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segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Pílulas amadoras - 1

por Humberto Pereira da Silva*

SEM ESCALAS Rebaixado em 2007, Corinthians iniciou a recuperação que culminaria em 2012 com o título mundial (Foto: Daniel Augusto Jr.)


A vitória de Pirro

Briga terrível na zona do rebaixamento. Duas vagas em disputa cabeça a cabeça. América e Coritiba virtualmente fora da disputa. Já têm ingresso quase garantido para a Série B. Vasco, Goiás, Santos, Bahia e Corinthians são os candidatos mais a sério às duas vagas restantes. A partir daí, Cruzeiro e Inter, imagino poucas chances de sucesso nessa disputa. Com cinco e  seis pontos na frente do primeiro na zona do rebaixamento, respectivamente - e a Raposa com um jogo a mais a ser disputado -, são três rodadas restando oito. Não que Cruzeiro e Inter tenham tantos méritos, mas contam que os de baixo dificilmente terão três rodadas sem derrota. 

Uma questão do penso da imprensa que me deixa encafifado: qual o problema de disputar a Série B? Óbvio que ignoro o fator grana no obscuro mundo do dinheiro que transita no futebol. Se ignoro o fator grana, fica o da vergonha. Uma temporada fora da "elite". Mas por que o fator humilhação se sobreporia à organização de um time que da série B se candidataria ao título na temporada subsequente? Vide case Fogão, duas temporadas atrás na Segundona. Equipas como Vasco, Santos... na falsa "elite", ano que vem é como a famosa frase de Pirro, comandante romano depois de ganhar batalha com grandes perdas: "mais uma vitória dessa e estou perdido".

*Humberto Pereira da Silva é professor de Ética em Jornalismo

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

PORTUGUESA - SAF-se quem puder?

Divulgação

Com a aprovação da Lei das SAFs (Sociedades Anônimas de Futebol), que permite transformar os clubes de futebol em empresas, sancionada recentemente pelo presidente da República, passou a ser o objetivo, ou melhor, o sonho de muitos torcedores de diversos clubes que o seu seja agraciado com a venda para algum multimilionário que estiver dando sopa por aqui e, ao ver que o distintivo está no mercado, atrás de investidores, perguntar a si mesmo “e por que não?” antes de despejar muitos milhões e transformar emblemas combalidos em potências do futebol mundial da noite para o dia.

Querem um "velho da lancha", um sugar daddy.

Essa espécie de loteria, desejo do torcedor, ficou ainda mais forte quando Ronaldo Fenômeno comprou o Cruzeiro e a venda do Botafogo para o investidor americano John Textor está a ponto de ser sacramentada. Textor, vale lembrar, detém 18% das ações do Crystal Palace-ING e andou balançando seu gordo cofre para a SAD do Benfica, que não quis saber de negócio.

Naturalmente, a torcida da Lusa não é diferente - ou ao menos a parte que costuma se manifestar em redes sociais. Quando a Red Bull tornou-se parceira do Bragantino, muito foi falado nas alamedas do Canindé que o negócio poderia ter sido feito com a Lusa. Aí está um ponto importante e pouco agradável de ser tocado: o Bragantino, à época, disputava a Série B do Brasileirão e a Série A1 do Paulista, estando numa posição muito mais interessante para a empresa austríaca, que já tinha seu time aqui, o Red Bull Brasil, que, como não conseguia avançar no cenário nacional ameaçava largar o projeto. Ou seja, a Portuguesa não tinha - e ainda não tem - condição de oferecer o que eles queriam. O que vinha depois, que era a mudança do distintivo, do nome e das cores, é outro ponto de discussão que não cabe aqui, no momento.

É isso o que a malta rubro-verde precisa perceber: o que temos a oferecer hoje, além da nossa tradição e da nossa história? Claro que isso é um cenário que pode mudar em dois ou três anos, mas até lá a Portuguesa ainda luta para voltar à Série D e à A1 do Paulista, e, é bom que se diga, não é algo lá que atraia os investidores mais graúdos para os nossos lados. E é importante também entender que um investidor não é um mecenas. Muito pelo contrário. Relações como a que tínhamos com o saudoso dono dos Armarinhos Fernando são bem diferentes de alguém - ou algum grupo - que queira usar a Portuguesa para ganhar dinheiro, que é, afinal, o resultado esperado em todo investimento.

A mudança para que a Lusa se transforme em uma SAF é o caminho natural - e até aconselhável -, mas que isso não faça o torcedor achar que todos os problemas serão solucionados. Não é raro haver uma espécie de fetiche com relação às chamadas gestões empresariais, como se elas significassem boa governança e garantia de sucesso. Empresas quebram todos os dias e por diversos motivos, e a Portuguesa, ou outro clube qualquer, não estão livres disso, mesmo sendo SAF ou não. Vejam casos como o do Desportivo das Aves, e d’Os Belenenses, em Portugal, ou no Chile, onde o Colo-Colo passa por aperto desde que foi comprado. São estes, bem como a Espanha, os países que serviram como modelos para os autores da Lei 14.193/2021. Para tanto, sugiro a leitura do livro “Clube-Empresa - Abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol”, de diversos autores, organizado pelo jornalista Irlan Simões.

Eventual mudança de modelo de gestão não significa, necessariamente, a solução para os nossos problemas, como mostra o exemplo do Colo-Colo, quase rebaixado no Chile (Getty Images)

Além do mais, a legislação, por obra e desgraça do presidente, não obriga o investidor a ter sua identidade revelada sob o pretexto de que isso poderia espantar eventuais interessados que preferem se manter no anonimato (diferentemente do que era previsto no PL e foi um dos itens vetados pelo presidente. O Senado Federal ainda derrubou alguns vetos, mas este foi mantido), justamente o ponto que garantiria transparência no negócio. Em outras palavras, abre as portas dos clubes para quem quer lavar dinheiro sujo e não quer, obviamente, mostrar a origem da grana.

