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sábado, 5 de janeiro de 2013

A bola de vez

*por Breno Benedito

Após vencer o time do Chelsea, o Corinthians se tornou bicampeão do mundo. Mas o Timão não é o time do momento só dentro de campo. Fora dele, o time do povo está se especializando em dar surpresa ao mundo da bola. Desta vez, o infectado pelo bando de louco é o atacante Alexandre Pato.

Pato foi anunciado como o grande reforço para a temporada de 2013. O presidente Mario Gobbi e o diretor de futebol Duílio Monteiro Alves foram até a Itália repatriar Pato. Será mais um desafio para ambos. O Corinthians tenta se reerguer após o fiasco de Adriano. Já para Alexandre, esta é uma oportunidade de voltar a jogar bola e demonstrar que não é apenas uma eterna promessa e tirar de vez de sua vida as lesões que o acompanham desde a sua ida à Europa.

O Corinthians comprou seus direitos econômicos em 100%. O valor da compra foi de 15 milhões de euros, que transformados em reais giram em torno de 40 milhões ao Milan. O jogador ainda abriu mão de luvas para defender a camisa alvinegra. Numa futura negociação, o Corinthians terá 60% e o restante será de Pato.

Mas, o que está em jogo não é o valor pago pelo atacante. É dentro de campo. Ao todo, Pato teve 15 lesões, se contarmos apenas de 2011 pra cá. Tanto que o departamento médico corintiano ficou de plantão e chegou a ouvir médicos da CBF. Tudo para deixar o atleta em alto nível novamente.

Pato foi revelado pelo Internacional em 2006. O jogador despontou na partida em que fez dois gols contra o Palmeiras. Naquela ocasião, os gaúchos saíram com a vitória. Além disso, participou da campanha vitoriosa do time que venceu o Barcelona na final do Mundial de clubes, no mesmo ano.

Após um inicio arrasador, foi negociado com o futebol italiano. Porém, o atacante não se firmou por causa das seguidas lesões, principalmente musculares. Mas sua passagem não foi tão apagada assim, pois conquistou dois títulos: O scudetto da temporada 2010-2011 e a Supercopa da Itália de 2011.

Será mais um desafio para os dois. Desde que voltou à elite e revolucionou o futebol, todo ano o Corinthians faz sua aposta. Em 2009, o primeiro astro, Ronaldo Fenômeno, veio para ajudar o time de Mano em duas conquistas. Fez um primeiro semestre brilhante. Depois não rendeu o esperado. Em 2010 foi a vez do lateral-esquerdo Roberto Carlos, que mesmo não sendo o mesmo craque que foi considerado o melhor lateral-esquerdo da história do Real Madrid, mas ainda assim uma boa passagem. Já em 2011, Adriano veio com status de craque, o Imperador. Não deu certo, foi um fiasco total. 

Agora a bola da vez é Pato. Será que agora voa?

*Breno Benedito é corintiano, estudante de 
Jornalismo e trabalha na Federação Paulista de Futebol

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um trabalho sujo

* por Vinícius Carrilho

Um dos grandes sucessos da TV mundial é o programa Trabalho Sujo, apresentado e produzido por Mike Rowe. No Brasil, a série é transmitida há tempos pelo canal pago Discovery e também pela TV Bandeirantes, porém, neste último canal, em pequenos trechos. A ideia do programa é simples: mostrar os piores empregos do mundo.

Toda esta apresentação foi necessária para que de fato começasse a desenvolver o assunto inicial deste texto. Se algum dia encontrasse Mike Rowe pela rua, daria uma sugestão de emprego para que ele colocasse em seu programa. Sem dúvidas, falaria ao americano que uma das piores profissões do mundo é ser técnico da Seleção Brasileira de Futebol.

Escolher os melhores jogadores do Brasil parece ser um trabalho fácil, porém torna-se um verdadeiro martírio quando se tem mais de 190 milhões de patrões, sendo que a grande maioria é de uma incoerência digna de estudos. A começar pelo fato de que todos batem no peito e dizem não estão nem um pouco interessado na Seleção Brasileira, porém não é bem assim que as coisas são.

