Mostrar mensagens com a etiqueta Braga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Braga. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Benfica 2 x 3 Braga - o Dia de Ação de Graças


Os Estados Unidos, o Canadá e, pela influência cultural norte-americana, grande parte do mundo reservam um dia em novembro, nomeadamente a última quinta-feira do mês, para agradecer a Deus pelas bênçãos alcançadas durante o ano que está a acabar. É o Dia de Ação de Graças, ou Thanksgiving Day. Até minha patroa sugeriu que a gente faça uma janta com alguns amigos. 

Em Portugal, caso o Braga queira agradecer a alguém por alguma graça alcançada, já terá o que por à mesa para demonstrar gratidão ao Benfica pela vitória do último domingo, na Luz. Para ser justo, ou menos injusto, os arsenalistas poderão dar graças aos três golos ofertados pela gente encarnada.

E é preciso ser justo para reconhecer que Carvalhal, mesmo sem contar com jogadores como Ricardo Horta, Fransérgio e Gaitán, soube fechar as portas a um Benfica que tinha a bola, mas não soube fazer com que este domínio se traduzisse em chances de golo. 

Pelo contrário, foi com a bola que os de Jorge Jesus permitiram que os bracarenses abrissem o placar. Com todas as opções próximas para sair jogando marcadas pela pressão bracarense, Otamendi contrariou a saída construída em passes curtos e tentou ligar para o meio diretamente, mas o passe, completamente errado, parou em Castro e ficou com Iuri Medeiros. Este não foi incomodado por Samaris e bateu de fora, no canto direito de Vlachodimos para tirar o nulo do marcador.

Antes disso, somente num canto batido por Pizzi que encontrou a cabeça de Otamendi antes do remate acrobático de Vertonghen, defendido por Matheus. Uma única hipótese criada em bola parada e com a participação dos centrais. E só.

Em desvantagem, os da casa voltaram com Gabriel na vaga de um infeliz Samaris e Everton, inexistente, deu lugar a Seferovic. Cinco minutos foi o que demorou para que o Braga explorasse o espaço à frente da zaga, um verdadeiro presente ofertado a Carlos Carvalhal. Al Musrati avançou como se toda a gente de vermelho respeitasse o isolamento social e esperou até a linha defensiva contrária ser desfeita quando Otamendi saiu à caça dele e deixou o espaço onde Francisco Moura recebeu, dominou e aumentou a vantagem dos nortistas. Toda a gente encarnada que por lá estava tentou deixá-lo fora de jogo, exceto Gilberto.

Com Taarabt no lugar de Pizzi, outra figura perdida em campo, o Benfica passou a ter mais volúpia no meio, muito embora isso também tenha sido fruto do recuo de quem tinha dois gols à frente e muita disposição para contragolpear. Como quem trabalha conta mais com a sorte, Al Musrati deu um estouro para evitar Taarabt em zona proibida de perder a bola e esta ficou entre Vlachodimos, que saiu sabe-se por que da área, e Otamendi, com Gilberto a torcer para que nada desse errado. Mas deu. Francisco Moura aproveitou o momento "espera que eu espero" entre guarda-redes e central, roubou-lhes a bola e só empurrou para o gol vazio.

Aí o Benfica entrou no jogo, e este é o único motivo para Carlos Carvalhal ralhar com os seus. Em 30 minutos, os donos da casa, com Gabriel, Rafa Silva e principalmente Grimaldo (que havia substituído o trágico Nuno Tavares pouco antes do 3-0), Taarabt e Seferovic em grande, criou hipóteses para encostar e, com um poucochinho de sorte, empatar e até dar a volta no marcador. Primeiro Rafa recebeu de Gilberto a jogada bem distribuída por Gabriel, escapou de Sequeira e cruzou no pé de Seferovic, que desviou de primeira para tentar rediscutir o resultado.

Tudo passando por Taarabt, um minuto depois, quase Seferovic bisou no cruzamento de Grimaldo, que ele cabeceou à queima-roupa, mas Matheus fez a defesa do jogo. Pouco depois, o marroquino tramou com Gabriel, avançou e acionou o espanhol em profundidade; Grimaldo colocou no pé de Waldschmidt, mas ele errou a finalização com o gol aberto.