E é aí que está o negócio - ou o ponto mais importante dele. Devemos ter muito cuidado com quem irá colocar o dinheiro, de onde ele vem, o modelo da gestão e, principalmente, as diferenças no plano de negócios nas ações de curto, médio e longo prazo. É isso ou será mais um capítulo a ser lamentado na nossa história. E, convenhamos, capítulos lamentáveis não nos têm faltado.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Carta de um amor ferido à Placar



Cara Placar, sou de uma geração que cresceu lendo suas páginas. Eram tempos em que o futebol não era a teta que é hoje para ver na TV e não havia internet, o que nos forçava a ser mais imaginativos e atentos às leituras. Você, Placar, assim, foi a principal referência para os amantes de futebol desde 1970, ano da primeira publicação – e do Tri da Seleção. Reconheço os acidentes de percurso, as fases menos legais, como a do revistão dos anos 1990 sob o mote Futebol, sexo e rock’n roll, mas que relação de tanto tempo está livre de intempéries? Quem deu o furo de reportagem que detonou a Máfia da Loteria Esportiva tem crédito para errar. Foi em 22 de outubro de 1982, amada Placar. Até das datas mais importantes da gente eu me lembro.

No entanto, querida Placar, algumas pisadas na bola e caneladas são mais difíceis de perdoar. Perdoei o revistão a partir de abril de 1995, os mascotes redesenhados, matérias como A Primeira Transa dos Craques e até o saudoso Alex Alves de cueca de crochê da CK, mas nada se compara à edição comemorativa de 10 anos da carreira de Neymar, na qual você o coloca como o maior jogador brasileiro desde Pelé.

Este disparate, Placar, tem a precisão do pênalti batido na Lua pelo craque – sim, craque – em 2012, contra a Colômbia, ainda mais no momento em que a imagem do jogador tem os arranhões causados ao longo destes 10 anos e que ficaram evidentes no patético desempenho de seu novo protegido durante a Copa da Rússia.


Além do mais, desde que o Rei (a quem você sempre se referiu como Ele, com inicial maiúscula, uma espécie de Deus da bola) parou, tivemos jogadores maiores que o rapaz que veste a camisa do PSG, essa aí que estampa a capa (podia ser a da Seleção, né?). E isso, me permito dizer, é indiscutível: Ronaldo, Rivaldo, Bebeto, Romário, todos campeões do mundo pelo Brasil e em seus clubes, sendo protagonistas, coisa que o Neymar, seu novo protegido, ainda não foi. Como você pode esquecer Romário e Ronaldo, Placar? Quando você mudou assim?

Neymar é um craque? Repito que sim. É o melhor jogador de sua geração no Brasil? É, e é disparadamente, mas colocá-lo acima de quem fez muito mais pela Seleção, ainda mais quando a imagem mais forte do Neymar é o papelão nos campos da Rússia, é quase uma traição a quem te ama há tanto tempo.

Desculpe-me, revista Placar. Não é assim que voltarei a te amar.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Já é melhor mesmo?

NO PÓDIO Neymar comemora com Suárez golaço marcado no
Camp Nou contra o Villareal. Craque brasuca aparece pela primeira vez
 entre os três postulantes à Bola de Ouro (Josep Lago/AFP)
“O Neymar é melhor que o Cristiano Ronaldo!” Esta frase já pode ser lida por aí, dita por diversas vozes, especializadas ou não. Não importa se, pela primeira vez, o português teve uma temporada pior que a do brasileiro, mesmo que os números individuais apontem o contrário. Não importa também que muito do desempenho de ambos esteja diretamente ligado ao que fizeram suas equipes no ano, como, aliás, seria em qualquer caso.  

Não precisam ter pressa, senhores! Neymar, que tem 23 anos e está em ascensão, mais cedo ou mais tarde será melhor que Cristiano, já com 30 completados e, portanto, mais perto do declínio físico, embora todas as temporadas anteriores tenham mostrado que não.


GRITEM MAIS! Três vezes Bola de Ouro, português cumpre rotina. Ninguém fez
mais golos que ele em 2015 (57), apesar da temporada ruim do Real Madrid.
São cinco anos seguidos a superar a casa dos 50 tentos (Getty Images)
É natural. Neymar será melhor que Cristiano e também, se tudo correr bem, que Messi, cinco anos mais senhor que ele. Da mesma forma que aparecerá algum jovem jogador que irá superá-lo, mais dia, menos dia, pelo simples fato de que o tempo é o melhor marcador de todos os tempos. Mas aí alguém aumentará os decibéis para falar do auge caso este seja um argumento válido.


EXTRATERRESTRE Messi é o favorito para levar a quinta
Bola de Ouro para casa (Alberto Estevez/EPA)
Com o português, porém, não é assim. Mesmo ele tendo sido escolhido o melhor do mundo em três temporadas distintas (por enquanto), como Zidane e Ronaldo, outros astros indiscutíveis. E daí que ele se mantém jogando no mais alto nível desde que despontou para o futebol, na Eurocopa de 2004?

Pode ser, e existem grandes chances disso, que Neymar jamais atinja o patamar que nos últimos anos só Messi e Cristiano Ronaldo atingiram. Para isso. terá que jogar o seu melhor e prolongar o ápice, coisa que, além dos dois extrassérie, talvez só Ronaldo e Zidane (por um período de tempo mais curto) fizeram nos últimos 20 anos. Craques como Van Basten, Romário e
 Ronaldinho Gaúcho não foram capazes de permanecer por tanto tempo no topo durante a carreira toda.

Mas e daí? Neymar já é melhor. E ponto.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Oportunismo fenomenal

Em entrevista concedida na véspera do sorteio dos grupos da Copa de 2014, Ronaldo, cada vez menos Fenômeno, falou que o mundo deveria se habituar com o "jeitinho brasileiro" para justificar o modo "só nosso" de fazer a Copa. O tal do jeitinho é o pai da corrupção, e a mãe é a passividade de pessoas como ele, que tem voz e vez, mas prefere falar somente o que convém.

Também falou sobre o Bom Senso F.C., alertando para o fato de o futebol feminino e os ex-atletas não terem entrado na pauta do movimento. São causas nobres, as apontados pelo ex-jogador. 


Fenômeno? (Sérgio Moraes/Reuters)
O curioso é que, quando esteve em evidência, Ronaldo nunca tocou no assunto, nunca levantou bandeira alguma. Aliás, como a maioria, olhou somente para o seu próprio umbigo (cada vez mais difícil de ser visto) durante a sua vitoriosa e exemplar carreira.

