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sábado, 9 de janeiro de 2016

Já é melhor mesmo?

NO PÓDIO Neymar comemora com Suárez golaço marcado no
Camp Nou contra o Villareal. Craque brasuca aparece pela primeira vez
 entre os três postulantes à Bola de Ouro (Josep Lago/AFP)
“O Neymar é melhor que o Cristiano Ronaldo!” Esta frase já pode ser lida por aí, dita por diversas vozes, especializadas ou não. Não importa se, pela primeira vez, o português teve uma temporada pior que a do brasileiro, mesmo que os números individuais apontem o contrário. Não importa também que muito do desempenho de ambos esteja diretamente ligado ao que fizeram suas equipes no ano, como, aliás, seria em qualquer caso.  

Não precisam ter pressa, senhores! Neymar, que tem 23 anos e está em ascensão, mais cedo ou mais tarde será melhor que Cristiano, já com 30 completados e, portanto, mais perto do declínio físico, embora todas as temporadas anteriores tenham mostrado que não.


GRITEM MAIS! Três vezes Bola de Ouro, português cumpre rotina. Ninguém fez
mais golos que ele em 2015 (57), apesar da temporada ruim do Real Madrid.
São cinco anos seguidos a superar a casa dos 50 tentos (Getty Images)
É natural. Neymar será melhor que Cristiano e também, se tudo correr bem, que Messi, cinco anos mais senhor que ele. Da mesma forma que aparecerá algum jovem jogador que irá superá-lo, mais dia, menos dia, pelo simples fato de que o tempo é o melhor marcador de todos os tempos. Mas aí alguém aumentará os decibéis para falar do auge caso este seja um argumento válido.


EXTRATERRESTRE Messi é o favorito para levar a quinta
Bola de Ouro para casa (Alberto Estevez/EPA)
Com o português, porém, não é assim. Mesmo ele tendo sido escolhido o melhor do mundo em três temporadas distintas (por enquanto), como Zidane e Ronaldo, outros astros indiscutíveis. E daí que ele se mantém jogando no mais alto nível desde que despontou para o futebol, na Eurocopa de 2004?

Pode ser, e existem grandes chances disso, que Neymar jamais atinja o patamar que nos últimos anos só Messi e Cristiano Ronaldo atingiram. Para isso. terá que jogar o seu melhor e prolongar o ápice, coisa que, além dos dois extrassérie, talvez só Ronaldo e Zidane (por um período de tempo mais curto) fizeram nos últimos 20 anos. Craques como Van Basten, Romário e
 Ronaldinho Gaúcho não foram capazes de permanecer por tanto tempo no topo durante a carreira toda.

Mas e daí? Neymar já é melhor. E ponto.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ronaldinho, o populismo e o truque do desaparecimento

Jogar para a torcida não é uma prática recente no futebol brasileiro. Aliás, justiça seja feita, não é sequer uma exclusividade do futebol. Exemplos na política existem as montes. A isso chamamos populismo.

Ações populistas são aquelas pouco sensatas, mas que agradam à audiência, ao público, ao povo. Ao torcedor. Uma equipe lá do Rio de Janeiro vinha bem no Campeonato Brasileiro e brigava pelas primeiras posições quando resolveu trazer aquele que havia sido o melhor do mundo por duas vezes e que estava dando sopa no rico, mas desprestigiado, futebol mexicano: Ronaldinho Gaúcho.

Ronaldinho, enquanto levou uma vida de atleta, fez a diferença. Foi assim no Grêmio, no PSG e no Barcelona, onde foi aplaudido em pé pela torcida do Real Madrid, que acabava de destroçar no Santiago Bernabeu. Quando resolveu desfrutar da fama e da fortuna que a bola o proporcionou, virou o fio. Ainda jogou no Milan, mas ambos, ele e o Rossonero, já não eram os mesmos.

REVERÊNCIA Puyol entrega troféu Joan Gamper a Ronaldinho.
Barcelona venceu o amistoso em 2010 (Albert Olivé/EFE)
Prometeu ir para o Grêmio, mas mudou a rota e desembarcou no Flamengo. Veio a conquista do Campeonato Carioca, com direito à barba, cabelo e bigode. Fora de campo, porém, as farras, com direito à barba, cabelo e bigode, não deixaram que ele fosse além de um título estadual. E só. Sem brilho.

A recuperação chegou com a ida ao Atlético Mineiro, onde ajudou o clube a conquistar seu principal título, a Libertadores. Parecia que voltaria a ser o grande jogador que foi até 2005. Só parecia. Foi se esconder no Querétaro, do México. Dou um bolinho de bacalhau para quem conhecia o clube antes de ele ir para lá.

Só que nem lá ele jogou. Eis que aparece o tradicional clube carioca e resolve contar com ele. Diz-se que investiu dois milhões de reais no sonho nababesco de contar com ele. Nove jogos. Nenhum gol. Nada de assistências. Lances mágicos? Só o truque do desaparecimento.

Saiu sem sequer ter chegado. Não vai deixar saudade. Nenhuma. Que ao menos sirva para que os dirigentes, seja do tradicional time do Rio ou outro qualquer, entendam que não há estratégia de marketing que resista à falta de bola. E que Ronaldinho decida se quer preservar o pouco de poético do seu nome ou se quer seguir jogando fora o que fez entre 1999 e 2005.

sábado, 7 de junho de 2014

A primeira Copa de Neymar Jr.

*por Humberto Pereira da Silva


Para a história, para o bem ou para o mal (Correio do Estado)

Quando Dunga anunciou a convocação para a Copa de 2010, duas ausências foram amplamente discutidas: Paulo Henrique Ganso e Neymar. Quando Felipão anunciou os convocados para a Copa de 2014, havia duas certezas: Neymar estaria na lista, mas Ganso não. Com vinte e dois anos, o jogador do Barça disputará sua primeira Copa. Mais que isso, nesses quatro anos ele se tornou o jogador de futebol mais badalado do país. Ganso, tudo indica, mais alguns anos e mal será lembrado.

Antes da Copa do Mundo de 2006, Ronaldinho Gaúcho havia sido eleito pela FIFA, pela segunda vez consecutiva, melhor jogador do mundo. Era não só o melhor jogador do Brasil, mas em torno dele havia uma desmedida idolatria: o craque Tostão, na época colunista esportivo do jornal Folha de S. Paulo, chegou a dizer que Ronaldinho era inferior a Pelé, mas superior a Maradona. Na Copa, Ronaldinho sucumbiu à pressão e fracassou. Jamais se recuperou do fiasco, e hoje vive um final de carreira melancólico, para quem se esperava ficasse abaixo apenas do Rei.

Neymar não vem para essa Copa com o peso que carregava Ronaldinho em 2006. Os holofotes do mundo hoje apontam para Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Vale dizer, em nível mundial, o craque brasileiro hoje não tem o status de estrela de primeira grandeza, e sim de promessa. Mas no Brasil a grande mídia não tem exatamente essa compreensão e o trata como se ele houvesse adquirido, sem a eleição da FIFA, a condição de estrela de primeira grandeza. Para a mídia brasileira, ele está em posição similar a de Ronaldinho em 2006.

Claro, numa Copa disputada no Brasil, e uma possível conquista, Neymar dificilmente perderia a eleição de melhor do ano pela FIFA. Não só confirmaria a expectativa em torno dele, mas daria resposta num ponto crucial na carreira de um grande jogador: a capacidade de suportar pressão e, para além de malabarismo, provar a condição de craque que merece, de fato, figurar entre os maiores da história. Bem entendido, ninguém duvida que ele não seja protagonista numa eventual conquista.