A mão que deu, também tira. Na única chance do Braga quando o Benfica estava por cima, Paulinho recebeu de Galeno e foi travado por Vertonghen. Na sobra, o brasileiro tentou encobrir o grego com classe, mas este desviou com a ponta dos dedos para manter o jogo em aberto.

A cinco minutos do 90, Gabriel buscou Taarabt, recebeu de volta e chamou Grimaldo. Este contou com o apoio de Darwin Núñez para atrair os marcadores e tabelou com Taarabt para receber pelo alto e assistir de cabeça para Seferovic diminuir a um a vantagem do Braga. A calma deste gol contrastou com o fim do jogo, quando o tempo era escasso e a tática já havia ido embora. 

E quase resultou no último lance. Gabriel mandou o balão, a zaga rebateu, Grimaldo tentou pelo alto para Seferovic, que cabeceou para o meio, onde Otamendi tentou uma bicicleta  e a bola que sobrou para Seferovic, em fora de jogo, empurrar para o gol, em lance bem anulado pela arbitragem, mas que daria ao jogo um resultado injusto demais que os times apresentaram (ou não). 

Que Carlos Carvalhal agradeça por isso também.

Vlachodimos: meu caro Ody, não vás me fazer outra vez o mesmo que seus colegas de zaga;
Gilberto: aproveite a parada para os jogos de seleções para aprender a não deixar os gajos do outro time em condições (Diogo Gonçalves: que Nossa Senhora da Lateral o cubra de bênçãos e te torne um jogador da posição até que o André Almeida volte); 
Otamendi: prefiro não dizer o que penso por respeito aos que leem; 
Vertonghen: aproveites que tu e o Otamendi falam Inglês e pergunte "What the fuck, man?" É isto ou aprendas a rezar enquanto jogas;
Nuno Tavares: o mister estava a brincar quando falou que tu eras o futuro da Selecção na posição. Bom, não dá para fiar-se nas previsões dele para a lateral esquerda, já que quis meter por lá o Bernardo Silva (Grimaldo: da próxima vez, digas que estás pronto para jogar desde o início, mesmo que seja mentira);
Samaris: não entendi a escolha dele, que mal voltou dos cuidados médicos. Acho que nem ele entendeu (Gabriel: nunca mais deixe o mister nervoso quando fores substituído. Saias a sorrir, mesmo que estejas a falar em pensamento todo o baixo calão português);
Pizzi: podias falar ao mister para dar uns jogos de descanso para o Everton. Assim, o Rafa iria ter lá e tu voltarias à posição que o Bruno Lage achou pra ti e nos ensinou a gostar tanto de um certo 21, de olhos estrábicos e chutes certeiros (Taarabt: que diabos que não fazes jogos destes desde que chegou, pá?);
Everton: era bom tirares uns jogos de folga para descansar e poder mostrar novamente porque a Seleção Brasileira é melhor quando tu jogas (Seferovic: ainda há quem não goste de ti?);
Waldschmidt: nem todos os dias correm bem, Gian-Luca, mas aquele falhanço estava fácil de marcar. Que a defesa permita que possas falhar outras vezes, como todo avançado falha, e toda a gente não pense em por a culpa em ti;
Darwin Núñez: notei que jogou quando ajudou o Grimaldo a despistar os gajos no segundo golo. 

domingo, 20 de setembro de 2020

Porto 3 x 1 Braga - a primeira rodada do terceiro turno

ÚLTIMO ATO? Pode ter sido o último jogo de Alex Telles no Porto. Obrigado por nada, rapaz (Getty Images)

Se alguém se confundiu com o calendário nestes tempos estranhos e assistiu à estreia dos campeões nacionais de Portugal contra a atual terceira força do país, é bem possível que imaginou não ter acabado a época passada se não percebeu os novos jogadores em campo. O Porto começou a época como terminou a última: vencendo, com os pormenores todos a vestirem azul e branco, e o Braga fez mais uma grande partida, sobretudo na segunda parte, e poderia ter a sorte a sorrir-lhe aos fim dos 90 e tantos minutos.

Como naquele meme (existe outro termo para isso?) do Tobey Maguire, porém, era só botar os óculos na cara para ver que eram equipas diferentes, sobretudo os minhotos, seja em peças ou em postura. Não começou à Carlos Carvalhal, com o time a jogar a partir dos centrais e buscar ela mesma ter a iniciativa da partida. O treinador tratou de dar a bola ao Porto, para tirar dos de Sérgio Conceição o conforto de jogar a partir do erro do oponente. Era, pois, uma boa tática.