As últimas pérolas podem fazer parte de um lamentável rosário que já tem momentos infelizes, como quando o futuro ex-ídolo nacional declarou que uma Copa do Mundo é feita com estádios, não com hospitais.

Antes espelho para muitos, Ronaldo, o para-raio do COL, mostra estar bem domesticado pela dupla CBF/FIFA. Uma pena.

domingo, 16 de junho de 2013

A onda e o cheiro do bode

Acho legítimo o direito de promover manifestações. Quaisquer que sejam elas. Independentemente dos motivos. E concordo com a que serviu de gatilho para as demais, que teve como mote não o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, mas a falta de subsídio para o seu barateamento. Só não acontecerá porque envolve os interesses de muita gente graúda (o pessoal de Santo André que o diga).

Sempre fui ácido quanto ao comportamento bovino do brasileiro, que normalmente abaixa a cabeça e aceita tudo o que lhe é imposto, passivamente, a não ser que a questão seja seu time de futebol. Aí, e somente neste caso, o brasileiro se coça.

Eis que, de uma hora para outra, o povo resolveu colocar as mangas de fora, sair para a rua e reclamar como se deve. Claro que existem os mais exaltados. Afinal de contas, não se trata de procissões, mas de manifestações. Também há oportunistas e a molecada que vai só para causar, e é preciso ter cuidado para não virar massa  de manobra de partidos políticos e movimentos sócio-políticos que aderiram à causa, qualquer que seja.

Faixa exibida por manifestantes que questiona as prioridades do governo 
do país sede da Copa do Mundo de 2014. (Dassler Marques/Terra)
No entanto, existe o risco da grita virar "carne de vaca". A molecada se mobiliza e vai pra rua protestar sabe-se lá pelo quê. É o manifesto pelo manifesto. Raso, tende a sumir conforme a onda passar. Será que sairão dos passeios e tomarão o asfalto para voltar a lutar pela causa indígena na demarcação de sua terras? Honestamente eu duvido.

Agora tomam as ruas por causa dos gastos para a Copa do Mundo e a das Confederações. Chiam por conta da falta de investimentos em saúde e educação, como se isso fosse novidade. Só que foi decidido em 2007 que o Brasil seria sede do Mundial de 2014 e, por conseguinte, da Copa das Confederações de 2013, e ninguém falou nada. Em vez disso, fizeram festa, regada a muito dinheiro público e apoio da Globo, dona dos direitos de transmissão (e da alma de muitos).

SEIS ANOS DE ATRASO Protesto contra a realização da
 Copa do Mundo no Brasil
 (Evelson de Freitas/AE)
O ex-jogador Ronaldo saiu em defesa da FIFA, alegando que o brasileiro estaria interessado na festa e não se importaria com o atraso das obras e com o consequente estouro orçamentário. Como ele é blindado pela boa vontade do torcedor, as bobagens que tem dito não repercutem como deveriam.

Parece até que dormimos sem a Copa e acordamos assustados com o bode na sala. Só que ele tá aí faz tempo, e fede. Nós é que não nos incomodamos com o cheiro antes.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Símbolo de uma geração

* por Fabio Venturini

Luis Fabiano é expulso por reclamação após o fim do jogo no empate
contra o 
Arsenal (ARG). O atacante desfalcaria a equipe por quatro jogos
na Libertadores 
de 2013 (Marcelo Machado de Melo/Foto Arena)

Marcos Teixeira, o editor do Bola de Bigode, provocou-me um dia após a eliminação do São Paulo Futebol Clube na Libertadores de América 2013 a escrever sobre o avançado Luís Fabiano, futebolista muito amado e igualmente contestado nas arquibancadas do Morumbi.

Fui obrigado a aguardar para não deixar a emoção do momento (estava puto mesmo) me induzir a injustiças. Depois de algumas semanas vamos direto ao assunto: o camisa 9 tricolor é sim pipoqueiro e o artilheiro dos gols inúteis. Ponto.

Quem quiser discordar, por favor, relembre um único jogo grande em que Luís Fabiano Clemente foi fundamental para a vitória. Por outro lado poderia mostrar milhões de contusões a lá Valdívia, suspensões estúpidas, expulsões cavadas e apatia associada a icterícia no São Paulo, no Porto, no Sevilla e na Seleção Brasileira.

Juro, torci muito por ele e tentei ser paciente na última década, mas desisti. É o que este rapaz construiu em mais de dez anos de carreira, não apenas em 2013. Mas também devo ser justo: ele é apenas mais um numa geração inteira de pipoqueiros de brilho em partidas inúteis.
 

Contra o River Plate, outra vez após o final do jogo, nova expulsão. 
O jogador não pode bater o pênalti na decisão, e o São Paulo seria
eliminado na Copa Sul-Americana de 2013 (Marcelo Ferrelli/Gazeta Press)


Desde quando a bola se tornou redonda sobre os gramados brasileiros, as gerações de craques se sucederam, conheceram-se e ajudaram os novos talentos que surgiram posteriormente. Leônidas conheceu a geração de 1950, que conheceu Pelé, que conheceu Rivelino, que conheceu Zico, que conheceu Careca, que conheceu Romário, que conheceu Ronaldo, que conheceu Kaká, Robinho, Adriano, Ronaldinho, Diego e Luís Fabiano, que não conseguiram conhecer ninguém.

A um ano da próxima Copa do Mundo, em casa, o mister Luís Felipe precisa remendar um time cujo protagonista é um rapaz tão habilidoso no futebol quanto nos saltos ornamentais, de apenas 21 anos e sem nenhum experiente para dar respaldo, dividir experiência dentro do relvado e chamar a responsabilidade.

Pelé e Garrincha foram para a Copa de 1958 para serem reservas.

Os veteranos, aqueles que seriam o elo de ligação entre Romário, Ronaldo, Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos com a geração de Neymar, Oscar, Lucas e Leandro Damião estão todos em uma espécie de aposentadoria ativa sem terem em seus currículos grandes e decisivas atuações. São tão ricos e competitivos quanto Rubens Barrichello.

O único desta geração com poder de decisão, mas que jogou a carreira (de futebol) fora foi Adriano. Os demais têm, no máximo, uma atuação decisiva quando ainda tinham alguma ambição.

Robinho decidiu a final do Brasileirão de 2002, e vive das pedaladas sobre Rogério até hoje.

