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domingo, 17 de abril de 2011

Com a manteiga pra cima


Foi um suplício só. Durante quase todo o campeonato a Portuguesa esteve fora da zona de classificação para os quartos-de-final, jogando um futebol (se é que pode ser chamado de) abaixo da crítica. Como sempre, trocaram o comando técnico, saindo o Sérgio Guedes, que tinha feito uma campanha muito boa na Série-B, mas que caiu demais de produção no Paulista.


Mas dessa vez o igual foi diferente: veio o Jorginho, luso desde as bancadas. Ele conhece a Portuguesa como poucos. E apesar de não ter conseguido apurar a Lusa pela Copa do Brasil, o saldo do seu trabalho tem sido extremamente positivo.


Ainda assim, a apuração foi mais dramática que um fado da Amália. Quando parecia que ia pegar no breu, tropeçou nos moribundos Santo André e Noroeste, em casa; daí ninguém mais acreditava, mas veio a vitória nos estertores diante do Paulista, rival direto na luta pela vaga. Na última ronda precisava ganhar e torcer contra Paulista, que enfrentaria o mistão do classificado Santos, e São Caetano, que receberia um Linense na briga contra a degola.


Mal começaram as pelejas e o Peixe já marcou logo dois (faria ainda o terceiro). No Anacleto não acontecia nada e a Lusa tomando sufoco, em casa, do São Bernardo. E o tempo passando e nada. Até que o Linense abriu o escore com um golo do ex-luso Éder.


Mas ainda faltava um golo, fosse no ABC ou no Canindé. Mas sabem como é, né? Na Lusa e com a Lusa tudo é mais difícil, chorado. Chorado como foi o chute do Ananias, mascado, de canela, de qualquer jeito, ou sem jeito algum.


Sem jeito, aliás, ficaríamos nós se não passássemos de fase. Em vez de protestos, aplausos, gritos de alegria e a certeza de que dias melhores virão. Pelo menos até o clássico contra o São Paulo.




Imagem: Agência Estado

sábado, 22 de maio de 2010

Que 2010 seja diferente

Começou a Série-B de 2010. Na verdade, já estamos na sua terceira jornada. Podemos, de saída, apontar umas sete ou oito equipes com chances reais de ascenderem à primeira divisão: Sport, Náutico, Coritiba, Figueirense, Santo André, Ponte Preta e, é claro, Portuguesa. Em outras palavras, será uma das mais equilibradas de sempre.

Embora eu não acredite em líder - ou lanterna - de quatro rodadas, já é bom colocarmos as barbas de molho. Deixamos de subir, no ano passado, por causa de uma sequência de partidas sem vitórias. No Paulistão ficamos seis jogos sem vencer e sucumbimos à obrigação de ganhar os últimos seis. Como vencemos quatro, sobramos de novo.

A Portuguesa ainda não pegou o jeito dos pontos corridos. Quando o campeonato é classificatório, há brecha para tropeços. No caso dos pontos corridos, quem for mais regular, leva. E se tem uma coisa que a Lusa tem primado, nos últimos anos, é pela irregularidade. Sintoma típico de quem está pressionado, pois um tropeço fora de hora tem o poder de desestabilizar o ambiente e deitar por terra todo o trabalho.

Como o ano é de Copa, haverá recesso durante o campeonato. Será uma ótima oportunidade para que o Vadão veja o que tem nas mãos e promova as mudanças necessárias. Falando nisso, os anos em que temos o maior torneio de mundo da bola têm sido emblemáticos para nós, rubroverdes: em 1998 houve a "castrillada" que nos tirou das finais; em 2002 caímos pela primeira vez; em 2006 fomos rebaixados no Paulista e quase chegamos ao inferno da Série-C. Que 2010 seja diferente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pitacos de um mal-humorado

Estou mal-humorado. Às vezes fico assim. Motivos eu tenho, querido leitor, e irei mostrá-los a seguir:

Começou com o embróglio envolvendo os acontecimentos pós jogo da Lusa, contra Vasco e Vila Nova. Fomos julgados e condenados em ambos os jogos, com duas e três perdas de mando, respectivamente. Não que eu ache que o tribunal deveria ser complacente conosco. O que me irritou, primeiro, foi o Canindé ser interditado preventivamente por causa de uma versão de alguém que admitiu que poderia ter tido uma impressão equivocada, que foi o caso do Renê Simões. Acontece que criou-se uma comoção exagerada. Fomos condenados já de antemão. Ocorre coisa semelhante com o Botafogo, e não fizeram nada. Nos jogos do Náutico, no Estádio dos (não por acaso) Aflitos, fazem o diabo, com direito a intimidação policial, corredor polonês na entrada do campo e tudo o mais. Faz tempo que o Timbu se vale disso pra não cair. E não acontece nada.

