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domingo, 30 de junho de 2024

BRASIL - Vini Jr, do Real, decide pela Seleção

Por Waldir Manoel do Nascimento*

(Reprodução TV Globo/Globoplay)

Dorival Júnior fez mudanças, mas não a que a gente queria. Venceu o Paraguai por 4 a 1 na segunda rodada do Grupo D da Copa América sem recorrer a um centroavante no time. Insistiu com seu sistema e foi premiado com uma vitória tendo seu trio ofensivo de pontas como protagonista. Em especial, Vini Jr que foi na seleção o que costuma ser no Real Madrid, o que o credencia a ser o melhor do mundo na temporada.

Com Wendell na lateral esquerda na vaga de Guilherme Arana, que realmente jogou muito mal contra a Costa Rica, e Savinho na vaga de Raphinha na ponta direita, o Brasil enfrentou um Paraguai que não se acovardou, não ficou com os 11 na defesa esperando espaços para um contra-ataque.

Pelo contrário.

Embora a Seleção Brasileira tivesse ímpeto ofensivo desde o início da partida, ps paraguaios foram mais efetivos até a abertura do placar. Damián Bobadilla, volante do São Paulo, finalizou e contou com o desvio em Éder Militão para quase vencer Alisson que, por sua vez, conseguiu evitar o gol.

Até ali o goleiro Morinigo pouco ou quase nada trabalhara.

Mas o jogo mudou e o Brasil abriu 3 a 0 em menos de 15 minutos. Antes, Lucas Paquetá mandou (muito) para fora, aos 31 minutos, cobrança de pênalti após a bola bater na mão de um defensor paraguaio. Quatro minutos depois, porém, o mesmo Paquetá recebeu de Bruno Guimarães e com um toque deixou Vini Jr na frente do goleiro. Vini foi o Vini do Real, teve velocidade e tranquilidade para se livrar da marcação e, com o gol praticamente aberto, abrir o placar.

Se efetivamente não merecia aquele placar, o time de Dorival Júnior fez por merecer ampliá-lo ao não se acomodar. Sufocado, oito minutos depois o Paraguai viu Rodrygo se desvencilhar da zaga pela esquerda e, já dentro da área, bater forte para Savinho aproveitar o rebote do goleiro e a falha da defesa para ampliar. Com quatro minutos de acréscimos Vini Jr abafou a zaga adversária, que errou e proporcionou ao atacante do Real o terceiro gol brasileiro.

Mérito total da equipe brasileira que não se acomodou com o resultado favorável em momento algum para construir um placar tranquilo.

Logo no começo do segundo tempo o bom zagueiro Alderete diminuiu para os paraguaios, mas Lucas Paquetá teve uma segunda chance em outro pênalti em que a bola também bateu na mão de um defensor e decretou o 4 a 1, a primeira vitória do Brasil na Copa América 2024.

Chamou atenção a aparente apatia do relegado Endrick. Espero estar errado.

Para fechar a primeira fase, o Brasil enfrenta a líder Colômbia na terça-feira, 2 de julho, às 22h, pela liderança da chave. Nessa disputa, o empate favorece o bom time colombiano.

*Cosplay do maior trio de jogadores brasileiros de toda a história.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Anjos não passam jamais


Caso estivesse vivo, Mané Garrincha faria 82 anos neste dia 28 de outubro. Carlos Drummond de Andrade, craque da pena, escreveu isto sobre o Anjo das Pernas Tortas:

"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

Ele não percebeu sua condição de agente divino e deixou-se ser vilipendiado pelos dirigentes do seu Botafogo, que ganhava mais dinheiro nos amistosos quando tinha à disposição o homem que era a Alegria do Povo. Mané precisava parar para cuidar dos joelhos, arrebentados pela truculência de um monte de Joões que enfileirou pelos gramados.

Mané foi vítima de si mesmo. Posto de lado quando precisava do carinho de quem o explorou por tanto tempo e sua mais valia não valia mais, nem o amor de Elza Soares foi capaz de impedir que partisse tão cedo. Ela era, provavelmente, a única que se preocupou de verdade com ele.

A torcida de sonhos, cantada por outro craque, Moacyr Franco, não aplaude mais. Outros craques não repetem suas jogadas, talvez por não interessar mais, ou porque são incapazes mesmo.

Cadê você, Mané? Não sabemos, mas deve estar em um lugar melhor do que o médico que te liberou para jogar quando não podia.


Não, Moacyr! Mané Garrincha não passou. Gênios - e anjos - não passam jamais.

Crédito da imagem: Blog do Barão lhkz

terça-feira, 13 de março de 2012

A ficha caiu

Demorou, mas o Corinthians finalmente criou vergonha na cara e dispensou os "serviços" de Adriano. O ex-Imperador nunca esteve pleno do Parque São Jorge, nunca vestiu a camisa, de verdade (mesmo porque não cabia).

Adriano é mais um caso de um talento extraordinário jogado fora. Tem uma explosão descomunal, uma força impressionante e um chute absurdamente forte. No entanto, para prevalecer, é necessário que esteja em forma, pois tecnicamente é um jogador apenas esforçado, trivial, comum.

Em momento algum ele foi sequer a sombra do jogador que arrebatou o mundo com a camisa da Internazionale e até da Seleção antes da Copa de 2006. Depois que perdeu o pai, Adriano só desceu, e a queda é vertiginosa demais, mesmo para quem só faz besteira fora de campo.

E a lista é extensa demais: foto alusiva a uma facção criminosa, foto com metralhadora, a história do pé queimado na lâmpada, a moto para a mãe do traficante, sem contar os inúmeros atrasos aos treinos. A verdade é que ele simplesmente não se ajuda, nem quer ser ajudado. O destino deve ser o Flamengo, time acostumado a contratações no estilo "me-engana-que-eu-gosto".

No filme "Boleiros - Era Uma Vez o Futebol', Ugo Georgetti mostra, pelo personagem Paulinho Majestade, vivido por Aldo Bueno, um jogador que teve fama e riqueza, mas que perdeu tudo, e vive às sombras do próprio passado. É ficção, mas a película é um retrato fiel do que acontece aos montes. Jogadores muito maiores que o Imperador, como Jorge Mendonça, George Best e, sobretudo, Garrincha, tiveram dinheiro e fama, e morreram na miséria. Adriano é milionário, mas não vê que está se afundando, e um dia o dinheiro acaba.

Aí a Balada nº 7 cantada pelo extraordinário Moacyr Franco para homenagear Garrincha cairá como um par de chuteiras feitas sob medida para o Imperador, sem o brilho do Anjo da Pernas Tortas, mas com o mesmo final previsível.