Kaká foi protagonista em uma partida contra o Manchester United na UEFA Champions League de 2007 e, por ser educado e disciplinado, tem mais reconhecimento pelo título do que os experientes e decisivos Seedorf, Pirlo, Shevchenko, Nesta, Maldini, Dida, Gattuso e Cafu.

Ronaldinho decidiu contra a Inglaterra na Copa de 2002 e nada mais fez nos onze anos seguintes a não ser imitar uma foca com a bola contra adversários pequenos e sumir na hora agá.

Diego decidiu um jogo ganho nas semi do Brasileirão de 2002.

Luís Fabiano, por azar (ou mérito) conseguiu ser inútil em absolutamente todas as decisões que disputou, isso quando o fez, por isso é mais perseguido até pela própria torcida da camisa que defende.

Todos eles saíram brigados dos clubes que os revelaram, cuspindo nos pratos que comeram.

O merecido azar de não possuir no currículo aquele solitário embate que faz seus defensores terem um mísero argumento para apoiar a sua defesa fez com que, injustamente, Luís Fabiano Clemente sofresse sozinho pelo rótulo de pipoqueiro.

Em vez de ser reconhecido como o artilheiro dos gols inúteis deveria ostentar o cetro real de majestade e símbolo de uma geração talentosa, rica, idolatrada, mimada, ingrata e inútil.

* Fabio Venturini é jornalista.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um Fenômeno lamentável

Hoje, 30 de janeiro, a FIFA lançou, em evento no Rio de Janeiro, o pôster oficial da Copa do Mundo de 2014. Mais que a presença ilustre de personalidades ligados a quatro das cinco copas conquistadas pelo Brasil, uma frase no mínimo infeliz chamou a atenção. Dentre outras sandices, foi dito que "este é o momento de todos se unirem, inclusive a imprensa. O povo brasileiro não está preocupado com atraso, o povo precisa de alegria".

Craques prestigiam o lançamento do pôster oficial da Copa de 2014 (Reuters)
Quem soltou a lamentável pérola foi o ex-atacante Ronaldo, homem chamado às pressas pelo então presidente de tudo Ricardo Teixeira para dar o mínimo de lisura ao processo de realizar a festa do futebol nos superfaturados gramados  tupiniquins, quando ele, Don Corleone Teixeira, perdia prestígio nos corredores do Palácio do Planalto.  

É deprimente a postura do cada vez menos fenomenal bicampeão mundial sobre o trabalho da imprensa que deve sim fiscalizar, uma vez que o poder público faz vistas grossas ao que o Comitê Organizador Local, do qual faz parte, deixa de fazer.

Ronaldo, que é figura das mais carismáticas dada a sua incrível história marcada por superação (que não cabe aqui reproduzir), deveria usar seu quase intacto prestígio para batalhar para que haja o mínimo de lisura, como faz outro craque campeão do mundo, Romário, na condição de Deputado Federal.

Em vez disso, o ainda gorducho e agora empresário de marketing esportivo aparece com um discurso patético, nojento e alienado, tentando tirar o foco da roubalheira que está em curso. Segundo ele, o sentimento que vê nas ruas é de felicidade e expectativa, diferentemente do tom das perguntas feitas por esta velha mal amada, malvada e recalcada, que é a imprensa. Imaginem só, que petulância a nossa de querer cobrar!

Este blog sugere, pois, ao adiposo ex-atleta que apresente as contas para a pachecada e veja se continuará saltitante, lépida e fagueira. A não ser que seja criada por hienas, é pouco provável que siga rindo da própria desgraça ao ver seus bolsos sendo solapados.


Só elas para riem (Rajesh Pardesh/Crosby Group)  

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Por que Cristiano?

Nesta segunda-feira a FIFA anunciará o vencedor da Bola de Ouro de 2012, honraria máxima individual concedida pela entidade máxima do futebol mundial em parceria com a revista francesa France Football ao melhor jogador do mundo no ano. Messi, que recebeu o prêmio nas última três temporadas, Iniesta e Cristiano Ronaldo concorrem.

Os três concorrentes de 2012 (Miguel Ruiz - FCB)
Foi um ano fabuloso para os três jogadores. O argentino quebrou marcas importantes, como o número de golos em uma única temporada (históricos 91 tentos), ao passo que o espanhol validou o título de campeão da Eurocopa, sendo escolhido o melhor jogador, e o português foi pela primeira vez campeão espanhol, além de também ter feito uma Eurocopa soberba.

Todos os holofotes estão voltados para o argentino, que, caso seja escolhido pela quarta vez seguida, superará a marca de Platini, eleito por três vezes, entre 1983 e 1985, quando o prêmio era dado pela France Football e apenas jogadores europeus concorriam. Na forma mais democrática, com a participação de jogadores de todos os lugares do globo, Messi pode superar também os geniais Ronaldo e Zidane, que também têm três Bolas de Ouro.

O craque argentino, com seus três troféus (France Football)
Os números de la Pulga impressionam, mas o ano não foi dos mais felizes para o craque do Barcelona. Além de não ter vencido o Campeonato Espanhol, Messi não só não conduziu o Barça ao título europeu como perdeu a bola que originou o gol da vitória do Chelsea no primeiro jogo das meias-finais e desperdiçou uma grande penalidade na segunda mão, quando o placar, que apontava 2-1 para o Barcelona, já classificava os Blues. A partir do segundo semestre ele desandou a marcas golos, é verdade, mas de um modo geral ele esteve abaixo do que já havia feito anteriormente.

Iniesta, como sempre, foi linear. Jogou em altíssimo nível durante o ano todo, tendo como ápice a conquista da Espanha na Euro. No entanto, ele não fez mais do que já tem feito desde que a equipa blaugrana começou a triturar seus adversários, o que não é pouco, mas pode não ser o suficiente para levantar o troféu que deveria ter sido seu em 2011.

O médio espanhol foi eleito o craque da Eurocopa (Reuters)
O português, por sua vez, quebrou o estigma de não brilhar com a camisola da selecção de Portugal. Anotou golos importantes, como os dois contra a freguesa de sempre, a Holanda, quando Portugal perdia por 1 a 0 e estava sendo eliminado já na primeira fase da Euro. Pelo Real Madrid, seguiu levando a equipa merengue nas costas, como faz desde que desembarcou na Espanha, com a diferença de ter sido campeão nacional, embora tenha perdido sua cobrança nas meias-finais contra o Bayern de Munique, pelas meias-finais da Liga dos Campeões. Só que, diferentemente do rival argentino, Ronaldo anotou os dois golos madridistas no tempo normal.