Comece pensando nos acontecidos pós Copa do Mundo de 2002. Parreira assumiu a Seleção Brasileira após um grande trabalho no Corinthians. Credenciado por sua longa carreira no futebol, tinha em mãos uma equipe repleta de bons jogadores, todos já com bagagem no mundo da bola. Reeditando a dupla tetracampeã do mundo com Zagallo, o treinador viu seus comandados conquistarem uma vitória heroica na Copa América de 2004 e ressurgirem das cinzas na Copa das Confederações de 2005, passando por equipes como Alemanha e Argentina após uma derrota para o México e um empate com o Japão na primeira fase.

Chegou então o ano de 2006 e o Brasil aparecia como a melhor equipe da Copa do Mundo da Alemanha, muito pelo chamado “quadrado mágico”, formado por Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo por duas vezes; Kaká, grande estrela do Milan; Ronaldo, o fenômeno e herói da última Copa do Mundo; e Adriano, ainda considerado o Imperador de Milão. Parreira não titubeou, atendeu ao apelo de seus 190 milhões de incoerentes patrões, que na época exaltavam essa grande equipe, e os colocou em campo. Porém, a magia do quadrado desapareceu e o Brasil acabou eliminado daquela copa por um gênio, que atende pelo nome de Zinedine Zidane. A partir deste momento, todas as conquistas anteriores foram esquecidas e então Parreira, de grande criador do quadrado mágico, passou a ser considerado velho demais por seus patrões. Resultado: deixou o comando da Seleção Brasileira.

Os patrões, que clamavam por renovação na comissão técnica e no time titular, tiveram mais uma vez seu pedido atendido. Dunga, em seu primeiro trabalho como treinador, chegava ao comando da Seleção Brasileira e promovia uma renovação moderada. Nomes conhecidos, como os de Júlio César, Lúcio e Kaká receberam a companhia de nomes até então desconhecidos, como os de Afondo Alves e Felipe Melo. A pressão sob o treinador começou aí e ele foi resistindo, vencendo a Copa América e a Copa das Confederações. Chegava então 2010.

A Copa da África do Sul começou com algum susto para o Brasil, após uma vitória magra por 2 a 1 sobre a Coréia do Norte. Na sequência, um trunfo sobre a Costa do Marfim e um empate com Portugal deram ao time o primeiro lugar do grupo. Nas oitavas, o Chile foi presa fácil e então chegou a Holanda. Com uma falha de Júlio César e uma expulsão de Felipe Melo (que antes havia dado a assistência para o gol de Robinho), a Seleção Brasileira estava mais uma vez fora do mundial e os dias de Dunga, que acabava de perder seu primeiro campeonato profissional, contados. Os patrões demitiam mais um treinador.

Então era a vez de Mano Menezes desempenhar um dos piores trabalhos do mundo. Vitorioso no Corinthians, o jovem treinador chegava credenciado também pelo trabalho realizado do Grêmio, anos antes. Os patrões, mais uma vez, clamavam por renovação e Mano atendeu, trocando praticamente todos os outros antigos convocados do último mundial. A safra de atletas era uma das mais fracas dos últimos tempos, porém a média de idade do time caiu consideravelmente.

Em campo, o técnico colocou o que havia de melhor e todos os jogadores em suas posições de preferências, da forma como atuam em seus respectivos clubes. Até então se passaram dois anos desde a contratação de Mano e em duas competições (sendo uma os Jogos Olímpicos, formado por jogadores Sub23), duas derrotas.

Mais uma vez os patrões não perdoam e pedem o cargo do treinador, que realiza exatamente o que antes era pedido a ele. Mano Menezes sabe que a paciência dos inconstantes donos da Seleção Brasileira se esgotará em seu próximo revés e a Copa do Mundo de 2014, antes meta imposta ao mesmo, pode ser vista apenas pela televisão. A última reclamação por parte dos patrões foi a convocação do goleiro Cássio, considerado o melhor arqueiro da Copa Libertadores da América de 2012. Acusam o técnico de ter convocado o jogador por ele ser empresariado por Carlos Leite, também empresário de Mano Menezes.

