| O zagueiro Gustavo Marques, autor de falas misóginas ao fim da partida em que sua equipe foi eliminada no Campeonato Paulista |
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
O engajamento e a permissão para odiar
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
A noite em que o Benfica jogou sua história no lixo
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| Foto: Patricia de Melo Moreira / AFP |
"O Sport Lisboa e Benfica lamenta profundamente o ocorrido na partida contra o Real Madrid, no Estádio da Luz, pela segunda fase da Champions League. Confiamos no nosso atleta e temos certeza de que tudo será esclarecido da melhor forma, e o Clube coloca-se à disposição das autoridades para a elucidação dos fatos. Respeitamos a trajetória do atleta Vinicius Jr e reconhecemos sua luta contra o racismo, bandeira que também nos orgulhamos de empunhar nos nossos quase 122 anos de existência. O Benfica é para todos e combate todo e qualquer tipo de preconceito".
Este, ou algo nessa linha, deveria ser o posicionamento do Benfica após os incidentes envolvendo o argentino Prestianni e o brasileiro Vini Jr, atacante do Real Madrid, que acusa o meia encarnado de racismo. Em vez disso, para defender o suposto agressor, desqualificou a denúncia. Mesmo que o acusado vista sua camisa, o clube não pode sob hipótese alguma colocar o rótulo de caluniador na suposta vítima.
Como desgraça pouca é bobagem, o técnico José Mourinho, a quem não se deve cobrar um posicionamento além do que se esperava que a instituição adotasse - não é com pescoço alheio que se exige justiça -, responsabilizou o brasileiro, apontando-lhe o dedo pela forma como comemorou seu gol, como se o próprio Mou não tivesse feito o mesmo reiteradamente em partidas escaldantes.
Eusébio é o maior jogador que já vestiu a camisa do Benfica. Coluna, o grande capitão, a quem o King tratava por "senhor", é o segundo maior a trazer a águia ao peito. Outro capitão incontornável, Luisão, é o jogador que mais vezes foi campeão pela parte vermelha da Segunda Circular.
Os três, negros. Negros como Anísio Cabral, o novo menino bonito da Luz. Como Renato Sanches, Eliseu, Aldair, Mozer, Valdo, Mantorras e tantos outros.
O time do Eusébio não tem o direito de escolher o suposto racista; o time do Coluna não pode tratar o tema como algo inexistente ou parte de uma campanha difamatória contra si ou um dos seus - a troco de que mesmo?
É bom deixar claro que o argentino tem direito à presunção de inocência. Da mesma forma, Vini Jr tem direito de ser tratado com dignidade, em vez de ser desumanizado, como acontece dia após dia no vizinho de península. Ele é chato, provocador, por vezes desrespeitador, mas nada justifica o racismo.
Nada justifica o racismo.
Prestianni tapou a boca. Muitos o fazem. Vini também o fez quando foi falar com Otamendi, capitão encarnado. Mas este não é o ponto. O clube português com mais adeptos nas ex-colônias portuguesas, cujos maiores ídolos são negros, escolheu um lado - e não foi o supostamente ofendido.
Eu, benfiquista como meu pai, estou envergonhado.
sábado, 1 de junho de 2024
Pílulas amadoras - 14
*por Humberto Pereira da Silva
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| CERTO? O "jeitinho brasileiro", injustamente atribuído a Gérson graças ao comercial do cigarro Vila Rica |
domingo, 27 de agosto de 2023
FUTEBOL FEMININO - O nojo, o machismo, a árvore e a camisa preta
Casillas, histórico goleiro campeão do mundo e bicampeão europeu como capitão da Espanha, cobrou a renúncia e classificou como vergonhosa a declaração do dirigente; o atacante Borja Iglesias declarou que não vestirá mais a camisa roja enquanto o dirigente não sair, pelas próprias pernas ou não. De Gea foi enfático (“Meus ouvidos sangram“). Enrique Cerezo, presidente do Atlético de Madrid, e Carlo Ancelotti pediram sua destituição imediata. Alexia Putellas, uma das maiores da história e talvez a maior jogadora espanhola de todos os tempos, disse que “acabou“, colocando-se ao lado da vítima.