Ninguém duvida também que ele será o principal responsável por uma eventual perda de título. A esse respeito, no Brasil a história é cruel. Jairzinho, o furacão da Copa de 70, foi execrado pela derrota em 74. Isso para ficar num exemplo de memória. E para ressaltar que Neymar, em sua primeira Copa..., tem diante de si uma cobrança enorme. Sem meio termo, ou se coloca entre os maiores ou fica exposto a, em 2018, ser lembrado como um Ganso hoje.

Não se trata de discutir suas qualidades. Não creio que Ronaldinho Gaúcho depois de 2006 tenha desaprendido, ou que não passasse de produto de mídia. Da mesma maneira, não acredito que Neymar seja apenas uma construção da mídia. Trata-se de ver o que ele simbolicamente representa, na comparação com Ronaldinho em seu auge, na expectativa criada.

Neymar jogará essa Copa para ganhar e sair como herói, se inserir no rol dos maiores. Do contrário, dificilmente passará de um jogador entre tantos, um Jairzinho, um Ronaldinho Gaúcho qualquer... Mas, perguntaria alguém um tanto irritado: Cristiano Ronaldo, melhor do mundo pela FIFA ano passado, não jogaria sob pressão maior, ora pois?

Portugal não disputa Copa do Mundo com responsabilidade de conquista; no melhor cenário, chega às semifinais. E aqui eu ironizo Tostão: se Portugal chegar entre os quatro, Cristiano Ronaldo restará para a história abaixo de Pelé, mas acima de Eusébio. Ninguém duvida que se isso ocorrer ele será o protagonista.

*Humberto Pereira da Silva, 50 anos, é professor 
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Símbolo de uma geração

* por Fabio Venturini

Luis Fabiano é expulso por reclamação após o fim do jogo no empate
contra o 
Arsenal (ARG). O atacante desfalcaria a equipe por quatro jogos
na Libertadores 
de 2013 (Marcelo Machado de Melo/Foto Arena)

Marcos Teixeira, o editor do Bola de Bigode, provocou-me um dia após a eliminação do São Paulo Futebol Clube na Libertadores de América 2013 a escrever sobre o avançado Luís Fabiano, futebolista muito amado e igualmente contestado nas arquibancadas do Morumbi.

Fui obrigado a aguardar para não deixar a emoção do momento (estava puto mesmo) me induzir a injustiças. Depois de algumas semanas vamos direto ao assunto: o camisa 9 tricolor é sim pipoqueiro e o artilheiro dos gols inúteis. Ponto.

Quem quiser discordar, por favor, relembre um único jogo grande em que Luís Fabiano Clemente foi fundamental para a vitória. Por outro lado poderia mostrar milhões de contusões a lá Valdívia, suspensões estúpidas, expulsões cavadas e apatia associada a icterícia no São Paulo, no Porto, no Sevilla e na Seleção Brasileira.

Juro, torci muito por ele e tentei ser paciente na última década, mas desisti. É o que este rapaz construiu em mais de dez anos de carreira, não apenas em 2013. Mas também devo ser justo: ele é apenas mais um numa geração inteira de pipoqueiros de brilho em partidas inúteis.
 

Contra o River Plate, outra vez após o final do jogo, nova expulsão. 
O jogador não pode bater o pênalti na decisão, e o São Paulo seria
eliminado na Copa Sul-Americana de 2013 (Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)


Desde quando a bola se tornou redonda sobre os gramados brasileiros, as gerações de craques se sucederam, conheceram-se e ajudaram os novos talentos que surgiram posteriormente. Leônidas conheceu a geração de 1950, que conheceu Pelé, que conheceu Rivelino, que conheceu Zico, que conheceu Careca, que conheceu Romário, que conheceu Ronaldo, que conheceu Kaká, Robinho, Adriano, Ronaldinho, Diego e Luís Fabiano, que não conseguiram conhecer ninguém.

A um ano da próxima Copa do Mundo, em casa, o mister Luís Felipe precisa remendar um time cujo protagonista é um rapaz tão habilidoso no futebol quanto nos saltos ornamentais, de apenas 21 anos e sem nenhum experiente para dar respaldo, dividir experiência dentro do relvado e chamar a responsabilidade.

Pelé e Garrincha foram para a Copa de 1958 para serem reservas.

Os veteranos, aqueles que seriam o elo de ligação entre Romário, Ronaldo, Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos com a geração de Neymar, Oscar, Lucas e Leandro Damião estão todos em uma espécie de aposentadoria ativa sem terem em seus currículos grandes e decisivas atuações. São tão ricos e competitivos quanto Rubens Barrichello.

O único desta geração com poder de decisão, mas que jogou a carreira (de futebol) fora foi Adriano. Os demais têm, no máximo, uma atuação decisiva quando ainda tinham alguma ambição.

Robinho decidiu a final do Brasileirão de 2002, e vive das pedaladas sobre Rogério até hoje.

Kaká foi protagonista em uma partida contra o Manchester United na UEFA Champions League de 2007 e, por ser educado e disciplinado, tem mais reconhecimento pelo título do que os experientes e decisivos Seedorf, Pirlo, Shevchenko, Nesta, Maldini, Dida, Gattuso e Cafu.

Ronaldinho decidiu contra a Inglaterra na Copa de 2002 e nada mais fez nos onze anos seguintes a não ser imitar uma foca com a bola contra adversários pequenos e sumir na hora agá.

Diego decidiu um jogo ganho nas semi do Brasileirão de 2002.

Luís Fabiano, por azar (ou mérito) conseguiu ser inútil em absolutamente todas as decisões que disputou, isso quando o fez, por isso é mais perseguido até pela própria torcida da camisa que defende.

Todos eles saíram brigados dos clubes que os revelaram, cuspindo nos pratos que comeram.

O merecido azar de não possuir no currículo aquele solitário embate que faz seus defensores terem um mísero argumento para apoiar a sua defesa fez com que, injustamente, Luís Fabiano Clemente sofresse sozinho pelo rótulo de pipoqueiro.

Em vez de ser reconhecido como o artilheiro dos gols inúteis deveria ostentar o cetro real de majestade e símbolo de uma geração talentosa, rica, idolatrada, mimada, ingrata e inútil.

* Fabio Venturini é jornalista.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

É, rapaz, pintou o campeão!

Começo a escrever este texto exatamente dez minutos após o fim dessa fantástica partida entre Clube Atlético Mineiro e Tijuana. E esses dois times protagonizaram um dos momentos mais emocionantes do futebol mundial nas últimas temporadas. A defesa do Victor na penalidade máxima cobrada pelo colombiano Riascos, já nos minutos finais, emocionou qualquer apaixonado pelo futebol.

E para chegar tão perto de eliminar a melhor equipe da Libertadores, o Tijuana demonstrou um futebol típico de um grande time. Pressionou o Atlético desde os primeiros segundos (aos 12, Victor já fazia bela defesa) e assim ainda com certa catimba e malandragem conseguiu enervar o já apressado Atlético Mineiro.

Com isso, a maravilhosa torcida do Atlético ficou preocupada e os cantos otimistas, positivos e animados começaram a dar lugar a um clima de insegurança. A coisa ficou pior depois que o mesmo Riascos marcou um belo gol.

A situação ficou feia, mas foi com uma das principais jogadas do Galo desde que o técnico Cuca assumiu o time há a aproximadamente dois anos atrás, que veio o alívio: a bola parada. Cruzamento de Ronaldinho, falha da zaga mexicana e o gol do zagueiro-artilheiro Réver. 