E foi até o período de compensação da etapa inicial. O Porto até então havia criado pouco, e, quando o fez, teve o gol de Otávio anulado, com o correto apoio do VAR, graças ao impedimento de Corona. Na verdade, até a segunda dezena de minutos, essa havia sido a única ocasião de gol. Quando Carvalhal abdicou do 3-4-3 com pouca mobilidade para recuar Ricardo Horta e Fransérgio é que os bracarenses arrumaram algo.

E que algo! Esgaio cruzou de qualquer jeito, com tensão, para Sequeira se virar no segundo pau e deixar a bola à feição do ex-portista Castro, que vinha sem marcação nenhuma e sentou o pé com gosto para buscar o canto direito de Marquesín. Meio minuto depois, nova fuga, agora pelo meio, e o argentino foi vencido por Abel Ruiz, mas que um pormenor de oito centímetros fora de jogo, detectado com precisão pelo VAR, manteve o placar.

A partir daí os campeões arrefeceram-se, mas uma queda de atenção dos visitantes foi fatal, já depois dos 45 minutos. E foi com os suspeitos de sempre que o Porto deu a volta em três minutos: Alex Telles tirou da cartola um cruzamento de cartilha e Sérgio Oliveira foi mais feliz que todos os minhotos na área e mandou, inapelável para Matheus Magalhães, que saltou só para sair à fotografia. Depois apareceu Marega sendo Marega. Praticamente convenceu um infeliz Raúl Silva a derrubá-lo na área. Chamado a bater, o lateral esquerdo da Seleção Brasileira colocou o Porto à frente.

Não é porque correu mal no final que Carvalhal mudaria. A segunda parte começou com o Braga em cima, dominante, e que só não empatou ao terceiro minuto porque a bola picou na grama e subiu o suficiente para fazer com que a finalização de Ricardo Horta, com Marquesín passageiro da própria sorte - ele e o eixo defensivo todo do Porto -, passasse por cima do travessão depois de uma jogada das mais bonitas que o Dragão já foi palco (Sequeira para Castro no meio, o passe em profundidade, com capricho, buscando Abel Ruiz, que fez a parede e deu de primeira para Horta, que cruzou-lhe a frente para desmarcar-se com uma finta seca sobre Danilo, Pepe e quem mais estivesse entre ele e a baliza).

Aí Conceição resolveu que era mais negócio não jogar, nem deixar que o Braga jogasse, colocando Laúm e todas as obrigações defensivas, no lugar de um Sérgio Oliveira um bocado apagado, e o jogo ficou morno. Seja qual fosse a medida tomada por Carvalhal, que tentou de tudo, ora a mexer nos avançados, ora a desfazer o trio de defesa, o jogo se arrastou até o fim, quando Taremi arrancou outro pênalti, já ao pé do minuto 90, para fazer de Alex Telles o defensor com mais golos anotados de sempre com o Dragão ao peito.

Marquesín: que bela a vida de quem sofre golos, mas sempre sorri no final; 
Manafá: sabes quando o jogo é atípico quando o Manafá está em campo e isso não é propriamente um problema para o Porto;
Mbemba: no dia em que perder a mania de marcar golos ao Benfica, terá meu apreço pelo grande zagueiro que parece que será; 
Pepe: julguem-me: gosto do Pepe. Gostava mais ainda se o drible que tomou do Ricardo Horta terminasse em gol, mas a vida é isto; 
Alex Telles: fez história ao chegar a 26 golos pelo Porto e superar os 25 de Jorge Costa e Zé Carlos. Agora pode ir embora e nos deixe em paz, SFF;
Danilo: meus olhos sangram quando vejo que, pela ducentésima vez, Danilo veste azul e branco e o Weigl veste vermelho (ou aquela cor parecida com o vermelho nesta época). Que o alemão não invente de atingir a marca;
Sérgio Oliveira: foste tu que disseste à malta do PAOK, quando estivestes por lá, como era possível ganhar ao Benfica, pá? (Zaidu: entrou porque o Lorenzo Lamas de Paços de Brandão estava a fazer má figura. Manteve o padrão);
Uribe: um dos milhares de colombianos que escolheram jogar no Porto, em vez de defenderem o Benfica. Eu poderia falar em desprendimento, mas me parece que sou eu que padeço disto (Loum: por ora, sou incapaz de qualquer chiste sobre isso);
Corona: o multi-homem não foi o maior responsável pela vitória do Porto. Que tempos estranhos, meu Deus! (Taremi: ó, rapaz! Quanta ingratidão ao Carlos Carvalhal, que foi seu técnico até outro dia. Isso lá não foi bonito!); 
Otávio: raios que o partam! Quando não há Corona no seu melhor, me aparece este gajo (Fábio Vieira: ó, Nuno Espírito Santo, leva logo este também, antes que nos cause algum embaraço);
Marega: o de sempre: tropeçou na bola, fez rir toda a gente, mas, no fim, só quem é do Porto é que achou graça.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Centenário da Portuguesa - os 100+11 da história da Lusa - parte 5

