Mostrar mensagens com a etiqueta Violência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Violência. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuca, Bauermann, Robinho e a ética masculina do torcedor de futebol

*texto originalmente publicado no site Ludopédio (ligar)

Protestos abreviaram a passagem do treinador, então condenado
 por estupro, pelo Corinthians (foto: Meu Timão)

Cuca foi anunciado como novo treinador do Athletico paranaense e o caso da condenação por estupro quando ainda era um jogador no início da carreira e defendia o Grêmio voltou ao centro das discussões, como era esperado. Da mesma forma, também, discutimos uma porção de coisas: se ele poderia ou não voltar a trabalhar, se pode ocupar um lugar de liderança ou idolatria, mesmo se é culpado, já que o processo foi anulado e o crime prescreveu, portanto, sem haver a possibilidade de um novo julgamento. Até sobre a legislação suíça nós palpitamos a rodo nos últimos dias, como se estivéssemos falando de trivialidades como o preço da cerveja. Falamos de quase tudo, exceto o essencial. Não falamos sobre a vítima.

Precisamos discutir a ética masculina do torcedor de futebol e o que a constrói. Atenção! Não é a ética do torcedor masculino, é a ética masculina, pois há mulheres que reproduzem o discurso machista e duvidam da palavra da vítima, suposta ou não, como se o homem não fosse o agressor, apenas uma vítima da mulher ou das circunstâncias.

É uma construção social complicada de ser desfeita, mas é necessário. As escrituras, no nono mandamento da Lei de Deus, coisificaram a mulher. O que hoje é “não cobice a mulher do próximo”, era “Não cobice a mulher. Não cobice a casa do seu próximo, nem a sua propriedade, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo”. A mulher era reduzida a uma propriedade.

Segundo a ética masculina do torcedor de futebol, é mais grave quando um Bauermann combina um cartão amarelo ou troca um pênalti por alguns trocados do que agredir, violentar ou matar uma mulher. Robinho, condenado por estupro na Itália, está livre a ponto de frequentar churrascos no Santos e ser tietado por um jogador que até outro dia respondia por violência doméstica.

“Ah, a moça retirou a queixa”, mesmo com farto material probatório. A retirada da queixa não significa que a agressão não existiu; a prescrição do crime não faz o estupro desaparecer.  E discute-se se o jogador estragou a carreira. “Que pena, tinha tanto potencial”. “Quem poderia imaginar? O jogador com mais títulos na história do futebol jogou sua história no lixo”. Que se lixe a história, a carreira. O valor disso é ínfimo ao pé do que destruiu.

Milly Lacombe, no UOL, questionou brilhantemente a formação do indivíduo. A mulher é educada a saber se portar, a se vestir sem provocar, a não se colocar em situações que favoreçam que seja violentada, como se seu comportamento justificasse o crime. Ao homem é ensinado a caçar e interpretar qualquer sinal de simpatia feminina como uma possível abertura de pernas. Seu capital social, e aqui reproduzo exatamente o termo que Milly usou porque não há forma melhor para se referir a isso: o capital social do homem aumenta conforme ele pega mais mulheres. Ela é a vagabunda; ele, o fodão.  

Da mesma forma que o menino espanhol chamou Vini Jr. de macaco porque reproduz o que observa no seu entorno, é ensinado que a mulher está em uma categoria inferior e deve servir ao homem, querendo ou não. Mais importante que discutir a punição e a recolocação profissional é rever como estamos educando nossas crianças, principalmente os futuros homens, para que eles não vejam as mulheres como mero instrumento para uma noite de farras, a tal travessura irresponsável, como qualificou na ocasião o colunista do jornal Zero Hora, Paulo Santana. Para o homem pode ser somente uma noite. Para a mulher, a vítima, é uma vida. É a vida dela, da família dela.

Não cabe mais repetir a célebre e infeliz frase atribuída a João Saldanha, "eu o quero para jogar no meu time, não para se casar com a minha filha", tão comum nos anos 1990, os tais anos de ouro dessa bobagem que chamamos de futebol raiz, o “futebol que respira”. Porque a mensagem é mais importante que o gol. Não é sobre ganhar ou perder, é sobre ser decente.  

E só seremos decentes quando interrompermos este processo, entendermos o valor e lutarmos de verdade para que as mulheres sejam respeitadas e tratadas como iguais.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Pílulas amadoras - 5

*por Humberto Pereira da Silva

Foto: Gabriel Machado/AGIF/Folhapress

Como é óbvio, gosto muito de futebol e acho muito legal mesmo escrever, conversar sobre o assinto. mas os acontecimentos desse final de semana me desanimaram um bocado. Coritiba x Cruzeiro no final aquela briga entre torcidas; depois, Grêmio x Corinthians e o Alessandro, ex-jogador e atual ocupante de cargo de diretor do Corinthians, tenta invadir a sala do VAR [nem era onde estava o árbitro auxiliar, mas o equipamento...]

É desanimador. Ao longo do campeonato outras cenas se somam. De qualquer forma, terminada a rodada e só o Palmeiras (62) se saiu bem. Entre os que estão envolvidos diretamente com o título, foi o único que ganhou. O Atlético Mineiro (57), um pouco abaixo, ganhou e tem chance, mas acho difícil, pois tem só quatro jogos a realizar. O Flamengo (57) se complicou com o empate no Fla-Flu, mas com cinco jogos, virtualmente está a dois pontos do Palmeiras. A diferença de um jogo, uma rodada, e muita coisa muda. E ainda há a Data FIFA à mistura.