Os últimos 45 minutos foram nervosos e tensos. Um lá e cá daqueles que mostram o quanto essa tal Libertadores consegue ser sensacional. Bernard caiu de rendimento, Luan entrou em campo e teve a oportunidade matar o jogo e não o fez. E veio o castigo: chutão para frente, bola sobra dentro da área e Leonardo Silva, afobado, comete pênalti no atacante mexicano.

Confesso que me revoltei, não era justo um time tão aliado a sua torcida, com um futebol tão vistoso e vibrante, ser eliminado de uma forma tão deprimente. Eis que o deuses do futebol mostraram que a história ainda teria um último herói.

“PEGOOOOOOOOOOOOOOU!” todos que torciam pelo Galo gritaram. A defesa de Victor fez as lágrimas de atleticanos, no Independência ou não, caírem de uma forma copiosa. Foi coisa do outro mundo, fantástica e histórica.



O Tijuana conseguiu valorizar ainda mais a classificação do Atlético Mineiro. Dessa vez o perdedor não morreu no horto como diz o canto da torcida. Caiu de pé. O futebol venceu, o Brasil venceu e essa torcida maravilhosa do Clube Atlético Mineiro venceu.

E se tem um time que está vivo, aliás vivíssimo, esse time é o Galo. Um time com cara de vencedor. Uma legião de apaixonados que sabem que esse é o Clube Atlético Mineiro, o Galo forte, vivo e, é claro, vingador.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Duelo de pentacampeões mundiais


O jogo por si só já chama a atenção: clássico brasileiro já na estreia da fase de grupos na Taça Libertadores da América. Mas, existem outros ingredientes que também não poderão ficar de fora do jogo de hoje entre Atlético-MG e São Paulo, no estádio Independência, às 22h00.

Para quem não se lembra, quatro jogadores que defendem hoje o Atlético-MG e São Paulo foram campeões com o Brasil em 2002: Rogério Ceni, Lúcio, Gilberto Silva e Ronaldinho Gaúcho. Chato isso, não?

De 2002 para cá muita coisa mudou, jogadores conquistaram títulos, trocaram de clubes, (a não ser para Rogério Ceni, que não troca o São Paulo Futebol Clube por nada nesse mundo). Mas fora isso, Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, hoje defendendo o Galo, foi duas vezes eleito o melhor jogador do mundo (2004 e 2005); campeão da Liga dos Campeões (2005-2006), todos defendendo o Barcelona-ESP.

Tem o Gilberto Silva, também defendendo as cores preto e branco, com passagens por Arsenal-ING e Panathinaikos-GRC, conquistando títulos como a Premier League: 2003/2004 e o Campeonato Grego, em 2010, e que volta a disputar o torneio Sul-Americano, o último pelo próprio Galo, em 2000.

Outro jogador que disputará pela primeira vez a competição é o xerifão Lúcio, do São Paulo. Para quem já disputou campeonato alemão, italiano, conquistou a Liga dos Campeões com a Inter de Milão (2009-2010), será interessante vê-lo jogar, já que o mesmo sempre demonstra raça em campo, o que é preciso ter na Libertadores.

Mas não posso deixar de citar o arqueiro Rogério Ceni. Se o mesmo não possui experiência jogando em times fora do Brasil, essa ele tem na Libertadores. Já levantou dois canecos em 1993 e 2005, amargou o vice em 2006, sabe como se comportar em partidas Sul-Americanas com catimbas e discussões. Dos quatros citados, de longe o goleiro tricolor sai na frente no quesito Libertadores da América.

                 Campeões do Mundo com o Brasil em 2002 (Montagem Globoesporte.com)

Duelos a parte, é um jogo que tem tudo para encantar o torcedor mineiro e tricolor, com belas jogadas, belas defesas e belos desarmes. Difícil será um empate hoje, e mesmo perdendo, ambos devem se classificar para a próxima fase do campeonato. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Hora de recomeçar

Ontem, no Rio de Janeiro, o técnico Felipão fez sua primeira convocação nesta sua segunda passagem da Seleção Brasileira. Foram dez anos longe do comando do escrete nacional. Dez anos em que o Brasil sequer chegou próximo do título mundial, caindo nas quartas-de-final em 2006, aos pés do gênio Zidane, e 2010, ante a Holanda de Sneijder.

Naquele time de 2002, brilhava, mesmo como coadjuvante, com a camisa 7, um jogador que ajudou o Brasil a ganhar o pentacampeonato. Depois, Ronaldinho Gaúcho passou a ser o 10, ganhou o status de melhor do mundo e grande nome do time, mas nunca correspondeu, tanto que acabou preterido no último mundial, mesmo sem jogadores mais gabaritados na criação. 

Com toda a confiança do chefe, com quem viveu seus melhores dias com a camisa amarela, o meia do Atlético Mineiro parece ter a chance de se firmar novamente na equipe nacional, coisa que não conseguiu com Dunga e Mano Menezes. Mas terá que mostrar serviço e tirar das costas de Neymar o peso de ser o responsável em campo pelas vitórias.

No mais, o retorno do goleiro Julio César, do pequeno Queens Park Rangers, que pode recuperar a titularidade na equipa, a primeira convocação do ótimo Dante, que vive excelente momento no Bayern e, a ressaltar, a ausência de Kaká, outro pentacampeão com Felipão, mas que não tem sido aproveitado no Real Madrid.

Outro recomeço, este muito mais importante, terá lugar em Monte Azul Paulista, cidade da região de Ribeirão Preto e que dista cerca de 420 quilômetros do marco zero da capital paulista. Será também o ponto de partida do tão previsível quanto obrigatório retorno da Portuguesa à elite do futebol estadual.

Contra o Monte Azul, a Lusa será comandada pela primeira vez pelo técnico Péricles Chamusca, que ganhou notoriedade ao ser o improvável campeão da Copa do Brasil de 2004, pelo Santo André. Chamusca chega após anos de futebol árabe, mas com o discurso de um time que valorizará a posse de bola e a velocidade. 

Ele, que fez estágio no Barcelona, terá nas mãos a mesma base que, a muito custo, manteve a Lusa na elite do futebol nacional, sem o goleiro Dida e o volante Léo Silva, que deve ser a ausência a ser sentida, mais até que o experiente goleiro. No entanto, com os poucos, mas pontuais reforços que chegaram, tem tudo para sobrar na Série A2.    

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ressurreição emergencial



Mano Menezes respira. O contestado treinador do escrete canarinho ganhou uma sobrevida após os últimos amistosos, sobretudo no de hoje, diante do Iraque. Não que o time do brasileiro Zico seja um adversário digno de testar até onde vai a evolução do time brasileiro, tampouco que Mano seja o único treinador questionado ou questionável da história da Seleção. A propósito, sofrer a saraivada de críticas é algo inerente ao cargo.

Mano Menezes, além da sua sabida limitação tática, assumiu o time nacional num dos maiores períodos de entressafra da história. Nunca a Seleção ficou órfã de jogadores experientes como está agora. Ou ao menos estava, agora que Kaká está de volta e caso ele tenha uma boa sequência de jogos, inclusive no Real Madrid, poderá ser este homem de quem tanto necessita a equipa nacional. Os grandes nomes da história do futebol brasileiro sempre foram amparados quando chegaram no escrete nacional. Pelé era um menino imberbe, que tinha em nomes como Nilton Santos, Djalma Santos, Didi, Zito e Gilmar seu porto seguro. Assim também com Zico, Romário e Ronaldo.