Ah, os anos 1990. Época que mais agrada nove entre 10 torcedores que vivenciaram a década das camisas espalhafatosas, do futebol europeu na TV aberta, do tetra, dos mullets, de Dener, de Zé Roberto, de Capitão, da inesquecível atuação do Reizinho do Canindé contra o Santos, na virada por 4 a 2, dos históricos 7 a 2 sobre o São Paulo, enfim, da Lusa indiscutivelmente forte a candidata a ganhar tudo pela última vez.

Se os 10 anos anteriores foram os de crescimento patrimonial, com a modernização do clube social e do estádio do Canindé e a construção do Centro de Treinamentos, a década que fecha o século foi de colheita. E os frutos vieram, sobretudo das categorias de base, de onde surgiram craques como Dener, o Reizinho do Canindé; Zé Roberto, que ganhou o mundo a partir do Pari; Leandro, o artilheiro da casa rubro-verde.  

Títulos, de fato, a Lusa conquistou em diversas modalidades, exceto no futebol profissional. Teve a campanha lendária na Copa São Paulo de Futebol Jr, da linha ofensiva com Tico, Dener, Sinval e Pereira e as nove vitórias em nove jogos, 32 gols marcados e a afirmação do gênio Dener Augusto de Souza; títulos em profusão no futebol feminino campeão paulista e brasileiro, com destaque para jogadoras que fizeram história na modalidade, como Daniela Alves, Grazi e Formiga; o Campeonato Paulista de Aspirantes de 1997, na Vila Belmiro, contra um Santos turbinado por jogadores da equipe principal; e o mundial de Hóquei Feminino, conquistado na Alemanha também em 1997, com direito à melhor jogadora do mundo à época, Patrícia Martins, defendendo as cores rubro-verdes.

Na modalidade que é o carro chefe do clube, o futebol masculino profissional, a Lusa levantou uma única taça: o Torneio Início de 1996, cuja importância é relativa. No mais, bateu na trave por diversas ocasiões e por todos os motivos possíveis: o azar de tomar um gol nos acréscimos no clássico que praticamente decidiu a vaga à decisão do Paulistão de 1995; a histórica campanha vice-campeã brasileira de 1996, com o gol sofrido a seis minutos do fim em uma partida sob controle; as duas campanhas semifinalistas dos anos seguintes. O regulamento de 1995, que não previa que o time que fizesse mais pontos na soma dos turnos fosse campeão (como em 1994) ou não conferia o título se os dois turnos tivessem um único vencedor (como aconteceu em 1996); e Javier Castrilli, em 1998, argentino de trágicas e odiosas lembranças, que dispensa maiores apresentações. 

No ano seguinte, a Lusa manteve a base e trouxe, através do investimento do patrocinador, uma rede de postos de combustíveis, o técnico Zagallo, de indiscutível história no futebol mundial, com suas quatro Copas do Mundo, mas o fato de perder por lesão um titular de cada setor (Leandro, na vitória por 4 a 2 contra o Corinthians; Émerson, na derrota por 4 a 3 contra o Palmeiras, ambos pelo Paulista; e Carlinhos, na vitória contra o São Paulo ainda no início do Campeonato Brasileiro) fez com que o projeto naufragasse.