É por essas e outras que indicaria este cargo para o programa de Mike Rowe. Parece ser impossível conseguir agradar tanta gente que não suporta uma derrota ou a ideia que seu produto já não tem mais a qualidade de outros tempos. Parece impossível imaginar que algum dia, após tantas atitudes tomadas e pouco resultado final, passem os patrões a entender que deve ser cobrado aqueles que de fato fazem o jogo, dentro das quatro linhas. E se encontrasse Mano Menezes, acho que apenas diria para ele: “mas que trabalho sujo esse que você arrumou, hein mano?!”.

* Vinícius Carrilho tem 21 anos, é estudante de Jornalismo, 
morador de Osasco e gostaria de ganhar a vida fazendo humor, 
mas escreve melhor do que conta piada.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Espiríto vencedor

Definição de equipe: Um grupo de pessoas que geralmente se une para alcançar um objetivo em comum.

Que tal substituirmos o termo ali de cima por Corinthians de 2012? Vejamos a escalação: Júlio Cesar, Edenilson, Chicão, Leandro Castán e Fabio Santos; Ralf, Paulinho, Alex e Danilo; Jorge Henrique e Liédson. Onde está o craque? O jogador que pode decidir um título para o alvinegro?
A resposta para as perguntas simplesmente não existe. O Corinthians não tem craque. Tem foco, objetivo traçado e me parece bem traçado. Quem chega se encaixa no modo de trabalhar. Se não encaixar, ganha um recado dizendo “Já vai tarde”. Adriano é a prova disso.
Douglas seria o 10 de muitos times brasileiros. No Corinthians é mais um. Mais um para esta equipe que ainda conta com Emerson Sheik, Willian e Elton entre os reservas.
E o responsável por tudo isto, tem nome, sobrenome, mas pode ser mencionado em apenas quatro letras: Tite. O antigo retranqueiro teve tempo para trabalhar, montou um esquema seguro, onde todos sabem o seu posicionamento.
Se vai ganhar, não podemos saber. O fato é que essa equipe é forte, concisa, consistente de tal forma que mesmo sem um craque pode ser considerada favorita ao titulo da Copa Libertadores da América.
Esperar o fim deste semestre, com ou sem final feliz, talvez seja a melhor solução.

terça-feira, 13 de março de 2012

A ficha caiu

Demorou, mas o Corinthians finalmente criou vergonha na cara e dispensou os "serviços" de Adriano. O ex-Imperador nunca esteve pleno do Parque São Jorge, nunca vestiu a camisa, de verdade (mesmo porque não cabia).

Adriano é mais um caso de um talento extraordinário jogado fora. Tem uma explosão descomunal, uma força impressionante e um chute absurdamente forte. No entanto, para prevalecer, é necessário que esteja em forma, pois tecnicamente é um jogador apenas esforçado, trivial, comum.

Em momento algum ele foi sequer a sombra do jogador que arrebatou o mundo com a camisa da Internazionale e até da Seleção antes da Copa de 2006. Depois que perdeu o pai, Adriano só desceu, e a queda é vertiginosa demais, mesmo para quem só faz besteira fora de campo.

E a lista é extensa demais: foto alusiva a uma facção criminosa, foto com metralhadora, a história do pé queimado na lâmpada, a moto para a mãe do traficante, sem contar os inúmeros atrasos aos treinos. A verdade é que ele simplesmente não se ajuda, nem quer ser ajudado. O destino deve ser o Flamengo, time acostumado a contratações no estilo "me-engana-que-eu-gosto".

No filme "Boleiros - Era Uma Vez o Futebol', Ugo Georgetti mostra, pelo personagem Paulinho Majestade, vivido por Aldo Bueno, um jogador que teve fama e riqueza, mas que perdeu tudo, e vive às sombras do próprio passado. É ficção, mas a película é um retrato fiel do que acontece aos montes. Jogadores muito maiores que o Imperador, como Jorge Mendonça, George Best e, sobretudo, Garrincha, tiveram dinheiro e fama, e morreram na miséria. Adriano é milionário, mas não vê que está se afundando, e um dia o dinheiro acaba.