A maior diferença que pode ser vista no Brasil, independentemente da parte técnica e tática, é que com Kaká no time Neymar tem com quem dividir responsabilidades. Mais que isso, a joia do cabelo estranho e do futebol acima da média agora tem uma referência, alguém para o socorrer quando a vaca tupiniquim estiver deitando.

Mais que Neymar, Mano ficou órfão dessa referência. Ronaldinho Gaúcho, como era de se esperar, negou fogo. Ronaldo parou. Mesmo sem experiência, Ganso, que mais parece um veterano de tão calmo, também não esquentou lugar, muito por suas limitações físicas. Com Kaká em forma, o selecionador terá mais que uma reserva técnica: terá alguém para ser o condutor do time em campo.

Aí, sim, ele terá todas as condições de continuar sendo contestado e mostrar se merece estar na beira do campo em 2014.   

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um trabalho sujo

* por Vinícius Carrilho

Um dos grandes sucessos da TV mundial é o programa Trabalho Sujo, apresentado e produzido por Mike Rowe. No Brasil, a série é transmitida há tempos pelo canal pago Discovery e também pela TV Bandeirantes, porém, neste último canal, em pequenos trechos. A ideia do programa é simples: mostrar os piores empregos do mundo.

Toda esta apresentação foi necessária para que de fato começasse a desenvolver o assunto inicial deste texto. Se algum dia encontrasse Mike Rowe pela rua, daria uma sugestão de emprego para que ele colocasse em seu programa. Sem dúvidas, falaria ao americano que uma das piores profissões do mundo é ser técnico da Seleção Brasileira de Futebol.

Escolher os melhores jogadores do Brasil parece ser um trabalho fácil, porém torna-se um verdadeiro martírio quando se tem mais de 190 milhões de patrões, sendo que a grande maioria é de uma incoerência digna de estudos. A começar pelo fato de que todos batem no peito e dizem não estão nem um pouco interessado na Seleção Brasileira, porém não é bem assim que as coisas são.

Comece pensando nos acontecidos pós Copa do Mundo de 2002. Parreira assumiu a Seleção Brasileira após um grande trabalho no Corinthians. Credenciado por sua longa carreira no futebol, tinha em mãos uma equipe repleta de bons jogadores, todos já com bagagem no mundo da bola. Reeditando a dupla tetracampeã do mundo com Zagallo, o treinador viu seus comandados conquistarem uma vitória heroica na Copa América de 2004 e ressurgirem das cinzas na Copa das Confederações de 2005, passando por equipes como Alemanha e Argentina após uma derrota para o México e um empate com o Japão na primeira fase.

Chegou então o ano de 2006 e o Brasil aparecia como a melhor equipe da Copa do Mundo da Alemanha, muito pelo chamado “quadrado mágico”, formado por Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo por duas vezes; Kaká, grande estrela do Milan; Ronaldo, o fenômeno e herói da última Copa do Mundo; e Adriano, ainda considerado o Imperador de Milão. Parreira não titubeou, atendeu ao apelo de seus 190 milhões de incoerentes patrões, que na época exaltavam essa grande equipe, e os colocou em campo. Porém, a magia do quadrado desapareceu e o Brasil acabou eliminado daquela copa por um gênio, que atende pelo nome de Zinedine Zidane. A partir deste momento, todas as conquistas anteriores foram esquecidas e então Parreira, de grande criador do quadrado mágico, passou a ser considerado velho demais por seus patrões. Resultado: deixou o comando da Seleção Brasileira.

Os patrões, que clamavam por renovação na comissão técnica e no time titular, tiveram mais uma vez seu pedido atendido. Dunga, em seu primeiro trabalho como treinador, chegava ao comando da Seleção Brasileira e promovia uma renovação moderada. Nomes conhecidos, como os de Júlio César, Lúcio e Kaká receberam a companhia de nomes até então desconhecidos, como os de Afondo Alves e Felipe Melo. A pressão sob o treinador começou aí e ele foi resistindo, vencendo a Copa América e a Copa das Confederações. Chegava então 2010.

A Copa da África do Sul começou com algum susto para o Brasil, após uma vitória magra por 2 a 1 sobre a Coréia do Norte. Na sequência, um trunfo sobre a Costa do Marfim e um empate com Portugal deram ao time o primeiro lugar do grupo. Nas oitavas, o Chile foi presa fácil e então chegou a Holanda. Com uma falha de Júlio César e uma expulsão de Felipe Melo (que antes havia dado a assistência para o gol de Robinho), a Seleção Brasileira estava mais uma vez fora do mundial e os dias de Dunga, que acabava de perder seu primeiro campeonato profissional, contados. Os patrões demitiam mais um treinador.

Então era a vez de Mano Menezes desempenhar um dos piores trabalhos do mundo. Vitorioso no Corinthians, o jovem treinador chegava credenciado também pelo trabalho realizado do Grêmio, anos antes. Os patrões, mais uma vez, clamavam por renovação e Mano atendeu, trocando praticamente todos os outros antigos convocados do último mundial. A safra de atletas era uma das mais fracas dos últimos tempos, porém a média de idade do time caiu consideravelmente.

Em campo, o técnico colocou o que havia de melhor e todos os jogadores em suas posições de preferências, da forma como atuam em seus respectivos clubes. Até então se passaram dois anos desde a contratação de Mano e em duas competições (sendo uma os Jogos Olímpicos, formado por jogadores Sub23), duas derrotas.

Mais uma vez os patrões não perdoam e pedem o cargo do treinador, que realiza exatamente o que antes era pedido a ele. Mano Menezes sabe que a paciência dos inconstantes donos da Seleção Brasileira se esgotará em seu próximo revés e a Copa do Mundo de 2014, antes meta imposta ao mesmo, pode ser vista apenas pela televisão. A última reclamação por parte dos patrões foi a convocação do goleiro Cássio, considerado o melhor arqueiro da Copa Libertadores da América de 2012. Acusam o técnico de ter convocado o jogador por ele ser empresariado por Carlos Leite, também empresário de Mano Menezes.

É por essas e outras que indicaria este cargo para o programa de Mike Rowe. Parece ser impossível conseguir agradar tanta gente que não suporta uma derrota ou a ideia que seu produto já não tem mais a qualidade de outros tempos. Parece impossível imaginar que algum dia, após tantas atitudes tomadas e pouco resultado final, passem os patrões a entender que deve ser cobrado aqueles que de fato fazem o jogo, dentro das quatro linhas. E se encontrasse Mano Menezes, acho que apenas diria para ele: “mas que trabalho sujo esse que você arrumou, hein mano?!”.

* Vinícius Carrilho tem 21 anos, é estudante de Jornalismo, 
morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida fazendo humor, 
mas escreve melhor do que conta piada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cavalo paraguaio?



* por Douglas Sato

Desde o momento em que o Atlético Mineiro, o Galo, assumiu a liderança da Série A do Campeonato Brasileiro, houve muito receio e desconfiança por grande parte de mídia especializada. E não é por acaso, sejamos sinceros. A equipe de Minas Gerais não realizava uma campanha de destaque há um bom tempo. Porém, desta vez, contrariando todos os prognósticos, o que se vê é um time conciso, forte e sem grandes valores individuais, e que vem rendendo e liderando o principal campeonato nacional de futebol do Brasil.