A década fechou com a desastrosa excursão a Portugal em 2000, quando a Lusa foi chamada pela imprensa local de "o pior time brasileiro que já jogou em Portugal" e perdeu de forma vexatória para Chaves, FC Porto e Steaua Bucareste, empatando com o Braga por 2 a 2, mas perdendo nos pênaltis na decisão do terceiro lugar da Taça Cidade do Porto, motivando a dispensa do ídolo Bentinho, que voltara à Lusa no início daquele ano, o último em que uma base foi mantida para a temporada seguinte. Barbeiragens administrativas também impediram que o craque/gênio português Paulo Futre vestisse a camisa da Lusa em 1998, como atesta esta reportagem do portal UOL. No mesmo ano, houve o mal explicado e mal conduzido caso Nasser, quando a Portuguesa foi acusada de tentar subornar o goleiro da Portuguesa santista numa partida em que não poderia perder para chegar à segunda fase do Paulistão. O jogo, que virou de tempo com 4 a 0 para a Lusa, acabou 4 a 4, no Eurico Mursa, e o goleiro não falhou em nenhum dos gols.

Era um presságio do que viria no século XXI.  

Alex Alves 
(1996/1997)
Mesmo curta, a passagem do atacante Alexandro Alves do Nascimento pelo Canindé foi marcante. Rápido e habilidoso, Alex Alves ganhou destaque no time do Vitória, vice-campeão brasileiro de 1993, sendo contratado pelo Palmeiras. Envolvendo-se em polêmicas com a mesma facilidade que fazia grandes jogadas, passou pelo Juventude e só se reencontrou quando chegou à Lusa, em 1996, ano em que foi um dos destaques do time vice-campeão nacional, sobretudo nas fases decisivas, brilhando contra os mineiros Cruzeiro e Atlético. Permaneceu até o fim de 1997, quando foi para a Raposa. Faleceu em 2012, 40 dias depois ter sido submetido a um transplante de medula óssea.   

Leia também:
Centenário da Portuguesa - os 100+11 da história da Lusa - parte 4

Bentinho
(1988/1993 e 2000) 

Antônio Bento dos Santos foi um dos maiores ídolos da torcida da Portuguesa nos anos 1990. Jogando ao lado de Dener, fez partidas memoráveis, como na goleada por 4 a 2 sobre o Santos, no Canindé, em 1993, quando marcou os dois primeiros da Lusa. Habilidoso, excelente cabeceador e bom também nas cobranças de falta, Bentinho fez 73 gols em 209 partidas pela Lusa. Depois de sair da Portuguesa, se destacou no futebol japonês, no mundo árabe e por Botafogo e São Paulo, dividindo a artilharia do Paulistão de 1995 com Paulinho McLaren. Voltou à Lusa em 2000 para fazer uma dupla de ataque afinadíssima com Leandro.     

 

Caio
(1994/1997)

O gaúcho Wolnei Caio era o maestro do time vice-campeão nacional de 1996, formando a meia-cancha lusa com Capitão, Gallo e Zé Roberto, que foi deslocado para o meio após uma lesão de Zinho. Foram 142 jogos envergando o manto rubro-verde durante um período de excelentes campanhas. Depois que parou de jogar, tornou-se dirigente e foi gerente de futebol da própria Portuguesa.   

 

Capitão 
(1988/1997 e 2003/2004)

Ter a marca de mais jogos oficiais (496) pela Portuguesa e ser o maior ídolo da torcida, mesmo quando craques como Dener, Zé Roberto e Rodrigo jogavam ao seu lado. Este é Capitão, seguramente um dos três maiores trincos da história do clube, que já contou com os serviços de Badeco e Brandãozinho na cabeça-de-área. Atravessando três décadas, o mineiro de Conselheiro Pena Oleúde José Ribeiro foi a personificação da raça lusitana. Ele era espécie de representante da torcida dentro de campo, e nunca deixou de suar a camisa da qual praticamente virou sinônimo. Chegou à Lusa em 1988, depois de ter despontado no Cascavel, do Paraná, permanecendo até 1998, quando foi para o São Paulo. Depois passou por equipes como Grêmio, Botafogo de Ribeirão Preto, Guarani, Portuguesa santista, Sport e Verdy Kawasaki, até voltar em 2003 para passar a marca dos 500 jogos, contando os amistosos, sob o manto rubro-verde.