Aí a Balada nº 7 cantada pelo extraordinário Moacyr Franco para homenagear Garrincha cairá como um par de chuteiras feitas sob medida para o Imperador, sem o brilho do Anjo da Pernas Tortas, mas com o mesmo final previsível.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Me engana que eu gosto

No fim da década de 1970 havia um ditado que rezava que "quando a Arena vai mal, mais um no Nacional; quando a Arena vai bem, mais um também" para explicar o inchaço do número de times no Campeonato Brasileiro, além de demostrar como os dirigentes, politicos ou dos clubes, usavam o futebol como instrumento de manobra.

Os políticos não usam mais a bola com tanta frequência por conta de uma mudança no comportamento do eleitor. Já os dirigentes dos clubes continuam useiros e vezeiros da prática, já que os torcedores se prestam ao papel de massa de manobra. No lugar de clubes no Nacional, contratações de impacto para o clube, mesmo que o caixa não suporte tamanha estripulia.

Pior que isso, não há critério técnico algum. O negócio é dar munição para os torcedores mais bravateiros fanfarronearem com os rivais. E ele, torcedor, aceita de bom grado, invariavelmente, mesmo que o risco de o negócio fazer água seja iminente.

Vejam o Palmeiras, em 2008: time redondinho, Jorginho, hoje na Lusa, com uma campanha irrepreensível. E o que fizeram? Além da troca pelo Muricy Ramalho, trouxeram o Vagner Love para o ataque, sem a menor necessidade. No caso do técnico, Muricy tinha história suficiente para justificar sua chegada ao Palestra. Já o Artilheiro do Amor, além de brilhar em uma Série-B, em 2003, nunca fez nada que justificasse o empenho para trazê-lo. Deu em nada, é claro.

Agora fazem a mesma coisa com o Valdívia. El Mago, como é chamado, nunca jogou o que pensam (ou ele mesmo pensa) que joga. Um ou outro lance esporádico, um ou outro chute no vazio, um ou outro gol e um ou outro dia fora do Departamento Médico do clube. E custou €7 milhões ao cofres do Palestra, que acaba de perder a chance de recuperar parte do investimento ao não negociá-lo com um Al qualquer coisa de algum país do Oriente Médio.

São Paulo e Corínthians contrataram o Imperador Adriano, mesmo com toda a fama de jogador-problema que o atacante tem. Ele alterna jogos fabulosos com confusões homéricas, o que põe em risco o alto investimento que se faz ao contratá-lo. Além do mais, se não estiver fisicamente nos cascos, Adriano não passa de um jogador comum, mas com um chute muito forte. Lesionado assim que chegou ao Parque São Jorge, ainda não entrou em campo.

Agora é a vez de Luis Fabiano, que nunca ganhou nada de relevante no clube e sempre negou fogo nos jogos grandes, ser a bola da vez. Foi recebido por mais de 40 mil ensandecidos tricolores no Morumbi, se machucou e ainda não estreou. Pela história no clube do Jardim Leonor, não espero muito dele.

Mas a cereja do bolo está no Flamengo: Ronaldinho Gaúcho foi disputado a tapa por Palmeiras, com quem estaria apalavrado, Grêmio, que o revelou, e Flamengo, que acabou levando a melhor. Ou a pior, pois o ex-melhor do mundo até agora não justificou os milhões de reais tirados sabe lá Deus de onde para trazê-lo. Alguns golos, o título carioca, mesmo sem ter brilhado no campeonato e bons jogos enquanto o Rubro-Negro esteve bem como um todo, o que lhe valeu a volta à Seleção, onde jogará o mesmo de sempre. Agora o Flamengo, que ficou invicto por quase sete meses, está em queda-livre e ele se esconde em campo.