Existem pessoas que possam creditar a boa fase ao jovem Bernard. E não estarão erradas, mas dizer que ele é o único é um erro. O mais certo é que ela funciona muito bem coletivamente, com boas opções em campo e no banco de suplentes. Em todos os jogos do certame nacional a equipe vem funcionando. O jovem Bernard é sem dúvida um atleta a se notar e, talvez, um dos mais selecionáveis. Creio que não seria uma má idéia o selecionador nacional, Mano Menezes, dar ao atleta uma chance, já ele vem fazendo por merecer.

O zagueiro Leonardo Silva de longe não é nenhum defensor que faça frente aos grandes da sua história como Luizinho e Vantuir, entre outros, mas a fase é tão boa que uma simples espanada da defesa para o ataque pode resultar em gol. E os laterais não fogem a este pensamento, Junior Cesar é um motorzinho nos cantos do campo. Já Marcos Rocha faz o seu papel, sem brilhantismo, mas com eficiência.

Grande incógnita no início da temporada, Renan Ribeiro saiu debaixo das três traves, e entrou em cena, apesar de uma transferência as pressas, o goleiro Victor, que já esteve na seleção e é um goleiro seguro, algo que a equipe buscava há muito tempo. Finalizando o setor defensivo, o defensor Rever entra a mesma linha do arqueiro: vestiu a canarinha e demonstra muita sapiência.

No meio de campo, os volantes Pierre e Leandro Donizete são os cães de guarda, diga-se de passagem, bem eficientes na contenção. Não são fantásticos e nem estão entre os melhores do setor, porém nem precisam ser: são excelentes taticamente para a equipe mineira e isso é o que importa.

Os ofensivos Bernard, Danilinho e Ronaldinho Gaúcho formam a tríade de ligação atrás do ataque. Os três, mesmo que às vezes apagados, vão desempenhando papéis muito bons, especialmente R49 e Bernard. Todos sabem que o melhor jogador do mundo pela FIFA por duas vezes, não é mais aquele do Barcelona, mas hoje é um jogador muito útil ao Atlético Mineiro, em lampejos de criatividade e decisão. Abertos pelas alas, Bernard e Danilinho dão a rapidez, agilidade e habilidade. E no ataque Jô, que não é um artilheiro dos mais regulares, vem se consolidado na função de matador da equipe.

No comando, o experiente e por vezes desacreditado Cuca, que mesmo não alcançando nas equipes que passou o resultado esperado, no Atlético possui o elenco na palma de sua mão. Soube domar R49 e deu a equipe ritmo e padrão de jogo, tanto que neste nacional possui apenas uma derrota, para o São Paulo, no Morumbi.

Atualmente, o Atlético Mineiro é indiscutivelmente o melhor time do campeonato. Não só pelo time, mas pelos números que comprovam. Depois de jogadas 18 rodadas, lembrando que a equipe mineira tem um jogo com o Flamengo atrasado e, por isso, tem só 17 jogos, mesmo com esta partida a menos a equipe de Belo Horizonte tem um aproveitamento de 82,4%, com 42 pontos até aqui.

Nada disso significa que o Atlético Mineiro levantará o caneco. Pode ser que sim, como pode ser que não. O que já dá para fazer é parar chamar o Galo Mineiro de cavalo paraguaio. A essa altura do campeonato, com tantas partidas acirradas, com um time tão sólido e uma campanha tão impressionante, não é mais possível dizer que o Atlético não brigará pelo título.


* Douglas Sato tem 23 anos, é músico e estudante de Jornalismo 
(nesta ordem) e, nas horas vagas, é imitado pela dupla Cesar Menotti e Fabiano

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Brazil de Mano Menezes

Ontem a seleção da CBF entrou em campo para enfrentar a Bósnia. De forma equivocada, criou-se a expectativa de que o time canarinho enfrentaria um time qualquer. Não, a Bósnia-Herzegovina não é um time qualquer. O time dos leste europeu vem da escola iugoslava, do toque de bola, da movimentação. Não à toa, na época em que o principal jogador do time era o atacante Mijatovic, eram chamados de brasileiros da Europa.
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Desgraçadamente, o time que tocava a bola em campo não era o Brasil. Para isso, o time tem que ter um setor de meio-de-campo capaz, técnico, criativo e, sobretudo, bem orientado e interessado. E esses adjetivos não foram vistos. Não só ontem, mas desde que Mano Menezes é o selecionador.
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A seleção, com caixa baixa mesmo, foi armada com dois volantes de boa marcação, Sandro e Fernandinho, e três jogadores responsáveis por municiar e se aproximar do único avançado no relvado, Leandro Damião. Na direita estava o laziale Hernanes, volante de origem; na esquerda, o santista Neymar, mais atacante que armador, e no meio, o flamenguista Ronaldinho Gaúcho, o único meia de verdade.
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Até aí tudo bem. Só até aí. Os dois volantes são marcadores e nada mais que isso. Hernanes ficou segregado ao flanco direito o tempo todo, quase não participando do jogo. Neymar corria pelo campo todo, mas sem o brilho habitual, e, no ponto nevrálgico, o núcleo, estava o habitual buraco onde deveria estar Ronaldinho Gaúcho.
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Não é o mesmo Ronaldinho de sempre. Outrora ele brilhava em jogos menores. Hoje, nem isso. Não é sequer o rascunho do brilhante e participativo meia que encantou a torcida culé, em Barcelona. Não produz, não dribla, não busca jogo, não é absolutamente nada. Não que na Seleção fosse muito mais que isso, mas ele atenta contra sua própria história no futebol.

O time do Mano não tem criação. É na base do pego-a-bola-e-saio-correndo. Não se valoriza a posse de bola, o drible, o próprio Brasil. É um Brazil à inglesa, do kick’n run o mais ordinário possível. Só depois que Ronaldinho saiu é que Brazil se aproximou do Brasil.
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Justiça seja feita, também saíram Hernanes e Sandro, mas o camisa 10, ou melhor, a camisa 10, pesa mais, é simbólica. E Ronaldinho é o símbolo do time de Mano Menezes. O time do Brazil de Mano Menezes. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Em busca do que não tem

A diretoria do Flamengo viaja nesta semana para a Rússia tentando dar um fim a novela Vagner Love. O vice de finanças, Michel Levy, se encontrará com o presidente do CSKA Moscou para fazer uma oferta de sete milhões de euros (basicamente R$ 15,9 milhões), mas o time de Moscou vai fazer jogo duro e não irá vender por menos de dez milhões de euros (R$ 22, 8 milhões).

Essa novela vem acontecendo desde o ano passado, quando Vagner Love falou abertamente que gostaria de voltar ao time carioca, que defendeu em 2010. No final de 2011, o Rubro-Negro pagaria a quantia pedida pelos russos em cinco parcelas, mas o presidente do CSKA a recusou.

Faz um tempo que venho acompanhamento com mais atenção o desenrolar dessa negociação, e fico analisando o valor que o Flamengo oferece para contratar o "artilheiro do amor". E, a partir disso, vem a pergunta: como o clube consegue essa quantia de dinheiro e depois não consegue pagar o salário do jogador? Investidores entram na negociação? Será amor o que Vagner Love sente pelo Flamengo, mesmo sabendo que o clube não paga em dia os salários dos atletas? Pode ser. Mas, a questão é: por que contratar jogadores caros sendo que depois a diretoria não consegue manter o que faz os jogadores darem risada?

Os casos mais recentes são dos jogadores Alex Silva, Renato, Felipe e Deivid, onde até os direitos de imagem foram atrasados. Os salários de Ronaldinho Gaúcho também estão atrasados, mas são por questões contratuais: o Flamengo deixou a cargo da empresa do Ronaldo "fenômeno", 9ine, a parte publicitária do jogador quando seria a Traffic quem usaria a imagem do atleta, sendo assim, a Traffic deixou de pagar praticamente o salário inteiro do jogador nesses três últimos meses.