Continuando meu rosário de insatisfações, o Domingos, que não é nenhum monge beneditino, quebrou a perna do goleiro reserva do Santos, Rafael, durante um treinamento. Isso lhe valeu afastamento do grupo de jogadores. Isso é assédio moral. O Domingão não faria isso deliberadamente. Parece-me que foi o motivo que o treineiro-blogueiro Luxemburgo procurava. O Edu Dracena, de quem o Luxa é fã, está chegando. Veio a calhar, então, o afastamento. Tudo muito nebuloso, como foi também o afastamento do volante Roberto Brum. E como ninguém vem a público com explicações no mínimo plausíveis, dão margem a qualquer tipo de interpretação.

Por fim, o Santo André, que está se despedindo da primeira divisão, vendeu seus jogos "grandes" pra Ribeirão Preto. E o seu torcedor, que não poderá ver os principais jogos em casa? Eles não irão para Ribeirão, a não ser os torcedores ditos organizados. Ora essa, quer jogar num estádio maior, que jogasse no Pacaembu. Agora, vender o mando por qualquer 50 mirréis, é só aumentar um pouco a proposta e combina também o resultado do jogo. O Ramalhão não disputava a primeira divisão desde 1984. Sinceramente, pra fazer o que vem fazendo, sob a batuta do presidente-proprietário (ao menos pensa ser) Ronan Maria Pinto, é melhor nem disputar.

Só não estou mais de saco cheio porque Portugal vai à Copa, Rubinho ganhou e será campeão e a Lusa voltou a ser a Lusa, assim com o glorioso Benfica voltou a ser o que sempre foi: o maior time de Portugal.

E os tremoços estão deliciosos, só para constar.

domingo, 8 de março de 2009

Imensurável



Logo mais, às 18h30, Lusa e Ponte Preta adentrarão no relvado do Canindé para mais uma partida, válida pela 12ª rodada do Paulistão 2009. Para a Macaca, trata-se de um jogo importante, pois briga diretamente com Santos, Santo André, Barueri e a própria Portuguesa pela quarta vaga na próxima fase, já que é quase improvável que Palmeiras, Corinthians e São Paulo falhem às semifinais.

No entanto, pra nós, lusos, esta partida terá uma importância muito maior. Imensurável, digamos, pois estará posta à prova não só as chances de apuramento à próxima fase, como também o confuso planejamento iniciado após o rebaixamento do ano passado.

Após 11 rodadas, o preparador físico Flávio Trevisan será o terceiro (!) treinador a comandar a Portuguesa à beira do gramado. Antes dele, estiveram no cargo Estevam Soares, demitido sob condições absolutamente nebulosas, após o revés frente o Guarani, ainda na rodada de abertura do campeonato. Assumiu, em seu lugar, Mário Sérgio Pontes de Paiva, que estreou com derrota, mas emplacou uma ótima sequência de resultados, chegando a nove jogos sem derrota, ente Paulistão e Copa de Brasil. Após a quebra de tal marca foi exposta uma fragilidade no relacionamento entre o técnico e o grupo de jogadores, já abordado nesta tribuna.



Trevisan ocupará o cargo de forma interina, é verdade, pois não é qualificado para tal, como ele mesmo vem afirmando. A partir de amanhã o comando técnico caberá ao recém chegado Paulo Bonamigo, que terá a incumbência de não só recolocar a Lusa nos trilhos, dando continuidade ao bom trabalho (em termos de resultados) do antecessor, como também será o responsável por comandar a equipe na Série-B, quando tentaremos voltar à primeira divisão do futebol nacional, o que, aliás, deve ser a meta principal da Lusa.

A não ser que seja mantida a inacreditável média de um técnico por mês. Caso isso ocorra, poderemos não voltar, mas ao menos figuraremos no Guiness.