Sobre o Palmeiras? Se eu fosse palmeirense, ficaria bem apreensivo. Acho que essa é a temporada mais inconstante da era Abel. Não dá para confiar e deve perder pontos nessa reta final, mas os concorrentes também. Como diz a malta da terra de onde veio parte da família do Marcos Teixeira, editor deste blog e meu ex-aluno na faculdade, ao fim e ao cabo o campeão será... como o Flamengo em 2020, por demérito dos concorrentes. Ou então porque calhou de estar na liderança ao fim da última rodada.

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética no Jornalismo.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Spray na fuça

Torcedor carrega o filho após tumulto no Mané Garrincha (SporTV)
Não quero nem saber quem começou a briga no Mané Garrincha ou o motivo. Estou pouco me lixando se a Mancha Alviverde estava envolvida. Cansei de criticar organizada (e com razão, diga-se).

A ação policial em Brasília foi desastrosa. Agora o gás de pimenta é a primeira resposta para tudo. Olhou feio? Spray na fuça. Não quer sair do lugar? Spray na fuça. Chamou de "seu puliça"? Spray na fuça.

Havia crianças lá. Havia idosos lá. E se começa um corre-corre? E se morre gente? É necessário, para conter um tumulto, causar um maior? A Polícia Militar é despreparada para lidar com multidões, seja no estádio ou na rua.

Não é com truculência que se combate essa intolerância. Ok, as leis são frouxas e os brigões se aproveitam disso para espalhar a barbárie e ainda contar bravata, mas este é outro problema, e não será resolvido criando outro ainda mais grave.

Quanto ao pai do garoto, se tiver juízo, não coloca o pé em um estádio tão cedo. Diferentemente de quem brigou.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Jogos Vorazes das Organizadas

Faltando pouco mais de quatro horas para o jogo entre Vasco e Corinthians, o pau já cantou entre alguns dos ordeiros membros de torcidas organizadas (não os chamarei de torcedores. Não são). Como hoje em dia é tudo mais difícil, este blog deixa claro que não tem nada contra as torcidas organizadas, e sim contra essa meia dúzia de vagabundos que se infiltram nelas e comentem toda sorte de imundícies.

Não adianta picas ficar dizendo que deveria prender, que fazem o que fazem por causa da impunidade e o escambau de Madureira. Então, tenho uma sugestão para que todo mundo fique feliz: um reality show!


Sim! Um reality show, desses aí que existem ao montes. Mas não um qualquer. Seria uma espécie de Jogos Vorazes. Imaginem: um terreno baldio, duas ou mais equipes e uma única regra: sair vivo. Afinal de contas, se se matar é o que eles querem, vamos fazer de um jeito divertido.

Existiriam provas de resistência, como assistir a um jogo de futebol que não seja do seu time; de raciocínio, como a tabuada do cinco ou frases inteiras sem erros de concordância; ou mesmo dos dois juntos. Provas difíceis pra eles, como cantar algo que não seja o hino do próprio clube. Pode ser Parabéns pra Você, Atirei O Pau No Gato ou qualquer porcaria que a Xuxa gravou. Aí quem ganhar escolhe as armas (tacapes, correntes, porretes, pedras ou mesmo sinalizadores navais) para usar nos confrontos, que é quando eles praticam o que sabem de melhor. que é trocar porrada entre si.

Aí, na segunda temporada, poderíamos incluir os Barras Bravas de toda a América do Sul e os Ultras da Europa. A carnificina seria sucesso absoluto. 

No fim, ganha quem conseguir sair de lá andando. Os perdedores, um caminhão de lixo passa e leva embora.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Matamos

Por Leandro Marçal*

Matamos porque roubamos. Matamos porque reagiram. Matamos porque não reagiram. Matamos porque eles não tinham. 

Matamos porque torcemos. Matamos porque eles torcem. Matamos porque não torcemos pelos mesmos. Matamos porque brigamos.

Matamos porque policiamos, servimos e protegemos.

Matamos porque governamos, matamos porque temos poder, matamos porque corrompemos.

Matamos porque cremos. Matamos porque eles creem. Matamos porque eles não creem. Matamos porque eles creem diferente de nós.

Matamos porque discutimos, porque passamos do ponto, porque dirigimos e não levamos desaforo pra casa.

Matamos porque odiamos.

Ah, às vezes matamos até quando amamos.

Matamos enquanto trabalhamos, enquanto estudamos, enquanto nos divertimos, enquanto bebemos, no momento em que nos drogamos.
Matamos porque negligenciamos.

Matamos porque queremos, porque podemos.

Principalmente porque não pensamos.

Mais ainda porque não somos humanos.

Matamos porque...

Matamos por quê?

Matamos por quem?

Matamos até quando?

*Leandro Marçal é um jornalista de 23 anos, torce pelo tricolor paulista
 e por um mundo menos hipócrita e com mais bom humor.
E, apesar do nome de sambista, é incapaz de tocar um reco-reco.
Ainda assim, é o Rei da Noite de São Vicente.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manual do neomanifestante

Está por fora da onda de protestos? Quer ser um rebelde sem causa? Quer pagar de Black Bloc pros parça? Opa, tá fácil! É só seguir o Manual do Neomanifestante que trazemos a você.

