Disputar um campeonato difícil (e ruim) como o
Brasileiro na condição de patinho feio é complicado. Como o esporte é
tratado como mero negócio (ou um negócio de meretrício), quem não for
economicamente atraente é expurgado.
O critério técnico, que deveria ser o único a nortear a
disputa, é relegado a um segundo plano. A própria TV, com
a sua divisão de cotas desigual, cria um apartheid entre os clubes. Isonomia?
Não, isso é palavrão. Aliás, palavrão pode até ser dito, igualdade, não. Justiça, então? Esqueça!
O futebol é um patrimônio cultural e imaterial do país.
É tão do povo quanto são a água e o ar. Sendo assim, não tem (ou não deveria ter) dono,
exceto o próprio país. Então, como ocorre com as empresas que exploram os recursos
naturais, deveria haver uma compensação por parte da detentora dos direitos de
transmissão, que deveria abrigar em sua grade todos os times. Os 20.
Tudo joga contra: a confecção da tabela, que marca
muitos jogos em casa para às 21 horas, o que afugenta o torcedor do estádio;
a composição desse engodo imposto pelo estatuto do torcedor, que é o sorteio da
arbitragem. Vendido como forma de tornar transparente a escolha de quem vai
apitar a partida, não passa de um sofisma, de uma meia-verdade. É só colocar no
sorteio juízes "caseiros" ou aqueles, digamos assim, mais
suscetíveis a pressão, menos tenazes, quando for interessante que o time da
casa vença.
Quando for o contrário, chama-se os gaveteiros e
carreiristas, que eles fazem o serviço. Transparência garantida. Eficácia,
ainda mais. Desta forma, os interesses econômicos ficam acima da disputa
desportiva. O triste é que tem torcedor (e não são poucos) que acha isso certo.
A diferença entre a indignação e o esfregar das mãos está em saber para qual
lado o apito será soprado. Reflexo de uma sociedade cada vez mais corrupta e hipócrita, qualquer que seja o nível, qualquer que seja a classe.
Assim fica fácil ser grande. Aliás, grande, não! Forte.
E é uma força relativa. Eu, por exemplo, sempre preferi andar a pé a
usar um carro roubado. Mas nem todos pensam assim, sobretudo quando são
agraciados pelos resultados pré-fabricados.
É como a briga entre o mar e o rochedo, na qual quem
leva a pior é o marisco. E o marisco, no caso, é o futebol.
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