 

César 
(1995/1999)

Ídolo da Lusa na segunda metade dos anos 1990, o zagueiro César Augusto Belli Michelon chegou da Ponte Preta para formar com Émerson uma das melhores duplas de zaga no país. Rápido, com habilidade para sair jogando e extremo senso de colocação, César esteve em momentos marcantes do futebol do clube, como o vice-campeonato brasileiro de 1996 e a semifinal do Campeonato Paulista de 1998, contra o Corinthians, quando o argentino Javier Castrilli apitou pênalti em um lance no qual o zagueiro havia claramente dominado a bola no peito, aos 44 minutos do segundo tempo. A Lusa vencia por 2 a 1, resultado que a qualificava para a decisão contra o São Paulo, mas o jogo acabou empatado por 2 a 2. Deixou a Lusa após a Copa América de 1999 para defender o Paris Saint-Germain. Voltou ao Brasil e vestiu as camisas de times como Palmeiras e Corinthians, mas sem o mesmo brilho dos tempos de Canindé. Mas nem precisava, pois já tinha garantido o lugar na galeria dos imortais da Lusa.  

 

Dener 
(1989/1993)

Naquela noite fria de uma quarta-feira qualquer do outono paulistano, o placar apontava um empate insosso sem gols entre Portuguesa e Internacional de Limeira, pela segunda rodada da segunda fase do Campeonato Paulista de 1991, quando, já perto do final do jogo, o time do interior teve um escanteio pela direita do campo de ataque, para o lado do gol dos vestiários do Canindé. O tiro de canto, mal batido, foi interceptado pelo zagueiro Vladimir. Nilson, o centroavante do time, ajeitou a bola para Dener, que vinha em velocidade na altura do grande círculo do meio-de-campo. Como um bólido, partiu com a bola dominada e foi superando os adversários, um por um, para, da marca do pênalti, apenas tirar, com um toque sutil do lado direito, o goleiro, que tentava em vão fechar o ângulo. Na mesma noite, todos os telejornais davam destaque ao gol de placa marcado no Canindé pelo menino que, menos de um ano antes, encantara o país na histórica conquista da Taça São Paulo de Futebol Júnior, vencida pela Lusa com aproveitamento total dos pontos disputados. Ele já fazia parte do time profissional da Lusa desde 1989 e fez sua estreia num amistoso contra o Caldense, fora de casa, entrando no lugar de Roberto Dinamite. Indisciplinado, vivia entre idas e vindas dos juniores para os profissionais, onde já dava mostras do gênio que explodiria na campanha perfeita da conquista da Copinha, ao lado de Tico, Sinval e Pereira. Depois da conquista, entrou para não sair mais do time titular da Lusa e, menos de seis meses depois, estreava na Seleção Brasileira pelas mãos do técnico Falcão. Foram incontáveis os gols de placa (alguns dos 24 que marcou nas 141 partidas jogadas), fora o que ele fazia nos treinos. Para José Macia, o imortal Pepe, que foi seu técnico na Lusa, Dener foi um dos cinco melhores atacantes que viu jogar, o incluindo num rol com jogadores como Eusébio, Pelé e Puskas. Em 1993, foi emprestado ao Grêmio, onde virou ídolo e foi campeão gaúcho. No ano seguinte, foi cedido ao Vasco e também caiu nas graças da torcida logo de cara, chegando a arrancar aplausos de ninguém menos que Diego Maradona durante um amistoso contra o Nelwell’s Old Boys. Quando morreu, naquela estúpida madrugada de 19 de abril de 1994, Dener estava no banco do carona do seu "Pássaro Branco", que era como ele chamava o seu Mitsubishi Eclipse branco, de placa DNR-1010, carro que colocou como imposição para renovar seu contrato.  No momento em que Oto Gomes de Miranda, que conduzia o carro, colidiu numa árvore na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, Dener dormia. Se estivesse acordado, como disse o jornalista André Kfouri, certamente teria dado um drible na morte.   

 

Émerson 
(1994/2001)

O zagueiro Émerson tinha apenas 21 anos quando formou com César a melhor dupla de zaga do futebol brasileiro entre 1996 e 1999, quando o companheiro se transferiu para o futebol francês. Técnico e dono de excelente impulsão, saia jogando com qualidade e chegava bem à frente, tanto que anotou 22 gols pela Lusa nas 202 partidas que disputou. Vestindo verde e vermelho, Émerson Carvalho da Silva foi campeão sul-americano Sub-20 pela Seleção Brasileira e chegou à Seleção principal em 2000. Foi para o São Paulo em 2001, trocado por três jogadores que não deixaram saudade: Alemão, Rogério Pinheiro e Reinaldo.     