O craque luso, durante a disputa do europeu de seleções (Reuters)
Cristiano Ronaldo brigou rodada a rodada com Messi pela artilharia da La Liga, na qual marcou 46 vezes, cinco a mais que no ano anterior, quando já havia batido o recorde do mexicano Hugo Sanches, que já durava mais de 20 anos. Só quando o título foi confirmado pelo Real Madrid é que o argentino disparou e chegou a inacreditáveis 50 tentos.

Isto posto, deixo clara minha preferência pelo camisa 7. Messi é mais jogador, de um modo geral, Iniesta foi efetivo durante a temporada toda, mas ninguém é tão completo ou brilhou tanto em 2012 quanto o Puto Maravilha.   

sábado, 5 de janeiro de 2013

A bola de vez

*por Breno Benedito

Após vencer o time do Chelsea, o Corinthians se tornou bicampeão do mundo. Mas o Timão não é o time do momento só dentro de campo. Fora dele, o time do povo está se especializando em dar surpresa ao mundo da bola. Desta vez, o infectado pelo bando de louco é o atacante Alexandre Pato.

Pato foi anunciado como o grande reforço para a temporada de 2013. O presidente Mario Gobbi e o diretor de futebol Duílio Monteiro Alves foram até a Itália repatriar Pato. Será mais um desafio para ambos. O Corinthians tenta se reerguer após o fiasco de Adriano. Já para Alexandre, esta é uma oportunidade de voltar a jogar bola e demonstrar que não é apenas uma eterna promessa e tirar de vez de sua vida as lesões que o acompanham desde a sua ida à Europa.

O Corinthians comprou seus direitos econômicos em 100%. O valor da compra foi de 15 milhões de euros, que transformados em reais giram em torno de 40 milhões ao Milan. O jogador ainda abriu mão de luvas para defender a camisa alvinegra. Numa futura negociação, o Corinthians terá 60% e o restante será de Pato.

Mas, o que está em jogo não é o valor pago pelo atacante. É dentro de campo. Ao todo, Pato teve 15 lesões, se contarmos apenas de 2011 pra cá. Tanto que o departamento médico corintiano ficou de plantão e chegou a ouvir médicos da CBF. Tudo para deixar o atleta em alto nível novamente.

Pato foi revelado pelo Internacional em 2006. O jogador despontou na partida em que fez dois gols contra o Palmeiras. Naquela ocasião, os gaúchos saíram com a vitória. Além disso, participou da campanha vitoriosa do time que venceu o Barcelona na final do Mundial de clubes, no mesmo ano.

Após um inicio arrasador, foi negociado com o futebol italiano. Porém, o atacante não se firmou por causa das seguidas lesões, principalmente musculares. Mas sua passagem não foi tão apagada assim, pois conquistou dois títulos: O scudetto da temporada 2010-2011 e a Supercopa da Itália de 2011.

Será mais um desafio para os dois. Desde que voltou à elite e revolucionou o futebol, todo ano o Corinthians faz sua aposta. Em 2009, o primeiro astro, Ronaldo Fenômeno, veio para ajudar o time de Mano em duas conquistas. Fez um primeiro semestre brilhante. Depois não rendeu o esperado. Em 2010 foi a vez do lateral-esquerdo Roberto Carlos, que mesmo não sendo o mesmo craque que foi considerado o melhor lateral-esquerdo da história do Real Madrid, mas ainda assim uma boa passagem. Já em 2011, Adriano veio com status de craque, o Imperador. Não deu certo, foi um fiasco total. 

Agora a bola da vez é Pato. Será que agora voa?

*Breno Benedito é corintiano, estudante de 
Jornalismo e trabalha na Federação Paulista de Futebol

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ressurreição emergencial



Mano Menezes respira. O contestado treinador do escrete canarinho ganhou uma sobrevida após os últimos amistosos, sobretudo no de hoje, diante do Iraque. Não que o time do brasileiro Zico seja um adversário digno de testar até onde vai a evolução do time brasileiro, tampouco que Mano seja o único treinador questionado ou questionável da história da Seleção. A propósito, sofrer a saraivada de críticas é algo inerente ao cargo.

Mano Menezes, além da sua sabida limitação tática, assumiu o time nacional num dos maiores períodos de entressafra da história. Nunca a Seleção ficou órfã de jogadores experientes como está agora. Ou ao menos estava, agora que Kaká está de volta e caso ele tenha uma boa sequência de jogos, inclusive no Real Madrid, poderá ser este homem de quem tanto necessita a equipa nacional. Os grandes nomes da história do futebol brasileiro sempre foram amparados quando chegaram no escrete nacional. Pelé era um menino imberbe, que tinha em nomes como Nilton Santos, Djalma Santos, Didi, Zito e Gilmar seu porto seguro. Assim também com Zico, Romário e Ronaldo.


A maior diferença que pode ser vista no Brasil, independentemente da parte técnica e tática, é que com Kaká no time Neymar tem com quem dividir responsabilidades. Mais que isso, a joia do cabelo estranho e do futebol acima da média agora tem uma referência, alguém para o socorrer quando a vaca tupiniquim estiver deitando.

Mais que Neymar, Mano ficou órfão dessa referência. Ronaldinho Gaúcho, como era de se esperar, negou fogo. Ronaldo parou. Mesmo sem experiência, Ganso, que mais parece um veterano de tão calmo, também não esquentou lugar, muito por suas limitações físicas. Com Kaká em forma, o selecionador terá mais que uma reserva técnica: terá alguém para ser o condutor do time em campo.

Aí, sim, ele terá todas as condições de continuar sendo contestado e mostrar se merece estar na beira do campo em 2014.   

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um trabalho sujo

* por Vinícius Carrilho

Um dos grandes sucessos da TV mundial é o programa Trabalho Sujo, apresentado e produzido por Mike Rowe. No Brasil, a série é transmitida há tempos pelo canal pago Discovery e também pela TV Bandeirantes, porém, neste último canal, em pequenos trechos. A ideia do programa é simples: mostrar os piores empregos do mundo.