Todas as 23 jogadoras que sagraram-se campeãs do mundo assinaram um manifesto no qual se negam a voltar a defender a seleção enquanto Rubiales estiver no cargo. Inclusive jogadoras que se recusaram a defender a seleção Espanhola na Copa do Mundo exigiram medidas drásticas. Vejam, abriram mão da chance de entrar para a história porque queriam a queda do técnico Jorge Vilda, um dos que aplaudiam o assediador, em vez de defendê-la. É bom lembrar que Vilda foi flagrado apalpando o seio de um dos membros da Comissão Técnica durante a final da Copa. Luis de La Fuente, treinador da seleção masculina, estava presente e também prestigiou o dirigente.
Dos clubes, vários se posicionaram. O Barcelona foi ameno, classificando como “imprópria a atuação do presidente”. Seu vizinho, Espanyol, e outros, como Real Sociedad, Getafe e Osasuna, exigiram sua destituição. Já o Sevilla se colocou ao lado da atleta. Mas ainda é preciso mais. O Real Madrid, que teria um peso gigantesco, fez ouvidos de mercador e nem tchum, exceto pelo posicionamento de seu treinador. Bom, não dá para esperar muito de quem é incapaz de defender veementemente um de seus principais jogadores, Vini Jr, vítima reiteradamente de racismo. A demissão de Luís Rubiales, que é necessária e imprescindível, seria uma resposta muito mais forte e contundente – e única à altura – ao cenário grotesco que foi visto na Cidade do Futebol, sede da Real Federação Espanhola de Futebol.
É bom lembrar também que um amistoso entre Brasil e Espanha, visando “celebrar a luta antirracista dos dois países” – como se houvesse alguma -, está marcado para o mês de março do ano que vem, com direito a camisa preta e tudo. Seria pedir demais que a CBF, que vai dar de bandeja a camisa mais importante do mundo para promover o país onde um de seus mais importantes jogadores no momento é agredido estando ou não em campo, solicitasse explicações sérias sobre o ocorrido. Ou então irá desrespeitar também um de suas principais causas na atualidade, que é o apoio ao futebol feminino. Se não fizer, e duvido que fará, mostrará que defender causas abraçando árvore ou jogando de camisa preta é fácil. Difícil mesmo é colocar isso em prática.
Pós edit.: entre a produção (27) e a publicação deste texto no Ludopédio.com.br, muita coisa aconteceu, como o pedido de demissão de quase toda a comissão técnica campeã do mundo. "Quase" porque o técnico Jorge Vilda foi o único a permanecer. Ele, que foi boicotado por diversas jogadoras antes da Copa, aplaudiu o pronunciamento de Rubiales e lamentou, posteriormente, mais que o assunto tenha sido o beijo [FORÇADO], que ele classificou como fruto de um "comportamento impróprio", e não a conquista; a RFEF, de onde Rubiales está afastado por 90 dias por imposição da FIFA, subiu o tom e ameaçou Hermoso de processo, além de afirmar que tomaria ações legais necessárias contra quem se negasse a representar o país, pois "jogar pela Seleção Nacional é obrigação de qualquer membro da federação chamado a fazê-lo"; os membros da comissão técnica que se demitiram informaram que foram coagidos pela RFEF a participar da assembleia na qual Rubiales declarou que ficaria. Inclusive, segundo os 11 demissionários, as mulheres componentes do staff teriam sido obrigadas a se sentarem na primeira fila, em sinal de apoio ao dirigente; o simples afastamento do presidente de suas funções ou de qualquer outra atividade esportiva não terá efeito algum se, além da proibição de manter contato com Hermoso ou qualquer pessoa ligada à atleta, a proibição não se estender a qualquer membro da RFEF, ou então toda ação promovida pela própria Real Federação Espanhola de Futebol contra as jogadoras e demais pessoas que, estando ao alcance de sanções da entidade, a apoiarem, levantará suspeitas de que o afastamento é só protocolar.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2022
Os criminosos e o idiota
| Foto: Instagram/tabataamaral |
Por trás do caso do imbecil que fez apologia ao nazismo está o baixíssimo nível de exigência de quem consome esse tipo de produto. Confesso que nunca gastei um segundo da minha existência ouvindo o podcast do energúmeno, então não sei que raio ele faz para que tanta gente de nome aceite participar do programa, mas me assusta o fato de alguém tão despreparado, tão raso, tão burro, ter tanto alcance.