1 - Encontre outros desocupados, como você. Nem precisa de muito, umas três dúzias servem, só pra ficar na baciada;

2 - Arrume uns 15 vagabundos, como você, dispostos a depredar as coisas. Mas devem ser vagabundos e covardes, como você;

3 - Cubra o rosto com alguma coisa. Pode ser um capuz, uma blusa da GAP, da Abercrombie ou uma lata de lixo. Se quiser um look mais adequado a sua personalidade, use a lata de lixo, pois combina com você;

4 - Saia quebrando tudo e corra. Afinal, você é covarde. Faça tudo em bando. Afinal, você é covarde;

5 - Queime os carros e saqueie o comércio, esses símbolos da burguesia e do neoliberalismo tucano, do jeitinho que te ensinaram na USP;

6 - Só não faça isso com os carros e as empresas do seu pai. Ele é burguês, mas é seu pai, e pode descontar da mesada;

7 - Arrume uma personalidade pra te apoiar, tipo o Caetano Veloso. Pode ser o próprio;

8 - Poste as fotos no Facebook ou no Instagram e marque seus amigos. Não é uma atitude inteligente, mas quem falou que você é?;
8.1 (parágrafo único): use uma foto dessas como avatar do seu perfil no Facebook.

9 - Ah, você precisa de uma causa. Pode ser qualquer uma, desde que seja lida no Facebook;

Pronto! Vá as ruas e proteste. E diga que não é por 20 centavos.

domingo, 13 de outubro de 2013

Não são torcedores

Vejo corintianos nas redes sociais urrando por punição ao São Paulo por conta da barbárie de alguns delinquentes (não são torcedores) nas arquibancadas do Morumbi.  Normal, visto que, por causa da atitude semelhante da marginália (não são torcedores) com a camisa do seu time, o Corinthians foi punido. Até aí, nada mais justo, pois a mesma pena deve ser aplicada quando ocorre o mesmo delito.

É óbvio que o São Paulo, que está numa pendura desgraçada, corre sério risco de perder alguns mandos de campo por causa desses parvos (não são torcedores). O problema é que punir o clube, qualquer que seja ele, não vai resolver a questão, pois esses patifes (não são torcedores) estão pouco se lixando para "seus" times. A punição tem que ser sobre eles, os arruaceiros (não são torcedores). Não será a primeira vez, mas não acontecerá picas com eles.

A primeira medida deveria partir do próprio distintivo: processar essa chusma de ignóbeis (não são torcedores), cobrar deles os prejuízos que acabam sobrando para os clubes. Em vez disso, alguns cartolas continuarão passando a mão na cabeça dessa horda (não são torcedores) e a imprensa (sim, também temos nosso quinhão de culpa) dirá que a polícia é despreparada.

Ah, sim, um processo criminal viria bem a calhar também. Para isso, é preciso identificar os patifes (não são torcedores). E é possível. Se não, vejamos:


Na imagem, só de saída, dá para apontar pelo menos quatro crimes: formação de quadrilha, desacato a autoridade, desordem pública e crime de rixa. A cara dos vagabundos (não são torcedores) está aí, para quem quiser. Basta as autoridades quererem.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Que venha a próxima briga

Vasco e Corinthians se enfrentavam no belíssimo (e superfaturado) estádio Mané Garrincha, em Brasília, pelo Campeonato Brasileiro, quando uma confusão estourou nas bancadas. Afora os personagens pitorescos que tomaram parte do dantesco episódio (a saber: um vereador de Francisco Morato e um dos corintianos que passaram mais de 150 dias reclusos em Oruro), chama a atenção a punição imposta aos clubes, que jogarão duas partidas com o seu mando com os portões fechados e outras duas, também na condição de mandante, com a presença somente de torcedores da equipa visitante.

Independentemente da cor da camisola da equipa punida ou do tamanho do prejuízo financeiro, a medida incomoda. Incomoda no sentido de que os principais responsáveis pelo furdúncio ocorrido na capital federal não foram punidos. E nem serão. 

FALTA DE DECORO Vereador conhecido como Capá, de Francisco Morato (SP),
ataca policial durante brigano Mané Garrincha (Sérgio Lima/Folhapress)

É um erro imaginar que a punição somente aos clubes envolvidos resolva alguma coisa. Como também é um equívoco classificar como torcedores essa marginália que deixa o que acontece no relvado em segundo plano. Eles estão pouco se lixando para seus clubes. Gritam o nome da sua facção, compram os produtos dela, que não reverte um puto sequer ao clube. Muito pelo contrário, vivem de mamar nas suas tetas. E nisso os distintivos também têm culpa, muita culpa. Dirigentes compram o apoio dessa malta, ora com ingressos, ora com dinheiro mesmo, e depois têm que conviver com o cheiro do bode na sala. E ele fede.

Podem fazer o que quiserem: tirar mando de campo, multar, fechar os portões, fazer o diabo a quatro. Não adiantará picas. Eles são bandidos e devem ser tratados como bandidos. Ora, se eu, você ou a senhora sua mãe desacatarmos um policial na rua, no mercado, na casa do cacete, seremos presos. Por que diabos se isso for feito dentro de um estádio de futebol ou nos seus arredores não acontece nada?