Situações assim denigrem a imagem do clube, não adianta coisa alguma ter a maior torcida do Brasil e ser um dos principais clubes do país sendo que a imprensa sempre solta para o públco futebolístico a quantidade de meses e salários não pagos pela diretoria Rubro-Negra.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Terça-feira gorda

Em um dia de tantos assuntos, não poderia ficar apenas comentando o jogo da Lusa. Teve a lei da mordaça, implantada pelo Felipão, no Palmeiras, a suíte do pedido de dispensa do Mário Fernandes do time caseiro da CBF, a rodada da Champions, com direito à ressurreição do Kaká, a vitória do Benfica e a esperadíssima falta de profissionalismo de Tevez, no City.


Começando pelo Palmeiras, onde todo mundo grita e ninguém tem razão, não por falta de pão, mas de controle, Luís Felipe Scolari baixou determinação proibindo declarações dos jogadores à imprensa. A desculpa, esfarrapadíssima, por sinal, é que assim evita-se declarações polêmicas de alguém do grupo antes do jogo contra o lanterna América Mineiro.


O estopim foram as declarações do atacante Kléber, que reclamou de o time só fazer golos de bola parada. Falando em golos, o Gladiador não os marca há 100 dias. Muita resenha, pouca bola e nenhum respeito pelos companheiros. Felipão, perdido, não percebe que não será amordaçando o elenco que resolverá o problema. O buraco é muito mais embaixo: está na politicagem do clube, onde todo mundo manda, ninguém obedece e é o próprio Palmeiras quem perde com isso.


No Grêmio, Mário Fernandes voltou aos treinos um dia após dar uma bica na seleção caseira da CBF. Tudo o que tinha que ser dito a respeito o foi ontem. A vida segue, o lateral gremista terá outras chances com a camisa amarela e a seleção continuará agonizando na banalização promovida pela própria CBF, que conseguiu a proeza de transformar um Brasil x Argentina em um Araçatuba x Paysandu, só para manter as cores dos fardamentos.


Indo para o Velho Continente, rodada nobre pela Liga dos Campeões, com destaque para a vitória do meu Benfica (apenas porque é meu time), contra o romeno Otelul Galati, a ressurreição do futebol de Kaká na vitória madridista diante do Ajax, em dia de show do trio Ronaldo-Kaká-Benzema, e de mais uma molecagem do argentino Carlitos Tevez, que se recusou a entrar em campo na derrota do nanico endinheirado Manchester City para o enorme e fortíssimo Bayern de Munique.


A atuação do meia merengue é um alento para a Seleção, pois não há um meia sequer capaz de segurar o rojão. Kaká pode ser esse homem. Ganso é uma incógnita e Ronaldinho Gaúcho liderando o Brasil é uma piada de gosto extremamente duvidoso.


Em Munique, Tevez fez o que sempre fez: deu uma banana para o contrato que assinou e forçou, mais uma vez, a saída de mais um clube, como já fez no Boca, no Corínthians e no Manchester United. O clima é insustentável e o treinador Roberto Mancini disse que, com ele, Carlitos não joga mais. Agora ou o City o vende por um preço bem baixo ou vai ficar rasgando dinheiro com um ótimo jogador (e péssimo profissional) mofando, encostado.


Para fechar o dia, nada melhor que mais um espetáculo da Lusa. De manto novo e futebol à moda antiga, atropelou o Goiás no Canindé e abriu seis pontos do Náutico, segundo colocado. Rogério, Henrique e Marcelo Cordeiro marcaram, numa noite em que o maestro Marco Antonio desfalcou a equipa e Edno perdeu um comboio de golos, mas participou de dois dos que foram anotados. Mais Barcelusa do que nunca, o grená da camisa nova combina perfeitamente com o azul do céu que cobre as águas calmas que a nau lusitana navega em busca do porto seguro da primeira divisão.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Me engana que eu gosto

No fim da década de 1970 havia um ditado que rezava que "quando a Arena vai mal, mais um no Nacional; quando a Arena vai bem, mais um também" para explicar o inchaço do número de times no Campeonato Brasileiro, além de demostrar como os dirigentes, politicos ou dos clubes, usavam o futebol como instrumento de manobra.

Os políticos não usam mais a bola com tanta frequência por conta de uma mudança no comportamento do eleitor. Já os dirigentes dos clubes continuam useiros e vezeiros da prática, já que os torcedores se prestam ao papel de massa de manobra. No lugar de clubes no Nacional, contratações de impacto para o clube, mesmo que o caixa não suporte tamanha estripulia.

Pior que isso, não há critério técnico algum. O negócio é dar munição para os torcedores mais bravateiros fanfarronearem com os rivais. E ele, torcedor, aceita de bom grado, invariavelmente, mesmo que o risco de o negócio fazer água seja iminente.

Vejam o Palmeiras, em 2008: time redondinho, Jorginho, hoje na Lusa, com uma campanha irrepreensível. E o que fizeram? Além da troca pelo Muricy Ramalho, trouxeram o Vagner Love para o ataque, sem a menor necessidade. No caso do técnico, Muricy tinha história suficiente para justificar sua chegada ao Palestra. Já o Artilheiro do Amor, além de brilhar em uma Série-B, em 2003, nunca fez nada que justificasse o empenho para trazê-lo. Deu em nada, é claro.

Agora fazem a mesma coisa com o Valdívia. El Mago, como é chamado, nunca jogou o que pensam (ou ele mesmo pensa) que joga. Um ou outro lance esporádico, um ou outro chute no vazio, um ou outro gol e um ou outro dia fora do Departamento Médico do clube. E custou €7 milhões ao cofres do Palestra, que acaba de perder a chance de recuperar parte do investimento ao não negociá-lo com um Al qualquer coisa de algum país do Oriente Médio.

São Paulo e Corínthians contrataram o Imperador Adriano, mesmo com toda a fama de jogador-problema que o atacante tem. Ele alterna jogos fabulosos com confusões homéricas, o que põe em risco o alto investimento que se faz ao contratá-lo. Além do mais, se não estiver fisicamente nos cascos, Adriano não passa de um jogador comum, mas com um chute muito forte. Lesionado assim que chegou ao Parque São Jorge, ainda não entrou em campo.

Agora é a vez de Luis Fabiano, que nunca ganhou nada de relevante no clube e sempre negou fogo nos jogos grandes, ser a bola da vez. Foi recebido por mais de 40 mil ensandecidos tricolores no Morumbi, se machucou e ainda não estreou. Pela história no clube do Jardim Leonor, não espero muito dele.

Mas a cereja do bolo está no Flamengo: Ronaldinho Gaúcho foi disputado a tapa por Palmeiras, com quem estaria apalavrado, Grêmio, que o revelou, e Flamengo, que acabou levando a melhor. Ou a pior, pois o ex-melhor do mundo até agora não justificou os milhões de reais tirados sabe lá Deus de onde para trazê-lo. Alguns golos, o título carioca, mesmo sem ter brilhado no campeonato e bons jogos enquanto o Rubro-Negro esteve bem como um todo, o que lhe valeu a volta à Seleção, onde jogará o mesmo de sempre. Agora o Flamengo, que ficou invicto por quase sete meses, está em queda-livre e ele se esconde em campo.

