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sonho de consumo

O dia 04 de julho de 2012 tem tudo para ser histórico. O Corinthians (que não é Brasil coisa nenhuma) pode ser campeão da Libertadores pela primeira vez, realizando o sonho de consumo de 157 em cada 157 corintianos na face da Terra. 

Para tanto, o técnico Tite, que sobreviveu à precoce eliminação frente ao simpático time do Tolima, na pré-Libertadores de 2011, conseguiu montar um time compacto, aguerrido e que joga com a alma, acima de qualquer coisa. Pode não ser um time brilhante, mas o Corinthians atual é o mais fiel reflexo da sua história.

Superou adversidades, como a troca do questionável Julio César pela grata surpresa Cássio, que livrou o time da eliminação diante do Vasco no mesmo Pacaembu que será palco da decisão de logo mais. Tite baseia seu jogo na forte marcação e na saída de bola de extrema qualidade nos pés de Paulinho e Ralf, os diferenciais e maiores reservas técnicas da equipe.

Depois do Vasco, a classificação contra o atual campeão Santos deitou por terra todas as dúvidas quanto ao poderio do Alvinegro do Parque São Jorge. Dois jogos nervosos, como toda decisão deve ser.

Para conquistar a América pela primeira vez e acabar com uma das últimas piadinhas desabonadoras que ainda restam, o Corinthians terá pela frente o assustador Boca Juniors, bicho-papão das Américas no início do século e que, depois de anos montando times medonhos, chega forte, jogando razoavelmente em casa e meticulosamente fora. Foi assim que chegou à decisão.

Mesmo que as chances de nuestros hermanos passem pelos pés pensantes do já mítico Riquelme, não se pode desprezar de forma alguma a mística e a força do time xeneize, que impõe respeito por si só.

Time por time, o Corinthians é melhor, mas que não pense que entra em campo favorito, ainda mais depois do excelente resultado na Bombonera. Terá que manter a mesma maturidade e, principalmente, humildade demostradas até agora. Caso contrário, terá dado o primeiro - e decisivo - passo para perder o título para um time absolutamente acostumbrado à estar no cume da América.

De minha parte, impossível ficar alheio. Naturalmente torcerei pelo time argentino, como sempre faço na Libertadores. Isso não é inveja coisa nenhuma, é rivalidade. E é essa rivalidade que torna o esporte mais bonito. Bonito como será a festa caso o Corinthians ganhe. Bonito (mais ainda) como será se a taça for pela sétima vez para o time que veste azul e amarelo, assim como o Brasil.  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A 90 minutos do paraíso

É fiel, quem diria? O sonho de conquistar a América está mais próximo. Ontem, o empate por 1x1 na tão temida La Bombonera passou para realidade o que antes era um sonho de consumo.

A igualdade na casa dos hermanos foi um bom resultado, tendo em vista que os alvinegros poderiam ter saído do estádio com uma amarga derrota. Se não fosse a trave para salvar o Corinthians, ela que "ajudou" o Timão ao lado de Romarinho, autor do gol de empate.

Romarinho? O novo xodó da fiel. Ele está mostrando de fato o porquê de ter sido eleito como revelação do Campeonato Paulista de 2012. Até o momento não sentiu o peso de vestir a camisa do Corinthians.

Agora serão mais 90 minutos, uma simples vitória no estádio Pacaembu, dia 04, e o Corinthians poderá tirar esse fantasma da Libertadores que tanto o assusta. De quebra também levará junto à invencibilidade no torneio: até agora 13 jogos, sete vitórias e seis empates. O último clube a conseguir essa façanha, acredite se quiser, foi o próprio Boca Juniors, em 1978.

Assim como foi por parte da torcida argentina em La Bombonera, o Pacaembu estará tomado por fiéis. Fiéis nas cores preta e branca. Acenda uma vela você, torcedor corintiano, reze para São Jorge, o Santo Guerreiro, assim como os mesmos guerreiros que entraram em campo para a batalha final. O paraíso está proximo.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

É, fiel, chegou o dia!

Torcedores corintianos, preparem seus corações! Chegou o grande dia. Começam hoje em La Bombonera, às 21h50, os primeiros 90 minutos da tão aguardada final da Taça Libertadores da América.

Nervos à flor da pele por um possível vice-campeonato? Talvez. Vontade de gritar é campeão? Com certeza. O adversário é malandro, ganhou inúmeras vezes o torneio. Aliás, esse adversário é o Boca Juniors. Seis canecos levantados, já eliminou Tricolor carioca, Santos, Palmeiras e o próprio Corinthians, em 1991, nas oitavas de final.

Um sonho que pode virar realidade. Uma conquista jamais esquecida. Um troféu que virou pedra no sapato do Sport Club Corinthians Paulista e daqueles 30 milhões de loucos.

É, Fiel, olhos grudados na televisão e ouvidos colados no rádio, nenhum lance pode passar despercebido dessa final marcante. Quem tiver que tomar remédios para controlar a pressão já se antecipe, pois não será fácil.