Se não for dessa forma, novas confusões acontecerão, todos ficarão impunes e novos Kevin Espada aparecerão. Só vai mudar a cor da camisa.
SAUDADE DE ORURO Corintiano preso na Bolívia
 se envolve em nova confusão (Sergio Lima/Folhapress)

domingo, 16 de junho de 2013

A onda e o cheiro do bode

Acho legítimo o direito de promover manifestações. Quaisquer que sejam elas. Independentemente dos motivos. E concordo com a que serviu de gatilho para as demais, que teve como mote não o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, mas a falta de subsídio para o seu barateamento. Só não acontecerá porque envolve os interesses de muita gente graúda (o pessoal de Santo André que o diga).

Sempre fui ácido quanto ao comportamento bovino do brasileiro, que normalmente abaixa a cabeça e aceita tudo o que lhe é imposto, passivamente, a não ser que a questão seja seu time de futebol. Aí, e somente neste caso, o brasileiro se coça.

Eis que, de uma hora para outra, o povo resolveu colocar as mangas de fora, sair para a rua e reclamar como se deve. Claro que existem os mais exaltados. Afinal de contas, não se trata de procissões, mas de manifestações. Também há oportunistas e a molecada que vai só para causar, e é preciso ter cuidado para não virar massa  de manobra de partidos políticos e movimentos sócio-políticos que aderiram à causa, qualquer que seja.

Faixa exibida por manifestantes que questiona as prioridades do governo 
do país sede da Copa do Mundo de 2014. (Dassler Marques/Terra)
No entanto, existe o risco da grita virar "carne de vaca". A molecada se mobiliza e vai pra rua protestar sabe-se lá pelo quê. É o manifesto pelo manifesto. Raso, tende a sumir conforme a onda passar. Será que sairão dos passeios e tomarão o asfalto para voltar a lutar pela causa indígena na demarcação de sua terras? Honestamente eu duvido.

Agora tomam as ruas por causa dos gastos para a Copa do Mundo e a das Confederações. Chiam por conta da falta de investimentos em saúde e educação, como se isso fosse novidade. Só que foi decidido em 2007 que o Brasil seria sede do Mundial de 2014 e, por conseguinte, da Copa das Confederações de 2013, e ninguém falou nada. Em vez disso, fizeram festa, regada a muito dinheiro público e apoio da Globo, dona dos direitos de transmissão (e da alma de muitos).

SEIS ANOS DE ATRASO Protesto contra a realização da
 Copa do Mundo no Brasil
 (Evelson de Freitas/AE)
O ex-jogador Ronaldo saiu em defesa da FIFA, alegando que o brasileiro estaria interessado na festa e não se importaria com o atraso das obras e com o consequente estouro orçamentário. Como ele é blindado pela boa vontade do torcedor, as bobagens que tem dito não repercutem como deveriam.

Parece até que dormimos sem a Copa e acordamos assustados com o bode na sala. Só que ele tá aí faz tempo, e fede. Nós é que não nos incomodamos com o cheiro antes.


sábado, 15 de junho de 2013

Mais que vinte centavos

Este blog é contra qualquer manifestação que acabe em violência, independentemente do meio ou motivo. No entanto, o que aconteceu na última quinta-feira, em São Paulo, foge completamente do tolerado até por pessoas como o editor, taxadas de reacionárias, digamos assim, muitas vezes por quem sequer sabe o significado do termo. A pancadaria partiu de quem deveria zelar pela ordem pública, que não estava ameaçada até o momento em que a polícia resolveu agir.

Há muito tempo não se via uma manifestação tão espontânea, que tenha partido da iniciativa popular. Qualquer que seja o motivo, o direito pelo manifesto é sagrado e inalienável. Já passou da hora da grande imprensa perceber que a bandeira foi levantada não por um bando de moleques de classe-média desocupados (mesmo que alguns sejam) por causa de R$ 0,20. É mais que isso.

É pelo dinheiro público jorrando pelo ladrão (e pelos ladrões) para obras e ações de cunho populista, como os estádios para a Copa e tudo o que cerca o evento, enquanto o que deveria ser provido pelo Estado, como saúde, educação e segurança, não encontra o subsídio necessário para tal. Vai ver é porque essas necessidades não nos causam a sensação de bem-estar e, consequentemente, transformam-na em voto.

Quebrar paradigmas, alterar o status quo e subverter a ordem das coisas dá trabalho e, quase sempre, vai de encontro aos interesses de quem é agraciado pelas benesses do que está estabelecido. Basta saber até onde vão essas ações (finalmente) populares. Que continuem sem ideologias ou bandeiras políticas. A única bandeira deve ser a do povo.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Bovinamente

A mãe do menino Victor Hugo Deppman, morto por um "dimenor", foi entrevistada hoje pela manhã na Rádio Bandeirantes. Seu filho morreu pelas mãos uma "criança" de 17 anos, que, por dois dias, DOIS DIAS, não tinha consciência dos seus atos, segundo a arcaica legislação brasileira. O assassino (menor infrator é o cacete), segundo consta, tem ficha corrida, já passou pela Fundação CASA e, obviamente, não foi recuperado.

A lei é ultrapassada? Sim, e muito, pois foi baseada nos usos e costumes dos anos 1970, mas a qualidade dos legisladores é um reflexo da qualidade do eleitorado, e este não muda. Aliás, muda sim, mas pra pior.