Toda esta apresentação foi necessária para que de fato começasse a desenvolver o assunto inicial deste texto. Se algum dia encontrasse Mike Rowe pela rua, daria uma sugestão de emprego para que ele colocasse em seu programa. Sem dúvidas, falaria ao americano que uma das piores profissões do mundo é ser técnico da Seleção Brasileira de Futebol.

Escolher os melhores jogadores do Brasil parece ser um trabalho fácil, porém torna-se um verdadeiro martírio quando se tem mais de 190 milhões de patrões, sendo que a grande maioria é de uma incoerência digna de estudos. A começar pelo fato de que todos batem no peito e dizem não estão nem um pouco interessado na Seleção Brasileira, porém não é bem assim que as coisas são.

Comece pensando nos acontecidos pós Copa do Mundo de 2002. Parreira assumiu a Seleção Brasileira após um grande trabalho no Corinthians. Credenciado por sua longa carreira no futebol, tinha em mãos uma equipe repleta de bons jogadores, todos já com bagagem no mundo da bola. Reeditando a dupla tetracampeã do mundo com Zagallo, o treinador viu seus comandados conquistarem uma vitória heroica na Copa América de 2004 e ressurgirem das cinzas na Copa das Confederações de 2005, passando por equipes como Alemanha e Argentina após uma derrota para o México e um empate com o Japão na primeira fase.

Chegou então o ano de 2006 e o Brasil aparecia como a melhor equipe da Copa do Mundo da Alemanha, muito pelo chamado “quadrado mágico”, formado por Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo por duas vezes; Kaká, grande estrela do Milan; Ronaldo, o fenômeno e herói da última Copa do Mundo; e Adriano, ainda considerado o Imperador de Milão. Parreira não titubeou, atendeu ao apelo de seus 190 milhões de incoerentes patrões, que na época exaltavam essa grande equipe, e os colocou em campo. Porém, a magia do quadrado desapareceu e o Brasil acabou eliminado daquela copa por um gênio, que atende pelo nome de Zinedine Zidane. A partir deste momento, todas as conquistas anteriores foram esquecidas e então Parreira, de grande criador do quadrado mágico, passou a ser considerado velho demais por seus patrões. Resultado: deixou o comando da Seleção Brasileira.

Os patrões, que clamavam por renovação na comissão técnica e no time titular, tiveram mais uma vez seu pedido atendido. Dunga, em seu primeiro trabalho como treinador, chegava ao comando da Seleção Brasileira e promovia uma renovação moderada. Nomes conhecidos, como os de Júlio César, Lúcio e Kaká receberam a companhia de nomes até então desconhecidos, como os de Afondo Alves e Felipe Melo. A pressão sob o treinador começou aí e ele foi resistindo, vencendo a Copa América e a Copa das Confederações. Chegava então 2010.

A Copa da África do Sul começou com algum susto para o Brasil, após uma vitória magra por 2 a 1 sobre a Coréia do Norte. Na sequência, um trunfo sobre a Costa do Marfim e um empate com Portugal deram ao time o primeiro lugar do grupo. Nas oitavas, o Chile foi presa fácil e então chegou a Holanda. Com uma falha de Júlio César e uma expulsão de Felipe Melo (que antes havia dado a assistência para o gol de Robinho), a Seleção Brasileira estava mais uma vez fora do mundial e os dias de Dunga, que acabava de perder seu primeiro campeonato profissional, contados. Os patrões demitiam mais um treinador.

Então era a vez de Mano Menezes desempenhar um dos piores trabalhos do mundo. Vitorioso no Corinthians, o jovem treinador chegava credenciado também pelo trabalho realizado do Grêmio, anos antes. Os patrões, mais uma vez, clamavam por renovação e Mano atendeu, trocando praticamente todos os outros antigos convocados do último mundial. A safra de atletas era uma das mais fracas dos últimos tempos, porém a média de idade do time caiu consideravelmente.

Em campo, o técnico colocou o que havia de melhor e todos os jogadores em suas posições de preferências, da forma como atuam em seus respectivos clubes. Até então se passaram dois anos desde a contratação de Mano e em duas competições (sendo uma os Jogos Olímpicos, formado por jogadores Sub23), duas derrotas.

Mais uma vez os patrões não perdoam e pedem o cargo do treinador, que realiza exatamente o que antes era pedido a ele. Mano Menezes sabe que a paciência dos inconstantes donos da Seleção Brasileira se esgotará em seu próximo revés e a Copa do Mundo de 2014, antes meta imposta ao mesmo, pode ser vista apenas pela televisão. A última reclamação por parte dos patrões foi a convocação do goleiro Cássio, considerado o melhor arqueiro da Copa Libertadores da América de 2012. Acusam o técnico de ter convocado o jogador por ele ser empresariado por Carlos Leite, também empresário de Mano Menezes.

É por essas e outras que indicaria este cargo para o programa de Mike Rowe. Parece ser impossível conseguir agradar tanta gente que não suporta uma derrota ou a ideia que seu produto já não tem mais a qualidade de outros tempos. Parece impossível imaginar que algum dia, após tantas atitudes tomadas e pouco resultado final, passem os patrões a entender que deve ser cobrado aqueles que de fato fazem o jogo, dentro das quatro linhas. E se encontrasse Mano Menezes, acho que apenas diria para ele: “mas que trabalho sujo esse que você arrumou, hein mano?!”.

* Vinícius Carrilho tem 21 anos, é estudante de Jornalismo, 
morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida fazendo humor, 
mas escreve melhor do que conta piada.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Enfim o fim

Chega ao final a carreira mais vitoriosa do futebol brasileiro pós-Pelé. Ronaldo, enfim, parou. Não vou ficar enumerando os feitos deste, merecidamente, Fenômeno. Isto vocês verão e ouvirão aos montes por aí.

Ronaldo entrou para o panteão dos craques do esporte, assim como Boris Becker, Alan Prost, Magic Johnson, Robert Scheidt. Raros são os que atingem tal status.

Entre erros e acertos, o saldo é positivo. É possível que não tenha sabido gerenciar sua carreira fora dos campos, quando deixava de treinar para cumprir compromissos com patrocinadores. No entanto, enquanto esteve no auge não houve no mundo, exceto por Zidane, outro caso à parte, quem fizesse frente ao hoje grosseiramente gordo atacante.