Aí o torcedor, que ria feito uma hiena, amaldiçoará o que meses antes havia abençoado. Mas não tem nada não. É só trazer mais um jogador com muito nome e pouca bola, que o pessoal da arquibancada continuará dizendo "me engana, que eu gosto".

quarta-feira, 16 de março de 2011

Vantajoso para quem?

por Thiago Albino*

Muito tem se falado durante as últimas semanas sobre a ida do “Imperador” Adriano para o Corinthians. Será que vale a pena?


Que o Adriano cairia bem em qualquer equipe pela sua qualidade dentro de campo, todo mundo sabe. Mas, as atitudes dele perante um clube e sua vida pessoal deixam a desejar, e muito.

Desde seus tempos de Internazionale, após o falecimento de seu pai, o Imperador vem enfrentando problemas que estão atrapalhando sua carreira, como deixar de ir a uma Copa do Mundo por culpa própria.

Enfim, depois da Inter de Milão, o Imperador passou por São Paulo, voltou para Milão. Nesse meio tempo, o jogador se desligou da equipe italiana e decidiu dar um tempo dos gramados, o que acabou não acontecendo. Dias depois assinou com o Flamengo.

Durante o tempo que ficou nesses clubes, o jogador foi alvo de criticas, pois fora de campo sempre aprontava.

Depois de ser campeão Brasileiro com o time carioca, Adriano acertou sua ida para a Roma, parecia que tudo estava voltando ao normal. Porém, o velho Adriano deu as caras novamente e começou a fraquejar. Não deu outra: o clube italiano rescindiu seu contrato.

Bem, agora o Corinthians quer ter o Imperador. Caso venha a ser uma jogada de marketing, é bom para ambos, pois o atacante, querendo ou não, chama a mídia para ele. Mas esse "chamar a mídia" pode ter alguns aspectos diferentes: como jogador, seria uma boa contratação; como marketing também. Agora, por que contratar um jogador que fora de campo sempre dá trabalho? Que pode acordar e perceber que não quer mais jogar pelo clube, não morar mais em São Paulo?

Não entendo algumas coisas: todos os clubes do mundo sabem o quanto Adriano causa problemas, mas mesmo assim querem sua contratação.

Falar que o Adriano pode ser recuperado já virou rotina. Ele teve oportunidades para isso e não soube aproveitar. A carreira desse rapaz está caindo aos poucos, só ele não percebeu.

Thiago Albino, 19 anos, estudante de Jornalismo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Sobre a presunção