Enquanto isso, Marco Feliciano e o preço do tomate são os assuntos mais importantes, são as bolas da vez. Não que a causa homofóbica (extremamente legítima) ou a questão da maconha (legítima porra nenhuma) ou qualquer outro tema populista que os valha não tenham importância, mas perdemos o discernimento do que é prioritário.

Este é o espelho da nossa sociedade. Somos um bando de idiotas. E não fazemos nada pra mudar. Fazemos piada de tudo, rimos feito hienas da própria desgraça, como uma nova versão da Amélia, mas em vez de mulher, imbecis de verdade.

Mas é normal. Afinal, a Gloria Perez ainda não escreveu nenhuma novela sobre o tema, né?


*nem vou pedir perdão pelo palavrão. Neste caso, a licença poética cabe. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mais uma vida perdida. Até quando?

Na descrição deste blog temos a frase “sobre futebol e outros mundos menos importantes”. É verdade que esta é a nossa maior paixão, mas como colaborador deste me achei no direito de falar sobre algo que me entristeceu muito no início desta quarta-feira.

Morreu no bairro do Belém, zona leste de São Paulo, o jovem estudante Victor Deppman. O rapaz voltava de seu estágio quando foi abordado por um assaltante que, sem pestanejar, atirou no garoto. O jovem cursava Radio e TV e batalhava todos os dias para conseguir realizar seu sonho. Mais um guerreiro que não pode realizar todos seus objetivos por conta de uma ignorância, aliás, por conta de uma mochila.

Não conhecia o Victor, mas conheço pessoas que o tinham como amigo. Fico pensando na família, nesses amigos e em todos aqueles que como eu estão indignados com este tipo de situação. A vida de alguém valer uma bolsa, um celular ou qualquer quantia em dinheiro.

E como muitos apaixonados por futebol, gostaria que déssemos a mesma importância para este tipo de situação. Tomara que não caia no esquecimento. Afinal, ninguém pode interromper um sonho por algo tão fútil.

Este dá seus pêsames à família e a todos que de algum modo se sentiram atingidos por este tipo de caso.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fechar portões não basta

A bola da vez de dez em dez discussões sobre futebol nesta semana, e possivelmente nas próximas, é o lamentável incidente que aconteceu em Oruro, na estreia do Corinthians pela Taça Libertadores, contra o boliviano San Jose, quando um torcedor de 14 anos morreu ao ser atingido por um sinalizador que partiu da torcida corintiana.

A resposta da até então omissa Conmebol foi, através do recém-criado Comitê Disciplinar da entidade, punir o clube brasileiro vetando a entrada de seus torcedores em todos os jogos pela competição, seja em casa ou fora. Uma atitude polêmica, como tudo o que envolve o futebol.

Todas as conversas, desde as mais ponderadas até às mais acaloradas, têm como mote se a punição foi exagerada, pois todos os torcedores não poderiam pagar por uma dúzia de maus elementos que foram ao estádio. No entanto, um aspecto deve ser observado: o regulamento da Conmebol. De acordo com ele, o clube é responsável pelo comportamento de seus torcedores, seja ele o Corinthians, o San Jose ou o Coronel Bolognesi. Isso por si só já abaliza a medida tomada.

Mas não é suficiente. Basta ver o que aconteceu nos anos 1980, quando todos os clubes ingleses foram banidos por cinco anos das competições europeias por conta do ocorrido em Heysel, na Bélgica, durante a final da Copa dos Campeões da Europa, em 1985. Na ocasião, morreram 39 pessoas, na sua maioria torcedores da Juventus, pisoteadas pelos hooligans do Liverpool.

Mesmo com a punição, outros eventos semelhantes aconteceram, como na semifinal da Taça da Inglaterra de 1989, entre o mesmo Liverpool e o Nottingham Forrest, quando 95 scouses morreram e mais de 700 ficaram feridos, no estádio Hillsborough, em Sheffield. E foi aí que o governo interveio, com um documento que ficou conhecido como o Relatório Taylor, que, entre outras medidas, extinguiu o uso de alambrados nos estádios e propôs penas duras aos envolvidos em confusões, além da adequação das pocilgas, como a de Oruro, onde os jogos eram realizados.

Ou seja, de nada adianta a Conmebol punir agora se não houver um conjunto de medidas que envolva entes de todos os âmbitos, sobretudo governamental, com leis duras e eficazes. Se não for assim, a proibição não será mais que jogar para a torcida. No caso as outras, menos a do Corinthians.



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Quando a culpa é do sofá

Um jogo de basquete feminino entre Sport e Santa Cruz, que estava marcado para hoje, foi cancelado por causa do receio de que houvesse um confronto entre as torcidas. Ninguém teve peito pra segurar o rojão e existe o temor de que os clubes se encontrem na Copa do Nordeste.

É triste quando a medida a ser tomada visa conviver com o problema em vez de resolvê-lo. Na Inglaterra a coisa era bem pior, até que aconteceu a tragédia de Heysel, na Bélgica, na final da então Copa dos Campeões da Europa, em 1985, quando 39 pessoas morreram depois que "torcedores" do Liverpool encurralaram e barbarizaram torcedores da Juventus, resultando na morte de 39 pessoas (mais 600 feridos) e a UEFA baniu todos os clubes ingleses por cinco anos das competições que organizava. Também contribuíram as medidas adotadas pela Primeira-Ministra Margaret Tatcher para controlar os hooligans.