Evair 

(1998)

Um dos maiores atacantes brasileiros da segunda metade do século passado, Evair Aparecido Paulino chegou ao Canindé já consagrado, em 1998, com a ajuda da Federação Paulista de Futebol, para formar uma dupla de ataque poderosíssima com Leandro, recém-promovido ao time principal da Portuguesa. Naquele ano, a Lusa bateu na trave no Paulista e no Brasileiro, quando foi semifinalista de ambos.   

 

Evandro 
(1998/2002)

No excelente time que a Portuguesa formou na virada do século, um dos jogadores mais aclamados pela torcida lusa era o meia Evandro Gama do Nascimento Alexandre. Incansável, o “Chaveirinho”, como era chamado o jogador, dado sua baixa estatura, chegou do Flamengo no início de 1998 para formar, com Simão, Alexandre e Carlinhos, o excelente meio-campo do time que chegou às semifinais do Paulista e do Brasileiro daquele ano. Um cartão de visitas e tanto para transformá-lo em ídolo no Canindé. Um ídolo com exatos 200 jogos pela Lusa.     

 

Gallo 

(1996)

O placar do estádio do Morumbi marcava 0 a 0 quando o atacante Alex Alves sofreu falta na entrada da área. Gallo partiu para a bola e bateu, com perfeição, no ângulo direito do goleiro Danrlei. Estava aberto o placar do primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1996, entre Portuguesa e Grêmio. Aquela foi a única competição que o volante Alexandre Tadeu Gallo disputou com a camisa da Lusa, para onde voltou em 2005 para ser treinador, protagonizando uma saída polêmica do clube, que deixou à véspera da partida contra a Portuguesa Santista para dirigir o Santos.

  

Jorginho  
(1994/1997 e 1999)

Titular da Lusa nos anos 1990, o zagueiro Jorginho era destaque do time desde que chegou do Bahia, em 1994, e só não foi titular na campanha do vice-campeonato nacional de 1996 porque se contundiu na estreia contra o São Paulo, voltando a atuar somente no ano seguinte. Jorge Luiz de Souza Ramos é irmão do também zagueiro Junior Baiano, que fez sucesso no Flamengo, no Palmeiras,  no Vasco e na Seleção Brasileira.   

 

Leandro
(1994/1995, 1997/2000 e 2004/2006)

Filho do palmeirense Julio Amaral, Leandro Câmara do Amaral fez sucesso na Lusa entre os anos 1990 e 2000. Artilheiro de faro de gol aguçado, foi o último jogador a romper a barreira de uma centena gols pela Lusa (105), distribuídos nas três passagens pelo time do Canindé (num total de 212 jogos). Canindé, inclusive, que o tem como o maior artilheiro, com 62 gols em 94 jogos. Nestas três passagens, formou duplas de ataque poderosas com Rodrigo, Evair e Bentinho. Sua passagem pela Lusa só não teve mais gols porque sofreu uma grave lesão de joelho num clássico com o Corinthians, em 1999. Após sair da Lusa, vestiu camisas de equipes como Fiorentina (ITA), Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Flamengo, Fluminense e Vasco e hoje reside nos Estados Unidos.  

  

Paulinho McLaren 

(1994/1995 e 1997)

Um cigano do futebol dificilmente marca época por alguma equipe que tenha defendido. Paulo César Vieira Rosa, no entanto, foge à regra. Mesmo tendo vestido mais de 20 camisas diferentes ao longo de sua carreira e demorado para explodir no futebol (começou a se destacar no Santos, já com 26 anos), Paulinho McLaren teve o seu melhor momento defendendo as cores da Lusa, nas duas passagens pelo clube. Carismático, ganhou o apelido após homenagear o piloto Ayrton Senna, simulando dirigir um carro de corridas após marcar um gol pela Lusa, em 1994. Só pelo Paulista do ano seguinte, foram 20, que garantiram seu nome na imortal lista dos artilheiros da competição, curiosamente dividindo o topo dos marcadores com Bentinho, que defendeu o São Paulo emprestado pela Portuguesa. Extremamente técnico, marcava gols de todas as formas: de cabeça, pé direito, esquerdo, de falta. Grato pelo clube onde mais fez sucesso, o hoje treinador costuma dizer que ainda será campeão dirigindo a Lusa.  