Aí o torcedor, que ria feito uma hiena, amaldiçoará o que meses antes havia abençoado. Mas não tem nada não. É só trazer mais um jogador com muito nome e pouca bola, que o pessoal da arquibancada continuará dizendo "me engana, que eu gosto".

domingo, 18 de setembro de 2011

Sem sal e sem açúcar

* por Thiago Albino


No estádio Mario Kempes, em Córdoba, na última quarta-feira, jogaram as duas seleções de maior rivalidade mundial, por que não? Ambas só convocaram jogadores que atuam no próprio país, e claro, a Argentina veio com um elenco onde não tinha um jogador de destaque.

Como o Brasil é o país do futebol, seria estranho se a amarelinha não entrasse em campo com pelo menos um grande talento. Por isso, por falta de um, entraram dois: Ronaldinho Gaúcho, aquele que sempre fica devendo com o manto verde e amarelo, mas joga bem nos clubes por onde passa, e Neymar, a grande jóia brasileira, o que pode vir a ser melhor que Ronaldo “fenômeno”, segundo alguns comentaristas esportivos, que agora não vem ao caso.

É engraçado usar esse titulo se tratando de seleção brasileira. Mas, o que ficou no Superclássico entre Argentina x Brasil foi isso: um jogo sem tempero, sem aquela velha emoção que se sentia quando a canarinho entrava em campo, onde o placar foi um misero 0x0.

Enfim, com essa renovação entre os jogadores, fiquei esperançoso e ansioso para ver os jogos da Seleção Brasileira e o velho futebol arte de volta, o que não acontecia de 2003 até 2010. Agora, se for para a seleção jogar do jeito que está, chama o Zico, Rivelino, Bebeto, Romário que eles darão conta do recado.

O time não tem jogada trabalhadas, não tem ofensividade, joga o básico, com medo de errar. Por isso admiro Leandro Damião, um rapaz de personalidade, que arrisca, joga sem medo. Apesar de achar que o Borges também mereça uma chance.

Procuro entender porque o moço de Passo do Sobrado, no Rio Grande do Sul, não coloca o Lucas como titular, nem se quer o coloca para jogar 30 minutos das partidas. Convoca jogadores que não acrescentam em nada, só estão lá pelo nome: Ronaldinho Gaúcho, Kleber, Robinho e por ai vai.

Portanto, abra o olho Mano Menezes, senão você irá ver a Copa do Mundo de 2014 sentado no sofá da sala tomando chimarrão.

*Thiago Albino, 20 anos, é estudante de Jornalismo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Gaúcho com sotaque de carioca

*por Thiago Albino
Finalmente a novelinha gaúcha terminou. O melhor jogador de todos os tempos acertou com um time brasileiro.

Há pouco mais de um mês começou uma novela gaúcha, que envolvia Ronaldinho Gaúcho, o seu irmão e empresário, Assis, e três clubes brasileiros: Flamengo, Palmeiras e Grêmio. Existiu um quarto clube, no caso o Corinthians, mas foi só fogo de palha.

Resumindo, virou um grande leilão entre os clubes, quem pagava mais levaria o craque, aquela história de amor pelo clube foi tudo balela, tchê! Virou também um marketing monstruoso em cima do Ronaldinho, deu mais ibope que as novelas da Globo.

Agora, o “fenômeno” vai defender as cores rubro-negras do Flamengo, vai ganhar cerca de um milhão e duzentos por mês, vai jogar um futevôlei na praia e pegar aquele sol que o Rio de Janeiro proporciona.

Claro que financeiramente o Flamengo vai ter retorno, pois o nome do cara é reconhecido mundialmente. Porém, resta saber se o altíssimo salário pago ao jogador terá retorno dentro de campo.
*Thiago Albino, 19, é estudante de jornalismo

sábado, 15 de maio de 2010

Nossos Carlos

Caríssimos, como de hábito resolvi esperar um pouco pra tentar entender o que se passou nas listas de convocados das seleções lusófonas para a Copa. Vou ser bem sincero com vocês: não gostei de ambas.

Pra início de conversa, falemos sobre os escolhidos do Dunga. Deles eu só não esperava pelo Gomes, do Tottenham. Apostava no Victor, do Grêmio, ou no Hélton, guardarredes do Porto. No mais o Dunga não me surpreendeu. Inclusive na convocação do Grafite, já que ele esteve bem quando foi colocado em campo e eu tinha ouvido um cochicho, de fonte securíssima, quanto à sua convocação. Entretanto, se há um atacante que deveria ser convocado, pelo que vem jogando ou pelo que mostrou nas vezes em que atuou pela Seleção, este é Diego Tardelli. Se tivesse convocado o atacante do Galo, ninguém poderia chamar o treineiro de incoerente.

No que toca aos ausentes, talvez o PH Ganso, do Santos, e o corintiano Roberto Carlos poderiam ter lugar. O primeiro, porque seria um bom regra três pro caso de o Kaká não poder jogar. Já o experiente lateral não precisa ser testado, não é ruim de grupo e está jogando muito. Além do mais, os dois nomes chamados pra posição, Michel Bastos e Gilberto, além de jogarem no meio de campo, não vivem lá os melhores momentos da carreira.

Neymar não tem lugar, Ronaldinho Gaúcho não merece jogar outra Copa, Ronaldo é um ex-jogador em atividade e Adriano se desconvocou. Este se sobressai pelo enorme vigor físico que tem, pois tecnicamente é apenas comum. Como não tem agido como atleta, tornou-se um atacante mediano.

Embora entenda as razões que o levaram a chamar quem chamou, não significa exatamente que eu tenha gostado. Com esse inchaço de volantes e meias com características defensivas, ficou claro que a postura do Brasil de Dunga será especular e sair nos contra-ataques rápidos. Afinal, quem joga no erro do adversário, como faz o escrete nacional desde que o capitão do tetra assumiu o comando, não necessita de meias cerebrais. Basta ter médios que tenham um bom passe (e isso tanto Ramires, Felipe Melo e Josué têm) para acionar sobretudo os laterais, estes os principais fornecedores de bolas para os atacantes tupiniquins.

O que me preocuparia, caso estivesse torcendo para o Brasil, seria o fato de que, se marcarem as laterais e o único meia de criação, por ora Kaká, matarão o time, que dependeria exclusivamente dos lampejos do Robinho e do oportunismo do Luís Fabiano. Pra sorte do Carlos Caetano o país conta com a melhor defesa do mundo, que tem os ótimos Lúcio, Juan e Luisão, além do Júlio Cesar, melhor goleiro do planeta e que voltou a jogar bem. Ainda assim, acho pouco para uma Copa.

Pegando o voo Rio de Janeiro-Lisboa, chegamos à lista dos eleitos de Carlos Queiroz, selecionador de Portugal. Causaram-me espécie alguns nomes que constam e que faltam. Foram chamados 24 jogadores, numa referência clara de que irão esperar até o último instante pra ver se Pepe terá condições. Caso não as reúna, será cortado, estando o sportinguista Pedro Mendes já ambientado.

A presença do médio leonino foi uma das surpresas, assim como José Castro, lateral do La Coruña, Ricardo Costa, zagueiro do Lille e dos goleiros Daniel Fernandes, que atua no grego Iraklis(!), e Beto, do Porto. Ora essa! Como é que o Queiroz deixa de fora o principal goleiro do Campeonato Português, o benfiquista Quim, para chamar o Beto, que é reserva do Porto? Não por eu ser benfiquista, mas nosso arqueiro é o melhor pra posição. Agora, estranha mesmo foi a ausência do João Moutinho. Ele esteve presente em todas as convocações desde pouco antes da Eurocopa e ficou de fora. Como consolo, está na lista dos seis reservas, caso algum dos convocados não possa ir.