Já por aqui não acontece nada. Há alguns anos o Corinthians foi eliminado na Libertadores pelo River Plate em pleno Pacaembu, o que gerou a ira de parte dos corintianos que estavam no estádio. Eles tentaram invadir o gramado e se não fosse a ação policial, que os impediu, poderia ter acontecido uma desgraça, uma carnificina.

O resultado foi a suspensão do estádio, não do clube ou dos envolvidos, o que, aliás, é praxe por estas plagas, uma vez que os interesses econômicos e as barganhas pessoais visando os interesses econômicos estão acima de qualquer coisa.


Ninguém se responsabiliza e as vítimas se transformam em mera estatística. E a culpa continuará sendo do sofá.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Temos a nossa escória

Aconteceu de novo. Domingo, após a derrota para o São Paulo, o meia Héverton foi ameaçado por dois elementos nas dependências do Canindé.

Versões distintas já apareceram na imprensa: um diz que eram conselheiros; outro, que tratavam-se de torcedores a mando de um conselheiro, citando nome e sobrenome do sujeito. Não o farei, pois aqui este tipo de canalha não tem espaço.

Mais uma vez, a imprensa erra ao classificar como torcedores os que acossaram o médio luso. A exemplo do que houve no Corínthians, são bandidos, são escória e deveriam estar distantes das bancadas por absoluta inaptidão de respeitar o direito alheio.

Cabe, entre tantas perguntas, uma em especial: qual o pecado cometido pelo atleta? Salvo raríssimas exceções, o jogador procura o melhor lugar para se trabalhar. Vai aonde paga-se melhor, oferece-se as melhores condições de trabalho e onde tem perspectivas de conquistas. E este, perdoem-me os adeptos lusos, não é o caso da Portuguesa há muito tempo. Ao torcedor cabe, pois, o amor ao clube e ao atleta, o profissionalismo. Ponto.

Além do mais, a indignação é algo íntimo, pessoal. Ao agir em bando, o sujeito torna-se ou massa de manobra ou covarde. Ou, como no caso, os dois. Agora a Lusa corre o risco de perder alguns mandos de campo, como é praxe. A exposição negativa do nome Portuguesa de Desportos está causada,  graças a estes idiotas que se julgam donos do clube. Desculpem o lugar comum, mas quando o ladrão está do lado de dentro não adianta passar o trinco. Sem os mandos, a missão de se classificar entre os oito (!) ficará mais difícil, e estes imbecis não se responsabilizarão, como também é praxe.

Enquanto isso, após o aumento concedido pelo Legislativo, um vereador da Capital paulista passou a custar mais caro que um deputado federal, demandando R$114.800,00 mensais ao erário municipal. Como é corriqueiro neste país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza, ninguém esperneou. Assim, a frase cunhada pelo grande Rui Barbosa está a cada dia mais atual, afinal, cada povo tem o governo que merece.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A escória, o lixo

Hoje foi o terceiro dia de protestos no Corínthians. Seja no CT ou no clube, a barbárie está instalada desde a precoce eliminação da equipe na Libertadores.
...
Dentro dessa lógica tupiniquim imbecil de que o futebol é mais importante do que a política, os protestos já eram esperados, mas já estão tomando proporções inaceitáveis.
...
São, até hoje, quinto dia de fevereiro, três dias de confronto. Já teve de tudo: emboscada ainda na Colômbia, pichações no muro, recepção hostil no aeroporto, ataque ao ônibus alvinegro. A imprensa também foi agredida. Bandidos encapuzados invadiram o CT corintiano armados com metralhadoras! É este o tipo de "gente" com quem essa corja se relaciona?

É evidente que foi de dentro da gangue uniformizada que saiu a ordem. Não vandalizaram as dependências do CT Joaquim Grava, sequer deram um tiro. O armamento pesado era para intimidar. E os carros que estavam lá, estes não foram poupados.

Não sou hipócrita a ponto de não entender que derrotas como a de Ibagué causem revolta, mas não sou idiota para aceitar que policiais e até a tropa de choque sejam deslocados do seu trabalho nas ruas para evitar que esse lixo de gente mate alguém. É o dinheiro dos meus - e dos seus - impostos que está sendo usado.

Por que estes mesmos cretinos não têm o mesmo afã para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus? O novo presidente da Câmara defendeu um salário maior para o legislativo, logo após os próprios deputados aumentarem seus salários em mais de 60%, causando efeito cascata em outros cargos, e eles fizeram o quê? Sequer se incomodaram.

Futebol é entretenimento, nada mais do que isso. É por causa desse tipo de pensamento desprovido de bom senso que o país está como está, entregue a grupelhos políticos que se mantém às custas desta inversão de valores.

Esta horda representa o que há de pior no ser humano: são violentos, vis e burros. Ao contrário do que dizem as manchetes, não são torcedores, são bandidos, são escória, são lixo, e devem ser tratados como tal.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Para não mudar só o cachorro

Muito tenho ouvido falar sobre a ocupação de parte dos morros da capital do Rio de Janeiro pelo exército. Opiniões muito mais abalizadas que a minha, obviamente, pois são de especialistas em Segurança Pública. Meu conhecimento é empírico, como é o da maioria das pessoas. O que não quer dizer que eu não possa ter uma opinião formada e, até que provem o contrário, o que eu penso está certo.