O São Paulo sempre foi tido como um exemplo de administração. O clube sempre se gabou de não precisar de parceiros para tocar o futebol, pois essa história de co-gestão não funciona no Morumbi. É consenso, inclusive em boa parte da imprensa, que o Tricolor é o clube brasileiro que melhor se adequou ao monstrengo chamado de Lei Pelé. Afinal, ninguém ganhou mais dinheiro transacionando jogadores do que o São Paulo (mesmo que, para isso, tenha o pessimo hábito de aliciar garotos da base de outros clubes). Enquanto os outros, pobres co-irmãos, têm em seus quadros os conselheiros, o presunçoso representante da nobreza paulistana também os tem, mas sob a pomposa alcunha de cardeais.
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Os são-paulinos são diferentes em tudo. Desdenham das fases iniciais dos campeonatos porque, para eles, o filé-mignón, a decisão, é o que interessa. É aí que batem no peito e lotam o Morumbi, "o maior estádio particular do mundo", segundo eles. Outro "diferencial" tricolor é a apresentação dos uniformes: times comuns as fazem ou na própria sede social ou em alguma grande loja de artigos esportivos. O São Paulo não! Seus concorridos eventos são realizados na Oscar Freire. É mais fashion, né?
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Essa conversa de que o São Paulo Futebol Clube está um passo além da concorrência até que era, de certa forma, verdade. Desde que a fórmula de disputa do Brasileirão mudou para os pontos corridos, quem melhor se houve foi o Tricolor. Este tipo de campeonato premia o time que for mais regular durante a disputa e, para tal, é necessário que haja planejamento, e o planejamento deve andar de mãos dadas com uma estrutura bem sólida, coisa que ele, o São Paulo, tem. Outro consenso é que o clube contrata com competência ímpar graças à excelente comissão técnica, que, aliás, é fixa. Um luxo no oásis de desorganização chamado futebol brasileiro.
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A grandeza de um clube é forjada através dos tempos. Como no Brasil o campeonato nacional é recente, se comparado a outros países, muito da história dos grandes clubes foi feita com os campeonatos estaduais. Com o advento do Campeonato Brasileiro, entretanto, já não bastava ser o melhor da sua rua. Tem que ser o melhor do bairro. Depois que competições internacionais como a Libertadores e o Mundial ganharam a projeção que têm, ser o melhor do país já não era tão importante assim. Agora deve-se ganhar o mundo. Outra coisa que não seja isso parece não ter importância.
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Eis o maior problema do São Paulo Futebol Clube. Depois que conquistaram a América - e o mundo -, os outros campeonatos passaram a valer menos do que nada. Em quase quarenta anos de disputa do Campeonato Brasileiro, o São Paulo é o único time a vencê-lo por três anos seguidos, sempre sob o comando de Muricy Ramalho. Como o treinador cometeu o pecado de não ganhar a Libertadores, foi enxotado do Morumbi. Não por coincidência, ninguém mais conseguiu emplacar um bom trabalho no clube.
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Há pouco tempo atrás, Rogério, o goleiro-craque-capitão-bandeira (sem ironia), disse que não conseguia imaginar o São Paulo fora da maior competição sulamericana. Um bom tempo depois foi a vez do boquirroto Carlos Augusto Barros e Silva dizer que a Copa do Brasil não está à altura do clube. Juvenal Juvêncio, o presidente, não é dos mais humildes. Eis que o São Paulo perdeu a mão não só nas contratações, mas no planejamento. Sob a ilusão de ser o sonho de todo jogador, sujeitou-se a virar reformatório de jogadores problemáticos, como Carlos Alberto e, principalmente, Adriano.
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Pelo visto, depois de seis anos consecutivos disputando a Libertadores, o time do Jardim Leonor terá que se contentar em juntar-se aos pobres e jogar a Copa do Brasil. Para tanto, terá que voltar a ser humilde, como nos tempos em que era treinado por um homem que, ao contrário dos que estão no comando do clube, sabia detectar limitações. Afinal de contas, não é só no dicionário que a arrogância aparece antes do fracasso.

sábado, 15 de maio de 2010

Nossos Carlos

Caríssimos, como de hábito resolvi esperar um pouco pra tentar entender o que se passou nas listas de convocados das seleções lusófonas para a Copa. Vou ser bem sincero com vocês: não gostei de ambas.

Pra início de conversa, falemos sobre os escolhidos do Dunga. Deles eu só não esperava pelo Gomes, do Tottenham. Apostava no Victor, do Grêmio, ou no Hélton, guardarredes do Porto. No mais o Dunga não me surpreendeu. Inclusive na convocação do Grafite, já que ele esteve bem quando foi colocado em campo e eu tinha ouvido um cochicho, de fonte securíssima, quanto à sua convocação. Entretanto, se há um atacante que deveria ser convocado, pelo que vem jogando ou pelo que mostrou nas vezes em que atuou pela Seleção, este é Diego Tardelli. Se tivesse convocado o atacante do Galo, ninguém poderia chamar o treineiro de incoerente.

No que toca aos ausentes, talvez o PH Ganso, do Santos, e o corintiano Roberto Carlos poderiam ter lugar. O primeiro, porque seria um bom regra três pro caso de o Kaká não poder jogar. Já o experiente lateral não precisa ser testado, não é ruim de grupo e está jogando muito. Além do mais, os dois nomes chamados pra posição, Michel Bastos e Gilberto, além de jogarem no meio de campo, não vivem lá os melhores momentos da carreira.