Há de haver quem diga que ele não soube a hora de parar. Mas quem é que saberia, a não ser o próprio? Não foram poucas as vezes em que estava decretado o seu final. Ele, Ronaldo, estava acabado para o futebol quando arrebentou o joelho, ainda na Internazionale. Era apenas o primeiro jogo após longa recuperação da primeira cirurgia. Teimou, voltou e brilhou na Copa de 2002.

Excesso de peso e escândalos marcavam sua vida extra-campo, quando resolveu voltar ao Brasil. Chegou no Corínthians e comandou duas conquistas do Alvinegro, em 2009. Não foi o suficiente para voltar à Seleção e disputar a Copa de 2010, mas não acredito que poderia fazer mais do que fez em 2006, já fora de forma.

Quem fez tanto pelo futebol não merecia o tratamento que recebeu de um bando de vagabundos que não representam, absolutamente, a torcida corintiana. O futebol do Brasil deve muito a ele e não seriam meia dúzia de bandidinhos que mudariam isso.

Se eu torcesse pela Seleção, estaria agradecendo por tudo o que ele fez. Como não é o caso, agradeço por algo bem maior: o exemplo de superação. Obrigado, Ronaldo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Vale a pena tudo isso?

* por Thiago Albino

Tenho acompanhado, através de programas esportivos, jornais, sites esportivos, as manifestações de torcedores corintianos em frente ao CT do Corinthians. Bem, posso concluir que aquele grupo de manifestantes não representa de maneira alguma a grande massa corintiana. Na verdade, posso caracterizá-los como vândalos, pois a forma com que eles estão protestando é de baixa categoria, jogando pedras no ônibus do clube, apedrejando carros no estacionamento do CT, tudo por causa da precoce eliminação do time na Libertadores.

Fazer protesto está no direito da torcida, que vai ao estádio apoiar o clube, se tornam sócios, mas agir desse jeito grotesco está totalmente contra o que é, de verdade, uma manifestação. Óbvio que o time não está jogando bem, aliás, não está jogando bem desde o Brasileirão do ano passado, mas talvez os torcedores sejam tão cegos que acabam agindo só pelo amor que têm pelo clube.

Não adianta ficar colocando a culpa em Ronaldo, Roberto Carlos. O gordo também não está jogando nada desde o ano passado. Ele foi um grande jogador, não que ele deixou de ser, mas está nítido a forma física dele, que ele não vai ser mais o de antes. Agora, vêm torcedores e também culpam o Roberto Carlos, isso eu não consigo entender, a ignorância das pessoas de sempre arrumarem exatamente dois ou três culpados, e não o time inteiro.

O sr. Bruno César não está jogando nada; o sr. Jucilei também não está. Chicão, Dentinho, Danilo. Então porque culpar apenas os jogadores de mais nome do time? É uma equipe, todos ganham e todos perdem. Claro que às vezes um jogador erra e acaba prejudicando a equipe, mas não é o caso.

Não posso deixar de mencionar também o técnico. Desde quando o Tite está no nível de se treinar o Corinthians? Por que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, não deu uma dura em certos jogadores, quando estes ficaram fazendo corpo mole com o então técnico Adilson Batista?

Estou aguardando ansiosamente esse desfecho.

*Thiago Albino, 19 anos, é estudante de jornalismo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Centernada

* por Thiago Albino


Na minha última postagem sobre o Corinthians comentei sobre o que poderia acontecer com o time paulista caso ele desperdiçasse chances concretas de assumir a liderança do Brasileirão, novamente, e de ser campeão brasileiro.

Bom, tudo está caminhando para a não conquista do título, e se bobear nem com a classificação para a Taça Libertadores do ano que vem. Dessa vez, o time alvinegro perdeu de virada para o Atlético-MG, fora de casa, pelo placar de 2 a 1. Para piorar ainda mais a situação, aos 5 minutos do primeiro tempo, o atacante Dentinho, que voltava de contusão após longos meses afastado, se contundiu novamente, deixando o elenco corintiano com mais um atacante machucado. Fora Dentinho, Jorge Henrique e Ronaldo também estão no departamento médico.

O Corinthians continua com aquela mesma crise de conseguir jogar bem no primeiro tempo, mas no segundo tempo parece acontecer um apagão entre os jogadores. Cabe ao técnico Adilson Batista arrumar isso, não?

Nas últimas três rodadas, de nove pontos disputados, apenas dois pontos foram ganhos pelo clube paulista e, o pior, jogando dois jogos em casa. Está na hora de os jogadores abrirem os olhos, caso contrário, o centenário do Timão vai passar em branco.

*Thiago Albino, 19 anos, é estudante de jornalismo.

sábado, 15 de maio de 2010

Nossos Carlos

Caríssimos, como de hábito resolvi esperar um pouco pra tentar entender o que se passou nas listas de convocados das seleções lusófonas para a Copa. Vou ser bem sincero com vocês: não gostei de ambas.

Pra início de conversa, falemos sobre os escolhidos do Dunga. Deles eu só não esperava pelo Gomes, do Tottenham. Apostava no Victor, do Grêmio, ou no Hélton, guardarredes do Porto. No mais o Dunga não me surpreendeu. Inclusive na convocação do Grafite, já que ele esteve bem quando foi colocado em campo e eu tinha ouvido um cochicho, de fonte securíssima, quanto à sua convocação. Entretanto, se há um atacante que deveria ser convocado, pelo que vem jogando ou pelo que mostrou nas vezes em que atuou pela Seleção, este é Diego Tardelli. Se tivesse convocado o atacante do Galo, ninguém poderia chamar o treineiro de incoerente.

No que toca aos ausentes, talvez o PH Ganso, do Santos, e o corintiano Roberto Carlos poderiam ter lugar. O primeiro, porque seria um bom regra três pro caso de o Kaká não poder jogar. Já o experiente lateral não precisa ser testado, não é ruim de grupo e está jogando muito. Além do mais, os dois nomes chamados pra posição, Michel Bastos e Gilberto, além de jogarem no meio de campo, não vivem lá os melhores momentos da carreira.