O Estado se ausentou e fez vistas grossas ao crescimento do narcotráfico, que ocupou a lacuna e se estabeleceu. O que estão fazendo no Rio de Janeiro é combater o efeito, quando deveriam também enfrentar a causa. As UPPs exercerão o papel de mantenedoras da seguração local até que a PM prepare contingente para o trabalho. Embora necessária, a medida, se isolada, é apenas paliativa.

Deve-se, como eu disse, combater a causa. Em diversos setores. Não adianta endurecer as penas se há brechas na legislação que garantem seu relaxamento. O sistema prisional está saturado e é obsoleto, servindo como centro de formação da bandidagem. Eis um conjunto de fatores que, aliado à corrupção e à impunidade, favorecem o aumento da criminalidade.

Quanto ao Estado, cabe a ele cumprir sua atribuição mais básica: ser Estado. Deve prover condições para que a população tenha acesso à saúde, moradia digna, educação, emprego e segurança. Uma vez que faltou, o crime fez as vezes e se sedimentou. Esta é, se não a principal, uma das causas para se chegar ao estágio atual. O que se deflagrou com a tomada do morro é um caminho sem volta. Não haverá como justificar um eventual fracasso.

Se não for assim (só para não usar o termo mais chulo), irão ter mudado só o cachorro, pois a coleira continuará a mesma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Batalha de Nuremberg



Corria o ano de 1945 quando Nuremberg, na Alemanha, sediou aquele que foi o julgamento mais emblemático de todos os tempos. No dia 20 de novembro daquele ano os principais líderes do III Reich começaram a ser julgados pelos crimes cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. O tribunal decretou 12 condenações à morte, três prisões perpétuas, duas condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de dez anos, além de três absolvições. O episódio ficou para a História como o "Tribunal de Nuremberg".


A mesma cidade alemã foi, quase 60 anos depois, o palco de um dos maiores e mais violentos jogos da história das Copas. Portugal e Holanda degladiaram-se – literalmente – pela fase de oitavas-de-final da Copa de 2006. A Selecção das Quinas ficou com a vaga, mas começou a perder o Mundial naquela partida.


O jogo marcou um duelo no mínimo interessante: Scolari x Van Basten. Quando eram jogadores, tratavam-se de atletas com características completamente opostas. Se Luíz Felipe Scolari era um zagueiro tosco e de parcos recursos técnicos, tendo passado sua carreira obscuramente por clubes de pouca expressão, Van Basten foi um dos melhores atacantes de todos os tempos, tendo brilhado pela própria seleção holandesa e pelo grande Milan da década de 80.

A primeira fase foi mais tranquila pro time de Felipão do que para os comandados de Marco Van Basten. Portugal terminou em primeiro lugar no Grupo D, com três vitórias, contra Angola, Irã e México. Já a Holanda, que esteve no chamado "Grupo da Morte", terminou na segunda colocação, com sete pontos, ao lado da Argentina, mas com saldo de golos pior e à frente de Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.

Um ingrediente novo esquentava o confronto: a recente rivalidade entre as seleções. Portugal fora algoz dos holandeses nas Eliminatórias da Copa de 2002, quando estes sequer foram à repescagem. Dois anos depois, na Eurocopa, Portugal voltou a despachar a Holanda, já nas meias-finais. E no dia 25 de junho, no Frankenstadion, estavam frente a frente, mais uma vez.

Para mediar o jogo a FIFA designou o árbitro russo Valentin Ivanov. Foi uma guerra. Logo aos sete minutos o cavalo holandês Boulahrouz entrou, criminosamente, de sola no Cristiano Ronaldo, causando sua saída da partida minutos depois. Ivanov deu apenas cartão amarelo ao holandês, quando a cartolina encarnada cabia perfeitamente.



Foi a deixa pro pau comer. Ao final do duelo, foram 20 cartões, sendo 16 amarelos (nove para Portugal e sete para a Holanda) e quatro vermelhos (dois pra cada lado). Nunca antes se mostrou tantos cartões num só jogo em Copas.


Em momento algum o árbitro teve o comando do jogo. O primeiro cartão recebido pelo meia Deco, por exemplo, ocorreu após um erro grotesco do russo: a Holanda estava no ataque quando o defesa português Ricardo Carvalho atirou-se à bola para barrar uma finalização de Kuyt. A bola ficou com os portugueses, que armaram um contra-ataque letal. Inexplicavelmente, quando o esférico já estava perto da área holandesa, o jogo foi parado para que o luso fosse atendido. 

No reinício, quando Portugal esperava que a Holanda devolvesse a bola, Heitinga partiu em velocidade contra a baliza defendida por Ricardo. Deco deu no meio dele e recebeu o cartão. Minutos depois, ao retardar o reinício da partida retendo a bola, foi expulso. No mais, pouco futebol e muita, mas muita, pancadaria. Nem o craque Figo passou incólume: durante uma das diversas confusões, o então melhor do mundo deu uma cabeçada no carniceiro Van Bommel, mas só recebeu o amarelo.




Ah, o placar do jogo foi Portugal 1 x 0 Holanda, gol de Maniche, aos 23 minutos do primeiro tempo. Depois despachou a Inglaterra, nos pênaltis, e só caiu na semi-final (e no apito) contra a França.




Imagens: ESPN

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nossos hooligans, os cartolas e a imprensa: um triângulo nada amoroso

"...Após o jogo ocorreram incidentes lamentáveis: corre-corre, torcedores pisoteados, policiais feridos..."