Particularmente, gostaria de ver o Nuno Gomes jogando sua terceira Copa, mas isso é apenas um gosto pessoal, apesar de ter que aturar o Hugo Almeida. No mais estamos bem serviços, apesar das laterais, eterno calcanhar de Aquiles do time desde que Dimas se aposentou. Temos Deco, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, mas não é o suficiente para algo maior do que sonhar.

O bacalhau está de molho, os tremoços já estão na geladeira e o vinho e a sardinha só esperam para serem degustados. E quero fazê-lo, em 11 de julho, assistindo a Brasil e Portugal. Com estas listas ficou mais difícil, mas confiemos nos Carlos, o Caetano e o Queiroz.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Entre Scolari e Lazaroni

Faltando poucos dias para o anúncio dos 23 jogadores que representarão o Brasil em mais uma Copa do Mundo, a pressão para que Dunga leve a dupla Neymar-Ganso aumenta a cada dia. Dunga não é o primeiro, nem será o último. Lazaroni não levou o hoje comentarista Neto pra Itália, assim como Felipão deu de ombros ao clamor nacional e deixou Romário no Rio, em vez de levá-lo à Ásia. A diferença, aqui, é que o Felipão voltou com a taça e ninguém mais lhe encheu o saco. Já Lazaroni...


Podemos apontar o dedo para o Dunga por diversos motivos, mas se tem uma coisa pela qual o gaúcho prima é o respeito pelos seus critérios. Assim que chegou, esquentando a cadeira até a sonhada volta de Scolari, tratou de enquadrar as duas estrelas da companhia: Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Ambos voltaram, mas este não aproveitou as infindáveis oportunidades que teve. Ele, Ronaldinho, não tem a confiança do chefe. Logo, está fora. Assim Dunga conseguiu, além de sair da sombra do Felipão, ter o grupo na mão, como reza o jargão do vernáculo futebolês. Convocar Gansos e Neymares seria arriscar perder o grupo.

Eu até gosto do Ganso. Jogador à moda antiga, joga de cabeça erguida, é rápido, tem rara visão de jogo e, como mostrou domingo passado, não treme. E o melhor de tudo: é sério. O Neymar domina todos os fundamentos básicos, como passe, chute, cabeceio e posicionamento, além e ter uma frieza que poucos veteranos têm na boca do gol. No entanto, parece que a fama lhe sobe à cabeça, não só na forma do moicano colorido, alisado e de gosto extremamente duvidoso, ou da gola da camisa levantada, mas principalmente na marra mostrada em campo e no detestável e condenável cai-cai. O jogador, sobretudo o atacante, deve ser malandro, sim, mas o que o Neymar vem fazendo beira a cafagestagem.

Não creio que Carlos Caetano os leve, embora gostaria de ver o dono da 10 do Peixe na lista. Restará esperar para saber que lugar a história reserva ao treineiro do escrete nacional. Se ficará ao lado de Felipão, na galeria de heróis, ou se fará companhia a Sebastião Lazaroni, com os fantasmas do passado arrastando suas correntes atrás de si, para todo o sempre.

Neymar, Paulo Henrique Ganso e a Seleção

* Por Humberto Pereira da Silva

Ronaldinho Gaúcho estava em alta não faz mais do que dois, três meses e muitos na imprensa pediam sua volta à Seleção. Ronaldinho iniciou bem o ano, com grandes atuações pelo Milan, até a eliminação pelo Manchester na Copa dos Campeões. Depois, de fato, ele e o Milan caíram de produção e seu nome voltou ao esquecimento. Nesse período de esquecimento vi entrevista do Zico no programa "Bola da vez", da ESPN. Zico vê que algo aconteceu na Olimpíada passada, quando Ronaldinho foi convocado sob pressão e fracassou. O caso Ronaldinho pode ser elucidativo para se pensar em coisas como pressão, clamor da impresa e voz da galera quando se fala em Neymar e Ganso.

Inegável que as atuações recentes dos dois foram brilhantes e qualquer um com mais de um nerônio se perguntaria como não convocá-los para Sulafricana Copa. Há razões de sobra para convocá-los. Jogadores de "confiança" de Dunga para lugares que eles ocupariam não vivem momento de esplendor. Pelo futebol que ambos têm apresentado, a Seleção teria um toque de classe que, para muitos, falta à pragmática equipe de Dunga. À Seleção cabe se ajustar aos talentos disponíveis e não reter talentos porque há um esquema e um "grupo fechado", etc, etc. Mas, creio, as coisas não são tão simples assim. Nesses momentos, esquecimento acaba bem visto e pressões, clamores envolvem paixões que embaralham supostas alnálises sérias.

Neymar e Ganso jamais foram convocados e a imprensa esquece as coisas com muita facilidade. Antes do final do Brasileiro do ano passado, não seriam lembrados com nomes como Diego Souza e Diego Tardeli. Sobre esses dois, com os dois santistas em momento esplendoroso, quem pediria a convocação para o Copa? Não se passou tanto tempo assim; não mais que um semestre. Jogar com a camisa amarela, como muitos sabem e esquecem, pesa. É possível fazer uma lista infinda de grandes jogadores que não se deram bem com a amarela. Jogar bem o atual campeonato paulista, ainda que muito bem, não é, como sentiu o grande Messi, como pegar uma defesa como a da Inter de Milão, quando de fato se tem a prova dos 9. E isso, convenhamos, está longe do que Neymar e Ganso enfrentaram.

Tudo isso para dizer que não merecem ser convocados? Não, não só acho que merecem como até acredito que Dunga os convocará, e acertadamente. Tudo isso, sim, para dizer que, se convocados, não será surpresa se não se ajustarem. Não é uma aposta que faço. Não torço para que fracassem, mas o futebol tem caprichos que não podem ser esquecidos. Em 82 Telê foi chamado de burro porque não levou ponta (direita) para a Copa. Havia até um personagem no programa do Jô Soares que clamava: "põe ponta, Telê!" Telê não levou ponta e o Brasil perdeu a Copa. Só para tocar na memória dos esquecidos: a seleção de 82 é mais lembrada que a campeã invicta, sem empates, de Felipão em 2002.

O que acho importante ver no clamor pela convocação dos dois santistas é que seria muito bom para eles não estarem na lista de Dunga no próximo dia 11 de maio. Ficaria o mito pela ausência e eles, jovens, têm longa carreira pela frente. Convocados, ninguém espera que sejam menos que mágicos. Duas vezes eleito melhor do mundo pela Fifa antes da Copa de 2006, se tivermos memória, bem saberemos o quanto isso pesou na cabeça de Ronaldinho.

Claro, alguém pode argumentar que isso só se saberá se forem convocados e que merecem convocação. Concordo plenamente com esse raciocínio. Então quem assim argumentar não diz, senão, que Neymar e Ganso são apostas. Mas, se é para ficar na aposta, creio que Dunga tem boas azões para apostar na equipe que montou. Se a Seleção de Dunga carece de talentos como Neymar e Ganso, é verdadeiro também, como sabem os argentinos, que a seleção de Dunga não é perdedora. E como pressão, clamor, voz da galera dão a tona nesses momentos, fiquemos com um bordão: time que ganha não se mexe. Num eventual fracasso não faltarão os que crucificarão a Era Dunga. Só para lembrar, foi assim em 90.

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor 
universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
cultura de diversos órgãos de imprensa.