Neymar não tem lugar, Ronaldinho Gaúcho não merece jogar outra Copa, Ronaldo é um ex-jogador em atividade e Adriano se desconvocou. Este se sobressai pelo enorme vigor físico que tem, pois tecnicamente é apenas comum. Como não tem agido como atleta, tornou-se um atacante mediano.

Embora entenda as razões que o levaram a chamar quem chamou, não significa exatamente que eu tenha gostado. Com esse inchaço de volantes e meias com características defensivas, ficou claro que a postura do Brasil de Dunga será especular e sair nos contra-ataques rápidos. Afinal, quem joga no erro do adversário, como faz o escrete nacional desde que o capitão do tetra assumiu o comando, não necessita de meias cerebrais. Basta ter médios que tenham um bom passe (e isso tanto Ramires, Felipe Melo e Josué têm) para acionar sobretudo os laterais, estes os principais fornecedores de bolas para os atacantes tupiniquins.

O que me preocuparia, caso estivesse torcendo para o Brasil, seria o fato de que, se marcarem as laterais e o único meia de criação, por ora Kaká, matarão o time, que dependeria exclusivamente dos lampejos do Robinho e do oportunismo do Luís Fabiano. Pra sorte do Carlos Caetano o país conta com a melhor defesa do mundo, que tem os ótimos Lúcio, Juan e Luisão, além do Júlio Cesar, melhor goleiro do planeta e que voltou a jogar bem. Ainda assim, acho pouco para uma Copa.

Pegando o voo Rio de Janeiro-Lisboa, chegamos à lista dos eleitos de Carlos Queiroz, selecionador de Portugal. Causaram-me espécie alguns nomes que constam e que faltam. Foram chamados 24 jogadores, numa referência clara de que irão esperar até o último instante pra ver se Pepe terá condições. Caso não as reúna, será cortado, estando o sportinguista Pedro Mendes já ambientado.

A presença do médio leonino foi uma das surpresas, assim como José Castro, lateral do La Coruña, Ricardo Costa, zagueiro do Lille e dos goleiros Daniel Fernandes, que atua no grego Iraklis(!), e Beto, do Porto. Ora essa! Como é que o Queiroz deixa de fora o principal goleiro do Campeonato Português, o benfiquista Quim, para chamar o Beto, que é reserva do Porto? Não por eu ser benfiquista, mas nosso arqueiro é o melhor pra posição. Agora, estranha mesmo foi a ausência do João Moutinho. Ele esteve presente em todas as convocações desde pouco antes da Eurocopa e ficou de fora. Como consolo, está na lista dos seis reservas, caso algum dos convocados não possa ir.

Particularmente, gostaria de ver o Nuno Gomes jogando sua terceira Copa, mas isso é apenas um gosto pessoal, apesar de ter que aturar o Hugo Almeida. No mais estamos bem serviços, apesar das laterais, eterno calcanhar de Aquiles do time desde que Dimas se aposentou. Temos Deco, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, mas não é o suficiente para algo maior do que sonhar.

O bacalhau está de molho, os tremoços já estão na geladeira e o vinho e a sardinha só esperam para serem degustados. E quero fazê-lo, em 11 de julho, assistindo a Brasil e Portugal. Com estas listas ficou mais difícil, mas confiemos nos Carlos, o Caetano e o Queiroz.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O ocaso do fenômeno

* Por Humberto Pereira da Silva

Nas duas últimas décadas poucos jogadores de futebol tiveram o destaque de Ronaldo. Precoce, aos 17 anos foi convocado para a seleção que ganhou a Copa de 94; aos 20 anos foi eleito pela Fifa melhor jogador do mundo e deu ao prêmio a importância midiática que passou a ter (quem, além de aficcionados por futebol, lembra que no ano anterior à sua eleição o eleito foi o liberiano George Weah?). A carreira de Ronaldo também foi conturbada e controversa. Desde o início, olhado com desconfiança por não poucos, nunca chegou a ser exatamente unanimidade quanto ao lugar que lhe cabe na história. Não ganhou títulos importantes nos clubes europeus pelos quais passou, não foi um artilheiro arrebatador em temporadas seguidas, não satifez as expectativas em duas Copas, 98 e 2006, em que se esperava muito dele, e agora, aos 32 anos, quando teria idade para uma última Copa do Mundo, não faz parte dos planos de Dunga.

Mas, mesmo seus maiores críticos teriam dificuldades para justificar que seu nome não se inclua no catálogo dos maiores da história. Ronaldo é o maior artilheiro de todas as Copas e, depois de Pelé, quem mais marcou gols pela Seleção. Ronaldo, ainda, queimou a língua de seus críticos: tido por acabado para o futebol depois de grave contusão em 2000, em 2002 foi artilheiro da Copa com 8 gols, feito que desde Gerd Müller, com 10 gols em 70, nenhum outro jogador chegara a tanto (só para recordar, o polonês Lato fez 7 gols em 74 e até Ronaldo ninguém chegou sequer aos 7 gols de Lato: o alemão Klose fez 5 gols em 2006); tido por acabado novamente em 2008, depois de nova grave contusão, voltou, conquistou títulos pelo Corinthians e marcou gols dignos de Ronaldo.

Além das virtudes como jogador de futebol, Ronaldo parece ter algo que alimenta o mito e desconcerta os críticos: uma determinação pouco vista para ressurgir das cinzas. É essa crença que talvez possa justificar certo silêncio diante de suas atuações recentes. Um crítico cuidadoso poderia ter a língua queimada com um Ronaldo decisivo na Libertadores da América. De qualquer forma, para quem viu Ronaldo partir do meio de campo em zigue-zague na direção do gol e não tomar conhecimento dos adversários, é patético vê-lo com dificuldade para chegar antes da marcação ao receber um passe com a bola a não mais que dois metros de seu corpo.

Para quem ressurgiu em momentos nos quais os mais otimistas não esperavam tanto, difícil dizer que a hora passou. Mas, me parece, chega o momento de se pensar se Ronaldo terá suficiente sensibilidade para separar o homem do fenômeno. O fenômeno está na história, caberia ao homem preservar o mito e encerrar a carreira com dignidade merecida. Esse é o dilema de Ronaldo Nazário de Lima no momento.

*Humberto Pereira da Silva, 46 anos, é professor
 universítário de Filosofia e Sociologia e crítico de
 cultura de diversos órgãos de imprensa.