Não, este intróito não se refere ao espetáculo dantesco ocorrido após o clássico do último domingo, entre São Paulo e Corínthians. Mas poderia ser. Aliás, encaixa-se perfeitamente numa porção de episódios semelhantes. E todos têm pontos em comum: a intolerância, a suposta onipotência desses marginais travestidos de torcedores, a impunidade.

Soma-se a isso o papel de parte da imprensa e dos dirigentes, que além de dar espaço pra marginália, fomentam o ódio já enraizado nessas facções. Deve-se salientar que as torcidas organizadas são formadas na sua maioria por pessoas de bem, mas a ação dos bandidos nelas infiltrados é tão forte e constante que é praticamente impossível desvincular as torcidas em si das barbáries.

Caso o leitor não concorde com a tese deste humilde escriba, explicarei usando os episódios que antecederam o jogo de domingo, já que foi o caso mais recente da barbárie promovida pelas quadrilhas, ou gangues, ou "torcidas organizadas", como queiram.

Durante a semana os dirigentes de ambos os clubes usaram a imprensa pra trocar farpas publicamente. O motivo era o número diminuto de ingressos destinados à torcida do Corínthians, que, na condição de visitante, receberia apenas 10% da carga total de ingressos, que é o limite mínimo determinado por lei.

Não satisfeitos com a postura adotada pelos dirigentes sãopaulinos, seus congêneres corintianos (leia-se Mário Gobbi e Andrés Sánches) desfiaram um verdadeiros rosário de baboseiras via imprensa, acusando-os de arrogantes, mesquinhos, elitistas e outros adjetivos pouco ou nada abonadores. Como isso dá audiência, já viu. A imprensa, ávida por um quiproquó, parecia urubu sobrevoando carniça, e os cartolas apareceram mais que aqueles que deveriam ser os protagonistas do clássico, os jogadores.

Semana de clássico é sempre recheada de polêmicas. Inclusive, clássico recebe essa alcunha por ser diferenciado, por si só. Como dizem os ditos populares, vai além dos noventa minutos, ou das quatro linhas. Ou seja, não precisa disso.

E isso acaba passando pras arquibancadas. Ou alguém, em sã consciência, é capaz de imaginar que aquela horda que se dirigia ao estádio sob os gritos de "a violência voltou" o fizera apenas para ver o jogo, civilizadamente?

Há muitos anos, lá pros idos da década de 40, o grande Thomaz Mazzoni, d'A Gazeta Esportiva, batizou o São Paulo x Corínthians de 'O Majestoso'. Pra não perder essa aura, sugiro que "importem", do Reino Unido, a Margaret Tatcher. Só ela pra dar jeito nos nossos hooligans.

Ah, antes que me esqueça, o sal-de-fruta continua por minha conta.

sábado, 15 de novembro de 2008

Até quando?

A emboscada feita por membros da Mancha Verde no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, da qual foi vítima o técnico Vanderlei Luxemburgo, foi mais um ato da barbárie que esses bandidos travestidos de torcedores vêm cometendo há tempos, sem que haja atitudes realmente eficazes por parte das autoridades competentes.

Detê-los não é tão difícil assim, apesar de eles estarem se organizando, elegendo até vereadores nas últimas eleições. Lembram uma certa facção que age nos presídios paulistas.

Há alguns anos, a então Primeira-Ministra britânica, Margaret Thatcher, conseguiu banir os hooligans. Como? Com leis enérgicas, mais a ajuda da UEFA, que afastou os clubes ingleses por 5 longos anos de toda e qualquer competição organizada por ela, após a “tragédia de Heysel”, na Bélgica. Na ocasião, 39 pessoas morreram antes da final da Copa dos Campeões da Europa, em 1985, entre Juventus e Liverpool. Foram os torcedores ingleses que começaram o tumulto e a maioriados mortos era composta por torcedores italianos.

Ao invés disso, são tratados “a pão-de-ló”. Têm espaço não só nos clubes, mas também na mídia, em programas "esportivos" que, em troca de alguns televisores ligados, entrevistam esses bandidos, dando o que eles mais querem, que é status dentro da organização criminosa em que se transformou a torcida organizada.

Essa relação promíscua entre a marginália, os dirigentes, a imprensa e o poder público faz com que eles (os bandidos) cresçam a olhos vistos, fomentando um ódio que já custou o sangue de alguns inocentes e outros nem tão inocentes assim.

Essa “gente” age impunemente, quando deveria ser tratada no cabresto, na base da porrada, mesmo, em qualquer que seja o sentido.


Trata-se de uma escória, de um lixo de gente incapaz de encarar homem a homem, pois pra isso deveriam ser homens, coisa que, definitivamente, não são.

Não acho que devam ser presos, pois não quero que o dinheiro dos meus impostos seja usado pra dar de comer e dormir a esses vagabundos, que deveriam se alimentar de seus próprios dejetos.
Só pra constar, no caso da emboscada de Congonhas ninguém foi preso, nem pra averiguação. E não precisa ser especialista em direito criminal pra saber que os selvagens envolvidos poderiam responder por lesão corporal, formação de quadrilha e perturbação da ordem pública, no mínimo.
Pra terminar, peço desculpas a você, caro leitor, por fazê-lo ler sobre tão indigesto assunto. Se precisar tomar alguma coisa pro estômago, pode ir à farmácia e pôr o sal-de-fruta na minha conta.