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
O relativismo de Renato Portaluppi é um retrato do Brasil

Renato, um brasileiro (Divulgação/Grêmio)
Renato Portaluppi elogiou a arbitragem do jogo entre Flamengo e Bahia, vencido ontem pelos cariocas por 3 a 0, em que seu time foi muito beneficiado pelo apito ao ter um pênalti imaginário marcado a seu favor, quando o placar ainda apontava um nulo e este lance acabou condicionando o restante do jogo. Pior, neste caso, é que o soprador de apito ainda foi alertado pelo VAR e, mesmo assim, brigou com a imagem e se abraçou ao erro.
Fazendo uma busca rápida e com o recorte nesta edição do Campeonato Brasileiro, é possível encontrar reclamações dele nos jogos contra Cuiabá, Athlético, Chapecoense e Internacional. Vê-se que o mesmo Renato reclamou, não sem razão, quando se sentiu prejudicado em outros jogos - e de fato foi -, mas achou legal falar bem antes mesmo de ver o lance, como ele mesmo admitiu, e ainda se justificou citando o fato de que pênalti fora marcado em campo e revisado, o que, na sua visão estreitada pela possibilidade de ganho, ratificaria qualquer decisão, mesmo que equivocada. Renato é o retrato do Brasil.
Este comportamento mostra que ele não está preocupado com o nível da arbitragem, e sim que está preocupado em ganhar, mesmo que isso aconteça com a ajuda de quem tem o poder de mudar o resultado dentro das regras, que é a equipe de arbitragem. Renato, assim, perde completamente o direito de chiar quando for prejudicado.
O cenário é ainda mais agravado dentro do contexto do futebol brasileiro, no qual a cultura existente é a de induzir a arbitragem ao erro favorável. A reclamação pela reclamação nada mais é que um investimento visando ao ganho no lance seguinte. Reclama-se de tudo, simula-se a torto e a direito, joga-se a arbitragem, que já não é lá essas coisas, contra a torcida.
Profissionais como Renato Portaluppi não agregam em nada. A imprensa, e eu me incluo nisso, costuma passar o pano porque ele é um grande personagem e isso é inegável, mas não o coloca acima do bem e do mal. Renato, ao cabo, é só mais brasileiro que adora ser beneficiado e reclama mesmo quando não tem razão.
É o comportamento típico de quem não devolveria um troco eventualmente devolvido a mais, de quem torce por favores, por benesses, mesmo que sejam à margem da lei e em todos os níveis, desde o cafezinho para o guarda à propina do fiscal.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
No caso da 'morte' de Gugu Liberato, só quem morreu foi o Jornalismo
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| Foto: Antonio Chahestian/Record TV |
Atualização: Augusto Liberato, 60, teve seu falecimento confirmado algumas horas depois de este texto ser publicado.
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Guia prático para detecção de fake news
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Sidão, Rede Globo e a quinta série
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Preocupante, mas com melhoras - Portugal 1 x 1 Sérvia
terça-feira, 12 de março de 2019
Sobre Neymar, PSG e o desmazelo com a imagem
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| CRAQUE DA AVENIDA Neymar dá uma pausa na recuperação da lesão e curte o Carnaval no Brasil (Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo) |
sexta-feira, 22 de junho de 2018
A vitória e o craque dispensável
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| NÃO ME TOQUEM Até onde vai a necessidade de ter Neymar no time titular? (Reuters) |
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Vitória no sufoco escancara defeitos lusos na Rússia
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Cadê o cartão, juiz?
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| Torcedor do tricolor carioca comemora vitória no tapetão (Foto: Marcos de Paula/AE) |
É óbvio que não está na regra, mas quem se importa?
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Por quem torcerá o brasileiro?
A tradição voltou e o Naça está na Série A2 depois de 10 anos
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| CORRIQUEIRO Camisas de times europeus disputam espaço com as das equipes nacionais (Daniel Bortoletto/Terra) |
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| CORRIQUEIRO A camisa de Cristiano Ronaldo disputa a preferência dos jovens torcedores brasileiros (Arquivo pessoal) |