 

Rodrigo 
(1995/1997)

Embora tenha estreado no time principal em 1995, foi em 1996 que o meia Rodrigo Fabri se transformou em realidade no futebol brasileiro, ao ser considerado o melhor jogador do Campeonato Brasileiro daquele ano, que quase a Portuguesa conquistou contra o Grêmio, recebendo a Bola de Prata colmo melhor meia do Brasileirão também em 1997. Tendo como marca o futebol vertical, de velocidade, e os chutes fortes de média e longa distância, não demorou para que Rodrigo fosse convocado pelo técnico Zagallo para a Seleção Brasileira, durante a preparação para a Copa de 1998, na França, tendo sido campeão da Copa das Confederações um ano antes. Jogou na Lusa ainda em 1997 com o mesmo destaque, o que lhe valeu uma transferência para o Real Madri. Sem nunca se firmar nos “Merengues”, foi emprestado ao Flamengo, onde teve passagem apagada. Voltou a se destacar, porém, com as camisas de Atlético de Madri, Valladolid, Sporting Lisboa e por muito pouco não voltou à Portuguesa para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2002. Acabou emprestado ao Grêmio, onde foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro.    

 

Tico 
(1990/1995 e 1996/1997)

Amigo inseparável do meia Dener, Paulo Rogério Alves surgiu naquele timaço que conquistou a Taça São Paulo de Futebol Junior de 1991, marcando, inclusive, o terceiro gol da final vencida por 4 a 0 contra o Grêmio, embora já fizesse parte do elenco profissional desde o ano anterior. Na estreia pelo time principal, inclusive, entrou ainda no primeiro tempo no lugar do atacante Marquinhos para marcar os dois gols da vitória por 2 a 0 da Lusa, fora de casa, contra o Noroeste, pelo Paulistão de 1990. O atacante Tico permaneceu na Portuguesa até 1995, quando saiu para defender equipes como São Paulo e Grêmio. Voltou em 1996 para se destacar no time que foi vice-campeão brasileiro daquele ano.   


Vladimir
(1986/1994)
O zagueiro Vladimir de Barros ficou a 16 jogos de completar 300 comandando a zaga rubro-verde entre os anos 1980 e 1990, aparecendo na 17ª colocação entre os jogadores que mais atuaram pela Portuguesa.

 

Zé Maria 

(1991/1996)

Quando atuava pela base da Lusa, José Marcelo Ferreira participava de um treino e, ao vê-lo, o então conselheiro Mário “Fofoca” comentou que ele lembrava o lateral Zé Maria, ídolo do clube nos anos 1960. A partir daí o jovem lateral passou a ser chamado de Zé Maria, nome com o qual brilhou como profissional. No início da carreira foi emprestado à Ponte Preta e ao Sergipe, até se firmar na posição, onde foi titular absoluto entre 1995 e 1996, ano em que foi negociado com o Parma. Também vestiu as camisas de Flamengo, Vasco, Palmeiras, Peruggia e Internazionale (ITA) e Seleção Brasileira, conquistando a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 e o título da Copa das Confederações em 1997. Bastante cotado para a Copa de 1998, acabou perdendo a vaga para Zé Carlos, de discreta passagem pelo Canindé em 1994. Voltou ao Canindé para encerrar a carreira em 2008 e ainda foi treinador da Lusa em 2019.     

 

Zé Roberto 
(1994/1997)

José Roberto da Silva Junior é um dos casos de maior longevidade atuando em alto nível da história do futebol, já que estendeu sua carreira defendendo grandes equipes para além dos 40 anos de idade. Cria da base lusa, ascendeu ao profissional em 1994 e não saiu mais do time. Destaque na campanha do vice-campeonato brasileiro de 1996, atuava como lateral esquerdo, mas foi deslocado para a meia quando o titular Zinho se machucou, já na reta final da competição, mostrando-se um armador completo, posição na qual fez fama no futebol mundial. Pela Seleção, marcou um dos gols da final da Copa América de 1997, contra a Bolívia, e jogou as Copas de 1998 e de 2006 (esta como titular) e é considerado o maior lateral esquerdo da história da Portuguesa, onde ainda jogou duas partidas em 2018, pela Copa Rubro-Verde, após encerrar aos 43 anos sua estupenda carreira.  

 

Zinho 
(1995/1997)

Rápido, habilidoso e raçudo, Sebastião Cândido da Silva, o Zinho, logo caiu no gosto da torcida. Vindo depois de se destacar com a camisa do Sport Recife, o meia participou das grandes campanhas da equipe nos anos 1990.