Neymar não tem lugar, Ronaldinho Gaúcho não merece jogar outra Copa, Ronaldo é um ex-jogador em atividade e Adriano se desconvocou. Este se sobressai pelo enorme vigor físico que tem, pois tecnicamente é apenas comum. Como não tem agido como atleta, tornou-se um atacante mediano.

Embora entenda as razões que o levaram a chamar quem chamou, não significa exatamente que eu tenha gostado. Com esse inchaço de volantes e meias com características defensivas, ficou claro que a postura do Brasil de Dunga será especular e sair nos contra-ataques rápidos. Afinal, quem joga no erro do adversário, como faz o escrete nacional desde que o capitão do tetra assumiu o comando, não necessita de meias cerebrais. Basta ter médios que tenham um bom passe (e isso tanto Ramires, Felipe Melo e Josué têm) para acionar sobretudo os laterais, estes os principais fornecedores de bolas para os atacantes tupiniquins.

O que me preocuparia, caso estivesse torcendo para o Brasil, seria o fato de que, se marcarem as laterais e o único meia de criação, por ora Kaká, matarão o time, que dependeria exclusivamente dos lampejos do Robinho e do oportunismo do Luís Fabiano. Pra sorte do Carlos Caetano o país conta com a melhor defesa do mundo, que tem os ótimos Lúcio, Juan e Luisão, além do Júlio Cesar, melhor goleiro do planeta e que voltou a jogar bem. Ainda assim, acho pouco para uma Copa.

Pegando o voo Rio de Janeiro-Lisboa, chegamos à lista dos eleitos de Carlos Queiroz, selecionador de Portugal. Causaram-me espécie alguns nomes que constam e que faltam. Foram chamados 24 jogadores, numa referência clara de que irão esperar até o último instante pra ver se Pepe terá condições. Caso não as reúna, será cortado, estando o sportinguista Pedro Mendes já ambientado.

A presença do médio leonino foi uma das surpresas, assim como José Castro, lateral do La Coruña, Ricardo Costa, zagueiro do Lille e dos goleiros Daniel Fernandes, que atua no grego Iraklis(!), e Beto, do Porto. Ora essa! Como é que o Queiroz deixa de fora o principal goleiro do Campeonato Português, o benfiquista Quim, para chamar o Beto, que é reserva do Porto? Não por eu ser benfiquista, mas nosso arqueiro é o melhor pra posição. Agora, estranha mesmo foi a ausência do João Moutinho. Ele esteve presente em todas as convocações desde pouco antes da Eurocopa e ficou de fora. Como consolo, está na lista dos seis reservas, caso algum dos convocados não possa ir.

Particularmente, gostaria de ver o Nuno Gomes jogando sua terceira Copa, mas isso é apenas um gosto pessoal, apesar de ter que aturar o Hugo Almeida. No mais estamos bem serviços, apesar das laterais, eterno calcanhar de Aquiles do time desde que Dimas se aposentou. Temos Deco, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, mas não é o suficiente para algo maior do que sonhar.

O bacalhau está de molho, os tremoços já estão na geladeira e o vinho e a sardinha só esperam para serem degustados. E quero fazê-lo, em 11 de julho, assistindo a Brasil e Portugal. Com estas listas ficou mais difícil, mas confiemos nos Carlos, o Caetano e o Queiroz.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Hoje não faz sentido

Hoje não faz sentido falar da sensacional vitória do Corínthians no Majestoso;

Hoje não faz sentido pensar sobre mais uma derrota tricolor em clássicos;

Hoje não faz sentido citar o hipnótico Santástico show da Vila Belmiro;

Hoje não faz sentido debruçar-se sobre a crise palestrina;

Hoje não faz sentido lamentar o último amarelaço da Portuguesa de Desportos;

Hoje não faz sentido falar da pança do Ronaldo, dos pileques do Adriano ou das amizades do Vágner Love;

Hoje não faz sentido assistir aos programas ditos esportivos, pois o cronismo esportivo acabou de perder o pouco do sentido que ainda tinha.

Morreu Armando Nogueira.

Hoje nada faz sentido.